The Best Job

27 Um murmuro sonolento


Notas iniciais
E aqui estamos de volta com a minha lindíssima fanfic quinzenal ♥ Antes de começar o capítulo, eu sempre esqueço de perguntar uma coisa pra vocês: vocês acham essas mini capas no início de cada capítulo legais? Eu faço desde que a fic começou - alterando aos poucos - mas nunca perguntei realmente a opinião de vocês sobre elas e gostaria desse feed back. Agora, enfim, aproveitem a leitura kkk

Sabo sempre se perguntava sobre o motivo pelo qual sentia que algo estava faltando de manhã. Aquela era a mesma cama que sempre usara, com os mesmos móveis, os mesmos livros e o mesmo quarto, em geral. Mas desde que voltara à Baltigo, parecia que havia se acostumado com alguma coisa que, no momento, lhe fazia muita falta.

E, ao olhar pro lado, se deu conta de que não era isso, e sim, quem.

Por alguns segundos, por causa do sono, se questionou mentalmente o que Koala estava fazendo em sua cama, mas não demorou muito para que se lembrasse da noite passada. Havia passado boa parte da madrugada contando para a companheira sobre o passado de Rokka e Padomi, e a outra, após ouvir toda a história, chorou em compaixão até pegar no sono ao lado do loiro.

Ela estava linda daquele jeito. Seus curtos cabelos cor de mel estava espalhando pelo braço esquerdo de Sabo, – que fora o usado por ela como travesseiro. — sua respiração lenta e ritmada transparecia tranquilidade e seus redondos olhos, agora fechados, destacavam seus cílios os deixando ainda maiores que o normal.

Mas não foi só isso que Sabo encarara – ora, não era um santo. Os enormes seios de Koala estavam bem à vista do conselheiro, de modo que era impossível não notar. Ela usava uma blusa branca decotada na noite anterior, mas a provável movimentação da professora enquanto dormia fez com que sua blusa descesse mais e seu busto escapasse mais para fora.

O loiro engoliu o seco, levemente corado. Se ele esticasse um pouquinho a cabeça, talvez desse para ver um pedacinho do mamil-

Balançou a cabeça, como se quisesse afastar os pensamentos pervertidos. Koala tinha ido dormir chorando, e era provável que quando acordasse ainda estivesse meio deprimida. De qualquer forma, não era hora de ficar pensando em vislumbrar o corpo dela e saciar suas fantasias. Porém, por mais que sua cabeça pensasse assim, parece que suas partes baixas já não lhe ouviam, já que o volume deixava bem claro os pensamentos eróticos de segundos atrás.

— Droga. — resmungou ele, pensando na possibilidade de Koala vê-lo daquele jeito. No dia anterior ela deixara bem claro que reparava nessas coisas. Como sairia daquela situação? Ela estava deitada em seu braço!

Com o coração na mão, o loiro lentamente foi tirando o braço debaixo dela, fazendo com que sua cabeça deslizasse para o travesseiro. Após alguns segundos naquela situação, finalmente conseguiu se livrar dela e se levantou da cama, sempre de olho se ela acordaria. E, para sua felicidade, ela nem sequer se mexeu depois daquilo: parecia que a deusa da sorte sorria para ele como nunca fizera antes.

Por fim, tomou uma ducha gelada, e enrolou-se na toalha. Olhou em volta de sua suíte, e percebeu que havia sido tonto de não ter levado roupas limpas para lá. O quarto era só dele agora, então não se incomodava nem um pouco em se vestir fora do banheiro, geralmente. Constatou, então, que o jeito era sair daquele forma mesmo, e assim o fez. Com os olhos atentos em Koala, ele pegou as calças e a blusa e se vestiu rapidamente, a fim e não ser pego nu pela amiga.

Após colocar toda a roupa de sempre e arrumar as luvas pretas, Sabo sentou-se com extrema delicadeza na cama com o objetivo de calçar as botas, quando ouviu um som que chamou sua atenção.

— Hmm… Sabo… — Koala murmurava enquanto dormia.

Seu coração saltou, e o conselheiro largou a bota que tinha em mãos e virou-se para a outra. Ela claramente ainda dormia, mas o sonho que provavelmente tinha a fez citar seu nome. Involuntariamente, o loiro começou a formular diversas teorias em sua cabeça. Dentre elas, a que ela sonhava com algo que remetia somente a ele era a que predominava em sua mente.

Ele não entendia que sentimento era aquele. Nesses longos vinte anos de vida, nunca havia sentido aquela sensação que experimentava com Koala. Claro que ela lhe passava tranquilidade como nenhuma outra pessoa conseguia, mas em certos momentos críticos a garota o deixava sem ação: suas mãos suavam, seus batimentos ficavam tão rápidos quanto os de um touro e sentia vontade de vomitar tudo o que comera na refeição interior.

