The Best Job

15 Ventos frios


— K-Koala, eu...

— Huh?

— Eu gosto de você.

Koala ficou muda. Não sabia o que falar e muito menos o que pensar sobre aquilo. Desde quando Sabo era apaixonado por ela? Ele dormia todos os dias ao lado dela, e nunca tentara fazer nada com ela. Por isso, nunca imaginaria que o loiro nutria tais sentimentos.

— Você... Gosta de mim? — perguntou totalmente corada.

— É claro que eu gosto de você! — respondeu de imediato. — apesar de tudo, você é a minha melhor amiga... E por isso eu resolvi te dar esse chapéu. — Koala começava a entender. — eu sou muito grato por você ter aceitado esse trabalho de praticamente cuidar de mim. — ele riu meio corado.

— Ahh... Melhor amiga... Entendi. — ela desviava o olhar, completamente vermelha de vergonha.

— A Padomi veio aqui e queria ficar com esse chapéu, mas eu... (...) — ele falava, mas ela nem prestava atenção perdida em seus pensamentos.

Finalmente havia entendido que aquilo não era uma confissão de amor, e sim amizade. Sabo era tão grato a ela que do nada disse que gosta dela. Isso Koala conseguiria falar para qualquer um, pois amizade é algo bem fácil de se lidar.

Sacudiu a cabeça. Ela estava confundindo as coisas, e definitivamente isso não poderia acontecer.

— ... Koala? Você tá me ouvindo? — Sabo perguntou, percebendo que a amiga não respondia nada.

— Sabo-kun.

— Oi?

— Você está me segurando há um tempão.

— Ah, é verdade. — ele a desceu, e assim que pôs os pés no chão ela tirou a boina da cabeça.

— Vou guardar por enquanto, mas amanhã vou passar a usar. — ela sorriu, ainda admirando seu chapéu. — agora vai tomar um banho pra irmos jantar. — ele se jogou na cama, preguiçoso.

— Ahh... Não tô afim de tomar banho agora... — respondeu o loiro, fazendo um biquinho de insatisfação. — e se eu for tomar banho com esse machucado vai arder.

— Sabo-kun. — disse rígida. — você passou dia inteiro sem tomar banho.

— Tá bom, tá bom...

— E não se esqueça que você tem que terminar de ler e assinar toda aquela papelada. — ela apontou para a pilha de papeis em cima da escrivaninha.
— Droga... — ele revirou os olhos. — não importa... Não estou com sono mesmo.

Logo, entrou dentro do banheiro. Assim que a porta foi fechada, Koala desabou na cama.

— Meu Deus... — suspirou ela, corada com a mão no peito. — que susto.

(...)

Na biblioteca

— Marion?

Nina procurava com os olhos curiosos para todos os lados. Depois de jantar e escovar os dentes, havia sentindo uma vontade de voltar a conversar com seu amigo. A biblioteca era bem pequena e modéstia, então não demoraria muito para achar o azulado emburacado em algum lugar.

Ao se abaixar e olhar de baixo de uma mesa, pôde avistar o companheiro.

— Você está aí! — comemorou ela, esticando o braço para puxar o garoto. Ele, que lia um livro, o fechou e saiu de baixo da mesa. — como você é cruel, Marion! Desde que chegou não veio conversar comigo. — fez um biquinho. — como foi a missão? Conseguiu melhorar sua fontaria como queria?

— Pontaria. — ele corrigiu.

— Isso! Pontaria.

Ele assentiu.

— Hee que bom! Não que você já não fosse bom, mas Koala-san sempre diz que é bom melhorar mais e mais! — Nina parou de falar ao notar que ele encarava demais seu pijama. Lembrou-se que ele não gostava que ela ficasse andando pelo navio apenas de pijama, e rapidamente tratou de explicar — eu já tava indo pra cama! Na verdade, eu vim te chamar pra ir dormir. A Padomi já foi pra cama também, e o Rokka disse que era pra nós irmos.

Marion piscou duas vezes, e virou a cara, como se dissesse que não ia.

— Marion! Não comece com a teimosia! Faz tempo que não dormimos juntos de novo! — ela bateu o pé no chão, vendo que o outro não queria ir. — eu vou fazer aquilo hein!

O garoto nem ligou, apenas continuou parado onde estava. Koala, que havia ido devolver um livro que esquecera de entregar na biblioteca,se deparou com a cena fofa das duas crianças conversando.

Até que Nina se aproxima e beija Marion na boca.

— N-N-N-Nina... — gaguejava o garoto, que estava fervendo de vergonha.

— N-Nina-chan! — gritou Koala, assustada com aquilo. Onde já se viu uma criança de cinco anos beijando outra? — v-você não pode fazer isso!

