The Best Job
16 Baltigo
Notas iniciais

Durante a madrugada fiquei horas acordada. Não sei se era pelo fato do meu superior que dormia ao meu lado na cama estar roncando extremamente alto, ou se era pelo choque de saber que, depois daquela noite, isso não aconteceria mais.
Eu sempre dormi "sozinha", até porque minha mãe sempre foi muito ocupada com o trabalho, e meu pai já havia morrido há muitos anos. Quando era escrava, nem dormia direito, e quando dormia era no chão frio atrás de grades, então não conto.
Já eram sete da manhã, horário em que geralmente eu levanto, tomo café, faço exercícios matinais... E depois de um tempo, acordo o Sabo-kun. Mas dessa vez eu não queria acordá-lo. Não me entendo, mas sei que não queria aquilo. Eu queria continuar a acordar e ver aqueles cabelos loiros bagunçados em cima daquele rosto marcado por uma cicatriz.
Pensei em algo para fazer que não me tirasse da cama. Logo, lembrei do caderno "As aventuras dos piratas ASL". Fazia um tempo que eu pensava em foleá-lo.
" [...] Era fácil perceber como meu irmão Ace ficava mais tímido perto de Makino. Além de tímido, ficava um tanto irritado por Luffy se aproximar dela com tanta intimidade, como se ela fosse sua irmã mais velha. Eu caçoava muito dele por conta disso, mas de certa forma eu entendo sua raiva. [...]"
Fechei o caderno na mesma hora. O dia já não iria ser muito bom, e não queria começar lendo o que Sabo-kun escreveu sobre outra garota! A melhor coisa que eu tinha para fazer era levantar e encarar a realidade: acabou.
Me levantei, tomei uma ducha e troquei de roupa. Coloquei roupas no estilo de sempre, e tomei cuidado para que combinassem com a boina, que já estava perfeitamente colocada em minha cabeça.
— Sabo-kun! — chamei-o, para que acordasse. Provavelmente já estávamos chegando e tomaríamos café lá mesmo. — oe? — estranhei ele não responder resmungando.
Me aproximei mais, e ele não mexia sequer um músculo. Por um breve momento de loucura achei que ele estivesse morto, e encostei em seu peito para ouvir os batimentos. Suspirei aliviada, continuava batendo forte como um touro.
— Acorde... — comecei a sacudi-lo, mas ele não acordava. — o que há com você? Isso não acontece há muito tempo, achei que tivesse melhorado desse problema... — ele se mexeu um pouco, mostrando que minha voz havia chegado aos seus ouvidos, mas ainda parecia estar com muito sono.
Ouvi passos e vozes vindo do corredor, pareciam estar preparando as coisas para quando desembarcássemos, o que indicava que já estava quase na hora. Olhei novamente para o segundo chefe disso tudo, e vi que teria que dar um jeito nele à moda antiga.
Primeiro o puxei para que ficasse sentado na cama, e felizmente ele ficou, mesmo que ainda com uma cara de zumbi. Tirei sua blusa para que pudesse facilitar quando fosse colocar a outra, e peguei a escova de cabelo, aquele fios loiros estavam uma bagunça.
Assim que terminei de desembaraçar seu cabelo, ele se deitou novamente, apenas de bermuda. Pelo menos ele estava acordado, mesmo que ainda estivesse meio desnorteado.
— ...Que horas são? — ele perguntou lentamente, com a voz meio rouca.
— Já são oito horas. — respondi terminando de pegar a blusa que ele iria vestir.
Me aproximei, e o puxei para que ficasse em pé. Ele não contestou, apenas ficou me olhando vesti-lo, com uma cara de sono, piscando e bocejando diversas vezes.
— Você está com muito sono, né? — pensei em conversar antes que ele dormisse em pé.
— Aham... — ele se sentou na cama e calçou as botas, após eu colocar seu chapéu em sua cabeça. — vou jogar uma água no rosto... — completou se dirigindo ao banheiro.
Suspirei novamente. Esse era o Sabo-kun.
(...)
— Sabo-kun!
— Hã? *cof cof!* — ele se assustou e engasgou com o café. Depois de uns segundos tossindo, ele se recompôs — o que foi?
— Ei... Você está diferente hoje. — expliquei, tirando uma de suas mechas de cima do olho. — seu olhar está cansado.
— Hm... — ele coçou os olhos, e mordeu o pão novamente. — eu estou com uma dor de cabeça infernal... Faz tempo que não me sinto assim.
— Assim que terminarmos o café vou procurar um remédio pra você. — disse em tom preocupado, isso era muito estranho...
Sabo-kun olhou para mim, e pela primeira vez no dia, sorriu. Mal terminamos de tomar café e já vimos duas garotinhas correndo em nossa direção no corredor, extremamente animadas.
