The Blind Side Of Love
13 There’s No Place Like Home For The Holidays.
Notas iniciais
Algumas semanas mais tarde, depois de Emily ter me largado em casa sozinha para fazer só Deus sabe o quê, estava muito ocupada estudando para as minhas provas de Genética e Embriologia enquanto ela fazia o mesmo com as disciplinas de seu curso, reduzindo, portanto, significativamente o tempo em que podíamos passar juntas. Não que estivéssemos em bons termos, ultimamente, já que Emily insistia em tentar conversar sobre o que eu queria para o nosso futuro.
— É muito simples, na verdade. — Havia sido a minha resposta, enquanto eu me arrumava para ir dormir, sentindo o ardor de seus olhos em cada movimento que eu fazia pelo quarto. — Eu quero você e uma brilhante especialização em algum hospital fabuloso de Boston.
Com um sorriso preguiçoso e sugestivo, aproximei-me da cama e coloquei os dois joelhos sobre o colchão, engatinhando-me lentamente até onde ela estava deitada, com as costas apoiada na cabeceira e as mãos interligadas em seu colo. Assim que cheguei perto o bastante, Emily ergueu uma das mãos e tocou meu rosto com suavidade, olhando-me com um brilho tão profundo e sincero que parecia ser eterno. Mas nenhum brilho era realmente eterno.
— Eu acredito que há algo mais. — Ela disse, esforçando-se para transmitir sua verdade. — Você vai perceber que estou certa, quando o dia em que estivermos prontas chegar, e então mudará de ideia.
— Bem, se é assim, só nos resta esperar, não é? — Esforcei-me para sorrir, sentindo meu coração afundar ao ver seus músculos relaxarem conforme seu rosto era tomado por alívio – e os olhos por esperança.
Deixá-la acreditar naquilo parecia ser uma boa solução para o momento, um mal necessário – mesmo que eu não estivesse sendo honesta. Até que o dia chegasse, encheria o apartamento de gatos e cachorros, caso fosse preciso, baseando-me no intento de fazê-la desistir de alguns dos idealismos que pareciam seguir direções tão opostas das minhas e que o risco de nos perdermos no meio do caminho era real e assustadoramente perigoso.
E aquilo era tão óbvio e igualmente verdadeiro que me causava certa dor física – o fato de ela não entender que tudo o que eu fazia era para o nosso próprio bem, a fim de nos manter juntas acima de qualquer coisa, evitando que aquilo viesse a ser um problema. Os céus, assim como a terra, eram as mais puras e fieis testemunhas de que eu faria tudo o que estivesse ao meu alcance para fazê-la feliz, até mesmo voltar a alguns hábitos desagradáveis, mas que pareciam ser vitais em certas circunstâncias.
Agora, faltando poucos dias para o Natal, a sensação de que estávamos no limite não saía de mim, e eu mal podia controlar a minha constante ansiedade – o sentimento de impotência que brotava em lugares perigosos, sensíveis, quase desconhecidos. Estava perfeitamente claro que Emily esperava encontrar boa vontade em mim quando fôssemos conversar sobre a ideia de nos casarmos assim que eu me formasse, ou ter filhos após eu completar a minha especialização.
Ela estava disposta a seguir o meu tempo, o que eu achava admirável, mas ainda não parecia certo. Não conseguia enxergar aqueles detalhes em meu futuro brilhante, junto de uma mulher maravilhosa. Talvez eu devesse aceitar de uma vez por todas que sou muito egoísta e não estava disposta a abrir mão de viver no mundo que eu havia criado – onde Emily e eu somos as únicas pessoas que realmente importam.
Sentada no canto do sofá, enquanto tentava me concentrar nos textos que precisava ler, com as pernas cruzadas e um dos livros sobre o colo, esforçava-me para manter os pensamentos que andavam me atormentando longe de minha mente e não percebi o momento exato em que o elevador apitou, até ouvir os sons agudos, causados por sapatos de salto alto, ecoando do corredor. Antes que eu pudesse virar o pescoço para ver quem era, no entanto, surpreendi-me quando a figura loira e espontânea de Hanna se jogou ao meu lado.
