The Bride Of The Fire God
9 Ume no Hana e Kinmokusei
Notas iniciais

Sakura suspirou demoradamente, deslizando um pente pelas longas mechas de cabelo negro e brilhante do seu marido.
Era como brincar de boneca, ou cuidar de um filho... Seria maravilhoso cuidar de uma criança, uma parecida com ele.
Mas Sakura sabia que, mesmo já tendo aberto de vez seu coração para essa pessoa, haviam coisas, ideias das quais ela deveria continuar mantendo guardadas longe de seu coração.
Coisas que sabia que não deveria almejar, nem deixar criar raízes dentro de si e se tornarem arrependimentos.
Não, estava tudo bem assim, sua felicidade era completa, a de Sasuke também. E seria tudo assim até o fim dos dias dela, até onde pudesse ficar ao lado dele. Não poderia cobiçar mais nada.
— Parece avoada hoje, esposa. – Sasuke comentou, ela se empertigou um pouco, parando de movimentar o pente através das melenas escuras.
— Ah, havia falado comigo antes? Perdão.
— Não, só notei que está muito silenciosa hoje, é raro.
— Ei! Está me chamando de tagarela?
Sasuke riu anasaladamente e Sakura fez um bico, cuidando de amarrar seus cabelos com uma linha vermelha, temendo que sua distração o estivesse atrasando para seus compromissos.
Não que Sasuke não apreciaria muito aproveitar-se disso para demorar a partir.
— Meu senhor, não acharia melhor cortá-los? – Perguntou, Sasuke se deitou no colo dela, olhando-a com um sorriso sensual.
— Depende de como minha senhora preferir.
Sakura sorriu, os olhos dele estavam normais, negros e profundos como antes, mas ela não era capaz de escolher uma melhor versão dele ainda, todas a agradavam.
— Prefiro-o como quiser ser!
— É...? – Ele se sentou, beijando seu maxilar, Sakura suspirou, entregue, até sentir seus lábios contra orelha, e uma sensual e aveludada voz feminina ecoar em seus ouvidos. — Mesmo nesta forma...?
Sakura abriu os olhos, dando de cara com uma mulher absolutamente belíssima a encará-la com desejo.
Ela se inclinou em sua direção, roçando os lábios cheios nos dela, seios fartos pressionando os dela, foi muito para Sakura lidar.
Ela fugiu para fora do quarto quase atropelando Kakashi. Ele viu apenas um borrão vermelho e rosa e entrou no vestíbulo.
— Ah, acho que foi muito para a ela...- Sasuke suspirou, desfilando por aí em suas formas femininas e de seios avantajados.
— Também pudera... – Kakashi suspirou, com dó de Sakura.
— Hm?
¤
— Enormes...- Sakura remoeu, quase quebrando a agulha entre os dedos enquanto bordava.
Então os deuses podiam assumir várias formas... por que a dele era uma peituda?!
Será que era uma preferência pessoal?
Inflou as bochechas, aborrecida.
Ela era tão tola ás vezes, com ciúmes do marido com ele mesmo? Bem, essas peculiaridades só poderiam advir de um casamento peculiar como o dela.
Tinha se lado engraçado.
Voltou a atenção para o kimono que bordava, o tema de falcões em um tom mais escuro sob o tecido preto lhe pareceu combinar bem com seu marido, estava ansiosa para finalizá-lo e entregar.
Sasuke já estava curioso e até enciumado de ela se ocupar tanto nesse projeto, como se ela o deixasse de lado por ele.
O dia estava bastante silencioso, não ventava muito e fez Sakura dar falta de uma certa companhia peluda e pentelha.
Kurama dissera que, precisava encontrar Naruto e estar ao lado dele mesmo dizendo que o deus idiota só estava aprendendo a ser menos tolo, Sakura sabia que ele apenas não era capaz de deixa-lo só, no fim, e admirava sua lealdade.
Mas confessava que sentia falta dele aprontando ao redor e bagunçando suas linhas e agulhas.
Torceria para que ambos retornassem bem, e que Naruto pudesse se reconciliar com a esposa. Não por um sentimento próprio de alívio, mas por que vira o quanto ele amava sua esposa e lhe dedicado era.
Que Hinata aprendesse alguma coisa de tudo isso, e valorizasse melhor o que lhe era oferecido tão ternamente.
Resolvendo dar uma pausa, ela guardou o tecido de volta na cesta e se levantou, deixou o aposento e passeou pelos corredores até chegar aos jardins termais.
As piscinas estavam límpidas e aquecidas como sempre e os peixinhos nadavam através da suave corrente que ligava todas elas.
Sakura inspirou profundamente, e sentiu a presença de um dos cães de Kakashi, bem... Ao menos achava que o fosse.
Ela ouvira um suave bramido, e depois um rosnado, se virou, surpresa e então recuou, apavorada.
Aquilo diante dela sequer poderia ser chamado de cão ou qualquer animal que houvesse visto no reino até então.
Era uma criatura enorme, que parecia ser feita de pura escuridão, sobre quatro patas longas, sua cauda parecia terminar em um esporão, os olhos eram apenas dois faróis amarelos e da boca aberta escorria algo esverdeado e de odor pútrido.