— Koibito-chan! — disse Nina, depois de esbarrar em minhas pernas.
— Koala-san, sabia que já dá pra ver Beltingo?! Vamos ver no convés!! — exclamou Aurora, que parecia ser a mais animada das duas.
— É "Baltigo", Aurora. — Sabo-kun a corrigiu, colocando-a sentada em seu ombro direito. Nina ficou olhando com um biquinho, parecia um tanto enciumada por não ter tido aquele tratamento, Sabo-kun e eu nos olhamos e rimos, então coloquei a rosada no outro ombro dele. — vamos lá, meninas?
— Vamos! — nós três juntas respondemos.
E nós fomos. Dava para ver, realmente, o litoral. Era estranho, não tinha praia com areia como costumamos ver em ilhas, mas sim uma praia de pedras.
— Sabo-san, quando poderemos descer toda a bagagem e estoque? — um dos revolucionários responsáveis por determinada área perguntou ao loiro.
— Espere que todos desçam primeiro, acho melhor. — ele respondeu sério. — deixe a mesma quantidade de homens de sempre aqui para terminar o serviço.
— Certo. E os homens da guarda? — perguntou outro, que se juntou a eles.
— Quero boa parte na linha de frente de viagem, e outra parte vindo juntos com a bagagem a mantimentos. Os responsáveis pelo navio, como sempre, vêm por último. Avisem isso a todos. — eles assentiram e Sabo voltou a fitar o litoral.
— Aquilo são carruagens? — perguntei.
— Uau, tem muitos cavalos! — disse Aurora, ainda maravilhada.
— Você nunca viu cavalos? Nós temos uma égua bebê chamada Yuki, porque ela é branquinha que nem um floco de neve! — retrucou Nina.
Logo as duas pequeninas começaram a conversar, sorri de canto, observando aquilo. Já era de se esperar que as duas se dessem bem: tinham a mesma idade e personalidade parecidas.
Olhei para trás e lá estava Rokka, sério como sempre, acompanhado de Tora, Shin, e Marion, que estava em seu colo, dormindo encolhido em seu ombro. Além, claro, da Padomi, que logo foi até Sabo-kun se esfregar nele.
— Meninas, vamos, eu ficarei responsáveis por vocês durante a viagem. — disse Rokka, curto e grosso. Nina obedeceu e desceu dos ombros de Sabo, seguida da outra menina.
— Sabo-san, eu vou poder ir na sua carruagem também? Você me prometeu que deixaria dessa vez, lembra? — dizia Padomi pulando, segurando em sua blusa. Sabo-kun coçou a cabeça e respondeu:
— Dessa vez não vai dar, Padomi. — respondeu sincero. — a Koala vai comigo. Eu sei que vocês não se dão bem, e eu estou com uma dor de cabeça muito forte, não quero ficar ouvindo suas reclamações, perdão.
Padomi ficou muda, como se não esperasse aquilo. De certa forma, eu também não esperava, já que Sabo-kun não costuma cortar muito o que ela faz. Olhei para ele, que parecia estar bem irritado mesmo com a dor de cabeça. Me pergunto o porquê disso. Noite mal dormida não foi, isso eu tenho certeza, já que ele parecia uma pedra a noite toda.
Enquanto Padomi se virava e saída dali com Rokka, eu pensei bem. Até que comigo ele não estava tão diferente — tirando o fato de estar mais sério -, mas ele estava igualzinho a quando o conheci. Naquela época, ele estava mais sério e debochado, o que foi um dos motivos que me levou a não gostar tanto dele no início.
Muito, muito estranho...
(...)
Um tempo se passou e finalmente chegamos ao QG de Baltigo. É um lugar deserto, relativamente grande e pedregoso. Apesar de ser "grande", fiquei me perguntando como caberia todas aquelas pessoas que estavam presentes do navio.
— É aqui, chegamos, Koala. — Sabo-kun sorriu, animado. Ele parecia ter melhorado mais de humor, o que é bom.
Nós descemos da carruagem e fomos andando até a porta principal. Lá mesmo Sabo-kun cumprimentou os guardas, que primeiramente o cumprimentaram como um superior, mas logo brincaram com o fato dele estar com uma garota. Confesso que fiquei um tanto envergonhada.
N/A P.O.V
Ainda meio receosa, Koala seguia Sabo pelo lugar que para ela era um mundo totalmente diferente, por ser bem distinto do QG em que estivera anteriormente. Se apresentava para todos, que a tratavam como uma garotinha nova engraçada. Não que isso a incomodasse tanto, mas a deixava mais envergonhada ainda, já que era bem tímida.
— Então ela será sua parceira, Sabo? Saiu no lucro hein! — brincou um dos homens, cujo o nome era Orange.
