The Bride Of The Fire God
11 Suiren
Notas iniciais

Dias atrás, mundo humano.
— Até quando vamos ficar andando para lá e para cá feito baratas tontas? — Kurama interrogou, bocejando.
— Não tem o que reclamar, não o mandei me seguir. – Naruto rebateu, azedamente.
— Vamos encontrar um lugar decente? Estou cansado de dormir nos templos alheios, é patético.
— Tsc, mais uma vez, não mandei me seguir! – Desta vez Naruto falou alto o bastante para que os humanos que caminhavam pela calçada definitivamente estranhassem ver alguém discutindo com uma simples raposa.
Aborrecido, Naruto pegou um beco menos movimentado e seguiu, a lua estava quase cheia hoje, mas já a um tempo lhe soava apática.
Ele ajeitou o cachecol laranja no pescoço, e soprou uma baforada quente que criou uma onda cinzenta.
Naruto parou, percebendo que de repente ficara muito frio, olhou em volta, naquele beco fracamente iluminado.
— Kurama...
— Eu sei. – A kyuubi disse, saltando para perto dele, suas nove caudas se separando como um leque.
Ambos ficaram parados, aguardando o indício maior de qualquer perigo. A lâmpada próxima a eles começou a piscar e a luz quente se tornou fria, uma bruma arroxeada e densa começou a escorrer de uma das paredes.
Naruto recuou, receoso, se vendo cercado por aquela aparição.
Estalos de energia emergiram na bruma e ambos virão então, uma silhueta cuja presença era aterradora e poderosa demais para encarar.
Seus olhos estavam pousados no chão, e seus corpos paralisados antes mesmo que pudessem notar.
— Quem... é...? – Kurama rosnou, ainda lutando.
— Naruto Uzumaki, jovem deus caçador, protetor das raposas e das crianças perdidas, menino da profecia da montanha e do vento. – A voz declarou. — Eu tenho uma missão para você.
— Para... Mim...?
Ele mal anteviu sua aproximação, uma mão ossuda surgiu em seu campo de visão, e tanto ele quanto Kurama souberam que não haviam sido convidados, mas convocados a cumprir planos muito maiores do que eles.
¤
Agora, Ahaji.
Um salão ornado em pedra e prata pura, repleto de bancadas voltadas para um único ponto, o trono do deus criador, a natureza se mesclava completamente a Ahaji, uma fortaleza encravada no centro de uma ilha que flutuava no vazio do espaço, entre estrelas e astros.
Cachoeiras cristalinas caíam do topo das montanhas e desciam sobre o castelo, escorrendo pelas paredes de pedra onde troncos frondosos de todo tipo de planta milagrosa só existente ali surgia como se fossem um.
No centro dele, uma abertura circular no chão proporcionava a vista do espaço abaixo da ilha, onde mesmo a água que corria das paredes para lá, caía e se perdia no infinito.
Sasuke cruzou o salão, ainda que usando uma máscara, suas vestes destacavam sua figura e seu longo cabelo mais escuro que a noite, denunciava sua linhagem.
Ele era o primeiro puramente elemental e perfeito filho de seus pais, antes dele vieram os deuses que se tornaram as ilhas do Japão, que já nasceram abrindo mão da própria liberdade para dar continuidade a missão dos pais.
Ele foi aquele que matou sua mãe ainda antes de nascer, condenando-a a reinar no Yomi, em uma forma semi decrépita e também longe do marido e dos filhos que vieram depois.
Ele era o deus temperamental e impiedoso cujo sangue envenenara a terra com lava e a condenara a eterna instabilidade.
Tudo isso, ele nem precisava fazer esforço para ouvir, pois ninguém parecia mais interessado em ser discreto. Ele só se perguntava se nunca cansariam de falar as mesmas amenidades.
— Ah, então você veio... – Itachi disse, aproximando-se dele. — Vejo que não trouxe sua esposa, vai alimentar ainda mais rumores.
— Eu pareço o tipo que se importa? De toda forma, ela não estava disposta para tal.
— Oh, não? A pobrezinha deve ter ficado apavorada só em pensar em estar rodeada de deuses.
— Hm. – Sasuke refletiu, e viu que poderia imaginar Sakura ter um surto com a ideia de ir a uma reunião de deidades, mas depois, logo suspirando e o perguntando se deveriam levar algum agrado, ou qual traje seria mais adequado.
Ela era sensível, certamente, mas destemida, definitivamente, uma vez que encontrasse coragem e ímpeto dentro de si.
E o que mais aprendera com ela, era que ela sempre conseguia achar isso.
Riu um pouco, e fitou o irmão com confiança.
— Não se preocupe. Minha esposa não é uma mulher fraca.
— É uma humana. – Ambos se voltaram para trás, dando com o irmão, Itachi suspirou, aborrecidamente, e Sasuke o olhou com enfado. — É patética por si só. – Completou, cinicamente.
— Não lhe são patéticos quando estão prostrados rendendo orações a você, são?
— Somente para isso que existem. Quem se importaria com mais?
— Não é à toa que seja mais temido que adorado. E não é à toa que não saiba a diferença se só conhece um dos tipos. – Sasuke deu de ombros, afastando-se, Izuna, trincou os dentes, irritado por sempre ser imediatamente ignorado e esnobado por ele.
— Já você parece não teme-los, huh? Não se importa nem com o risco de pôr seu nome na boca de um deles? Quanta ousadia... Mas claro, isso se ao menos houver um terceiro nome, huh?
— Esta reunião seria inútil se não houvesse um, estou certo? Ou me chamaram aqui apenas para ver quão satisfeito estou com a minha pequena surpresa?
— Bem, talvez você realmente goste dela, já que faz tanta questão de mantê-la escondida... – Izuna comentou, aproximando-se novamente. — Como é que diziam mesmo? Ah, “a rara beleza floral”, me pergunto quando terei a oportunidade de conhecer tal beleza...
— Não seria algo raro de se ver, se eu permitisse que qualquer um pusesse os olhos nela. – Sasuke cortou, friamente, embora seus olhos estreitos passassem a brilhar com calor hostil.
Izuna sorriu, como se ele o houvesse dado exatamente o que queria, e geralmente Sasuke se aborreceria consigo mesmo por ter lhe dado uma brecha para perturbá-lo, mas, desta vez, ele estaria muito mais que disposto a deixa-lo irritá-lo.
— Bem, bem, já que estamos todos reunidos, por que não conversamos sobre algo mais agradável? – Itachi disse, tentando cortar a tensão, embora talvez nem a lendária kusanagi fosse conseguir.
— Por que não falamos de algo mais bonito? – Izuna contrapôs, afastando-se para o lado, e oferecendo a mão cordialmente para ninguém mais que Hinata.
Ricamente trajada, ela parecia a própria lua num kimono branco bordado com fios de prata, e adereços complicados mantendo seus cabelos para o alto como fios de seda escura.
— Diga-nos, Sasuke, esta não é uma beleza que supera e muito a de qualquer mortal? – Izuna declarou.
Sasuke deu as costas, indiferente.
— Virtude e humildade podem tornar a beleza de qualquer mortal incomparável, ainda mais em comparação à soberba e arrogância. – Fitando o irmão de soslaio com uma expressão desafiadora, ele sorriu de canto. — Você só tem certeza de que sabe quem é a mais bela, pois, novamente, permanece na ignorância de ter conhecido apenas uma. Não é lamentável...?
— Sasuke... – Itachi o seguiu, suspirando.
Izuna torceu a boca, irritado, soltando a mão da deusa grosseiramente e dando as costas.
Hinata inspirou tão profundamente quanto seu orgulho permitiu, obrigando-se a engolir mais esta humilhação.
As grandiosas portas do salão abriram-se de repente, e todos recuaram, baixando as cabeças de forma respeitosa.
O deus criador dos deuses estava em sua presença, ele era maior, em sua forma original, um verdadeiro gigante. Seus cabelos eram uma mistura de negro e branco, suas vestes sóbrias e imponentes, caminhou sem pressa até o imenso trono, um lado de seu rosto era ocultado pela cortina de fios, onde apenas um pequeno chifre branco se sobressaía. Uma lembrança, de que deuses e monstros tinham a mesma origem.
Ele se acomodou, apoiando a cabeça no punho e só então pousou seus olhos sobre eles, soturnamente.
— Bem. – Iniciou. — Que comece a reunião.
¤
Era fluído e etéreo, talvez assim fosse a melhor forma de descrever o fogo, além de absolutamente ardente.
Ela não sentia dor, e nesse momento teve certeza, ela era puro fogo.
Sakura olhou adiante de si, voando numa velocidade absurda, montanhas, campos, lagos termais, florestas, e mesmo o mar além da terra do fogo passavam abaixo dela, e ela mal poderia disfarçar o encanto com tamanha beleza.
— Tão lindo...— Não poderia deixar de pensar também em Sasuke.
— É mesmo, mas precisamos subir, ir muito além, Ahaji é muito distante, e não podemos nos demorar mais.
Ela olhou para cima, onde só havia o céu e as nuvens, a enorme ave a qual ela estava fundida agora, não precisou mais que um pensamento seu para que ela batesse as asas numa subida vertiginosa.
Sakura sentia as nuvens rasparem em seu rosto, e elas eram até um pouco frias como baforadas de ar gelado de uma máquina de ar condicionado, mas muito mais macias, e então ela foi mais além delas, onde poderia ver o sol despontar no horizonte e tudo ao redor era apenas um azul profundo.
