The Devil Within

1 2x01 - Home Is Where Heart Is


Notas iniciais
Aqui vamos nós. E um grande obrigada para a Hunter Pri Rosen, que fez uma linda, maravilhosa e perfeita recomendação para a primeira temporada. Fiquei muito feliz :) Espero que todos gostem do capítulo.

Queria estar com você, mas não posso ficar

E toda direção me leva para longe

Rezo por amanhã, mas por hoje

Tudo o que eu quero é estar em casa

De pé no espelho, você parece o mesmo

Somente a procura de um abrigo, do frio e da dor

Alguém para me cobrir seguramente da chuva

Tudo o que eu quero é estar em casa

Ecos e silêncio, paciência e graça

Todos esses momentos, eu nunca substituirei

Sem medo do meu coração, ausência de fé

Tudo o que eu quero é estar em casa

Das pessoas que eu amei, não tenho arrependimento

De alguns eu lembro, de outros eu me esqueço

Alguns deles estão vivos, alguns deles mortos

Tudo o que eu quero é estar em casa

Foo Fighters

17 de julho de 2006.

Sam e Alicia tiveram alta após 24 horas de observação, foram liberados logo pela manhã; fora alguns ferimentos leves, nada de mais grave tinha acontecido com eles; John estava sendo mantido sedado; tinha vários ferimentos, mas não corria risco de vida, e Dean, infelizmente, estava em coma e em sério risco. A preocupação de ambos com Dean era dolorosa. Nenhum dos dois sequer cogitava acontecer o pior. Era preciso acreditar que ele acordaria. Não havia um mundo sem Dean.

Alicia e Sam passaram o dia se revezando entre os quartos. A impressão que Sam tinha era que ela evitava ficar no mesmo ambiente que ele. E não estava errado – Alicia estava realmente evitando ele. Agora, ela estava tentando se manter ocupada. Lidar com os problemas dos outros era muito mais fácil do que lidar com seus próprios problemas, e assim ela se mantinha ativa – perturbava os médicos, conversava com os policiais, ligava para Bobby para ele resgatar o Impala.

Eram seis da tarde e ela estava saindo do banheiro do hospital, pronta para passar a noite revezando-se entre o quarto de Dean e de John. A única solução ali parecia rezar. Mas funcionaria? Deus nunca tinha ouvido as preces dos Winchesters e de Alicia.

–Ei, posso dizer uma coisa? – era um jovem médico residente – já que entre você e o Sr. Simon, você parece estar com a cabeça mais fria.

Simon era o sobrenome falso que tinham dado; John ainda matinha um plano de saúde com os nomes William Simon, Derek Simon, Jesse Simon e Suzannah Simon.

–Sim? – perguntou Alicia, já desconfiada. Seria um demônio?

Ela estava vendo demônios em todos os lugares. Cada vez mais entendia a paranoia de John, e talvez entendesse melhor também a obsessão pela vingança de Sam.

–Vocês dois também sofreram o acidente. Sei que estão preocupados, mas precisam descansar. Eu daria um lugar para vocês aqui, se eu pudesse. Mas como médico, estou preocupado com vocês também. Um acidente é sério, mesmo com ferimentos leves, vocês precisam de descanso, seus corpos foram submetidos a um estresse físico e emocional muito grave, e agora a situação da família de vocês é mais um estresse emocional, e isso pode sim evoluir mal. Não tem como vocês irem para um hotel ou coisa parecida? É só um conselho. Entendo que querem ficar por perto, mas...

Alicia lembrou-se da própria imagem no espelho que viu há segundos: estava suja, machucada e com enormes olheiras. Há quantos dias não dormia? Lembrou-se de Sam, o rosto ainda destruído pelo demônio que bateu nele. O médico tinha razão. Não tinham utilidade para ninguém naquele estado. Foi como se finalmente tivesse percebido as dores no corpo e o peso do cansaço. A ideia de ficar sozinha com Sam ainda a deixava ansiosa, mas de repente, tudo o que ela mais queria era descansar. Eles não estariam abandonando Dean nem John. Ela tinha tomado algumas precauções para proteger o quarto de ambos contra seres sobrenaturais, e sabia que disso estavam seguros. Alicia queria cama, e queria Sam. Queria conforto, paz, descanso. Queria chorar. Queria que seu corpo, e principalmente, sua alma, parassem de doer tanto. Dormir. Apagar. Esquecer. Que parasse de doer.

