The Best Job
14 Aquela boina
Notas iniciais

A minha vida nunca foi lá das melhores, e antes de conhecer o Ace, eu achava que nunca seria feliz.
Onde está a felicidade? Onde ela mora? Talvez eu nunca saiba realmente o que ela é. Os poucos momentos felizes que tive foram ao lado de meus irmãos, os quais eu me lembro um dia, e logo me esqueço no outro.
Como alguém que sofreu durante anos da sua vida consegue sorrir?
— Eu não sabia que tinha um garoto da minha idade aqui! Eu vivo limpando este navio por todos os lados, como será que nunca te vi? Afinal, você tem a minha idade mesmo? Quantos anos você tem? Eu tenho 11 anos, e vou fazer 12 ano que ve-
— Você fala demais!! — explodi, fazendo-a se calar. Meu grito pareceu ter feito ela se assustar, pois ficou para me fitando meio receosa em falar algo. — eu... — esquivei o olhar — tenho 10 anos... — virei de costas, saindo de perto dela. — agora me deixe!
Depois de uns passos, certo de que depois de ser tão rude com ela, nem iria olhar mais na minha cara. As meninas são assim, frágeis demais.
— 10 anos?? Eu ganhei! Hahaha! — ela disse depois de se jogar nas minhas costas.
— Ficou doida?! Teve muita sorte de eu ser forte, senão havíamos caído os dois no chão!!
— Que nada... Eu não sou pesada, não cairíamos de jeito nenhum! Agora, aproveitando que você está me segurando, ér... — ela pareceu pensar por uns segundos, ainda em cima de minhas costas. — qual é o seu nome, garoto do chapéu legal? — a garota perguntou, tirando o chapéu de minha cabeça e colocou em si mesma.
— Sabo.
— Ahh tá... Mas qual é o seu sobrenome?
— Eu não tenho mais sobrenome. — respondi sério, e ela pareceu entender isso.
— Bem, o meu é Nia!
Navio 1, 10 de Março de 1522
— Sabo? Está me escutando?
Hack tirou-me de meu desvaneio. Viajei no tempo por uns segundos encarando aquela boina. Me lembrava constantemente de cenas como aquela de quando conheci aquela menina, mas infelizmente nunca via seu rosto.
— Olhe essa boina, Hack. — tirei-a da caixa, mostrando para Hack. Era uma boina vermelha, bem simples, sem muitos detalhes. — eu conheci uma garota quando era moleque, e iria dar essa boina pra ela. Mas algumas coisas aconteceram... E, no fim, nunca mais tive notícias dela.
— E por acaso pretende procurá-la de novo pra presenteá-la?
— Eu já tentei. Procurei pelo nome dela em todos os registros do exército revolucionário durante anos.
— Até no... — Hack hesitou em falar — até no registro de MEC?
— Sim. E no registro de DEC, DPM, MPD... Vi em tudo, mas é como se ela nunca tivesse existido. — suspirei — mas enfim, eu já desisti... Eu vou dar esse chapéu pra outra pessoa.
— Outra pessoa? Não me diga que é a...
— Sim, eu vou dar ele pra Koala.
N/A P.O.V
No mesmo segundo, os edredons amontoados que estavam em cima da cama de Sabo se levantaram, revelando Padomi com os cabelos bagunçados e uma cara de quem comeu e não gostou.
— Como assim você vai dar isso pra aquela Phascolarctos cinereus?!
— "Pha" o que? — perguntou Sabo.
— Você não pode, Sabo-san!! — teimou Padomi, começando a pular de raiva em cima da cama de Sabo. Hack percebeu que Nina também estava em um sono profundo, e a tirou da cama antes de acidentalmente a mais velha pisasse nela.
— Êhh..? — Nina bocejou, após acordar e perceber que estava no colo de Hack. Ela olhou para o ambiente em que estava, depois de se perguntar o porquê da gritaria toda. Padomi estava esperneando e jogando tudo o que via pela frente em Sabo. — Hack-san, por que a Padomi tá com raiva do Sabo-san?
— Bem, isso é algo que você vai aprender quando crescer... — disse ele, com uma gota descendo na testa.
