The Bride Of The Fire God

6 Saboten no hana e Tsutsuji


Notas iniciais
Yoo! Postando hj em dia de eleição pra gnt ler como comemoração ou como consolo dependendo dos resultados

Sakura penteava os cabelos de modo tão distraído que logo chamou a atenção das criadas em volta, hora ou outra ela ria sozinha ou ficava muito corada.

Togame sinalizou para que as jovens aias nada dissessem, por mais que fosse engraçado ou que quisessem falar sobre isso.

E por fim, com um longo e suspiro sonhador ela finalmente abaixou o pente e voltou-se a elas, sorridente.

— Bom dia! O que iremos fazer hoje?

¤

— Tão óbvio que chega a ser patético. – Kakashi fez questão de avisar, olhando para cima.

Sasuke descansava deitado no galho de uma cerejeira que naquele solário fechado, longe do inverno que tomava a região, crescia e florescia em nome apenas da vontade de um deus cativado. Segurando uma pétala entre os dedos, e sequer fazendo questão de disfarçar os sentimentos e lembranças que ela lhe evocava.

Kakashi só o vira fascinado assim uma vez, e isto terminou em algo doloroso. No entanto, ele não acreditava que seria o mesmo, na verdade, diria que nunca era tudo igual nesses casos.

Sakura era completamente diferente da única mulher que já havia capturado tanto a mente do deus, e que Naruto o perdoasse por ter essa certeza, mas tinha total convicção de que a quarta noiva humana, era indiscutivelmente muito mais bela, virtuosa e gentil que a deusa a qual os dois disputaram por tanto tempo.

Mas isto eram águas passadas, Kakashi apenas assistiria, não deixando de brincar com Sasuke quando pudesse, nem de estar ao lado dele.

— Não faço ideia do que esteja falando. – Sasuke devolveu, sem alterar o estado de graça e satisfação atual.

— Havia esquecido que ele é um tédio quando está apaixonado...- Kakashi suspirou, dando as costas. — Um bom dia para você também.

— Ninguém se importa.

Kakashi suspirou, ele sequer o estivera ouvido mesmo?!

¤

O inverno no país do fogo chegava a ser uma contradição, e apesar de também muito rígido até que era aconchegante passar os dias sentada perto de uma boa lareira aprendendo coisas diferentes.

Sakura tinha certeza que muitas garotas do século XXI enlouqueceriam só de considerar a ideia de viver num mundo sem telefones, internet, luz elétrica, sem roupas mais curtas ou velhas pra sossegar em casa, ou somente aprendendo coisas velhas como bordar, pintar, escrever e entender da administração de um lar.

E Sakura não negava sentia falta de fazer contas rápidas no celular ou no programa Excel, comer chocolates e churrasco, beber cerveja depois de um longo dia aturando o chefe mal humorado e correr atrás de promoções de supermercado.

Sim, ela sentia falta, mas talvez ainda não sentisse o bastante, talvez ainda se sentisse numa espécie de férias exóticas.

Ela pensava em como seria passar um ano neste lugar, se teria mais noção do que seria não mais estar entre aquilo que conheceu desde criança, se seria doloroso ou mesmo tedioso, porém, havia ainda uma parte sua que não ligava para as roupas pomposas e antiquadas, nem de não comer mais coisas industrializadas ou de não ver shows de TV.

Havia uma parte sua que descobriu que amava pintar (mesmo que isso não significasse pintar bem), que gostava da comida refinada e tradicional, preparada com o mais alto empenho e bom grado.

Gostava de se olhar no espelho e ver-se como uma princesa feudal, gostava de que ali, as pessoas achassem até que mesmo o seu cabelo era algo a ser admirado, gostava que novamente houvesse alguém para dizer com carinho: Esta é a garota mais bonita do mundo. E esse alguém nunca deixá-la.

Colher flores por aí; bordar um tecido de kimono para seu marido usar e também aprender coisas sobre a administração de um reino, lavouras e criações; brincar com os animais mais bonitos e curiosos (e isso até podia incluir uma certa kitsune enxerida); assistir o teatro kabuki, apresentações de músicos e instrumentos tradicionais; aprender a tocar um koto!

Tantas coisas! Talvez tivesse nascido na época errada ou ainda levava os gostos e costumes de uma vida passada.

Talvez ela nasceu para estar ali.

E ela certamente poderia ser feliz lá, pelo tempo que pudesse ter.

E ao sentir empurrarem seu cabelo para o lado e um beijo suave e quente pressionar em seu pescoço, Sakura suspirou, desfazendo-se de prazer somente com aquele carinho.

