The Blind Side Of Love
5 Pretty When You Cry.
Notas iniciais
Eram quase oito horas da manhã quando despertei do sono profundo em que me afundei depois da longa e intensa noite de ontem. As persianas do quarto, felizmente, estavam muito bem fechadas, impedindo que qualquer punhado de claridade ameaçasse invadir as frestas.
Ergui minha cabeça do travesseiro, dando uma rápida olhada em Emily, que permanecia dormindo em meus braços e com o corpo desnudo praticamente enroscado ao meu. Afundei meu rosto na curva de seu pescoço, aspirando aquele cheiro suave e natural que só ela possuía, enquanto pressionava nossos corpos com firmeza.
Esperei alguns instantes, beijando as costas nuas com suavidade na esperança de que ela fosse acordar, mas, quando isso não aconteceu, desvencilhei-me de seu corpo cuidadosamente e me levantei da cama. Por mais que minha pele desejasse que aquele contato nunca fosse desfeito, meu estômago exigia o contrário. Estava faminta demais para pensar em qualquer outra coisa que não fossem as panquecas que meu pai havia me ensinado a fazer.
Dessa forma, tratei de tomar banho e me dirigir à cozinha assim que me troquei, vestindo uma das camisetas favoritas de Emily, com um número qualquer estampado, e shorts jeans de um palmo e meio. Despejei os itens necessários na cafeteira elétrica e comecei a preparar a massa das panquecas, colocando-a na frigideira assim que atingiu o ponto certo. Aproveitei o intervalo dentre uma coisa e outra para ligar para a padaria, que ficava a alguns quarteirões de distância, encomendando a torta de maçã que Em adorava. Em seguida, avisei ao Andy sobre o rapaz que subiria com a minha encomenda.
Estava quase terminando de fritar os ovos e preparar as panquecas quando ouço o barulho das portas metálicas do elevador. Apressei-me em chegar até a sala, onde o rapaz já se encontrava com parte do meu café da manhã em mãos. Peguei minha carteira em cima do aparador —posicionado logo na entrada —retirando algumas notas de dentro rapidamente e entregando-as a ele, ignorando completamente as olhadas indiscretas para as minhas pernas.
— Bom dia! — Emily surgiu atrás de mim, agarrando-me pela cintura quando eu alcancei a cozinha e voltei a mexer no balcão, onde depositei a torta.
— Finalmente acordou. — Virei o pescoço para fitá-la, percebendo seu rosto amassado e sonolento.
— Ah, você sabe, a cama não é a mesma sem o seu calor. — Resmungou com a voz rouca, beijando meu rosto rapidamente antes de ir até a geladeira, retirando da mesma uma jarra de água. — Além disso, senti o cheiro de café e ovos e não resisti. Estou faminta! — Emily tomou sua água e pegou duas xícaras no armário, servindo-me primeiro antes de me puxar para que eu sentasse junto a ela.
— Comprei sua torta favorita. — Avisei depois de um instante, vendo-a assentir enquanto experimentava a panqueca coberta por mel e levar um pedaço a minha boca logo em seguida.
— Está uma delícia, Ali. — Em elogiou, colocando mais algumas fatias em seu prato, junto dos ovos.
Com isso, comemos juntas e em silêncio, vez ou outra brincando de atirar pequenos pedaços de panqueca uma na outra. Emily estava constantemente me beijando, enquanto eu não conseguia tirar meus olhos do generoso decote de sua camisola de seda preta. Logo, ela se ergueu do banco e começou a arrumar toda a bagunça que fizemos, limpando o balcão e retirando as coisas do café da manhã sobre o mesmo.
Eu, por outro lado, continuei a observá-la em silêncio, respondendo as perguntas que ela me fazia de vez em quando. Já havia se tornado algo muito comum quando eu viajava naquelas curvas que o tempo só tratou de aprimorar. Emily era deslumbrante em diversas formas diferentes, fazendo-me ficar ainda mais insegura sempre que alguém a olhava por mais de cinco segundos.
— Ei, você vai almoçar com seu pai, certo? — Ela perguntou, tocando minha mão sobre o balcão gentilmente assim que terminou de lavar a louça, o que me fez focar minha visão outra vez em seu rosto bonito.
— Acho que sim. — Respondi, sem muito interesse. — Ele disse que iria me ligar quando chegasse. — Dei de ombros, desviando os olhos para os nossos dedos entrelaçados.
— Bem, de qualquer forma, eu vou almoçar com Aria e Hanna. — Comentou, inclinando-se em minha direção com um sorriso estonteante. — E depois... Eu tenho algo especial para você.
— O que é? — Animei-me, ficando ereta no banco enquanto a fitava com os olhos cheios de expectativas.
— É uma surpresa. — Emily recuou, balançando a cabeça levemente em negação, como se não adiantasse eu insistir, porque ela não iria dizer. — Apenas esteja aqui às sete horas, está bem? Sei que ficou de estudar com uma de suas amigas e não quero atrapalhar.
— Ai, droga! — Resmunguei ao me lembrar de que havia combinado com Bree hoje à tarde, e ainda tinha a festa do pijama na casa de Natasha.
— Algo errado? — Ela quis saber, arqueando as sobrancelhas com ligeira preocupação.
