The Brotherly Sin.
1 Chapter I - The first day of school.
Notas iniciais
Meu nome é Tom Kaulitz. Como posso dizer? Sou o cara mais popular do colégio. Não tô me alugando nem nada, eu realmente pego todas as garotas sem muito esforço. E eu não pretendo me apaixonar por nenhuma delas. Caso um dia eu queira ter uma família, que demore muito. Bom, eu tenho um irmão gay. O.k. isso não foi comprovado, ainda, mas ele não se veste de maneira normal, não. Estaria tudo bem se nesse semestre ele não precisasse vir para a minha escola. Tudo bem que ele seja desse jeito, todo afeminado, mas tem que ser eu aqui e ele lá, bem longe. Eu fico imaginando como isso vai ser. Aquele Drag Queen vêm do nada dizendo que é meu irmão. Isso vai acabar totalmente com a minha moral aqui, e o pior é que eu não posso fazer nada, a Dona Simone, nossa mãe, quer que estudemos na mesma escola para melhorar o nosso desempenho, pode isso? Eu não poderei nem negar que ele é meu irmão, visto que ele é meu irmão gêmeo... Se bem que na primeira vista, é até difícil de acreditar, segundo todo o mundo.
Lá fui eu para o primeiro dia de aula do segundo semestre. Saí antes de casa porque aquele idiota demora mais para se arrumar do que qualquer garota. Cheguei e foi aquela muvuca né, muitas gatinhas com saudade e tal... Fui dar uma volta com o Matt, meu amigo. Ele tem cabelos escuros, com os olhos da mesma cor e a pele clara e é grandão também. A gente se conheceu na sétima série e aqui estamos até hoje. E o pior é que o nome dele é Matt mesmo, e não Mathew, Matheus, Matias, Mato...(?) Ele é tipo aquele cara que vai com você para todas as baladas e tal, o foda é que eu não posso confiar nele para contar as coisas, mas de boa, já que eu não preciso de gente que me escute.
Estávamos nós em busca de novas 'presas' por assim dizer, já que a cada mudança de semestre aquela escola se entupia de pessoas — principalmente garotas — novas.
Eu sei que o Matt também não confia em mim, mas não que eu seja sacana e tal, ele simplesmente é daquelas pessoas que só faz as coisas por você se você fizer por ele. E como eu não conto nada, também não fico sabendo de nada. Tava rolando uns boato ae de que ele era gay e tals. Admito que fiquei meio na segunda de ficar muito perto dele, já que eu não gosto desse tipo de gente. Não consigo entender... Mas de boa, nem acho que seja verdade, afinal, eu já vi ele comer várias garotas... O.k, esse comentário eu poderia guardar pra mim.
De repente me dá um frio no estômago quando eu vejo o andrógena do meu irmão caminhando para dentro da escola. Ele estava de cuturno, calça preta colada pra caralho, um casaco indescritível que estava sobre uma camiseta (justa) do Ramones. Sem falar naquele moicano ridículo dele que ele fazia questão de levantar o mais alto que pudesse, deixando qualquer pessoa muito menor perto dele. Ele já é alto pra caralho, e ainda uma um cuturnão e aquele cabelo de pica-pau carborizado... Admito que fiquei com mais vergonha do que eu já tinha dele.
Dei uns passos para o lado a fim de não ser visto por ele. Imagina se aquele idiota resolve vir correndo me abraçar gritando: 'Tommy' como ele fazia quando era criança? Eu ia querer me matar.
O que me deixou de cara ali, foi acontecer totalmente ao contrário do que eu imaginava. Eu sinceramente, pensei que as pessoas sentiriam nojo dele, não quizessem chegar perto, falassem mal dele por trás, enfim, repulça total por parte da galera, principalmente dos garotos. Mas não, cara. Não. O pessoal foi todo se achegando nele, fazendo um fervo e tal. O que? o Bill ia ser mais popular que eu? Mas como? Ele nem é um homem pra fazer sucesso com as garotas...
O Matt olhou pra mim pra ter confirmção do que ele tava pensando, acredito eu. Depois olhou para o Bill e ficou boquiaberto, tipo, ele também tava de cara, dava pra ver. Ele já conhecia o Bill, já tinha visto ele, mas não todo emperequitado assim, ele não se veste assim em casa.
E aquela aglomeração não se inquietava. Eu já tava ficando nervoso. Cadê as gatinhas que estavam do meu lado agora a pouco? Tão lá, querendo dar pro Bill. Seilá também né, vai que esse povo achou que ele era um estilista famoso e foi ser amigo dele? Eu tenho que avisá-las que o Bill não vai comer elas, ele não faz isso. Ele também não vai dar pra esses caras, — que pensam que ser gay é só dar a bunda, comer o cu de um cara faz dele um viado também, pô — porque eu não vou deixar. Não sei porque eu ainda protejo meu irmão, eu deveria deixar ele a Deus dará e que se foda. Mas é meu irmão né. Aquela coisa é meu irmão.