Não bastando ser aterrador por si só, parecia transpirar uma aura pesada e tenebrosa que a deixou enjoada de tanto medo.
A besta se aproximou mais, estudando-a como uma presa, sua cauda balançava lentamente até se erguer e apontar seu esporão para ela.
Sakura recuou gritando, o esporão vindo em sua direção fora cortado ao meio por uma luz prateada, ela caiu no chão, com as pernas tremendo e viu a criatura recuar, rugindo furiosamente com o membro decepado espirrando aquela gosma pútrida.
Havia um homem alto entre ambos, suas vestes eram claras e simples, embora os tecidos fossem claramente nobres, seu longo cabelo castanho batia nas costas e segurava uma espada curta de lâmina bastante larga e suja daquela coisa mau cheirosa que saía da besta.
— Afaste-se, criatura vil. – Ele ordenou, friamente, e então olhou por cima do ombro, espantando Sakura quando ela percebeu que seus olhos eram como pérolas, e um olhar de menosprezo a era dirigido. — Não me refiro a essa corrupção. – Completou, a voz banhada em sarcasmo a fara se encolerizar com tamanha grosseria se não estivesse mais assustada com o monstro.
Não aceitaria ser destratada por um estranho mais, e se ele era sequer próximo a quem imaginava, muito menos.
A criatura avançou novamente e ele partiu para cima dela, afundando sua espada em meio ao crânio da coisa enquanto desviava de suas garras. A criatura caiu sobre o chão, morta e Sakura assistiu-a se desfazer naquela gosma verde que empesteou o ar com mau cheiro.
— Sakura-sama! – Kakashi exclamou, correndo até ela afoitamente, Sakura tentou se levantar com sua ajuda, mas aquele cheiro horrível parecia ter se impregnado em suas narinas, na garganta e nos pulmões deixando-a completamente indisposta.
Kakashi a segurou firme, e chamou mais guardas que se aproximaram começando a limpar os restos da carcaça fétida e impura.
O homem estranho, aproximou-se limpando a espada com um lenço embebido em água de templo.
— Você...? – Kakashi surpreendeu-se.
— Melhor se preocupar mais com sua humana de estimação ou ficar exposta a essas impurezas vai quebrar o selo, não importando quão forte ele seja.
Kakashi sabia que deveria dizer que Neji não era exatamente bem-vindo no momento, mas sabia que precisava acudir Sakura primeiro ou Sasuke estaria ainda mais irado quando chegasse.
E certamente já estava vindo.
Segurou Sakura nos braços e seguiu rapidamente para dentro do palácio, entregando-a aos cuidados de Togame e indo recepcionar o deus recém chegado e Sasuke.
¤
— Corrupções no meu palácio? – A voz de Kagutsuchi reverberou colérica e ainda incrédula assim que atravessou as portas do salão, as vestes ainda flamejavam quando ele se aproximou do próprio trono e parou.
— Onde ela está?
— Aos cuidados de Togame, meu senhor. – Kakashi respondeu, o olhar de Sasuke estreitou, ardendo.
— Está ferida?
— Não. – Neji declarou, revelando-se da sombra de um pilar, ainda limpava a espada suja de impurezas, se aproximou, embaiando-a novamente e descartando o lenço no chão.
O olhar de Sasuke não deixou de captar a insinuação desagradável.
— Embora não tenha sido realmente intencional... — O deus proferiu, displicente e cínico.
Sasuke caminhou até o trono, ocupando-o.
— Vindo da sua laia, não me surpreende, não como o comportamento de sua prima surpreendeu, confesso. – Rebateu, sentando-se, Neji mandou um olhar ofendido e rancoroso.
— Já entrando no assunto que me trás até aqui, Kakgutsuchi-sama? Não faz questão nem de fazer uma boa recepção...
— Faço a quem é bem-vindo. Não estou menos agradecido por ter salvo minha esposa, mas não estou agradecido o bastante para esquecer a desavença e episódio desagradáveis criados por pessoas da sua família.
— Ora... Nunca achei que viveria para vê-lo falar de tal pessoa tão friamente...
— Está preocupado com sua vida? Não parece. – Sasuke ameaçou. — Vem até meu reino sem um convite, desdenha da vida de minha esposa, para diante de mim, escarneia e não se curva, como se houvesse esquecido quem é o dono do chão em que pisa...
Um círculo de fogo negro eclode em torno de Neji, e ele paralisa e imediatamente com a temperatura, ciente de que se uma única chama tocar suas vestes, nada de si sobraria.
Destas chamas negras ele só ouvira histórias, e nenhuma delas era agradável.
— ...E que esse chão poderá devora-lo até as cinzas se não começar a demonstrar alguma humildade e respeito. Ou tenha certeza que não serei misericordioso como fui ao permitir que sua prima deixasse essas terras inteira, depois de tentar ferir minha esposa.
— É uma humana! – Neji ecoou, a voz seca e abafada pois já estava desidratando com tamanho calor.