Sakura foi mais além, onde tudo parecia apenas uma imensa escuridão salpicada pelas estrelas, ela se viu próxima de três delas, e não precisava de ajuda para reconhecê-las.
As três noivas do Kagutsuchi brilhavam eternamente no vazio, Sakura chegou perto o bastante para sentir o calor de cada uma, era acolhedor e muito, de certa forma, nostálgico.
Ela teve certeza que não se arrependeria de se tornar uma delas, ali não havia solidão, mesmo sendo uma lembrança póstuma.
— Eu acho que gostaria de tê-las conhecido, mas assim está bem.
— Você não se importa de tornar-se uma delas? — A voz em seu interior parecia realmente chocada, Sakura riu suavemente.
— Não, penso que seria maravilhoso estar tão perto. Elas também o inspiram, quero fazer o mesmo.
— Eu não quero isso...- A voz disse, em tom de manha até.
Sakura riu, afastando-se com um bater das asas, ela continuou seu voo, e foi quando repentinamente pensou estar voando na frente de um imenso espelho.
Ela se viu voando em torno de outra terra.
— Isto é...?
— O mundo humano...
— Sério?! – Ela espantou-se. Era assim que os astronautas deveriam se sentir?
— Sim, um véu separa os dois planos, visualmente parece assim... Mas você pode passar através dele, se quiser.
— Sério? Como? É assim que os deuses fazem?
—É uma das formas mas... Para você, significaria voltar a seu mundo, você gostaria...? - Indagou-a, com receosa curiosidade.
Sakura não pode deixar de pensar na velha vida, no pequeno apartamento, que ninguém estava cuidando do túmulo da mãe dela, que o pai continuava uma decepção misteriosa, seu velho emprego e os colegas. A vida corrida e sempre igual.
Seria estranho voltar agora, e mesmo que houvesse essa chance, ela não saberia o que fazer com ela. Pois, não era mais a pessoa que era antes.
E mesmo que ainda houvessem tantas partes dela perdidas no mundo humano, Sakura sabia que seu coração e alma estavam em Takamagahara, no reino do fogo, nas mãos de Sasuke.
E não importava aonde ela fosse, isso já estava decretado.
Ela voou rente ao véu, era uma cortina quase translucida, quando sua asa raspou em sua superfície, cortando-a, ela logo se tornou uma cicatriz aberta, que brilhava como um arco-íris no processo.
Sakura o fez de novo, cortando linhas disformes no véu, isso era lindo e divertido, e não só ela estava adorando.
Mas não poderia demorar mais, ela avançou para o vazio, além dos mundos, passando por estrelas e sóis.
Viu um barco navegando naquele infinito, mas já estava com muita pressa para chegar, mau prestou atenção a ele.
A imensa ave flamejante quase atirou o barco para longe ao bater suas asas com vigor.
Karin correu para a amurada na esperança de que era Sasuke, regressando, mas aquela ave de fogo, um tanto menor e mais esbelta, voando com energia e delicadeza, girando no ar e espalhando centelhas pelo espaço.
Aquilo não era Kagutsuchi.
— Não... – Balbuciou. — Não. Impossível! – Gritou, sua voz ecoou para todos os lados, mas a ave já estava distante demais para ouvir mesmo os ecos.
Traçando seu próprio caminho até Sasuke.
¤
— Então? Quem pretende presidir a reunião? – Izanagi indagou. — Quem vai ser o acusador?
— Para haver um acusador, não deveria haver um crime? – Kagutsuchi comentou, enquanto observava os pássaros de penugem prateada voando acima deles. Sakura iria adorar vê-los.
— Não se faça de tolo, Sasuke, sabe muito bem o que fez. – Izuna.
— Ah, então você é o acusador? – Ele debochou.
— Seu...
— Infelizmente, serei eu a tomar esse papel, senhor. – Hinata declarou, vindo a frente.
— Tem permissão de seu marido para tal? Ah, recordei-me que ele fugiu de seus caprichos.
— Não seja leviano, meu senhor.
— Vindo de você, é um elogio. Veja bem, Hinata-gami. Normalmente eu daria tempo para pensar se realmente quer ir adiante, mas tenho certeza que o fez com muita antecedência. Então espero que esteja pronta para lidar com as consequências de me desafiar.
— Vê isso, meu pai? Ele a ameaça ante todos nós! Uma pobre pequena deusa lunar! – Izuna exclamou.
Sasuke riu ao perceber que o “pobre pequena” mais irritaram Hinata do que lhe serviram como vantagem.
— Uma pobre pequena deusa que a tempos não sabe seu lugar. – Iniciou. — Quando essa mulher, quando veio a minha terra e desafiou minhas leis, lançando maldições, ninguém aqui presente fez questão de uma reunião. Agora, me fazem vir até aqui para ouvir acusações partidas dela? – Completou, erguendo a voz imperiosamente.
Os deuses ao redor se aquietam, receosos.
— Lançou a maldição em uma humana, que nem deveria estar lá. – Izanagi apontou.
Sasuke o olhou de soslaio, sendo conhecedor das faces mais iradas do pai, ele não dava crédito a suas palavras apáticas.
Apatia resumia sua relação, e não importando quanto tempo passasse, o Kagutsuchi nunca se curvaria pelo perdão de um pecado que era imaturo demais para compreender quando cometeu.
Nem tampouco, esperava uma mudança no pensamento dele.
— A noiva veio a mim sem meu aval. – Declarou. — Os humanos a enviaram até mim, culpe a eles.
— Claro, claro. Mas e dizer seu suposto terceiro nome a um deles, também foi sem querer?
— Suposto... Hm? – Ele não deixou isso passar. Suspirou. — Por que não pergunta a sua acusadora?
Os olhos voltaram-se para Hinata.
— E ao primo dela. – Sasuke completou Hinata inspirou.
— Meu primo...
— Deixe que ele fale por si mesmo. – Izanagi cortou-a, friamente.
— Mas majestade...
As portas laterais se abriram, Neji passou através delas acompanhado dos sete deuses da fortuna, todos fizeram uma reverência antes de se aproximarem.
— Neji-gami. – Izanagi disse. — Como sua prima mesma relatou na carta a mim enviada. Você ouviu da boca da noiva humana, que ela sabia o nome do deus do fogo?
Neji arregalou os orbes, em choque. Achou que havia sido convocado para defender Hinata, pois sabia que Sasuke estaria enfezado.
Mas ela convocara a reunião e ainda pusera o nome dele sem sua permissão, diante Izanagi?
Fitou-a indignado, e ela escondeu as faces, constrangida.
— Eu...- Iniciou, engolindo em seco.
— Seja honesto, Neji. – Tenten pediu-o. Ele suspirou, amargamente.
— É o que me resta, hã? Meu senhor, senhores aqui presentes... Sim, é verdade, ela me disse que sabia, mas não posso confirmar, pois não sei o nome, afinal...
— Hmm.- Izanagi refletiu.
— Mentira! – Hinata guinchou, desesperada. — Você sane! Sabe que ela disse a verdade!
— Eu sei? – Ele rebateu.
— Não se faça de idiota! Você deu a poção da verdade para ela! Como eu...! – Ela levou as mãos a boca, assombrada.
Izanagi estreitou os olhos, um burburinho se iniciou, Neji assentiu.
— Como você havia pedido que eu fizesse.
— Espere, então você sabe o nome? – Tsukuyomi indagou.
— Logo você, irmão? – Sasuke provocou.
— Oh, eu não quis dizer isso. – Ele se desculpou. Sasuke riu, e lançou seu olhar afiado para Neji.
— Prossiga, Neji-gami. Agora nos diga, o por que da sua prima ter exigido que instigasse a humana a me perguntar o terceiro nome, a ponto de valer-se até de feitiços proibidos?
— Isso não importa! – Hinata exclamou. — O que importa é que você disse a ela! E isso é um pecado grave! – Apontou o dedo, histericamente. — O Kagutsuchi deve ser castigado!
Um novo burburinho se iniciou, dando aval positivo ás palavras da deusa.
— Não tão rápido. – Uma voz feminina se sobressaiu, como raios de sol acima das nuvens escuras.
Era Amaterasu adentrando o salão em suas ricas vestes vermelho douradas.
— Tsc, lá vem ela. – Susanoo, reclamou.
Todos abriram caminho para a deusa do sol, seu cabelos eram castanho escuros e reluzentes, olhos brilhantes como as gemas do colar divino que ostentava e fora dado pelo pai.
Não deixou de dar numa olhada repreensiva ao irmão mais novo, e mesmo Sasuke queria revirar os olhos. Ah, lá vinha ela querer concertar tudo com sua diplomacia enfastiosa.
— Eu acho que devemos fazer isso com ordem e prudência, não atropelando as decisões, e muito menos os fatos. – Começou, suave e firmemente. — Não acha, meu pai?
Izanagi deu de ombros.
— Demorou demais, Izumi, já estávamos tomando a decisão certa. – Izuna cortou.
— Vindo de você, isso não deveria assustar?
O resto do panteão não pode deixar de concordar, Susanoo, não era o mais adequado para falar de decisões certas. Todos conheciam o problemas causados pela sua intemperança e imaturidade.
— Prossiga, Amaterasu. – Izanagi deu seu aval, ela sorriu, confiante.