— Jesus, Hanna! O que está fazendo aqui? — Exigi com o coração na mão, claramente desconcertada com a presença inesperada dela.
— Eu odeio a filha da minha chefe! — Reclamou energicamente. — Corri a cidade inteira atrás de uma droga de tecido que combinasse com os olhos castanhos escuros daquela insuportável, e nem um obrigada recebi. — Desabafou, gesticulando com as mãos, claramente irritada.
Percebi rapidamente que ela tinha uma garrafa de Johnnie Walker em uma das mãos, segurando-a como se pesasse uma pena. Notando minha curiosa observação, ela ergueu a bebida de rótulo preto em minha direção, apontando com os olhos para os meus livros, espalhados pelo sofá, mesa de centro e chão, e então para a garrafa outra vez. Perguntou-me logo em seguida, com as sobrancelhas arqueadas, se eu queria um pouco. Não entendia como Hanna conseguia beber uísque como quem tomasse água.
— Não posso. — Rejeitei seu convite, suspirando audivelmente ao tirar o livro de Anatomia do meu colo para esticar o corpo. — Preciso estudar.
— Desde quando você estuda? — Ela franziu o cenho, rindo, abrindo a garrafa sem muito esforço e, em seguida, levando à boca sem cerimônias.
Ao invés de respondê-la, revirei os olhos e tomei a garrafa de sua mão, considerando a hipótese de me embriagar e desligar a mente de coisas estúpidas, que me tiravam a paz de espírito. No entanto, tomei apenas um longo gole, quase me engasgando ao sentir o calor do líquido em minha garganta. Quando estava pronta para dar uma segunda golada, meu celular começou a tocar. Suspirei audivelmente, tendo a garrafa logo tirada de mim, antes de me inclinar para pegá-lo sobre a mesa de centro.
— É a Spencer. — Pensei em voz alta ao ver a foto dela aparecer na tela, pressionando o botão verde depois do segundo toque. — O que foi? — Disparei, apertando o celular em meu ouvido ao voltar a apoiar minhas costas contra o encosto macio bem atrás de mim.
— Olá para você também. — Devolveu em tom de zombaria, que logo se tornou apressado ao continuar: — Preciso que vá me buscar no aeroporto em uma hora. Consegui ser dispensada mais cedo e estarei no próximo voo.
— Vadia sortuda. — Resmunguei entredentes, fazendo-a bufar do outro lado da linha. — Tudo bem, eu vou. Se eu não chegar aí a tempo, espere.
— Certo, entendi. — Assentiu apressadamente, agradecendo-me antes de desligar.
— Spencer está vindo para cá? — Hanna quis saber assim que joguei o celular no sofá e a encarei, limitando-me a apenas assentir em resposta, enquanto ela apreciava o efeito do uísque em goles mais suaves. — Onde está Emily, a propósito?
— Eu não sei. Provavelmente na Columbia. — Dei de ombros, andando pela sala em busca de algo para manter minha mente ocupada, já que Hanna não estava sendo útil. — Nós meio que discutimos ontem. — Murmurei, sentindo o mesmo incômodo em minha garganta de quando algo não estava certo, o que definitivamente não estava.
Sentei-me na poltrona giratória, perto da árvore enfeitada e fabulosa, que sempre me fazia lembrar de Emily toda vez em que eu parava para olhá-la, e coloquei os pés descalços sobre a mesa de centro, dando uma boa olhada em meu pijama da Victoria’s Secret e passando a mão pelo meu coque frouxo. Precisava me arrumar para buscar Spencer no aeroporto, mas, de qualquer forma, eu a faria esperar.
Hoje era segunda-feira e eu não estava com a mínima vontade de fazer nada, a não ser ligar para Emily e mandá-la vir para casa imediatamente – não importava onde ela estivesse. E não fazer isso estava quase me tirando do sério, levando-me a um estado de nervos sufocante; mas eu precisava aguentar firme, lutar contra esses tipos de impulsos e mostrar a ela que não estou fora de controle, como ela alegou ontem à noite.
