Notas iniciais
Oi galera :3 Capítulo da Michele para vocês Espero que gostem. Até lá em baixo

POV Mi

Fora o ataque da Hidra, a quase morte certa de Cora, o balanço enjoativo dos hipocampos e o caldo que ela e a Isa levaram, tudo foi absurdamente calmo.
Até os pesadelos resolveram finalmente me deixar dormir em paz nas ultimas noites.

Chegamos a costa da Itália depois de algumas horas. A viagem foi estranhamente calma. Estávamos indo combater as forças do mal, uma coisa tão forte que poderia destruir todo o nosso mundo. Parece até historinha pra criança dormir.

Já havíamos andando havia horas. Pegamos uma carona no fundo de uma camionete estacionada perto de uma empresa, fechamos a lona sobre nós e fomos pegos de surpresa quando encontramos algumas caixas de uva ali dentro.

O motorista passou por um buraco enquanto dirigia, fazendo com que alguém batesse a cabeça em algum lugar e desse um grito.

O homem parou a camionete no acostamento, saiu do veículo e levantou a lona. Tinha uns 62 anos, o rosto enrugado e pouco manchado por causa do sol. Barba rasa, cabelo branco, olhos levemente azuis e cheirava a uva e vinho. Acho que era im agricultor ou algo do gênero

– Mio Dio. Cosa stai facendo qu??(Meu Deus. O que fazem aqui?

–Oh oh. Gente, acho que fomos descobertos. — Disse Samu.

– Ava. Descobriu isso sozinho? — Retrucou Isa. — Alguém sabe falar italiano? Ou um pouco, ao menos.

– Eu sei um pouco. — Respondi. — Muito pouco.

– Consegue traduzir, Mih?

– Acho que ele perguntou o que estamos fazendo aqui. Noi cavalchiamo. — (Estamos de passeio). Ele olhou para todos nós, como se estivesse nos examinando.

– Vieni a casa mia, sì?I bambini non possono camminare da solo là fuori. — (Venham a minha casa, sim? Crianças não podem ficar andando sozinhas por ai.

–Ele perguntou se queremos ir a casa dele, que não podemos ficar andando sozinhos por ai.

–Hahaha. Se ele soubesse que atravessamos o Oceno Atlântico. — Respondeu Cora.

–É, mas ele não vai saber, Cora. Eu acho que vai ser bom descansarmos um pouco. Eu aceito ir, meus pés doem. — Disse Bella.

–Apprezziamo la gentilezza, ci piacerebbe andare a casa sua. — (Agradecemos a gentileza, adorariamos ir até sua casa). — Respondi ao senhor.

Eu realmente espero ter falado o que eu queria. Não gostaria nem um pouco se ele ligasse pra polícia ou algo do gênero.

Depois de mais uns dez minutos dentro da traseira da camionete, chegamos perto de uma fazenda. De longe era possível sentir o cheiro de uva, suco e vinho.
Paramos na frente de uma casa simples, com pintura branca e verde. Ao fundo tinha um armazém, do lado direito havia vários vinhedos. Do esquerdo, um pasto bastante extenso com no mínimo 25 cabeças de vacas, a maioria marrom.

O simpático velhinho entrou pela porta dos fundos e foi conversar com a esposa. Fez sinal para que entrássemos depois de alguns minutos, e adentramos na sala de estar.

Nos sentamos nos dois sofás e ficamos observando e explorando algumas coisas. Retratos antigos, quadros, móveis. Tinha até uma coleção de moedas dentro de uma estante de vidro fosco.

Tudo era bastante simples, tanto dentro quanto fora, mas de certa forma, era aconchegante. Depois de um longo tempo, o casal de idosos voltaram da cozinha. A moça nos serviu chá de camomila com bolinhos de mirtilo recém-assados. A senhora tinha cabelos grisalhos presos em um coque no topo da cabeça, pele pálida e algumas rugas no canto dos olhos cor de âmbar.

– Olá crianças. — Isa engasgou com o bolinho de susto. Assim que se recuperou, fingiu que nada havia acontecido. — Quais são os seus nomes?

– A senhora sabe falar nossa língua? — Indaguei, entre um gole do chá.

– Sim querida. Eu imigrei da Inglaterra para a Itália, quando jovem. Construí uma família e fiquei por aqui.

– Sou Luigi. — Ele deu um sorriso simpático.

– Samuel. — Levantou a mão para sinalizar.
– Isabella. Ou Bella, eu também aceito.

– Isadora. — Isa sorriu, deu mais uma mordida no bolinho. — Caraca, esse bolinho é bom. — A senhora sorriu.

– Coraline.

– E eu sou Michele. — Respondi, baixinho.

– Meu nome é Emma, e este é meu marido, Geovanne. — O velho que nos deu carona sorriu. — De onde vocês são? — Emma repousou a bandeja de bolinhos cm chá na mesinha de centro. — E o que fazem por aqui? Ela não é visitada com tanta frequência por turistas. Não é tão interessante como a zona urbana, eu admito. Mas se você souber como olhar, você poderá ver a beleza do mundo.

– Somos dos Estados Unidos. — Disse Luigi, tão rápido e sem preocupação que não deu tempo nem de interromper.