Gostava, talvez acima de todo o resto, de saber que havia alguém só para proporcioná-la tanto prazer e consideração, para ser gentil e enigmático, para lhe confidenciar coisas e a fazer rir até sem intenção.

Para tocá-la como se fosse a mais delicada flor, bebê-la como se só houvesse sede dela, toma-la como se só precisasse dela, fazendo tudo isso para no fim, provar o principal, que não só esta nova vida e esse lugar pertenciam a ela, ele também.

— Tão pensativa...- Sasuke ronronou contra sua nuca, Sakura se remexeu, percebendo que ele não queria apenas cumprimentá-la agora. — Que bela expressão minha noiva tem quando pensa tanto.

Excitação e vontade de rir de vergonha a dominaram, ela não poderia dizer ainda que estava plenamente acostumada com essa parte do relacionamento deles e mais ainda, Sasuke vir assim durante o dia também nunca acontecera.

Ele continuava muito taciturno como sempre, os deveres como governante do reino o tiravam do palácio por um tempo considerável, mas sempre se viam nas refeições e em todo e qualquer evento que pedisse sua participação ela estava junto.

Ele mordiscou-a no pescoço e Sakura deixou o bordado cair no tapete.

— O senhor...- Ofegou, inflamada. — Alguma coisa aconteceu para estar aqui tão cedo...?

Sakura girou no banco, voltando-se a ele, mas apenas facilitou seu ataque, beijando-a, Sasuke se ergueu trazendo-a consigo, seguiu para a cama.

— Aconteceu que quero estar na companhia da minha doce noiva. E acontece que prefiro ser chamado de Sasuke. – Ele declarou, Sakura caiu contra a cama, liberando um gemido quando ele chegou ao seu pescoço novamente enquanto a despia e seguia caminho com a boca na pele dela. Lábios quentes e luxuriosos, um beijo macio e cheio de significados.

— Saasuke...- Chamou num tom frágil quanto mais perto ele chegava de sua carne com a boca e a língua.

Sasuke puxou suas coxas abertas e experimentou do interior delas lentamente, sentindo-a estremecer e contrair contra a língua. As unhas dela marcaram seus ombros e braços quando se entregou ao clímax.

— Ah, sim, gosto quando fala assim...- Ele arrastou a língua através de seu estomago, lambendo o topo de cada seio descoberto, os olhos cravados em cada reação dela. — Também gosto desta expressão, é a mais bela de todas.

Sakura gritou agudo e longo assim que ele invadiu-a duro e tão quente, ela sempre sentia como se fosse derreter em torno dele. Sasuke arremeteu tão devagar e forte, deixando-a delirar por mais, gemendo e implorando.

Sakura não reconhecia a própria voz ou o quanto soava lasciva, era vergonhoso que ele fizesse questão de assisti-la num momento desses, mas era incapaz sequer de falar algo direito, sem controle do que saía de sua garganta, apenas a voz de sua carne se impondo.

Sasuke.

— Assim mesmo, querida.

Sasuke puxou-a de lado, deslizando as palmas por suas pernas até os seios, e elogiando como gostava da sensação de sua carne tenra contra os dedos, aprofundando-se nela continuamente, Sakura apertou o travesseiro, o som da carne dele se chocando contra a dela, seus gemidos graves ao pé do ouvido e o calor de todo o corpo masculino contra si.

Sensações quentes demais para conter, inflamando também o coração dela, Sasuke sentiu-a liberar-se outra vez, chamando-o pelo nome, chegando ao mesmo ponto, em seguida permaneceu enroscado a ela, sentindo a textura de sua pele úmida e o cheiro floral e provocante que exalava.

Sakura suspirou estremecendo ainda e ele beijou seu rosto.

— Ainda algo contra minhas visitas tão cedo?

Ela riu baixinho, sentindo o rosto novamente vermelho.

— Eu não disse que era contra, somente fiquei surpresa.

Sasuke se sentou e olhou para a janela tudo estava branco lá fora, a única flor que havia era a Sakura em sua cama. Jogou os olhos sobre ela, cansada e satisfeita o bastante para sentir sono.

Tocou seus cabelos embaraçados e finos como fios de aranha.

— Uma vez me disseram que não havia mulher que pudesse encarnar uma flor tão perfeitamente.

Sakura o olhou por cima do ombro, curiosa, sentou-se puxando o lençol para o busto.

— Quem...?

Sasuke deu com os ombros, olhando para a neve, passou os braços em torno dela e beijou os ombros.

