The Blind Side Of Love
4 Fear Is The Heart Of Love.
Notas iniciais
Era sexta-feira de manhã e as ruas de Manhattan estavam um pouco caóticas por conta de um festival de música que estava tendo na quinta avenida, o que parecia ser bem comum por aqui. Ali tamborilava as unhas com impaciência na tela de seu celular enquanto esperávamos o sinal ficar verde, vez ou outra encostando a cabeça no vidro do carro. Ela parecia tão aérea e ansiosa que meu primeiro instinto foi tocar seu joelho suavemente, chamando sua atenção quase de imediato.
— Você está bem? — Perguntei com cuidado, inclinando minha cabeça para conseguir fitá-la.
— Sim, estou ótima. — Ela balançou a cabeça tremulamente, forçando um sorriso enquanto brincava com algumas mechas do próprio cabelo.
— É mesmo? — Desafiei-a com um olhar astuto. — Bem, não é o que parece. — Voltei minha atenção ao semáforo, que, em poucos instantes, passou de vermelho para o verde.
— Não é nada demais, só estou um pouco irritada com algumas disciplinas atrasadas. — Deu de ombros, colocando sua mão sobre a minha assim que fiz a curva numa das ruas que ligavam à Universidade Columbia diretamente.
— Falando nisso, como foi sua aula de primeiros socorros? — Quis saber com verdadeiro interesse, acariciando as costas de sua mão com o polegar.
— Foi divertido! — Ali sorriu, transmitindo um pouco mais de tranquilidade dessa vez. — Agora, eu não vejo a hora de aprender a suturar. — Comentou superficialmente, não entrando em mais detalhes quando não respondi, esperando que ela fosse continuar.
— Vai me ensinar? — Perguntei, fitando-a com expectativa assim que tirei a chave da ignição, uma vez que já estávamos no estacionamento.
— O que eu ganho com isso? — Ela arqueou as sobrancelhas, contendo um meio sorriso com o provável pensamento que lhe surgiu.
— Que tal um pouco disso? — Desafivelei o cinto de segurança e me inclinei em sua direção, puxando seu braço para que ela também se aproximasse.
Encostei meus lábios nos dela suavemente, movendo-os devagar apenas para provocá-la. Deliciosamente impaciente, Ali levou sua mão até a minha nuca, puxando-me contra seu rosto e colando sua boca à minha, ao tempo em que se aproveitava do meu descuido para deslizar sua língua entre meus lábios. Deixei um gemido rouco escapar quando ela sugou meu lábio inferior vigorosamente, arrastando suas unhas da nuca até meu pescoço.
— Tão gostosa... — Ali sussurrou contra a minha boca, roçando nossos lábios lentamente enquanto sorria lascivamente. — E só minha!
— Inteiramente sua. — Balancei a cabeça devagar, num aceno positivo e hipnótico.
Quando finalmente saímos do carro, Ali me arrastou até a Starbucks do outro lado da rua com o humor ainda instável. Ela sorria sempre que eu a olhava de forma penetrante e amorosa, derretendo-se por apenas alguns instantes, até se lembrar de que precisava estudar para os exames e aulas práticas futuras, voltando a ficar pensativa e receosa — o que eu julgava ser perfeitamente natural.
— Ali, o que você vai querer? — Perguntei, vendo-a adentrar o interior da Starbucks à procura de alguma mesa perto da janela, enquanto eu já estava na fila, esperando pacientemente chegar a minha vez para fazer os nossos pedidos.
— Só um frappuccino de baunilha. — Respondeu antes de se afastar, sentando-se numa das mesas do canto.
Ela colocou suas coisas no banco de couro bem ao seu lado, abrindo um dos livros que carregava com uma seriedade fascinante. Não podia deixar de sorrir ao vê-la tão empenhada em dominar as disciplinas em que vinha tendo dificuldades, uma vez que aquilo se tratava do seu futuro como uma boa profissional e ela pareceu entender isso quando conversamos.