— Não fale besteiras, Koala-san vai achar que vocês são um bando de tarados! — retrucou outro homem mais jovem.
— Concordo. — disse Hack, que havia acabado de chegar no escritório principal onde estavam. — parece que já os conheceu, Koala.
— Sim. — ela riu. — até que aqui é bem animado.
— Huh, você não viu nada ainda. — Sabo respondeu. — aqui é a parte chata e burocrática. Legal mesmo é la em baixo.
Koala não entendeu o que Sabo disse. O que teria lá em baixo? Hack e Sabo se olharam e sorriram, vendo que ainda não havia sido avisada sobre aquilo.
— Venha conosco.
(...)
Koala andava maravilhada com tudo. Nunca imaginaria que haveria uma base secreta no subsolo, que, diga-se de passagem, é enorme e com vários setores. Enquanto andava pelos corredores, percebia como todos a encaravam. Não sabia se era pelo fato de ser nova ali ou se era pelo fato de ser uma garota andando com Sabo.
— Sua dor de cabeça passou, Sabo-kun? — ela perguntou vendo que o humor dele já havia voltado ao normal.
— Melhorou, caso contrário já estaria jogado na cama dormindo. — ele disse colocando os braços atrás da cabeça e bocejando. — você dormiu bem, Koala? Eu sinto como se tivesse dormido com uma pedra em cima de mim.
— A cama não é, que eu dormi super bem, como sempre! — respondeu logo. — mudando de assunto, você terminou os relatórios?
— Então, Koala! — respondeu ele imediatamente, para cortar o assunto, já que não havia pego em uma só caneta por um bom tempo. — aqui é a área de treino. É aqui que você vai ensinar. Se não me engano, você ensinará às 8 ou 9 da manhã... Não tem problema, né? Você acorda com as galinhas.
Sabo olhou para Koala, que estava com os olhos brilhando enquanto observava um dos homens sendo derrubado na luta que acontecia.
— Claro que não tem problema!! — exclamou ela, sem tirar os olhos da luta. — amanhã mesmo eu já posso vir aqui, né?
— Você pode vir à qualquer hora, Koala! — riu ele com a animação dela. — você é a minha parceira, é bem importante aqui.
— Pode até ser... — ela corou um pouco, coçando a cabeça. — mas sabe, eu queria ter um relação com todos que nem você. Você é amigo, parceiro e superior ao mesmo tempo, mesmo que às vezes se esqueça que é um superior e esqueça das obrigações também. — retrucou beliscando o loiro, enquanto andavam para algum lugar que ela não sabia qual era.
— Ah Koala, não me julgue por gostar mais de me divertir do que ler e assinar papéis. — respondeu com um sorriso infantil. — esse ali é o quarto das crianças. — apontou para uma das portas que vimos no corredor. — mas como o Rokka ainda não chegou não podemos dar uma olhada. — deu ombros.
— Ele que tem a chave, é?
— É. Ele é o responsável por eles desde que ingressaram nos revolucionários.
— Ele também é responsável pela Padomi? — perguntei confusa.
— Por ela também. Todos que entram nos revolucionários, que são julgados não maduros ainda, têm um responsável aqui dentro.
— Interessante... Não lembro de nada do tipo na outra divisão. — murmurou Koala. — deve ser porque cada líder organiza de uma forma.
— É, deve ser. — Sabo colocou os braços atrás da cabeça. — e ai, o que vamos fazer? Por enquanto não tem nada de muito interessante pra fazer.
— Ah! Que tal irmos para a biblioteca? Julgando pelo tamanho desse lugar, ela deve ser enorme também!
— Pff... Aquele lugar é muito chato. Eu só pego livros lá de vez em quando, e olhe lá. — brincou. — mas não vou te prender à mim. Vai lá. Quando eu precisar de você, eu te procuro. — ele sorriu. — é só seguir em frente e virar no segundo corredor à sua direita, não tem como confundir, já que lá é realmente grande.
— Tá legal, Sabo-kun. Te vejo mais tarde então. — ela beijou sua bochecha, e saiu toda animada.
Sabo suspirou com um sorriso bobo, colocando a mão onde a mesma havia lhe dado um selinho. Se sentia extremamente feliz quando a via feliz daquela maneira, pois pelo menos ele tinha certeza agora de que ela não teria problemas de adaptação, tanto em questões de convivência quando de espaço.
Enquanto caminhava para a enfermaria ele pensava: "O que será que ela pensa disso?" Quando contara para Koala noite passada que dormiriam em quartos separados, ela reagiu bem, até brincando com o fato de poder descansar sem ouvir os roncos do superior. Claro, ele também comentado de modo despreocupado, mas era apenas para disfarçar o nervosismo, já que estava extremamente triste por dentro.