— Desde que você chegou... Quem, não importa mais. Além que...- Refletiu, jogando os olhos para o céu limpo, estrelado e com uma enorme lua brilhando no topo, a medida em que anoitecia mais e mais. Esfregou os lábios contra a pele dela. — Esta pessoa estava completamente errada...- Ronronou, puxando o lençol e se deitando, levou Sakura consigo que tremeu quando ele a apertou no seio e esfregou o mamilo lentamente.

— E-espere... Mas já?

— ...Sua carne é tão tenra, ao mesmo tempo é como tocar uma flor. Como eu poderia resistir?

Sakura continuou sem saber se ele falava com ela ou se refletia sozinho. De todo modo, ele não a liberou até o jantar e ela sabia que as pessoas no castelo perceberiam o tanto de tempo que passaram reclusos no quarto.

Mas, seria hipócrita se negasse o quanto esses detalhes da vida de recém-casados eram bons.

¤

Uma nova primavera floresceu depois de quase seis meses. Sakura passou os primeiros dias da estação observando a região voltar à vida gradativamente, flores e insetos, animais e árvores se revelando vivazes e exuberantes.

Agora ela podia estudar ao ar livre, e isso se mostrou ainda mais prazeroso embora Togame insistisse que era mais elegante se manter na sala de estudos além que Sakura se distrairia menos.

De todas as aulas a que ela mais gostava era tocar o koto e fazer arranjos florais, em contraposto, se pudesse se enfiar numa terma e se esconder lá toda vez que houvessem aulas de caligrafia e economia, ela o faria.

Também era divertido bordar uma vez que se pegava o jeito e poderia libertar a imaginação criando figuras e paisagens nos tecidos.

Essa técnica, Sakura sabia que era chinesa, mas também aprendera o sachiko que era lindo para fazer almofadas e até mais fácil. Talvez ela estivesse um pouco viciada também...

— Bordando outra vez? – Kurama disse, olhando-a entediado. Sakura corou, empertigando-se, não o notara ali.

— Nã-Não se intrometa! E você, não tem nada melhor pra fazer?

A kitsune balançou as caudas num tipo de esgar e inspirou aborrecidamente rolando sobre as almofadas ao redor, salpicadas de pétalas de cerejeira.

— Estou mesmo é com fome. Não está afim de ter a honra de cozinhar para mim?

Ela revirou os olhos voltando a atenção ao bastidor onde o tecido estava fixo.

— Por que não vai procurar algo na cozinha?

Kurama fez uma careta, arreganhando os dentes e se coçando.

— Eles me expulsaram de lá. – Resmungou. Sakura imaginou que ele devia ter roubado comida outra vez. Sasuke já o tinha ameaçado sobre transforma-lo em botas se não parasse de ficar causando pelo castelo.

— Você é um pentelho... Mas já está aqui a bastante tempo, não? Quer dizer, você não mora na verdade, com Naruto-sama?

Kurama fez outra careta, ainda mais rabugento.

— Como se desse para viver naquele lugarzinho agora... Está tudo cheio de regras e coisas chatas, não é mais como antes daquela lá chegar...

Sakura não entendeu bem ao que ele se referia, sua fala as vezes se misturava com o regougar natural, só lhe pareceu que ele estava bem chateado agora e suspirou, estendendo a mão e puxando a bochecha dele.

— Tudo bem, não é como se tivesse te expulsando. Apesar de arteiro e inconveniente, você é uma boa companhia.

Kurama a fitou, surpreso e Sakura olhou para cima, pensativa, seus olhos alcançaram as três noivas brilhando no céu azul.

— Além que... Para você que viveu tanto, Kurama-kun... Esses dias comigo são só instantes, não é...? É assim para você e ele...- Ela sorriu melancolicamente, e suspirou, quase parecendo que queria gostaria de chorar e então respirou com força e abriu os olhos e o sorriso com um ânimo e confiança renovados. — Então! Se é assim! Me resta fazer com que não me esqueça tão facilmente depois de me atazanar tanto, hein?!

Kurama saltou para o colo dela, atacando-a com dentadas leves. Ele não se lembrava ou teve muita proximidade com as outras noivas, mas talvez fosse como Naruto dizia, e que os humanos tinham uma força de vontade, uma ânsia de passarem pela vida e deixar uma marca a ser recordada, admirável, que era invejável e desconhecida para aqueles que desfrutavam da eternidade.

Conseguiu fazer Sakura gargalhar muito, mas no fundo, percebeu que gostaria de fazer mais por ela do que somente atazana-la e aguardar ao lado dela até o dia em que se tornasse uma estrela.

