The Bet (JPLE)
34 A volta dos que não deveriam ter voltado
Notas iniciais
Por James Potter
Eu estava nervoso. Olhava toda hora para o placar, para Remus e para minha equipe. Eu não sabia o que estava acontecendo no ginásio, mas sabia que esse silêncio aqui dentro estava me matando.
A verdade era essa: a gente estava perdendo. E feio. Eu estava frustrado, quase tentando desistir. Porém, quando eu olhava para Remus, ele assentia, me encorajando. Ajeitei o óculos no rosto, suando frio. Merda, eu ia perder aquela aposta. Queria que Sirius estivesse aqui. Remus nunca roubaria para mim. Será que Sirius estava roubando para Lily? Acho que não... Lily não se corrompia tão facilmente.
Então pedi um tempo. Eu estava tão nervoso, que não conseguia nem dizer alguma coisa para meus alunos. Por Deus, o que estava acontecendo comigo?! James Potter nunca ficava desse jeito. Mas, mesmo assim, eu fui até Remus. Ele não me ajudaria em questão de respostas e roubos, mas ajudaria em conselhos. Às vezes eu achava que ele deveria estar numa sala, ouvindo gente chata reclamar da vida.
Passei a mão nos cabelos (eu estava fazendo esse gesto nos últimos vinte minutos) e fui até Remus. Eu precisava de ajuda. Eu olhei para meu amigo e vi que ele tentava esconder que também estava nervoso.
– Pontas, o que houve? – ele perguntou e eu olhei para os lados.
– Eu não sei, cara – respondi, passando a mão mais uma vez nos cabelos. – Eu...
– Está nervoso? – Eu assenti. – Olha, eu vi que você estudou longe da Lily. Eu vi como você cuidou dessas crianças enquanto as ensinava... você sabe e elas também. Só tem que deixar o nervosismo de lado, pois assim as crianças também o deixarão.
– E se a Lily ganhar?
– E daí? – Remus me olhou e depois soltou um suspiro. – O que sentiu quando viu que tinha o potencial de ensinar outra matéria, James?
Eu parei para pensar por alguns segundos. Sorri para o meu amigo ao responder:
– Eu senti que eu poderia ser mais do que eu quero. É interessante o mundo, quando a gente para e presta atenção. E o mundo em que vivemos, teve uma história, que eu fiquei feliz em estudar e saber mais, juntando com a melhor parte: ensinar. Que eu posso ensinar qualquer coisa. É um prazer ver todas essas crianças levando para casa uma coisa que eu ensinei.
Remus sorriu também e assentiu.
– Você já tem sua resposta, Pontas – ele disse. – Tenho fé em você. E a aposta nada vale quando você sente isso: o prazer de ensinar. E você sabe disso.
E eu sabia mesmo.
Claro que eu queria ganhar aquela aposta (e a outra também, mas Lily estava dificultando tanto! Eu já havia perdido a primeira aposta); entretanto, ensinar uma disciplina que não estava no meu currículo, era melhor do que ganhar uma aposta. Tudo bem que o meu fetiche em ver Lily de empregada ainda continuava, mas nada se comprava a ser um bom professor.
Eu nunca soube por que essa minha vontade de ensinar era maior do que tudo. Mas eu sabia que, ter aprovação daquelas crianças no final do dia, valia a pena.
Voltei para lá, determinado. Eu sabia que Remus saberia dizer a coisa certa para mim (ou para qualquer pessoa) e agora estava mais parecido com James Potter: confiante, bom em tudo e, acima de tudo, lindo. Muito lindo.
Quando cheguei perto das crianças, bati palmas:
– Então, cambada – eles riram um pouco e eu dei um sorriso. – Eu treinei vocês para ganharem. Eu não estudei com vocês quase um mês inteiro para deixá-los levar essa vergonha para casa. Então, mudem essa expressão desses seus rostos, e joguem para valer. Pois a equipe de James Potter joga para ganhar!
As perguntas que se seguiram, eu percebi, eram fáceis demais. E eu apoiava toda vez que eles respondiam com incerteza. Eu sorria, encorajando-os, pois eu me sentia encorajado.
Remus observava de longe, de braços cruzados, assentindo toda vez que a campainha soava que a minha equipe estava certa. Eu estava tão orgulhoso!