— O que você aprontou? — Hanna perguntou, olhando-me com certa censura e desconfiança.
— Por que você acha que eu fiz alguma coisa? — Respondi sua pergunta com outra, tirando os pés da mesa de centro e endireitando minha coluna. — Eu não fiz nada. Nós queremos coisas diferentes e, por isso, tivemos alguns desentendimentos. Só isso.
— Ah, sim... — Ela assentiu, balançando a cabeça devagar. — Bem, então acho que sei do que se trata.
— Duvido disso.
— Emily é louca por você e quer noivar, casar e ter mini Alison e mini Emily correndo por aí, mas você, por outro lado, não quer nada disso. — Resumiu de forma simples, colocando a garrafa de uísque em cima da mesa ao terminar.
— Claro que ela contou a você... — Revirei os olhos, sentindo-me muito fatigada de repente, porém Hanna não pareceu se afetar.
— Eu não entendo por que você é contra algo tão natural como casamento e filhos. É o ciclo da vida. Você não pode evitar isso para sempre. — Ela disse, fitando-me com descontraída seriedade. — Além disso, quando Em se formar e estiver trabalhando, ela vai querer mudar o status de vocês, então comece a se acostumar com a ideia.
— Isso é besteira. — Desdenhei, começando a ficar impaciente com aquela conversa. — Há tantas coisas que eu quero para o meu futuro, Hanna, e eu posso assegurá-la, com toda a sinceridade em meu coração, que ser mãe e esposa não é uma delas. — Afirmei, sorrindo convictamente ao vê-la pegar sua garrafa de volta e retornar à posição desleixada no meu sofá, pouco se importando com a minha declaração.
— E se, ao longo dos anos, Em acabar encontrando uma pessoa que queira tudo o que ela quer? — Perguntou casualmente, observando com atenção cada mudança significativa em minhas características. — É um risco que você corre. — Deu de ombros, ajeitando-se em uma posição mais confortável, a ponto de derramar uísque em meu sofá e tapete.
— Hanna, cuidado! — Segurei a garrafa antes que pudesse virar o suficiente, impedindo que o líquido chegasse à borda. — Você não vai querer me comprar outro sofá novo, muito menos outro tapete, se arruiná-los. — Avisei, tirando a bebida de sua posse.
— Eu também acho que não. — Concordou, analisando os itens de decoração com cuidado, antes de continuar ligeiramente ébria: — Essas gracinhas aqui devem ter custado uma fortuna, provavelmente o meu closet inteiro. — Ela olhou para os pés cobertos por sapatos de salto alto Michael Kors, ponderando algo em sua mente por um instante, fazendo-me revirar os olhos. Nem Emily sabia quanto custava algumas das coisas que eu comprava.
— Pelo amor de Deus, tome um café. — Orientei antes de me virar para ir ao meu quarto, acrescentando no meio do caminho: — Vamos buscar Spencer no aeroporto, e preciso que esteja sóbria.
***
Eram quase oito da noite quando Emily finalmente voltou para casa, com os dois braços ocupados, cheios de livros e pastas, enquanto Spencer e eu terminávamos a comida italiana que havíamos pedido trinta minutos atrás depois de ter colocado Hanna em um táxi. Ela ficou radiante ao encontrar nossa melhor amiga, sentada comigo na cozinha, mas não fez questão de ficar por muito tempo em nossa companhia, preferindo ir direto para o quarto.
Antes de se retirar, no entanto, Em se aproximou de mim e beijou meu rosto com delicadeza, sussurrando em meu ouvido para que eu não demorasse e, então, deixou a cozinha com uma garrafa de água e uma maçã. Brigar com Emily, seja pelo que fosse, estava no topo da lista de coisas que eu mais detestava. Era horrível o sentimento de distância que parecia se formar entre nós duas.