Izuna rosnou, enfezado e Sasuke e Itachi se entreolharam, não podendo dizer se isso era bom ou apenas tediosamente inútil como sempre.
Izumi era predileta dos empates, mas nesse caso, Sasuke não aceitaria meias vitórias, pois isso poderia significar ficar sem Sakura. Posto que de todos os envolvidos, ela era a parte a quem se interessava agradar.
— Sendo assim, peço a todos atenção e paciência, e muita reflexão. Não vamos apontar dedos antes da hora. Muito menos dar sentenças, entende isso, Hinata-gami? Contenha-se, sua perca de compostura está se tornando no mínimo... Lamentável.
Hinata assentiu, baixando a cabeça, enquanto um silêncio receoso se fez.
— Tem lava nos meus ouvidos, ou ela realmente acaba de ser maldosa? – Sasuke indagou ao irmão.
— Se não foi, tem lava nos meus ouvidos também...
— Agora, iniciando de onde estávamos. – Izumi prosseguiu. — Responda a pergunta de Kagutsuchi, Neji-gami. E depois, seguiremos até a parte em que Sasuke prestará contas sobre isso.
— Senhora...- Neji iniciou. — Quando Hinata contou-me do que houve no reino fogo. Fui até lá, pedir satisfações ao deus por ter, aparentemente, causado um infortúnio no casamento de minha prima. Mas, Kagutsuchi foi claro ao dizer que foi exatamente o contrário. E que, ao atacar a humana, Hinata causou dor e raiva em todo o reino, e que estava ofendido com ela, mesmo deixando-a partir sem prestar contas sobre isso.
— E sobre a poção...?
— Quando voltei e dei a notícia de que Sasuke estava ainda furioso com ela. Hinata... Como posso dizer, perdeu a compostura. Gritou que o deus a estava castigando, por dedicar mais afeto a sua noiva humana do que já havia dedicado a ela como pretendente. E jurando que esse afeto era falso, me convenceu a indagar á própria humana, se ela sabia o terceiro nome dele, como prova cabal de sua mentira.
Amaterasu ergueu as mãos, pedindo calma, quando o panteão se agitou, irritado.
— Puro capricho?
— Ela já não era casada? Que imoral!
— Acalmem-se por favor. Mais alguma coisa, Neji-gami?
— Eu... Realmente perguntei a ela, depois de dar-lhe a poção. Foi sincera ao dizer que sabia, e mais sincera ao dizer que tinha certeza que ele não mentiu, mas...
— Mas?
— Eu não a perguntei qual o terceiro nome do Kagutsuchi. Somente se ela o sabia, em seguida, a liberei do feitiço e parti. Relatei isto para Hinata, mas ela realmente não ficou satisfeita, pelo que vejo...
— Entendo, obrigada, senhor Neji.
Ele assentiu, por fim retirando-se, Tenten o acompanhou.
Hinata seguiu logo atrás, vermelha de raiva, parou no amplo corredor, as janelas davam vista para o pátio, onde muitos barcos estavam estacionados agora.
— O que você fez, Neji?! Quer me destruir?!
Ele se voltou para ela, tão irado quanto.
— Você quer se destruir! E pensa que pode arrastar todos nós consigo! Enxergue-se, Hinata! Eles são deuses acima de nós! Não importa se Sasuke for castigado, ele terá certeza que com você será muito pior!
Neji se afastou novamente, e Tenten o seguiu, suspirando.
— Não é atoa que até Naruto a deixou!
— Acalme-se, Neji.
— Eu estarei bem, não irei antes que a reunião termine. Vá até lá e ajude Sasuke no que puder. Você conheceu a moça, e creio que o que será posto á prova agora é o caráter dela.
Tenten concordou, afagando seu ombro, retornou para o salão, enquanto ele saiu para o pátio. Hinata se agarrou ás suas vestes, com um olhar suplicante.
— Será capaz de dizer que ela é melhor que eu?
Tenten a deu um olhar brutalmente sincero e frio.
— Conheço você há milênios e a humana por apenas um dia.
Hinata concordou, sorrindo.
— Não tomando o crédito de Sakura mas...- Bishamonten puxou as vestes de suas mãos com desprezo. — Atualmente, qualquer um é melhor que você. – Desdenhou, seguindo para dentro.
Hinata se ergueu, tremendo. Como se mesmo seu corpo houvesse perdido a força e o controle, mas recusou-se a perder as rédeas agora.
Aprumou-se retornando para o salão, silenciosamente, parou e observou furtivamente, as espáduas amplas do deus do fogo.
Ele ainda não retirara aquela máscara, mas seu longo cabelo escuro lhe trazia doces lembranças. Um dia ela se oferecera para os pentear, mas Sasuke disse que somente sua esposa o faria.
Ela viu humanas cuidarem daquelas madeixas com adoração, e nunca entendeu por que semelhante honra era oferecido a seres tão indignos.
“— Elas tiveram de abrir mão de seus mundos e seus laços, para acompanhar o deus. Elas são sacrifícios não somente para ele, mas para si mesmas.”. Naruto dissera-lhe uma vez. “— Sasuke é uma pessoa muito amável, ele que não teve família, entende que deve ser muito pior abrir mão dela. Então ele faz o que pode para elas sentirem-se valorizadas, apenas isso."
Apenas isso?
Ele estava indo tão longe por pura amabilidade?
— Eu me recuso. – A voz dele se fez clara, puxando-a de volta ao presente.
Os deuses se agitaram, espantados e irritados ante sua ousadia perante o maior deles.
Izanagi pela primeira vez pousou os olhos nele com atenção.
— Se recusa a...?
— Eu não vou sacrificar Sakura novamente. – Sasuke declarou.
— Isso significa deixar alguém que sabe o terceiro nome...
— Eu sei o que significa. E não me importa, eu escolhi dizer o nome a ela. Não faz sentido, e nem é justo, ela ser sacrificada por tal.
— Ela escolheu perguntar. – Amaterasu observou.
— Ela é uma humana, escolher é um direito deles, por mais tolo que seja, errado que seja, ou mesmo vil que seja. E não pode castigá-la por sua ingenuidade, se quer castigar alguém, castigue a mim.
— Bem... Então...- Izanagi iniciou.
— Só não usando-a para tal. – Sasuke cortou outra vez. — Afastá-la, matá-la ou mesmo banir sua existência apenas para me castigar, eu não vou aceitar. Retire Sakura Haruno da sua conta, ou aceite que não pode realmente me culpar de algo.
— Sasuke! Você não pode impor...- Amaterasu exclamou.
— Eu posso e vou. E você não pode dizer nada pois, do alto do seu pedestal, sempre teve que fazer aceitarem suas condições. Eu aceitei tudo que me foi imposto por esse patético tribunal desde quando nem mesmo sabia falar. Agora, não estou disposto a aceitar seus caprichos e a justiça que só satisfaz seu ego e o dele. – Indicou o pai. Retirando a máscara do rosto, Sasuke encarou a irmã, com olhos violetas. — Acho que já é tempo de todos aqui, e você, Amaterasu, recordarem quem é o mais velho de nós quatro. Independentemente do que esse colar possa significar, minha primigênia é superior em direito.
Izumi o encarou, ardendo de mágoa. Ela sempre amou muito mais ser a cabeça da “honorável trindade”, e ser a voz do pai, do que realmente ser justa.
Sasuke nunca havia se importado de tomar seu lugar no topo, como o filho mais velho e portanto, verdadeiro cabeça. Mas por Sakura, e pelo fim dessa hipocrisia toda, ele destituiria mesmo a autoridade da irmã.
Como a criança que ainda era, ela olhou para o pai, querendo reforço. Mas Izanagi permaneceu a encará-lo por mais tempo do que já havia feito desde a primavera do nascimento dele.
— Seu maldito! Como ousa dizer tais coisas! Quando é culpa sua que... – Izuna exclamou furioso, brandindo sua espada na direção dele.
Sasuke o aguardou erguendo a mão para atirar a máscara em chamas contra ele. Amaterasu ficou histérica e mesmo Itachi já estava fazendo as luas tremerem.
Entre filho mais velho e mais novo, uma enorme nuvem negra eclodiu com raios.
O primeiro a surgir, ainda meio confuso, foi Naruto, ao seu lado, Kurama surgiu gigantesca e arrepiada, e então uma silhueta feminina que encheu o salão de horror.
Izanagi ergueu-se de seu trono com uma expressão de choque.
— Ora, ora, ora...- A voz feminina ronronou pelo local.
Sasuke não pode deixar de desarmar-se e recuar com tanto temor dela, quanto de si mesmo.
O choque para ele era tão grande quanto para seus irmãos.
Nisso eles eram todos iguais, era a primeira vez que ouviam a voz da própria mãe.
— Izanami...- Izanagi ciciou, tenso.
As nuvens escuras e envenenadas de impurezas que constituíam a atmosfera do Yomi se dissiparam.
As vestes da senhora do submundo, eram uma mistura de tecidos nobres em tons púrpuras, de um lado do corpo, onde sua mão e seu rosto eram de uma pele adoravelmente bela e pálida, seu olho visível era preto como o de Sasuke.
O outro lado era degradado, as vestes puídas e encobertas por um manto que pendia do ombro, ocultando a mão em puro osso. Um véu curto preso ao cabelo, escondia o lado do rosto onde se podia notar apenas uma suave luz arroxeada no lugar da orbe esquelética.