– Agora... – anunciou Alice Longbottom – a última pergunta, que lhes darão os pontos para a vitória. A equipe Vermelha, do professor Potter, se recuperou muito bem, estando com 345 pontos. A equipe Azul está quase empatando, com 335 pontos. Essa pergunta, para quem acertar, concederá 200 pontos. Boa sorte. – Ela deu um sorriso, enquanto tirava o envelope do púlpito e o abria.
Senti meu coração se acelerar e o nervosismo tomar conta de mim. Mas eu permaneci com a expressão neutra. Eles iam conseguir, eu sabia disso; eu tinha fé neles.
– A pergunta é...
(...)
– Então – começou Remus e eu e Lily o observamos. Sirius estava ao seu lado, com um sorriso nos lábios. E eu conhecia aquele sorriso dele; alguma coisa estava errada e Sirius estava amando isso.
– Então o quê, Remus? – perguntou Lily, olhando para Sirius que agora estava morrendo de rir.
– Er... – os lábios dele começaram a tremer, querendo rir também. – A Lily ganhou...
– É! Perdeu, mané!! – comemorou Lily, me dando um empurrão. Sirius pigarreou e ela olhou para Remus. – Por que eu estou sentindo que há um porém?
– É que James ganhou também.
– O quê?! — exclamou Lily e foi a minha vez de empurrá-la. Ela se desequilibrou um pouco e Marlene a segurou. – O que isso quer dizer?
Sirius trocou olhares com Marlene e Remus.
– Quer dizer que a gente vai decidir o que fazer, já que nenhum dos dois considerou um possível empate. – Respondeu Sirius.
– Isso não é justo, Almofadinhas – reclamei e Sirius deu o seu sorriso malicioso.
– Claro que é. E nós já sabemos o que ambos irão fazer.
Seu sorriso nos deu medo, pude ver nos olhos verdes da minha amada Lily. Em que merda eu fui me meter?
– Os dois irão usar o uniforme de empregada. E nenhum dos dois precisarão ficar se gabando – disse Marlene. – Já provaram que são bons – eu troquei um olhar de orgulho com Lily. – Mas das fantasias nenhum dos dois irão escapar.
– Quantos dias? – quis saber Lily.
– Três – respondeu Remus.
– Vocês são maus – falei, ressentido. Quero dizer, a Lily vai ficar tremendamente linda na fantasia. Sei que eu sou bonito em todos os sentidos, mas... empregada?
– Vocês são diabolicamente espertos – corrigiu Lily. – Tá bem. – Ela suspirou, dando de ombros. – Se é para nos ferrar, vamos logo, James.
– Ok.
(...)
Sirius e Remus não conseguiam parar de rir. Lene também ria, mas concordava comigo que Lily não tinha ficado tão ruim assim.
Eu estava usando um vestido curto preto, com babados brancos, uma touca branca e um espanador. Lily estava igual, mas só que sexy. Se nossos amigos não estivessem ali, eu a teria agarrado e a prensado na parede.
Quanto mais eu passava os dias com Lily, mais eu me apaixonava. Isso estava nos planos, porém um pouco mais para frente. Queria ter certeza de uma coisa e acabei tendo certeza de duas. Amar Lily era a coisa mais fácil e mais importante em minha vida. Não havia mais ninguém com quem eu queira passar o resto da vida. Lily era o que eu queria para sempre.
Voltei à realidade, tentando não me concentrar nas risadas daqueles que eu chamava de amigos. Só faltava Dorcas para completar o cerco, mas ela estava de plantão.
– Bem... até que é bem confortável – me pronunciei, mexendo-me. Era verdade. – Se eu soubesse que usar saia dava liberdade, eu acho que teria considerado usar... agora eu sei como os escoceses se sentem. Sou livre! – Balancei, realmente sentido uma certa liberdade.
– Você é nojento, James – disse Marlene, fazendo uma careta.
– É a verdade – afirmei e olhei para meus amigos. – Ei, deveriam experimentar.
– Não sonha, Pontas – respondeu Sirius, dando um passo para trás e Remus concordou com a cabeça. Eu dei de ombros, ainda me mexendo.
– Uma coisa eu tenho certeza de que será fácil – Lily ajeitou seu vestido. – Não precisarei tirar suas calças... é bem complicado.
Lene me olhou, indignada.
– O que você fez com a minha amiga? Monstro! – Mas no final ela sorriu.
Lily deu uma risadinha e piscou para mim. Será que eles não poderiam ir embora agora?
– A gente vai ter que sair assim à rua? – perguntou Lily. – Não estou afim de perder meu emprego.