— Você está tensa. O que aconteceu? — Spencer perguntou, tomando cuidado para não derrubar molho em seu pijama azul e branco, imitando, provavelmente, um uniforme de marinheiro.
— Nada. — Dei de ombros, retirando nossos pratos da mesa e os colocando na lava-louças.
— Eu ainda estava comendo, sabe... — Ela resmungou entredentes, afastando sua salada de fruta e o copo de suco de meu alcance, quando eu me aproximei para pegá-los também, com um olhar de censura. — Nem pense nisso. Eu pretendo terminar isso daqui.
— Você está passando fome em Princeton? — Perguntei em tom acusatório, lembrando-me que, da última vez em que eu a vi, ela estava tão magra quanto agora.
— Eu como quando posso. — Respondeu simplesmente, sem tirar os olhos de sua sobremesa.
— Estou surpresa que ainda esteja se aguentando em pé. — Comentei de forma casual, chamando sua atenção para mim. — Se não fosse Emily, eu também estaria passando fome. Ela se certifica de que eu me alimente adequadamente todos os dias, até mesmo quando nos desentendemos. — Continuei distraidamente, sentindo meu coração consternar com a memória da discussão que tivemos ontem fluindo livremente em minha mente.
— Sabia que tinha algo errado. — Spencer comentou, balançando a cabeça negativamente. — O que foi que você fez?
— Eu não entendo por que vocês sempre esperam que eu faça alguma coisa de errado. — Respondi. — Na verdade, acho que entendo. Eu sou difícil de lidar e tenho tendência a estragar as coisas, não é?
— Honestamente? — Spencer arqueou uma sobrancelha, meio hesitante em ser totalmente sincera comigo, ao mesmo tempo em que também me desafiava. — Você é uma bomba atômica. É questão de segundos até que exploda e destrua tudo o que estiver ao seu redor.
— Isso é o que você espera que aconteça. — Defendi-me, recuando alguns passos com o impacto de suas palavras. — Eu não sou mais assim. — Cruzei os braços sobre o peito, observando-a mastigar o pedaço de morango devagar.
— Alguns hábitos não desaparecem assim... — Retrucou com firmeza, gesticulando com a mão que segurava a colher. — Você não é só difícil de lidar, às vezes é impossível também.
— Não acredito que estou sendo insultada dentro da minha própria casa. — Exasperei irritada, e Spencer deu de ombros, sem parecer afetada.
— Não vamos chamar de insulto. — Ela reiterou, inclinando a cabeça como se estivesse ponderando algo. — Observação aguçada é um termo bem mais adequado.
— É, continue com essas observações e não deixarei que chegue perto da minha comida outra vez. — Ameacei, dando a volta no balcão para sair da cozinha, escutando sua reclamação no meio do caminho para o meu quarto.
Assim que passei pela porta, escutei o barulho do chuveiro ligado e fui direto para o banheiro escovar os dentes e lavar o rosto, enquanto Emily terminava de tomar banho. Enfiei-me debaixo das cobertas e esperei por alguns minutos, até que ela surgiu em sua forma mais gloriosa – nua e com os cabelos presos em um coque frouxo.
Devido ao aquecedor no quarto, ela passou a dormir sem roupas, pois, independente do frio que estivesse do lado de fora, acordava com calor durante a madrugada, tendo que levantar para se despir constantemente. Havia sido sugestão minha, em tom de brincadeira, que dormíssemos as duas nuas, e, rindo, Emily concordou. Meu corpo, no entanto, respondeu automaticamente àquela visão, apreciando com verdadeira devoção, enquanto Em soltava seus cabelos e os penteava. Em seguida, assim que terminou, ela apagou as luzes e se deitou de costas para mim.
— Em... — Chamei com suavidade ao me virar de lado para encarar a pele exposta, que era iluminada pela luz fraca, porém eficiente, do abajur, com os olhos percorrendo as curvas perfeitamente desenhadas.