— Bom dia! — Ouvi a moça que estava atrás do balcão dizer, fazendo-me virar o rosto quase de imediato para encará-la.
Desde a primeira vez que vim aqui, era ela quem sempre me atendia, o que me deixava mais confortável em fazer os pedidos, e, assim que os fiz, paguei e esperei mais alguns instantes. A garota escreveu meu nome no meu copo, mas deixou o de Ali da mesma maneira que estava no suporte: intacto.
— Obrigada. — Agradeci antes de me virar, indo em direção à mesa em que Ali estava. — Como está indo aí? — Perguntei a ela assim que me sentei no banco a sua frente, depositando o suporte das nossas bebidas em cima da mesa.
— Estou quase arremessando este maldito livro pela janela. — Respondeu, pegando seu frappuccino sem prestar atenção no que estava fazendo.
— Não faça isso, meu amor. — Balancei a cabeça levemente em negação, tocando sua mão enquanto desviava a atenção para encarar a tela do meu celular, que piscava incessantemente.
— Anatomia é um pesadelo! Eu não consigo gravar esses nomes... — Ela continuou resmungando, até eu me distrair com a mensagem de Hanna e me sobressaltar instantes depois com a maneira brusca que Ali puxou sua mão da minha.
— O que foi? — Arqueei as sobrancelhas, fitando-a com ligeiro assombro.
— Emily, o que significa isso? — Ela apontou para o meu copo, parecendo tentar conter a raiva em seu tom de voz. Respirei fundo ao ver o que estava escrito, temendo profundamente o que estava por vir.
— Eu não sei... — Tentei dizer com a voz firme, mas falhei ao olhar em direção à garota que me atendeu alguns minutos atrás.
Ao invés de ter escrito meu nome como eu pensei, ela escreveu o dela com uma série de números sobre ele, provavelmente referentes ao seu celular. Ali seguiu meu olhar quase instantaneamente, pegando suas coisas às pressas junto do meu café e me puxando pela mão.
— Vem comigo. — Ela marchou até onde a garota, que se chamava Samantha, estava encostada, escrevendo alguma coisa num caderno.
— Ali, deixe isso para lá... — Pedi, mas não adiantou; ela era ciumenta demais para deixar qualquer coisa passar e seu estado de cólera parecia crescer a cada passo firme em direção ao balcão.
— Eu quero outro cappuccino! — Ali depositou o meu copo em frente à garota com certa força, chamando a atenção dela de imediato.
— Outro...? — Ela gaguejou, olhando para o copo e, então, para mim.
— Além de sem vergonha você é surda? — Ali retorquiu rispidamente, apertando minha mão com força ao notar o olhar da garota em mim. — Vamos, criatura! Eu não tenho o dia todo!
— Ali, você está exagerando... — Comecei, recebendo dela um olhar cortante em minha direção.
Samantha fez o que Ali exigiu sem dizer mais nada, mostrando destreza e calmaria enquanto entregava o meu novo cappuccino na mão dela. Era como se ela estivesse com a consciência tranquila, pois não sabia que Ali e eu estávamos juntas. Ali, no entanto, não tentava disfarçar sua fúria, apertando o copo com o número de Samantha com tanta força que o amassou, fazendo o líquido escuro escorrer pelas suas mãos e cair no balcão.
— Sorte sua que isso não é a sua cara. — Ela disse, dando às costas para a garota após jogar alguns dólares sobre o balcão e arremessar o copo amassado no lixo perto da porta quando saímos.
— Precisava mesmo de tudo aquilo? — Perguntei enquanto caminhávamos pela calçada, desviando de algumas pessoas que apareciam em nossa frente.
— Do que está falando? Eu fui benevolente! Deveria ter esfregado aquele copo na cara daquela despeitada. Sorte dela que não sou briguenta. — Resmungava incansavelmente conforme cuspia sua cólera em cima de mim, limpando sua mão com um guardanapo.
— Imagina se fosse... — Murmurei inconscientemente, me arrependendo no instante em que Ali parou.
