The Blind Side Of Love

3 Where The Wild Things Are.


Notas iniciais
Leitoras e niggas do meu coração, muitíssimo obrigada pelos comentários no capítulo anterior. É realmente incrível saber o que estão achando. Muito obrigada, de coração! :** Agora, sobre este capítulo: ele não está só gatíssimo, está delicioso também! Espero que gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever. Até as notas finais. :*

Minha primeira semana de aula na Columbia havia sido razoavelmente agradável, visto que as principais disciplinas do primeiro semestre não eram tão terríveis quanto eu imaginava. Mas claro que Anatomia era um caso à parte por inúmeros motivos, como, por exemplo, os diversos nomes do corpo humano que eu precisava gravar e ter na ponta da língua. Aparentemente, eu seria uma médica e essa era uma das minhas obrigações: gravar nomes extensos e complicados.

— Ei, Ali! — Alguém gritou o meu nome. — Que bom que eu a encontrei! Você se lembra daquela minha amiga que eu falei? Ela acabou de voltar de viagem e faz o mesmo curso que você, não é demais?

Erin Kinderman, a primeira garota com quem eu havia feito amizade no meu primeiro dia de aula, parecia querer saltitar enquanto tagarelava a respeito de sua melhor amiga. Precisei segurar a minha língua para não dizer que aquilo não me interessava. Considerei a hipótese de a tal garota ser uma perdedora, mas ela certamente não seria amiga de Erin se fosse esse o caso.

— Claro. — Consegui dizer ao invés, sorrindo forçadamente enquanto me deixava ser arrastada pelo campus da Columbia até o pátio principal. — Em qual semestre ela está mesmo? — Perguntei, sem muito interesse, ajeitando meu cabelo brilhante e ondulado nas pontas com delicadeza.

— Ah, ela cursa o terceiro semestre. — Erin deu de ombros, checando sua maquiagem no espelhinho que sempre carregava. — E manda muito bem em Anatomia, aliás. Talvez ela possa ajudar você, caso esteja tendo problemas...

Enquanto Erin falava, olhei para o lado e vi que Emily estava sentada num dos bancos perto do gramado, com a atenção voltada ao livro aberto em seu colo. Ela estava determinada a dominar as disciplinas em que estava tendo dificuldades, o que me deixava extremamente feliz, ao mesmo tempo em que também me provocava a consciência de que eu provavelmente deveria fazer o mesmo.

— Aí está ela! — Ouvi a voz de Erin sibilar, enquanto a minha atenção voltava ao foco principal daquele momento.

Em nossa direção vinha uma garota alta e de corpo esbelto. Os cabelos eram visivelmente negros e ondulados, além de impecavelmente brilhantes e sedosos. Ela usava uma tiara no cabelo, o que eu achei bem adequado para sua aparência delicada e naturalmente requintada. Em um braço, a garota carregava algumas pastas e livros, enquanto, no outro, pendia uma bolsa Chanel.

— Agora eu estou interessada. — Sussurrei para mim mesma, embasbacada com o que meus olhos viam. Ela não era mesmo uma perdedora.

— Bree! — Erin gritou ao pular em cima da garota, abraçando-a com força e verdadeira empolgação. — Meu Deus, que saudade! Como foi de viagem? Liam me disse que quase chegaram aos finalmente...

— Erin! — Repreendeu antes que ela pudesse concluir a frase, mas já era tarde demais, o que a fez corar violentamente. — Não precisa anunciar para a universidade inteira, está bem? — Após se recompor do abraço apertado e da indelicadeza de Erin, ela se voltou para mim com uma expressão amena.

— Bree, esta é Alison DiLaurentis. — Erin disse rapidamente, interligando nossos braços com certo orgulho. — Eu a conheci semana passada. Fiquei encantada depois de vê-la dispensar Zach. — Mais uma vez, ela falava alto, fazendo alguns alunos que circulavam por perto nos olharem com curiosidade.

Encarei-a com o cenho franzido, perguntando-me o que aquilo tinha de tão extraordinário. Estava na cara que aquele garoto era um completo imbecil, o que não mudaria muito o meu repúdio se ele fosse a melhor pessoa do mundo, já que eu não estava interessada em ninguém que não fosse Emily.