— Ehh... — Nina não entendeu. — por que não? É bom.

— O-O Marion é seu amiguinho, e nem esperava por isso. Essas coisas... Você só pode fazer com alguém que você ama e que tem uma ligação amorosa com você, e-entende?

— Uma ligação amorosa? Como um namoro?

— Exatamente! — assentiu Koala.

— Então não tem problema! — Nina agarrou o braço do garoto totalmente corado. — Marion é meu namorado!

(...)

Na Sala de Jantar

Aurora havia acordado há algum tempo e se deparado com a notícia que de que ela e Shin poderiam sair dos quartos, afinal, já não eram mais considerados criminosos. Ficou feliz, apesar de lamentar pelos amigos que iriam para longe, e extremamente aliviada por ficar ao lado de Shin. Ele cuidava dela desde que tinha 3 anos e ele 7.

Ambos estavam andando pelos corredores atrás de algo para fazer. Já haviam jantado e no momento não sabiam para onde ir. Logo, começaram a procurar por Koala, a única em quem confiavam. Sem perceber, Shin acabou esbarrando em alguém, e como a outra pessoa era bem maior que ele, o loiro acabou caindo.

— Hum? — a pessoa olhou para baixo, vendo o garoto se levantando do chão com uma cara de poucos amigos — quem são vocês?

— Meu nome é Aurora... — disse a menina, um pouco tímida. — e esse é o Shin.

O homem continuou a olhá-los, sem falar nada.

— Qual é o seu nome? — perguntou Shin, desconfiado.

— Por que eu deveria dizer? — respondeu.

— Você poderia nos dizer, moço? — Aurora perguntou calmamente, fitando o homem.

Ele se abaixou, ficando da altura dela.

— Eu sou Rokka. — mostrou a concha que estava segurand0. — o cozinheiro.

— Se você é cozinheiro por que não está na cozinha? — o loiro se colocou na frente de Aurora.

— ... — Rokka suspirou, ainda sério. — eu já terminei o que tinha que fazer.

Ele olhou as duas crianças de cima a baixo. A menina parecia ter entre 5 e 6 anos, tinha cabelos curtos, não sabia distinguir se eram brancos ou acinzentados, mas eram bem bonitos. Seus olhos eram vermelhos e levemente puxados. Sua pele era branca e era bem magra, julgava ser assim por desnutrição. Já o garoto parecia ter lá pelos 10 ou 11, tinha cabelos loiros espetados e pele parda. Seus olhos eram cinza e parecia ser um garoto bem desconfiado. Ambos usavam roupas gastas e sujas, parecia que fazia um tempo que não tomavam banho.

— Venham cá. — pegou na mão de Aurora, e saindo andando. Shin foi com ele, para se certificar de que nada aconteceria com Aurora.

Ele os levou até um quarto, que era bem espaçoso e tinha duas camas de casais. Abriu uma porta, e puderam perceber que era o banheiro. Ao ver Rokka entrar, Aurora entrou também, admirada.

— Uau... — disse ela, observando tudo a sua volta. — o que é isso? — perguntou se referindo à banheira que Rokka enchia.

— Uma banheira. Prefere água quente ou fria?

— Nunca tomei banho com água quente!! — pulou animada com a ideia. Observava atentamente o homem despejando algo na água. — que você colocou?

— É um líquido que faz espuma na água. — explicou enquanto abria o armário e pegava alguns brinquedos. Assim que a banheira encheu, ele fechou a torneira e tornou a olhar para os dois. — Vão tomar banho os dois juntos ou um de cada vez?

— Eu primeiro! — Aurora disse de imediato, surpreendendo Shin.

— M-Mas Aurora, nós sempre tomamos banho juntos... — disse ele incomodado.

— Mas eu sou uma garota, Shin. Você não pode ver minhas partes íntimas. — respondeu ela tentando parecer adulta.

— Não tem nada aí que eu já não tenha visto. Eu dei banho em você praticamente sua vida toda. — respondeu irritado. Não que quisesse tanto assim vê-la nua, mas ela era sua garotinha, não gostava da ideia dela querer crescer assim.

— Tá bom, tá bom... — a menina se deu por vencida, puxando o garoto para dentro do banheiro.

Após a porta ser fechada, Rokka parou para pensar sobre como eles ainda eram relativamente puros. Um garoto da idade de Shin já teria vergonha de ficar pelado assim, e começaria a ter mais interesse por mulheres mais velhas.

— "Aposto que ela foi fazer aquilo de novo..." — pensou o homem, se referindo à Padomi. O fato de estar mexendo nas roupas dela procurando algo que Shin pudesse usar o fez se lembrar da mesma.