Ela virou o pescoço para me fitar por sobre o ombro, esperando que eu prosseguisse. Mas eu não queria falar, então me inclinei em sua direção e tomei seus lábios em um beijo suave e cheio de carinho, mostrando a ela que eu não queria continuar daquele jeito. No começo, ela não se importou em tentar me corresponder, apenas permaneceu com os lábios imóveis, até que cedeu aos meus movimentos gentis. Consegui fazer com que ela se virasse por completo para mim, arrastando minha mão pelas costas nuas e arranhando de leve a pele.
— Desculpe por ontem. — Ela disse, afastando-se com jeitinho para poder me fitar, enquanto eu a encarei com os olhos semicerrados, tentando compreender por que ela estava se desculpando. — Não é justo eu pressioná-la desse jeito...
— Não quero mais brigar com você por causa disso, Em. — Adiantei, em tom de súplica, deslizando meus dedos pelo seu pescoço, lentamente, até meu polegar alcançar seu mamilo, que se eriçou com meu toque suave. — Vamos esquecer isso, por favor...
— Ali, nós precisamos conversar. — Decidiu com firmeza, erguendo meu queixo com o dedo indicador para que eu a olhasse nos olhos, ao invés das aréolas tão convidativas, que imploravam pela minha boca.
— Não posso conversar com você assim... — Sussurrei, correndo minha mão espalmada pelo abdômen liso e perfeitamente rígido. — Eu não consigo raciocinar direito quando você está em sua forma mais perfeita e gloriosa. É covardia.
Escorreguei meus dedos entre suas pernas, alcançando sua intimidade rapidamente, o que fez com que minhas pupilas se dilatassem no mesmo segundo e meu centro pulsasse em pura excitação. Emily entreabriu os lábios, deixando escapar um gemido baixo, com os olhos fixos nos meus. Estava claro que ela não queria ceder, mas com jeitinho e um pouco mais de insistência, conseguiria fazer com que ela deixasse o assunto de casamento e filhos morrer de vez.
Sendo assim, afastei-me rapidamente, rolando para cima dela e agarrando suas mãos com agilidade, erguendo-as para cima, até o limite de seus braços, enquanto tomava seus lábios em um beijo ardente e cheio de saudade. A falta de intimidade entre nós duas era o que eu mais detestava quando brigávamos. Não suportava a falta de contato que se seguia por dias, porque tocá-la era tudo o que eu precisava para me sentir calma e em total controle.
— Em... — Suspirei conforme roçava meus lábios possessivamente contra os dela, descendo para o queixo e, então, para a garganta, onde suguei com ardor. — Eu amo tanto você.
Com a respiração entrecortada e difícil, ela fechou os olhos e sorriu, inspirando profundamente, antes de se soltar de meu aperto e inverter nossas posições, tratando de tirar a camisa de manga comprida de meu pijama com urgência. Seus dedos escorregaram com destreza pelo meu abdômen rígido, assim que jogou a peça de roupa para fora da cama, fazendo o mesmo com a calça e meias.
Emily beijou meu rosto inteiro, percorrendo meu pescoço e clavícula, fazendo-me arfar quando suas carícias finalmente alcançaram meus seios, onde envolveu a aréola túmida entre os lábios. Embrenhei minhas mãos em seus cabelos macios, estimulando-a ao sentir meu corpo inteiro em chamas. Estava sem paciência para esperá-la, pois precisava de seu toque o mais depressa possível. Foi quando eu peguei sua mão e a coloquei dentro da minha calcinha, pressionando seus dedos contra a minha intimidade encharcada, ao mesmo tempo em que também empurrava os quadris, desesperada por aquele contato.
— Ali... Você está tão molhada. — Sussurrou entre suspiros, arrancando um gemido rouco e choroso de minha boca quando ela começou a roçar seu dedo em meu sexo inchado e sensível, sugando meu seio com força.
— Eu estou sempre molhada para você. — Arquejei, com um sorriso ansioso, enquanto Em deslizava sua boca pelo meu abdômen, mordendo e sugando a pele.
