The Blind Side Of Love
2 Can't Fight Biology!
Notas iniciais
Na segunda-feira pela manhã, Ali e eu tomávamos frappuccino de baunilha numa Starbucks que ficava próxima à Columbia, enquanto trocávamos informações sobre os nossos horários daquele dia. As nossas aulas começavam dentro de alguns minutos e eu não podia estar mais receosa com a chegada de uma rotina mais puxada que a faculdade trazia. Era uma responsabilidade e tanto viver numa cidade como Nova Iorque, estudar numa universidade como a Columbia — assim como também era um sonho —, e Rosewood parecia tão insignificante quando comparada à Manhattan...
— Aqui diz que hoje eu só tenho quatro aulas. — Conferi meu horário outra vez, tentando memorizá-lo, enquanto Ali mexia em seu celular.
— A que horas termina sua última aula? — Ela perguntou, tomando um gole tímido de seu frappuccino, com a atenção ainda voltada para a tela de seu iPhone.
— Eu não tenho certeza... — Respondi. — Às onze da manhã, talvez?
— Ei, espere um pouco... Alguém está em desvantagem aqui! — Ali disse, olhando para o papel em sua mão. — Eu vou estudar mais do que você. — Ela me olhou com uma expressão aborrecida.
— É óbvio que você vai estudar mais, Ali. — Deixei uma risadinha baixa escapar. — Você vai lidar com vidas...
— Você também. — Interrompeu-me, incisiva.
— Não, eu não. — Balancei a cabeça levemente. — Eu não vou ter contato direto com pacientes, só vou estudá-los. — Expliquei, tomando sua mão na minha com carinho.
— Tudo bem, tanto faz. — Deu-se por vencida, inclinando a cabeça para o lado enquanto observava o movimento constante do lado de fora da Starbucks. — Você pode me avisar quando estiver saindo? Eu provavelmente vou ter aula pelo resto do dia.
— Claro que posso. — Garanti com prontidão, puxando-a para se levantar junto comigo. — Agora, vamos, não queremos nos atrasar, não é? — Peguei as minhas coisas em cima da mesa e joguei fora alguns papéis de que não precisava mais.
Ali pegou sua bolsa na cadeira ao lado, entrelaçando nossos dedos, enquanto me puxava para fora da Starbucks com um sorriso animado, como se um minuto atrás não estivesse de mau humor por ter que passar o dia inteiro na universidade. Porém, eu sabia que, no fundo, ela estava tão receosa sobre o novo ambiente que teríamos que nos adaptar quanto eu, o que era bem compreensível.
Acompanhei Ali até o campus de Ciências Médicas com alegre disposição, sentindo-me revigorada ao perceber que aquilo era exatamente como deveria ser. Essa nossa nova rotina poderia não ser fácil, mas, com Ali ao meu lado, não havia nada com que eu não pudesse me acostumar. Na verdade, não tinha muito do que reclamar, pois estávamos morando juntas e estudando na mesma universidade, o que me conduzia automaticamente à lembrança do aperto que eu sempre sentia quando imaginava que o nosso destino poderia estar traçado por caminhos diferentes.
— Em, tem certeza de que vai ficar bem sem mim? — Ali perguntou, visivelmente preocupada quando chegamos a um dos blocos do extenso campus, que era chamado oficialmente de Centro Médico da Universidade Columbia.
— Ei, não há motivos para se preocupar. — Tomei suas mãos nas minhas e a puxei para mais perto de mim. — Eu estarei logo ali. — Apontei para o prédio que ficava do outro lado da rua, sustentando as áreas biológicas com propriedade.
— Está bem... Mas se comporte, ouviu? — Ela cutucou meu ombro com a ponta do dedo indicador, causando certo incômodo. — Não quero ver nenhum universitário idiota bancando o engraçadinho com você. E o mesmo vale para as piranhas soltas por aí... — Destacou, olhando para o lado com o rosto em ligeira brasa.
— Alison sem ciúmes não é Alison, não é? — Ri baixinho, acariciando seu braço num gesto distraído de tentar acalmá-la.