¤

Sasuke ouvia sem grande interesse os relatórios acerca de tudo o que acontecia no castelo e no país. Não importava se poder era bom, ele vinha acompanhado de muita burocracia e esta era a coisa mais aborrecedora de todo e qualquer mundo.

Enquanto era a vez de Kakashi, ele foi interrompido pelo som de gargalhadas que invadiam o aposento. Sasuke para o lado, através da janela e pode ver Sakura correndo de um lado para outro no campo onde geralmente plantavam todos os tipos de flores, ela geralmente só passava por lá quando passeava com ele ou para colher flores para os arranjos que aprendia a fazer.

Então surpreendeu-o vê-la correndo e fazendo algazarra por ali. Só que estava na companhia de Kurama (o hóspede que parecia que nunca iria embora) e de Nébula trotando ao redor dela como se quisesse participar da brincadeira.

Olha-la interagir tão espontaneamente só com os animais o fazia lamentar tê-la feito deixar sua vida mortal e interações humanas, amigos, conhecidos, familiares ou mesmo amantes. Mas vê-la tão adaptada aos trajes e enfeites lhe renovava sempre a esperança de que ela veria aquele lugar como um verdadeiro lar um dia.

— Devo continuar, ou...? – Kakashi disse, se fazendo de magoado. O senhor Sarutobi que era o sacerdote maior do templo e segunda pessoa no comando da cidade, riu bastante divertido enquanto Togame, que dirigia o castelo queria provavelmente se enfiar num vaso da sala e sumir.

Ela se responsabilizava muito pela conduta de todos inclusive de Sakura, mesmo que Sasuke nunca tivesse feito questão de tanta formalidade.

Respondeu Kakashi com um sorriso divertido que surpreendeu os três.

— Quer mesmo a resposta? – Brincou. — Apenas prossiga.

Kakashi riu-se antes de continuar e novamente foram interrompidos embora Sasuke tenha se importando menos ainda, sempre com os olhos fugindo para observar através da janela.

Um servo entrou, curvando-se.

— Senhor, alguém acaba de chegar ao reino do Fogo.

— É? – Ele deu de ombros. Jogando os olhos agora para o céu, notou que a lua brilhava no céu diurno e estreitou os olhos até que um ponto que voava cada vez mais para perto do castelo foi ficando mais claro.

Era uma liteira branca levada por dois tigres brancos gigantes e com dois passageiros em cima que ele reconheceu logo.

Kakashi também reconheceu, sentido imediato pesar e tensão ao olhar o semblante inexpressivo do deus.

Será que nunca estariam livres daqueles dias?

Karin invadiu a sala, pálida e desacreditada. Seguiu direto para a janela. Vendo os tigres darem uma volta por cima do castelo e enfim pousarem do outro lado, onde ficava a entrada. Apertou as mãos contra o peitoril, inconformada e sentindo-se traída.

Como Naruto ainda poderia ousar dizer que se importava com ela ou com Sasuke quando trazia aquela praga de volta ao reino do fogo?

Virou-se, desesperando-se ao ver Sasuke já fora da cadeira e seguindo para a saída com Kakashi e os outros curvados á espera de qualquer ordem.

— Não...! O que você vai fazer?!

Ele a fitou por sobre o ombro, sem entender o porque de tanto alarde.

— Ora, é óbvio. Irei receber as visitas.

— Sasuke, por favor. Não se dig...

— Togame.

— Meu senhor!

— Encontre a minha noiva e traga-a até mim.

— Ha-hai...?

— Não seja muito dura com ela por estar se divertindo...- Sasuke pediu, enquanto atravessava o corredor calmamente. — Gosto do efeito dela por aqui...- Comentou, passando por um dos vasos que continha um delicado arranjo de lycoris com um galho de cerejeira. E não era que a combinação era bastante agradável?

¤

Sasuke finalmente chegara na entrada, Naruto o fitou com receio e pesar, e jogou os olhos para onde os grandiosos tigres repousavam deitados, recebendo afagos daquela que era tanto ante o céu, terras e submundo, sua esposa.

Sempre que olhava para Hinata, ele recordava do primeiro dia em que a viu e como a beleza dela continuava esplendorosa desde aquela época.

Nesse tempo já tão longínquo, quando os humanos cultuavam e temiam os deuses fervorosamente, ele ainda vivia nas montanhas junto de sua mãe, um espírito de raposa que vivera conhecera tanto que além de conquistar nove caudas, conquistara a forma humana e o status de divindade, então conhecera um deus, filho de deuses do vento e do sol, e desse amor incerto e até mesmo desprezado, nasceu ele.