O círculo diminuiu em torno dele e parecia que o chão iria derreter.
— É a minha esposa, qualquer um que desrespeite sua existência e posição, desrespeita a mim. Agora curve-se como um visitante honrado, ou se torne cinzas. – Ele ordenou, agora tão frio que poderia queimar.
Neji apoiou um joelho, mais por fraqueza que por vontade, era um deus absurdamente orgulhoso, tanto que quase se iludia a respeito de sua posição no panteão divino.
Antigamente Sasuke achava divertido ver aquela criança inflada de egocentrismo, mas agora sua paciência estava no limite em se tratando desses deuses ordinários.
As chamas recuaram e desapareceram, o homem continuou de pé, respirando o ar livre de calor, sentia a pele do rosto ardendo, a das mãos avermelhada e com algumas bolhas.
Fez menção de se levantar, mas Sasuke o interrompeu, cinicamente.
— Não tenha pressa, afinal, ainda tem que cumprimentar sua senhora, absoluta deste reino, sagrado presente dos que creem em nós, minha esposa.
Sakura irrompeu pelas portas laterais, as maçãs do rosto ainda pálidas e muito aflita, caminhou rapidamente até os degraus abaixo do trono dele e se ajoelhou, apoiando-se em seu colo.
— Sasuke..! – Ofegou, ele acarinhou seu rosto, não deixando de suspirar com alívio em ver ela estivesse bem e ressentido por ter estado longe quando ela estava em perigo novamente.
Inevitável foi não pensar nas suas jovens noivas, que uma mera picada havia levado uma, e sua demora fora a sentença de outra.
Ele não saberia lidar se falhasse com Sakura também, em absoluto.
— Fico feliz que esteja bem. – Disse. — E sinto muito.
Ela negou, ainda assustada, só queria o calor do abraço dele, para lhe tirar aquela sensação asquerosa e pesada que foi estar perto daquela coisa.
— Era tão horrível... tão triste, tão...
— Shhi, vai ficar segura agora, eu mesmo o farei. Não voltará a ver aquelas abominações nunca mais.
— O que era aquilo...? – Sakura balbuciou, esfregando o canto dos olhos com a manga.
Não podia ficar chorando mais, realmente se assustara, mas agora que ele estava com ela, tinha que ser forte e madura.
Entender o que se passava e não apenas ser protegida.
Sasuke fitou-a com admiração, e percebeu que nem mesmo torna-la uma estrela um dia deveria fazer jus a sua coragem. Talvez nem se fosse seu sol ou sua lua, ele não saberia o que fazer para tê-la depois que não pudesse mais ter.
Suspirou, sabendo que tentar desvia-la iria apenas incentivar seu temperamento lutador a ir adiante.
— Chamamos de Corrupções, são massas de energia ruim que emanam de tudo aquilo que tiver uma alma, humana, animal, divina ou mesmo derivada de sentimentos fortes que se corrompem. Se atraem por tudo o que é oposto e se somam aos semelhantes. Tomam todo tipo de forma, e atacam tudo o que houver pela frente. No seu plano, raramente podem tomar forma e são chamados de demônios e derivados...
— Demônios...?
— Geralmente estão mais aptos a possuir e influenciar os humanos a coisas ruins. Mas neste plano, tomam formas como a que você teve que presenciar, e são verdadeiras bestas devoradoras. Kakashi e a força militar do reino geralmente lidam com eles, atacam tudo pela frente principalmente o que estiver a minha volta ou for parte de mim.
— Por que? – Ela se horrorizou, apertando a barra da manga dele como se quisesse protegê-lo e esconder a qualquer momento.
Foi tão adorável que ele se controlou para não rir, pois não era o momento.
— Por que sou uma massa de energia oposta, sou como a refeição perfeita e inalcançável, é inevitável para eles não se atraírem, acontece com qualquer outro deus, aquilo chegou aqui atraído para mim e atacaria qualquer um no caminho.
— Aquilo poderia... Devorar Kagutsuchi-sama...? – A mente dela concebeu, em choque.
— Teoricamente, mas não existe algo tão poderoso, os deuses tem como dever eliminar essas abominações. Um deus pequeno, talvez...? – Sugeriu, com ironia. — Mas o que houve foi um evento raro, não irá acontecer novamente, o palácio e a cidade são seguros.
— Entendo...
Ainda era assustador demais para se sentir segura, mas ela acreditava nele.
Sakura só então transferiu sua atenção ao redor, notando o estranho na sala.
Aqueles olhos de prata a encararam quase sem ocultar o desprezo novamente.
— Meu senhor... Essa pessoa...?
Sasuke notou sua reação, suspirando aborrecidamente, tocou a tez dela e lhe sorriu gentilmente.
— Poderia preparar um chá para nosso convidado indesejado?
Sakura quase entalou com ele falando tão claramente, mas este era seu marido e ela sabia que ele estava bastante irritado.
Ele era uma pessoa extremamente educada, mas, também muito franca de modo que não era de simplesmente ocultar seu desgosto.
Sendo uma pessoa acostumada a ter todos aceitando suas palavras, ele tampouco sabia o que era se conter para não desagradar, os outros é que o faziam, diante dele.