— Eu só estou sendo cuidadosa. — Defendeu-se, com o tom de voz perfeitamente controlado, o que me fez sorrir fraquinho.
— Você está maravilhosa, sabia? — Suspirei profundamente ao olhá-la da cabeça aos pés, tocando o tecido do seu vestido azul devagar. — Combina perfeitamente com seus olhos. — Sussurrei, distraída.
— Você está tentando me distrair? — Ela perguntou, fitando-me com desconfiança, mas, então, finalmente relaxando os músculos. — Porque, talvez, esteja funcionando...
— Não, eu só estou sendo sincera. — Afastei uma mecha de seu cabelo loiro e brilhante para trás da orelha, sorrindo ao fitá-la nos olhos. — Você sabe... — Hesitei por um instante antes de continuar: — Quando nós duas estamos juntas, eu só consigo olhar para você e mais ninguém. É como se as pessoas ao meu redor não existissem, porque estou ocupada demais me importando com você para notá-las. E mesmo quando não estamos juntas, tudo o que vejo enquanto estou vagando por aí me faz lembrar você. É por isso que, de um jeito ou de outro, nós sempre estamos conectadas... Como um elo invisível! — Peguei uma de suas mãos e a pressionei contra o lado esquerdo do meu peito.
— Agora eu estou convencida. — Ali riu, puxando-me para um abraço longo e apertado. — E completamente derretida! — Concluiu logo em seguida, arrastando seu rosto contra o meu à procura dos meus lábios, até encontrá-los num breve e delicado beijo.
Suspirei longamente quando ela se afastou, mostrando-se cintilante e cheia de disposição para o resto do dia. Antes de se afastar, Ali tocou a ponta do meu nariz com o dedo indicador, sorrindo de orelha a orelha. Não podia negar que adorava ser a causa de sua agradável mudança de humor, pois mostrava que eu também possuía um grande e reconhecido efeito sobre ela.
***
Ao seguir em direção ao meu campus, não encontrei dificuldades em encontrar o bloco em que teria a minha primeira aula do dia. A sala ficava no nono andar e fiquei feliz ao ver que o professor de Citologia ainda não havia chegado, e que, portanto, eu estava adiantada. Sentei-me na fileira do meio, tendo uma visão impecável à minha frente. Tive somente alguns minutos para me organizar antes que a aula começasse, mas a agitação dos poucos alunos ao meu redor atrapalhou qualquer tipo de tentativa de me concentrar e logo uma figura alta adentrou a sala com toda propriedade.
— Bom dia, pessoal! — A voz da mulher preencheu toda a sala, chamando a atenção de quem estava conversando quase de imediato. — Antes de qualquer coisa, sejam todos bem-vindos ao curso de Biomedicina da Universidade Columbia. Meu nome é Ingrid Miller e serei a professora de Citologia de vocês durante todo o semestre. — Dito isso, ela pegou uma de suas pastas em sua mesa e a abriu, analisando o conteúdo com atenção antes de se voltar para nos encarar outra vez. — Agora, apenas para nos aquecermos, que tal alguém começar a aula me respondendo como podemos diferenciar as células?
Após isso, as duas aulas que se seguiram não poderiam ter sido melhores. Além de transmitir tranquilidade e genuína simpatia, o conteúdo era muito bem aplicado com a sua carismática maneira de ensinar. Logo a aula terminou e tivemos que mudar de sala. Implorei internamente para que os outros professores fossem tão fáceis de lidar quanto ela, mas me vi terrivelmente frustrada quando o professor de Bioquímica se apresentou.
De aspecto extremamente rabugento e disciplinado, Samuel Adams se mostrava ser um professor exigente e caprichoso. Afirmava com convicção que não aceitava que seus alunos fossem moles e preguiçosos, pois não estávamos mais no colégio. Ganhou a antipatia e o temor de todos ao zerar a maior parte dos questionários que entregamos quase no fim da aula. Em alguns, ele apenas passou os olhos e os devolveu sem corrigir, alegando que estava uma porcaria e que, portanto, não merecia a tinta de sua caneta.