— O que disse? — Perguntou com as sobrancelhas arqueadas, colocando a mão na cintura, mas logo deu de ombros e voltou a andar em direção à universidade outra vez.
— Ali... — Tentei dizer, mas fui interrompida pelo ardor de sua impaciência:
— O que, Emily? — Esbravejou assim que entramos no campus movimentado da Columbia, parando próximo do bloco de Histologia.
— Você vai mesmo brigar comigo por causa disso? Eu não tenho culpa! — Defendi-me, segurando o braço dela com a intenção de fazê-la parar de andar de um lado para o outro. Aquilo me deixava extremamente nervosa. — Além disso, quantas pessoas não olham para você também? Eu não sou cega, Alison. Vejo muito bem quando alguém lança olhares famintos para você e acha que não sinto ciúmes? É claro que eu sinto, mas preciso lidar com isso, porque tenho a consciência de que tenho uma namorada gostosa! — Exasperei, soando um pouco mais alto do que gostaria.
Ali olhou ao redor, trincando a mandíbula com os olhares curiosos que eram destinados a nós duas. Em seguida, passou a mão pelo rosto numa tentativa de controlar os nervos à flor da pele e todo o estresse que corria por cada artéria de seu corpo. Foram necessários alguns poucos instantes de silêncio para que ela conseguisse dizer alguma coisa.
— Eu sei que você não tem culpa! — Exclamou, voltando a andar de um lado para o outro com a irritação ainda palpável. — Eu só... Não suporto isso. — Confessou. — Não aguento ver alguém desejando o que é meu, principalmente quando eu sei que eles têm motivos para isso.
— Ei, pare com isso. Você sabe que eu só enxergo você. — Puxei-a pelas mãos para junto de mim, fazendo-a passar os braços ao redor de minha cintura enquanto mantinha meus olhos nos dela. — Dentre bilhões de pessoas no mundo, meu coração escolheu pertencer a você. — Sussurrei, tocando seus lábios suavemente com os meus antes de direcioná-los à sua testa, plantando ali um beijo casto.
— Desculpe... — Ali disse, afastando-se um pouco. — Você sabe, eu fiquei realmente brava!
— Não fique mais. — Acariciei seu rosto devagar, beijando-a uma última vez. — Eu amo você.
***
Depois de ter deixado Ali na sala dela, tratei de me apressar para chegar até a minha antes do Professor Adams. Ele era tão exigente e compenetrado que, ao invés de eu detestá-lo, eu o admirava por pressionar os alunos a sempre fazer o melhor através de sua pressão psicológica e rigidez de caráter. Aquele professor era o espelho que eu gostaria de refletir numa possível carreira acadêmica.
Durante a aula, no entanto, tivemos um trabalho sobre enzimas para fazer em dupla, com direito a relatórios e análise crítica no final da aula. Summer se dispôs com profunda satisfação a ser o meu par, deixando Chloe com a nova colega de compras que ela havia arrumado na semana anterior.
— Pronta para arrasar, parceira? — Summer piscou para mim, lembrando-me por um segundo de Ali.
Ela possuía toda aquela maravilhosa aura de vivacidade e espontânea animação ao seu redor, o que tornava sua companhia agradável e deleitosa. Constantemente, provocava risos de quem tinha a sorte de estar ao seu redor e, apesar de afobada e impulsiva, tinha uma personalidade excêntrica, porém irresistivelmente amistosa.
— Pode apostar! — Assenti, sorrindo enquanto a olhava diretamente nas íris brilhantes e profundas de cor avelã.
No fim da aula, nosso relatório junto da análise crítica havia sido depositado em cima da mesa do professor Adams, deixando-o contidamente satisfeito com o resultado. Summer era definitivamente uma grande e entusiástica parceira, fato esse que me despertou o genuíno interesse de sempre tê-la nas minhas aulas de laboratório também.
— Juntas nós somos incríveis! — Ela suspirou animadamente, interligando seu braço ao meu inconscientemente. — Você não acha?
