Notas iniciais
Eii, voltei com mais outro capítulo para vocês! Demorei, eu sei. Mas é assim... não vou poder postar com tanta frequência, porque a fic tá acabando e está difícil de escrever. Enfim, espero que não me matem :)

Por Lily Evans

– Sirius! – eu gritava, socando a porta. – Sirius, volta aqui! SIRIUS!

– Não adianta, Evans. – Falou James e eu o olhei, pelo canto dos olhos, sentar-se no chão e olhando o que tinha de comer ali. Eu me virei para olhá-lo, com o rosto todo vermelho. – Ele já deve estar comprando sorvete de pistache para o Matt à essa altura.

– Não! Nós vamos morrer aqui! – dramatizei, culpa da gravidez.

– Evans, tem uma saída de ar atrás de nós. Pare de frescura – respondeu James.

Eu respirei fundo e olhei para os lados, passando a mão nos cabelos, desesperada.

– Não posso ficar aqui – disse eu, passando a mão na barriga inconscientemente.

– Para voltar para o seu namoradinho seboso, uh? – James dirigiu-me seu olhar mais sarcástico.

Eu ergui os olhos para ele e vi um traço da minha dor se espelhar em seus olhos castanhos esverdeados. Eu passei a mão na barriga novamente, olhando-o.

– Ele não é meu namorado. – Sussurrei. – Ele já foi, mas não é mais. – Meus olhos encontraram os dele. – Era isso que eu queria te... contar.

James ficou em silêncio por tanto tempo, que eu pensei que fosse me dar as costas. Desviei o olhar e sentei-me de frente a ele, a uma certa distância.

– Por que não me disse nada sobre ele antes? – James perguntou, pegando um pote de biscoito e o abrindo.

– Não come isso. É para as crianças, James! – eu o repreendi, arrependendo-me dessa decisão. Ele me olhou profundamente. Eu desviei o olhar novamente, suspirando.

– Você não respondeu minha pergunta. – James insistiu.

– Eu nunca pensei que íamos chegar tão longe – comecei, pousando a mão na minha barriga. – Ora, você era um chato, irritante... fizemos uma aposta – eu levantei meu olhar e vi que ele me encarava seriamente. – Não achei que a gente ia acabar dormindo juntos. Mas... mas naquele dia em que Severus apareceu, eu ia contar tudo. Tudo mesmo. Eu estava disposta a isso. – Segurei as lágrimas. – E, então, aconteceu o que você já sabe.

– Ele parecia te conhecer muito bem – James comentou e eu dei uma risada sarcástica, me levantando do chão.

– Ele costumava me conhecer – corrigi. – Depois que meus pais morreram, depois que ele partiu... eu mudei. As coisas mudaram. Severus foi para uma viagem de escavação com Lucius Malfoy. Nada de bom poderia vir dele. Foi aí que tudo ruiu. E você apareceu.

– Por que nunca disse a ele? – James perguntou, ainda sentado no chão.

– Porque eu não sabia onde encontrá-lo. Ele, praticamente, havia sumido do mapa – respondi, andando de um lado para o outro. – Então, ele se sentiu culpado, ou foi traído pelos "amigos de verdade", e espero que seja verdade, e voltou.

Encostei-me em uma das prateleiras, cruzando os braços e olhando-o.

– James, nunca foi minha intenção fazê-lo sentir-se como se tudo o que passamos fosse mentira – completei, mas James não disse nada. Bufei. – Mas sabe o que me irrita? É que você também errou e nem pensou nisso. Não pensou em como eu me sentiria. Agiu como se não soubesse quem eu sou.

– Lily...

– Agora me chama de Lily?

– ... posso contar uma história? – ele pediu, me ignorando completamente.

– Temos vinte e quatro horas. Tempo de sobra e eu não tenho outra opção a não ser te ouvir. – Abri os braços, mostrando a dispensa.

– Antes... você engordou? – James inclinou a cabeça e eu escondi a barriga, passando as mãos em volta dela.

– Isso não é algo que se diga a uma mulher. Deveria saber disso – respondi, na defensiva.

– Ok... – ele me olhou, desconfiado.

– Olha, se não quer me perdoar, lembre-se de que você errou também – dei as costas para ele, cruzando os braços sobre a minha barriga.

– Eu errei tentando fazer a coisa que eu achava ser certa! – Eu o ouvi se levantar e encostar a mão em meu ombro. Aquilo me fez estremecer, enviando uma onda de prazer apenas com o seu toque.