Bem, ela tinha a impressão de que certamente não iria fazer questão de acompanhar essa conversa, de modo que apenas concordou e se levantou, retirando-se ainda um pouco receosa.
Quando as portas fecharam-se atrás dela, Sasuke soprou uma risada e fitou Neji.
— Ela não é adorável? Parecia temer dar as costas e me deixar queimar as visitas.
— Presumo que ficaria horrorizada ao saber que tentou.
— Aborrecida, talvez. Ela entende a natureza daqueles que a cercam com facilidade. Agora antes que ela chegue, por que não desata todo seu assunto para que eu finja que me importo o bastante para não despachá-lo assim que fechar a boca?
Neji inspirou, profundamente ultrajado.
— Minha prima, está infeliz e lamuriosa, desde que foi embora destas terras. Por sua causa ela entrou em conflito até mesmo com o marido.
— Marido que você nunca aprovou. – Sasuke observou.
— Minha resolução quanto isso já não importa mais.
— Suas resoluções nunca importaram, nem para Naruto, para mim, ou Hinata.
— O que insinua?
— Que Hinata só o mandou aqui por que precisa de um escudo, a ela não importa o que você pensa desde que lhe sirva de algo.
— Está sendo petulante e leviano! Como pode falar de Hinata-sama assim?! Você a conhece muito bem!
— Era o que eu achava...- Sasuke deu de ombros, o assunto lhe era aborrecedor em demasia, e pensar no quanto estivera enganado sabre alguém que por tanto tempo tivera considerável espaço em seu coração era tão diferente do demonstrado, lhe parecia repugnante.
— Ouça bem, minhas palavras. Veio aqui atrás de um pedido de desculpas? Depois do que lhe disser, pergunte a si mesmo se sou quem deveria se curvar. – Ele pausou, suspirando. — Recebi Hinata em meu reino, por longos séculos, mesmo sem dar-me uma única esperança que não fosse repartida ao meio com Naruto, eu dei-lhe um status quase de senhora absoluta dessas terras. Minhas flores nasciam para ela, meus céus eram límpidos a noite para que a lua pudesse refletir em seus olhos por mais tempo, presenteei-a incansavelmente com as coisas mais belas, e meu povo a amava e respeitava. – Estreitou os olhos, ameaçadoramente.
— Ainda assim, quando ela decidiu dar a mão a outro e partir, eu a deixei ir sem absolutamente nada lhe cobrar. E ninguém aqui pode afirmar que em algum momento fui recompensando sequer com migalhas de afeto, pois todos viram essa terra sofrer comigo a minha rejeição. Então, milênios depois sou agraciado com uma companheira amorosa e virtuosa e a felicidade finalmente me alcança, e sua prima rasteja até este solo novamente, profere palavras doces, e apunha-la a consideração que eu lhe tinha covardemente, amaldiçoando uma humana indefesa e pondo seus caprichos acima do sentimento alheio. Agora me diga, sou eu quem deve se desculpar?
O silêncio inexpressivo de Neji permaneceu no ar até Sakura adentrar o salão outra vez, muito mais tranquila, ela retornou trazendo uma bandeja com toda a louça para o chá.
— Perdão pela demora, Togame-san disse que o chá preferido de Neji-sama estava quase pronto, então resolvi esperar.
— Não dedique tanta atenção ás visitas, ou deixarei de recebê-las. – Sasuke avisou, arqueando a sobrancelha, ela riu, não percebendo que ele falava sério.
— Mas já não são escassas o bastante, meu senhor?
Ela se sentou ao seu lado, pondo a bandeja ao lado e atenciosamente começando o ritual de preparar o chá, o qual fora treinada tantas vezes.
Sem muita opção, Neji aproximou-se e se sentou, silenciosamente servindo-se e bebendo.
Os dois deuses nada mais conversaram, mas Sakura ficou feliz que o ambiente tivesse se convertido numa atmosfera mais pacífica. Ainda estava curiosa e receosa com esta presença, mas sentia que aquela pessoa não deveria ser de todo ruim, tendo-a salvado, afinal.
Depois do chá, muito mais austero do que antes, ele se retirou educadamente da presença deles, Sakura voltou a atenção ao marido quando as portas se fecharam.
— Senhor...?
Sasuke a fitou, arqueando a sobrancelha, e riu para seu lindo rosto preocupado, tocou o maxilar dela, carinhosamente.
— Não se preocupe, conheço-o a tempo o bastante para dizer que ele já aceitou o que tinha de aceitar.
— Entendo...?
Sasuke beijou-a e fitou, com os olhos estreitos e nublados de prazer.
— Não se preocupe com mais nada, ou talvez apenas comigo.
— Meu senhor não se sente bem?
— Apenas considero que já que estou aqui, por que não retornamos para nossos aposentos e aproveitamos o resto do dia a sós?
Sakura enrubesceu quando entendeu o que ele realmente propunha, mas não viu por que discordar, para ser honesta.
Mais tarde, enquanto se vestia novamente e Sasuke tirava um cochilo, ela assistiu pássaros de penugens exóticas voarem através dos céu.
