The Daughter of Shadows
22 Les... Gigantes canibais nos atacam
Notas iniciais
Pov: Amanda
Estávamos a 5 horas de Las Vegas e eu estava de guarda pela segunda vez. Piper me fazia companhia. Nós estávamos em silêncio fazia uma eternidade, até Piper perguntar:
– É legal ser filha de Hades?
– Depende. É bem legal, tirando o fato das pessoas ficarem olhando pra você como se você fosse explodir a qualquer momento. Ou como se você irradiasse morte.
– O que, na verdade, você faz.
Ela não devia ter dito isso. Isso não me ofendeu, mas eu não estava no melhor do humores.
– Sério? — apoiei o cotovelo no joelho direito, coloquei o queixo sobre a mão e olhei pra ela. — Pena que ninguém te perguntou! (Panda: Nossa que patada '-')
– Nossa. — Piper me olhou espantada. — Que rude!
– Obrigada!
Ficamos em silêncio pelo resto do turno dela. Ela dormiu e Will acordou. Nesse momento Jules Albert resmungou.
– Vish! Você está entendendo alguma coisa?
– Mais ou menos. — respondo. — Eu acho que precisamos abastecer!
– Tudo bem. Matt. — ele cutucou as costelas de Matt. — Cara, acorda.
– Sim? — ele levantou e olhou pra nós enquanto colocava os óculos. Um lado de seu cabelo estava lambido e o outro arrepiado. — O que foi?
– Precisamos que localize um posto de gasolina.
– Tá bom. — ele suspirou e pegou o mapa. Analisou por alguns segundos e depois apontou para um pontinho brilhante no mapa. Exatamente igual aquele em Las Vegas que mostrou a primeira porta. — Aqui. A 300 metros.
Enfiei a cabeça pra fora e localizei um ponto preto que devia ser o posto a alguns metros. Acordamos Percy e Nico.
Enquanto Jules Albert enchia o tanque, fomos até a lojinha de conveniência e fizemos compras. Quando Matt perguntou porque comprar comida pra levar, eu olhei pra ele, suspirei e apontei para Percy que passeava pelos corredores cantarolando uma música, às vezes caindo e quase derrubando muitos alimentos, e para Nico que estava com o cotovelo apoiado no balcão quase caindo de sono. Estavam todos muito cansados para parar. Quando chegamos ao caixa, tínhamos 5 sanduíches de presunto, 2 sanduíches de tofu, 2 caixas de suco, 1 garrafa de refrigerante, 3 garrafas de água, 6 pacotes de biscoito ,12 maçãs e 9 barrinhas de cereal.
– Deu 62 dólares.
Vi Percy levar a mão à espada. Mas felizmente nada nos atacou. Entramos na minivan e seguimos viagem. Fiquei de guarda de novo porque não estava com sono. Will também. Fiquei em silêncio por um minuto, depois perguntei:
– Will.
– Pois não?
– Você me acha assustadora?
– Não Amanda, você é demais.
– E você acha que eu irradio a morte?
– Bom... Sim eu acho. Mas não se preocupe, Nico também faz isso! E ele é tão incrível quanto você. — franzi a testa. Acho que ele percebeu porque disse: — Quer dizer, so que você é mais bonita e mais bem humorada!
Sorri.
– Agora dá só uma olhada aqui.
Me virei pra trás e Will estava com os óculos de Matt. Comecei a rir.
– O que está fazendo? — perguntei.
– Experimentando os óculos do Matt. Como eu fico?
Ele cruzou os braços e fez uma cara de mal. Ri mais ainda.
– Faz com que pareça mais inteligente.
– Isso pode ser considerado uma coisa boa?
– Sim.
Ele sorriu. Depois tirou os óculos. Fiquei sentada olhando pro nada até o meu turno acabar. Então Percy tomou meu lugar. Parecia muito mais descansado. Deitei e puxei uma coberta que estava por ali. Fiquei alguns minutos de olhos fechados. Estava morrendo de sono, mas não conseguia dormir. Então decidi me concentrar na minha respiração e dormi rapidinho.
***
Acordei com alguém sacudindo meus ombros. Will gritava e me sacudia, mesmo eu já estando acordada.
– Droga, droga, droga. Acorda.
Então ele percebeu que eu já estava acordada e deu um salto. Em questão de segundos eu estava com o arco na mão, a aljava nas costas e Will me empurrava para fora da minivan. Só então eu os vi. Dois gigantes, um de aproximadamente 3 metros de altura e o outro 4, atiravam pedras em meus amigos. Piper, Percy e Matt atrairam o maior deles para uma pequena floresta que tinha ali perto. O menor deles estava a mais ou menos 20 metros de Nico e Will. Então ele atirou uma pedra contra o meu irmão. A pedra, por sorte era pequena e acertou Nico no rosto. Mesmo de longe consegui ver um fio de sangue escorrer do seu corte. Ele não devia ter feito aquilo.