— Não está uma porcaria, mas precisa melhorar. — Ele disse ao entregar o meu primeiro questionário sobre as malditas moléculas de água, que não veio zerado, mas a nota baixa estava lá: cintilante numa tinta vermelha escarlate.
Suspirei profundamente e caminhei para fora da sala, encarando as folhas com certo peso nos ombros. Apesar de ser só o primeiro dia, eu sabia que tinha como obrigação me esforçar para me sair bem em todas as disciplinas. Não aceitaria tirar nota baixa, ou até mesmo ficar na média, no final de cada semestre.
A minha última aula havia passado rápido e, quando dei por mim, já estava me encaminhando para fora da sala. Os corredores estavam consideravelmente movimentados e nem um rosto que eu pudesse me recordar de já ter visto passava por mim.
Durante as aulas de Citologia, tive a oportunidade de trocar algumas palavras significativas com duas garotas tagarelas que sentavam perto de mim. Elas também eram calouras, mas haviam se dado bem desde o começo por conta da facilidade em iniciar uma conversa animada sem medo de se embaraçar em algum momento. Na verdade, elas eram meio que divertidas.
— Ei, você! — Alguém irrompeu, surgindo ao meu lado com prontidão. — Nós fomos convidadas para uma festa de um dos veteranos daqui, você não quer ir? — Era uma daquelas garotas que não tive a chance de descobrir os nomes antes que as aulas que tivemos em conjunto acabassem.
— Ah... Não, obrigada. — Respondi um pouco sem jeito, não sabendo como me comportar, afinal, eu nem as conhecia.
— Por que não? — Perguntou a outra garota, que estava do meu outro lado, olhando-me com interesse.
Ela era da minha altura e tinha cabelo castanho claro. As maçãs de seu rosto tinham um formato bonito, mostrando saliência moderada. Seu constante sorriso parecia tão natural e espontâneo que chegava a ser intoxicante. Era impossível não sorrir de volta.
— Eu não sou muito de festas. — Foi a minha resposta simples e honesta.
— Eu não disse? Ela é realmente tímida! — Ela riu para sua amiga, tocando meu ombro de forma involuntária. — A propósito, eu sou Summer Ashwell. E esta é Chloe Brenner. — Apontou com a mão para a garota que se equilibrava perfeitamente em seus sapatos de salto alto do meu lado esquerdo. Aquilo certamente era um bom artifício para disfarçar sua baixa estatura.
— Emily Fields. — Apresentei-me, sentindo a tensão de início de conversa se esvair conforme nos aproximávamos do campus principal da universidade.
— Então, Emily, já que vamos ser amigas, deixe-me só dizer uma coisa: você é muito bonita para ser tão retraída. — Observou com divertida e serena seriedade. — Estamos na faculdade, coisa linda! Nós precisamos desses tipos de festas para nos enturmar. Vamos lá, vai ser divertido!
— Você sabe, Summer está certa. — Chloe assentiu levemente com a cabeça, entrando na onda de sua amiga. — Mas, quer saber? Sem pressão. Acabei de notar que estamos sendo bem invasivas. — Ela riu nervosamente, parando de frente para mim quando alcançamos o enorme pátio, que ficava entre os blocos da Columbia. Felizmente, era um dia agradável de sol.
— Espere... Você acha que estamos sendo invasivas? — Summer arqueou as sobrancelhas para mim, o que me fez rir.
— Não, acho que vocês estão sendo amigáveis. — Respondi com honestidade, abaixando a cabeça por um breve instante. — Se dependesse de mim, eu não faria amizade tão cedo. — Elas sorriram com a minha resposta, entreolhando-se rapidamente antes de se voltarem para mim.
— Bem, disponha. — Chloe ergueu um dos ombros, fazendo-me reparar em sua fisionomia com um pouco mais de atenção.
Ela parecia uma adorável boneca de porcelana e sua tez era tão alva e límpida quanto à de Summer. As íris esverdeadas pareciam brilhar o tempo todo, demostrando genuína animação sempre que abria a boca para dizer alguma coisa. Através de suas impecáveis vestimentas, eu podia afirmar que ela se interessava por moda tanto quanto Ali e Hanna.