Olhou para o relógio, vendo que Nina estava demorando para voltar com Marion. Além disso, havia esquecido de levar o almoço de Sabo. Por fim, deixou as roupas dos dois em cima da cama e foi fazer a ultima tarefa do dia.

(...)

No quarto de Sabo e Koala

Sabo P.O.V

Depois de sair do banho encarei a pilha de trabalho que tinha pra fazer. Deu preguiça só de ver aquilo. Koala já fez muita coisa organizando pra mim, senão eu ficaria até de manhã só lendo, assinando e escrevendo. O bom é que eu ando mais disposto ultimamente, e não ando mais me atrasando pras reuniões e dormindo um dia inteiro. Não entendo bem o porquê, mas desde que a Koala veio pra cá e se tornou minha parceira não tenho tido mais esse problema, e isso anda me ajudando bastante.

Enquanto secava o cabelo, alguém bateu na porta.

— Quem é? — perguntei.

— Eu. — era Rokka. Ele é a única pessoa que responde assim. Ele entrou, como sempre, com seu semblante sério.

— Comida? Não precisava trazer aqui, eu já ia lá jantar. — respondi.

— Hoje é dia de trazer então eu trouxe. Gosto de fazer meu trabalho certo e sem falhas. — ele colocou meu jantar em cima da mesa, e já ia sair.

— Rokka. — eu o chamei, então ele olhou pra trás. — você já viu aquelas duas crianças?

— Aurora e o loiro?

— Exatamente.

— Sim. Eu mandei eles tomarem banho agora mesmo.

— Eu andei pensando e acho que eles vão precisar de umas roupas, não acha? A menina pode usar as roupas da Tora por e enquanto, mas e o garoto?

— Quando chegarmos em Baltigo direi à Halit que faça roupa paras eles, mas vou pôr uma daquelas blusas curtas da Riako no garoto. Deve ficar bem nele, e depois que ele usar, eu queimo a roupa. — Rokka disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.

— Por que? — eu ri.

— Pra aquela mulher não usar mais. Ela é a vulgaridade em pessoa. — respondeu enquanto se sentava na cama.

— Se bem que ultimamente ela nem anda usando roupas assim tão chamativas. O estilo dela me lembra o da Koala. — eu respondi me sentando ao lado dele.

— A Phascolarctos também é vulgar, porém menos irritante. Qualquer mulher é irritante, poucas se salvam. Homens também, a maioria. Na verdade, todos os seres humanos são. Humanos deveriam sumir da face da terra.

Pisquei duas vezes, e voltei a rir. Quem não conhece o Rokka levaria isso a sério e o acharia um psicopata, mas eu sei como ele é. Ele faz esse estilo de que odeia humanos, e acho que a maioria ele realmente odeia, mas aqueles que são mais próximos dele ele age com hostilidade pra demonstrar como gosta da pessoa.

— Se os humanos sumissem eu também iria dançar. — comentei brincando. — e você também.

— Não ligo. O importante é que sobraria apenas os que realmente importam. — Rokka suspirou, tirando o casaco e colocando na cama ao lado dele. Ao depositar o casaco ali, acabou derrubando algo, e se inclinou para pegar. — Hm? — ele pareceu ter encontrado algo que o chamou atenção. Assim que ele levantou, pude perceber o que ele havia pego.

— Isso... — eu olhei bem. — parece uma pedra... Uma pedra diferente. Espera, foi isso que a Padomi jogou em mim?

— Isso não é uma pedra comum. — respondeu ele. — é um topázio azul bruto. Isso vale muito dinheiro. Não sabia?

— Não... — eu parei para pensar.

A Padomi sempre costumou ir ao meu quarto sem motivo, mas dessa vez ela estava diferente, ela parecia mais animada desde que chegou da missão.
Será que ela tinha a intenção de me dar isso?

— Parece que você já entendeu. — Rokka respondeu ele, se levantando, e saindo do quarto.

Ela queria me dar isso e eu ainda a fiz ficar triste?

Me levantei, disposto a ir ao quarto dela e me desculpar.

(...)

Koala P.O.V

— Namorado? — eu pisquei três vezes, assimilando aquilo. — o Rokka deixa?

— Deixa! Porque o Marion prometeu se casar comigo! — ela olhou para o garoto, que não dizia uma palavra, apenas ficava calado com as bochechas vermelhas.

Eu ainda estava tentando entender aquilo. A Nina só tinha 5 anos, como entendia tanto do mundo dos adultos? Porém, apesar do espanto, eu fiquei feliz. Não pelo fato das duas crianças serem "noivas", e sim pelo fato de que Marion realmente parecia mexido com aquilo.

— Vamos dormir, Marion! — ela puxou o menino, e eu decidi ir com eles até quarto.