No entanto, não podia deixar de me divertir toda vez que eu me lembrava da expressão de incredulidade que ele havia feito quando o esnobei sem cerimônias depois do término da minha aula de Histologia. Era o meu segundo dia na universidade e eu ainda estava me adequando às aulas quando esse tal de Zach me surpreendeu, tentando gracinhas de típicos idiotas e imaturos universitários. Não hesitei em mandá-lo cair fora ao me recordar da noite perfeita que tive com Emily na noite anterior, depois de um dia estressante.

— Muito prazer, Alison! — Bree se aproximou, cumprimentando-me com dois suaves beijos no rosto. — Eu sou Bree Bennett.

— Pode me chamar de Ali. — Avisei, ganhando mais interesse em Bree. Ela parecia ser realmente adorável, apesar de toda a elegância lhe emprestar um ar de altivez quase insuportável. — Então, qual é o problema com Zach? — Perguntei para as duas, sorrindo debochadamente ao pronunciar o nome daquele cretino.

— Você não sabe? — Erin parecia espantada. — Ele é filho do prefeito de Nova Iorque e tem uma bunda perfeita! — Riu sadicamente antes de prosseguir. — Além disso, as festas dele são as melhores, não é, Bree?

— Definitivamente! — Concordou com grande ênfase. — Mas já aviso que ele não vale nada, então continue a esnobá-lo. — Erin assentiu solenemente quando Bree a fitou em busca de apoio.

— Não se preocupem, não estou mesmo interessada. — Dei de ombros, olhando para o lugar em que Emily esteve sentada alguns minutos atrás. A aula em laboratório que ela teria já deveria ter começado.

— Você já tem alguém? — Bree se animou, tocando meu braço com ansiedade, e eu assenti. — Bem-vinda ao clube! — Ela abriu os braços, abraçando-me rapidamente antes de voltar a me olhar. — Eu também tenho. Liam é um dos amigos de Zach, mas não é idiota igual a ele, não é, Erin?

— Bem, eu tenho que dar algum crédito a esse pobre rapaz. — Erin disse num tom deprimente. — Quase dois anos de namoro e ele ainda não conseguiu nada com você. Eu no lugar dele já teria te largado!

Encarei Bree por um momento, analisando-a com os olhos cerrados e um sorriso astuto decorando meu rosto. Agora eu compreendia muito bem a natureza daquela aura diferente que a adornava de forma tão genuína e encantadora. Ela ainda era virgem e por isso tanta delicadeza em suas maneiras.

— Esse é um critério meu, que você nunca vai entender. — Rebateu, sem parecer realmente afetada com o comentário de Erin. — Eu não tenho pressa em perder algo tão precioso. — Concluiu com ligeira altivez e profundo orgulho, o que me deixou ainda mais curiosa ao seu respeito.

***

Depois de ter todas as aulas daquele dia, fui para casa me sentindo restaurada. Estava apreciando cada vez mais a amizade de Bree e Erin. Elas faziam exatamente o meu tipo e aquilo parecia funcionar de maneira perfeita; tínhamos quase os mesmos gostos para diversas coisas, como marcas de roupas e joalherias. Erin era obcecada pela Tiffany’s, enquanto Bree e eu possuíamos um amor terno, mas também imensurável pela Cartier, sem nos esquecermos da real importância da Tiffany’s, claro.

Assim que cheguei, Emily me recebeu com Eros no colo e um delicioso beijo nos lábios, conduzindo-me até a cozinha, onde ela preparava alguma coisa para comermos no jantar. Seu humor parecia ainda melhor do que de costume, sorrindo para tudo o que eu dizia sem me questionar nada. Ela brincava incansavelmente com Eros conforme ele circulava entre suas pernas, roçando nela enquanto miava agudamente.

— Em, isso está com um cheiro ótimo! — Escorreguei da bancada e me coloquei atrás dela, envolvendo sua cintura enquanto depositava alguns beijos delicados em sua nuca.

Eu adorava observá-la cozinhar, principalmente quando ela estava vestindo short de pano curto e camisa folgada de botões. Suas pernas perfeitamente torneadas e desnudas eram a minha perdição; não conseguia manter meus olhos longe delas por mais de cinco segundos. Havia também a forma como ela prendia os cabelos num coque desajeitado, deixando à mostra a nuca que eu tanto gostava de beijar.