— Não, tudo perfeito. — Garanti, inclinando-me em sua direção para beijá-la rapidamente antes de me levantar.
— Então, eu posso esperá-la?
— Claro que sim! — Respondi enquanto procurava pelo meu celular dentro da minha bolsa. — Eu só preciso achar... Aqui! — Peguei meu iPhone e destravei a tela rapidamente, vendo algumas ligações perdidas da minha mãe, mas nenhuma do meu pai.
Resolvi ignorá-las por enquanto, visto que ela só me ligava para perguntar como Emily estava e se eu não havia feito nada de errado para estragar o nosso relacionamento. Como sempre, a falta de confiança era tocante e especialmente previsível. Ela deveria saber que a minha lealdade à Emily não era algo que eu havia herdado dela, mas algo que eu mesma sempre quis para mim. E, no final das contas, a sensação de honestidade com a pessoa que eu amo era uma recompensa gratificante.
— Amor... — Emily chamou a minha atenção, fazendo-me desviar os olhos desfocados do celular e encará-la com a expressão de paisagem. — Você está tão distraída. — Observou ao me puxar pelo pulso para que eu me sentasse em seu colo assim que ela se ajeitou no sofá.
Sem dizer nada, inclinei-me em sua direção e beijei seus lábios suavemente, preenchendo minha mão esquerda com seus cabelos conforme eu mantinha a direita em seu pescoço. Emily me abraçou pela cintura com força, fazendo-me suspirar entre o beijo, conforme nossos lábios se moviam sonoramente. Adorava aquela sensação de estar em seus braços, assim como eu também apreciava quando eu a tinha nos meus.
— Nenhuma dica sobre hoje? — Arrisquei-me a perguntar, fitando-a profundamente enquanto acariciava seu rosto com delicadeza.
— Você vai amar. — Foi tudo o que ela disse antes de me puxar para outro beijo, deixando-me sem fôlego com a ternura que o gesto implicou.
Depois de passar o resto da manhã aos beijos e carícias com Emily, tratei de tomar outro banho logo depois dela e me arrumar para almoçar com meu pai. Por mais que eu sentisse falta dele, estava contando que fosse algo breve e objetivo, o que eu tinha certeza que seria, já que ele tinha outros lugares para estar. Não via a hora de chegar o momento em que eu finalmente saberia o que Emily havia preparado para mim.
Pensando nisso, terminei de vestir minha camiseta com estampa de gatinhos por todo o tecido e abotoei a calça skinny preta, pegando uma das jaquetas college de Emily de dentro do espaçoso armário logo em seguida. Olhei-me no espelho e ajeitei meu cabelo cuidadosamente para não estragar as ondulações, sorrindo satisfeita com o resultado.
Em minutos, Emily e eu deixávamos o apartamento e seguíamos em direção a um restaurante francês na quinta avenida, onde meu pai e eu iríamos almoçar. Distraída enquanto dirigia, Em levou sua mão até a minha perna, pegando minha mão e entrelaçando nossos dedos, mantendo sua atenção focada na direção. Encarei-a por alguns instantes, com os lábios curvados num meio sorriso, tentando enxergar através dos óculos de sol que ela usava e que a deixavam tão inexplicavelmente sensual.
Ao chegarmos, ela estacionou o carro em frente ao restaurante e se inclinou em minha direção, beijando-me demoradamente, até um sorriso involuntário se formar em meus lábios e ela se afastar para me fitar com curiosidade. Emily tirou os óculos e pendurou na gola de sua blusa, perguntando-me, sem precisar abrir a boca, “O que foi?”.
— Você é maravilhosa. — Sussurrei tão baixo quanto pude, aproximando meu rosto até nossos lábios voltarem a se encostar com delicadeza momentânea, transformando o contato viciante num beijo que exalava a saudade antecipada. — Comporte-se, ouviu? — Avisei, deslizando meu dedo indicador pelo seu maxilar, até chegar aos seus lábios, onde acariciei suavemente antes de plantar um beijo de despedida neles.
— Eu amo quando você manda em mim. — Em suspirou, desviando os olhos para frente com um sorriso espontâneo moldando aquela boca que só a minha podia encostar.
— Eu também adoro mandar em você... — Concordei rapidamente, levando meus lábios até o seu ouvido para sussurrar: — Principalmente quando estamos nuas, suadas e sem fôlego. — Virei o rosto apenas para vê-la arregalar os olhos e engolir em seco, provocando um sorriso satisfeito e perverso em meus lábios.
— Assim não vale. — Ela murmurou, inspirando profundamente antes de escorregar sua mão pela minha coxa e traçar a linha da minha mandíbula com beijos intensos. — Isso é covardia, Ali... O que me impede de jogá-la no banco de trás e arrancar toda essa roupa?
— Provavelmente a imagem do seu sogro bravo. — Provoquei entre risos, não contendo o frio no estômago com a visão de Emily e eu fazendo amor no banco de trás do carro. — Mas a ideia é tentadora. — Tornei rapidamente, plantando beijos molhados entre cada palavra proferida.
— Vá logo, antes que eu não resista. — Ela riu, relaxando os músculos e controlando sua respiração assim que eu me afastei.