Izanami inspirou profundamente, com uma meia expressão apreciativa.
— Hum... Longo tempo desde que senti esse ar tão puro...
— O que faz aqui, Izanami? – Izanagi indagou, friamente.
— Você é mesmo nossa mãe? – Izumi indagou, aproximando-se emocionada.
— Por que estamos todos tão emocionais? Todos sabiam como me encontrar? Ou seu pai esqueceu como entrar no submundo uma vez que fugiu de lá com minhas crianças?
— Eu as levei, pois não podiam ser criadas naquele lugar. Veja o que se tornaram, por mim...
— São o que são pois nasceram para o ser, quer você queira ou não. – A deusa cortou, gelidamente. A luz roxa no lugar de seu olho direito brilhou intensamente. — Minhas crianças nunca estiveram em suas mãos, ou precisaram disso a prova real, é Kagutsuchi.
Sasuke não pode deixar de recuar um passo, quando ela se aproximou, com um olhar amoroso.
— Não se preocupe, minha criança.
— Como pode...? Depois do que fiz...?
— Oh, doce criança. Eu sentia você queimar dentro de mim desde antes do seu nascimento. Doeu, é verdade, mas tudo tem um propósito. Se eu não quisesse seu nascimento, criança, não o teria aguardado amorosamente.
Ele meneou a cabeça, descrente, tocou suavemente a face pálida, ainda podia ver a mancha de queimadura que dividia a face entre vida e morte.
— Oh, ainda é quentinho como quando ainda era uma sementinha... – Ainda assim, ele se afastou, temeroso por ela.
— Não disse o que faz aqui. – Izanagi insistiu.
— Não dirija-se a mim como se fosse qualquer um. – Ela ameaçou de volta. — Eu quero abraçar os meus filhos, esta reunião ainda pode e vai esperar mais um pouco.
E sem esperar permissão, ela saiu abraçando os outros filhos. Itachi estava bem perdido, embora feliz, Izumi nunca foi tão emocional e como a criança caçula e mimada que sempre foi, Izuna inda queria exigir total atenção da mãe.
— Você estava com ela...? – Sasuke disse, ainda turvo pela surpresa, ao ver Naruto se aproximar.
— Não nos olhe assim, fomos arrastados! – Kurama declarou. Naruto parecia muito mais austero do que já foi na vida.
— Izanami-sama nos incumbiu de uma missão, e tivemos que vir como testemunhas.
— Que missão?
— Naruto! – Hinata exclamou, vindo até eles.
Ele a fitou de soslaio, seu olhar nunca foi tão duro e seco.
— Até mesmo aqui veio a sua arrogância? – Bufou, aborrecido.
Ela meneou a cabeça, indignada e magoada.
— Marido... Você me deixa e quando volta... Ainda...
— Não culpe os outros por estar sozinha, esposa. Se tem uma coisa que aprendi com o próprio Destino, foi que as nossas ações individuais são tão donas dos caminhos que traçamos quanto as linhas vermelhas do tear dele.
— Como assim... Conheceu o Destino? – Sasuke indagou, intrigado. — O Destino é um... Deus?
— Sim, sim, na verdade, está além até mesmo de mim e você. – Ele respondeu, um pouco da velha empolgação do jovem deus aventureiro ainda estava lá.
— Aquela coisa veio antes de tudo, tudo mesmo. – Kurama declarou. — Aquilo ja era mais velho do que as coisas velhas antes delas existirem.
— Como foi parar lá...?
— Izanami-sama abriu o portal. Ela queria que perguntássemos a essa... Entidade, umas coisas... Coisas que fazem parte do destino de alguém... Seu futuro, mas principalmente, seu passado.
Sasuke afiou os olhos para ele.
— A quem se refere?
— Izanami! – Izanagi esbravejou, todos assistiram a deusa crescer tomando a mesma a altura que o deus, e recuaram, temendo um ataque ou confronto.
— Ora por que tanto alarde, eu só quero pegar um passarinho antes que ele se assuste e fuja.
Nesse instante ouviram um assovio alto e suave, ele veio da entrada no chão do centro do salão.
Uma ave de fogo entrou através de lá, espalhando centelhas no ar, iluminando tudo.
— Sasuke! – Izuna bradou, ameaçador.
— Não... Sou eu... – Ele disse, hipnotizado pela forma como eram essas chamas, igual e diferente de tudo o que já viu, ou mesmo criou.
— Ah, aqui! – Izanami disse, animadamente tentando capturar a criatura entre as mãos.
A ave desviou, com um piado assustado.
Sasuke caminhou até a beirada suas formas agigantando-se como a da mãe. Ele estendeu a mão, encarando a ave.
Esta bateu as asas, piando baixo e pousou na palma dele, desfazendo-se por completo em centelhas.
Sakura surgiu pequena, reluzindo coma uma joia recém forjada e bastante confusa.
— Eh...?
— Oh, que coisinha preciosa temos por baixo das penas, não? – Izanami disse aproximando o enorme rosto dela. Sakura tapou a boca, encarando a giganta com os olhos arregalados, isso a fez até mesmo esquecer a sensação brutal de que já ouvira essa voz antes.
Sasuke aguardou-a surtar ou desmaiar, mas depois de um longo tempo encarando, ela inclinou o rosto, e educadamente indagou.
— Erm... A senhorita poderia me dizer se posso encontrar meu marido aqui? Não tenho certeza se cheguei ao lugar certo... Eu acho que depois de um tempo, dormi... Aqui é Ahaji?
Izanami apertou seu olho num sorriso amigável.
— É claro que é Ahaji, meu bem. Mas sobre seu marido, não se preocupe está nas mãos dele.
Sakura primeiro olhou para baixo, a vista de um bocado de estranhos a apavorou mais do que a giganta Izanami. Só então ela notou um quentinho até mesmo familiar abaixo de si, e girou o rosto na direção dele.
Os olhos vermelhos tão vivos, o cabelo castanho e arrepiado e as sobrancelhas estranhas a deixaram quase tonta com um misto de temor e familiaridade.
Mas era bem verdade, que ela o reconheceria em qualquer forma.
— Eh... Anatá*...?
— Sakura...
Aquela mesma voz grave e calorosa que ela ansiou sentir desde que veio de tão longe.
— É você! – Imediatamente quis abraçá-lo, e então foi impossível não notar a dificuldade que haveria nisso agora. — Marido! Por que tão grande?!
Sasuke suspirou, enfim curvando-se e depositando-a no chão delicadamente.
Sakura levantou a cabeça, encarando-o fascinada e curiosa. Era a mesma imagem esculpida no templo. Diria que até maior, era incrível.
Acabou voltando a atenção quando a gentil gigante de ar meio macabro passou a rir, aproximando-se dela.
— Oh, tão fofa! Você certamente não foi feita pelas formas comuns.
— Obrigada...?
— Você está por traz disso.... Mãe? – Sasuke disse, agora atrás dela, Sakura se virou feliz que podia abraçá-lo, e talvez tocar naquelas sobrancelhas engraçadas, mas a palavra a tirou do foco.
— Mãe...?!
A giganta sorriu de novo e Sakura empalideceu.
— Sasuke-kun... – Apontou, tremendo. — E-la ... Su-sua mãe...? Então ela é... Uh... Izanami-sama...?
— Hm? – Ele realmente estranhou ela estar tão surpresa agora. — Sim...
Sakura caiu para trás só não batendo no chão por que Kurama a puxou entre as patas, e lambeu-a como se fosse um osso.
— Oe, oe, vá acordando, humana. Nem me cumprimentou!
— Kurama...- Naruto suspirou, repreendendo. Por fim voltou a atenção para a deusa do submundo. — Izanami-sama, devo testemunhar o que o Destino me relatou?
— É claro... Izanagi. – Ela chamou, dando as costas e seguindo para um corredor lateral. — Venha vai querer ouvir isso primeiro.
— Francamente, Izanami. Quanto mais vai tumultuar essa reunião? – Ele reclamou, seguindo-a.
— Huh? Quem liga pra essas chatices? Somente você.
Naruto os seguiu, ficando a uma boa distância do centro do salão, o que discutiram se tornara muito particular.
Sasuke suspirou, indo resgatar a esposa de entre a bola de pelos, antes que ela se tornasse parte desta.
Puxou sua mão, ignorando um resmungo da kyuubi.
Sakura tropeçou para perto dele, e o abraçou, tão forte que ele quase poderia sentir dor.
— Pensei que nunca mais faria isso de novo...
Ele apertou-a tão forte quanto.
— Eu também. – Confessou, o medo de perdê-la apenas se materializou mais, agora que ela também estava diante do julgo coletivo.
Sakura se afastou e sorriu, tocando a sobrancelha dele.
— Nee, por que você nunca apareceu assim?
— Ah...
— E essas sobrancelhas?! – Ela segurou uma longa mexa espetada de cabelo. Não sabendo dizer se ainda preferia que fosse preto como a noite. Só que assim pareciam um pouco mais difíceis de pentear, ásperos.
Nesta forma, ele parecia tão puro, mas ao mesmo tempo, primitivo, algo rústico e ainda mais antigo.
— Huh? Nunca mostrou sua forma real a ela? Tinha medo? – Izuna desdenhou.
A humana saiu da proteção oferecida por seu irmão e o encarou em cheio, olhos verdes cintilantes e faces coradas.