— Sim, nós somos. — Concordei com um leve aceno de cabeça, ajeitando minha bolsa em meu ombro enquanto tentava conter uma risada. — Adorei ser sua parceira, aliás. Você é muito esperta e ágil. — Elogiei, percebendo seu olhar derretido em mim.
— Bem, você também não é de todo mal, Fields. — Summer riu, erguendo o ombro e o soltando no mesmo instante. — Tudo bem, agora eu tenho que ir. Vejo você depois. — Ela beijou meu rosto rapidamente e correu em direção a sua próxima aula, enquanto eu estava a apenas alguns passos de distância do laboratório.
No fim da minha última aula do dia, Ali me mandou uma mensagem querendo saber se eu já estava indo embora. Respondi quase imediatamente, andando devagar conforme digitava e tomando o cuidado para não esbarrar em ninguém. Assim que terminei, guardei o celular no bolso da minha calça jeans escura e suspendi as mangas da minha camisa de algodão até o meio do braço, colocando os óculos de sol quando cheguei à área descoberta do campus de Ciências Biológicas.
— Ei, Em! — Ouvi alguém me chamar instantes depois de eu me sentar num dos bancos perto do gramado.
Olhei em direção à origem do som e, tentando tapar os raios de sol com a mão para conseguir enxergar, visualizei Diana se aproximando com os cabelos loiros soltos e brilhantes. Ao contrário da primeira vez em que eu a vi, ela vestia roupas mais elaboradas do que shorts e camiseta. Segundo ela, naquele dia, ela havia participado de uma festa surpresa na piscina da universidade e por isso as roupas confortáveis.
— Olhe só, consegui encontrar o livro que eu havia prometido. — Ela disse assim que se sentou, mostrando a capa do livro de Biofísica que eu precisaria para fazer meu trabalho de uma das disciplinas mais complicadas deste semestre.
— Obrigada! — Exclamei com um sorriso sincero e aliviado.
— Não há de quê. — Deu de ombros, afastando seus cabelos para o outro lado do pescoço com o sorriso estonteante brilhando por conta dos suaves raios de sol.
— Você sabe que acabou de me salvar, não é? Procurei este livro na biblioteca, mas não achei. Disseram que é difícil encontrá-lo. — Encarei a capa mais uma vez, sentindo-me eternamente grata a ela por tamanha boa vontade e gentileza.
— Sorte sua que guardei esse, então. — Retorquiu com o humor visível em seu tom de voz. — Além disso, eu comentei que já fiz esse trabalho, não é? Eu posso ajudá-la se quiser.
— Eu adoraria e ficaria muito agradecida, se isso não for atrapalhá-la.
— Não se preocupe, não vai. — Diana riu, cruzando as pernas delicadamente.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa em resposta, fui surpreendida com alguém tocando meus ombros, apertando-os com suavidade no intento de chamar minha atenção. Girei o pescoço para trás e encontrei Ali parada bem atrás de mim, olhando-me atentamente.
— Está pronta para ir? — Perguntou, lançando um rápido olhar em direção à Diana, que mal pude identificá-lo.
— Ali! — Levantei-me do banco e me inclinei em sua direção, tocando seus lábios suavemente com os meus. — Deixe-me apresentá-la, esta é Diana.
— Olá, como vai? — Ali se aproximou um pouco, estendendo a mão em direção à Diana, gesto esse que me deixou visivelmente surpresa. — Eu sou Alison.
— Muito prazer, Alison. — Diana sorriu tão amistosamente, lembrando-me do dia em que nos conhecemos. Ela era amável com todo mundo. — Bem, se precisar de mais alguma coisa, sabe que pode me ligar, não é? — Ela voltou a me encarar, mostrando aquela boa vontade que já estava se tornando natural para mim.
— Claro! — Concordei imediatamente, vendo-a ajeitar sua bolsa vermelha no ombro, preparando-se para ir embora. — Muito obrigada pela ajuda.
— Bobagem. — Ela disse, despedindo-se de Ali e de mim logo em seguida.