Arqueei as sobrancelhas por um segundo, rolando os olhos logo em seguida, conforme tentava conter um meio sorriso. Peguei minha bolsa e saí do carro com toda calma, soprando-lhe um beijo antes de fechar a porta atrás de mim. Emily balançou a cabeça devagar, incapaz de conter um sorriso ao sair com o Volvo no instante em que dei às costas.
O ar gélido que me atingiu assim que eu entrei no restaurante me fez agradecer por estar usando roupas apropriadas à temperatura glacial de Manhattan e amaldiçoar o estúpido que deixou o ar condicionado ligado. E, antes que eu pudesse pensar em qualquer outra coisa, fui imediatamente surpreendida por um dos garçons, que me conduziu a uma mesa confortável no centro do recinto.
Uma vez sentada, tirei meu celular de dentro da bolsa e comecei a checar os e-mails recentes, todos referentes à universidade, enquanto esperava pelo meu pai. Depois de alguns longos minutos de espera, resolvi ignorar os e-mails e mandar uma mensagem para Emily, perguntando se ela já estava com as meninas. Deixei meu celular cair sobre a mesa e comecei a brincar com os talheres de prata postos delicadamente um de cada lado do prato, até que uma voz masculina chamou a minha atenção:
— Mas veja só! — Zachary praticamente uivou ao parar do outro lado da mesa, arrastando a cadeira e se sentando sem qualquer cerimônia, o que me fez bufar imediatamente e revirar os olhos. — Deixe-me adivinhar, namorada deu um bolo?
— Você está me perseguindo ou quê? — Exigi bruscamente, encarando-o com o cenho franzido ao notá-lo ajeitar os talheres numa linha perfeita.
— Não se ache demais, está bem? — Ele ergueu a mão num gesto de protesto indignado, o que me fez cruzar os braços e descansar as costas no encosto da cadeira. — Eu só estou esperando pela Erin, que já deveria ter chegado há vinte minutos. Aquela garota precisa de um relógio urgente! — Relaxei meus ombros quando percebi que ele estava sendo sincero, mas não desfiz a expressão de desinteresse.
— Bem, eu não acho que isso seja da sua conta, mas, só para você saber, eu estou esperando pelo meu pai. — Forcei um sorriso em sua direção, passando os olhos rapidamente pela sua camisa social slim na cor azul marinho.
— Ah, isso é uma pena. — Zach disse, comprimindo os lábios naturalmente avermelhados num bico que seria adorável se eu não o detestasse. — Eu estava ansioso para conhecer a sua namorada. Qual é mesmo o nome dela?
— Por que você se importa? — De repente, me vi assumindo uma posição defensiva. Aquele garoto estava começando a me importunar de uma forma que não havia volta.
— Você ficaria surpresa. — Limitou-se a responder, exibindo um meio sorriso carregado de presunção e capricho. — Olhe só, Erin finalmente chegou.
Virei minha cabeça para trás imediatamente, seguindo o seu olhar até uma mesa afastada, onde Erin se acomodou sem ao menos se dar conta da nossa presença. Os cabelos loiros e ondulados balançavam com destreza conforme ela movia a cabeça na direção de seus pertences. Além de sua bolsa Prada, ela carregava algumas pastas na cor preta, depositando-as em cima da mesa e conferindo seu reflexo nos talheres durante o processo.
— É melhor eu ir até lá, antes que ela veja você. — Zach se levantou, ajeitando o relógio em seu pulso por puro charme. — Obrigado pela companhia!
— Não se deve agradecer algo que foi forçado. — Rebati no mesmo instante, arrancando-lhe um riso baixo.
— Ah, sim... — Assentiu, como se fosse um detalhe bobo, pausando brevemente antes de prosseguir com um sorriso largo e promissor. — Isso é o resultado de uma primeira impressão negativa e não me importo em mostrá-la que não sou feito só disso. Eventualmente, dentre as centenas de impressões que posso causar, alguma irá chamar a sua atenção.
Antes que eu soubesse o que dizer, ele já estava se afastando e tudo o que pude fazer foi espiá-lo por sobre os ombros, cerrando os olhos diante de toda a situação. Se por um instante eu me permitisse a analisá-lo, contemplá-lo de forma mais ampla, todas as minhas certezas a respeito desse garoto debochado entrariam num doloroso conflito e alguma coisa me dizia que ele não estava errado em suas afirmações: algo de interessante Zach tinha e negar tal fato seria uma bobagem, se não perda de tempo.
— Desculpe a demora, querida. — Fui bruscamente arrancada dos meus pensamentos ao me deparar com meu pai beijando minha testa num afetuoso cumprimento, sentando-se, então, onde Zach esteve há poucos minutos. — Espero que não esteja aqui há muito tempo. Está com fome? — Ele acenou para o garçom, fazendo sinal para que o rapaz se aproximasse.
— Um pouco. — Respondi superficialmente, balançando a cabeça numa tentativa de dissipar o que parecia começar a me interessar. — O que o trouxe aqui, afinal? Fiquei curiosa quando disse que tinha algo para me contar.
