The Daughter of Shadows
27 A quarta porta
Notas iniciais
Pov: Will
Por mais normal que seja, ainda não me acostumei a dormir ao lado de Nico. Percy, Matt e Piper se amontoaram no banco de trás. Amanda se sentou no banco da frente para ficar de vigia. Eu me sentei com Nico no último banco e ele acabou pegando no sono. Ao dormir, sua cabeça pendeu para o lado e caiu no meu ombro. Fiquei meio paralisado para não acordá-lo. Ele se ajeitou no seu lugar e seus dedos roçaram meu braço. Senti um arrepio percorrer meu corpo. Depois de tanto tempo sem me mexer, minhas costas começaram a ficar doloridas. Segurei a cabeça de Nico e a apoiei no meu colo. Acabei caindo no sono também. Acordei algumas horas depois e já estávamos na Filadélfia. Nico, Percy, Matt e Piper já estavam acordados. Matt achou melhor pararmos em um hotel, para dormir direito e tomar banho. Encontramos um hotel perto do estádio. Amanda acertou os quartos. Alugamos dois quartos. Piper e Amanda ficariam em um e eu, Matt, Percy e Nico no outro.
Entramos no nosso quarto. Tinha dois beliches, um pequeno armário repleto de pijamas e toalhas e um banheiro. Nos revezamos para tomar banho. Depois que todos já haviam tomado banho, batemos no quarto das meninas. Elas estavam sentadas uma em cada cama. O quarto delas não era diferente. Havia duas camas de solteiro, um pequeno armário e um banheiro. Decidimos procurar na Internet quando aconteceria o próximo jogo no estádio. Por sorte, um jogo de futebol americano estava marcado para as 16h. Eram 14h. Resolvemos passar lá antes, para comprar os ingressos. Havia uma fila imensa. Piper resolveu nosso problema. Ela entrou na frente da primeira pessoa da fila. Um adolescente de quase 16 anos. Ele protestou, mas ela lhe jogou charme. Seu charme estava ficando mais poderoso, por um instante, quis realizar todos os seus desejos. Ela comprou os ingressos e fomos embora.
***
Na hora do jogo, voltamos ao estádio, mas ao invés de assistir ao jogo, ficamos rondando estádio até encontrar a santa porta. Nos reunimos perto do vestiário, antes do jogo começar.
– Podemos esperar o jogo começar, aí todos estarão concentrados no jogo e nem vão perceber a gente. — sugeriu Percy.
De repente, todos aqueles jogares de futebol, infinitamente maiores e mais corpulentos do que qualquer um de nós, equipados com capacetes e roupas especiais, estavam enfileirados na nossa frente. De seus olhos emanava um brilho meio esverdeado.
– Entreguem a Filha da Sombra e pouparemos vocês! — eles disseram, em uníssono, com a voz gutural.
– Que isso, cara? — disse Percy.
– Entreguem a Filha da Sombra — eles deram um passo a frente — e pouparemos vocês.
Eles começaram a avançar na nossa direção.
– Desculpe, mas entregar nossa amiga pra morte certa não está nos nossos planos! — disse Matt.
– Seu tempo acabou.
Um deles, talvez o menor, deu um passo a frente e arremessou uma bola de futebol em Percy. A bola foi ganhando velocidade e se transformando em uma bola de metal. Percy se desviou e por pouco, não foi acertado no estômago. Aos poucos, os outros começaram a atacar bolas na gente. Percy, Nico e Matt sacaram suas espadas e partiram pra cima dos jogadores. Piper sacou sua adaga. Amanda encaixou uma flecha no arco e disparou. Percy conseguiu arrancar o capacete de um dos grandalhões e Nico golpeou sua cabeça. Ele se dissolveu em pó. Uma saraivada de flechas atingiu o inimigo, transformando vários deles em pó. Uma bola de metal atingiu Nico na barriga e ele voou uns 5 metros.