Apertei meus dedos entre os fios de seus cabelos, erguendo levemente o tronco para vê-la descer até onde eu ansiava. Ela logo deslizou o tecido úmido e inconveniente pelas minhas pernas, tirando-o com os dedos trêmulos de ansiedade e abrindo as minhas pernas com extrema eficiência. Com a respiração sôfrega e o coração batendo aos tropeços, deixei minhas costas caírem nos lençóis da cama, sentindo Emily abocanhar minha intimidade com avidez, arrancando-me um gemido rouco e longo.
Ela puxou meus quadris para baixo, empurrando sua língua quente em minha entrada, entre suspiros chorosos, enquanto uma de suas mãos subia por minha barriga, até alcançar meu seio esquerdo. Coloquei minha mão sobre a dela, ajudando-a a pressionar conforme a sensação de dormência se espalhava pelo meu corpo. Os gemidos que me escapavam passaram a soar agudos e ferozes, gruídos de puro êxtase. Ainda com a língua em movimento, Emily introduziu seus dedos em minha entrada, forçando-os enquanto começava a deslizar sua língua pela extensão encharcada de minha intimidade.
— Em... — Gemi longamente, arrastando minhas unhas pelo seu braço, certa de que ficariam as marcas depois. — Isso é tão bom.
O ápice àquela altura já era perfeitamente palpável, e Emily logo afastou seus lábios de mim e escalou seu caminho de volta para cima, beijando e sorvendo a minha pele com veemência, fazendo-me choramingar e implorar por mais. Ela parou no meio do caminho para colocar meus mamilos em sua boca, um de cada vez, com toda paciência, puxando-os entre os dentes e, então, passando a língua com gentileza.
Peguei seu rosto com as duas mãos, trazendo-o para cima, tomando seus lábios em um beijo lento e caloroso, sorvendo o meu próprio gosto, ao tempo em que empurrava meus quadris contra a mão de Emily, que suspirou alegremente com o lembrete. Ela logo empurrou dois dedos em minha entrada, forçando sua língua contra a minha, enquanto investia com um ritmo constante.
Não demorou muito e minhas paredes começaram a se fechar, junto com as minhas pernas, ao redor dos dedos de Emily, que mordeu meu lábio inferior, olhando-me com as íris negras e completamente dilatadas. Naquele momento, éramos tudo o que importava no mundo.
— Eu amo você. — Emily grunhiu, pressionando seu corpo contra o meu, o que impulsionou os tremores que se seguiram.
Passei meu braço ao redor de seu pescoço, com o corpo ainda em choque, deslizando a minha mão livre pelas suas costas, até chegar ao quadril, onde finquei as unhas rapidamente antes de alcançar a bunda que me tirava o juízo. Emily continuou bombeando seus dedos em mim, entrando e saindo devagar, acalmando-me com um beijo de língua – profundo e lânguido.
Emily segurou as minhas mãos sobre a minha cabeça, entrelaçando nossos dedos delicadamente, escorregando seus lábios pelo meu queixo, mordendo e sugando com força. Fechei meus olhos e apreciei os carinhos intensos que recebia, abrindo-os um minuto depois, ao senti-la se afastar para admirar as prováveis marcas que adornavam minha pele, exibindo um sorriso satisfeito.
— Emily... — Engrolei preguiçosamente, erguendo a mão para afastar uma mecha de cabelo de seu rosto. — Por que está me marcando? Vai ser difícil de esconder...
— Eu não me importo. — Ela disse, roçando seu nariz suavemente contra o meu. — Você é minha, e eu faço o que eu quiser.
— Eu sou. — Concordei devagar, abrindo um grande sorriso em apreciação, conforme uma nova onda de calor se apossava do meu corpo, percorrendo meu ventre e umedecendo meu centro outra vez.
Soltei-me do seu leve aperto e agarrei seu rosto entre as minhas mãos, beijando-a com avidez e crescente necessidade. Inverti nossas posições agilmente, pegando-a de surpresa com meu movimento engenhoso, enquanto um sorriso gentil, mas também extremamente lascivo, contornava meus lábios. Passei meus dedos pelos mamilos sensíveis, estimulando-os com suavidade, ao tempo em que meus olhos percorriam as curvas gloriosas de minha Emily, as quais eu tomaria com propriedade.
