The Daughter of Shadows
26 A terceira porta
Notas iniciais
Pov: Percy
Chicago foi, de longe, a cidade que mais gostei. E não foi só pelo fato de que comemos panquecas azuis.
– Tudo bem. — disse Matt. — Chicago é a terceira cidade mais populosa dos Estados Unidos, atrás apenas de Nova York e Los Angeles. O lugar que procuramos fica um pouco ao sul de onde estamos.
– Ei gente. Estou com fome. — disse Will. — Podemos parar pra almoçar?
– Claro. Aquele restaurante parece bom! — disse Nico sorrindo.
Nico acordara de excelente humor hoje. O garoto parecia bem melhor depois do remédio que Will lhe dera. Ele dormiu por umas 5 horas seguidas.
Paramos em um restaurante com um aspecto ótimo. Pedimos uma pizza de calabresa e Pepsi. Quando terminamos de comer, a garçonete perguntou:
– Vocês vão querer sobremesa?
– Sim.
– Qual?
– Hum... Já sei! — falei. Cochichei alguma coisa no ouvido da garçonete.
– Ótima escolha.
Ela saiu e voltou dez minutos depois com um prato cheio de panquecas azuis, morango e calda de chocolate. As panquecas estavam gostosas, o que me fez lembrar da minha mãe. Terminamos de comer, pagamos e fomos embora.
A rua do Adler Planetarium era um tanto confusa. Ela era em formato de U, o estacionamento ficava bem na curva formando um círculo e no meio dele ficava o planetário. Fiquei esperando do lado de fora enquanto Amanda comprava os ingressos. Entramos e comecei a procurar qualquer coisa que pudesse parecer uma porta. Quando estava quase perdendo as esperanças, entrei em uma sala muito escura, iluminada apenas por mini planetas brilhantes colados na parede. Tinha uma variedade enorme de tamanhos e embaixo de cada planeta, estava escrito um nome com tinta fluorescente. Somente um planeta estava sem nome. Ele era mais ou menos do tamanho da minha perna e brilhava de um jeito diferente. Cheguei mais perto e pude ouvir um zumbido estranho. Uon. Uon. Uon. Sem que ninguém percebesse, me espremi um pouco e entrei.
Abri os olhos e me vi sentado em uma caverna. Estava escuro, mas pude ver que na outra parede, alguém se mexia incansavelmente. Me levantei e cheguei mais perto. A pessoa tinha longos cabelos encaracolados e olhos ... . Era Angela Levine. Ela estava descalça, com as mãos amarradas com correntes e as roupas rasgadas. Segurava uma chave de fenda e tentava freneticamente abrir o cadeado da sua mão esquerda. Ela parou quando ouviu um gemido e escondeu a chave. Olhei para os lados e vi um menino sentado com uma espada de bronze celestial nas mãos. Estava cochilando. Esfregou o nariz e voltou a dormir. Angela continuou seu trabalho. Tentei chamá — la.
– Sra. Levine. — sussurrei.
Ela me ignorou completamente. Falei mais alto.
– Sra. Levine.
Dessa vez, saiu mais como um grito. Mesmo assim ela não me escutou. "Ela não pode me ouvir" pensei. Tentei ajudá — la de algum modo, mas minhas mãos atravessaram as correntes. Recuei devagar e me sentei a sua frente. "Então é assim que um fantasma se sente?" pensei observando minhas mãos. Um estalido interrompeu meus pensamentos. Angela finalmente conseguira abrir o cadeado. Depois, pegou uma pedra e muito silenciosamente, bateu no outro cadeado com força. Ele se partiu ao meio. Ela se levantou cuidadosamente, foi até o menino e deu — lhe uma forte pancada na cabeça. Verificou se ainda estava vivo e saiu. Fui atrás dela. Ela subiu na cadeira e abriu um alçapão no teto, passou e fechou a porta. Como eu era praticamente um fantasma, atravessei a porta.
Do outro lado, tinha um enorme salão de mármore branco. O alçapão dava em um canto perto de uma parede. A frente dele, havia um trono de cristal e veludo branco. Uma escada de três degraus e um tapete vermelho se estendia até o outro lado do salão, onde havia uma porta. Imponentes janelas cobertas por cortinas vermelhas (a única coisa além do tapete que eram coloridas naquela sala). Angela correu pelo salão e passou pela porta. Ali, havia um corredor cheio de portas. Ela passou por uma delas, que dava para um beco sem saída. Ela correu para a rua e entrou na primeira loja de roupas que viu na frente. Ela se dirigiu a atendente e disse a ela algo que não entendi. Observei uma colméia cheia de roupas dobradas. Uma delas me chamou a atenção, por conter uma etiqueta diferente das outras. Só podia ser a pista. Arranquei ela da roupa e tudo ficou escuro.