Suas vestes verdes e escuras, bordadas com flores, em comunhão com os adereços dourados e de jade faziam a pele alva reluzir como porcelana, e os cabelos rosados faziam-na parecer porcelana da mais rara.
— Sasuke-kun, Sasuke-kun? Quem é ele? Ele se parece com o outro você!
— Huh?! – Izuna entalou, indignado.
—Ah? Lembre-me de nunca mais usar aquela forma então. – Sasuke ironizou, enfadado.
— Por que? É a minha favorita.
— Então você tem uma menos favorita...? – Ele brincou, ela estava absolutamente séria quando confirmou.
— Em definitivo.
— Hm?
— Esse é nosso irmão, Izuna, o Susanoo. — Itachi disse, aproximando-se, bem humorado. E como pode ver, a má fama é justa.
— Cale a boca, idiota! – Izuna praguejou. — Então você é a humana de estimação do Sasuke, tch. Não é grande coisa!
Se Sakura pudesse dizer o que mais o senhor Izuna a lembrava, diria que era a escola, certamente. Todos aqueles meninos descontando nela, nunca seriam esquecidos, ela aprendeu muito com eles, de forma ou outra.
Curvou-se sorrindo, educadamente.
— Prazer em conhecer, Susanoo-oniisama.
— Onii?! – Os três estalaram, surpresos.
— Eh, eu deveria chamar só como cunhado? – Ela indagou.
Sasuke suspirou, não sabendo se ela estava indo muito bem ou muito mal.
— Mas eu devo agradecer, ao senhor acho. – Sakura continuou, pensativa. — Bem, eu nunca fui ao mar, e não sei se isso é feito de forma diferente. Mas eu agradeço mesmo assim, Susanoo onii.
— Mas que diabos você está falando?!
— Bem, não falaram muito dos detalhes, e eu acabei me distraindo...- Ela não pode deixar de corar, olhando Sasuke. Sim, foi uma distração e tanto. — Mas eu soube que só fui parar aqui, pois o senhor provocou o meu esposo, ou brincou como os irmãos fazem...? De toda forma, as pessoas lá em baixo, entenderam errado e eu vim parar aqui em Takamagahara!
— Huh?
— Então acho que, isso é bom, certo? Acho que é bom, estou feliz, agradeço ao senhor!
— É uma perspectiva justa...- Itachi disse.
— Nem eu vi por esse lado. – Sasuke disse, pensativo.
— E pensar que havia dito que nada de útil vinha de você, irmão. Contrariou minhas expectativas, e me deu o melhor tesouro de todos.
Izuna já estava tão vermelho de raiva, que a água que corria das paredes para o centro do salão, passou a fazer isso mais rápido.
Mas o mais impressionante? Foi que pela primeira vez em toda uma existência, ele se limitou a sair de perto, calado.
— Seu tesouro? Ela deveria ser adorada por todos. – Itachi declarou.
— Não discordo, mas o que interessa saber agora é... – Sasuke fitou-a, intrigado. — Como chegou aqui?
Até mesmo Itachi estava curioso, embora ainda presumisse que era obra de sua mãe, a verdade era que aquele poder não parecia com nada que já houvesse encarado. E mesmo nunca tendo convivido com a progenitora, ainda era parte dela. Saberia reconhecer seu poder e essência.
Sakura enfim, inspirou e respondeu.
— Eu não sei.... Exatamente...?
— Sakura...
— Eu não sei como explicar! Aconteceu tanta coisa! Eu não sabia como chegar, e então tinha uma voz e então eu estava voando e então...
— Eu estava aqui...
— Exatamente onde deveria estar. – Izanami declarou, em alto e bom som enquanto retornava ao salão. Ela e Izanagi pararam nas portas. — Diga a eles o que descobriu, criança. – Ordenou para Naruto. — E quanto a você, venha conosco, meu bem. – Disse, estendendo a mão ossuda para Sakura.
— Eu...?
Sasuke puxou-a para trás de si.
— Não se preocupe, Sasuke, só iremos tratar de um assunto para o bem dela.
— E precisa ser segredo?
— Oh, meu bem, você descobrirá logo.
Sakura afastou-se dele, sorrindo, carinhosamente sob a manga do quimono.
— Está tudo bem, ele são o pai e a mãe do meu senhor, então eu sei que posso confiar neles.
Ela atravessou a pequena multidão de deuses, cumprimentando ainda um pouco assustada, mas sorriu ao parar diante das deidades.
— Muito prazer, senhor e senhora.
Ambos se entreolharam, Izanagi suspirou, e Izanami parece seu conter para não pega-la entre as mãos como se fosse um bichinho fofo. Mas contentou-se e fazer Sakura segui-los para o corredor, segurando a ponta de seu indicador.
— Ela é mais confiante que todos nós. — Itachi disse.
— O que tem a nos comunicar, Uzumaki Naruto? – Amaterasu, ainda um pouco enciumada da cunhada, disse. Toda assembleia voltou-se para este.
Naruto suspirou, iniciando.
— Permita-me perguntar antes, senhora. Vosso filho, Ninigi não se encontra na reunião?
Amaterasu franziu a testa, intrigada.
— Ninigi...? Ninigi está em sua casa, sua esposa Konohana está para dar à luz ao meu décimo neto deles. – Naruto assentiu, concordando.
— Bem, sendo direto. Izanami-sama me incumbiu de ir até a morada do Destino, lá queria ela que eu indagasse a ele, sobre a verdade por trás de uma mera humana... Esta humana, sendo a que veio a se tornar esposa do Kagutsuchi.
A sala entrou em debate novamente, Sasuke o fitou, mas jogou de volta a atenção para Sakura. Ela estava apenas parada, olhando para cima, sem entender o que tanto aqueles dois discutiam entre si. Izanagi parecia aborrecido e relutante, sua mãe, empolgada demais.
— O que tem Sakura de mais...?
— Sua mãe achava que o Destino havia atado uma linha invisível entre vocês, a ela não incomodava, mas ela já presumia que vocês não seriam deixados em paz, somente...- Ele jogou um olhar seco para a esposa, e estreitou. — E ela estava certa.
— Estava? Há algo na existência dessa humana que vá além do mundano e simplório? – Izuna indagou, bocejando.
Naruto sorriu um pouco, e admitiu.
— Sim, ela é realmente uma mera humana... Mas isso por que... A linhagem de Sakura Haruno foi diluída através do tempo.
— O que quer dizer com isso?!
— Sakura tem sangue divino, não o bastante para ser divina, ela é uma das pouquíssimas descendentes com sangue de seu filho, senhora Amaterasu, que não pertence à família real do Japão.
O choque inundou a sala, um silêncio assombrado, Amaterasu se apoiou em Itachi, branca como uma folha de papel.
— Não pode... Isso é... Então ela é...?
— Uma neta, muitos graus adiante, bem, talvez vosso filho e esposa possam dar-nos a certeza disso, pois por menor que seja a fração de seu sangue nela, eles notariam.
— Pelos céus... Okaa-san sabia disso?! – Itachi exclamou.
Sasuke avançou para lá, vendo a expressão de Sakura se tornar confusa e perdida, sabia que seus pais a haviam revelado. No entanto, nem mesmo ele sabia o que isso significava.
Ela era basicamente uma sobrinha, mesmo provavelmente não havendo nada semelhante entre seus sangues. Na verdade, ela estava muito longe de parecer uma criança de Ninigi, mas... Tinha certamente a doçura e frescor de Konohana, com quem Sasuke sempre teve uma boa amizade.
Ainda assim, por mais parecidas que fossem, ele não ousaria comparar sua rainha das flores nem mesmo à deusa Ino, senhora das flores de cerejeira.
— Sabia disso? Desde quando? – Sasuke indagou.
— Oh, foi uma aposta que eu ganhei, tenho mais sorte que você. – Izanami piscou para ele. — Não deveria desafiar o Destino, meu bem. Desta vez a surpresa foi adorável. — Aconselhou. — Além do mais, mesmo você subestimou sua esposa.
Seja por um toque dela, ou a própria memória dele, Sasuke recordou de como achara confuso uma criança humana conseguir passar para o plano espiritual tão facilmente, como Sakura fizera naquele fatídico encontro, ao pé do monte Fuji.
Fuji... O vulcão o qual Ino amava, parecia, de repente, que as linhas estavam lá o tempo inteiro.
A energia de Konohana naquela montanha, quase sobrepujava a dele, e era a forma de atrair seus descendentes e observá-los de um pouco mais perto.
Talvez Sakura não estivesse lá, somente pela vontade dos pais, talvez um deles tivesse seguido o chamado da distante parente divina.
Talvez fosse a mãe que morreu de tristeza, ou o pai desaparecido, mas a ele só importava que isso atiçaria as recordações ruins nela.
— Hum...- Sakura iniciou. — Afinal, sou humana ou não...?
— Infelizmente, é. O que nos leva a outra parte do problema, temos que fazer algo logo, Fugaku, ela não suportará por muito tempo.
— Huh?
— Que está dizendo? – Sasuke exclamou, puxando-a para si, Sakura sentiu vertigem e se apoiou nele. Podia sentir o suor frio descer pelas costas.
Sasuke tocou sua tez, notando outra vez o calor na pele dela, fitou os pais.
— Que está havendo com ela? Por que está doente?
— Ela não está. – Izanagi disse, se inclinando e apontando para ela. — Ela somente não pode suportar uma gestação desse porte.
— Gestação...?