Naruto nunca havia conhecido as terras divinas até que enquanto caçava, seu caminho se cruzou com o do deus primordial, mas tão jovem quanto ele, Kagutsuchi, o deus do fogo.

Eles tornaram-se amigos e rivais, de certa forma. Era só coisa de garotos. Assim, Naruto foi convidado a conhecer esta fabulosa terra eterna e carinhosamente criada pela mente e coração solitários do deus que não conhecia o significado de família como Naruto conheceu.

Ele viveu longas temporadas, conheceu mais do caráter dos deuses, o que ajudou a reforçar o apego que ele já tinha com os humanos desde sempre. Deuses eram muito volúveis, temperamentais, caprichosos e por mais que sua natureza maior fosse a de cuidar dos humanos, muitos pareciam ter esquecido esse papel e se afogado em sua própria ganância e arrogância.

Foi num dia como aquele, que tanto Naruto quanto Sasuke, puseram os olhos nela, a pequena jovem deusa lunar descera a terra do fogo em encantada com o campo de lycoris cobrindo o sopé do vulcão como um tapete vivo, ela veio encantada pela beleza dos animais que Sasuke criou para fazer-lhe companhia e dar-lhe consolo, um motivo a mais para existir do que apenas inflamar o terror humano com os vulcões.

E Naruto, um mero deus camponês que passava seus dias caçando com as raposas, pregando peças em humanos ou os ajudando, poderia oferecer o quê para deslumbrar olhos tão maravilhosos? Não havia chance desde o começo.

Eles disputaram e esperaram, conheceram Hinata e ela os conheceu melhor que ninguém, ela era virtuosa e amava ajudar e guiar os humanos nas noites mais escuras tal como ele, e também era educada, amava as artes, a natureza do reino do fogo, assim como Sasuke.

E talvez, talvez também amasse saber que eles a amavam. Mais do que amasse um deles propriamente.

Naruto, depois de tanto tempo, talvez por sempre olhar para ela e ver o dia em que se conheceram, se perguntava se a conhecia tão bem quanto achava, ou se continuava exatamente como naquele dia, sendo a estranha de beleza arrebatadora que estremeceria para sempre a amizade que ele mais prezava na vida.

No fundo, ele sabia que ela o amava sim, que suas juras eram honestas e puras, mas também no fundo, sabia que ela também amava muito a si mesma, e amava ser amada.

E sabia o quanto Sasuke era bom e fazer uma mulher se amar e amá-lo, enquanto Naruto poderia lhe colher um campo inteiro de flores, as palavras que acariciavam e perfumavam o coração de uma mulher, ele nunca teve jeito para dizer.

Ainda assim, ela o escolheu. Ainda assim, ele permanecia sentindo que seu casamento e seu melhor amigo, para continuarem, não poderiam mais se misturar.

Por isso, ele não poderia estar menos desconfortável do que em ver Hinata pisar aquele solo outra vez. Por isso, ele não poderia deixar de se perguntar se Hinata realmente quis vir ver um velho amigo e conhecer sua nova esposa, ou se veio averiguar se continuava dona de uma parte do coração dele e olhar nos olhos de uma rival que jamais estaria a sua altura.

— Mande Togame apressar o almoço. – Sasuke ordenou por último, antes parar ante Naruto. — Veio mais cedo do que imaginei, Naruto. – Observou. — Última vez que esteve aqui, partiu com pressa, achei que estaria ocupado.

— Não sou ocupado como você, que nem deve ver sua noiva direito. – Naruto suspirou, apertando sua mão.

Sasuke deu de ombros, sem interesse em desmentir a ideia.

— Engana-se, meu marido. Tenho certeza que Sasuke cuida com esmero da sua nova noiva... Tal como cuidou de todas as outras. — Ambos olharam para ela, que lhe sorria com a jovial e tímida doçura de sempre.

Seus cabelos escuros e enormes como o manto da noite, a pele alva como leite e olhos de prato lunar.

— Sasuke! – Hinata sorriu por trás da manga do kimono, emocionada, se curvou respeitosa e graciosamente. Então ergueu-se. — O Destino presenteia-nos com esse novo encontro, me sinto tão afortunada.

— Hinata, faz um longo tempo. – Ele se curvou, sorrindo brevemente. — Ah, esta coisa sobre Destino.

— Que você não acredita, já sabemos...- Ela brincou. Sasuke sorriu, repuxando o canto da boca numa expressão divertida antes de se virar.