– Ei você! — gritei e atirei uma pedra que acertou em cheio seu enorme nariz de gigante. Ele olhou para mim. — Fique longe deles.
Ele me olhou confuso.
– Agora! — gritei.
Ele veio cambaleando em minha direção. Peguei uma flecha e calmamente posicionei — a no arco. Mirei no olho dele. Minha visão estava um pouco turva por causa do sono. Respirei fundo. Não iria deixar que aquele gigante imbecil machucasse meus amigos. Quando ele chegou perto o bastante, para me tocar se esticasse o braço, disparei. A flecha o atingiu na mosca. Ele urrou e cambaleou para trás segurando o olho, depois se desfez em pó de monstro. Olhei para Nico e acenei com a cabeça na direção da floresta. Ele e Will correram. Fui atrás deles.
– O que são eles? — perguntei.
– Lestrigões.
– Les o que?
– Lestrigões. Gigantes canibais.
– Ata. Isso não é nada bom.
Continuamos a correr. Os galhos das árvores arranhando meu rosto. Tropecei duas vezes, na terceira acabei caindo e Will parou para me ajudar, mas não parei para avaliar o estrago. Quando chegamos, Piper estava deitada no chão inconsciente, sua perna sangrava. Percy estava chorando e tentava acordá-la. Pude ouvi — lo sussurrar:
– Vamos lá Pipes, acorde. O que eu vou dizer ao Jason?
Matt estava cuidando do gigante sozinho. Ele estava se saindo bem, desviava e atacava, desviava e atacava. Eu e Nico corremos para ajudá-lo, enquanto Will ia ajudar Piper. Em poucos minutos, conseguimos derrotar o gigante lestrigão. Ele se desfez em um monte de pó de monstro.
Desabei no chão. Meu joelho estava ralado, meus cortes ardiam e eu não conseguia sentir meus pés. Levantei os olhos e vi Piper sentada. Rastejei até ela e coloquei a cabeça em seu colo, tomando muito cuidado com sua perna machucada. Ela acariciou meus cabelos e sorriu pra mim. Sorri de volta. A última coisa que eu vi foi quando Will ofereceu um copo de néctar para ela. Depois não vi mais nada.
***
Acordei com minha cabeça latejando, uma toalhinha molhada pousada em minha testa. Olhei em volta. Piper estava dormindo, Nico também. Will e Percy estavam sentados no banco da frente conversando. Quando perceberam que eu estava acordada, Will sorriu, pulou o banco e veio em minha direção.
– Que bom que acordou. — ele checou minha temperatura e retirou a toalhinha. — Está se sentindo melhor?
– Não muito. Dor de cabeça.
Percy rapidamente me entregou um comprimido e uma garrafa de água. Agradeci e coloquei o comprimido na boca, engolindo um monte de água. Eles passaram os proximos 20 minutos me contando o que aconteceu depois que eu apaguei. O gigante lestrigão jogou Piper muito longe e um galho muito grande acabou ferindo sua perna. Ela estava melhorando quando acabou caindo no sono, 5 minutos depois de mim. Matt não sofreu quase nenhum dano, a não ser por uma sede gigantesca (Will: ele tomou sozinho uma garrafa inteira de água) e sono. Nico ajudou a arrastar eu e Piper até a minivan. Depois caiu no sono. Percy ficou ajudando Will a cuidar de nossos ferimentos.
– Agora eu já sei o que é bom pra dor de cabeça, dor de estômago, febre e coisas pequenas como essas! — ele abriu um largo sorriso parecendo muito satisfrito consigo mesmo.
Ele passou alguma loção no meu rosto e os pequenos cortes não ardiam mais e já estavam cicatrizando. O meu joelho ralado só precisou de um pouco de água e algumas ataduras. Piper estava com a perna enfaixada. Tirando isso estávamos todos bem.
Ficamos conversando pelos 10 minutos seguintes. Will dormiu logo depois. Fiquei alguns minutos em silêncio. Depois falei:
– Percy!
– Hum?
– Will disse que eu tinha uma irmã.
Percy ficou quieto. Olhei para trás. Ele estava de cabeça baixa encarando seus pés.
– Percy. Pode me contar. — ele me olhou. Seus olhos lacrimejavam. — Sou sua prima. Pode confiar em mim.
Ele engoliu em seco e começou a contar.