Izanami bateu palmas, eufórica.
— Ela pode não ser eterna, mas ainda tem a essência de uma divina criadora de vida, no fim, ela é absolutamente capaz de gerar uma criança sua, como nenhuma noiva humana poderia ser.
— Gerar, mas não manter. – Izanagi pontuou.
Os joelhos de Sakura falharam, Sasuke se abaixou, segurando-a, aterrorizado com a ideia de fazê-la passar pelo mesmo sofrimento que sua mãe, ou de uma criança nascer com o mesmo estigma que ele.
Olhou para ambos, suplicante.
— Por favor, se puderem fazer algo por ela... Por eles.
— Não se preocupe, querido. Esta pequena benção não é tão densa quanto você, na verdade, só está empolgado demais, e como não pode se controlar ainda, está deixando sua mãe frágil mais rápido.
— É como um ovo, mas o ovo está rachando pois o pinto fica bicando e tentando falar com quem está fora. – Izanagi foi direto, Izanami o encarou, desgostosa. — O que foi?
— Um ovo? Pintinhos? É o melhor que pode falar sobre o primeiro neto que temos em milênios, ainda por cima da nossa criança primogênita?!
— Humpf.
— Bem, que seja! A questão é, o ovo está rachando antes da hora, nesse ritmo ela não suportará a gestação nem até a metade, mas podemos dar um jeito.
— Dar um jeito? – Sakura sussurrou, muito assustada, se agarrou a Sasuke.
— Não se preocupe, querida.
Ambos se inclinaram na direção dela, seus dedos pairando acima de seu ventre. Ela sentiu novamente como se fosse tornar-se fogo, e uma bola de fogo e luz emergiu de lá, pairando e girando.
— Isso é?
— Eis o danadinho... Você está causando problemas a sua mãe e assustando seu pai, por favor retorne para seu lugar, e espere a hora adequadamente.
A bola pulsou, Sasuke ergueu a mão, pensando se toca-la era possível, como se se voltasse para ele, ela saltou, meio que assustada, e se encolheu.
— Gomenasai. – Disse, uma voz sem gênero, porém manhosa.
— Essa voz! – Sakura se espantou. — Você me trouxe aqui...?
— Aa, eu só queria falar com ela, vovô e vovó. - Declarou, Izanagi não se acostumou muito, Izanami tentou não agarrar aquela adorável benção.
— Terá muito tempo para falar com sua mãe, por agora, retorne, e durma, quanto mais você forçar o tempo, menos ele correrá da forma que deseja.
A bola pareceu relutante, mas agilmente, mergulhou no ventre de Sakura, fazendo a pele dela brilhar como o sol por um instante, ela se sentou, espantada, não sentindo mais sequer calor.
Tocou a barriga, desacreditada.
— Ainda está aqui...?
— Está, mas agora vai ficar selado até o parto, toda essa energia emanando de você iria fazê-la definhar, é melhor que fique também calado, assim você terá uma gravidez mais... Humana. – Izanagi disse.
— Oh...Mas eu gostava de falar com ele ou ela... – Ela lamentou.
— Tsc, é parenta daquela estabanada da Konohana mesmo. – Ele bufou, partindo para o salão.
— Então era isso...? – Sasuke balbuciou, ainda atordoado, Sakura o fitou, espantada, e corou, agora muito ansiosa e assustada com como ele poderia reagira isso. Sequer cogitara discutir algo assim com ele, pois sabia bem a natureza de seu casamento, e as limitações que ele teria.
Ou que achou que teria.
— Vo-você está zangad... – Sasuke a interrompeu, abraçando-a tão forte que seu calor a a inundou e quase a fez achar que estava fundida a ele. Nesse momento, percebeu que eles já eram, um só, e ela levava essa nova criatura dentro de si.
Mais uma vez Sakura recordou quão limitada e vazia era sua perspectiva de existência antes de entrar no caminho dele. Mal pensava em como agradar a si mesma, muito menos em compartilhar a vida com alguém, menos ainda, obter frutos disso.
Ela era apenas alguém vagando por aí, sem muito a enxergar a frente de si, ignorando os próprios tropeços, até que um deles a pôs junto desta pessoa. Ela era alguém abençoada.
— Você é meu maior tesouro. – Sasuke declarou, veemente, e ela não poderia conter as lágrimas.
— Eles não são fofos, Fugaku? – Izanami ronronou, alegremente, acima deles, Sasuke suspirou, por mais que querendo fazer uma grande comemoração, preferia primeiro ter isso com sua esposa.
Se ergueu, puxando Sakura consigo, e carinhosamente beijou sua testa, então deu a atenção aos pais, ao pai, especificamente.
— Ainda tem uma reunião acontecendo e, até onde sei, um julgamento. Creio que os novos acontecimentos não vão afetar a continuidade do seu tribunal.
— Julgamento? – Sakura se empertigou, assustada.
Izanami deu um olhar afiado para o marido, este suspirou, de mau gosto, pois sabia bem quando era pressionado.
— Vamos terminar isso. – Disse, seguindo em frente, Izanami deu uma risadinha afrontosa e acenou com as mãos, mandando-os seguirem em frente.
Ao chegar ao salão, Izanagi fez sua voz ser a única a reverberar por aquelas paredes tão antigas quanto o tempo.
— Uma vez que tudo foi esclarecido, é hora de dar uma resposta final. – Caminhou até seu trono, mas não ficou muito feliz de encontrar a esposa já lá instalada, Izanami o mandou um inocente olhar de “Bem, não esperava que eu ficasse de pé, sim?”, e Izanagi desistiu, aborrecido.
— Qual sua sentença, pai? – Izuna não fez questão de disfarçar seu bel prazer, e Sakura o fitou fixamente, estreitando os olhos. – O que foi? Algo no meu rosto?
Ela recuou o rosto, escondendo-o sob a manga e segredando um cochicho aos ouvidos do marido. Sasuke assentiu, satisfeito.
— Sim, exatamente, foi o que eu disse, não?
— Oh, sim.
Izuna alternou os olhos entre eles, irritado.
— O quê? O que você disse? Seu maldito! É melhor não estar zombando de mim!
— Oh, ele parece cada vez menos com meu senhor, cada vez que fala. – Sakura admirou-se.
— É sempre reconfortante ouvir isso. – Sasuke sorriu.
— Sobre a sentença, Susanoo. – Izanagi prosseguiu.
Hinata empurrou alguns estranhos, chegando mais perto do trono, branca de apreensão.
— Não haverá uma sentença. – O lugar ficou barulhento de tantas vozes, Sakura se encolheu contra o marido, aflita. — Pois, com os fatos agora declarados pelo testemunho de Uzumaki Naruto, ficou claro que não existem culpados.
— Impossível! – Hinata bradou. — Impossível! Você ouviu o que Neji disse, o que eu disse, e ele mesmo declarou ante todos aqui que cometeu o maior dos crimes!
— Mesmo o “maior dos crimes” pode ser muito relativo, Hinata-gami. – Izanami declarou, severamente. — É realmente um crime, revelar aos humanos o terceiro nome de um deus. Mas, devemos acrescentar que a lei se refere a revelar isso aos humanos do outro lado...
— Não! Não pode estar fazendo isso! – Hinata ganiu, atormentada.
— Sakura Haruno é uma humana, isso é fato, mas ela não é mais, uma criatura do mundo dos humanos. – Izanami prosseguiu, indiferente a seu escândalo. — Ela veio até Takamagaha sob o status de oferenda divina, uma esposa, e assim permanecerá. Além do mais, agora que sabemos quão especial este pequeno receptáculo acabou de se tornar.
— Especial...? – Itachi indagou, curioso, só então reparando que o constante olhar de adoração que Sasuke mantinha em torno da esposa, havia se tornando ainda mais intenso.
Izanami se levantou, pomposa.
— Senhores e senhoras aqui presentes, é tempo de nos apercebermos da inegável mensagem que o Destino vem nos enviando a séculos, tanto o mundo dos humanos quanto o mundo dos deuses tem mudado e não podemos mais nos encolher dentro de nossas cavernas, nossos reinos e nossas casas, tapas nossos ouvidos para o que nos chamam e o que nos ignoram.
— Izanami, não se empolgue tanto. – Izanagi suspirou.
— Ah, eu me empolgo, me alegra a vinda dos novos tempos, a vinda das novas mentes, de espíritos jovens, das almas puras e sem soberba ou arrogância. Ninigi e Kotonoha como todos sabem, logo estarão dando à luz mais uma dessas nobres divindades, mas não só eles. O Destino é caprichoso, é verdade, ele é aquele que tudo sabe, soube, e saberá. E ele agora nos abençoa mais uma vez, com a vinda de uma criança feita de Terra, carnal e efêmera, e de Fogo, célico e infindável. – Izanami estendeu a mão na direção deles, e Sakura recuou, nervosa.
Sasuke segurou-a carinhosamente, e ela o fitou, vendo apenas orgulho e ternura naquele seu olhar, e sentindo sua palma quente pressionada amorosamente contra o ventre, todos os olhos espantados estavam sobre eles, e ela se esforçou para demonstrar força diante tudo isso.
— Saúdem, deuses e deusas, e curvem-se com humildade, pois de dentro do ventre desta frágil criatura, que tantos desprezam ignorando o quanto dependem, virá o futuro dos deuses, a primeira criança do Kagutsuchi, uma criança de linhagem tão pura quanto jamais houve, pois terá a divindade do pai, e a essência terrena da mãe.
