The Blood of a God
20 Capitulo XX
Notas iniciais

POV Cora
Depois do ataque da hidra, e de ter descoberto o segredo da Isadora, simplesmente não posso dizer que aquilo não nos aproximou. Certo, o que iríamos fazer agora?
Ah certo, iríamos para a França. Eba, eu amo Paris! Tão linda! Ok. Foco Coraline. Foco. Missão, certo. Dever para cumprir.
Depois de muita relutância (minha, claro) seguimos pelo mar. Meu, podíamos ter ido pelo céu ou pela terra, mas pelo mar? Que droga, hein?
Certo. Samuel e Isabella chamaram uns… Hipo… Hipoca... Hipocampos? Certo. Agora era definitivo, vamos pelo mar. Subimos neles, cada um escolhendo em qual iria. Já andaram de barco? Balança né? Agora imagina se esse barco fosse como um cavalo aquático colorido, ou seja, uma criatura viva. Essa é a sensação.
Eu não estava me sentindo nas nuvens. Tudo estava girando a minha volta, até as manchas coloridas do hipocampo a minha frente pareciam dançar uma com a outra. Estava prestes a vomitar.
– Você ta bem? — Luigi aparece ao meu lado direito. O olho com uma cara "Eu pareço que estou bem?" — Toma esse remédio, vai melhorar.
Ele me entregou um pequeno frasco vermelho, com uma etiqueta amarela. Dentro, algumas pílulas pulavam alegres. Ou talvez fosse só a tontura.
– Aham. Como se eu tivesse água potável para beber.
– Aqui. — Samuel apareceu na minha esquerda, segurando um copo d'água. Estendi a mão para pegar o copo, e nossos dedos se tocaram. — Eu disse que iria sempre estar aqui quando você precisasse — Meu rosto virou um semáforo, antes verde e agora vermelho. Ele sorriu, e ele e Luigi se afastaram.
Não fui criada com nenhum dos meus pais, mas sei que não deveria aceitar drogas (sejam remédios ou não) de ninguém estranho. Mas não eram estranhos. Estávamos juntos nessa.
Logo que o remédio começou a fazer efeito, o enjôo passou, mas senti muito sono. Acho que só pisquei por um momento e adormeci.
Se eu sonhei? Claro que sim.
No inicio, eu estava no escuro. Até que eu vi uma silhueta de um garoto se aproximando devagar. A medida que ele se aproximava, pude ver Gabriel.
– Isso, é o que o nosso pai, escondeu de você durante todo esse tempo. — Não estava entendendo o que ele dizia.
– O que você quer?
– Quero mostrar para você que seu passado é uma mentira. Você se lembra de algo da sua mãe, sem ser a lembrança da morte dela?- Aquilo me acertou como um soco de um lutador de boxe no meio do estômago.- Não. Sabe porque não? Irei lhe mostrar o porque.
Ele balançou a mão, e a imagem moldulou para minha antiga casa. Tudo era exatamente igual, como a 10 anos atrás.
Eu vi minha mãe parada na porta, discutindo com um homem estranho.
– Eu não vou sair daqui, eu já disse! Não vou levar ela para lá! Apesar de ela não ser alguém comum, vai ter uma vida normal. Me certificarei disso. — Mamãe estava argumentando com um homem alto, de cabelos e olhos negros, com a expressão triste se destacando na pele pálida.
– Alexandra, por favor. Não cometa os mesmos erros que Maria. — Ele pega na mão dela, e a expressão de minha mãe se suaviza. Uma garotinha alegre desce as escadas e se esconde atrás da mãe. Sorri para o estranho, que sorri de volta.
Era eu. Não me lembrava daquilo. Era… Tão confuso. Tão pequena.
– Mamãe? — Puxei a manga do casaco da minha mãe e apontei para o homem. — Quem ele é?
– Ele… — Mamãe parecia não saber o que dizer.
– Sou seu pai, Coraline. — O homem se ajoelha e olha para mim. Segura minha mãozinha, e eu não pude deixar de olhar para a mesma mão a qual ele tocou há anos.
– Você é meu papai? — Ele acena com a cabeça, e deixa um colarzinho de caveira em minha mão.
– É um presente? — Ele concordou de novo. — Obrigada papai!- Me aproximei e o abracei, com um sorriso largo e inocente no rosto.
Estava paralisada. Aquilo… Realmente existiu? E eu nunca me lembrei de nada? Meus pensamentos a mil por hora fizeram minha cabeça doer.
– Alexandra. — Ela o fitou, com lágrimas prestes a desabrocharem. — Pense nisso. Pense nela. Venha, por favor. — Ele estende a mão, e toca seu rosto, mas ela o afasta com um gesto.
– Não. Já disse. Não deixarei que nada aconteça com ela, vamos ficar bem. Vá embora. Por favor. — Mesmo chorando, a determinação prevalecia. Ela cumpriu o que prometeu, durante um longo tempo, e sou eternamente grata.
– Se cuide, Alex. — O homem sorriu, e se voltou para mim. — Seja uma boa menina Coraline. — Eu sorri, concordando, mostrando um sorriso sem alguns dentinhos. Ele afagou meu cabelo, fez um cumprimento com a cabeça para minha mãe e saiu.