— Ei, nós estávamos indo para a biblioteca, você quer nos acompanhar? — Summer perguntou quando a área em que estávamos começou a ficar movimentada.
— Parece uma boa ideia. — Concordei, por fim. — Preciso me adequar à disciplina de Bioquímica. O professor Adams é bem exigente!
— Ainda não tivemos aula com ele. — Chloe comentou. — Mas dizem que ele é o diabo.
Com isso, fomos até a biblioteca em meio a conversas recheadas de comentários maldosos por parte das duas, mas não tanto de Chloe. Comparada à Summer, ela era um pouco mais recatada e contida quanto a todos os tipos de insinuações. Em alguns minutos de conversa, descobri que tanto Summer quanto Chloe adoravam uma boa fofoca. Elas especulavam sobre a vida de todos que passavam por nós, o que, eu tinha de admitir, divertia-me bastante.
Ficamos na biblioteca por quase trinta minutos, até finalmente nos decidirmos sobre os livros que levaríamos. Aquela meia hora muito bem gasta havia sido o artifício ideal para que eu pudesse esperar Ali sair de sua aula. Ainda não tinha certeza se ela iria realmente passar o resto do dia na universidade ou se suas aulas se encerrariam antes das duas da tarde. Medicina podia ser tão imprevisível!
No final, acabei esperando mais alguns minutos junto de Chloe e Summer, que tinham prometido me apresentar a uma veterana da mesma área que a nossa antes que eu fosse embora. Elas eram tão rápidas em fazer amizade que já sabiam o nome de muitos alunos de toda a Columbia.
— Diana! — Summer acenou animadamente em direção a uma garota loira e esguia, que agora vinha em nossa direção com um sorriso amistoso. — Ela é incrível, você vai ver. — Sussurrou para mim, piscando o olho direito como se tivesse acabado de dividir um segredo.
A tal Diana se aproximou o suficiente para nos cumprimentar com um abraço caloroso, o que, de início, eu estranhei. Aquele clima fraterno era ainda muito novo para mim. Mas, mesmo assim, após Chloe nos apresentar, Diana me desejou boas-vindas com um sorriso resplandecente de tanta harmonia. Ela vestia shorts curtos e tênis esportivo da Nike, enquanto sua blusa cheia de detalhes caía charmosamente em seu ombro.
Percebendo que todos os alunos estavam começando a sair de suas aulas, despedi-me das três garotas que conversavam animadamente e fui atrás de Ali. Não tardou e logo a avistei perto do gramado, conversando com uma garota enquanto pareciam trocar números de telefone. Elas haviam acabado de se despedir quando eu me aproximei, tocando seu braço suavemente.
— Emily... — Ali sorriu aliviada ao perceber que era eu quem a estava tocando. — Pensei que fosse algum engraçadinho... Como foi sua aula? — Mudou rapidamente de assunto, fitando-me com genuíno interesse.
— Razoavelmente agradável. — Respondi. — Está pronta para ir? — Aproximei-me um pouco dela, segurando sua mão enquanto esperava pela sua resposta.
— Não, hoje eu tenho aula até às quatro. — Ali suspirou com desânimo, puxando-me para um cantinho mais tranquilo e livre da agitação que estava perto do pátio principal.
Coloquei a minha bolsa e os livros que peguei na biblioteca em cima do banco atrás de nós, fazendo o mesmo com as coisas de Ali. Observei enquanto ela andava de um lado para o outro, parecendo um pouco ansiosa. Seus cabelos levemente ondulados nas pontas recebiam um brilho quase celestial dos agradáveis raios de sol que a atingiam por inteiro. Seus tornozelos se equilibravam perfeitamente em seus sapatos de salto alto e eu não conseguia tirar os meus olhos dela, até que balancei a cabeça levemente e me esforcei para tirá-la daquele estresse.
— Bem, eu preciso ler isso aqui para a próxima aula de Bioquímica. — Mostrei o livro de Introdução à Bioquímica Básica para ela, que fez uma careta engraçada em resposta. — Tirei nota baixa num questionário e o meu professor só faltou amassá-lo. Faltou pouco para ele dizer que estava uma porcaria... Acho que tenho que me esforçar mais, começando agora. Por isso, vou para casa e às três horas eu estarei aqui, esperando você sair. — Prometi, afagando a palma de sua mão com carinho.