— Hmm... Então tá. — a rosada assentiu. — eu tô com fome, quer lanchar comigo, Hack-san? — perguntou ela, ignorando totalmente os gritos de Sabo e Padomi.
— Certo. — ele assentiu.
Assim, eles saíram do quarto, deixando Sabo e Padomi sozinhos.
(...)
Koala estava descendo as escadas, procurando pelo quartos onde estariam Aurora e Shin. Todos denominavam os cômodos onde os infratores menos perigosos ficavam como "quartos", mas qualquer um que visse iria chamar mini prisão.
A cada um quarto estavam duas crianças, e Koala sabia que Shin havia feito um escândalo para não se separar da menina. Logo, seria mais fácil falar com os dois.
— São tantos quartos, qual será o que eles estão... — murmurou ela, pensando alto.
— Sete.
Koala pulou de susto. Atrás dela, estava Marion. Como sempre, usando um casaco enorme, com o capuz na cabeça e de botas. Como ele havia parado ali sem Koala perceber? Era especialista em perceber a presença de qualquer um ao seu redor.
— ...O quarto número 7? — perguntou a praticante de karatê, tentando entender. O menino assentiu, e ela procurou com os olhos o quarto número 7.
Logo que achou, pegou Marion no colo, e começou a andar com ele. A criança de cabelos azuis fitou Koala, sem entender o porquê dessa ação da parte dela. Assim que percebeu a dúvida de Marion, ela respondeu:
— Você estava me seguindo, não é? Então se eu te segurar nos braços não vai fazer diferença. Vamos estar juntos da mesma maneira. — sorriu.
Ele não disse nada, como de costume, apenas tornou a olhar pra frente, esperando Koala andar. Ela foi, e abriu a porta devagar, preparada pro caso de algum deles tentar sair correndo dali. Felizmente isso não aconteceu, e ao abrir se deparou com Shin e Aurora dormindo juntos na cama de solteiro. Koala suspirou, e colocou Marion no chão, indo para perto das outras duas crianças.
Sentou-se no canto da cama, para poder ver melhor seus rostos, já que estavam tão encolhidos. Pôde perceber que haviam dormido há pouco tempo, já que nos olhos dos dois ainda haviam lágrimas que não secaram.
Koala ficou um tempo ali, parada e pensando, enquanto acariciava os cabelos loiros de Shin. Eram bem macios.
Lentamente, ele foi acordando. Parecia meio desnorteado, e demorou uns segundos até se lembrar do lugar onde estava. Koala engoliu o seco, esperando pelo momento em que ele iria gritar e fazer um escândalo para sair dali, como as outras três crianças fizeram.
— Você... — disse ele em tom baixo para não acordar Aurora, enquanto esfregava os olhos. — o que quer aqui? — ele olhou para Marion, que estava atrás de Koala, segurando na barra de sua saia. — e o que ele quer aqui?
— Shin... — Koala colocou uma mecha atrás da orelha. — eu sei que você não é um garoto mau. Nem você, nem Aurora, e nem os outros meninos que estavam com vocês. Vocês são crianças, e você é o mais velho de todos. Você teve que enfrentar a responsabilidade de escolher o caminho pelo qual deveriam seguir... Mas, sem querer, acabou deixando que todos seguissem pelo lado errado. Não vou te julgar. Eu entendo completamente. — ela pegou nas mãos do garoto, e olhou fundo em seus olhos. — você é um bom garoto, e eu sei que fará a escolha certa dessa vez... — a mais velha sorriu. — gostariam de se tornar meus alunos?
Shin ficou alguns segundos olhando para o rosto de Koala, sem entender qual o propósito daquilo. Como ela conseguia ser assim? Como podia confiar em um moleque ladrão que conheceu há uns dias? Não tinha medo que ele fizesse algo errado nessa segunda chance?
— Você quer... Que eu seja seu aluno? — perguntou o loiro, tentando assimilar aquilo.
— Sim, exatamente.
— E o Rene, a Aurora, o Imelda e o Fay também?
Koala suspirou, e deu uma ajeitada na franja do garoto.