– Estados Unidos? — Emma sorriu. — Estão um tanto longe de casa.

– É que... Estamos em uma excursão da escola, pelos países da Europa. Mas perdemos o ônibus. — Isa olhou de relance para Luigi, que ficou fitando a sua xícara com uma curiosidade repentina. — Mas vamos voltar a nos encontrar em uma cidade aqui perto, já ligamos para os professores.

Assim como eu fiz, Emma constantemente traduzia o que dizíamos para seu marido. Durante alguns minutos, ficaram conversando em italiano. Não consegui traduzir pela rapidez com que falavam, o que me deixou um pouco nervosa.

– Meu marido se ofereceu para levá-los até lá. Se esperarem um pouco, estávamos indo visitar nos filhos. E creio que não seria sacrifício nenhum vocês irem de carona, o que acham?

– Isa, uma carona até alguma outra cidade não seria uma má idéia. — Disse sussurrando. — O que vocês acham? — Todos assentiram.

– Isa, sua gênia. Agora me diz: qual cidade vamos pedir pra ele nos levar? — Sussurrou Cora.

– Ei, eu não tenho que pensar em tudo.

– Isa, calma. Podemos dizer que a cidade é no litoral e que o professor pediu para nos esperar lá.

– Não sei não. — Cora fez uma cara de desgosto. — Parece ser uma má idéia.

– E você tem uma melhor? — Retrucou Isa. Cora ficou em silêncio. — Imaginei.
Me virei para Emma e Geovanne, que sorriam.

– Aceitamos a carona, obrigada. O professor não nos disse o nome da cidade, apenas que é no litoral.
O casal de senhores conversou por mais um tempo.

– Podemos levá-los, não tem problema.
Depois de mais ou menos uma hora, estávamos subindo na camionete novamente. Emma havia assado mais uma fornada de bolinhos para a viagem, e colocou água em uma garrafa térmica pra gente. Geovanne trouxe duas malas arrumadas, e verificou o carro.

Todos estavam conversando entre si, menos eu. Estava sozinha, embaixo de uma árvore pensando em como acabaríamos com Biel.

A buzina do veículo me acordou do devaneio. Ajeitei a mochila nas costas e corri para me juntar a todos.

Fiquei isolada na maior parte do caminho, absorta nos meus pensamentos no fundo da camionete. Sabia que precisávamos de um plano, uma estratégia. Precisava pensar como minha mãe pensaria.

Tenho certeza que a essa altura um dos meus irmãos ou irmãs já teriam um plano infalível e a prova de falhas em mente.

– Vamos precisar atravessar o mar de novo. — Disse Isa, enquanto pegou uma uva em uma caixa. A rodou por entre os dedos e a comeu. Cora fez uma careta quando ela mencionou "mar". — Podem chamar mais hipocampos ou eles foram o presente de aniversário de vocês?

– Podemos tentar. — Disse Samu, dando de ombros.

– Tivemos sorte em encontrar esse casal. — Disse Luigi. — Vamos chegar no litoral de novo e já estaremos na Grécia. — Luigi tirou uma gaita do bolso e começou a tocar.

– Grécia. — Isa repetiu baixinho, com os olhos brilhando, mal conseguindo conter um sorriso.

Conhecer a Grécia seria realmente fantástico. Infelizmente, o motivo de conhece-la não era uma das melhores. A cidade de Atenas deve ser incrível.

– Falem baixo. Quer que nos escutem? — Cora interrompeu. As vezes eu conseguia imaginá-la como uma velha ranzinza que cuida de dez gatos em casa, e que mata a alegria apenas de estar presente. — Temos dois mortais ali dentro. Não quero explicar porque estamos indo pro outro lado do mundo.

– Cora ninguém está gritando. Se eles tivessem ouvido alguma coisa que não deveriam, já teriam começado a agir estranho. — Isa retrucou. Acho que ela era a única que conseguia fazer Cora se calar. Isso quando ela não tinha uma resposta melhor em mente.

Por alguns minutos, o único som que conseguíamos ouvir, era o do vento acima da lona e a música da gaita do Luigi.

Quatro longas e cansativas horas de estrada em um sol escaldante foram necessárias para chegarmos ao litoral.

Emma e Geovanne se despediram de nós assim que chegamos, e disseram que era um prazer nos ajudar. Nos desejou boa sorte e saíram.

Já estava muito tarde para atravessarmos o mar e resolvemos acampar na praia.

Eu e as meninas procurávamos gravetos soltos por aí para fazermos uma fogueira, enquanto os meninos montavam a barraca.

Acendemos o fogo. Era noite de lua cheia. Até nos sentimos inspirados o suficiente para cantarmos algumas músicas.

Depois de um tempo, me deitei para dormir, mas não consegui. Fiquei imaginando planos e táticas para conseguirmos derrotar Urano e Gabriel.

Meus pensamentos vaguearam, e me peguei pensando em meu pai. Fechei os olhos novamente e acabei adormecendo.

Meu pai e eu caminhávamos na praia, com as calças jeans dobradas até o joelho, com as ondas frias do mar molhando nossos pés.

Notas finais
Curtam, compartilhem, recomendem, acompanhem Próximo capítulo saí daqui alguns dias, fiquem atentos