— Ao contrário, ficaria surpresa com o quão satisfeito estou em admitir que perdi para ele... Bem, que tal darmos um passeio, não que muito tenha mudado, mas creio que será um bom passatempo até a refeição ser servida e até que encontre a minha esposa...

Ambos seguiram ele, Hinata parece ficar bastante reflexiva e observadora enquanto Naruto, recordando da exótica e honesta Sakura que tivera tanto azar ao abrir mão de sua vida humana por conta das rixas e caprichos dos deuses, sentiu um pouco de pena da moça e esperava que o tempo que passou, a tivesse ajudado a consolar sua perda.

Eles passaram pelas estrebarias, o campo de flores diversas e por fim saíram um pouco da propriedade e passearam por aquele campo de flores vermelhas como sangue. O local que marcou o encontro dos três.

— Ah, continua tão maravilhoso, Sasuke. – Hinata suspirou nostalgicamente, girando entre as flores. — Você continuava cuidando delas tão bem?

— Hn? Não é como se elas precisassem de tanta atenção, apenas seguem o ciclo de vida que lhes foi determinado. – Ele deu de ombros, olhando ao redor.

— Você é sempre tão modesto, aposto que ainda vem conferi-las durante a noite!

Sasuke meneou a cabeça, recordando que já fazia um tempo que raramente fazia isso, e agora que Sakura estava sempre o aguardando no quarto, ele tivera menos interesse ainda de deixar o leito até mesmo depois que o sol raiava.

Mas não discutiu isso, era apenas uma visão que ela tinha, de quando ele era muito mais jovem e solitário.

— Kagutsuchi-samaaa! – Ouviram, Sakura vinha correndo, estabanada e saltando entre as flores, Togame que certamente a fizera sair da calça hakama vermelha e camisa branca que usava mais cedo para o vestido de seda rosa como o poente, longo cheio de fitas de cetim transparente que apenas exaltavam sua beleza.

Ele se perguntava se também era capricho do destino que ela, mera humana, conseguisse ser tão deslumbrante quanto somente uma deusa poderia ser.

Ainda assim, era atrapalhada e honesta como apenas Sakura poderia ser.

Chegou aos tropeços quase caindo sobre ele, os enfeites e flores de peônia em seu cabelo ameaçavam cair e esbaforida ela se apressou a ajeitar, o fitando preocupada com suas bochechas rosadas e olhos verdes cintilantes.

— Kagutsuchi-sama! Perdão pela demora, não quis atrapalhar, é que Togame estava com pressa acho que entendi tudo errado...

Sasuke apenas a abraçou, apreciando o perfume dela e o contato com sua tenra e amável carne mortal.

Por que tinha que ser mortal?

— Sasuke...-kun...? – Ela gaguejou, constrangida e ruborizada.

Sasuke sorriu inspirando e se afastou.

— Assim é bem melhor. – Avisou, tocando seu queixo. Ela se encolheu envergonhada e totalmente caída com aquele sorriso terno e charmoso que seu marido ás vezes atirava sem aviso. O braço dele foi mais que bem vindo, pois suas pernas não eram lá confiáveis.

Sakura baixou os olhos, primeiramente nervosa pois Togame não havia dito quem eram os visitantes, mas ao perceber um deles era Naruto, sentiu-se mais tranquila.

— Naruto-sama! Perdão por fazê-los esperar. – Disse, curvando-se.

— Ah, não foi... Nada. – Ele disse, olhando-a um pouco avoado e tenso.

— Fico feliz que tenha vindo nos visitar outra vez, Kurama disse que o senhor vem tão raramente!

— Huh?! Kurama está aqui?!

Sasuke e ela se entreolharam, sem entender.

— Er...? Não sabia? Ele voltou pouco tempo depois de sua partida.

— Um dos melhores hóspedes, certamente... – Sasuke ironizou e ela riu, sabendo que ele e a kitsune nunca se dariam bem.

— Achei que ele tivesse retornando ao monte Uzumaki...- Naruto ciciou, realmente confuso.

— Ora, marido. Sabe muito bem como ele é, adora passear por aí e aprontar das suas... – Hinata declarou, aproximando-se bem humorada.

Sakura pela primeira vez pousou a atenção na dama, ficando encantada com tamanha beleza e altivez que ela exalava. Se havia achado a deusa Karin absolutamente formosa mesmo em sua face mais irada, esta a sua frente praticamente a superava com tanta majestosidade.

Era impossível não se sentir menor cercada de destas deidades, Kagutsuchi e Naruto.

Viu que estava encarando muito e logo se curvou, nervosa.