— É um assunto para depois do almoço. — Respondeu rapidamente, fazendo nossos pedidos quando o garçom finalmente se aproximou, deixando-me ainda mais curiosa e desconfiada. — Onde está Emily? Pensei que ela viria com você.
— Ela só me deixou aqui e foi almoçar com as meninas. — Dei de ombros, sorrindo brevemente para o pensamento que havia acabado de se formar em minha mente. — E não é como se ela se sentisse confortável em almoçar com você, papai. Talvez devesse abaixar um pouco a guarda em relação à Emily. — Apontei incisiva, recebendo um olhar indizível de sua parte.
— Por que eu faria isso? — Ele quis saber, fitando-me num misto de seriedade com curiosidade. — Jessica pode adorá-la, mas eu ainda estou de olho, afinal, esse é o meu dever.
— Pensei que já tivéssemos passado dessa fase. — Murmurei, rolando os olhos conforme apoiava meu queixo sobre a palma de minha mão.
Aquele assunto havia claramente chegado ao fim, o que fez meu pai sacudir a cabeça levemente e tirar algo de dentro do bolso interno de seu terno italiano. Era uma caixinha de veludo vermelha, que ele logo estendeu em minha direção. Não pude conter o enorme e brilhante sorriso que enfeitou meu rosto quando abri e me deparei com uma lindíssima pulseira da Cartier. Papai sabia exatamente como reavivar o meu humor e merecia os devidos créditos por isso.
— Obrigada, eu adorei! — Tirei a pulseira coberta por ouro da caixa e coloquei em meu pulso, balançando-o levemente para apreciá-la de vários ângulos, o que me fez lembrar de que precisava passar na Cartier para pegar o que eu havia comprado alguns dias atrás.
Ele murmurou algo que mal pude ouvir em resposta e começou a me fazer perguntas sobre toda a minha nova rotina, sobre as minhas novas amigas, até a nossa refeição chegar e trocarmos o tópico da conversa para seu imenso júbilo a respeito da minha escolha por Medicina. Era muito bom senti-lo orgulhoso, e o fato de a nossa relação ter mudado da água para o vinho depois que ele descobriu sobre o caso do Sr. Hastings com a minha mãe era melhor ainda.
— Ali, eu estive pensando... — Ele irrompeu de repente, quebrando o silêncio que se instalou assim que terminamos de comer. O nervosismo em seus músculos tensos era bem nítido. — Jason está morando na Filadélfia e você aqui em Nova Iorque. Demorei a tomar uma decisão, mas percebi que não há mais nada que me prenda em Rosewood.
— Papai, o que está dizendo? — Franzi levemente o cenho, não compreendendo onde ele queria chegar com aquilo.
— Eu estou deixando sua mãe. — Dessa vez, sua resposta foi simples e objetiva, causando-me espanto imediato.
— Está certo disso? — Recompus-me rapidamente, como se a notícia não houvesse me abalado de certa forma.
— Eu deveria ter feito isso há muito tempo, mas, ao invés disso, fingi que nada estava errado. — Ele disse, tomando um breve gole de água antes de tentar sorrir para mim.
— Jason já sabe? — Perguntei com interesse, lembrando-me das sete ligações perdidas da minha mãe no meu celular. Ela queria me contar antes que meu pai tivesse a chance, que pela expressão incerteza dizia que provavelmente. — Sinto muito, pai. — Consegui dizer depois do que foram alguns segundos em silêncio, pesando as mentiras arriscadas que por tanto tempo minha mãe sustentou.
Nada realmente ficava oculto para sempre, e só de pensar nas chances de eu acabar me tornando alguém cujas falhas eu passei a adolescência inteira criticando e condenando me apavoravam. Não era segredo para ninguém que a relação que eu me obrigava a manter com minha mãe não passava de algo superficial, uma vez que ela não era objeto de meu respeito e admiração. No entanto, o fato de sermos mais parecidas do que eu jamais me permitiria admitir era o que mais me incomodava.
— De qualquer forma, eu tenho assuntos importantes para tratar em Singapura. — Voltei minha atenção para meu pai quase de imediato, vendo-o conferir as horas em seu relógio de pulso. Em seguida, ele fez um sinal para que o garçom trouxesse a conta, enquanto eu ainda permanecia com o rosto lívido. — Como eu sei que ficará bem sem mim, preciso correr para o aeroporto se eu não quiser perder o voo.
Dito isso, ele retirou algumas notas de cem da carteira e as colocou dentro da caderneta preta sem ao menos olhar. O garçom pareceu contente e então se retirou, deixando-nos à vontade outra vez. Meu pai repousou sua mão sobre a minha devagar, apertando-a com delicadeza conforme me lançava um sorriso acolhedor, como numa tentativa de me assegurar que tudo estava bem. Em seguida, ele se levantou e se inclinou em minha direção, depositando um beijo longo e terno em minha fronte.
— Ah! E antes que eu me esqueça... — Ele tirou algo de dentro do bolso de sua calça social e jogou em minha direção quase no mesmo instante.
Consegui pegar o objeto antes que alcançasse alguma parte do meu corpo, encarando-o com ligeira curiosidade e arqueando as sobrancelhas quando notei ser uma miniatura de um carro, mas antes que eu pudesse terminar de analisá-la, meu pai pegou sua pasta escura e acrescentou sonoramente antes de se afastar:
— Aproveite!