– Sua cabeça deve estar girando. Não é? — Gabriel sorriu. Um sorriso nada amistoso. — Claro que está, pois essa memória estava guardada a sete chaves na sua mente. Nosso querido pai fez isso, mas ele não imaginava que eu encontraria as chaves debaixo do tapete da sala de estar. Vou adiantar um pouco, pois o que se passa agora não é tão interessante…
Ele balança a mão e o tempo se adianta com seu gesto. Parecia que havia se passado alguns meses, desde a aparição repentina de Hades.
– Own. Olha só essa! É bonitinho ver você brincando na terra. — Gabriel deu um riso seco, com desprezo. Queria chutar a cara dele, mas era impossível.
Mamãe estava em alerta, como se pressentisse algo, como se alguma coisa fosse pular de um canto e agarrá-la.
– Coraline. — Ela se levantou, e agarrou minha mão, me puxando dali. — Querida, venha, vamos pra casa.
Ela estava apressada para chegar em casa, e eu mal conseguia acompanhar o ritmo dos passos longos dela. Ao perceber, ela me pegou no colo e continuou a correr.
Pude ver que havia algo atrás de nós. Algo nos perseguindo. Chegamos em casa, ela trancou a porta, desesperada. Embora talvez não fosse adiantar muito.
– Cora. Suba. — Ela ficou com a orelha atrás da porta, alarmada.
– Mas mãe... — Imagino o que eu deveria estar sentindo nessa hora.
– CORALINE, SUBA AGORA! — Ela gritou, me fazendo subir as escadas em pânico.
Minha cabeça doía, e a sensação não passava. Eu simplesmente não conseguia acordar, mas que droga!
– Deve estar se perguntando o por que de não conseguir acordar. Pelo simples fato de que eu não vou deixar você sair até que você veja aquilo que deve ser visto — Ele acenou com a cabeça. Não queria olhar, mas a curiosidade falou mil vezes mais alto.
Um raio atingiu a porta, e pude ouvir meu grito ao longe, enquanto via minha mãe sendo lançada do outro lado da sala.
– Sua mãe morreu para te proteger! — Ele riu, uma risada psicopata. Algo que quase me fez gelar. — Sabe o que é mais irônico? Alexandra vem do grego, e significa proteger, e ela morre tentando te proteger. — Ele ri alto, e dei um soco na cara dele. Foi tão forte, que eu realmente espero que tenha afetado a realidade dele. Ele se levantou, limpou o sangue do nariz, sorriu e disse. — Acho que agora é a hora de você acordar.
Ele balança a mão novamente, a imagem treme e eu acordo. Minha cabeça estava dando nós e mais nós.
– Hey Little Shadow. Você está bem? — Que conveniente. Isadora aparece do meu lado.
– Foi tudo culpa… — Se controla Coraline. Você não está em terra para isso.
– O que foi que eu "fiz" agora?
– SEU PAI MATOU MINHA MÃE! — Pulo de cima do hipocampo, empurro ela na água e nós duas caímos no mar. Tinha esquecido do pequeno fato de que eu não sabia nadar.
Samuel criou uma bolha, e nos colocou de volta nos hipocampos. Berrou para pararmos com aquilo, pois era idiotice, e se adiantou a ponto de ficar conversando com Luigi.
– Ô SUA RETARDADA! — Isa grita, cuspindo a água salgada que engoliu. — Tu é burra mulher?! — Acabo tossindo também, e tinha a leve sensação de que um peixe havia entrado dentro da minha boca quando caímos.
– Seu pai. Matou a minha mãe. — Falo com dificuldade, ainda sentindo o sal da água na garganta. — Eu tive uma vida miserável por causa dele. — Isa não disse nada, ficou apenas fitando o nada. Quando finalmente voltou a falar, sua voz se reduziu para um sussurro.
– E seu pai matou minha irmã. — Ela voltou a olhar para mim. — Quando o carro foi embora, vi uma caveira estampada na parte de trás. — Ela só pode estar de brincadeira com a minha cara. Meu pai jamais faria uma coisa dessas.
– Você tem provas?
– Escuta, um carro com a caveira e o elmo de Hades já não é uma prova perfeita? Pensa bem. Talvez não devêssemos ter nascido. Meu pai escondeu a mim e a minha irmã, e quando descobriu sobre você, fica irado. Mata a sua mãe. Hades fica desolado, e descobre sobre mim e Laura. Tenta matar a nós duas, mas só consegue matar minha irmã.
“Deveria ter matado as duas… Droga, no que eu estou pensando, afinal de contas?”
– Eu nunca vou perdoar seu pai por isso. — Disse, a olhando fixamente, com a raiva escapando pela voz.
– Idem, Little Shadow. — Respondeu ela, com a mesma seriedade. — Olha… Entendo perfeitamente que esteja brava. Mas não devia ser com nossos pais? Tanto por não nos contarem, tanto por terem causado isso, mesmo que por acidente? Se for parar pra pensar, sofri tanto quanto você. Laura era quase idêntica a mim. Perdi alguém que sempre esteve do meu lado, em qualquer lugar em qualquer hora. Dormíamos no mesmo quarto, gostávamos da mesmas coisas, víamos TV juntas. Sei que é difícil perder alguém. Mas, pensa um pouco antes de descontar em alguém que também foi vítima. — Ela fez uma pausa, e suspirou. — Eu acordava. E ela não estava mais na cama ao lado. Fazíamos tudo juntas, mas depois… Simplesmente não era a mesma coisa. Então Coraline, antes de julgar uma pessoa, pense se ela sentiu mais dor do que você. — Fiquei sem resposta. Ela tocou o hipocampo para frente, e se afastou, me deixando sozinha.
Fale com o autor