— Podemos ir agora? — Ali pegou minha mão, entrelaçando nossos dedos enquanto eu observava Diana se afastar. — Quero chegar logo em casa e passar a tarde toda jogada no sofá.
— Deixe-me adivinhar... Assistindo a Grey’s Anatomy? — Encarei-a com um dos meus melhores sorrisos, afastando alguns fios esvoaçantes de seu cabelo para trás da orelha.
— Ah, você me conhece. — Ela riu, puxando-me para um beijo rápido antes de começarmos a caminhar até o estacionamento da Columbia.
Uma vez em casa, de banho tomado e em nossos pijamas, Ali e eu estávamos sentadas no sofá enquanto assistíamos à maratona de episódios da série médica de que ela mais gostava. Eros nos fazia companhia do outro lado do sofá, dormindo em posição fetal.
— Qual é o seu personagem favorito nessa temporada? — Perguntei a Ali, mordendo seu maxilar de brincadeira.
— Cristina, claro. Ela é a melhor! — Respondeu num tom óbvio, o que me fez rir suavemente contra o seu rosto. — E a sua? — Ali me fitou com expectativa, exibindo um meio sorriso meigo.
— Você sabe, eu adorava a Izzie.
— Só porque ela é loira... — Resmungou, revirando os olhos ao voltar sua atenção para a televisão.
— Não, não é só por isso. — Tentei comprimir uma risadinha, mas falhei, o que a fez me olhar torto. — Izzie era divertida, calorosa e compassiva... Ela era a melhor!
— Ah, claro. — Ali moveu suas pernas por cima das minhas, tornando sua posição mais confortável e ficando ainda mais próxima de mim.
— Mas, você sabe, eu definitivamente escolheria você para ser a minha médica. — Garanti prontamente, acariciando seu pescoço com o dedo indicador. — Mas só minha.
— Só sua? — Ela sorriu com lascívia, puxando meu rosto devagar para perto do seu e arrastando seus lábios até o meu ouvido. — Acho que posso pensar no seu caso. — Sussurrou calidamente, fazendo com que meu corpo respondesse através de arrepios.
Percebendo isso, Ali passou a escorregar sua língua pelo meu maxilar, desenhando seu caminho até a minha boca, onde brincou mais um pouco antes de exigir passagem entre meus lábios. Deslizei minha mão pela sua perna macia e desnuda, subindo até a cintura e a puxando para mim. Ali logo se sentou em meu colo, segurando meu pescoço conforme continuava a me beijar profundamente.
Passei os meus dois braços em volta dela, interrompendo o beijo ao descer lentamente com a minha boca pela sua mandíbula, mordendo e sugando com certa força. Às pressas, comecei a arrancar as poucas peças de roupa que ela vestia, jogando-as em qualquer lugar da sala. Meu corpo já se encontrava em pura brasa com todo aquele contato físico, que ainda não era o suficiente.
— Amor... — Ali gemeu baixinho em meu ouvido, levando suas mãos até a barra da minha camiseta para tirá-la. — Eu quero você.
Sem dizer mais nada, ela puxou a camiseta para fora do meu corpo, tocando a pele exposta devagar, como se precisasse de tempo e cuidado para apreciar, até chegar aos meus seios, onde os apertou com firmeza enquanto me beijava ternamente na boca. Deixei com que gemidos roucos ecoassem dentre nossos lábios colados, fechando os olhos fortemente com a leve sensação de prazer que aqueles toques me causavam.
Seus dedos, no entanto, logo alcançaram o cós do meu short assim que ela me fez deitar sob seu corpo, assumindo a posição de controle. Os toques, que antes eram calmos e precisos, agora se tornaram rápidos e urgentes; Ali depositava beijos molhados por todo meu colo, acariciando a pele com a língua, enquanto arrastava as unhas pelas minhas pernas.