— Espero que o gosto esteja ótimo também. — Ela disse, mexendo o molho na panela e segurando a minha mão em seu quadril com a que estava livre.

— Está uma delícia... — Sussurrei com a voz rouca perto de seu ouvido, dando mordidinhas em seu lóbulo apenas para provocá-la. — Você é uma delícia!

— Eu quis dizer a comida. — Em riu, virando o rosto para me beijar brevemente, o que não me alegrou.

— É a mesma coisa para mim.

Afastei-me um pouco, sorrindo para o meu pensamento lógico e pervertido. Emily se virou, ficando de frente para mim, e me puxou contra o seu corpo. Suas duas mãos descansavam nos meus quadris, segurando-me com firmeza, enquanto seu olhar percorria cada traço de meu rosto. Ela adorava fazer isso, pois sempre me deixava sem saber o que fazer. Era um truque inteligente.

— Tire os seus saltos. — Ela pediu, fitando-me diretamente nos olhos.

Encarei-a com curiosidade, mas fiz o que ela disse; separei-me dela e, devagar, tirei meus sapatos e os empurrei de lado, ficando descalça naquele piso liso e frio.

— Gosto desta diferença entre nós duas. — Confessou, com um sorriso bobo moldando seus lábios.

Inclinei a cabeça para o lado, confusa, e então entendi que ela se referia à diferença de altura. Em era claramente um pouco mais alta do que eu, fato esse que ficava imperceptível quando eu usava salto, ou seja, quase sempre.

— Eu também gosto! — Deixei uma risada espontânea escapar, envolvendo seu pescoço com os braços e a puxando para mim. — Gosto de tudo que nos envolva diretamente. — Continuei, e Emily me abraçou pela cintura, beijando-me ternamente conforme me apertava contra seu corpo macio. Aquela garota definitivamente era o meu delírio!

— Sente-se aqui enquanto eu termino o nosso jantar. — Sussurrou contra a minha boca, beijando-me diversas vezes conforme me empurrava até a bancada. — Comporte-se, está bem? O assunto é sério aqui. — Ela sorriu, plantando um beijinho casto na ponta do meu nariz antes de voltar aos seus afazeres domésticos.

Com isso, encostei o meu cotovelo no balcão e descansei a minha cabeça sobre a palma da mão enquanto observava Emily terminar de preparar a comida sem outra qualquer interferência de minha parte. Conversamos sobre os acontecimentos do dia de cada uma e trocamos carícias conforme comíamos, terminando comigo lavando a louça.

No outro dia, tive que acordar cedo e correr para a universidade, resistindo arduamente ao ímpeto de acordar Emily para me despedir. Peguei o táxi que o porteiro Andy teve a gentileza de chamar para mim e cheguei faltando alguns minutos para a minha aula de Anatomia começar. No meu caminho para o prédio de Ciências Médicas, encontrei Bree conversando com uma garota alta numa das entradas para o bloco de Anatomia.

— Bree! — Chamei conforme me aproximava, estranhando não encontrar Erin junto dela.

— Ali! — Bree abriu um sorriso límpido assim que me viu. — Como vai?

— Muito bem, obrigada. — Assenti, olhando para a garota em minha frente, que me observava com o cenho franzido.

— Ela é a caloura que Erin vive falando ultimamente? — Quis saber, apontando para mim. Aquela garota, provavelmente, era a outra amiga de Erin e Bree, de quem elas tanto falaram ontem.

— Sim... — Bree começou, mas eu a interrompi.

— Olá, eu sou Alison. — Apresentei-me com um meio sorriso, notando seus olhos verdes me encarando com curiosidade.

— Natasha. — Ela estendeu a mão, que logo foi aceita por mim. — Erin me disse sobre você. — Contou, trocando um olhar divertido com Bree.

— Espero que coisas boas. — Retorqui, sorrindo contidamente, enquanto Bree e Natasha assentiram, rindo com brevidade.

— Ei, nós temos que ir agora. — Bree tocou o braço de Natasha e interligou o dela com o meu. — Vejo você mais tarde. — Despediu-se antes de se afastar e me levar junto.