– Will! — gritou Amanda — Vai ver como o Nico tá! A gente segura a barra.
Embainhei minha espada e corri na direção dele, que estava jogado perto de uma parede, inconsciente.
– Nico! — gritei e sacudi seus ombros — Acorde! Por favor!
Ele continuava inconsciente. A parede atrás de nós explodiu, espalhando pedaços de gesso e poeira por todo o lado. Carreguei ele até um lugar mais seguro. Levantei sua camiseta para verificar os estragos feitos. A barriga dele estava toda roxa, quase preta. Toquei-a. Ele se agitou. Costela quebrada. Alguns cortes no peito e um galo na cabeça.
– Ele não quer acordar! — gritei para Amanda. Ela correu até nós.
– Vamos levá-lo para o vestiário.
Carreguei Nico até o vestiário, ele já começava a acordar. Depositei-o cuidadosamente no banco. Amanda me ajudou a retirar a blusa dele. Enchi uma bolsa com água gelada da torneira pressionei levemente em sua barriga. Ele gemeu baixinho.
– Pressione bem devagar pra mim por favor! — pedi a Amanda.
Ela segurou a bolsa na barriga do irmão. Remexi minha mochila em busca de ataduras e remédios. Corri até eles e comecei a trabalhar. Passei remédios nos cortes e coloquei curativos, coloquei uma compressa de água gelada na cabeça dele, para diminuir o galo, por fim, envolvi sua barriga em ataduras.
– Amanda! — gritou Piper — Precisamos de uma mãozinha!
– Tô chegando!
Ela correu para ajudá-los. Ajoelhei-me ao lado de Nico e despejei algumas gotas de néctar em sua boca, para ajudar a consertar a costela quebrada. Beijei sua testa. Ele ainda não havia acordado totalmente.
– Vamos Nico! Por favor, acorde!
Ele abriu os olhos devagar.
– O que aconteceu?
– Você foi atingido na barriga por uma bola de metal e quebrou uma costela.
– Por isso sinto minhas costas tão doloridas?
– Provavelmente.
– Oi Nico! — Percy se aproximou — Está melhor.
– Sim! Obrigado.
Amanda e Piper se aproximaram e abraçaram o garoto.
– Cuidado garotas. Ele acabou de recuperar uma costela quebrada.
– Desculpe.
– Acabamos com os valentões. — anunciou Matt — Agora precisamos procurar pela porta.
– Então vamos!
Todos se levantaram do banco e se dirigiram ao banheiro, armários, ou qualquer outro lugar que pareça uma porta. Comecei a arrumar minhas coisas dentro da mochila. Nico se levantou do banco, com um pouco de dificuldade e se dirigiu a mim.
– Obrigado! Por cuidar dos meus ferimentos.
– Ora, não foi nada. Amigos são pra isso!
– É, acho que sim.
Saímos a procura da porta. Depois de alguns minutos, ouvi Piper gritar. Corremos até ela, que estava próxima a um armário.
– Eu encontrei.
– E quem será que deve entrar dessa vez?
– Eu, Piper e Percy já fomos. — disse Matt — Sobraram Will, Nico e Amanda.
– Por que não tenta Will.
– Tá legal!
Me aproximei da porta com cuidado e entrei.
FLASHBACK ON
Acordei em um apartamento, deitado atrás de um sofá. Levantei e observei as pessoas que estavam presentes. Uma mulher linda de olhos verdes e cabelos negros encaracolados estava sentada no sofá. Duas crianças muito fofas estavam sentadas no tapete brincando. Uma delas, era um menininho, de olhos verde mar e cabelos negros. Obviamente, era Percy de três anos. A outra, era uma garotinha de cabelos negros encaracolados, como da mulher no sofá e olhos igualmente negros. Deduzi que fosse Amanda. De repente, Sally Jackson alguns anos mais nova entrou na sala segurando uma bandeja. Ela apoiou a bandeja em uma mesinha de centro. O que ela disse depois, confirmou minhas hipóteses.