Puxei seu corpo para mais perto, sentindo a necessidade de tê-la grudada em mim. Escorreguei minhas mãos pelas costas nuas, alcançando o quadril e notando o tecido de sua calcinha como último empecilho, assim como a minha. Levei meus dedos até o elástico, arrastando-o para baixo até conseguir tirar por completo.
Girei nossos corpos rapidamente, ficando por cima dessa vez enquanto voltava a beijá-la na boca. Ali não teve muito tempo para reagir, já que procurou se ocupar em me livrar da calcinha roxa que eu usava. Assim que conseguiu deslizar o tecido pelas minhas pernas, ela me puxou contra o seu corpo, apertando as unhas em meus quadris conforme descia os lábios pelo meu pescoço.
Deixei Ali ficar por cima outra vez, sentindo-a distribuir seus beijos molhados e deleitosos por todo meu tronco, arfando ainda mais alto quando seus lábios se apossaram possessivamente de um dos meus seios. Sua língua rodeava meu mamilo preguiçosamente, dando a uma de suas mãos o desígnio de ir à procura de minha intimidade — a qual ela conhecia tão bem.
— Ali... — Suspirei audivelmente, mordendo o lábio inferior ao senti-la sugar meu seio vigorosamente. — Pelo amor de Deus, sem provocações. — Consegui completar entre arquejos.
Ela deixou uma risada fraca ecoar contra meu seio direito, movendo suas carícias pelo meu abdômen, deslizando devagar enquanto sugava e mordia a pele com força. Tentei acompanhar seus movimentos com a cabeça erguida, mas desisti ao sentir seus lábios se aproximarem da área mais sensível; a respiração quente soprando contra minha intimidade, aumentando ainda mais a umidade.
— Alison, amor, por favor! — Implorei com a voz num fiapo, arqueando as costas levemente com o toque de sua mão entre minhas coxas.
Ali lançou um breve olhar em minha direção, com o mesmo sorriso vitorioso e convencido de sempre, antes de começar a deslizar sua língua pelo meu sexo encharcado. Não pude conter o gemido arrastado, quase agudo, que me escapuliu com aquele toque tão ansiado. Apoiei-me sobre os cotovelos, auxiliando Ali com seu cabelo ao afastá-lo para trás.
Podia sentir seu hálito quente fazendo cócegas e me levando ao delírio a cada suspiro rouco que ela deixava escapar. Ali pressionava sua língua contra meu sexo rígido com veemência, sugando o mel que escorria entre minhas pernas cuidadosamente enquanto eu sussurrava frases sem nexos. Estava tão embriagada com a pura e distinta sensação de prazer dominando cada centímetro do meu corpo que mal percebi quando Ali acariciou meu centro vagarosamente antes de escorregar seus dedos na minha entrada, forçando com veemência.
Ela logo escalou meu corpo com sua boca, beijando cada pedaço de pele até chegar aos meus lábios, tomando-os como se sua vida dependesse disso. Colou nossos corpos determinadamente, pressionando sua língua contra a minha, sendo incapaz de impedir os gemidos roucos e arrastados de sua boca conforme empurrava seus dedos em minha cavidade rapidamente, arriscando-se ir o mais fundo que podia.
— Você é só minha... — Sussurrava repetidamente, olhando-me nos olhos com o tom afiado e cheio de possessão, o que não era novidade para mim. — Droga, Emily! Eu amo tanto você, tanto...
Dentre inúmeras palavras doces — súplicas desesperadas e cálidos sussurros de palavras de baixo calão —, continuávamos nos embrenhando cada vez mais uma na outra. Não tinha motivo para me reter quanto aos sonoros gemidos, como também não me importava com as prováveis marcas arroxeadas que surgiriam no corpo de Ali no dia seguinte após uma noite intensa de amor.
Nossas respirações, no entanto, seguiam descompassadas, soprando contra as peles em brasa; coladas como uma só carne. Ali me apertava contra ela como se quisesse nos fundir, alternando entre beijar minha boca com paixão e sugar meu pescoço violentamente, enquanto meus gemidos tomavam proporções maiores.