— Vai me levar até a minha sala? — Perguntei quando percebi que ela caminhava em direção ao bloco de Anatomia A.

— Na verdade, eu tenho que entregar alguns relatórios para o Professor Evans. — Ela disse, mostrando uma pasta de cor vermelha em seu braço. — Eu sou monitora na disciplina dele.

— O que é isso? — Enruguei a testa, encarando-a com ligeira confusão.

— Muitos têm dificuldade em Anatomia e, como estou no terceiro semestre, ajudo os calouros a estudar para as provas e a compreender a disciplina.

— Por que você faz isso? — Perguntei, ainda sem entender. — Deve ocupar boa parte do seu tempo. Seu namorado não se opõe a isso?

— Não, ele geralmente se ocupa com Zach e seus amigos. Você sabe, fazendo coisas de garotos. — Respondeu simplesmente, dando uma leve risadinha. — Além disso, conta como atividade extracurricular e aperfeiçoa o meu conhecimento, tornando-me ainda melhor na disciplina. — Afirmou com certo contentamento, piscando para mim quando chegamos à porta da minha sala, onde o Professor Evans já se encontrava.

Despedi-me dela sem dizer mais nada e entrei na sala, procurando um lugar na fileira do meio pra me sentar. Bree conseguiu a atenção do professor por alguns minutos, gesticulando enquanto falava. Ela logo foi embora e o professor começou a explicar o que deveríamos fazer e, como cheguei um pouco atrasada, minha parceira me inteirou sobre o assunto discutido antes de eu entrar.

No fim das duas aulas de Anatomia, entreguei os relatórios ao professor e saí da sala com um pouco de pressa ao notar a silhueta de Emily do outro lado do corredor, esperando por mim com um meio sorriso no rosto. Ela estava ainda mais maravilhosa do que nunca, vestindo uma camisa branca de manga comprida, calça jeans escura e um par de botas na altura do joelho.

— Já sentiu saudades, Em? — Brinquei com o tom vaidoso e superficial assim que me aproximei o bastante dela, sustentando o peso do meu corpo com o lado esquerdo tão prepotente quanto pude.

— Não. — Emily sorriu preguiçosamente. — Eu só estava olhando as garotas bonitas passarem, já estou indo embora. — Ela fez menção de se virar, mas eu a segurei e a puxei de volta para mim.

— Você não se atreva, Emily Fields. — Pressionei meu dedo indicador contra o ombro dela, soando ameaçadora enquanto aproximava meu rosto do dela com as sobrancelhas arqueadas.

— Qual é o problema, amor? — Ela me fitou com curiosidade; com certeza estava rindo internamente por conseguir me desbancar. — Você parece um pouco... Abalada. — Observou, tocando meus braços enquanto se encostava à parede atrás dela.

— Não brinque comigo, Emily. — Avisei séria, afastando uma de suas mãos do meu braço. — Você só pode olhar para mim, entendeu?

Ela assentiu, exigindo aquele sorriso devoto e obediente que eu tanto amava. Em, então, me puxou para dentro da sala de laboratório, prensando-me contra a porta assim que a fechou. Não demorou muito e senti nossos lábios colidindo num beijo faminto e desesperado, quase agressivo. Suas mãos me apalpavam com propriedade, buscando o máximo de contato possível.

— O que você acha? — Afastei-me dela por um breve instante, apontando ao redor do laboratório com a respiração entrecortada. — Podemos? — Sussurrei, voltando a beijá-la devagar enquanto deslizava meus dedos até a barra de sua camisa.

Emily nada disse, apenas sorriu ansiosamente antes de começar a abrir os botões de minha camisa social sem nenhum cuidado. Seus lábios trilhavam um delicioso caminho por cada pedaço de pele exposta, fazendo-me arfar quando finalmente tirou minha camisa e a jogou de lado. Aquilo era tão sedutoramente perigoso que tornava tudo ainda mais excitante!

Com um movimento rápido, ela tomou meus lábios com os seus, ergueu-me do chão e me colocou em cima da bancada, sem descolar nossos corpos por um segundo. Meu centro pulsava violentamente com todo aquele calor humano que exalava de Emily, provocando um desejo ardente e quase pungente dentro de mim.