Voltei meu olhar outra vez para o chaveiro da miniatura, destacando perfeitamente o logotipo da Porsche. Coloquei o objeto em cima da mesa e esperei alguns instantes, processando tudo o que havia acontecido e chegando à conclusão de que eu já deveria esperar por aquilo. Era dessa forma que os DiLaurentis lidavam com notícias ruins, dando presentes como forma de consolo, assim como a família Hastings e, mais precisamente, meu pai biológico.
***
Depois que saí da Cartier, chamei um táxi e fui direto para casa, dando-me apenas o trabalho de ligar para Bree e cancelar nosso compromisso com uma desculpa qualquer, fazendo o mesmo com Natasha. De repente, percebi uma indisposição fora do comum se alojar em cada fibra do meu ser e me negava acreditar que a separação dos meus pais pudesse ser a causa disso, afinal, era algo que eu vinha querendo há algum tempo, já que, para mim, traição se encaixava na lista das coisas que eu julgava serem imperdoáveis.
Desci do táxi e rumei em direção ao prédio o mais rápido que pude, balançando os cabelos loiros e brilhantes conforme eu alcançava o elevador. Uma vez dentro, apertei o número trinta e três e esperei sem muita paciência, até que o elevador apitou e as portas metálicas finalmente começaram a se afastar devagar, dando margem ao interior do meu apartamento.
A primeira coisa que escutei quando joguei minha bolsa em cima do aparador foi a risada estridente de Hanna, seguida do som da televisão ligada em algum canal de filmes. Aproximei-me da sala e me certifiquei de que se tratava de Aria e Hanna jogadas no meu sofá, comendo Cheetos de queijo enquanto assistiam ao que passava na televisão. Esperei que uma delas notasse minha presença, mas, quando isso não aconteceu, olhei ao redor e suspirei.
— Onde está Emily? — Perguntei em alto e bom som, tentando fazer com que minha voz se sobressaísse ao volume da televisão.
— Está no banho. — Aria respondeu, virando o pescoço para me fitar com os lábios curvados num meio sorriso.
Nem esperei para escutar o que Hanna estava prestes a dizer e dei às costas para as duas, seguindo em direção ao meu quarto, onde comecei a tirar a jaqueta larga de Emily, fazendo a mesma coisa com a camiseta, calça, botas e meias. Entrei no banheiro e logo avistei a impecável e inconfundível silhueta de Emily através do vidro embaçado do box, o que me fez terminar de me despir por completo e me juntar a ela quase de imediato.
— Alison... — Em suspirou, aliviada por se deparar comigo quando eu a toquei. — Jesus, amor! Você me assustou... — Exasperou ao tocar meus braços frios com as mãos quentes e me puxar para debaixo do chuveiro junto com ela.
Sem dizer uma palavra, deslizei as minhas duas mãos pelo corpo macio e molhado de Emily, colando nossas peles conforme eu erguia meu rosto levemente para que os nossos lábios se encontrassem. Aquele contato suave enviava cargas elétricas por cada célula do meu corpo, que, pressionado ao dela, provocava faíscas mais poderosas e desejos mais extremos — não era carnal, no entanto.
Meu coração batia violentamente contra o meu peito, mas, ao invés de ser euforia causada pelo contato quente e convidativo de Emily, parecia angústia misturada a um medo absurdo. Precisava mantê-la perto o suficiente para me assegurar de que nada seria capaz de nos separar, e a cada movimento que Em fazia com seus lábios pressionados nos meus, as batidas se tornavam ainda mais sinuosas e erráticas.
— O que aconteceu? — Ela perguntou, escorregando seus beijos pelo meu pescoço, até chegar à clavícula. — Pensei que não fosse voltar antes das sete.
— Fiquei com saudade. — Confessei baixinho, suspirando audivelmente quando senti sua língua acariciar meu seio preguiçosamente, até alcançar o mamilo túmido e capturá-lo entre os dentes.
Emily se limitou a sorrir quando joguei minha cabeça para trás, apertando sua nuca com força enquanto ela explorava toda a extensão das minhas costas, correndo os dedos logo em seguida para as minhas pernas. Emaranhei seus cabelos entre os dedos e deixei um gemido baixo escapar quando suas carícias começaram a se estender até meu umbigo, sugando e mordendo a pele com uma pontada de provocação.
A água quente que caía em minha pele servia apenas de combustível para o desejo ardente, que, aos poucos, me culminava por dentro, assim como os toques curiosos e, ao mesmo tempo, determinados de Emily. Devagar, ela ficou de joelhos diante de mim, descendo seus beijos e mordidas pela minha coxa conforme fazia questão de deixar marcas visíveis por onde sua boca passava.
— Em... — Tirei alguns fios molhados de cabelo de seu pescoço, usando minha mão livre para arranhar sua nuca sem piedade.
— Estou pronta para ser mandada. — Em sussurrou ao afastar sua boca do meu quadril, fazendo com que um sorriso fraco e automático surgisse em meus lábios. — O que você quer, meu amor?