— Ali, quero sentir você... — Arquejei com dificuldades, negando-me a chegar ao ápice sem antes senti-la através do contato íntimo e direto.
Aos poucos, ela parou os movimentos dentro de mim, arfando contra meu pescoço e, então, correndo os lábios até os meus conforme se ajeitava entre minhas pernas, tornando o contato de nossas intimidades ensopadas um alívio sem fim. Ali gemeu longamente contra minha boca, fechando os olhos num segundo e os abrindo no outro, mantendo-os compenetrados nos meus.
— Gosto quando você fica por cima. — Sussurrei para ela, sorrindo fraquinho, conforme descia minhas mãos pela lateral de seu corpo. — Tão gostosa... — Agarrei seus glúteos com firmeza, mordendo seu maxilar, queixo e lábio inferior, enquanto ela gemia e balançava o quadril para frente e para trás, num ritmo deliciosamente lento e viciante, mas também angustiante. — E minha!
— Completamente sua. — Assentiu, encontrando dificuldades em proferir as palavras dentre os ruídos guturais e estimulantes que lhe escapavam.
Gradativamente, os movimentos sincronizados se tornaram uma bagunça diante da necessidade de juntas alcançarmos o ápice. Gemíamos roucamente, elevando os ruídos a extremos delirantes, misturando-se ao som dos nossos corpos em constante e perfeito atrito. A partir de um momento, não soube direito qual, tudo passou muito rápido; as sensações dos nossos sexos friccionando um no outro com ardor quase sôfrego pareceram se confundir numa deleitosa e entorpecente explosão, onde a terra já não era mais uma realidade concebível.
Estávamos flutuando, mesmo que nos braços uma da outra, numa imensidão de infinitas possibilidades. Ali arfava contra a minha boca, tentando manter nossos lábios colados, mas em vão. O ápice do prazer nos atingiu de forma tão certeira e violenta que, em poucos segundos, nossos corpos suados e exaustos se encontravam derramados no extenso e majestoso sofá. O pesado som das nossas respirações perfurava agressivamente o silêncio estabelecido na sala de visitas, onde as memórias já estavam sendo feitas.
— Droga... — Ali murmurou lentamente, passando a mão pelo rosto úmido de suor. — Isso foi incrível!
— O que aconteceu? — Perguntei depois de algumas batidas aceleradas do meu coração, virando o rosto junto com o corpo para poder fitá-la. Ali cerrou os olhos levemente, mostrando-se confusa. — Você não foi tão possessiva quanto da última vez em que ficou louca de ciúmes, achei curioso.
— Aquela estúpida me deixou brava, mas não ao ponto de me enlouquecer. — Tornou calmamente, virando-se para ficar de frente para mim. — Se ela tivesse ousado tocar em você, as coisas teriam sido muito diferentes. — Concluiu com o tom de voz frio e determinado, aproximando seus lábios dos meus vagarosamente, enquanto a minha mente vagava entre as memórias do último ataque de ciúmes de Ali.
Era a última festa que Noel Kahn havia dado antes da nossa formatura e, portanto, da viagem que Ali e eu faríamos no dia seguinte. Estávamos todas juntas como de costume, mas naturalmente nos dispersamos com o decorrer da festa. Spencer e eu havíamos sido as únicas a não sair do lado uma da outra, ignorando as outras pessoas ao nosso redor, quando todos na festa se esbaldavam na bebida e, principalmente, na pista de dança. Aria, Hanna e Ali se ocupavam entre diversas distrações que elas mesmas criavam junto de alguns jogadores de lacrosse.
— Sinceramente, eu ainda não sei como Hanna suporta esse garoto. — Spencer sussurrou perto do meu ouvido, tentando fazer sua voz sobressair o volume alto da música. — Olhe só para ele, tão idiota e convencido.
Olhei na mesma direção que Spencer, percebendo que ela se referia ao irmão mais novo de Aria, Mike Montgomery, que estava sentado numa espécie de trono ao lado de Noel. Aquilo certamente era uma tática para que eles pudessem observar todas as garotas na pista de dança, fazendo algumas delas de súditas em nome do tema implícito e cafona da festa.