— Você também é minha, e eu vou possuí-la agora.
***
Acordei no outro dia com o corpo dolorido, sentindo minhas costas queimarem nos lugares em que Emily fincou suas unhas, mas não era nada que eu não estivesse acostumada – ou não pudesse suportar. Havíamos tido uma noite incrível, apesar das marcas visíveis que ela deixou em minha pele, e teríamos repetido tudo outra vez se Emily estivesse ao meu lado quando despertei do profundo e revigorante sono que tive.
Levantei-me da cama para tomar banho e não me importei em continuar de pijamas até a hora em que eu tivesse de ir para a Columbia fazer as últimas provas antes da pequena pausa para as comemorações dos feriados de fim de ano. Terminei de me vestir e saí do quarto, procurando por Emily pelos cômodos do apartamento e encontrando apenas Spencer ao chegar à cozinha, que, sentada no balcão, bebericava seu café enquanto lia um livro de Augusto Cury.
— “Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis”? — Zombei ao ler o nome do livro, virando-me para a geladeira em meio a risos confortáveis. — Desde quando você lê esses tipos de livros?
— Desculpe, está falando comigo? — Ela retrucou, insipidamente, sem retirar os olhos da página. — Estou muito ocupada fingindo que você não está aqui, caso não tenha percebido.
— Não vamos esquecer que você está dentro da minha casa, Spencer. — Apontei orgulhosamente, sorrindo ao vê-la revirar os olhos, porém sem realmente se afetar. — Esse livro fala sobre o quê, afinal?
— Acredito que o título seja autoexplicativo. — Spencer murmurou ao virar a página. — Mas, não se preocupe, pretendo deixá-lo aqui para você ler quando eu estiver indo embora. Acho que você precisa mais do que eu, de qualquer forma. — Deu de ombros, soando tão natural e distraída que me fez cerrar os olhos, inflando o peito subitamente com sua audácia.
Estava pronta para rebater mais uma vez a insolência que parecia sustentar Spencer, porém tive meu momento interrompido com o súbito barulho do elevador, que apitou um segundo antes de as portas se abrirem, seguido de perto pela voz conhecida de Emily e outra distinta, suave, a qual não soube identificar por ser muito baixa. Spencer e eu estávamos com a atenção voltada para a entrada quando Emily surgiu com uma criança nos braços – e um sorriso brilhante nos lábios –, fazendo-me bater a porta da geladeira com força e cruzar os braços.
Conforme Emily se aproximava, com uma sacola em um dos braços, Spencer enrugou as sobrancelhas e me fitou com os olhos cheios de curiosidade e inquisição, enquanto eu apenas encolhi os ombros, balançando a cabeça, sustentando a mesma expressão. Ao se aproximar, Em cumprimentou Spencer e colocou a sacola sobre o balcão, enquanto o garoto em seus braços se entretinha com um brinquedo.
— Em, por favor, me diz que não roubou essa criança. — Inclinei a cabeça para o lado, com um nó desagradável se formando em minha garganta com a imagem preenchendo meus olhos.
— Jesus, Ali! Claro que não. — Ela riu, sentando o menino no banco, cuidadosamente. — Este é Killian. Eu falei sobre ele com você, lembra-se?
— É, acho que sim... — Murmurei meio incerta, mordendo o lábio ao desviar a minha atenção para Spencer, que arregalou os olhos em sinal de alerta quando eu a fitei. — O que ele está fazendo aqui, afinal? — Perguntei casualmente, enquanto voltava a observar sua animada interação com a criança de aparência frágil e dócil.
— Kira precisava de alguém para ficar com ele hoje e eu me voluntariei. — Emily disse, sorrindo com alegre disposição, enquanto Eros se aproximava por trás dela para roçar em suas pernas.