— Nós tentamos, mas não conseguimos fazer com que todos vocês vão pro QG principal, em Baltigo. Você... Vai seguir conosco, e a Aurora-chan também, mas os seus outros amigos irão para o South Blue... M-Mas não se preocupe! Eles não vão para uma prisão! Eles serão mandados para o "Améliorer"! É como um reformatório, onde eles vão aprender com o tempo que o que eles fizeram é errado... Mas, se você não quiser se tornar meu aluno, a sua outra opção é ir para lá com os outros.
Ele continuou a encará-la, com os olhos firmes.
— Eu não me considero uma criança. — disse ele. — o mundo me ensinou que a vida é difícil. E se eu puder proteger quem eu quiser... — olhou para Aurora, que ainda dormia serenamente. — já poderei me considerar um homem. Eu aceito sua proposta. Vou falar com Rene e os outros, é certo que irão me odiar depois disso, mas não vou voltar atrás. — o garoto sorriu, pela primeira vez em anos. — Noira- quer dizer, Marion... — Shin se levantou e lhe estendeu a mão. — gostaria de recomeçar?
Marion entendeu o que ele queria dizer com recomeçar. Ele queria que voltasse à estaca zero, para assim, poderem ter uma chance de serem amigos. Sem dizer nada, e nem se expressar, o azulado levantou seu bracinho, e ambos apertaram as mãos.
Koala sorriu ao ver aquilo, orgulhosa daquelas crianças.
— Agora vamos até uma pessoa.
(...)
No quarto de Sabo e Koala
— Você sabe muito bem que eu já havia te pedido essa boina antes, Sabo-san!!! Isso não é justo!!! — Padomi gritou, totalmente descontrolada.
— Eu sei, Padomi! Mas quando você pediu eu ainda estava procurando a dona dela! — disse Sabo, cansado de discutir com a garota. — para! Chega! Senta aqui! — ele tirou ela de cima da cama, e a sentou na cama. — primeiro, você tem que se acalmar!
Ela bufou, ainda de cara fechada.
— Eu pedi essa boina pra você bem antes, há 3 anos atrás... Não seria mais justo você dá-la pra mim?!
— Padomi, você tem que entender que a Koala é a minha melhor amiga. — ele disse sério. — se eu decidi que vou dar pra ela, é porque eu vou dar pra ela. Você pode ser minha amiga, pode ter me conhecido ano antes dela, mas é ela o meu braço direito, e é ela quem eu considero uma das pessoas mais importantes pra mim.
Padomi abaixou a cabeça, deixando a franja esconder seus olhos. Ela se levantou, ainda de frente para Sabo, que se encontrava em pé.
— Sabo-kun idiota!!!!! — ela gritou, jogando uma pedrinha que estava em sua mão no rosto do mais velho.
Apesar de ser especialista em armas de fogo, a força da adolescente ainda era um pouco maior que a das meninas de sua idade, o que permitiu com que seu tiro fosse certeiro, acertando a bochecha esquerda de Sabo. Depois do choque, ele colocou a mão onde ela havia mirado, e assim tirou a mão, viu que nela havia sangue.
— Sabo-kun! Boas notícias! Eu falei com o Shin e ele disse-... Êh?
Koala havia aberto a porta do quarto, e se deparando com Padomi e Sabo em pé. Ela com uma expressão estranha, e ele com a bochecha sangrando.
— Você... — Koala disse com os olhos arregalados, olhando para Padomi. — você fez isso nele?
— E-E-Eu não... — Padomi suava e olhava para todos os lados, sem saber o que dizer. Estava arrependida do que tinha feito.
Segundos depois, saiu correndo sem dizer nada.
— Deixe-me ver isso aqui. — Koala foi apressada até Sabo, que continuava parado sem falar nada. Examinou seu ferimento, que estava com bastante sangue. — como ela fez isso?
— Jogou uma pedra em mim.
— Uma pedra? Mas por que diabos ela faria isso?
— Porque eu não falei o que ela queria ouvir... Eu falei o que ela precisava ouvir.
(...)
No quarto de Rokka
Rokka havia cansado de procurar por Padomi. Procurara em todo o navio e nada da garota. Tora ainda insistiu, então prometeu-lhe que iria tornar a procurar mais tarde.