–-

Uma hora depois, ela voltou ao corredor onde ficavam os quartos de Dean e John. Sam estava dormindo sentado numa das cadeiras no corredor. Ela tinha pegado um quarto num hotel ao lado do hospital. Era um quarto de hotel dos grandes, com três ambientes: um pequeno hall como sala, e dois quartos. Separados. Então tinha tomado banho e trocado de roupa. Agora arrastaria Sam para lá.

–Sammy? – ela chamou ele delicadamente, se ajoelhando ao lado dele. Mesmo assim, ele acordou assustado.

–Allie – ele disse, e a maneira que ele falou o nome dela fez o coração dela disparar, era com um sussurro, um desejo contido, o carinho que tanto faltava a ela e por qual ela ansiava e tinha tanto medo de perder. Era o Sammy dela, e eles podiam ser novos e um pouco inocentes de novo – você voltou. Eu já estava preocupado.

–Eu peguei um quarto, num hotel aqui do lado. – ela disse – eu também não quero deixá-los, mas Sammy, não vamos ajudar em nada se não descansarmos. Eu já tomei as precauções.

Para a surpresa dela, ele foi sem reclamar muito. Talvez porque estivesse extremamente sonolento.

–-

O sono de Alicia não foi tranquilo. Seus sonhos foram visitados pelo demônio de olhos amarelos no corpo de John, Dean sangrando até a morte. Todo mundo sangrando até a morte. Aberração.

Ela acordou pensando: o demônio de Olhos Amarelos sabe quem eu sou. Lembrou-se que tinha dito aos Winchesters que acreditava que o nome dele era Azazel. Nunca tinha se perguntando qual demônio era seu pai. Sabia que era um poderoso, que tinha sido expulso do inferno no século 17, quando começou a se dedicar a criar uma nova espécie de criaturas. Queria ser Deus e atendia pelo nome de Dom Kavannagh, nobre que possuía muitas terras na Inglaterra e, ganancioso, vendeu a alma ao pai dela, que exigiu o corpo do homem após 10 anos. Mas ele devia ter um nome demônio, também. Fez uma nota mental de começar a procurar sobre isso quando tivesse algum tempo livre, tipo dali uns 200 anos, considerando que o problema dos Winchesters era mais urgente. Todos os pensamentos tiraram seu sono, e ela se levantou. Era uma da madrugada e ela tinha dormido poucas horas, mas se sentia elétrica. Foi até o pequeno hall de entrada e olhou pela janela, os olhos fixos em algo que só ela estava vendo, sua consciência visitando várias memórias, relembrando com detalhes.

–Allie?

Ela se virou rapidamente, quase de forma violenta. Tinha assustado. Sam também tinha acordado. Mesmo com todos aqueles machucados, ele era lindo, ainda mais com os cabelos bagunçados. Estava de pijama, e rapidamente, ela lembrou que estava apenas de camiseta e calcinha. Sentiu o rosto ficar vermelho.

Era realmente a primeira vez que eles ficavam sozinhos desde que Alicia tinha enlouquecido e dito que o amava. O que ela queria era fugir correndo e se esconder. O que tinha na cabeça? Após o acidente de carro, aquela impulsividade autodestrutiva que estava com ela desde o sequestro tinha sumido. Ela conhecia muito bem aquelas fases dela. Querendo ou não, era seu lado demoníaco.

–Não consegue dormir? – ele perguntou, tentando falar alguma coisa. Observou Alicia cruzar os braços em frente ao corpo. Ela estava claramente sem jeito, e usava apenas uma camiseta e calcinha. Ele não conseguia tirar os olhos dela, sentindo a ansiedade do que estava prestes a fazer. Mas não, ele não esperaria mais.

–Não. Pesadelos. – era como se o olhar de Sam a hipnotizasse. Ela não conseguia se mexer.

Sam rapidamente atravessou o espaço entre eles, parando em bem em frente dela, invadindo aquele espaço pessoal. Ela gostaria de ler a mente dele e ver no que ele estaria pensando. O que ele estava fazendo? Agora ele estava próximo o suficiente como se fosse beijá-la. Ela encostou as mãos no peito dele, sentindo o coração dele tão disparado quanto o dela.

–Eu amo você. – Sam falou, e talvez o coração de Alicia tenha de fato parado por alguns momentos – eu amo você, e eu não pude dizer antes, porque eu estava preocupado com um monte de coisas, mas nós quase morremos... E eu percebi que nós não tínhamos ficado juntos. E eu não posso morrer sem ter você. Porque eu ainda te amo. Depois de tanto tempo. E acho que sempre vou amar você. Talvez, como você disse, todos nós vamos morrer novos. Mas eu quero viver antes, eu quero ter uma chance de ser feliz, e eu quero estar com você. De verdade. Independente do que aconteça.