— Ele é um cretino. — Ali decretou. — Tenho certeza de que seu questionário estava perfeito. Quem ele pensa que é?
— Não, não estava. — Deixei uma risadinha confortável escapar, sentindo-me muito melhor pela confiança que ela tinha em mim. — Preciso mesmo melhorar, mas obrigada pelo apoio moral.
— Biologia é uma droga! — Ela resmungou, suspirando cansadamente ao passar a mão pelos cabelos. — Anatomia também, aliás.
— Não podemos lutar contra a Biologia. — Puxei-a contra mim, sorrindo com a momentânea expressão de susto que passou pelas suas características. — Nós precisamos dela. — Sussurrei calidamente, com o rosto a centímetros de distância do dela.
Aproveitei aquele breve instante para pegá-la desprevenida mais uma vez, acabando com o espaço que restava entre nossos lábios ao beijá-la delicadamente. Seu corpo inteiro relaxou em meus braços e sua mão esquerda logo estava em meu pescoço, arranhando-me por conta do ardor e ansiedade que sentíamos a cada movimento voluptuoso de nossos lábios. Suspirei fracamente contra sua boca quando toquei a parte desnuda de suas pernas, arrastando as minhas mãos em direção às suas coxas com descuido e erguendo um pouco o seu vestido enquanto a minha língua se movimentava entre seus lábios.
— Ali... — Afastei-me imediatamente ao perceber o que eu estava fazendo. — Você deveria me parar.
— Por quê? Eu estou gostando. — Ela sorriu lascivamente para mim, agarrando-me pelo pescoço e me beijando outra vez. Mas, ao invés de tentar qualquer coisa mais séria, ela selou nossos lábios uma última vez, longamente, antes de se afastar e sorrir docemente para mim. — Aula de Embriologia agora. Mais tarde, eu posso finalmente respondê-la de onde vêm os bebês.
— Ora, eu sempre quis saber sobre isso. — Sorri abertamente ao me recordar de quando conversamos a respeito disso, quando estávamos na sétima série. Ali não soube me responder quando eu a questionei, mas prometeu que um dia iria. — Você realmente cumpre as suas promessas. — Comentei baixinho, mais para mim do que para ela.
— Por você? Sempre! — Exclamou, encostando seus lábios rapidamente nos meus antes de pegar suas coisas em cima do banco e se afastar de vez de mim.
Observei-a caminhar para longe com aquela velha sensação de alegria me dominando. Ela se virou mais uma vez, sorrindo em minha direção antes de virar num dos corredores que davam à saída do pátio, direto para o campus de Medicina.
***
Logo que saí da Columbia, apressei-me em chegar ao apartamento a tempo de conseguir estudar o conteúdo das aulas de hoje e ainda descansar antes de ir buscar Ali na universidade. Assim que saí do elevador e me aproximei da sala, Eros me recebeu com miados arrastados, roçando em minha perna com visível e adorável sonolência. Peguei-o no colo e afaguei seu pescoço enquanto murmurava coisas sem sentidos para ele.
Dei um pouco de atenção ao meu filhote carente e fui tomar banho, movida pelo intento de tirar qualquer indício de cansaço que pudesse comprometer meus planos para hoje. Portanto, assim que terminei o banho, coloquei apenas uma camisola de seda preta, cobrindo meu corpo quente e desnudo até dar a hora de me trocar e sair novamente.
Sentei-me no sofá da sala e comecei a ler o livro que precisaria para a próxima aula. Não admitiria estar despreparada, principalmente numa disciplina que estava tirando a minha paz. Fiquei envolvida naquele livro por um tempo considerável, tentando entender os malditos processos químicos que ocorrem nos organismos vivos, quando olhei para a tela do meu celular e vi que faltava quase duas horas para buscar Ali na Columbia.