Ao entrar em seu quarto, se deparou com a garota que lhe atormentou os pensamentos o dia inteiro. Estava procurando ela, e ela estava ali? Em seu quarto? Em sua cama? Com certeza algo havia acontecido. Conhecia Padomi bem o suficiente pra saber que sua cama era o seu refúgio quando algo não estava certo.
Deitou-se na cama de casal, ficando com o rosto próximo ao dela.
— O que houve?
Ela secou as lágrimas, e puxou o edredom para cobrir seu corpo até o ombro, Rokka puxou uma parte do edredom para si também, na mesma altura que a mais nova.
— Rokka... *snif* você acha que as coisas que eu faço são erradas?
Ele ficou calado por uns segundos, olhando nos olhos de Padomi.
— Riako... — ele tirou um fio de cabelo que estava na boca dela delicadamente. — você é uma boa garota. Não se esqueça disso.
Ela não respondeu mais nada. Apenas se aconchegou mais para perto do outro, e dormiu.
(...)
No quarto de Sabo e Koala
— Fica parado, eu estou terminando de limpar. — bronqueou Koala, que limpava o ferimento de Sabo.
— Mas tá doendo!
— Você tá parecendo um bebêzão! — Koala riu. — e nem foi tão profundo assim. Não vai deixar cicatriz. Se bem que essa que você tem iria ofuscar de qualquer maneira. — brincou.
— Não sou um bebêzão. Eu já sou um homem, um homem que vai fazer 20 anos logo logo!
— Pronto. — ela disse, satisfeita com o curativo.
Sabo, que estava deitado, se sentou, e observou no espelho seu curativo. Estava ótimo.
— Uau, tão bom quanto os que a Ieniffer faz. — comentou o loiro.
— Quem?
— Esquece. — riu ele, se levantando da cama. — Koala, vem cá! — ele sorriu, fazendo um sinal com as mãos pra ela se aproximar. A outra não entendeu, apenas se levantou, ficando de frente para o superior. — chega mais perto!
— P-Pra que? — ela gaguejou, estava corada de vergonha.
— Apenas venha. — ele a puxou para si, ficando separados por centímetros de distância.
Ele era alto. Apesar de Koala ter 20 e ele 19, ele era bem mais alto que ela. Antes que percebesse, ele se abaixou, pegando-a no colo. A garota quase explodiu de vergonha após o ato do amigo.
— O-O-O que está fazendo? — perguntou ela desesperada. Ele apenas riu, e respondeu:
— Eu nem planejava te pegar, mas é que você é tão baixinha que deu vontade de deixar o seu rosto na mesma altura que o meu.
Koala se acalmou um pouco, e voltou a olhar Sabo nos olhos.
— Mas... O que quer com isso, Sabo-kun? — indagou Koala, pensando em mil possibilidades sobre o que ele pretendia fazer.
Sabo não disse nada. Apenas se abaixou um pouco, ainda com Koala no colo, e pegou algo que não deu para a garota ver.
— Aqui. — sem a mínima delicadeza, ele colocou algo na cabeça de Koala. — agora é sua.
— Hã? — meio desnorteada, ela tirou a boina da própria cabeça para ver como era. Seus olhos brilharam, a achou linda. Combinaria perfeitamente com ela. — é pra mim? Sério, Sabo-kun?
— Claro que sim. — respondeu ele, enquanto ela colocava a boina de volta na cabeça. — foi até por isso aí que a Padomi jogou uma pedra em mim. Ela queria ficar com essa boina... Mas eu não deixei, porque ela é sua.
Koala olhou para baixo, tentando desviar o olhar de Sabo. Estava com tanta vergonha e com o coração disparado que nem conseguia dizer nada. Sabo, sem soltar a amiga, colocou a mão em seu próprio peitoral, como se estivesse estranhando algo. Koala não entendeu, mas também não comentou nada.
— Obrigada, Sabo-kun. — ela sorriu, dando um beijinho na bochecha de Sabo.
Após o selinho vindo da amiga, foi a vez de Sabo corar, não esperava isso da garota.
O loiro engoliu o seco, e disse:
— K-Koala eu...
— Hum?
— Eu gosto de você.
Fale com o autor