— Se formos pegas, estamos perdidas. — Ela murmurou com dificuldade, ajudando-me a livrá-la de sua camisa antes de voltarmos a nos beijarmos vorazmente.

— Não, não pense nisso. — Murmurei de volta. — Pense só em mim. Estamos perdidas juntas, uma na outra!

Escorreguei meus lábios até o ombro dela, mordendo e sugando a pele com força. Em puxou meu rosto, fazendo-me fitá-la nos olhos, enquanto suas mãos deslizavam pelas minhas coxas e arqueavam a barra da minha saia plissada até a cintura. Seus dedos repousaram no elástico de minha calcinha, arrastando-a devagar pelas minhas pernas até tirá-la completamente e depositá-la no canto da bancada, onde eu seguia sentada com Emily entre minhas pernas e ansiosíssima pelo contato mais íntimo...

Sem qualquer aviso prévio, ela me puxou pela cintura e me invadiu com dois dedos vigorosamente, beijando-me na boca logo em seguida para conter o gemido abafado e surpreso que ecoou de minha garganta. Seus movimentos eram precisos e rápidos, não querendo desperdiçar nenhum segundo com brincadeiras e provocações. Meu quadril balançava num ritmo descontrolado, numa busca incansável pelo prazer, entorpecendo-me os sentidos e se esvaindo através de cada poro.

Emily me beijava apaixonadamente, deslizando sua língua entre meus lábios eroticamente. As estocadas se tornaram tão bruscas e decisivas que o gemido rouco que ameaçava sair de minha boca se transformou em um grito agudo e abafado quando finalmente senti todo o meu corpo tremer violentamente. A sensação de completo deleite varria os vestígios de qualquer outra necessidade, preenchendo cada célula existente em meu corpo como se fosse obra da própria natureza. Emily e eu nos pertencíamos de tal jeito...

— Eu amo você, meu amor! — Sussurrei roucamente contra o pescoço dela, tentando recuperar o fôlego, enquanto Em tinha sua testa apoiada em meu ombro. — Promete não desejar ninguém que não seja a mim? — Ergui o olhar para poder encará-la, e ela fez o mesmo.

— Eu prometo! — Respondeu solenemente, inclinando-se para beijar minha testa e, então, a ponta do meu nariz, como sempre fazia. — Agora vamos sair daqui.

Emily recolheu nossas coisas e me ajudou a abotoar minha camisa, sorrindo distraída enquanto eu a observava. Saímos da sala só quando estávamos suficientemente bem apresentáveis, com a discrição de quem havia acabado de aprontar. Não era a primeira vez que fazíamos isso e, com certeza, não seria a última.

***

No fim do dia, após o término de minha aula de Embriologia, estávamos Erin, Bree e eu sentadas no gramado da Columbia, tomando frappuccino de baunilha, enquanto fofocávamos sobre todos da universidade. Natasha apareceu depois, sentando-se perto de Bree só para poder descansar sua cabeça no colo dela após alguns instantes.

— Erin, o que acha de redecorar o meu apartamento? — Bree ofereceu, brincando com algumas mechas do cabelo loiro avermelhado de Natasha.

— Sério? — Erin pareceu se animar, ajeitando-se sobre a toalha em que estávamos sentadas. — Bem, sorte sua que estive trabalhando num projeto com Zach. Estamos quase terminando e tenho certeza de que vai adorá-lo!

Quase havia me esquecido de que Erin cursa o terceiro semestre de Arquitetura junto de Zach. Aparentemente, todos eles eram amigos e Erin não omitia o fato de já ter tido uma queda por ele quando eram calouros, até perceber que o garoto não valia à pena. Prestei muita atenção em suas expressões faciais quando o nome dele vinha à tona, procurando qualquer indício de sentimento que ela ainda pudesse nutrir por ele, mas não havia nada. Erin parecia tão indiferente quanto Bree.

— O que você costuma fazer nos finais de semana, Ali? — Natasha abaixou o seu iPhone até o queixo, fitando-me com as íris verdes e profundas.

— Sair com as minhas melhores amigas. — Respondi simplesmente, encarando os botões de minha camisa com a doce lembrança de Emily os desabotoando flutuando em minha mente. — Por quê? — Ergui meu olhar, voltando a fitá-la.