Estava exausta e meu cérebro implorava por algum tempo de descanso, ou, senão, poderia correr o risco de fazer alguma estupidez enquanto estivesse dirigindo até a universidade, o que estava completamente fora de questão, claro. Não me importei em deixar os livros esparramados pelo sofá e me arrastei para o quarto, onde Eros dormia na poltrona giratória de cor creme a alguns metros de distância da cama.
Assim que me joguei na cama, soltei um gemido de satisfação ao sentir meu corpo relaxar naturalmente na cama King Size; confesso nunca ter imaginado que algo tão pequeno quanto um bom descanso fosse ser motivo de tamanho alívio. Fechei os olhos e não tardou a escuridão me embalar num sono profundo e tranquilo.
Não sei por quanto tempo fiquei completamente apagada, até que senti um peso sobre o meu corpo, despertando-me aos poucos. Murmurei algumas palavras ininteligíveis, abrindo os olhos e enxergando nada além da escuridão. Pensei, por um instante, que estivesse sonhando e tentei me concentrar em descobrir onde eu estava.
— Em, acorda. — Murmurou uma voz rouca e distante. — Amor...
Abri os olhos num súbito, erguendo-me da cama com uma precisão e agilidade que até então desconhecia. Fui atingida automaticamente por uma longa e pesada pontada de vertigem, que quase me fez perder o equilíbrio. Minha cabeça girava lentamente e, no momento, tudo parecia muito confuso.
— Ali? — Tentei focar minha visão naquele quarto escuro e silencioso.
— Claro que sou eu. — Ela me agarrou pelo pescoço, puxando-me até que eu deitasse sobre seu corpo. — Quem mais seria? — Sussurrou antes de me beijar na boca, com paixão e urgência, ao que correspondi nos primeiros instantes.
— Espere um pouco. — Separei-me dela, sentando-me na cama e olhando ao meu redor com a mesma nuvem de confusão pairando sobre mim. — Que horas são?
— Não se preocupe, Em, você não perdeu a hora. — Respondeu, imitando meu movimento no mesmo instante. — Eu saí mais cedo e vim correndo com o intuito de surpreendê-la e, veja só, quem está surpresa sou eu. — Ela deslizou sua mão pelo meu ombro, afastando a alça de minha camisola com a ponta do dedo.
Ali puxou meu rosto para que eu pudesse olhar para ela e, em seguida, apertou seus lábios contra os meus, suspirando roucamente enquanto explorava as partes expostas do meu corpo sem pudor. Meus músculos relaxaram assim que minha visão se adequou ao escuro, o que me permitiu ver os traços de seu rosto em formato de coração.
— Emily... — Ela gemeu baixinho quando passei a correspondê-la com intensidade. — Você está tão cheirosa! E esta camisola... É para me enlouquecer, não é? — Ali não me deu tempo de responder, beijando-me ardentemente e sem pausas para respirar.
Sua língua invadia minha boca furiosamente, enroscando seus dedos entre meus cabelos enquanto se deitava com a cabeça sobre o travesseiro e comigo em cima dela. Ela escorregou suas mãos até às minhas coxas, acariciando a pele com afobação e puxando o tecido para cima. Ali mordeu o meu lábio inferior com força e começou a arranhar o meu quadril, afastando-se levemente para me analisar com a recente descoberta.
— Você está... — Pausou, olhando-me por um segundo; os olhos cheios de luxúria. — Sem calcinha. — Murmurou com um fio de voz, e eu apenas assenti, voltando a beijá-la com o mesmo desejo explicito de antes.
Afastei-me rapidamente, apenas para conseguir me livrar da minha camisola enquanto Ali me observava com atenção. Inclinei-me sobre ela e a ajudei a tirar o seu vestido, puxando-o para fora de seu corpo sem muita dificuldade. Voltei a beijá-la lentamente, desatando o sutiã de cor violeta que ela usava.
— Você veio correndo para mim? — Perguntei, explorando seu busto com a boca sedenta; ansiava profundamente por aquele corpo frágil e tão delicado.
— Estava desesperada para terminar o que começamos mais cedo. — Ela assentiu, emaranhando seus dedos entre meus cabelos e me puxando para um beijo voraz.