— Ela é apaixonada por ele. — Respondi como se fosse óbvio, esperando as próximas artimanhas de Mike. — Você é esperta, sabe o que o amor faz com as pessoas.
— Sim, ele tira o bom senso delas. — Retrucou imediatamente, quase como se tivesse previsto o que eu estava prestes a dizer. — Às vezes, a capacidade de enxergar também. — Acrescentou enfaticamente, cruzando os braços enquanto esperava o mesmo que eu.
Mike e Noel tinham novas súditas ao redor deles, decretando suas vontades através de desafios idiotas. Nenhuma delas se aproximava intimamente dos dois, visto que eles eram claramente comprometidos com as nossas duas melhores amigas e, aparentemente, as respeitavam.
Suspirei cansadamente depois de alguns instantes, notando o olhar de Mike em nossa direção enquanto dizia alguma coisa para Noel. Spencer me cutucou com o cotovelo, rindo ao tempo em que eu olhava ao redor à procura de Ali, encontrando-a jogando sinuca com Hanna.
Fiquei observando aquela cena com um meio sorriso estampado no rosto, desejando que Ali olhasse para mim e, quando ela o fez, soprei um beijo em sua direção, vendo-a sorrir até que fui completamente pega de desprevenida ao cambalear levemente para trás com o peso de um corpo me impulsionando.
Quando percebi o que estava acontecendo, já era tarde demais. Tudo o que senti no primeiro instante foram lábios macios e impacientes apertarem os meus e, então, mãos gélidas segurarem o meu pescoço, até que o primeiro segundo passou e eu finalmente empurrei o que havia me atacado para longe.
— Ai, não... Droga! — Ouvi Spencer sibilar, sentindo-me chocada demais para processar o que acontecia ao redor. — Agora a merda está feita...
— Mas o que diabos... — Amaldiçoei, paralisada com a atitude da garota que estava parada a minha frente, exibindo uma tiara na cabeça, enquanto olhava para Mike e Noel por sobre os ombros, que vibravam do outro lado da sala em reação.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Ali surgiu entre nós duas parecendo um tornado, empurrando todos que via pela frente até se aproximar, virando o copo cheio de cerveja no rosto da garota violentamente. Ela trazia consigo a expressão de quem iria cometer um crime, o que apenas reforçou a minha ideia quando ela começou a ameaçá-la como sempre fazia.
— Sorte sua eu não arrancar sua língua agora mesmo e fazer você engoli-la. — Vociferou para a garota toda ensopada e tão pasma quanto eu fiquei quando fui beijada. Em seguida, ela pegou a minha mão e me arrastou para longe de tudo o que pudesse ameaçar o seu território.
Naquela noite, Ali me levou para sua casa, onde não se preocupou em esconder a fúria que estava prestes a explodir de dentro dela. Ela não se importou que seus pais estivessem em casa — sua mãe ao telefone e seu pai no escritório —, esbravejando ofensas a Deus e o mundo em seu quarto, enquanto eu apenas observava sua ira se extinguir aos poucos. Aquela fúria deu lugar ao desejo violento e incontrolável de Ali, que precisava, através do sexo vigoroso e pungente, mostrar ao mundo que eu pertencia somente a ela.
— Eu sou louca por você. — Ali sussurrou, pronunciando cada palavra de forma cálida e vagarosa, trazendo-me de volta à realidade quase de imediato. — Não meço esforços para tirar quem ousar a entrar no nosso caminho.
Ela deslizou sua mão pelas minhas costas nuas, acariciando-me ternamente enquanto arrastava seus lábios contra os meus, puxando-os entre os dentes. Ali parecia tão tranquila, fitando-me incisivamente com um meio sorriso a cada vez que depositava um beijo casto pelo meu rosto, suspirando longamente entre palavras amorosas que, sopradas com tanta sinceridade, faziam-me relaxar em seu braço por completo.
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