— Normalmente, nós adoramos fazer festa do pijama na casa de Erin. — Começou incisiva, pausando rapidamente para olhar a tela de seu celular. — Mas, nesse final de semana, faremos no meu apartamento e, por isso, estou convidando você pessoalmente.

— Mande-me o endereço e estarei lá. — Sorri abertamente, passando os olhos ao redor apenas para encontrar quem eu não queria.

Bree e Erin já estavam se levantando para correr em direção as suas próximas aulas quando aquele mesmo garoto idiota se aproximou. Natasha se ergueu logo em seguida, despedindo-se de suas amigas e caminhando para fora do gramado com a bolsa Marc Jacobs pendendo em seu ombro.

— Boa sorte. — Erin sussurrou antes de partir, arrastando Bree junto dela. Revirei os olhos ao vê-las acenar para Zach assim que ele as viu.

— Alison! — Ele assobiou ao se jogar ao meu lado, deslizando a mão pelos seus cabelos negros e ondulados.

— O que você quer, Zachary? — Suspirei, encarando as minhas unhas com nítido desinteresse nele.

— Eu quero que você saia comigo. — Ele disse, soando tão calmo e óbvio que me fez rir maldosamente.

— Tudo bem, você realmente enlouqueceu. — Decidi, arrumando as minhas coisas e guardando os livros que menos pesavam na bolsa. — Você não pode estar falando sério... — Comentei entre risos.

— O quê? — Zach sibilou, mostrando confusão através de suas sobrancelhas enrugadas. — Eu sou muito observador e percebi que você faz o meu tipo.

— É claro que eu faço. — Concordei, como se fosse algo óbvio. — Eu faço o tipo de todo mundo! — Exclamei, e ele riu, abaixando a cabeça como se estivesse pensando em alguma coisa para me dizer.

— Vaidosa. — Sussurrou, proferindo a palavra devagar, como se estivesse apreciando o som em sua língua. Em seguida, ergueu o olhar para mim, sorrindo com uma prepotência conhecida. — Não aja como se eu também não fosse o seu tipo. Eu também faço o tipo de todas, é só você perguntar por aí.

— Bem, não estou inclusa nesse “todas”. — Debochei, perdendo a paciência com aquele estúpido narcisista. — Agora, vê se caí fora, perseguidor.

— Você percebe que somos um espelho, não é? — Ele me fitou com admiração, inclinando a cabeça levemente para o lado. — E, sabe, gosto do que vejo. — Pela primeira vez, Zach pareceu sincero, o que me fez cerrar os olhos em sua direção.

— Deixe-me ser clara sobre uma coisa. — Peguei meu celular e destravei a tela, encarando a foto em que Emily e eu estávamos nos beijando por um momento antes de virar o celular na direção do rosto de Zach para que ele pudesse ver.

— Você... — Ele começou, mas interrompeu-se quase de imediato. Esperei por alguns segundos, dando a ele uma rara oportunidade de fazer alguma piadinha, mas ele se limitou a sorrir.

— Eu não estou disponível, garanhão. — Retribuí seu sorriso curioso com um confiante e superior.

Em seguida, levantei-me do gramado devagar, tomando o cuidado ao ajeitar minha saia e não acabar mostrando demais o que tinha sob o tecido. Coloquei minha bolsa no ombro e, com um braço, apertei os livros e pastas que eu carregava contra o peito. Arrumei meu cabelo delicadamente e comecei a me afastar de Zach, desejando que ele não me seguisse enquanto eu me encaminhava para as minhas últimas duas aulas.

Notas finais
Tenho que começar dizendo que estou amando escrever essas duas na faculdade e preciso comentar brevemente que as coisas vão ficar intensas... Wait for it! E esses novos personagens? Bem, eles estão sendo a minha diversão! Mas, agora eu quero saber, o que vocês acharam? Me contem tudo e não me escondam nada! Espero estar suprindo as expectativas de vocês, porque já tenho a história toda planejada, só falta ser escrita. Por isso, compartilhem comigo suas opiniões; são sempre muito bem-vindas e importantes. Enfim, espero vê-los no próximo capítulo, então até mais! :***