– Percy, Amanda, hora do lanche.
As duas crianças correram até a bandeja e atacaram os biscoitos e o leite.
– Sirva-se Angela.
– Obrigada Sally.
Angela? Era a mãe da Amanda. Ela pegou uma xícara de café e um biscoito. Percy e Amanda, voltaram com o prato de biscoitos vazio.
– Tia Sally, pode nos dar mais biscoitos? — perguntou Amanda.
– Não sei se sobrou, vocês comeram quase tudo!
– Por favor mamãe, procure na cozinha! — implorou Percy.
– Mas é claro.
Eles correram para a cozinha e voltaram com um grande pote, recheado de biscoitos. Eles se sentaram no chão e comeram os biscoitos.
Depois de comer quase a tigela inteira, eles voltaram a desenhar. Observei entre os papéis, um pequeno pedaço que se destacava. Caminhei até a mesa e peguei o papel. Não tive tempo de lê-lo, porque tudo se apagou.
FLASHBACK OFF
Acordei novamente, em um dos bancos do vestiário, com a minha cabeça latejando. Nico me olhava preocupado. Me sentei lentamente e disse:
– E então? O que eu perdi?
– Caramba Will! — ele me abraçou — Graças aos deuses, você acordou!
Nico estava me abraçando! Nico, que odiava contato físico com qualquer um, estava me abraçando.
– Como assim? Onde estão os outros?
– Foram comprar água e alguma coisa pra comer.
– Quanto tempo fiquei lá dentro?
– Você ficou com o menor tempo. Mas foi o que demorou mais pra acordar. Pensei que estivesse ferido. Ou morto.
– Não, eu estou bem!
– Bem, parece que ele acordou. — Amanda apareceu do nada. Ela me entregou uma garrafa de água.
– Obrigado.
Bebi um gole, depois outro.
– Está se sentindo melhor?
– Um pouco.
– Eu vou chamar os outros. — disse Nico e correu para fora do vestiário.
– Você está bem mesmo?
– Sim, só um pouco de dor de cabeça.
– É bom que esteja, se não, Nico surtaria!
– O que quer dizer com isso?
– Parece que ele se importa com você! Pode parecer que se importa comigo, mas sou sua irmã. Eu não conto. Você voltou, uns dois minutos depois de entrar naquele portal, mas ficou quase meia hora desacordado. Nico ficou do seu lado durante essa meia hora, acariciando seu cabelo e murmurando palavras incompreensíveis. Eu, Percy, Piper e Matt, resolvemos sair, porque ele parecia muito abalado. Ninguém demorou tanto tempo pra acordar quanto você.
– Gente, vamos. — Nico apareceu na porta.
Amanda me deu a mão e, com um pouco de dificuldade, me pus em pé. Caminhamos até onde estavam os outros.
– Oi Will! — disse Percy — Fico feliz que tenha acordado!
– Oi Percy. Também estou muito feliz em ter acordado.
– E então? O que você viu?
Contei a eles da minha brilhante descoberta. De que Percy e Amanda eram amigos quando crianças.
– Quer dizer que eu brincava com a Amanda quando era pequeno.
– Tudo indica que sim. E também encontrei isso.
Mostrei a eles o pequeno papel que encontrei.
– Ai meus deuses! — exclamou Nico, meio decepcionado.
– Vamos visitar seu pai Nico! — disse Matt.
• Submundo
Estava escrito no papel. Então, visitaremos Hades. Vai ser uma longa viagem.
– Aproximadamente 1h50 minutos de viagem. É bem pouco.
Voltamos ao hotel para buscar nossas coisas e pagar. Aproveitamos para jantar antes de sair. Pegamos nossas mochilas e pagamos. Entramos na minivan.
– Jules Albert, precisamos que nos leve de volta para Nova York. — disse Nico.
Jules Albert ligou a minivan e rumamos para o Submundo.
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