Murmurei algo em concordância e desci minhas mãos pela lateral de seu corpo, arrancando sua calcinha o mais depressa possível. Afastei suas pernas e me ajeitei entre elas, pressionando nossos corpos com determinação. Ela gemeu baixinho quando nossas intimidades úmidas se tocaram e eu a acompanhei, movimentando-me devagar num vai e vem gostoso.
Ali arranhava minhas costas com força, arrastando suas unhas até os meus glúteos, onde me apertava ainda mais contra seu sexo rígido e excitado. Ela deixou escapar alguns gemidos contra a minha boca, o que me deu a liberdade de morder sua língua de levinho, enquanto pressionava nossos corpos vigorosamente. Ali empurrava seu quadril contra o meu, aumentando o atrito entre nossas intimidades e, portanto, nossos gemidos de prazer.
Encostei a ponta do meu nariz contra o dela, percebendo certa dificuldade em manter o beijo conforme o êxtase tomava conta de nossos sentidos. Meu corpo estava em chamas, assim como o de Ali, e o barulho provocado pelos movimentos dos nossos corpos em constante e frenética fricção me excitava ainda mais, levando-me à beira de um orgasmo explosivo.
— Ali... — Gemi com a voz num fiapo, seguido de sons guturais com a força que eu exercia sobre ela.
Aumentei ainda mais o ritmo com que meu quadril se movia contra o dela, sentindo-a arranhar minhas coxas com violência e sugar meu pescoço com a mesma intensidade. Os sons que escapavam de sua garganta me levavam à loucura, fazendo-me apertar seu seio fortemente. Já não possuíamos o direito de agir sobre nossos corpos, pois eles se moviam por conta própria, provocando uma pressão quase insuportável em minha intimidade.
— Eu estou tão perto, amor... — Ali conseguiu formular entre gemidos de súplicas.
Num instante, seu corpo começou a tremer violentamente sob o meu e, então, meu nome escapou dentre seus lábios num gemido alto e agudo para que todo o prédio pudesse escutar. Aquilo certamente foi o suficiente para me impulsionar a um movimento mais brusco entre nossas intimidades, fazendo-me derramar num deleitoso clímax.
Diminuí o ritmo aos poucos, tentando controlar a intensa vibração de nossos corpos exaustos, porém saciados pelo prazer da carne. Ali abriu os olhos devagar e o meu sorriso, diante suas vistas dilatadas, ampliou-se um pouco mais. Nossos líquidos se misturavam descuidadamente, assim como nossos suores, o que me deixou ainda mais satisfeita. O sexo, fosse como fosse, era sempre perfeito.
— Sinta-se à vontade para me surpreender assim sempre. — Sussurrei, percebendo a rouquidão de minha voz.
— Você também. — Ela ergueu o canto dos lábios num meio sorriso, o que fez meu coração acelerar imediatamente. — Adorei a minha recepção! Sempre foi um fetiche pegar você dormindo, de bruços e só de calcinha. — Ali riu fraquinho, afastando alguns fios de cabelo grudados em minha testa e pescoço.
— Eu não estava de bruços... — Pensei alto, tentando me lembrar.
— Não estava, mas é melhor estar da próxima vez. — Exigiu com a feição séria, mas que logo se derreteu numa expressão amena e divertida.
— Eu amo muito você, sabia? — Encostei nossas testas, roçando a ponta do meu nariz contra o dela carinhosamente. — Você é o sonho que nunca pensei que fosse se tornar realidade. — Confessei, erguendo meu corpo para poder observar o de Ali.
— Bem, isso é um mérito seu. — Ela disse. — Você conquistou o meu amor e agora sou completamente sua. Não há como voltar.
— Não quero voltar.
— Então não volte, fique exatamente onde está: comigo.
Deixei meu corpo cair ao seu lado, puxando-a para o mais próximo possível de mim, até que nossas peles estivessem coladas. Escorreguei meus dedos pelas suas costas lentamente, aventurando-me naquele corpo que era só meu, enquanto os pelos dourados se arrepiavam com as suaves carícias.
— Para sempre, Ali. — Sussurrei, antes de fechar os olhos e apagar outra vez.
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