Vai ver... era por isso que estava com dor de cabeça. Seu corpo estava falando por ele.
— Pode entrar, Sabo.
Uma voz falou de repente, fazendo com que Sabo percebesse que estava parado na porta da enfermaria.
— Como sempre, com os sentidos apurados, Iennifer. — Sabo adentrou no local, e viu a amiga de costas guardando ataduras.
— Você é muito barulhento, criança. — ela respondeu de imediato, se virando e tirando as luvas, o que indicava que havia acabado de fazer uma consulta.
Iennifer era bela, como a maioria das revolucionárias. Seus cabelos eram pretos, lisos e extremamente longos, da mesma cor de seus olhos. Tão pretos que era impossível ver sua pupila. E, acima de tudo, era extremamente séria.
— De novo me tratando como criança... — Sabo revirou os olhos. — me dá aquele remédio de dor de cabeça? Eu tô morrendo de dor desde acordei.
Iennifer olhou Sabo nos olhos, estranhando o que o rapaz dissera. Achava que isso havia acabado.
— Novamente isso? E depois de acordar, como sempre?
— Sim. — Sabo afirmara. — não deve ser nada grave.
A médica colocou a mão em sua cabeça, como se averiguasse algo.
— Vou te dar, mas vamos ter que descobrir a causa disso. — ela pegara um vidro com algumas pílulas dentro. Deu para Sabo seguido de um copo de água para o mesmo engolir.
Enquanto bebia, Sabo olhou para a mesa de Iennifer, que ela mais usava, e sabia que havia algo faltando.
— Iennifer, onde está aquele retrato de você e do...-
— Quebrou. — a mulher interrompeu Sabo, que apenas engoliu o seco. Ela estava estranha.
O que será que havia acontecido?
(...)
— Yonju nana todoufuken! Go! Go! Ima cruise... Go! Go! Go! Go! Yonju nana todoufuken! Go! Go! Ima cruise...— uma certa garotinha de cabelos rosados cantava, enquanto "marchava" pelo corredor do QG.
Nina havia chegado há um tempinho, e animada por voltar ao lugar, acabou correndo por aí e se perdendo de Tora. Mas, claro, nem se importou tanto, conhecia aquele lugar como a palma de sua mão.
— Hã? — sem que esperasse, alguém a pegou por trás e a jogou para o alto, fazendo com quase batesse a cabeça no teto.
— Continua baixinha como sempre, Nina-chan! — a pessoa que a jogara a pegou, e colocou no chão. Nina nem precisou se virar para reconhecer quem era.
— Liam! — ela disse, animada, ao ver o homem de cabelos azuis. — eu tenho muitas novidades pra te contar! — exclamou a menina pulando, e logo puxou o homem pela mão, procurando a biblioteca com os olhos.
Quando enfim achou o lugar, jogou a mochila em cima da mesa e puxou uma cadeira para si, para que ficasse mais alta. E, por fim, tirou lápis de cera coloridos e uma folha de papel.
— Por que você anda com isso na mochila? — Liam perguntou.
— Gosto de estar sempre preparada. — respondeu determinada, enquanto desenhava.
Liam riu. Aquela menina era realmente interessante.
— Essa aqui sou eu. — disse Nina, após acabar o desenho. Ela havia desenhado a si mesma. — está vendo esses dois aqui? — apontou para Rokka e Marion. Liam deu uma leve risada ao ver Rokka. — eles me amam! Mas sabe, eu sou a esposa do Marion, não posso cometer adultério.
— Com quem você anda aprendendo essas coisas? — Liam perguntou.
— Hehehe. — Nina apenas riu. — então, voltando... Rokka me ama, mas ele não ama só a mim, ele também ama... — com o lápis de cera preto ela puxou uma longas flecha de Rokka para Padomi. — a Padomi! — Liam levantou uma das sobrancelhas, mostrando dúvida. — mas a Padomi não gosta do Rokka do jeito que ele gosta dela. Ah, coitado do Rokka! Tem o coração partido! — comentou a menina. — a Padomi gosta do Senpai! — Liam não sabia quem era "senpai", mas ao ver o desenho de Sabo, logo percebera quem era. — Só que o Senpai... Ama a Koibito-chan!!!
— Koibito*? Sabo namorando? Qual é o nome dela? — Liam arregalara os olhos.
— Koala. — Nina sorriu.
— O que tem eu?
Os dois olharam pra trás.
Liam ficou de pé, extremamente perplexo. Nina estava estranhando, por que o rapaz estava tão nervoso?
— Ah... Oi? — Koala chamara atenção do rapaz, já que ele parecia estar espantado com algo.
— Você... "Ela está aqui"— pensou ele. — "Ela... Está aqui..."
"Ela voltou."
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