A visão aliviava seu coração, em parte, mas ver lua suavemente marcada no céu, encheu-a de um pouco de insegurança ainda. Ela acabou retornando para a cama, e se encolhendo enroscada no corpo quente do marido.
¤
Girando os dedos dentro da água contida numa bacia de prata onde a lua pudesse ser refletida, se podia abrir um canal de comunicação com outra pessoa.
Neji afastou a mão e assistiu o próprio reflexo se diluir e como uma janela, mostrar parte do vestíbulo dos aposentos da prima.
Hinata logo apareceu, ele notou que ela parecia muito mais recomposta comparado a última vez que a viu, onde ela se debulhava e tremia de lágrimas, lamuriando a solidão de seu palácio sem a presença do marido ou mesmo algum amigo, pois todos julgaram suas ações no dia de ano novo.
Ainda em trajes de dormir e envolta num manto de pele, ela o fitou de volta com os olhos ainda avermelhados, mas secos e menos inchados.
— E então? – Indagou, suspirando pro fundamente. Neji sentiu muito boa vontade em mentir, ou amenizar as coisas, ao menos até que sua prima estivesse melhor, e percebesse quão erradas foram suas ações.
Os humanos não eram os preferidos dele também, mas sempre teve em mente que sua existência tinha um propósito maior do que seus próprios desejos. Fora realmente rude com aquela criança que Kagutsuchi cercava de afetos, e se tornara mais consciente disso ao estar em sua presença.
Ela era tão inofensiva que chega a soar patético ofender-se com ela. Sim, Sasuke agira de forma colossalmente imprudente e imperiosa por causa dela, mas Neji não captara em seu olhar ou gestos, qualquer possibilidade de ela estar manipulando o deus do fogo.
Ela continuava sendo uma humilde humana, e nem Sasuke poderia ir contra tal verdade.
Suspirou, também aborrecido de as palavras de defesa deus terem soado genuinamente sinceras e indignadas e isso ter criado uma semente de dúvida na mente dele.
— Kagutsuchi... Está resoluto e ainda encolerizado, minha prima. Ele não a perdoou pelo episódio com a esposa, e muito menos se sente em dívida para com algo.
Assistiu, calado, as faces delas retorcerem-se de confusão e ira, Hinata recuou, como que golpeada.
— Não pode ser... Não faz sentido, não... É impossível!!
— O que é impossível...?
— Ele amar outra além de mim! – Ela vociferou, batendo na água, a conexão quase se desfez. Neji não enxergava o bastante, apenas ouvia seus esbravejos. — Uma humana! Uma reles humana! Como pode ter me ofendido de tal forma? Como pode ser tão maquiavélico e vingar-se dessa forma?!
— Por que acha que Sasuke se vingaria de você? Ele pode não mais amá-la, mas não a odeia.
Neji não achava que era ódio, era mais decepção e mágoa, e ficou impressionado de perceber que um deus tão poderoso e temível era capaz de sentir-se dessa maneira.
Quando Sasuke se declarou interessado em sua prima, ele apenas o considerara um deus, que por estar acima deles em tão nobre linhagem, estava apenas se divertindo ás custas da competição e quando Hinata enamorou-se de Naruto e com ele partiu, Sasuke nada fez, e Neji julgou que ele só perdera o interesse na aposta e no prêmio perdido.
Aparentemente, se julgo estivera bastante equivocado.
— É claro que ele quer se vingar! Por séculos nunca ousou desafiar ou reclamar-se de eu não o ter aceito! Cheguei a achar que ele finalmente entendera como funcionávamos mas... ele só estava sendo traiçoeiro! Agora aí está, colheu aquela alma humana! Casou-se com ela e a trata para qualquer um ver, muito melhor que já me tratou! – Ela falava e falava, desvairadamente.
— Ela é a esposa dele...
— É uma imunda, estúpida alma humana! Eu sou o amor dele! E como não me tem... Está destruindo tudo ao meu redor! Mas... Mas... Eu sei, eu posso provar! Posso provar que tudo não passa de um jogo dele!
— Hinata, você está se descontrolando, se fizer qualquer coisa contra o deus ou a humana...
— Não se preocupe, não farei nada. – Ela declarou, andando de um lado para outro, maquinando consigo mesma. — Você fará.
Neji recuou, completamente estarrecido, Hinata notou sua expressão e se apressou a amenizar.
— Não se preocupe! Nunca o pediria para machucar alguém! Tampouco quero que Sasuke se machuque, e quanto a humana...- Ela inspirou, de mal grado. — Aprendi minha lição.
— O que está pensando? – Ele se referia a muito mais que o tal plano.
Hinata se ateve ao que lhe interessava.
— É algo simples, não quero que a machuque, quero que a desafie.
— Desafiar? Uma humana?
— Quero que ponha a prova a confiança dela em Sasuke e por fim, a prova esse “amor” que ele sente por ela. – Hinata remoeu, recordando de uma certa ocasião com mágoa e humilhação.
Havia perguntado a Sasuke, somente por curiosidade, mas àquela altura achou que ele sequer pensaria em negar, tão apaixonado estava.