– O nome dela era Bianca di Angelo. Ela era a irmã mais velha do Nico. — ele me contou como eles encontraram Nico e Bianca na Westover Hall, que o diretor era um manticore, que as caçadoras os salvaram, como Annabeth caiu do penhasco, como Bianca se juntou a caçada, como ele não foi escolhido para ir a missão mas os seguiu até lá, como ele prometeu proteger Bianca, mas não conseguiu cumprir sua promessa.
– Mas não foi culpa sua!
– Foi sim. Ela não devia ter ido. Se eu tivesse ido Bianca estaria viva.
– Estão falando do quê? — Piper e Nico tinham acordado.
– Hum, nada de mais. — Percy gaguejou.
Respirei fundo e segurei sua mão.
– Percy estava me falando sobre Bianca.
– Ah! — Piper ficou vermelha e olhou para Nico.
– Nico, eu tentei mas...
– Deixa pra lá. — ele fungou. — Isso não importa mais.
– Mas...
– Pare Percy! — Nico gritou. — Eu já disse que não importa mais.
– Pare de gritar. — gritei mais alto. — A culpa não foi dele.
– Por que está defendendo ele? — Nico perguntou quase chorando.
– Não estou defendendo ninguém. — falei com raiva. — Só quero que pare de gritar. Minha cabeça está doendo. Além do mais, Will ainda está dormindo.
Ele se calou e baixou a cabeça.
– Desculpe. — ele disse. — Você está certa.
– Sinto muito. — disse Percy.
– Agora eu entendo. A culpa não foi sua. — ele fungou novamente. — Acho que vou voltar a dormir.
Ele se sentou e colocou uma coberta. Virei — me para Percy. Lágrimas silenciosas escorriam de seus olhos. Sorri calorosamente. Ele me devolveu um meio sorriso.
– Ah! Amanda. Me desculpe por não ter te contado antes. Não sabia como.- ele contorceu os lábios. — Estou perdoado?
– Está sim. — abracei-o — Não tem problema. Eu entendo.
Ele sorriu, deitou a cabeça em uma almofada e dormiu. Sentei — me no banco da frente ao lado de Jules Albert. Percy sentou ao meu lado perto da janela. Vi de relance ele enxugar algumas lágrimas. O vento de lá de fora bagunçando seus cabelos. Olhei para frente e vi o céu azul acima de nossas cabeças. Então peguei no sono.
***
Acordei no banco de trás e já era noite. Olhei em volta e vi Matt, Percy e Nico jogando cartas. Piper estava ao meu lado. Cutuquei sua cabeça e ela acordou. Apontei para os meninos. Ela riu baixo.
– É minha vez. Percy, não sou filho de Hermes, mas acho que te ferrei.
– Seu ladrão. Eu ia ganhar.
– Olha lá como fala comigo. Rei fantasma, ladrão não.
– Detesto estragar a festa. Mas eu ganhei.
– Eu já sabia. É a terceira vez que você ganha. Na primeira fui eu.
– Filho de Atena querido. Queria o que?
– Pelo jeito encontraram um jeito de se divertir sem a gente. — disse Piper.
– Claro querida. Acha que iríamos esperar vocês acordarem para animar a festa? — retrucou Matt.
– Onde acharam? — perguntei me referindo às cartas.
– No porta malas. — disse Nico.
No caminho para para São Francisco encontramos no porta malas alguns cobertores, almofadas e um violão (Percy: trabalho de Apolo, só pode). Pelo jeito também acharam um baralho.
– Eu quero jogar! — disse eu. — Vai mais pra lá.
Eles chegaram pra lá e eu e Piper sentamos.
Jogamos três vezes. Eu ganhei uma vez, Nico e Piper ganharam as outras duas. Então Matt e Nico pararam de jogar e ficaram conversando. Eu, Percy e Will ficamos brincando com as cartas e Piper ficou ouvindo música no rádio da minivan.
Ficamos conversando o resto do caminho. Fiquei com fome e peguei uma barrinha de cereal sabor banana e mel. Terminei a barrinha e reclamei:
– Ainda estou com fome.
– Quando você não está com fome? — perguntou Percy.
Dei um soquinho em seu braço e respondi:
– Quando estou com sono.
– E quando você não está com sono?
– Quando estou com fome.
De repente ouvimos um grito vindo de Piper. Todos corremos para frente para ver o que a fez gritar. Então uma grande placa escrito "Bem-vindo a Las Vegas" se erguia a nossa frente.
– Chegamos! — disse Matt. — Las Vegas.
Estacionamos a minivan, demos uma folga para Jules Albert e saímos para explorar Las Vegas
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