James virou meu corpo e segurou meus braços. Ele olhou em meus olhos, permanecendo daquele jeito por um longo tempo.

– Eu nunca esqueceria dos seus olhos – ele sussurrou, passando levemente os dedos em meu rosto. – Tão verdes... não há um ser humano na Terra que poderá esquecer a cor, quando vê Lily Evans.

– James...

– Shiii – ele disse. – É minha vez. Isso está me... matando por dentro desde a primeira vez que eu a vi naquele corredor. Eu fui tão idiota, mas esse sempre foi o meu modo de mostrar que... eu gosto da pessoa.

Ele acariciou meus cabelos e roçou o nariz em meu pescoço logo depois. Fechei os olhos, pendendo a cabeça para trás.

– E você não se lembra... – James se afastou cedo demais, frustrado. Eu pisquei, olhando-o, ainda sentindo a sensação de seu corpo perto do meu.

– Você bem que podia ser mais claro do que isto, não acha? – andei até ele, segurando sua mão. James a soltou e eu senti como se tudo o que eu ainda me agarrava, estava se esvaindo.

James sentou-se no chão novamente e eu o imitei, sentando-se de frente a ele. Achei que ele não iria querer meu contato nem tão cedo. Mas, ainda assim, tudo em mim (até o bebê, eu podia sentir) ansiava por ele. Por sua voz.

– Lembra quando fomos para a casa dos meus pais? – perguntou e eu assenti. Como eu não me lembraria? – Quando eu falei da tal garota... eu... eu estava falando de você. – Ele confessou e me olhou.

– Eu? – James assentiu.

– Quando eu a vi pela primeira vez depois de tantos anos... eu soube que era aquela menininha que eu empurrara na lama. Não foi de propósito – ele se inclinou para frente, dando um sorriso.

Eu não conseguia assimilar... e eu ainda não me lembrava dele. Como eu não podia me lembrar de James Potter? Sério, ele iluminava o lugar por onde passava; e, nunca, jamais, se deixaria passa despercebido.

Então por que raios eu não conseguia me lembrar dele?!

– Você ainda não se lembra, não é? – perguntou James e eu o olhei. Meus olhos estavam marejados. – Eu lembro dessa expressão...

– Eu sinto muito, James – falei, tentando não deixar que minhas lágrimas caíssem.

Ele ficou em silêncio, olhando para mim. Queria saber como ele me guardara tão bem na memória; queria saber o que ele estava pensando. E aquilo só me fazia amá-lo ainda mais.

– James, eu...

– Lamento, lírio. Eu que deveria ter esquecido... a lama e tudo o mais. Você estava tão bonita... mesmo suja de lama – ele me interrompeu, dando um sorriso singelo – Mas, Lily, eu não vou aguentar mais.

– O que quer dizer?

– Eu amo você, Lily Evans. Talvez sempre tenha amado – confessou James e meu coração deu uma batida dolorosa. Aquilo era... aquilo era... James deu uma risadinha. – Isso quebra nossa aposta, não é? Mas dinheiro não será problema... Você está pálida, Lily. Deveria dormir um pouco.

– Eu não quero dormir. Eu quero dizer que...

– Não, Lily. – Ele me interrompeu. – Eu não sei o que está acontecendo, mas tem alguma coisa diferente em você.

– É por isso que eu tenho que...

– Descansar – James me interrompeu novamente. – Estou acostumado a isso.

Sério mesmo que ele não ia deixar eu falar? A julgar pela expressão que ele fazia, não, ele não ia me deixar falar. Então ia falar com ele quando acordasse. Eu precisava dizer que eu o amava também e que o fruto desse amor estava sendo gerado em meu ventre.

Assenti e encostei a cabeça na parede, fechando os olhos. Adormeci quase que imediatamente. Não tinha percebido o quanto eu estava cansada.

E, enquanto eu dormia, eu tive um sonho.

Eu tinha quase sete anos de idade e estava brincando com Marlene no parquinho. O inverno havia acabado de passar e eu e minha amiga fomos comemorar o primeiro dia de sol no parquinho. Naquela época, Dorcas já havia se mudado.

Havia outras crianças no parquinho também. Assim como Severus Snape. Ele era um garoto um tanto retraído, eu não entendia bem o por quê naquela idade, mas que sempre me tratava muito bem. E, comigo, era muito legal. Já Marlene, o achava esquisito. Mas eu achava que era porque ele não a tratava como ele me tratava.

