The Best Job
13 Vestido amarelo
Notas iniciais

Depois do susto que levei ao perceber que há uma pessoa no mundo — fora Sabo-kun — que Rokka obedece, decidi que deveria observá-los mais. Mas, por enquanto, isso ficou para segundo plano; havia algo mais importante que tinha que resolver.
Se engana aquele que pensa que só porque Shin e os outros roubavam e matavam, deveriam permanecer em uma cadeia, ou até mesmo ir para Impel Down. Claro que há casos de pessoas muito jovens que realmente vão para lá, mas não é dessa maneira que o Exército Revolucionário trabalha. E, especialmente, não é dessa maneira que eu trabalho.
Infelizmente não tenho poder o suficiente para interferir no fato de que aquelas crianças serão mandadas para uma das unidades do South Blue.
— Quer que eu fale com Dragon-san para ele deixá-los seguir conosco à Baltigo?
Mas por sorte conheço alguém que tem.
— Isso. Por favor, fale com ele, Sabo-kun. Eu sei que se você, o conselheiro dele, sugerir que eles sigam com a gente, a probabilidade disso acontecer é altíssima! Nina, Tora e Marion irão para Baltigo também, certo? Então não serão as primeiras crianças lá.
— Koala... — Sabo-kun me olhou, parecendo pensar em algo. Logo me veio um leve receio de ele não querer fazer isso por mim, ou por ter um fato inesperado que eu não saiba e que o impeça de ajudar. — você realmente é meu braço direito! — ele sorriu, me surpreendendo. — eu já ia fazer isso de qualquer maneira, não precisava você nem me pedir. Que bom que você não é só uma Coala violenta e pensa como eu, hehehe! — ele sorriu, colocando os braços atrás da cabeça. Uma veio pulsou em minha testa e dei um leve soco em seu ombro.
— Ai! Isso dói, sabia?
— Não estou nem aí, huh! — tentei me fazer de irritada, mas na verdade estava com vontade de abraçá-lo com todas as minhas forças e agradecer. Sabo-kun era mesmo incrível.
— Oe, Tamura! — olhei para o lado procurando o subordinado pelo qual Sabo-kun chamara. Ele estava carregando vários papéis, e o susto que tomou pelo chamado de seu superior o assustou e o fez derrubar alguns papéis.
— S-S-Sim, senhor?! — respondeu de imediato, suando frio.
— Calma, não precisa ficar nervoso... — disse Sabo-kun, olhando o estado em que o outro estava. Peguei os papéis que caíram e devolvi à pilha. Tamura me olhou, surpreso, e deu um sorriso tímido, escondendo seus olhos atrás de seus enormes óculos. — preciso falar com Dragon-san, ele está em sua sala?
— P-Provavelmente sim. Eu saí de lá há uns minutos apenas para pegar os relatórios dos chefes dos gabinetes de outras divisões, e ele parecia ocupado. Por isso, não acho que ele vá sair de lá em menos de meia hora. — respondeu o rapaz de cabelos esverdeados.
— Valeu! — Sabo-kun fez um "beleza" com a mão para descontrair.
Esperávamos alguma reação vinda de Tamura, mas ele apenas ficou olhando para sua mão com curiosidade. Lentamente, ele olhou a própria mão, e levantou o polegar, imitando o sinal de "beleza" que seu chefe fez.
Faz mais ou menos um mês que estou nesse navio, e uma das pessoas mais esforçadas que vi aqui foi Tamura. Ele está sempre usando roupas grandes e largas, mesmo que o clima não esteja frio.
— Koala!
Sua pele é bem branquinha, seus cabelos num tom verde escuro, e seus olhos estão sempre escondidos por trás desses óculos pretos. Dessa vez, finalmente pude ver bem de perto que cor seus olhos são. Eles têm um tom rosado, um rosa bem forte. Mas por quê rosa? Isso é tão estranho...
— Koala!!!
— O-O que?!?! — o grito de Sabo-kun me tirou de meus pensamentos.
Ele fechou a cara, e se virou, começando a andar. Eu olhei para Tamura, sem entender, e então fui atrás dele, logo depois de me despedir do outro, que disse que era melhor ir para outro lugar.
N/A P.O.V
Koala deu uma corridinha para poder alcançar Sabo, que andava em passos rápidos. Ela não havia entendido o porquê dele ter ficado tão irritado. Será que era por que ela não tinha notado que ele a chamara? Isso não era de seu feitio, o que a deixava ainda mais em dúvida.
— Sabo-kun? — ela o chamou, puxando a barra de seu casaco para chamar atenção. De início ele olhou, mas logo desviou o olhar, e voltou a andar.
— Por que você está irritado, afinal?
Ele parou de andar, e olhou para ela.
— Porque eu não gosto que você me ignore pra ficar admirando outros caras.
