Notas iniciais
Hi galerinha! Esqueci de dizer que tivemos problemas tecnicos e por isso n tivemos o capitulo da Bella. Enfim, espero que gostem. - LT

POV Isa

Um plano era de tudo que mais precisávamos.

O sonho da minha vida havia se realizado. O mundo grego e romano existia. Eu estava na Grécia. Mas de modo algum aquilo era bom.

Havia se tornado perigoso. Arriscado você virar uma esquina. Desde o surgimento daquele garoto com os telquines, eu tinha a todo momento a sensação de que tinhamos que correr.

Mi estava sempre calada, as vezes, tão absorta nos pensamentos quanto eu. Bella e Samu não conseguiram chamar os hipocampos novamente, mas deram um jeito de passarmos pela água sem nos molharmos.

Assim que chegamos a praia, tivemos que nos esconder por entre rochedos por causa de alguns turistas que estavam tomando sol.

Voltamos a caminhar. O clima estava agradável, com uma brisa ou outra soprando como se não quisesse nada.

Andei um pouco mais lentamente, ficando para trás do grupo, ao lado de Michele. Ela não me notou, fitando o chão, desligada da realidade. Estalei o dedo e ela piscou.

– Bem vinda de volta ao mundo corujinha.

– Ah, oi. — Mi sorriu, meio tímida.

– Pensando em um plano. — Ela se virou para mim, confusa. — Acertei?

– Sim... Como?

– Aprendi a ler a expressão das pessoas. Meus pais nunca conseguiram esconder uma mentira de mim depois disso.

– Entendi. Sim, tenho um plano. Mas não sei se vai dar certo.

– Pois bem, prossiga. Já joguei videogames o bastante para saber se algo vai dar certo ou não.

– O plano é o seguinte: assim que descobrirmos onde Biel está, entraremos no esconderijo escondidos. Descobrimos o plano dele, causamos uma distração e o atacamos. O que acha?

– Parece um plano padrão estilo 31.

– 31?

– Estilo Mocinho de Filme.

– Ah. Alguma sugestão?

– Sim. Pense em todas as possibilidades possíveis. E... Melhor anotar tudo.

– Obrigada. — Mi sorriu e se afastou.

Por um instante, cheguei a sentir falta dos meus fones de ouvido, mas sabia que seria idiotice.

Nada contra ao Luigi por ter chamado aquele gigante, foi um acidente e tal, mas mesmo assim.

Não tinha as músicas, mas tinha as letras. Comecei a murmurar as canções, e algumas vezes, até mesmo a fazer um coro de fundo.

Passei a olhar em volta. Estávamos em uma pequena cidadezinha razoavelmente distante do litoral, umas duas horas e meia de viagem.

As ruas eram de pedra, e não de asfalto. Várias casas ainda tinham o estilo antigo, mas algumas eram bastante modernas.

Horas de caminhada depois, saímos da cidade, indo parar na rodovia principal.

– Precisamos achar um jeito de andarmos mais rápido. — Resmunguei para mim mesma — Sabe papai, você podia ajudar um pouco não? — Olhei para as nuvens. Brancas, fofinhas e serenas, como algodão doce, mas sem resposta. — Obrigada.

Certo. Talvez eu estivesse pedindo demais, mas Poseidon ajudou os seus filhos. E eu merecia um pingo de consideração.

Um relincho atrás de mim me fez virar. Um cavalo branco olhava para mim, com os olhos fixos. Abaixou a cabeça e bateu o casco no chão. Balançou o dorso, que farfalhou. O cavalo empinou, e abriu asas.

Era um pégaso. Mas não um qualquer. Suas asas brilhavam multi coloridas na luz do sol, e acho que sabia quem era.

– Aurora? — Disse. A égua relinchou para mim e deu alguns passos para o lado. — Gente! Temos companhia!

Atrás de Aurora, outros cinco pégasos estavam formando uma fila, lado a lado. Uma negra que Cora reconheceu como Darkar. Bella escolheu um branco com manchas marrons. Samu escolheu um caramelo com crina e cauda preta.
Luigi ficou com um marrom escuro, e Mi escolheu uma égua cinza e preta. Cada um montou naquele que mais lhe agradou, e em segundos estavam no céu.
“Acho que é justo eu retirar o que eu disse. Obrigada papai. Em troca, eu salvo o mundo. Justo não?”