Mas ele negou.
E negaria mais uma vez, pois se ele não sentia mais amor por Hinata, ela provaria que ele nunca seria capaz de amar outra mais do que a ela.
— Pergunte a humana, Neji. Se ela sabe o terceiro nome de Sasuke.
¤
“— Seu terceiro nome, é o maior segredo que um deus poderia guardar. É algo de tão grande poder, que pode significar sua vida ou morte, dependendo de em que ouvidos cair...”
Sakura caminhou devagar, muito pensativa, no fim, apoiou a mão na parede e ficou parada, anestesiada pelo que ouviu.
“— Geralmente, o terceiro nome é verdadeiro nome escolhido pelos pais, e no caso de seu marido, há quem diga que ele sequer tem. Mas você sabe?
— Por que eu saberia...?
— Por que ele a ama, não?”
Sakura deslizou pela parede, sentando-se no chão, sentia-se tão traidora quanto arrogante apenas em cogitar a ideia de o marido ser capaz de amá-la.
Mesmo que houvesse a ínfima possibilidade de isso ser verdade, não lhe daria o direito de tentar, caprichosamente, impor uma prova.
Não obstante, a semente já estava plantada, e ela realmente, independente do que a resposta poderia significar para ambos, qual era o terceiro nome de Sasuke.
Por que era o maior segredo dos deuses, e por que Neji insinuava que ele não tinha um?
Sasuke era o Kagutsuchi, irmão do Tsukuyomi, da Amaterasu e do Susano’o, por tanto, era filho daquele e daquela que convidam. Ao menos, era o que lhe fora ensinada na escola.
E na escola também disseram que o Kagutsuchi era um deus morto convertido em vulcões, e agora ela era casada com ele.
— Sakura-sama! – Ela se empertigou, espantada, e viu Kakashi se aproximar, e se abaixar, olhando-a muito preocupado. — Por que está no chão? Algo aconteceu? Está bem?
— Eu... Hum, estou bem sim, só... Acho que um pouco cansada.
— Tem certeza? Não quer que Togame lhe prepare algo? – Sakura negou, levantando-se com sua ajuda.
Além que os tônicos de Togame eram de gosto bem difícil de apreciar.
— Estou bem... Acho que... Vou descansar no quarto, obrigada.
— Sim, obrigada. – Sakura se afastou, novamente mergulhando-se nas próprias divagações.
Ficou por um momento, tentada a perguntar ao Kakashi sobre o maior segredo dos deuses, mas temeu que isso pudesse ser um tipo de tabu, ou que Sasuke ficasse furioso se soubesse que ela andara sondando sobre algo aparentemente muito íntimo.
Sakura retornou para o quarto, mas lá só havia silêncio para alimentar suas paranoias, e as coisas do mundo dela, que Sasuke ternamente fora buscar, como que acusando-a de estar se aproveitando dele.
Deixou o quarto e seguiu para o pequeno solar onde a grande cerejeira ficava, lá também não sossegou, e por fim, arrastando o cesto com suas costuras, ela foi para debaixo da glicínia, lá, cercada pelas termas e ao ar livre, haviam os peixes batendo na água, os pássaros cantando nos galhos, o vento forte.
Ela começou a bordar um desenho mais complicado, mesmo sem ter certeza de que faria bem, sua mente continuava pensando em formas mirabolantes de perguntar, ou se autoflagelando, Sakura cansou, inclinou para o lado, e por fim, desistiu.
Levantou, e partiu dali decidida a pegar um transporte e ir visitar Sasuke no templo, talvez se o visse ela finalmente entendesse o que deveria fazer.
Sakura partiu sentada num gracioso tipo de cabriolé puxado por um amável carneiro que diziam saber todos os caminhos existentes no Takamagahara*.
Parecia algo realmente incrível mas ela ainda se admirava e adorava mesmo era a pelagem rechonchuda e encaracolada dele, seus cornos dourados e enroladinhos e a forma como seus olhos eram apertadinhos.
Honestamente ele parecia o tipo de pelúcia grande que qualquer garota iria querer ter no quarto.
Sakura tentava ser o mais respeitosa possível com os ayakashi e youkais que encontrava, mas por incrível que pareça, era mais difícil não perder a compostura com os mais adoráveis do que com os de aparência mais assustadora ou intimidante.
A aparência do Sr. Ioroi também conquistava as crianças youkai, e ele estando a levar a noiva do deus do fogo, acabava recebendo ainda mais atenção.
As crianças literalmente os acompanhavam, esfregando as mãos na lã macia ou nos chifres dele e Sakura ficou com dó e culpada.
— Ioroi-san, desculpe pelo alvoroço.
Bem que Sasuke aconselhara que ela só usasse os serviços de Ioroi quando desejasse passear no campo ou visitar alguma aldeia. Na cidade, ele acabava sendo sufocado.
— Não tem problema, senhora, já estou acostumado. – Ele disse, com uma risadinha e entonação de uma pessoa já idosa, provavelmente teria essa aparência se tivesse forma humana.
