The Daughter of Shadows
24 A primeira porta
Notas iniciais
Pov: Nico
Acordei com Amanda fazendo cócegas na minha barriga!
– Ai! Para! — disse eu rindo.
– Bom dia bela adormecida!
– Não sou o Jason tá!
Nós rimos. Amanda se sentou na minha cama.
– Que horas são? — perguntei.
– 7h45.
– Porque me acordar tão cedo?
– Por que o café é servido às 8h.
Bufei e fui escovar os dentes. Amanda foi logo depois de mim.
– Cadê Piper? — perguntei enquanto vestia uma calça jeans escura.
– Ela é os meninos foram na frente para guardar uma mesa. — Amanda apareceu na porta com a boca cheia de pasta de dente.
Terminei de me vestir e virei de costas para Amanda se trocar. Caminhamos até o salão do hotel. Era lindo. Um salão de aproximadamente 650 m2 com quase 30 mesas espalhadas pelo local. As cortinas vermelhas estavam amarradas, deixando a luz do sol entrar pelas enormes janelas. Colunas de mármore erguiam-se pelas paredes cor de creme. Um tapete vermelho se estendia até o fundo do salão. Piper, Percy, Matt e Will estavam sentados em uma mesa redonda para seis pessoas.
– Estão atrasados! — disse Piper — Eles acabaram de servir o café.
Amanda se sentou ao lado de Piper e eu sentei perto dela. O café estava servido. Bolo de chocolate, suco de laranja, ovos, bacon, cereais, torradas, geléia, café, leite, tudo!
– Uau! Finalmente vou poder tomar um café da manhã decente! — disse Percy atacando uma torrada com geléia azul.
Depois do café, saímos para explorar a cidade, em busca da porta.
– Vamos nos separar em dois grupos de três pessoas. — sugeriu Piper.
No final, ficou Piper, Percy e Matt que foram pelo norte e eu, Amanda e Will que fomos pelo sul.
– Nos encontramos no hotel às 12h para o almoço!
Caminhamos em silêncio, porque ninguém tinha nada pra dizer.
– Acho que devemos começar procurando em um cassino, já que Las Vegas é famosa por seus cassinos! — disse Amanda, provavelmente pra puxar assunto.
– Acho uma boa ideia! — disse Will.
– Então ta! Por onde querem começar?
– Que tal esse? — Amanda apontou.
Estavamos em um beco sem saída em frente ao pior lugar de todos: Hotel e Cassino Lótus! A entrada era uma enorme flor neon, as pétalas acendendo e piscando. Ninguém entrava nem saia, mas as reluzentes portas cromadas estavam abertas, espalhando ar condicionado com um cheiro enjoativo de flores.
– NÃO! — gritei — Qualquer um menos esse!
Will me olhou surpreso.
– Por que?
Contei a eles sobre a minha experiência com o Cassino Lótus. De que o tempo lá passa mais devagar. De que eu e Bianca pensamos ter ficado lá por um mês, mas na verdade, ficamos presos lá por 72 anos.
– Espera, então, se eu ficar lá por cinco dias...
– Você pensa que ficou por cino minutos.
– Então quer dizer que... Você tem 86 anos? — Amanda arregalou os olhos.
– Sim! — suspirei.
– Por que nunca me contou?
– Acabei de te conhecer, ficamos muito pouco tempo juntos. Não surgiu uma oportunidade.
– Mas eu sou sua irmã! Você devia ter me contado!
– Mas eu...
– Ta legal. — interrompeu Will — Depois vocês conversam sobre esse assunto.
– Mas...
Ele se virou para Amanda.
– Amanda, eu conheço Nico há quase um mês a mais que você e ele também nunca me contou.
– Mas eu sou irmã dele.
– Eu sei, mas vocês acabaram de se conhecer. Nico não te contou muito da vida dele, mas você também não contou nada da sua.
Ela se calou. Will a olhou com ar de vitória.
– Me desculpe! — sussurrou, encarando os pés.
– Tudo bem, eu acho.
Will cortou o silêncio.
– Que tal aquele ali? — ele apontou para um cassino do outro lado da rua.
Fomos até lá e procuramos. Nada. Procuramos em mais quatro cassinos. Nada. Passamos a manhã inteira procurando. Nada. Quando foi perto do horário de almoço, Will disse:
– Cansei. Podemos comprar uma água? Ficar cansado me dá sede.