— Quem é Kira? — Spencer quis saber, entrando de repente na conversa.
— Ótima pergunta! — Exclamei com ironia. — É o que venho querendo saber também.
Emily não respondeu de imediato; ao invés disso, tirou o garoto do banco e o colocou no chão, percebendo a contida agitação dele ao se deparar com Eros, que miava manhosamente para receber alguma atenção. Houve alguns instantes até que ela voltasse a fitar Spencer e a mim, ao passo em que também se certificava de que Eros não iria machucar o menino Killian.
— Ela é irmã e responsável de Killian. Vocês vão conhecê-la em breve. — Emily respondeu, fazendo-me semicerrar os olhos. — Eu a convidei para passar o Natal com a gente. Vocês não se importam, não é? — Perguntou, alternando o olhar receoso entre mim e Spencer, que precisei morder a língua para não me descontrolar e expor as coisas desagradáveis que corriam minha mente.
— Nem um pouco! — Spencer se apressou em dizer, erguendo as mãos ao endireitar a coluna. — Acho que vai ser legal.
Emily assentiu, sorrindo em apreciação diante da boa vontade de nossa melhor amiga e, então, voltou-se para mim, esperando que eu dissesse algo. Como me limitei a apenas encolher os ombros, em um gesto enfadonho de quem não se importava, ela rapidamente teve sua atenção retirada de mim pelo som da risada baixa e espontânea de Killian, que parecia adorar a forma com que Eros pulava e rolava no chão, ajeitando-se então em posição de ataque.
— Ele parece ser um bom menino, não é? — Spencer inclinou a cabeça, com um meio sorriso, observando o mesmo que eu.
— Ou então é mudo. — Complementei logo em seguida, meio que sem pensar, fazendo Emily me encarar com censura e Spencer revirar os olhos.
— Uau! Sua sensibilidade é realmente tocante. — Comentou com uma risada irônica, que me fez arquear as sobrancelhas, desafiando-a a continuar me importunando com suas observações estúpidas.
— Não, ele não é mudo. — Emily disse, estendendo os braços para o garoto ir para o colo dela, o que fez sem pestanejar. — Ele só está tendo problemas para falar ultimamente, mas não é nada que não seja contornável. — Continuou, com o tom ameno e sensível, enquanto deslizava a mão pelos cabelos lisos e dourados, estilo surfista, dele.
— Quer ajuda de uma segunda babá? — Spencer se ofereceu, deixando definitivamente seu livro de lado ao deslizar do banco para acompanhar Emily caminhando pela cozinha, assentindo com a cabeça, e eu permanecia encostada no mesmo lugar, com os braços cruzados. — Vamos lá, pequeno Killian. Que tal assistirmos desenho enquanto Emily prepara algo para você comer?
— Ben 10! — Conseguiu dizer, finalmente, embolado e com evidente dificuldade.
— O que você quiser. O controle estará em suas mãos. — Spencer sorriu, enquanto ele escorregava do colo de Emily para o dela. — Ali, não quer se juntar à turma do Ben 10? — Ela piscou, rindo de suas próprias palavras.
— Não, eu tenho que me arrumar. — Desviei os olhos do sorriso esperançoso, mas que logo se desmanchou do rosto de Emily, junto com o de Spencer, que deu de ombros ao levar o garoto para a sala.
— Não deixe que ele coloque o dedo na boca. — Emily precisou gritar para que ela escutasse, acrescentando logo em seguida, conforme tirava algumas coisas da geladeira para alimentar Killian: — Ou fazer qualquer coisa que possa machucá-lo.
Era perfeitamente nítido que Emily tinha um cuidado especial com aquela criança, incitando minha curiosidade acerca dos motivos. Talvez fosse a irmã intrusa, a tal Kira, que, apesar de eu não conhecê-la, sentia uma profunda antipatia. Aquela conexão significava perigo iminente, assim como o encanto que Emily parecia ter por aquele menino, que servia para influenciar fatores indesejáveis — o primeiro sinal do presságio de Hanna.
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