— Uma criança!
— Um rebento!
Exclamaram, curvando-se na direção deles.
— Uma criança? – Itachi indagou, abaixando-se. — Eu não sei nem por onde começar...
— Uma criança! Sasuke! Não acredito que até mesmo planejou isso! – Amaterasu declarou, entre eufórica e chateada. — Não bastasse se casar sem me avisar ou mesmo convidar?
— Você não foi exatamente “desconvidada...” – Embora Sasuke não pudesse dizer que adoraria sua presença.
— Oh, nós adoraríamos recebê-la no reino do Fogo, senhora. – Sakura disse, e estava dito. Ele suspirou arrependendo-se de não ter dado a ela uma aula mais intensiva sobre sua irmã, como deu sobre o irmão mais novo.
— Sinceramente?! Eu adoraria! Farei questão de levar um presente de casamento, mesmo que atrasado, que cor de quimono gosta mais? Eu mesma farei um para você! Oh, e certamente me deixará fazer as roupas da vossa criança, sim?
— Er... Talvez... – Sakura disse, não muito segura, pois, a agradava muito mais fazer e bordar ela mesma as roupinhas de seu futuro nenê.
Uma pena não ter podido falar mais com ele ou ela, poder perguntar estas coisas antes mesmo da criança estar crescida era uma oportunidade que pouquíssimas mães deveriam ter.
— Acalme-se, Izumi, o bebê não é seu. – Itachi lembrou-a, agora se levantando, aproximou-se. — De qualquer forma, quero ser o primeiro a abençoar essa criança. – Declarou, pousando a mãos no ventre de Sakura, Sasuke não apreciou muito. — Será uma criança tão bela quanto o luar sobre as flores de cerejeira, e sua sabedoria será capaz de conduzir os que necessitam de ajuda, mesmo nas noites mais escuras, eu Tsukuyomi, a abençoo.
— Uh... Obrigada...- Sakura agradeceu, acanhada.
Com a ação do deus da lua, muitos outros deuses chegaram para dar seus cumprimentos e vivas, alguns também quiseram abençoar, embora outros não parecessem ter gostado da notícia tanto assim.
Sakura apenas esperava que todo e qualquer maldizer fosse dirigido apenas a ela, como humana que era, e não a essa criança, que deusa ou não, ainda era apenas uma criança inocente.
— Sendo essa jovem, portadora de semelhante virtude agora. – Izanagi disse, dirigindo-se para Hinata, seriamente. — E como esposa de Kagutsuchi, ser humana se torna o menos considerável nesse caso. Sasuke desafiou nossas leis, isso é verdade, mas não as quebrou, a moça é sua esposa e leva sua criança, creio eu, que humana ou não, não haveria outra a quem pudesse ser mais natural saber o terceiro nome dele. Definido isso, vou dar a todos a liberação. Sasuke e sua esposa devem retornar para o reino deles, onde devem ocupar-se para a chegada da criança, quanto à você, Hinata-gami por tentar interferir na união de ambos, como medida leve, eu a ordeno ficar retida dentro dos domínios humanos por tempo indefinido e sob supervisão de outro deus, até que aprenda sua lição.
— Entre os humanos? – Naruto indagou.
— Você não ensina a respeitar as aves, pondo a criança entre os cães. Ela aprenderá a respeitar os humanos, estando entre eles, para isto, seus poderes também serão retidos, para que os usem nem contra nem a favor. Isso também servirá como medida para que se afaste do Kagutsuchi, sua esposa e criança.
— Meu senhor, isso não é exagerado...? – Naruto insistiu, temeroso, pois, por mais que houvesse falado tanto dos humanos para Hinata e tentado demonstrar que eles tinham suas virtudes, não tinha mais qualquer certeza de que ela acreditara nisso, ou de que era capaz de um dia acreditar.
— Sua esposa induziu outros a usarem poções proibidas em humanos. As penas para isso, são muito mais severas, como todos bem sabem. Se ela foi capaz de usar uma poção da verdade, por agora, nada garante que não será capaz de usar veneno. E para que isso não aconteça, e você tenha que visitar sua esposa nas celas escuras das prisões do Yomi, é melhor não questionar mais minhas decisões.
Naruto assentiu, rapidamente, ciente de que Izanagi não estava apenas sendo severo, de fato, mas também, a seu modo, protegendo a vinda da criança. No mais ele já percebendo que o quanto Izanami estava atesourando a notícia, ir contra ela seria ainda mais perigoso.
Izanami não era a senhora do Yomi apenas por infelicidade do destino, ela não era conhecida por ser generosa quando assumia a faceta de senhora do inferno e ele sabia que imortal ou não, Hinata jamais sobreviveria no Yomi, mas, entre os humanos, ainda haveria uma chance.
— Então peço apenas que... Seja eu a supervisionar seu avanço, se assim me permitirem. – Declarou, curvando-se.
Izanagi não gostou, mas Izanami pousou a mão em seu ombro, assentindo, calmamente.
— Que seja.
— Mas, este é um voto de confiança que não pode ser quebrado, meu jovem caçador. Seu vínculo amoroso jamais deverá sobrepujar seu senso de justiça.
— Eu entendo completamente, senhora, peço que confie em mim mais uma vez.
— Confiaremos, e admiro seu empenho. Um bom marido já teria dado por cumprida sua tarefa. Você está indo além. Hinata-gami. – Ela ofereceu um olhar ácido para esta. — Espero que possa começar a abrir seus olhos de prata novamente, pois parece que todo o brilho do reflexo deles no seu espelho, a tem cegado ultimamente.
Izanagi revirou os olhos para suas afrontas.
— Também seu primo Neji irá ser responsabilizado por dar a poção proibida para a dama humana. Mil anos de reclusão em seu castelo, Neji-gami, um único pé fora, e irá servir chá para sua senhora do Yomi.
— Seria uma companhia agradável.
Neji assentiu rapidamente, quase podendo abrir os braços e agradecer pela leveza de sua pena, pois por mais que não odiasse os humanos como Hinata, viver longe do que era realmente sua casa, seria uma tortura, inimaginável.
Lamentou pelo fim da prima, mas talvez Naruto pudesse ajuda-la de agora em diante.
Eles certamente teriam muito tempo para pensar sobre muitas coisas.
— E por fim, abro as portas desta assembleia, declarando o fim dela. – Izanagi decretou, fazendo todas as portas se abrirem bruscamente, espantando os belos pássaros que descansavam no topo das paredes de onde as cascatas de águas vinham.
Sakura se espantou, mas logo se encantou com a beleza de Ahaji.
Sasuke soltou o ar, exasperado e contente. Finalmente tudo o que precisava era levar sua esposa de volta para o lugar deles, mas sequer pode pegar sua mão, ela fora arrastada pela sua irmã para os braços da sua sogra.
Bem, nem tudo podia ser mesmo segundo a vontade dos deuses.
¤
— Porque está fazendo isso por mim? – Hinata interrogou, num cicio desiludido.
— Quem sabe. – Naruto respondeu, encarando o mar infinito de estrelas. — Talvez... Talvez não aja algo além disso que eu possa fazer... Talvez eu esteja verdadeiramente preso e fadado a... Você.
Antes que ela pudesse responder, um portal para o mundo humano abriu-se diante deles.
— Mas se mesmo Sasuke estava disposto a quebrar a balança para ter Sakura consigo, Hinata... – Ele prosseguiu, olhando-a de lado e enfim estendendo-a a mão. Hinata pegou-a, esperançosa, mas nos olhos do marido viu, que isto não significa a reconstrução do laço deles. — Eu estarei disposto a quebrar a balança para me separar de você. – Ele admitiu.
Ela não tinha respostas ou desculpas para isso, apenas se deixando ser conduzida para dentro do portal. Não havia mais certezas, profecias ou desejos que pudessem dar-lhe a certeza que recuperaria um pouco do que havia posto a perder, só haveria um longo período de incertezas, e talvez.
E Hinata, sem apoio, sem poderes ou mesmo orgulho, de fato não estava preparada para encarar esse futuro que se resumia agora, a apenas isso: Um tempo porvir, um tempo que ela não tinha ideia de como encarar, e teria de fazer, agora em diante.
¤
Karin assistiu o imenso pássaro de fogo partir de Ahaji seguido de um menor e mais leve, recostou da cabeça contra a janela, sentindo-se vazia.
Era como ver um fim definitivo para aquilo que ela sempre achou que seria um ciclo.
— Eh, parece que as coisas terminaram bem, huh? – Karin se afastou da janela, ao notar a pessoa que agora se recostava nela, casualmente. Estreitou os olhos se perguntando quando foi que o vira, pois sua esquisitice não era exatamente estranha.
Tinha um cabelo tão claro que parecia translúcido, olhos violeta de ar fanfarrão e um sorriso cheio de dentes pontudos que o conferiam um charme distinto.
Pelas roupas, ela finalmente entendeu de onde o teria notado, eram trajes da guarda do palácio da água. Karin bufou aborrecida e cruzou os braços.
— Não me diga que seu senhor vai novamente fazer questão da minha presença no palácio dele.
— Nah, na verdade ele já deve até mesmo ter esquecido vossa presença, senhora. Está muito aborrecido com o fim da reunião para se importar com deuses insignificantes como nós.