— Por que isso te incomoda tanto? — perguntou Koala, sem entender o motivo de isso o incomodar assim.
— Isso eu também gostaria de saber.
(...)
— É o seguinte, será que pode deixar aquelas crianças irem pra Baltigo com a gente? Há várias lá em treinamento, mandar mais algumas não vai fazer diferença alguma.
Dragon suspirou, guardando alguns papéis dentro das pastas.
— Não são "várias" crianças, são apenas quatro, e que foram selecionadas pelo fato de saberem manusear algo que lhes permita se defender.
— Exatamente! Essas crianças que foram resgatadas por nós mostram que têm um dom incrível usando armas de fogo. Aquele loirinho, com um bom treinamento, pode chegar a estar no mesmo nível que Marion atualmente! — apesar de nem mesmo ter visto Shin usar alguma arma, Sabo confiava nas informações que Koala e Hack lhe passaram. — mas treinar com armas não é o que eles precisam agora... Se permitir que eles sigam conosco, te contarei sobre algo que anda pensando muito ultimamente.
Dragon continuou a fitar o rosto de Sabo, que olhava para o superior convicto de suas ideias. Apesar de Sabo ser um adolescente ainda, parecia que ele havia amadurecido mais esses tempos. Logo, o líder perguntou-se o porquê, e rapidamente a resposta lhe veio na mente.
Sabo amadurecera por causa daquela mulher
(...)
— Rokka... — uma voz calma e infantil adentrou na cozinha, fazendo com que o único ali olhasse para a porta. Era Tora, que estava com duas maria-chiquinhas baixas. — estou com dor de cabeça.
— Dor de cabeça, hm... — disse Rokka, pegando-a no colo e a sentando na mesa.
— Sim, desde que acordei... Não deve ser nada demais, não preciso falar com o médico do navio...
Rokka continuou a observar o rosto da morena. Ela estava mudada. Agora falava muito mais que antes, tinha expressões e sabia explicar muito bem suas emoções. Antes ela era como Marion, — apesar de na época ainda falar mais que ele — e agora se assemelhava mais a uma garotinha normal e tímida.
— Pegue. — ele disse, depois de pegar um comprimido em sua caixa de primeiros socorros e um copo d'água. — isso vai dar sono, então é bom você ir deitar um pouco. — Tora colocou o remédio na boca, e engoliu junto com a água.
— Agora não posso. — disse a pequena. — a Padomi está por andando por aí no navio com a Nina, eu preciso procurá-las antes que causem problemas para a Koala-san e para o Sabo-san.
— Aquela mulher... — Rokka rosnou, percebendo que ele próprio deveria ficar de olho na adolescente.
(...)
— Sabo-kun? — foi a primeira coisa que o loiro ouviu ao sair da sala de Dragon. Olhou para quem estava do lado de Koala, Hack, e pareceu ficar um pouco surpreso pela presença dele ali.
— Oi... — respondeu Sabo, suspirando enquanto jogava seu cabelo para trás. — o que faz aqui, Hack? Não deveria estar fazendo sua meditação, como sempre?
— Sim, mas Koala me contou sobre o que vocês foram pedir... No que deu? Ele permitiu? — Hack se adiantou e fez a pergunta que a garota iria fazer. Sabo ficou meio receoso em dizer ao ver o olhar esperançoso da professora substituta.
— Koala... Desculpe... Mas ele só deixou que duas crianças fossem.
— ... — Koala abaixou o olhar, e colocou uma mecha atrás da orelha. Com um sorriso fraco, ela se aproximou de Sabo...
E o abraçou.
— Obrigada por fazer esse favor pra mim.
O loiro não entendeu muito o porquê desse "carinho" vindo da amiga. Foi algo bem repentino, por isso não conseguiu se mexer para envolvê-la em seus braços também. Em sua mente se passavam mil e uma coisas, mas o que mais lhe intrigava era não saber o motivo pelo qual estava sentindo tanto calor que suas bochechas coraram, e também o que era essa sensação estranha na barriga.
Ele sentiu que isso era algo que já havia sentido antes, e que lhe havia sido um momento muito especial como aquele.
— "Como isso é bom" — pensou ele, ainda surpreso.
Logo que ela se separou dele, Sabo olhou para Hack, que no mesmo instante entendeu que queria conversar com ele. Fazia um tempo que não conversavam. Sabo era quase adulto, mas constantemente precisava de conselhos de pessoas mais experientes.
— Eu vou pedir permissão para descer e falar com os dois! — avisou Koala, animada. — e você trate de ir pro quarto, ler e assinar toda a papelada que tem deixado acumular nessas últimas semanas. Eu já organizei pra você, fazer mais do que isso como favor já é demais! — disse ela, com o ar autoritário cujo já estava acostumado.
