The Deaths Song
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês!
Boa leitura.
Dita encarava a futuro marido que tinha expressão vaga, parecendo procurar as palavras certas.
-Aconteceu quando o rei Thomas ainda era jovem, enquanto ainda caçavam bruxas nos bosques e as matavam nos mesmos... O príncipe já tinha experiência, mas era requisitada uma prova de sua honra como um verdadeiro guerreiro para que pudesse governar o reino- dizia o príncipe referindo-se ao pai, fitando Dita, monitorando suas expressões- Era uma jornada fácil. Invadir uma cabana ao leste das montanhas e matar a bruxa, mas assim que a jovem feiticeira foi capiturada e algemada para a morte, palavras profanas e estranhas ao ouvidos dos soldados e do próprio príncipe começaram a ser sibiladas pela mulher. Todos aqueles que estavam naquela cabana foram amaldiçoados pela bruxa...-
Dita ainda o olhava, sem saber a que ponto seu querido Thomas queria chegar.
-Isso não justifica o nosso casamento, milorde- resmungou Dita- Na verdade, não existe ligação alguma entre nós e seu pai...-
O príncipe Thomas se aproximou da ruiva e pegou suas mãos geladas.
-É neste ponto que se engana, milady- disse ele, olhando para as mãos unidas. Ao soltar um longo suspiro, Dita levanta o olhar para Thomas- Meu pai está morrendo... A bruxa rogou-lhe uma praga tão forte que só veio atingir os homens culpados por sua morte décadas depois... Alguém a quem chamam de anjo deveria saber o que fazer quando se trata de salvar uma vida, quanto mais a de um rei-
-Eu não sou uma bruxa, Thomas!- retrucou Dita, irritadiça, mesmo sabendo que não deveria chamá-lo pelo primeiro nome, mas ao ouvir palavras tão insanas, sua educação e razão já haviam a muito sido perdidas- Como ousa insinuar tal coisa?-
-Minha intenção não foi insultá-la, Dita- dizia o príncipe, tentando acalmá-la- Perdoe-me, mas minha situação requer uma resposta, na verdade, um resultado-
-Do que está falando?- perguntou a ruiva, já se assustando com o que poderia ver e ainda assim temendo que aquilo fosse acabar mal.
-Salve o rei- disse ele, já perdendo a paciência.
-É impossível fazer tal coisa, Majestade deverá entender que não sou uma simpatizante da magia, muito menos, da magia negra...- murmurava Dita, mas foi surpreendida pelas mãos do príncipe que se agarraram a seus braços e mantinham uma pressão um tanto dolorosa.
-Pouco me importa com o que se simpatiza- disse ele, agressivo- Deverá tentar, tentar e tentar novamente. Ou então...-
Dita o olhava assustada, seus braços ficariam marcados por dias por culpa das mãos do príncipe.
Thomas havia mudado de humor drasticamente, agora sua face estava retorcida em uma carranca ameaçadora e seus lábios formavam um sorriso assombroso.
-Salve meu pai ou então será enforcada em praça pública como uma verdadeira bruxa- disse ele, soltando a bela ruiva que caiu no chão- Os aldeiões a apredejarão, como fazem com todos os ladrões que são enforcados, ao saberem que foram enganados por uma simples e suja meretriz que se faz de santa-
-Como pode ter perdido a cabeça deste jeito...?- murmurou Dita, sem pensar e ainda sem acreditar nas palavras que haviam acabado de sair dos lábios do futuro marido.
-Cale-se!- ordenou Thomas e ela se encolheu. O vestido já sujo de terra e as lágrimas já ameaçando cair- Nunca mais diriga a palavra a mim a não ser que tenha uma solução para a maldição de minha família-
Dita recobrou as forças e levantou do chão. Ela podia sentir o veneno de suas palavras na ponta da língua, sabia que não deveria, mas a raiva e o orgulho ferido nunca haviam a consumido tanto.
-Já tenho sua resposta, milorde- respondeu ela e o príncipe aguardava uma resposta. Lágrimas quentes desceram pelo rosto de Dita- O mal que assombra sua família sempre foi e sempre será a insanidade. A família Lawrence é manchada pelo sangue de inocentes e de culpados, o que ainda assim os torna assassinos frios e calculistas. O rei não morrerá pela maldição e sim de degosto ao saber que o próprio filho é um tirano...-
A única coisa que Dita sentiu foi o tapa que o príncipe Thomas lhe deu, sem pestanejar.
-Jamais ouse falar da minha família de novo- disse ele, já se afastando e parando para olhar para trás- Se eu souber que contou alguém sobre esta conversa, não terá de ser queimada, pois eu mesmo mandarei buscarem sua cabeça, anjo-
Thomas fez com que a última palavra soasse como um palavrão e retornou ao castelo. Dita podia sentir a bochecha ruborizada pelo tapa. Sua maior vontade era chorar, mas não ali naquele solo amaldiçoado pelo ódio de milhares de bruxas. Ao caminhar de volta para a saída do castelo, não encontrou sua carruagem e ficou a vagar pela estrada de terra. Foi caminhando em direção ao bosque e rezou para que algum animal selvagem a devorasse, pois afinal, já estava condenada a morte.
Notas finais
Os capítulos são curtos pois imagino-os como cenas, mas de qualquer forma, espero que gostem.
Comentem!
Fale com o autor