– Para ir ao mercado e à padaria, temo que terão de usar – disse Sirius, fingindo pena.
– Você vai me pagar, Sirius – dei um sorriso inocente e ele soube que eu realmente iria me vingar. Era só uma estão de tempo até que alguma ideia surgisse. E quando ela viesse... Sirius iria ter de correr.
– Bem, vamos lhes deixar sozinhos – disse Remus, olhando o relógio de pulso. v Pelo menos eu vou. Dorcas já deve estar indo para casa.
– E Sirius vai me levar para jantar, não é? – Lene olhou para meu amigo, que assentiu, totalmente caidinho.
Quando nossos amigos saíram, eu olhei para Lily, que olhava para a fantasia de um modo crítico. Parecia pensar em alguma coisa; talvez algum plano para se vingar de Sirius e Marlene. Porque eu com certeza faria um.
Fui até ela e peguei sua mão. Lily levantou o olhar e sorriu. Ah, como eu gostava daquele sorriso singelo, que demonstrava algo parecido com felicidade. Às vezes eu me perguntava se ela se sentia da mesma forma que eu e, às vezes, eu tinha certeza de que sentia. Mas quem eu queria enganar? Apostá-la, como se eu só quisesse que ela me dissesse que me amava para ganhar dinheiro depois. Essa nunca foi a verdade.
– Eles não estão mais aqui e também não ficarão de olho na gente 24 horas por dia – falei, ainda segurando sua mão. Era macia e pequena; quase sumia dentro da minha. – Então, se quiser, pode tirar. Não precisa usar.
Lily sorriu ainda mais em minha direção. Eu nunca me cansaria de vê-la sorrir; era, de alguma forma, gratificante.
– Tem razão, mas eu quero. Isso dará uma boa história no futuro, que nos renderá umas boas risadas – respondeu ela, apertando minha mão.
Meu coração deu uma disparada.
– Você acha que nós teremos um futuro?
Lily me lançou um olhar desesperado e soltou a minha mão, indo sentar-se no sofá.
– Ei, eu não estou... provocando dessa vez – falei, caminhando até onde ela se sentara e me sentando no chão. Aquela roupa era mesmo fácil e confortável de se usar. Eu podia me sentar de qualquer jeito e me sentir livre!
Ela me olhou e seu olhar se acalmou. Não sabia o que ela havia visto em meu olhar, mas a fez sorrir outra vez e eu não queria que isso acabasse. Interromper iria contra meus instintos.
– James, eu quero... quero que saiba...
– Sim...? – por favor, se declare para mim, se declare.
– Nada – Lily pareceu lutar contra seus conflitos internos. – Eu preciso pensar em como lhe contarei.
– Talvez eu entenda – Lily deu uma risadinha sem humor e depois suspirou.
– James, o que nós estamos fazendo? Nenhum de nós dois está... estamos juntos por causa de uma aposta! – Ela passou as mãos no rosto. – Eu preciso saber o que nós temos aqui, para eu poder lhe contar. Para eu ter certeza.
Eu fiquei a olhando por alguns segundos. Lily sustentava meu olhar, tentando encontrar algo nele que nem mesmo eu sabia ter. Desviei o olhar, mesmo sabendo que aqueles lindos olhos verdes ainda me sondavam.
Mas o que ela queria dizer com aquilo? Que ela ficaria comigo se eu abrisse o jogo? Ou era por causa da aposta? Eu a olhei novamente e percebi que, se ela amasse alguém — mesmo uma aposta sendo o motivo principal -, nunca seria por dinheiro.
– Eu... er... – comecei, mas gaguejei no meio do caminho. E se ela não sentisse o mesmo? Mas ela dissera que precisava de uma resposta. – Quando eu a vi pela primeira vez, senti um baque. Você me lembrava alguém que há muito eu havia perdido. E eu pensei que eu deveria tê-la na palma de minha mão para ter certeza.
– E teve? – Lily perguntou num sussurro.
– Não – eu ri um pouco sem jeito. – Mas quem se importa? Não importa se você é ou não é essa pessoa, porque eu me... me apaixonei por você. – Eu percebi que Lily segurava as lágrimas, pois seus olhos pareciam brilhar ainda mais. – Então... não tem importância.
– Ah, James – ela sussurrou mais uma vez. – Eu... eu preciso te dizer...
– Shhh... agora não. Eu quero ter certeza também – eu fiquei de joelhos, segurei seu belo rosto em minhas mãos e beijei seus lábios.