— Noiva-sama! Noiva-sama!
As crianças chamavam-na, querendo que as cumprimentasse, Sakura recordou que também deveria se acostumar ao assédio dos habitantes.
Sorriu e apertou suas mãozinhas enquanto passavam pelas ruas, e acenava ás outras pessoas.
Ioroi-san não poderia ir muito rápido, mas no caso dele era uma vantagem, você poderia desfrutar da vista e ainda ouviu suas milhares de histórias sobre os caminhos que cruzara, pessoas, deuses e coisas que conheceu.
Antes de chegarem ao templo, o banco onde ela ia estava lotado de crianças, algumas se empoleiravam na traseira e Sakura levava dois pequenos no colo, todos encantados e curiosos com a história que Ioroi contava dessa vez.
Ele parecia saber exatamente quanto tempo cada conto levava, e finalizou-o no momento em que pararam em frente a imponente construção.
Sakura desceu, preocupada com a quantidade de crianças com eles.
— Ioroi-san! Perdão! Devia estar pesado!
— Não por isso.
Sakura devolveu os garotinhos a seu irmão mais velho e sorriu para elas, sabendo que não poderia leva-los consigo para dentro do templo, lá as regras eram um pouco mais rígidas.
— Obrigada por acompanharem! Voltem para casa com cuidado, sim?
— Siiim!
Elas correram através da rua, algumas apenas voaram. De qualquer forma eram livres e independentes para brincar a vontade por aí, sem medo algum. Sakura sentia orgulho pois sabia que havia esforço e afeto de seu marido envolvidos nisso.
— Obrigada, Ioroi-san, tentarei não demorar.
— Estou a sua disposição, senhora.
Sakura subiu os degraus, e sempre que passava inegavelmente se sentia observada, sua atenção ia sempre para as duas estatuas Shishi e Komainu que enfeitavam e protegiam o templo, eram grandes e de pedra, Sakura sempre tinha a impressão de que eles a encaravam.
Desta vez não sendo diferente desta vez, apressou o passo rumo à entrada. Poucos youkais assustadores davam-lhe mais medo do que essas estátuas.
E enfim, ela estava lá dentro, e toda a distração anterior deu lugar as tensões, medos e dúvidas que sentia.
Foi recepcionada por uma ayakashi chamada Taiga que parecia bastante enervada ao vê-la, esta a acompanhou até as portas do escritório de Sasuke, Sakura podia sentir o perfume de incenso.
— Ka-Kaagutsuchi-sama, sua esposa está aqui. – Taiga murmurejou ao abrir as portas, Sakura olhou para dentro do cômodo, recebendo o olhar surpreso e depois satisfeito do marido, e notando que ele havia tinha a companhia de Karin-gami, sentada na cadeira do outro lado da mesa enquanto ele fumava seu kiseru sossegadamente.
Inevitavelmente o ciúme espezinhou Sakura, ainda mais pela reação da ayakashi, como se temesse estar se envolvendo num enrolo de segredos perigoso. Talvez até as pessoas do reino soubessem das intenções da deusa, ou talvez só temessem um novo grande problema vulcânico causado por disputas femininas ao redor do deus.
De qualquer forma, ela engoliu o que tinha de engolir e adentro, curvando-se.
— Perdão, eu posso esperar lá fora se estiver atrapalhando.
— Não vejo motivo. – Sasuke deu de ombros, achando bastante graça de como ela estava sempre se mantendo formal em torno de Karin. As duas realmente não tinham um temperamento misturável, ao menos não, enquanto continuassem se evitando.
Mas Sasuke confessadamente não tinha muita paciência para as ladainhas femininas, tinha muito apreço por essas adoráveis criaturas, deusas, youkais ou humanas, mas meter-se entre elas não era sua atividade favorita e nem achava a mais segura.
Além que elas pareciam estar bem, num acordo silencioso que ele não via motivo para se intrometer.
— E quanto à Karin, não vejo por que vir me pedir permissão para usar o barco. Sabe muito bem que é livre para tal, considerando o tempo que já faz que vive aqui, você pode dispensar esse tipo de formalidade.
— Entendo...- Ela murmurou, um pouco aborrecida ou conformada.
— Estou surpreso de que se interesse em visitar o país da água, confesso.
— É um lugar muito agradável, senhor.
— Sei, sei. – Ele disse, desinteressado, apenas abanando a mão para que Sakura se aproximasse.
Ela veio, embora bastante curiosa sobre a conversa das deidades, mal o deu atenção apropriada e ele a castigaria depois por isso.
— Entendo seus motivos para repudiar o país da água, o governante certamente é o maior deles. Mas não pretendo visitar sua corte, tampouco. – Karin riu suavemente, pois sabia bem que ele detestava ou menosprezava o país por conta de seu irmão mais novo, então era sempre engraçado vê-lo fazer pouco caso.
No fundo, sabia que ele poderia estar até magoado por sua decisão repentina de viajar para logo aquela terra. E de fato Karin não tinha a intensão nem de mencionar sua passagem por lá. Mas ficara meio eufórica de estar conversando com ele depois de tanto tempo. Sentira falta da sua presença mais do que julgou, e a presença da oferenda atirou-a de volta à realidade de que deveria começar a aprender de verdade.