Eles foram na minha frente, conversando. Na verdade, apenas Nina falava pelos cotovelos. Ambos tinham a mesma altura, mas não dava pra saber se tinha o mesmo corpo, até porque Marion cobria o corpo quase todo com um casaco extremamente grande.

Era incrível como eles ainda eram um mistério na minha vida, mesmo os conhecendo há um certo tempo. Ainda quero entender porque Nina e Padomi têm arcos com orelhas de animais, será que isso era algum tipo de mania do lugar de onde elas vieram? E porque Marion não falava quase nada? Porque Rokka é tão diferente com crianças? Essas são coisas que eu realmente gostaria de saber.

— Chegamos! — avisou Nina, abrindo a porta.

Assim que a porta foi completamente aberta, me deparei com uma cena que eu nunca esperava naquele lugar: Sabo-kun estava abraçando Padomi. Era um daqueles típicos abraços de urso que ele costumava dar em mim.

— Senpai. — disse Marion. Imagino que ele tenha se referido ao Sabo-kun.

— Ah, Nina, Marion e Koala. — disse ele, se separando da garota. — o que fazem aqui?

— Eu é que lhe pergunto. — respondi num tom mais autoritário.

— Sabo-san! Termina de me contar o que estava dizendo! — Padomi cortou a conversa.

— Hã? Mas, é...-

— Eu tô com sono... — disse Aurora, também se metendo. Foi só aí que a presença dela e de Shin foi notada.

— Quem são vocês? — perguntou Nina.

Logo um grande falatório começou naquele quarto cheio de gente. Antes que alguém percebesse, eu não estava mais ali.

(...)

N/A P.O.V

No convés

Passou-se algum tempo desde que Koala havia saído do quarto, tempo o suficiente para Sabo notar sua falta e procurá-la pelo navio todo. Até, enfim, achar.

E lá estava ela, sentada no corrimão do convés, olhando a lua. Sabe não entendia bem porquê, mas sentiu que ela estava mais linda que antes. Talvez o reflexo da lua no mar deixasse sua silhueta ainda mais destacada.

— Ko? — ele a chamou calmamente. Sem se mexer um milímetro, ela respondeu:

— O que foi?

— Por que você saiu daquele jeito? Eu fiquei te procurando no navio todo... Fiquei achando que você poderia ter ficado um pouco irritada comigo.

Ela suspirou, e se virou, ficando sentada de frente para ele.

— Eu admito que me irritou um pouco... — ela olhou nos olhos dele, e realmente não parecia irritada, o que o fez não ter medo de chegar mais perto dela. — mas é normal. Eu fiquei com um pouco de ciúme.

— Ciúme? — ele repetiu rindo um pouco.

— É... Você disse todas aqueles coisas pra Padomi, e eu me senti valorizada, sabe... Mas aí eu chego e você está abraçado com ela. Por um momento, senti que tudo o que você disse não era tão sério assim. Mas tudo bem, afinal, vocês se conhecem há mais tempo que nós dois. Eu respeito qualquer que seja o nível da intimidade de vocês.

O vento gelado da noite movimentou o cabelo deles, como se estivesse querendo fazer parte daquele momento. Sabo sorriu, se aproximando mais e envolvendo-a num abraço.

— Baka... Você é a minha melhor amiga! — ele soltou um largo sorriso. Um daqueles que só ele sabia dar. — eu já disse, eu amo você! Você é legal, divertida, boa de briga... É mais brother que qualquer brother! Apesar de ser muito chata com limpeza. — ele brincou recebendo um olhar reprovador da parte dela. — mas então... Não precisa se sentir menor do que ninguém. Tudo o que eu disse e digo é sincero, você não precisa se sentir assim. Podemos não nos conhecer há 2 ou 3 anos, mas todo o tempo que passamos juntos até agora... Foi muito especial pra mim.

Ela não sabia mais o que dizer. Na verdade, sentiu que não precisava dizer mais nada. Ele estava certo, e ela se sentia da mesma maneira.

— Sabo-kun...

— Hm?

— É engraçado como eu fico da sua altura sentada aqui, não é?

Ele olhou bem, e como o corrimão era alto, ela realmente ficava exatamente da altura dele.

— É mesmo. — riu ele. — Sabia que as coisas na minha vida ficaram mais calmas, mas ao mesmo tempo animadas, desde que você chegou?

— Verdade? — respondeu ela. Ele parecia meio sonolento, ou pelo menos mais aéreo.

— Sim... — respondeu. — mas acho que as coisas vão mudar a partir de amanhã.

— Por que exatamente amanhã? — riu ela, achando engraçado toda essa exatidão.

— Porque amanhã chegaremos em Baltigo... E nós não iremos mais dormir no mesmo quarto.