–Sam – Alicia disse, e apesar de ele estar dizendo exatamente o que ela queria ouvir, ela tinha medo. – minha vida é uma bagunça. Eu sou uma bagunça.

–Eu não ligo. Eu também sou uma bagunça. Podemos ser bagunçados juntos. Vamos só ficar juntos e fazer de tudo para dar certo.

–Eu amo você também – ela sussurrou, tocando o rosto dele com as pontas dos dedos.

Os lábios de Sam tocaram os de Alicia delicadamente, uma caricia muito leve. O beijo começou num ritmo lento e calmo. Das vezes que eles se beijaram, se beijaram como se o mundo fosse acabar em 10 segundos. Agora não. Agora eles queriam sentir cada momento, cada toque que tinha sido negado anteriormente. Cada sensação era preciosa.

Ele a abraçou pela cintura, puxando para mais perto, acariciando as costas dela. O beijo dela fazia Sam se sentir calmo e completo. Era como estar em paz em meio de uma tempestade. Estar com ela simplesmente era o certo a fazer, e ele não queria perceber isso tarde demais. Não queria continuar resistindo à única pessoa que conseguia fazer ele se sentir bem no meio de todo aquele desastre.

Alicia parou o beijo por um segundo, mas não se afastou dele. Ela inspirou profundamente, as mãos apoiadas nos ombros dele. Ela estava tentando decorar cada detalhe dele, cada centímetro do rosto dele, antes que algum demônio arrebentasse a janela e acabasse com tudo. Como se lendo os pensamentos dela, ele sussurrou “Vamos apenas esquecer de tudo hoje a noite, ok?”.

Sam voltou a beijá-la, dessa vez com mais paixão e intensidade, apertando o corpo dela com força, descendo as mãos para a bunda e pernas dela. Ela já estava suspirando com os beijos dele. Com um movimento rápido, ele a ergueu do chão, como se ela não pesasse nada. Ele a carregou até o quarto que ela estivera usando, ainda beijando ela. Sam a deitou na cama, deitando-se por cima dela, suas mãos passando por baixo da camiseta que ela usava, apertando os seios dela. Ele tirou a camiseta que ela usava com um puxão, e a jogou longe, distribuindo beijos em todo colo dela.

Alicia sentia-se flutuando, como se num sonho. De alguma maneira, ela esteve esperando por esse momento o tempo todo. E parecia que toda a vida dela tinha levado ela para ali – ela e Sam, Sam e ela, porque ela o amava tanto e agora, pela primeira vez, ela não estava com medo, assustada, com raiva. Fazia anos que ela não estava tão feliz e tão leve. Agora ela podia finalmente esquecer tudo e se concentrar nele, só nele, porque naquela noite, só haveria eles no mundo.

Eles rolaram na cama, Alicia ficando por cima dele. Ela também tirou a camiseta dele e eles voltaram a beijar, as bocas fazendo uma dança lenta, querendo aproveitar cada toque, cada segundo juntos. As mãos dele percorreram as costas delas procurando o fecho do sutiã e após algumas tentativas, Sam o soltou. Ela retirou e deitou-se em cima dele, as peles queimando com o contato intimo. Ela começou a beijar o pescoço dele, descendo por todo o peito, arrancando suspiros e gemidos de Sam. Ela cobriu todo o abdômen dele com beijos, descendo até a borda da calça que ele estava usando. Os dois rapidamente trataram de tirá-la.

A cueca dele estava estufada, e Alicia a retirou rapidamente também. Os lábios dela continuaram o caminho, envolvendo- com a língua e fazendo Sam gemer cada vez mais alto, respirando cada vez mais profundamente. Ele estava fervendo e provavelmente não aguentaria muito mais tempo.

–Allie – ele a chamou, quase gemendo o nome dela. Ela voltou à cabeça para ele, parando o que estava fazendo. Ela voltou a deitar em cima dele, e ele pressionou a virilha contra ela, fazendo ela soltar um gemido. Sam beijou os seios dela enquanto tirava a calcinha dela. Ele a trocou de posição, ficando por cima novamente.

Alicia passou as pernas em volta da cintura de Sam, e ele entrou nela, provocando gemidos altos em ambos. Ele começou a se movimentar, sentindo um impulso elétrico a cada movimento, uma eletricidade incrível percorrendo o corpo dele, deixando um com um prazer tão intenso, apenas outra vez ele tinha sentido algo tão forte — na única outra noite em que esteve com ela, há tantos anos atrás.