— Certo, certo... — balbuciou o loiro, cansado só de pensar no trabalho que teria.
(...)
— Você a viu, Tamura-san? — perguntou Tora, que estava sentada no ombro direito de Rokka, sendo segurada pelo mesmo.
— Sei lá... Acho que...-
— "Sei lá" o escambau!!! Responde direito!!! — gritou Rokka, fazendo o esverdeado dar um pulo de susto. Se recuperando e tremendo, ele continuou:
— E-E-Ela esbarrou em mim de manhã... P-Parecia com sono, e est-tava com a Nina-c-chan...
— Estou quase deixando pra lá! Não me importo que ela incomode aquela mulher, não gosto dela mesmo.
— Ai ai... — Tora suspirou. — vamos continuar procurando.
(...)
No quarto de Sabo e Koala, o loiro mexia e bagunçava várias caixas empoeiradas que estavam há anos guardadas ali. Mesmo que aquele não fosse seu quarto oficial — na verdade, só o usava quando tinha que ir em alguma missão com uma grande tripulação — ainda deixava certas coisas ali. Uma dessas coisas nunca foi tirada de sua caixa, e por isso, Sabo deduziu que estaria por ali, ainda intacta.
— Achei! — exclamou ele, fazendo Hack se engasgar com o café. Após uma série de tossidas, o tritão perguntou:
— Achou o que, afinal?
Sabo não respondeu, o que despertou ainda mais curiosidade do mestre de karatê. Deixou sua xícara na mesa e se aproximou do loiro sentado no chão. Hack arqueou as sobrancelhas ao se deparar com o objeto nas mãos de seu superior: uma boina vermelha.
Sabo P.O.V
Há muito anos não via aquela boina. Estava toda empoeirada por conta do espaço de tempo que ficara ali, sem ao menos ser tocada. Dei uma sacudida nela para melhorar um pouco a situação, e por isso acabei espirrando.
Por algum motivo, não me lembro do rosto da pessoa para qual eu iria presentear. A única coisa que me lembro, era que era uma menina.
Uma menina...
...extremamente linda.
Navio 27, 22 de Dezembro de 1512
Todos os dias fico me perguntando o que houve comigo. Há dias que me lembro do meu passado, há dias que paro pra pensar qual é o meu nome quando me perguntam, e há dias que até mesmo esqueço onde estamos. Esse tipo de situação me frustra, pois esqueço-me fácil do rosto das pessoas, por isso, nem amigos eu tenho.
Não é como se eu quisesse amigos nem nada. Na verdade, isso é a última coisa que eu quero. Amigos apenas te atrapalham, te distraem, e quando você menos espera, fica sofrendo por não estar perto deles. Por isso, prefiro mil vezes não possuir algo que não vai me fazer diferença, à possuir e depois lamentar por não ter mais.
Iria fazer um mês desde que fui resgatado pelo exército revolucionário. Quando vi que me juntaria a eles, fiquei entusiasmado por dentro imaginando que seria treinado e ficaria extremamente forte... Mas, a única coisa que me poem pra fazer é descascar batatas e ficar de vigia às vezes... Totalmente chato!
Já passara das três da tarde, e todos estavam voltando aos seus afazeres dentro do navio, após o amoço. Havíamos ancorado em uma ilha onde não há quase nada, apenas uma vilazinha onde foram comprar mantimentos.
Eu estava sozinho num canto do convés, comendo lámen instantâneo. Ventava demais naquele dia, o que indicava que iria chover dentro de algumas horas. Não que me importasse muito, mas gostava de deitar no meio do convés e admirar o céu.
Assim que terminei de beber o caldo, me levantei, e passei a observar as nuvens. Começei a pensar seriamente o porquê de gostar tanto do céu. Será que isso me tornara num fanático pela cor azul?
De repente, uma brisa forte veio e fez o meu chapéu sair voando. Por sorte, não para o lado onde estava o mar, e sim o convés.
Parei de correr atrás dele ao perceber que não estava mais no ar, e sim, nas mãos de alguém. Era uma garota com um vestido amarelo, com cabelos bem curtos, e bem magra. De início, ela não me percebeu ali, apenas ficou admirando o meu chapéu. Ela parecia ter gostado do designer dele.
— Ah! — disse ela, assim que percebeu minha presença — é seu?
Não disse nada, apenas continuei sério, e assenti.
— Ah tá — ela riu um pouco sem graça, enquanto vinha na minha direção, até que parou na minha frente — se curva.
— Hã?
— Se curva!
Meio hesitante, eu me curvei. A garota virou o chapéu, deixando os óculos virados para frente, e delicadamente o depositou em minha cabeça.
Devagar, eu me levantei, olhando fixamente seus olhos curiosos me encarando.
E por algum motivo...
Eu gostei muito dela ter posto o chapéu em mim.
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