– Claro! — disse Amanda. — Também estou com sede.
Paramos em uma lanchonete ali perto. Amanda foi comprar as águas enquanto eu e Will sentamos em uma mesa da calçada.
– Obrigado! Por... hum... Você sabe.
– Ora, é pra isso que servem os amigos.
Abri um meio sorriso. Amanda chegou com 3 garrafas de água. Ela nos olhou e sorriu.
– Acho que vou ao banheiro. — disse Will.
Ele saiu e Amanda se sentou em seu lugar. Abri uma careta pra ela. Will pode não ter percebido, mas uma pessoa como eu, perceberia suas reais intenções naquele sorriso.
– Você gosta dele!!! — ela cantarolou.
– O que quer dizer com isso? — perguntei irritado.
– Ah Nico! Como eu já te disse, eu sou sua irmã. — ela disse. — Consigo perceber isso só pelo seu tom de voz.
Mostrei a língua pra ela. Ela começou a cantar baixinho enquanto arrumava meu cabelo. Ela colocou uma água na minha mão e disse:
– Vai lá falar com ele.
Bufei e entrei na lanchonete. Baguncei o cabelo assim que passei pela porta. Will estava saindo do banheiro quando me viu. Entreguei a água pra ele. Ele sorriu e agradeceu. Ficamos nos encarando enquanto Will bebia metade da sua garrafa. Ficamos assim durante 5 minutos. Quando eu abri a boca pra falar alguma coisa, Amanda chegou correndo. Ela deve ter ouvido meu suspiro de alívio porque abriu uma sorriso tosco.
– O que foi Amanda? — perguntou Will.
– Uma... Mensagem... de Íris... dos meninos... — disse ela sem fôlego.
Corremos para a nossa mesa. Corri tão rápido que tropecei e quase derrubei a mesa. Levantei rapidamente.
– Estou bem.
Na mensagem de Íris, Percy quase arrancava os cabelos e Matt estava respirando com dificuldade.
– O que aconteceu? — perguntei.
– Melhor vocês virem logo. — disse Matt. — Encontramos alguma coisa.
– Aonde vocês estão? — perguntou Amanda.
– Um cassino perto do hotel com uma flor azul no teto.
– Tá. Chegamos aí em dez minutos. — disse Will.
– É melhor chegarem em 5.
– Tá.
Passei a mão pela mensagem e a névoa se dissipou. Pegamos um táxi porque eu não aguentaria correr até o outro lado da cidade em 10 minutos. Descrevemos o cassino para o motorista e perguntamos se ele sabia onde ficava. Por sorte ele sabia. Chegamos em 8 minutos. Entramos correndo e quase esbarrei em uma madame muito mal humorada. Percy e Matt estavam parados perto de uma porta. Piper estava sentada em uma cadeira bebendo uma garrafa de água. Ela estava usando um par novo de sandálias.
– Estão atrasados! — disse Percy brincando — Três minutos!
– Ah, cale a boca Pequena Sereia! — disse Will.
– Onde estão suas sandálias? — perguntei.
Todos me olham como se dissessem: " Não tem nada mais inteligente pra perguntar?".
– Estão jogadas por aí!
– Por que?
– Essa é uma longa história.
Matt disse que resolveram procurar pela porta nos casinos, pois Las Vegas é famosa por seus cassinos.
– Foi exatamente isso que nós pensamos! — disse Amanda.
Ele disse que eles procuraram por vários lugares, mas não acharam nada. Até que a sandália de Piper arrebentou. Então resolveram parar para comprar uma nova. Piper foi ao banheiro enquanto compravam a sandália.
– E o que aconteceu depois? — perguntou Will.
– Eu abri a porta do banheiro e não era uma porta, parecia um portal e fazia, Uon... Uon... Uon... Então entrei, porque sabia que era o portal.
– E depois? — disse Amanda agitada.
FLASHBACK ON
Sentadas em uma toalha de piquenique debaixo de uma árvore, estavam uma garotinha de mais ou menos 2 anos e uma moça de aproximadamente 23 anos. A garotinha tinha cabelos e olhos negros, a pele muito pálida e estava usando um vestido vermelho e trancinhas no cabelo. A mulher tinha olhos verdes e cabelos negros como da menina. Usava uma calça jeans escura, uma blusa azul simples e all star preto.