Lily retribuiu o beijo e foi para o chão, sentando-se em meu colo, com as pernas para cada lado do meu quadril. Quando senti o seu corpo em contato com o meu, não pensei em nada mais. Minhas mãos foram para suas nádegas e eu as apertei com força contra minha ereção. Lily gemeu, dando-me passe livre para continuar.
Suas mãos puxavam meus cabelos e sua língua mantinha contato com a minha. Eu amava quando ela puxava meus cabelos, dava-me tanto prazer! Lily abriu a fantasia que eu usava, mas não a tirou. Sua mão desceu até meu membro já duro e o retirou da minha cueca, massageando-o de um jeito que apenas ela sabia fazer.
Eu tirei a minha fantasia, liberando a visão de minha ereção para ela.
– Você usando vestido com certeza fica mais fácil – ela disse, tomando fôlego. Eu ri a beijei novamente.
Lily sorriu entre o beijo e olhou para baixo, mordendo o lábio inferior. Ela me olhou, então, e levantou-se.
– Tire para mim – pediu, colocando os cabelos ruivos para o lado, e eu rapidamente me levantei para obedecer.
Abri o fecho lentamente, olhando para suas costas alva, pintada por sardas aqui e ali. Era a primeira vez que eu realmente parei para olhá-la. Antes, eu fazia apenas sexo (mesmo que, no fundo, eu sentia que era amor); agora, era algo mais profundo. Era a certeza. E eu sabia que ela estava fazendo o mesmo.
Assim que a fantasia desceu pelo seu corpo, Lily virou-se para me ver. Se aproximou e passou as mãos em meus ombros, meus braços, voltando e passando as mãos em meu peitoral, barria e, por fim, em meu membro exposto. Ela retirou minha cueca, deixando-me nu à sua frente.
Ela parou e me olhou, um sinal de que eu poderia fazer o mesmo com ela. Meu corpo ansiava por isso. Por ela. Eu sorri e abri seu sutiã, jogando-o em algum lugar da sala. Observei seus seios rosados; havia sardas neles também. Eram lindos de se ver. Então passei as mãos primeiro em seu rosto, descendo para seu pescoço, depois em seus ombros, seus braços, e voltando para seu busto, acariciando primeiro seu seio direito e depois o seu seio esquerdo, descendo logo depois para sua barriga lisa e chegando em sua parte íntima.
Eu observava suas reações conforme eu ia descobrindo mais sobre o corpo da mulher que eu amava. Sim, eu a amava. Lily abria e fechava os olhos toda vez que eu lhe tocava em lugares que lhe dava prazer ou lugares que eu apenas queria fazer carinho.
Tirei sua calcinha e olhamos um para o outro. Era como se eu e ela estivéssemos nos vendo pela primeira vez; nos conhecendo pela primeira vez; fazendo amor corretamente pela primeira vez. Era nova, aquela sensação. E eu gostava.
Encurtei a distância entre nós, puxando Lily para um beijo. Meus lábios pressionaram os dela de leve, mas logo depois nossas bocas se encaixavam com mais urgência. Nossas línguas se encostavam com mais pressa, nossos movimentos com mais precisão. Lily passava as mãos em minhas costas e eu descia as minhas mãos até suas nádegas, puxando-a para o meu colo.
Parte do seu sexo encostava em meu membro, conforme eu sustentava seu peso até eu chegar na parede e prensá-la ali. Uma de minhas mãos foi para um dos seus seios acariciando-o. Em certo momento, desci meus beijos para sua clavícula e logo chegando a seus seios, onde suguei e mordisquei com sutileza, arrancando suspiros e gemidos dela. Era ótimo.
Lily puxou meus cabelos, fazendo-me levantar a cabeça, e beijou-me novamente. Voltei a segurá-la com as duas mãos e a encaixei entre minhas pernas. Lily jogou a cabeça para trás e bateu sem querer contra a parede. Nós rimos, mas sem cortar o clima. Ela me olhou e sorriu, levando uma das mãos até minha ereção, encaixando-o em sua parte íntima.
Eu me surpreendi, mas gostei do que ela fizera. Terminei de penetrá-la, fazendo Lily gemer com o contato. Segurei suas coxas enquanto me movimentava devagar. Eu sentia o suor escorrendo pela minha testa por causa do esforço, mas eu não ligava. Cada pedaço de mim queria que aquele momento fosse o mais certo que tivemos até hoje. Como se essa fosse a nossa primeira vez.
