The Chosen Hierarchy
1 Capítulo 1 - Um Sonho Estranho
Notas iniciais
O dia era como todos os outros na vida de um rapaz japonês, Nobuo Miyazaki, que vivia em Shibuya, uma região de Tóquio, no Japão. Os planos eram sempre os mesmos, levantar-se, preparar-se para ir para a escola, estar lá, sair, ir para casa, por vezes falar com o seu melhor amigo, Seiji Yamamoto, ir dormir e recomeçar o dia seguinte do mesmo modo. Nobuo não se queixava da sua vida, afinal não tinha problemas, a sua relação com a família era boa, tinha um amigo em quem podia confiar, era dos melhores alunos da turma, tinha muito mais que certas pessoas. Por vezes sonhava em ter um pouco de aventura, mas arrependia-se logo da ideia devido a ter pouca coragem e confiança em si mesmo.
O rapaz estava a andar na estação de comboio, olhou para todos os lados, mas não viu ninguém, estava completamente deserta. Sentou-se num banco enquanto esperava pelo transporte, meteu os seus auriculares nos ouvidos e viajou nos seus pensamentos. Quando reparou que o comboio se aproximava ele levantou-se e dirigiu-se para perto da borda. As portas abriram e ele entrou, porém algo o surpreendeu, estava tudo vazio, não tinha ninguém, o que era algo impossível naquela cidade. Sentou-se num assento desconfortável e a murmurar coisas sem sentido. O transporte passou por um túnel escuro, mas passado cinco minutos Nobuo reparou que já devia de haver sinais de luz, afinal, o túnel não era assim tão grande. Olhou para a janela, mas não via nada, até uns pontos fracos de luz branca serem notórios do lado de fora, cresciam cada vez mais e tornavam-se mais brilhantes. O rapaz contou treze luzes e o pior, é que ele não fazia a menor ideia do que aquilo era. Começou a ficar assustado, mais aterrorizado ainda quando o comboio estremeceu como se quisesse sair fora das linhas férreas. Soltou um grito e encostou-se à parede pálida, foi então que o chão cedeu e o comboio caiu. Nobuo gritava com todas as suas forças e agarrou-se com força ao suporte enquanto deslizava sobre ele. As luzes entraram e começaram a rodeá-lo.
— Socorro! Alguém me ajude... por favor. – Suplicou com todas as suas forças, banhado em lágrimas e então as luzes engoliram-no com a sua luz.
Acordou sobressalto na sua cama, olhou para o relógio que marcava cinco horas da manhã. Suspirou aliviado, tudo tinha sido um sonho, mas depois daquilo não conseguiu mais dormir. Deitou-se novamente e olhou para o teto, continuando a processar o sonho que acabara de ter. Depois de duas horas ele se levantou para se preparar. Tomou um banho, vestiu-se, foi tomar o pequeno-almoço e de seguida lavar os dentes, enquanto olhava o seu reflexo no espelho. Sempre lhe perguntavam porque ele pintava o cabelo, mas ele sempre negava, afirmando que nunca o tinha feito, simplesmente nasceu com ele platinado e no resto do corpo era preto. Afinal, ele não se queixava, o cabelo combinava com os seus olhos cinzentos e brilhantes.
— Nobuo! – Ouviu uma voz vindo de fora da casa.
O platinado espreitou na janela, era o seu melhor amigo Seiji. Acenou e foi acabar de se arranjar, pegando na sua mochila e rapidamente saiu de casa. Os seus pais trabalhavam noutra cidade e ele raramente os via, por vezes, eles nem vinham a casa. Sempre que precisava de ajuda pedia aos pais do Seiji, que os conhecia desde que ele se lembrava.
— E então? Viste o novo episódio de Heirs Of The Moon? – Perguntou Seiji animado.
— Claro que vi. Não ia perder por nada. E então? Achas que a Katherine vai ficar com o Reynard, Hakim ou o Drake?
— Não sei. – Seiji fez cara pensativa. – Vindo dela pode ser com um desses ou outro mesmo.
— Ou os três. – Riram-se juntos.
Os dois seguiram o seu destino até à estação, mas a expressão de Nobuo ficou apreensiva ao lembrar-se do sonho.
— Está tudo bem, Nobuo?
— Sim. Só que... não é nada, esquece.
O platinado ficou aliviado ao reparar que, como sempre, o lugar estava cheio de todo o tipo de pessoas, umas à espera de ir trabalhar, outras para ir para a escola, ou mesmo alguns que só queriam se locomover. Mal o comboio chegou eles entraram e se sentaram. Depois de algumas paragens uma senhora idosa entrou, mas não tinha lugar onde se sentar, então Nobuo disponibilizou o seu para ela.
— Muito obrigado, meu menino. – A senhora sorriu agradecida.
— Vou esperar ali até sairmos, Seiji.
O rapaz afastou-se e encostou-se na parede, apoiando a cabeça, tentou olhar para o seu amigo, mas as outras pessoas tapavam a sua visão. Sentiu os olhos a ficarem mais pesados e então os fechou e adormeceu, afinal tinha dormido muito mal à noite.
Ouviu um barulho de locomotiva e acordou sobressaltado. Olhou em volta e arregalou os olhos.
— Onde... estou...?
O comboio não era mais o mesmo, este era muito mais antigo, porém limpo e colorido. Estava numa divisão com quatro bancos, mas não se encontrava mais ninguém. Levantou-se e olhou pela janela, só conseguia ver nuvens.
— Nuvens? Como é possível? Nós estamos a... — A sua cara ficou pálida. – Não. Estou a sonhar outra vez só pode.
Abriu a porta da divisão e correu pelos corredores, não tirando o olhar da janela.
— Não. Não. Não. – No entanto parou. – Se isto é um sonho eu posso fazer o que quiser, inclusive voar.
Ele então puxou a alavanca de emergência para a porta abrir e quando estava o fez, ele sentiu o vento puxar os seus cabelos para trás, se segurando para não ser puxado, pois a velocidade não era muita.
— Eu posso ter uma aventura no meu sonho. – Sorriu. – Nada de mal me vai acontecer. – Se preparou. – Aqui vou eu!
Nobuo atirou-se da porta e começou a cair, gritando de adrenalina. No entanto, um pássaro passou por ele e causou-lhe um corte na sua bochecha com o impacto.
— Au! – Ele grunhiu de dor. – Um choque devia me acordar. Será que é mesmo um sonho? Será que...
O vento começou a puxar Nobuo para cima, de volta para o comboio, quando ele se volta para ver atrás, vê um rapaz manipulando o vento. Mal ele chega perto da porta, o manipulador agarra-o e puxa-o para dentro, fechando a porta.
— Tu tens desejos de morte, não tens? – Perguntou-se o rapaz.
Nobuo olhou em volta, uns aglomerados de jovens o observavam, curiosos. Todos tinham um uniforme comum, uns eram simples, mas outros tinham cores diferentes, verdes, vermelhos, azuis, amarelos e turquesas.
— Onde... onde estou?
— Como assim? – Questionou o manipulador do vento. – Estás no Expresso Archymedes como é óbvio.
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