Eu queria que ele se juntasse a nós, mas percebi que Severus nunca brincaria comigo, se Lene estivesse ao meu lado. Então, ele preferia ficar em um canto distante, nos observando. Ou melhor: me observando.

Como o parquinho estava cheio, os balanços (que eram os meus preferidos) estavam todos ocupados. Só que eu e Lene estávamos à espreita, esperando que alguém deixasse livre os balanços para podermos brincar.

Quando, finalmente, liberaram os balanços, Lene e eu começamos a correr até o balanço. Eu corria bem depressa, até que eu me vi caindo de cara numa poça de lama.

– Lily! – gritou Lene, me ajudando a levantar. – Lil's, você está bem?

Antes de responder, ouvi risadinhas atrás de mim e vi três garotos correndo para os balanços desocupados. Um deles, de cabelos pretos e desalinhados, óculos de aro quadrados, olhos castanho esverdeados e expressão marota, olhou para trás. Ele não estava sorrindo. Mas também não parecia ter pena. Agora, vejo que, aquela expressão, era admiração.

Eu estava espumando de raiva e ia até lá reclamar, mas Lene me fez voltar para casa para tomar banho e trocar de roupa. Enquanto íamos para minha casa, Lene disse para eu esquecer.

Foi o que eu fiz.

O sonho mudou e eu me vi mais velha, passando pelos armários do colégio que mais se parecia um castelo. Eles passaram, os Marotos, rindo e aprontando. Um deles, o mesmo que me empurrara, passou por mim, olhando-me. Entretanto, eu nem notei sua presença.

Engraçado, para um garoto que conseguia todas as garotas que queria, não conseguia falar com a garota que gostava. Foi assim, até que meus pais morreram e eu me mudei para a casa de Marlene. E, dois anos depois, nós nos mudamos.

Eu nunca mais vi o garoto de óculos e cabelos bagunçados. Ao invés de vê-lo, eu vi Severus Snape. E, durante muito tempo, eu via somente ele.

Agora entendo o que James fez o que fez. Ele fez o que não teve coragem de fazer quando éramos adolescentes... até mesmo quando éramos crianças — mesmo que da forma errada. Ele sempre me olhava, mas eu sabia por alto quem ele era e, por isso, a existência dele era insignificante.

Mas agora ele não era significante. James era o pai do meu filho e o cara com quem eu deveria ter ficado anos atrás.

James era o meu destino.

Quando eu me dei conta disso, acordei.

– Eu lembro de você! – exclamei, me erguendo.

– De quem, Lil's? – perguntou a voz de Lene. Eu a olhei, surpresa. Eu não estava com James? Dentro da dispensa da escola?

– Lene, onde eu estou?

– Em casa... – eu a olhei e a expressão dela se suavizou. – Não deu muito certo o nosso plano... James a deixou aqui, quando viu que a porta podia ser aberta por dentro.

– Não... ele não me deixou falar! Aquele filho da puta! – gritei, com raiva. – Eu preciso falar com ele! Ele é um imbecil! Nunca vi uma pessoa tão burra em toda a minha vida!

– O que houve? – perguntou Marlene se entender.

– Você se lembrava, não é? – acusei e ela ergueu uma das sobrancelhas.

– Do que está falando, Lily?

– Deles! Deles! – gritei e Lene não respondeu. – Eles estudaram com a gente. Foi James quem me empurrou na lama... Agora faz sentido... Dorcas se lembrava muito bem deles... E você também – eu a olhei.

Lene suspirou e sentou-se ao meu lado.

– Sinceramente? À primeira vista, eu também não os reconheci – admitiu minha amiga. – Mas, no dia em que Sirius veio falar comigo sobre o contrato, quando nos beijamos, eu lembrei. Lembrei porque, antes de nos mudarmos, eu costumava sair com ele. E o beijo dele...

– E por que não me disse nada?!

– Eu não sei, tá legal? Achei que não tinha importância. Até porque eu pensei que não fosse o James, James. Entende?

Eu suspirei e deixei que as lágrimas caíssem. Essa gravidez mexia com o meu hormonal.

– Ele me disse que me amava... – sussurrei.

– Eu sei – disse Lene e eu a olhei. Ela entendeu o meu olhar indagador e explicou: – Isso chegou para mim essa tarde. – E me mostrou um papel. – Parece que serei sua advogada para que receba sua indenização daqui a cinco dias.

Notas finais
Well, muitas revelações hahahaha Espero que gostem e... Comentem!