Devia ter uma regra que proibisse irmãos de estudar na mesma turma. Mas não, esse país não pensa nessas pessoas e permitem que estudem juntos, o pior é quando a sua mãe vai na escola pedir que coloquem vocês na mesma sala. Só depois eu fui descobrir isso.
Lá estava eu, tentando me concentrar na matéria, mas eu me sentia desconfortável pra caralho com aquele alien na minha sala. Diferente do que eu imaginei — de novo — o Bill fingiu nem me conhecer, olhou pra mim algumas vezes com uma cara de deboche. É, ele definitivamente sabia o que eu estava pensando. Gêmeos né, fazer o quê?
A professora fez a chamada e olhou para o Bill.
-Aluno novo?
-Sim senhora!
Ele dava aquele sorriso dele de orelha a orelha. Simpático demais. Aí a professora o chamou lá na frente e pediu para ele soletrar seu nome. Me deu um nervoso na hora.
-Bill, com dois Ls... — A professora anotou e olhou para ele esperando a continuação — Kaulitz, K-a-u-l-i-t-z. Kaulitz — Quando pronunciou o sobrenome olhou para mim para ver minha reação. Não foi só ele, a sala inteira olhou para mim. Todos espantados, admirados e coisados seilá... E eu ali, com aquela cara de cu.
-És parente de Tom? — A professora perguntou, pergunta ridícula na minha opinião.
-Sim, somos irmãos.
Pronto, agora eu até imaginei o meu destino: Sem garotas, sem idolatração, sem porra nenhuma. Mas... caralho, eu errei denovo (ainda bem). Pelo que parecia, aquilo me deixaria com uma moral ainda maior. Não vou agradecer ao Bill, mas que essa foi boa foi.
O intervalo chegou e as garotas se lembraram de mim e do Matt. Às vezes, eu acho que o Matt só é meu amigo por causa da minha popularidade. Vamos ver se ele não vai se tornar amigo do Bill... Afinal, estou eu aqui aceitando que o Bill está popular na escola, aquele viadinho... Todos comentam sobre ele, até quem não foi com a cara. Ele é o tipo "fale bem ou mal, mas falem de mim". Nem sei porque ele precisa dessa atenção toda. A Dona Simone, nossa mãe, já não mima ele demais? Só porque ele é mais novo, vê se pode... 10 minutos... 10.
O povo já comentava que éramos irmãos. Eu ouvia aqueles comentários: "Olhando bem, até que parece..." Eles nem pararam para pensar que se tinhamos a mesma idade, éramos gêmeos, porque uma mãe não pare duas crianças no mesmo ano sem elas serem gêmeas... A não ser que ela faça outro bem depois que um nascer, no começo do ano... Er... Cala a boca Tom.
Os dias foram passando e nós não nos comunicávamos na escola. E bem como eu pensei (aee) o Matt virou amiguinho do Bill. Pau no cu. Mas ele não tinha parado de falar comigo, afinal eu ainda era popular né...
Em casa, eu e o Bill mal nos falávamos. Não estávamos brigados nem nada, e era difícil estarmos os dois em casa. Eu, estou sempre saindo com os amigos. E o Bill seilá, ele está sempre voltando tarde pra casa, segundo nossa mãe, é claro, eu volto muito mais tarde... Às vezes nem volto. Nós tomávamos o café da manhã juntos mas nunca fomos assim para a escola. Aconteceu algumas vezes de ele sair antes, mas na maioria eu saía primeiro.
A gente, diferente dos outros gêmeos, não dividia o mesmo quarto. Parecímos estranhos um ao outro ás vezes... Eu que achava que ele precisava de mim...
Na outra escola, ele não nos falava, mas sempre se metia em brigas. Aparecia muitas vezes com o corpo marcado e algumas vezes minha mãe foi chamada na escola. E o pior, é que ele não se vestia assim lá, quer dizer, ele não se maqueava, pois esse estilo sempre foi dele.
Nunca o vi sair com alguma garota. Daí um dos motivos por eu duvidar da sua masculinidade. Mas eu também não o via sair com garotos. Ele sempre foi bem na dele, não sei o porque disso agora...
Bill e eu, éramos bem chegados quando crianças, nos amávamos mesmo, dois irmãos inseparáveis. Mas com o tempo, aquilo foi se desmanchando... E viramos simples irmãos gêmeos que não se odeiam, nem se amam e que têm suas vidas à parte.
No decorrer do semestre, as professoras pediam trabalho em grupos ou em duplas. Pra não ficar feio, a gente sempre ia junto. Admito que isso, digamos que, nos uniu um pouco. Ele era um cara legal, uma pessoa boa (demais) que eu precisava cuidar para que não pisassem nele. Se bem que, com esse estilão, popularidade e tals, seria difícil alguém se aproveitar dele. Mas se alguém tentasse, conseguiria facilmente. Outra coisa: Matt definitivamente se tornara amigo do Bill. Tinha dias que ele nem ficava comigo no recreio e ia atrás do Bill. Puxa saco.
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