Os pégasos voavam calmamente, causando uma leve brisa. Mas, se olhasse para baixo, estávamos em uma velocidade incrivelmente alta.

Tudo passava em um borrão. Casas, fazendas, cidades, plantações, animais. Aurora voava normalmente, como se nunca tivesse machucado a asa a pouco tempo. Fiz um carinho, e ela sacudiu o pescoço, contente.

Tive uma sensação de formigamento na nuca e olhei em volta. Não havia nada nos rondando.
Na minha visão periférica, vi um vulto voar por entre duas nuvens, a minha direita, se escondendo. Outro borrão passou na minha esquerda.

Ouvi alguém gritar "Águias gigantes!", logo em seguida, uma delas partia como um raio para cima de mim. Fiz Aurora dar uma guinada para a esquerda, e a ave passou direto.

“Isso não faz sentido algum! Águias são o símbolo de Zeus, por que estariam nos atacando?!”

– CORRAM! — Berrei. — OU MELHOR, VOEM EM ZIGUE-ZAGUE!

Ninguém fez objeção alguma, simplesmente prosseguimos caminho até onde podíamos sem as águias tentarem cravar as garras em nós.

Cora conseguiu colocar o pégaso em "modo automático" e algumas vezes conseguiu acertar o peito de algumas delas, mas outra substituia seu lugar.

Seguimos exemplo e procuramos sempre acertar as águias quando tinhamos chance. Mal adiantava, eram rápidas demais.

Um lampejo repentino fez minha mente trabalhar. Guiei Aurora para baixo, fazendo com que caíssemos em queda livre, algumas águias haviam me seguido, achando ter conseguido uma presa mais fácil.

No último instante, fiz com que voltássemos para cima, fazendo duas das três águias baterem de cara nas árvores. A terceira conseguiu desviar e continuou a perseguição.

Desviava das árvores o quanto podia, as vezes com alguns "por um triz". Até que a ave cometeu um erro e demorou demais para desviar de um galho.
Voltei Aurora para cima, mas quando cheguei lá algumas águias caiam inertes em queda, enquanto uma ou outra fugia.

– Estava tranquilo demais pra ser verdade. — Samu enxugou o suor da testa, forçando uma risada. — Todo mundo bem?
Todos assentiram. Estávamos apenas com alguns arranhões e molhados de suor.

– Vamos. — Disse Bella.

Apressamos os pégasos até onde podíamos, tentando não os cansar. Eles pousaram na metade do país, nos deixando numa estrada de terra ao pôr-do-sol.
Abracei o pescoço de Aurora assim que desmontei, e sussurrei para que ela transmitisse o meu obrigado ao meu pai.

Continuamos o resto da viagem a pé. Voltei a murmurar minhas músicas. Estava em Warriors quando Coraline se aproximou de mim, discretamente. Embora, perceptível para mim.

– Meu dia está indo maravilhosamente bem. Exceto pelas águias, claro. — Disse, baixo o suficiente para que só ela ouvisse. — Se for falar comigo, tente não estragá-lo. — Cora não respondeu. Continuei olhando para frente. — E eu estou feliz mesmo com o mundo acabando pois aprendi a tirar o melhor proveito das coisas. — Olhei para ela. Ainda fitava algum ponto a sua frente.

– Do que adianta? — Ela disse, por fim. — O meu melhor dia é estragar o seu.

– Você sabe que não precisa ser assim. — Voltei a olhar para a estrada. — Termos pais rivais não significa que as filhas também devem ser.

– Não me importo. Algo me diz que devo te perturbar até depois da sua morte.

– Isso se você não morrer primeiro. — Ficamos em silêncio. — Estou a fim de resolver esse assunto quando isto — Gesticulei em volta. — Acabar. E você?

– Vamos. — Senti seu sorriso sarcástico sem nem precisar olhar.

– Isso vai ser muuuuuito divertido. — Respondi, em tom monótono. — Só. Que. Não. Correremos o risco de sermos mortas pelos nossos próprios pais, mas fora isso vai ser legal. Ou não.
Cora riu.

– Sabe por que eu não gosto daqui da Grécia?

– Não vou gostar da resposta, mas prossiga.

– Por dois motivos. 1º: Porque você gosta daqui. 2º: Aqui não tem tantos templos pro meu pai. O povo grego não gostava muito dele. Não acho justo.

– A única certeza que temos é que vamos morrer. De um jeito ou de outro. Você não pode culpa-los.