— Pr-prazer! E-eu sou Sakura, Sakura Haruno, senhora.

— Então você é a nova esposa de Sasuke. – Hinata analisou. — Para uma escolha tão aleatória, me parece ter sido uma boa escolha, no fim...?

Sasuke deu de ombros, na verdade satisfeito demais para ocultar.

— Talvez não tão aleatória assim? É como você diz, o Destino existe e todos estamos sob o julgo dele.

Sakura não entendeu o por que do assunto, sabia que deveria ser a boa anfitriã, mas talvez não estivesse tão bem preparada quanto achou.

— Você me deixa curiosa, Sasuke, de repente pareceu ter mudado sua opinião tão fácil. – Hinata declarou com um sorriso cortês.

— Somos eternos, Hinata, mas não imutáveis. – Sasuke declarou parecendo orgulhoso e deu a Sakura um olhar adorador. — Que bom, não é?

Sakura estava muito impactada para responder, ele sempre a pegava assim de surpresa com esses olhares doces e tão charmosos. Chegava a ser injusto, porque ele tinha que ser um deus?

No entanto, negar que isto era parte importante dele e tudo o que significava. Ainda não sabia lidar com ele flertando descaradamente consigo (ainda mais com outros ao redor) mas já havia percebido que Sasuke não se importava e gostava de cada reação sua.

Ele sorriu curto e sutil como de costume, satisfeito com o efeito devastador nela e seguiu em frente. Sakura o acompanhou, ainda vermelha e escondendo o rosto sob as mangas longas. No fim, sorriu consigo mesma, isto era estar feliz e satisfeita com o que tinham.

Amava seu casamento por mais inimaginável que ele fosse.

— Bem, vamos comer alguma. – Ele disse. — E quem sabe, com sorte, encontrar alguma bolsa de pele de raposa...

Sakura riu, mais á vontade.

— Você sempre conta essa sorte, meu senhor. Não cansa de ela o deixar na mão sempre?

— Humpf, um dia ela virá, nem que eu mesmo a traga. Aliás, não gostaria de um presente com pele de raposa?

— Hm, não! Eu gosto de Kurama com a pele e falante, mesmo que seja falante demais ás vezes...

— Sinto muito se ele os aborreceu. – Naruto disse. — Realmente achei que ele estivesse no monte Uzumaki.

— Oh, ele é muito divertido, não se preocupe. Além que tenho a sensação de que não é geralmente fácil conter Kurama...

— É... Ele gosta de estar livre e aprontando por aí...

Os casais caminharam sem pressa até o local preferido de Sakura para as refeições, a ilha onde a glicínia ficava, sombreando a mesa.

Os empregados trouxeram os pratos.

— Shikamaru não esteve mais por aqui? – Naruto comentou, enquanto Hinata carinhosamente servia-lhe saquê.

Sasuke deu de ombros, e Sakura encheu o guinomi dele com um ar muito cuidadoso e bem mais natural. Naruto observava que, ela realmente estava bem mais á vontade, não apenas com a vida atual, mas em torno de Sasuke também, embora fosse facilmente abalada pelas investidas dele.

Mais uma vez, não podia deixar de invejar quão bom Sasuke era com essa arte. Como conseguia flertar e captar a atenção das mulheres quase sem esforço, um olhar curto e penetrante, um sorriso pequeno mas certeiro, toques aparentemente casuais para deixá-las instigadas e eufóricas.

Mas talvez o efeito disso só fosse tão grande, por ele tão abertamente reservá-lo a poucas, nem amigas, nem parentes, apenas as quatro mulheres que desposara e claro, Hinata.

Mesmo isso já tendo tanto tempo, mesmo sendo Sakura a única a gozar desse tratamento. Naruto ainda sentia um pouco de inveja de nunca ter sido como ele, mas machucava muito mais, sabe que não importasse qual parte, se pequena ou grande em Hinata, esta existia, e invejava que não receberia mais isso.

— Shikamaru? Não faço a mínima ideia. – Sasuke enfim respondeu, demorando os olhos sobre os de Sakura outra vez, sorriu misteriosamente e jocoso. — Tenho estado ocupado... – Comentou inocentemente, porém ela se encolheu, corada, e desviou os olhos. — Além que... O novo ano está chegando, e ano passado não comemoramos devidamente, então os preparativos tem sido bem mais elaborados. – Deu de ombros.

— Entendo, vai ser uma festa no templo, imagino?

— Sim, sim, depois os fogos e um bom banquete. – Sasuke relatou, sem grande interesse.