–-

Sam estava encostado nos travesseiros, com Alicia deitada em seu peito, seus braços envolvendo ela. Ambos respiravam profundamente.

–Allie?

–Hm? – ela perguntou, se apoiando nos cotovelos para olhar o rosto dele.

–Eu deveria me preocupar em te amarrar na cama para você não sumir misteriosamente?

Sam estava rindo, e Alicia começou a rir com ele. Ela se virou novamente, com a barriga para cima.

–Bobo.

–Você tem que admitir que é uma pergunta válida. – ele ficou em silêncio novamente, mexendo nos cabelos dela, perdido em pensamentos – Allie?

–Hm?

–Vira aqui.

Novamente, ela se apoiou nos cotovelos. Sam não disse nada, apenas a observou. Os cabelos dela estavam bagunçados, os lábios vermelhos, os olhos brilhavam. Para ele, ela nunca esteve tão bonita. Ele podia ver o quanto ela estava feliz e ele também estava.

–O que?

Dessa vez, Sam estava sério.

–Você não está escondendo mais nada de mim, está?

Alicia nem hesitou.

–Não. Eu juro que contei tudo que eu sabia. E... Se eu souber mais alguma coisa, você vai ser o primeiro a saber.

Sam sorriu, satisfeito com a resposta. Alicia sentiu a culpa pensando em seus ombros. Mas ela não ia pensar nisso agora. Não neste momento. Uma coisa de cada vez. Ela lidaria com esses problemas quando e se eles aparecessem. Sam não precisava saber de nada.

–Vamos fazer isso dar certo, ok? – ele disse, olhando para Alicia com intensidade – nossa vida nunca vai ser fácil, mas eu prometo que independente do que acontecer, vou continuar ao seu lado.

–Eu prometo o mesmo, Sammy.

Ele inspirou profundamente.

–Allie, eu tenho medo que... Alguma coisa aconteça com você. Aquele demônio de olhos amarelos, ele está matando todo mundo a minha volta...

–Sam aquele demônio não sabe ainda, mas ele tem medo de mim. – ela riu – eu sou uma caçadora. E eu já caço com você. Então acho que sempre fui um alvo, entende? Ele que tente me matar. Eu não estou com medo. E Sam... Sobre a Jessica.

Ela engoliu em seco. Odiava mencionar aquele nome bem ali. Mas detestaria mais que Jessica fosse um fantasma no namoro dela e de Sam, assistindo a tudo no pé da cama deles. Morta, silenciosa e perfeita. Os mortos não tinham defeitos. O relacionamento de Sam com Jess para sempre seria perfeito, e Alicia jamais poderia competir com ela.

–Por favor, não compare... Eu e ela. Apenas, não pense nisso. Sei lá. É estranho.

–Eu entendo o que você está dizendo. Eu sei que... Eu quero dizer, eu estava apaixonado por você, e depois conheci ela, ela morreu e agora estou com você. De novo. Eu sei que é complicado. Mas eu juro para você, Allie, eu não tenho intenção de misturar as coisas. Não significa que eu não a amei. Não significa que eu não ame você agora.

Alicia concordou, sem querer insistir naquele assunto espinhoso. Não queria assuntos espinhosos agora. Ela fechou os olhos, encostando novamente no peito dele, ouvindo os batimentos cardíacos dele. Não, agora ela queria ficar em paz.

–-

–Bom dia, meu amor.

Alicia abriu os olhos, um pouco perdida, sem saber onde estava e o que estava acontecendo. Meu amor? Então Sam deu um beijo próximo aos lábios dela e ela lembrou. Tinha dormido profundamente, pela primeira vez em muito tempo. Ela se sentou na cama. Estava usando apenas a camiseta de Sam, que era tão grande para ela que chegava aos joelhos.

–Que horas são? – ela perguntou. Sam estava parado de pé ao lado da cama, completamente vestido.

–Um pouco depois das seis. Eu sinto muito acordá-la para a realidade dessa maneira, mas nós temos que voltar para o hospital.

–Eu sei – ela respondeu, se levantando da cama. – mas acredite em mim, isso não foi tão ruim acordar assim. Eu meio que estava esperando demônios invadindo e terminando o que começaram. Você sabe, conhecendo a nossa vida, era o mais provável.

Sam deu uma risada e a beijou apaixonadamente.

–Eu amo você. – ele disse – e eu realmente gostaria de continuar nessa cama.

–Eu amo você também – ela riu do comentário dele – temos que ir. Vou tomar banho. Só cinco minutos.

Notas finais
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