Acordei deitado em um canto da sala. Não havia ninguém lá. Sai meio atordoado e fui em busca dos meus amigos. Encontrei Nico procurando na praça de alimentação. Corri até ele.
– Nico!
– Percy! — ele parecia aliviado — Por onde você andou? Estamos procurando você a quase meia hora.
– Encontrei... a... porta!!!
– Pera aí! O que? Sente — se um pouco. Quer um copo d'água?
– Não, estou bem! — respirei fundo — Encontrei a porta!
– Onde?
– Em uma sala aí, cheia de planetinhas pintados de tons de néon.
– E o que você encontrou?
Entreguei o papel colorido para ele, que leu silenciosamente.
– Vamos, temos que encontrar os outros.
Levantei e o segui até a saída da praça de alimentação. Encontramos Amanda em uma sala repleta de livros de astronomia. Nico correu até ela.
– Achei o Percy!
Ela me examinou.
– Ótimo! Agora vamos.
– Espera, ele encontrou algo.
Ele estendeu o papel colorido para ela.
– Não tenho a mínima idéia de onde fica isso, mas talvez os outros tenham. Vamos!
Saímos a procura dos outros. Encontramos Matt e Will no banheiro masculino e Piper em uma sala de exposições.
Nos reunimos na minivan e passamos o papel colorido para os outros.
– O que seria Citizens Bank Park?
Jules Albert soltou alguns resmungos.
– Segundo o Jules Albert é um estádio na Filadélfia. — disse Nico.
– Então vamos pra lá. — disse Will.
Jules Albert ligou o motor.
– Aqui vamos nós. — disse Matt.
Acabei cochilando nos cinco primeiros minutos de viagem. Quando acordei, meu estômago estava roncando.
– Bom dia dorminhoco. — disse Piper.
– Bom dia. Estou com fome.
– Eu tenho uma maçã aqui. Você quer?
Assenti com a cabeça. Ela pegou a maçã do bolso da calça e me entregou. Mordi um pedaço. Estava deliciosa, ou era eu que estava com fome. Sentei perto da janela e fiquei olhando pro nada enquanto o vento bagunçava meus cabelos.
– Percy. — alguém me chamou.
Olhei pra trás e encontrei Nico, Matt e Will jogando Uno.
– Você quer jogar?
– Claro!
Me ajeitei perto de Nico. Ele me olhou um pouco sério demais. Devolvi o sorriso mais caloroso que consegui produzir no momento. Ele deu de ombros e escondeu o rosto nas cartas. Will o observava silenciosamente. Matt balançou a mão na frente dele.
– Will!
– Que foi?
– Sua vez de jogar!
Ele jogou sua carta. Depois foi a vez de Nico. Depois minha vez. Comprei uma carta e passei a vez. Depois foi a vez de Matt de novo e assim ficou por uma eternidade. Quando foi minha vez novamente, joguei minha melhor carta +2 para Matt.
– Rá! Quero ver alguém fazer melhor!
Matt bufou e comprou suas cartas. Will comprou uma carta na sua vez. Nico se agitou no seu lugar e jogou um +4 pra mim.
– Uno!
– Vacilão! — exclamei.
Ele sorriu maldosamente e se limitou a responder:
– Quero amarelo!
Ele enrubesceu e, novamente, escondeu o rosto nas cartas.
Terminamos de jogar alguns minutos antes de chegar a um posto de gasolina.
– Jules Albert, vamos demorar muito pra chegar?
O zumbi resmungou um pouco e parou no posto.
– Faltam apenas 5 horas.
– Puxa, como o tempo passou rápido. — disse Piper.
Amanda, que estivera dormindo a viagem inteira, pulou da van e correu para o banheiro. Piper pegou o dinheiro para comprar comida e eu fui com ela. Nico e Will ficaram cuidando da van.
Compramos maçãs, sanduíches variados, sucos, barrinhas de cereal, biscoitos e muita água. Piper foi ao banheiro logo após Amanda sair de lá. Aproveitei pra ir tambem. Enquanto Piper pagava, corri até a minivan e falei para Will Solace e Nico irem ao banheiro. Eles foram correndo, quase levando a porta com eles. Cuidei da minivan na ausência deles. Todos voltaram juntos, ajudando Piper a carregar as sacolas, contendo nosso incrivelmente pequeno, estoque de comida.
Embarcamos na minivan, já abastecida de gasolina (e comida), e dirigimos até a Filadélfia!
Fale com o autor