— Teremos fogos? – Sakura indagou, encantada. — Sério?

— Hm? É claro. Você gosta?

— Siim! São a melhor parte do ano novo, claro!

— Ah? Nem mesmo prestar suas orações no santuário?

Sakura riu, sabendo que ele só fingia estar ofendido.

— Meu senhor sabe muito bem o que eu pensava disto antigamente...

— Claro, até mesmo me satisfaz um pouco ter quebrado sua certeza.

— Oh, fez muito bem, garanto.

— A que certeza, referem-se? – Hinata pronunciou, curiosa.

— Minha jovem noiva, antes de chegar até aqui, não costumava acreditar em nós, imagina? Bastante cruel vindo de uma flor tão adorável, não?

— E-ei, não era exatamente assim...? – Sakura disse, agora um pouco sem graça desde que isso pareceu chocar tanto a moça.

— Nã-Não acredita em nós?

— Não tão propriamente acho... Algo como força maior, talvez? Mas nunca em deuses, acho...

— É bem normal hoje em dia. – Naruto deu de ombros, bebendo. — Já lhe disse, Hinata, os deuses tem sido negligentes e os humanos tornam-se arrogantes ou descrentes, no fim.

— Si-sim, mas... Para alguém que se tornou noiva de um deus, não é no mínimo...?

Sakura encolheu os ombros, sem saber como responder a isso. Talvez ela fosse mesmo, desqualificada, até mais do que já sabia. Não achava, até então que isso pudesse ser um problema para o resto deles.

Mas, pensando bem, deveria ser meio desagradável ter que interagir com alguém sequer acreditava em sua existência, certo?

Sakura não tinha nada contra os deuses, apenas nunca tivera nada em especial na vida que a fizesse estar a favor deles, e mesmo a forma como foi ao encontro de Sasuke, era uma lamentável vicissitude...

Sasuke puxou a cabeça dela para perto de si, carinhosamente afagando seu cabelo.

— Não se atenha a detalhes tão parcos, Hinata. Não é essa a graça dos humanos? São tão imprevisíveis e frágeis... Sakura não tem culpa de quem foi ou quem é, e se os humanos podem escolher, que escolham, foram feitos assim.

— Ele tem razão, o livre arbítrio deve ser respeitado, mesmo que toda escolha tenha consequências. – Naruto declarou.

— Será que eu vir parar aqui foi uma consequência...? – Sakura se viu pensando por esse lado. Realmente era uma lição e tanto, será que merecia mesmo tudo isso?

Perder a antiga vida, amigos, trabalho, um futuro comum, apenas por não ter oferecido algumas moedas nos templos...?

Isso soava cruel.

— Sim, mas... Não deixa de ser um tanto problemático...- Hinata insistiu. — Para você, Sasuke...

Sakura jogou os olhos para ela, tentando entender o que dizia.

Sasuke cobriu os olhos dela, deixando-a confusa.

— Hinata... Deixe que eu decida o que é ou não problemático para mim. – Declarou com uma suavidade afiada. — Como por exemplo, seria muito desagradável se este belo selo rompesse outra vez. Não aceito nem considerar isto. – Finalizou, beijando a testa de Sakura sobre o selo que cintilou ligeiramente em resposta.

Sasuke liberou a vista de Sakura, que o fitou com o rosto iluminado outra vez, sem resquícios do perigoso pesar e dúvida que nublaram sua expressão quando a memória antiga foi atiçada.

— Outra vez...? — Naruto indagou, Sasuke o mandou um olhar sombrio agora e ele viu que não era mais mesmo para tocar no assunto da vida passada de Sakura.

Não apenas pelo bem dela, mas principalmente por que isso encolerizaria o deus que desposara em absoluto.

— Ah, sobre o ano novo? Tem algo em que eu possa ajudar? – Sakura perguntou, resplandecente de empolgação.

— Vejamos, pode ser a bela noiva do deus...? – Sasuke suavizou novamente, enrolando seu cabelo entre os dedos.

— Ah, só isso?!

— Como, “só” isso?

— Hahaha!

Naruto suspirou, quase aliviado que a nuvem tensa se desfizera e enfim, jogou os olhos para a esposa.

Hinata estava calada, não apenas ocultando a vergonha atrás da manga, mas também, uma expressão enfezada e humilhada.

Saboten no hana = Flor de cacto, significam Luxúria.

Tsutsuji = Azaléa, significam Paciência e Modéstia.

Notas finais
Parece que a bruxa está solta, não é? Leitoras de Vingador, já já tem att proceis tmb, rs