Sentir o corpo de Lily chocando-se contra o meu era delicioso. Eu, quando dormia com outras mulheres, não sentia a metade do prazer que eu sinto com Lily. Porque, de alguma forma, era especial. Lily era especial para mim. Eu não estava apenas ganhando prazer, eu estava dando prazer a ela também e era isso que contava sempre.
Lily pediu para ir mais rápido e eu obedeci. Mordi seu lábio inferior, algo que ela adorava, e a prensei ainda mais contra a parede. Eu também já estava louco, portanto, eu não pensei duas vezes em ir mais rápido. Bem mais rápido.
Eu ouvia sua voz misturada com a minha, dizendo coisas desconexas, mas cheias de importância para nós ambos e o suor escorria de nosso corpo, fundindo-se contra o outro. Eu sentia que ela estava quase lá, então eu alternava: devagar e rápido, devagar e rápido... até que ela não aguentou mais.
O gemido que Lily deu foi maior do que todos os outros. Eu sentia que o orgasmo dela viera forte dessa vez, fazendo-me gozar logo depois. Seu corpo pendeu mole em meus braços e eu sorri. Lily levantou a cabeça, com os olhos verdes cansados, porém felizes.
Eu estava feliz. Eu realmente estava...
– Meu Deus – disse uma voz arrastada e espantada. Lily levantou a cabeça quase em um átimo. – Não estou acreditando nisso, Lily.
Ela se separou de mim e depois voltou-se a se encostar em meu corpo, para que aquele... cara com cabelos oleosos e de nariz absurdamente grande não me visse nu.
– Severus, eu... – ela tentou se explicar, mas ele interveio.
– Você pode explicar? – O tal de Severus completou a frase com ironia. – Não precisa, eu estou vendo!
Eu virei meu rosto para Lily, franzindo a testa.
– Quem é o seboso, Lily? – perguntei com inocência, apenas para ouvir sua confirmação.
Lily abriu a boca para responder, mas Snape foi mais rápido. E a resposta que ele deu não foi nada agradável aos meus belos ouvidos.
– Eu sou o namorado dela. Severus...
– Snape – completei, sabendo exatamente quem ele era.
Então, eu a olhei novamente, sentindo meu mundo cair de repente.
– É verdade? – perguntei e Lily não respondeu. Seus olhos estavam brilhantes por causa das lágrimas que escorriam de sua face e dos soluços que já sacudiam o seu corpo. – Eu perguntei se é verdade.
Com um aceno mínimo, ela concordou e eu senti que meu coração estava sendo arrancado do meu peito.
Eu pisquei várias vezes até que eu caí na realidade. Eu fui apenas um jogo. Tudo bem que eu fui um idiota ao fazer aquela aposta. Mas eu abri meu coração. Eu falei o que sentia! E ela não sentia o mesmo, afinal. Pelo menos eu não dissera que a amava.
– Eu é que não acredito – falei, me desvencilhando dela. Lily soluçou e deu um passo para frente. – Não. – Ela recuou. Eu não olhava em seus olhos. Não podia. – Eu... eu vou embora. – Peguei a minha cueca e a vesti, depois, fui até a fantasia e a peguei.
Me vesti ali mesmo. Aquele seboso já havia visto demais mesmo, mais um pouco lhe faria mal.
– James, era isso que eu ia...
– Você ia me contar? – eu a interrompi. – Olha, podia ter dito que não sentia o mesmo e não me deixar dizer todas... aquelas coisas. Eu vou embora.
– Não, Ja-James. – Seu choro já era audível.
– Deixe minhas coisas na casa da Lene. Sirius vai levar para minha casa – disse eu de modo inflexível, ainda que seu choro me atingisse como uma navalha. Me dirigi para a porta e vi, pela minha visão periférica, que ela se mantinha no mesmo lugar, longe do seboso, segurando o próprio corpo com as mãos. – Adeus, Lílian – abri a porta sem olhá-la e saí para o final tarde gélido.
Meu peito doía e eu tentava não chorar. Uma parte de mim se perguntava por que aquele cara nojento havia voltado, enquanto a outra detestava, sem detestar, Lily Evans. Porque eu ainda a amava.
De fantasia mesmo, fui até o meu carro. Olhei para a porta fechada da casa em que eu vivera momentos bons e depois entrei no veículo. Liguei o motor e esperei mais um pouco, mas a porta não se abriu. Então eu parti, sem olhar para trás.
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