– Não é justo. — Cora chutou uma pedra. — Hades merece um reconhecimento.

– Ah qual é. Não é de tão ruim. Se você chegar a visita-lo, poderá ouvir a "música" — Fiz aspas com os dedos para enfatizar -das lamentações dos condenados. Queria mandar algumas pessoas pra lá.

– Eu também. — Ela me encarou, e sorriu. — No entanto, tenho pena mas com certeza mandarei um para lá. E essa pessoa vai sofrer tanto, mais tanto. — Cora cerrou os punhos de raiva.

– Gabriel.

– Não. Um pior.

– Eu? — Ergui as sobrancelhas e me fingi de surpresa.

– Se eu quisesse já tinha te matado! — Cora riu. Se ela tivesse me matado, provavelmente causaria uma "treta" maligna no Olimpo.

– Seria... Algum tio ou tia que você odeia? Como aquele tio sem graça que sempre pergunta no dia de natal "é pa-vê ou pa-comer?" Ou aquela tia que vive dizendo "e os namoradinhos"?

– Quem me dera se meu tio fosse assim. — Cora suspirou. — Sim, um dos meus tios. Mas não é seu pai.

– Imaginei. Seria impossível alguém matar meu pai.

– Sim. Mas não quero uma guerra. Não agora.

– Falou tarde. Certo, continue.

– Quando eu o encontrar novamente, eu vou matá-lo lentamente. E depois de matá-lo vou torturar sua alma lá embaixo. Ir cortando seus membros. — O tom de Cora se tornou sombrio. Ela daria uma ótima serial killer em Criminal Minds. — Ver o sangue escorrer da faca. Ouvir seus gritos de pura agonia.

– Certo. — Dei dois passos de distância para a esquerda, abrindo um pouco de distância. — Mudando de assunto. Você disse que quer me atormentar até depois de eu morrer. Posso fazer um pedido?

– Faça. — Cora deu de ombros.

– Quero morrer do mesmo jeito que você. — Cora hesitou por um instante. Sorri.

– Mas o que? — Não aguentei e gargalhei.

– Assim: é um bug cerebral que eu inventei. Eu quero morrer do mesmo jeito que você. Mas não sabemos como você vai morrer. Quando você morrer, vamos saber, mas aí a primeira a estar morta será você e não eu. — Ela pareceu compreender. — Sendo assim, não vai conseguir me atormentar até depois de eu morrer.

– Mas se eu te matar cortando seu pescoço, aí eu te matei. Depois eu morro do mesmo jeito, cumprindo a minha promessa.

– Talvez. Não tinha pensado nesse ponto.

– Posso morrer mais tarde ou pouco depois, mas estarei morrendo do mesmo modo.

– Sabe Little Shadow, quando você não está zoando da minha cara ou tentando me matar, até que você é legal.

– Engraçadinha. E por que Little Shadow?

– Pequena sombra. — Dei um tapinha nos ombros de Cora e me afastei. Voltei para minhas músicas.

Quando escureceu, estávamos em uma pequena cidade. Não parei para olhar o nome. Os meninos sugeriram um hotel. As garotas, ficarmos com a barraca mesmo. Fiquei dividida.

Por fim, elas ganharam. Armamos acampamento em baixo de um carvalho. Era tão alto que só conseguíamos ver a copa se nos afastássemos à uns 40 passos largos.

Nos sentamos em volta da fogueira e ficamos conversamos. Mi nos contou seu plano, dessa vez, melhorado. Fiz alguns comentários e sugeri uns acréscimos.

– Como sabe tanto sobre invadir um local sem ser visto? — Perguntou ela.

– Anos assistindo investigação criminal e passar horas jogando videogame com esses dois — Apontei para Luigi e Samu. Ambos riram. — Pode valer a pena. Ou pode ser um desperdício de tempo lamentável.

Comemos os bolinhos de mirtilo que Emma nos deu de presente, junto com o chá. Resolvemos ficar com a garrafa térmica, poderia vir a calhar.
Fomos para as barracas e dormimos.

Naquela noite, sonhei com ela. Mas não foi um sonho ruim. Estávamos no nosso quarto, construindo casinhas feitas de LEGO e comendo pipoca amanteigada.

Notas finais
Curtam. Compartilhem. Comentem. Recomendem. Mais alguma coisa com ente. Enfim, até a próxima :3 - Little Thunder