Em cima da toalha, havia uma cesta de piquenique. O sol brilhava. Estavam em um parque. "Central Park" pensou Piper. Então virou-se para a garotinha.
– Mamãe, já podemos comer?
– Seja paciente Amanda, precisamos esperar seu pai.
– Mas eu tô com fome!
Então, de repente, um homem apareceu do nada, como se tivesse saído das sombras. Ele tinha cabelos compridos até o ombro, inteiramente negros, o olhar intenso. Usava uma calça jeans preta e uma blusa de caveira. Ele era um pouco familiar. Se parecia muito com... Mas não podia ser.
Ele se aproximou das duas e a menina correu para os seus braços.
– Papai! — ele a carregou e girou-a no ar. Depois deu um beijo na testa da mulher.
– Agora podemos comer mamãe?
– Agora podemos!
Eles começaram a conversar animadamente, enquanto a mulher tirava da cesta um prato de sanduíches, uma garrafa de suco de laranja, um pote com mini pãezinhos e um enorme bolo de chocolate. Piper olhou em volta e encontrou um papel dobrado no meio dos sanduíches. Então tudo desapareceu e ela desmaiou.
FLASHBACK OFF
– Aquela era eu? — perguntou Amamda.
– Acho que sim. Ouvi a mulher chamar a menininha, que era uma versão menor de você, de Amanda. E aquele cara, se parecia muito com Hades. Não pode ser coincidência. — disse Piper.
– Mas porque eu? — perguntou ela.
– Lembrei de uma coisa. — disse Matt. — Vocês se lembram de quando a gente recebeu o mapa?
– Sim. — respondemos todos em uníssono.
– Tinha um bilhete. De Hades e Deméter.
– Sim e daí? — perguntou Percy.
– Eles estão contando com a gente para encontrá — las. Então nada mais justo do que darem uma pista.
– Sim. — disse Amanda agitada.
– No bilhete estava escrito Amanda e Memórias! — então provavelmente os portais nos levam as memória da Amanda.
– Tem razão. — disse eu.
– Essa deve ter sido uma memória de quando você era pequena Amanda. — disse ele. — Provavelmente a próxima pode ser de uma em que você já esteja mais velha.
– Mas ainda não entendi porque as minhas memórias.
– Porque é a sua mãe e a sua madrasta. — disse Will. — Se fosse a minha mãe, possivelmente seriam as minhas memórias.
– Ah! É mesmo. — disse ela. — Piper, o que estava escrito no papel?
– Não sei. Eu ainda não li.
Ela colocou a mão no bolso e tirou de lá um pequeno papel dobrado. Desdobrou o papel e leu em voz alta.
– Ellie Caulkins Opera House. — leu ela. — Alguém sabe aonde fica?
– Hum... Denver! — disse Matt.
– Como você sabe?
– Já fui lá com o meu pai. — disse ele. — É uma casa de Ópera. Bem legal.
Ele pegou o mapa. O ponto dourado em Las Vegas já havia desaparecido. Novamente um ponto brilhante surgiu um pouco mais a direita. Em baixo estava escrito: Denver, CO.
– Então vamos pra lá. — disse eu.
Voltamos para o hotel, pegamos nossas mochilas, pagamos e saímos.
– Onde está Jules Albert? — perguntou Will.
– Vou chamá — lo. — disse eu.
Coloquei a mão sobre o chão, procurando por ele.
– Onde está você? — disse eu. Então senti alguma coisa. — Ah. Achei.
De repente um pequeno terremoto começou e uma pequena rachadura se abriu no chão. De lá, pulou meu zumbi-chofer Jules Albert. Estava segurando um xícara toda quebrada. Parecia irritado.
– Olá Jules. Desculpe atrapalhar seu café, mas é que meio que precisamos dos seus serviços pra ontem.
Ele resmungou e jogou sua xícara de café para trás. Ela se quebrou no chão derramando café pela rua.
Encontramos nossa minivan e entramos. O motor roncou e saímos. Jules Albert resmungou.
– Nós vamos para Ellie Caulkins Opera House em Denver. — disse Amanda.
Ele resmungou novamente e acelerou.
– Denver aqui vamos nós. — disse Will.
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