— Eu quero que você me encha de prazer. — Respondi roucamente, fitando-a nos olhos com as íris carregadas de luxúria. — Vamos, Em, eu preciso de você agora. — Arquejei ao perceber uma de suas mãos vagar entre minhas pernas.
Só com o seu olhar faminto e lábios entreabertos, meu centro pulsou de forma ainda mais violenta, o que me fez diminuir o espaço entre minhas pernas ao fechá-las devagar numa tentativa falha de conter a umidade cada vez mais crescente, apesar de estarmos sob o chuveiro, que Emily provocava ao retardar os toques e sensações destinados apenas a mim.
Com um sorriso gentil, porém cheio de malícia, ela me puxou para mais perto, abrindo as minhas pernas o máximo que pôde e, então, fez o que eu tanto estava querendo. Emily segurou firme minhas pernas ao deslizar sua língua vigorosamente por toda a extensão da minha intimidade, acompanhando-me sonoramente nos gemidos que me escaparam assim que os movimentos se tornaram ágeis e precisos.
— Em, amor... — Formulei entre longos suspiros, apoiando-me com a mão no vidro embaçado a minha frente. — Deus, isso é tão bom!
Na verdade, aquilo era o verdadeiro paraíso e eu tinha certeza de que nunca poderia experimentar tamanha sensação com outro alguém que não fosse Emily. Sabendo que não conseguiria me segurar por mais tempo, consegui fazer com que ela se reerguesse, voltando a ficar da minha altura, e me prensando contra o vidro sem cerimônias. Seu corpo inteiro estava em brasa e necessitado do contato de pele com pele, assim o meu.
Puxei-a imediatamente para um beijo, sentindo meu próprio gosto, enquanto ela deslizava suas mãos pelas laterais do meu corpo. Emily seguiu o ritmo que eu mesma impus, deslocando suas mãos das minhas coxas até os meus glúteos, onde ela apertou com força, pressionando nossas intimidades, o que arrancou ruídos das gargantas de ambas.
— Em, seja boazinha... — Praticamente implorei, sugerindo que ela me tocasse o quanto antes.
Ela plantou um beijo suave e molhado em meus lábios, deslizando-os em direção ao meu ouvido quando, outra vez, suas mãos afastaram minhas pernas determinadamente. Enquanto isso, aproveitei para escorregar meus dedos pelos seus braços, apreciando a rigidez dos músculos tensos, ao tempo em que sua voz rouca e lasciva começava a fazer cócegas num misto de palavras provocantes e sem limites.
Estava prestes a murmurar alguma reclamação quando Emily deslizou seus dedos entre minhas pernas, buscando minha entrada sem perder tempo. Suas íris negras e dilatadas voltaram a me fitar profundamente, não perdendo a minha reação com os toques íntimos e intensos. Gemidos longos, porém roucos deixaram nossas bocas entreabertas, fazendo-me arrastar minhas unhas pelas suas costas quando finalmente senti as investidas se tornarem rápidas e vigorosas.
— Por favor, não pare. — Murmurei entre gemidos, puxando-a para um beijo cheio de paixão e ansiedade, que, difícil de manter, logo foi quebrado. — Estou tão perto...
— Vem para mim, Ali... — Em impulsionou seu corpo para frente, forçando sua mão com os movimentos em minha intimidade, o que me fez sentir cada vez mais próxima.
Precisei apenas de mais alguns estímulos verbais, até Emily forçar seus dedos bruscamente e me trazer até à borda do tão conhecido orgasmo. Incapaz de conter os gemidos agudos e perfeitamente sonoros, Em colou seus lábios nos meus, enquanto eu afrouxava o aperto das minhas unhas nas suas costas e me rendia ao turbilhão de sensações que me varreu como uma avalanche. Se não fosse pelos seus braços capazes e engenhosos me segurando, meu corpo certamente estaria no chão.
Com beijos suaves e delicados chupões em meu pescoço, ela desceu seus lábios até os meus seios, dando-lhes atenção especial antes de voltar a me beijar na boca com um sorriso enorme preenchendo aquela expressão cansada, mas nem de longe saciada.
— É tão maravilhoso poder ter você assim todos os dias. — Ela murmurou, mordendo meu lábio inferior devagar enquanto comprimia um meio sorriso. — Às vezes, sinto como se estivesse sonhando.
Emily puxou minha cintura, pressionando nossos corpos com firmeza conforme inclinava seu rosto para beijar meu maxilar delicadamente, descendo para o meu pescoço enquanto a pressão da água atingia nossas peles coladas de maneira agradável e relaxante. Suas mãos estavam em constante movimento entre minhas costas e a parte de trás de minhas coxas.
— Não é um sonho. — Com a voz rouca e trêmula, foi tudo o que consegui dizer.
Por um momento, senti meu peito arder a cada vez que eu o inflava e meus olhos salpicarem ao longo das carícias suaves de Emily. Sem saber como, ou por que, encostei meu rosto em seu ombro e deixei algumas lágrimas fujonas escorrerem pelas maçãs do rosto, misturando-se a tantas outras que se seguiram.
A esta altura, controlar as emoções parecia fora de questão, uma vez que todas as minhas defesas se desmantelaram com a simples observação de Emily. Ela tinha esse poder sobre mim, de me desarmar sem qualquer esforço, e o medo de errar e acabar com tudo o que temos fugia completamente do meu controle. O que seria de mim se eu a perdesse? Foi-se o tempo em que tudo o que eu precisava fazer para mantê-la por perto era manipulá-la.