Então pediu o barco para dar uma longa viajem, não apenas pelo reino da água, mas todos os outros, talvez até acima, ou abaixo. O tempo que fosse preciso.
— Apenas um passeio...- Disse, mais para si mesma.
— Bem, se insiste, poderia recomendar lugares melhores...
— Hah, tenho certeza que sim, de qualquer forma, esteja livre para recomendá-los depois, pretendo manter algum contato, de qualquer forma. – Ela se levantou, suspirando. – Bem, estarei partindo ainda hoje.
— É uma despedida então? – Sasuke riu, suavemente. Karin inspirou, fitando-o por quanto tempo pode.
— Sim, é.
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— Então, a que devo a honorável visita da noiva do deus do fogo? – Sasuke disse, Sakura balançou a cabeça, dispersando os pensamentos sobre a deusa.
Ela parecia tão solitária e melancólica, uma despedida unilateral, foi o que aquilo se tornara, no fim.
Não sabia se torcer para que tudo desse certo para Karin, era honesto de sua própria parte, e tentou se conformar de que ao menos torcer para que ela ficasse bem, fosse.
Também não havia como transferir essa sensação para si. Sakura não poderia deixar de se indagar se no fim, não estava na mesma situação de Karin, independentemente de sua posição na vida de Sasuke, e isso era torturante.
Ou talvez ela só não fosse uma pessoa de coração tão forte quanto uma deusa.
— Estava entediada... O deus do fogo pode ser muito aborrecedor...- Comentou, Sasuke puxou sua mão, girando-a para si.
— Então tem alguém se passando por mim no palácio? Pois é certo que se fosse eu, lá, você não estaria entediada.
Sakura riu, abraçando-o, e escondendo as bochechas avermelhadas. Sasuke a envolveu, beijando sua cabeça.
Depois de um momento, voltaram a passear ao redor do santuário, até Sasuke ter a ideia (e isso não deixava de ser uma desculpa para abandonar os deveres por mais tempo) de pegarem uma barca e navegarem pelos canais.
Sakura sentia-se sempre num tipo particular de Veneza.
— Kagutsuchi-sama... Sasuke...- Falou, pensativa, ele fitou-a, curioso. — Você tem nomes diferentes... Sempre me perguntei isso mas... Agora pensando, qual realmente é o que o representa?
Sasuke piscou, pensativo e então sorriu, como se visse através dela tal como a um mero pedaço de vidro.
— Então você ouviu sobre isso...?
Sakura realmente achara que estava sendo sutil, isso depois de falar impulsivamente. No fim ela desviou o rosto, acovardada.
— Ouvi... Sobre o quê?
Ele riu, gargalhando até, e passou o braço em torno dela, puxando-a, por um momento as sombras cobriram-nos e Sakura notou que a barca parara, travada pelos galhos de uma ameixeira que se inclinava sobre o canal e derramava suas pétalas contra água.
Encarou os olhos do deus, sabendo não haver nada mais escuro que isso.
Sasuke, segurou seu queixo, acariciando-a nos lábios com o polegar até tenta-la a abri-los ansiosamente.
— Amo sua ingenuidade, Sakura Haruno. Mas confesso que essa faceta manipuladora e persuasiva tem ainda mais charme, por mais perigosa que possa ser, como acaba de provar.
— E-eu... Não quero forçar ne-nenhuma situação. – Ela gaguejou, começando a se apavorar.
Sabia! Sabia! Estava sendo conduzida a uma armadilha o tempo inteiro, e se atirara nela!
Sasuke riu outra vez, ainda mais divertido. Segurou-a mais firme e aproximou o rosto do seu, com um sorriso no mínimo, perverso.
— O melhor de tudo, é certamente, a oportunidade de poder ensiná-la que tudo tem consequências, principalmente, em se tratando dos deuses, elas podem ser ainda mais perigosas.
— Não precisa me dizer nada! Por favor esqueça o que eu disse...
— Ah, doce Sakura, não sabe como gosto das coisas impulsivas que solta, posso usá-las à vontade. – Sasuke beijou seu rosto, esfregando a boca em direção à sua orelha. — Quer saber o terceiro nome de um deus? Pois bem, eu a direi. Esta noite, em nossa cama. Eu darei a você a chave da minha existência, e terá que lidar com isso.
Ume no Hana = Flor de Ameixeira, significa Elegância, Fidelidade e Coração Puro.
Kinmokusei = Osmanthus, significa Verdade, Pessoa nobre.
Takamagahara*
Takama-ga-hara é um lugar na mitologia japonesa. No xintoísmo, Takama-ga-hara (ou Takama no Hara ) é a morada dos deuses celestes ( ama-tsukami ). Acredita-se que esteja conectado à Terra pela ponte Ama-no-uki-hashi (a "Ponte Flutuante do Céu").
Na fanfic, se refere justamente ao continente onde os deuses, como o Sasuke, criaram seus reinos (Reino do Fogo, Água, Terra e etc.)
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