Karin abriu a boca para dizer que somente ele deveria ser insignificante, mas tanto se deu conta que seria hipócrita dava a situação, quanto percebeu que ele estava fazendo graça. Fechou a boca, indisposta e perder tempo com piadinhas.
— Que seja. – Declarou, dando as costas, resolvendo voltar para o barco, no entanto, o pensamento de pousar no país do fogo novamente lhe sangrava o coração. Mas, tinha de fazê-lo, não havendo outro lugar ou desculpa para usar.
Parou, jogando os olhos para o pátio, viu Susanoo atravessá-lo com pressa, mal humorado demais para dar atenção até para as jovens deusas que queriam cortejá-lo.
— Você não deveria estar partindo com ele...?
— Como eu disse, ele está muito irritadinho para sentir falta de nós. – Ele deu de ombros.
— Hmm. – Karin deu as costas, enquanto ele ficou suspirando e se perguntando o que poderia fazer de divertido em Ahaji. Realmente não parecia um tipo que tinha bom senso.
Karin parou, apercebendo-se que só estava fingindo que também tinha noção de realidade, ou que tinha um lugar para voltar agora.
Voltou-se para ele, não exatamente segura da ideia, mas sabendo que voltar para o reino do fogo, por hora estava definitivamente fora de cogitação. Ela só tinha que lembrar onde estava quando foi tola o suficiente para acreditar que mesmo sua declaração faria algo mudar em Sasuke.
Ele deu sua resposta quando a deixou para trás, e definiu com quem pretendia prosseguir quando partiu com Sakura.
— Você...- Inspirou, e soltou o ar. — Eu tenho o barco, mas não tenho ideia de onde ir, e você?
O deus a fitou, surpreso e então sorriu largamente, e saltou da janela, aproximando-se.
— Eu não tenho um barco, mas, posso leva-la uma centena de lugares onde vai ser divertir muito.
Karin deu de ombros, já meio arrependida. Duvidava que fosse ver diversão no que o divertia, mas ao menos talvez pudesse distraí-la. Passou tanto tempo morando com Sasuke, que não poderia negar que já não conhecia mais o resto do universo.
— Que seja, só não venha com gracinhas, ou parto sua cara de peixe ao meio.
— Oh! Eu entendo completamente, por aqui. – Ele indicou o caminho todo reverente, Karin revirou os olhos e caminhou, certo, já bem arrependida. — A propósito, sou Suigetsu Hozuki.
— Karin. – Ela respondeu, com um esgar de desinteresse, isso não pareceu desestimulá-lo, seguiu-a com um satisfeito, empolgado e ladino sorriso.
— Oh, eu já sabia.
¤
Izanami observou o salão vazio, muito pensativa de repente, Izanagi se perguntava se ela havia ter percebido que Ahaji transpirava solidão, uma vez vazia, ou mesmo se houvesse apenas ele, ou ambos.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Ahaji era tanto um exílio quanto um asilo, talvez.
— Tudo fica bem quando acaba bem, não acha, meu jovem senhor? – Ela disse, ele não pode deixar de sorrir um pouco ao ouvi-la falar desse jeito novamente.
— Suponho... – Mas em seguida, não poderia deixar de lado o que havia concluído uma vez que vira Sasuke partir de Ahaji com tanta alegria. — Mas você entende... Que o que fizemos não foi mais do que adiar o inevitável, não é?
Izanami suspirou, sorrindo ternamente, ouvindo o canto dos pássaros acima deles, das águas correndo pelo centro do salão, mesmo a dança cósmica dos astros, coisas que ela não podia ouvir tão bem em seu profundo palácio do submundo.
— Talvez... Ou talvez eu tenha que dizer que na verdade... Tudo continuará bem, enquanto eu puder fazer que continue bem.
Ele se voltou para ela, olhando-a intrigado, e por fim percebeu que era inútil incomodar-se com isso, pois em se tratando de Izanami, ela estava sempre mais do que disposta a ir adiante não importando nem se suas atitudes poderiam prejudica-la.
Ousou ser a primeira a fazer o convite, ousou também ser a mãe de Kagutsuchi, e ousava ir contra mesmo o Destino, e todos os deuses que estavam mesmo acima deles, seus próprios criadores.
Ele havia se perguntando antes o que ela teria feito se o Destino não houvesse feito de Sakura Haruno um par ideal para Sasuke, e havia temido as consequências disso, não bastando a certeza de que seu filho também desafiaria a balança e cortaria os fios de tear.
Agora, ele tinha absoluta certeza que não era Sasuke o maior perigo para a estabilidade do tudo, mas sua esposa, que sempre tinha um truque em cada fresta de seu leque.
— Izanami... Você fala de mim, mas a verdade é que é tão incapaz de largar as rédeas dos nossos filhos quanto eu.
— É um direito que tenho, desde que me foi privado o direito de cria-los, querido.
— Vai mesmo tão longe para agradar aquela criança? Você sabe que não tem tamanha dívida para com ele... Não como eu.
— Ah, seu coração está amolecendo tanto assim, meu querido? Não se preocupe, nunca se tratou de recompensar minhas crianças. Sou apenas uma mãe egoísta que não pode conceber um único momento de infelicidade para meus filhos. Não se preocupe com Sasuke, ele não virá até por compensação, ele virá por mim pois seu coração de amante, e seu coração de pai, não podem conceber a infelicidade de uma existência incompleta.
— E você, fará o que ele deseja.
— É claro que farei, mas daquilo que é dado, também algo é retirado. Sasuke pode ter sua amada com ele para sempre. Mas terá de aceitar as condições que a Fruta da Vida Eterna exigirá.
— E nenhum de nós sabe quais exigências serão...
— Não, não saberemos, nem eles, até que ela prove da fruta...
¤
Meses depois.
Sasuke afagou suavemente o rosto de Sakura, até que ela despertasse. Suspirando e se esticando como uma flor que desabrochava, ela abriu os olhos e o fitou carinhosamente, sonolenta.
— Bom dia.
Ele apertou entre os dedos da outra mão, a pequena fruta de casca dourada cuja a aparência lembrava um cacho de uvas. Ajoelhou-se diante dela, que se sentou, o fitando curiosa.
— Aconteceu algo?
— Fui ao Yomi. – Ele iniciou, Sakura sorriu, alegremente.
— Vossa mãe deve ter ficado muito feliz.
— Sim... Ficou, mas não é uma viajem que eu recomendaria, o Yomi não é uma terra exatamente agradável de se ver ou visitar. – Confessou, até porque temia que ela se empolgasse com a ideia de visitar a sogra.
Estando grávida, o Yomi era o último lugar que gostaria que Sakura estivesse, e mesmo sua mãe, compreendia isso, mesmo que fizesse um certo drama. Ele teve que admitir que Izumi teve a quem puxar tanto talento teatral.
— Hum, você parece estranho, lá é tão ruim assim?
— Visitei minha mãe porque não estou disposto a abrir mão de você.
— Mas... Você já provou isso. – Sakura assegurou, puxando-lhe o rosto. Sasuke abriu a palma, deixando a fruta mítica pousar sobre o ventre inchado de Sakura, ela o fitou, alternando o olhar confuso e fascinado entre ele e a estranha fruta.
Ultimamente também, ela tem tido um apetite bastante abrangente, então não poderia ser culpada de querer provar aquilo mesmo sem ter a mínima ideia do que lhe poderia causar.
E recordando perfeitamente as ressalvas que sua mãe tanto fizera, nem mesmo Sasuke poderia dizer o que aconteceria.
Seria o preço para ter Sakura consigo para sempre tão alto quanto não tê-la?
— Eu anseio ter você comigo sempre, Sakura. – Declarou. — Mas temo que essa fruta nos faça pagar pelo meu egoísmo, pois já estou quebrando minha promessa quando me nego a estar a seu lado até seu último dia de vida. – Sasuke envolveu seu rosto, trazendo para próximo de si, tocando suas testas, afirmou. — Eu quero que nunca exista um último dia com você.
— Sasu... – Sakura baixou os olhos e pegou a fruta. — Isto pode... Me fazer como você?
— Sim...
— Se eu comê-la agora... Então não vou perder nenhum dia com você, e nem um dia com nosso bebê, nunca? Eu posso mesmo... Receber esse milagre?
— Sim, pode.
Sakura sorriu, com os olhos molhados e segurou a fruta próxima aos lábios.
— Então eu estarei feliz de pagar o preço que for, meu senhor, você estará?
Sasuke abraçou-a acolhedoramente e assentiu, no fim, nenhum deles poderia dizer o que o futuro seria, como o universo cobraria pelo o que doou, ou como o Destino ditaria as regras
Sakura comeu da fruta, e em seguida, mesmo antes da hora, entrou em trabalho de parto.
A criança deles nasceu muito pequena frágil, mas ainda era um perfeito bebê.
Ela o chamou de Sakurakouji*, pois nasceu no auge da primavera, segurou-o nos braços, e morreu em seguida, sua alma partiu para muito além do alcance, mesmo o de Sasuke.
Mas todos os deuses e coisas vivas sentiram que, está primavera em especial fora marcada pela gênese de não um, mas dois deuses, e o Kagutsuchi teve que aceitar que, mesmo as promessas quebradas por ele, seriam cumpridas pelo Destino, da forma que este assim decretasse.
Suiren = Flor de Lótus, significa Pureza, Perfeição e Imortalidade.
Sakurakouji*
Significa Caminho da Flor de Cerejeira.
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