— Ali... — Emily me chamou, erguendo meu rosto com as mãos para que eu a olhasse. — O que... Eu machuquei você? — Sua voz estava carregada de preocupação, enquanto meu coração parecia bater dolorosamente devagar.
Sem vontade de dizer nada, neguei com a cabeça e voltei a descansar meu rosto em seu ombro, sentindo-a me abraçar e me apertar contra seu corpo protetoramente. Alguns soluços, vez ou outra, escapavam de minha garganta, mas eu não poderia me importar menos e Emily respeitava o meu momento. Já havíamos passado da fase em que eu era sempre tão durona e indestrutível perto dela.
Em silêncio, ela abriu ainda mais o chuveiro e pegou o shampoo no suporte, despejando um pouco em sua mão e então espalhando pelo meu cabelo. Fechei os olhos e a deixei prosseguir com todo aquele cuidado, até terminarmos de tomar banho, onde eu me enrolei na toalha e fui para o quarto esperá-la.
— Tome, coloque isso aqui. — Ela estendeu a sua camiseta que eu havia usado pela manhã, sentando-se ao meu lado na cama. — Eu adoro vê-la com as minhas roupas. — Comentou, inclinando-se para beijar meu rosto suavemente antes de se levantar para começar a se vestir também.
Depois que terminei de me arrumar e secar o cabelo, fui para a sala e Emily fez a mesma coisa logo em seguida, trazendo uma coberta junto de alguns travesseiros. Aria e Hanna não se preocuparam em disfarçar seus olhares curiosos para nós duas.
— Aposto que estavam transando. — Hanna observou, mantendo os olhos fixos na televisão. — Vocês não se cansam? — Dessa vez, ela arriscou nos olhar, parecendo genuinamente curiosa e interessada.
— Nunca. — Emily respondeu, embrenhando-se na coberta atrás de mim e me abraçando com firmeza, conforme enterrava o rosto brevemente na curva do meu pescoço.
Encarei a televisão por alguns instantes, encontrando-me sem vontade de assistir ao filme que elas estavam vendo e me virei para Emily. O sorriso doce e ameno que avistei assim que fiz isso me derreteu por completo, o que me fez colar meu corpo ao dela e encostar minha testa à dela, beijando aqueles lábios que eu tanto amava.
— Ei, as duas aí! Eu consigo escutar vocês se beijando, sério... — Aria irrompeu de repente, fazendo Emily parar de me beijar para olhá-la envergonhada por mostrar tanta intimidade perto delas.
— É só você parar de prestar atenção no movimento das nossas línguas, Aria. — Retruquei, sem tirar meus olhos de Emily e logo voltando a beijá-la com a mesma intensidade de antes, sem me importar com os prováveis olhares.
Escutei uma das duas bufar, muito provavelmente Aria, mas não parei o meu momento com Em para espiar a reação delas. Apesar de não estarmos sozinhas, aquilo parecia mágico, e a forma como Emily me envolvia em seus braços enquanto me beijava acalmava todas as turbulências que eu mal conseguia compreender. Odiava me sentir tão vulnerável e por motivos tão paranoicos, como perder Emily para qualquer uma. Era algo que eu não podia controlar, no entanto.
Depois que as meninas finalmente foram embora, Em e eu ainda ficamos deitadas no sofá na mesma posição de antes. A televisão estava ligada no volume baixo em algum canal de séries, mas minha atenção estava voltada somente à respiração calma de Emily, conforme ela acariciava meus cabelos vagarosamente, vez ou outra plantando beijos suaves por toda a extensão do meu rosto.
— Como foi o almoço com seu pai? — Ela perguntou, cansando-se do silêncio sepulcral entre nós duas.
— Ele me deu uma pulseira adorável. — Respondi insipidamente, brincando com os botões de sua camisa comprida. — E um carro.
— Sério? — Em se afastou um pouco, fitando-me com entusiasmo, enquanto eu apenas assenti sem mover um músculo. — E por que não está feliz?
— Eu estou. — Menti. — Só não por fora.
— Ali...
— Eles estão se separando, Em. — Contei, sentindo um nó doloroso se formar em minha garganta. — Eu sei que eu deveria ficar feliz com isso, mas eu não consigo.
— Por que você ficaria feliz com isso? — Ela quis saber, parecendo espantada com tal afirmação.
— Há tanta coisa que você não sabe... — Murmurei baixinho, enquanto ela limpava as lágrimas que escorriam pelo canto dos meus olhos. — Minha mãe... Eu sinto tanta raiva e nojo dela. — Exprimi, afundando meu rosto em seu peito numa tentativa inútil de conter as gotas incessantes, enquanto Emily se sentou no sofá e me puxou para junto dela.
— Ali, meu amor, o que aconteceu? — Ela parecia desesperada, secando as lágrimas silenciosas que insistiam em continuar caindo pelo meu rosto.
— Ela teve um caso com o nosso vizinho em Rosewood. — Consegui dizer, erguendo o rosto para conseguir respirar. — Ela passou praticamente treze anos da minha vida traindo meu pai! E foi por isso que nos mudamos para aquela cidade, para que ela pudesse ficar perto do amante, que, por sinal, é meu pai biológico. — Voltei a fitá-la, não querendo perder sua reação de completo choque e espanto.
— Ali, eu sinto muito! — Foi tudo o que ela conseguiu formular de imediato, apertando minha mão num gesto de conforto. — Há quanto tempo você sabe disso?
— Eu sempre soube. — Afirmei rapidamente, balançando a cabeça e retribuindo seu olhar de simpatia. — Sinto muito por não ter contato a você antes, mas isso é algo que precisa ficar entre nós duas.
— Eu não vou contar às outras. — Ela prometeu, erguendo fracamente o canto dos lábios num meio sorriso. — Não entende que sou completamente leal a você?
— É por isso que eu amo tanto você. — Suspirei, sentindo-me leve e aliviada. Aquilo era realmente algo que eu precisava tirar do meu peito. — Confio em você com meus olhos fechados. — Inclinei-me em sua direção e a beijei demoradamente nos lábios, apoiando-me com as mãos em seus joelhos.
— Eu também amo você.
Com isso, deitei-me em seu colo, aproveitando a sensação de segurança que Emily tão naturalmente me passava. Ela era tudo o que eu precisava; a parte que me mantinha sã.
— Ei! — Ergui-me imediatamente, sentando-me no sofá e ficando na mesma posição que ela. — Você disse que tinha uma surpresa para mim. — Lembrei-a, automaticamente me recordando que eu também tinha uma para ela.
— Verdade. — Em sorriu, fazendo um sinal com o dedo indicador para que eu esperasse e eu assenti. — Aqui! — Ela voltou depressa, jogando-se no sofá bem ao meu lado.
Em suas mãos, ela tinha uma caixa de veludo de tamanho médio, o que me fez suspirar de alívio. Emily abriu devagar, mostrando-me duas gargantilhas de prata com o pingente da Torre Eiffel. Ergui meus olhos para fitá-la, vendo suas sobrancelhas arqueadas e um sorriso esperançoso moldando seus lábios.
— Gostou? — Ela queria a minha aprovação.
— Em, são perfeitas! — Exclamei, agarrando seu rosto e a beijando longa e sonoramente. — Eu amei! — Recuei um pouco, afastando meu cabelo e me virando para que ela pudesse colocar uma delas em mim. — Vai combinar perfeitamente com a minha surpresa. — Comentei, sentindo a gelidez da gargantilha contra a minha pele quente.
Emily terminou de colocar e depositou um beijo suave na minha nuca, enquanto eu voltei a ficar de frente para ela. Peguei a outra gargantilha na caixa e esperei que ela se ajeitasse para que eu fizesse o mesmo com ela. Em seguida, toquei a Torre Eiffel com a ponta do dedo, sorrindo largamente.
— Agora o meu! — Pulei do sofá e corri para pegar a sacola da Cartier junto do meu celular em cima do aparador, retornando em menos de dez segundos.
Respirei fundo e tirei a caixinha preta de veludo de dentro da sacola, fazendo Emily recuar um pouco e arquear as sobrancelhas levemente diante da possibilidade. Antes que eu erguesse a tampa da caixinha, ela já sabia do que se tratava, mas não foi o suficiente para desmanchar meu sorriso suave de satisfação.
— Ali, isso é...
— Uma aliança de compromisso. — Terminei por ela, pegando sua mão direita e, então, uma das alianças da caixinha. — Depois de dois anos, finalmente decidi que já está na hora. Além disso, quero que todos saibam logo de imediato que você já tem dona. — Deslizei a aliança de ouro branco, grossa o suficiente para qualquer um notar a certa distância, em seu dedo anelar, trazendo sua mão para perto da minha boca para que eu pudesse plantar um beijo antes de esboçar um meio sorriso.
— Você não tem jeito, não é? — Emily riu, e pude perceber seus olhos salpicados brilharem, como se estivesse segurando as lágrimas. — Está sempre me surpreendendo.
Assenti prontamente, passando o dedo abaixo de seus olhos para limpar as pequenas gotas teimosas, estendendo minha mão em sua direção logo em seguida para que ela colocasse a minha. Devagar, ela também escorregou a minha aliança, levando minha mão aos seus lábios para beijá-la também.
— Agora tudo está perfeito outra vez. — Sussurrei, inclinando-me para selar nossos lábios longamente antes de me afastar. — Preciso lavar meu rosto... Eu devo estar horrível de tanto chorar. — Resmunguei, fazendo careta.
— Não, você está linda. — Emily me segurou, impedindo-me de levantar. — Você é linda de qualquer jeito, até mesmo quando chora.
— Eu já disse que eu amo você? — Pulei em seu colo, passando os dois braços pelo seu pescoço e a beijando profunda e sonoramente.
Emily definitivamente era tudo o que eu precisava e, apesar de qualquer coisa, o que temos nunca poderá ser questionado ou substituído por nada neste mundo; e todos os toques, os gemidos, os olhares, as súplicas e, finalmente, o ápice, destinaríamos uma à outra. Eterno até o último suspiro.
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