Ao sentar-se seu lado, de frente para ela na cama, Sabo se deu conta de que estava deixando seu corpo se mover sozinho. Pouco a pouco, o rosto dele se aproximava do dela, como se fossem ímãs. Seria errado admirá-la enquanto dormia, pensando em tudo o que queria fazer com ela? Seria errado querer que aquele momento de paz não cessasse nunca? Ele não sabia a resposta, pensando que talvez o conselheiro precisasse de um próprio conselheiro, pois ultimamente não sabia a resposta de nada.

Julgando-se um louco, Sabo deu um selinho nos lábios de Koala, como se ela fosse a sua própria branca de neve. Porém, diferente do príncipe do conto de fadas, ele não gostaria nada que ela acordasse naquele momento. Não sabia como se explicaria, principalmente do jeito que estava: vermelho igual um tomate e ofegante de tão nervoso. Num pulo, voltou para a ponta da cama e começou a calçar as botas o mais rápido que podia, querendo sair logo dali e espairecer um pouco.

— Ace… — ele ouviu Koala murmurar.

— Ace? — repetiu para si mesmo, estranhando a fala dela.

Então, um tanto confuso, Sabo saiu do quarto.

(…)

— Você acha que eles terão grandes problemas nessa missão? Todos, principalmente o Bunny Joe são bem eficazes, mas alguns dos enviados são muito jovens. — Dragon perguntou para Sabo, sem tirar os olhos dos papéis que assinava.

Como não ouviu resposta alguma, desviou o olhar do que escrevia e olhou para a mesa da frente, encarando Sabo. O pupilo não era o jovem mais extrovertido do mundo, mas parecia que naquele dia ele estava estranhamente mais calmo. Em dias normais, Sabo e Dragon têm conversas bem agradáveis e, com algumas provocações, o loiro está sempre em prontidão para responder tudo que lhe era questionado.

Além de tudo, era fácil de se notar o distraimento deste. Estava há quase uma hora parado, encarando uma mesma folha que já tinha sido assinada por ele. Quando o líder pensou em indagá-lo sobre o que estava acontecendo, alguém bateu à porta, chamando atenção do dois.

Após permitir a entrada, a porta se abriu e revelou ser Padomi.

— Bom dia Dragon-san, Sabo-san. — a adolescente se curvou para os dois formalmente.

Padomi parecia acabada. Diferentemente das roupas que costuma usar – sempre decotadas e provocantes. — agora ela usava um casaco de moletom preto bem maior do que ela, além de uma calça branca colada e botas. Seus penteados elaborados agora davam lugar a um simples cabelo solto. E, além de tudo, suas orelhas de lobo estavam abaixadas e as bolsas de seus olhos estavam levemente roxas, indicando que não havia dormido bem aquela noite.

— Tem certeza disso? — Dragon perguntou mais uma vez, parecendo incerto.

Sabo estava tão ocupado reparando na aparência da colega que nem prestara bem atenção sobre o que ela fazia ali, na sala de Dragon. Pelo pouco que conseguira resgatar, parecia que ela aceitava alguma missão que antes tinha recusado.

— Tenho sim. Já arrumei minhas coisas, pretendo ir com o navio que vai partir essa noite. — ela explicou inexpressiva. — Tenho sua permissão?

— O que acha, Sabo? — Dragon virou-se para o conselheiro, fazendo-o arregalar os olhos.

— Eu… Ér… — olhou para ambos, meio perdido. — não quer repensar, Padomi? Nina ainda está naquela situação…

— Ela acordou esta manhã, por isso eu vou tranquila. — informou.

O loiro hesitou um pouco, pensou por uns instantes, até que assentiu, e ela entendeu.

— Obrigada, tenham um bom dia. — foi a última coisa que disse antes de se retirar.

Na cabeça de Sabo, ela e Rokka deviam ter tido uma discussão como nunca antes. Por mais que não gostasse de Padomi como namorada não queria vê-la daquele jeito.

Suspirou, então voltou ao trabalho.

(…)

— Você consegue, Tora! — Nina gritava no canto do ginásio de treino, não parecendo que se recuperara há pouco tempo de uma febre altíssima.

A pequena havia acordado super disposta aquela manhã, e por insistência acabou convencendo Liam a levá-la ao treino que deveria estar participando para ver os amigos. Para o estranhamento dos dois, Hack era o professor aquele dia, e não Koala.

— Assim você me deixa ainda mais nervosa! — Tora disparou, nervosa por ter que lutar com Rock.

Por fim, ela se saiu bem, mas não conseguiu ganhar de Rock, que era um pouco mais velho e mais forte que ela. Apesar de estar sempre carrancudo e de cara fechada, o ruivinho prezava muito pelos companheiros, e perguntou para a menina se havia machucado-a de algum jeito. Tora, com as bochechas coradas, respondeu que ele não a machucou e deu um sorriso bobo.

Isso fez Liam sorrir triste. Se James estivesse vivo, seria apenas um pouco mais velho que Rock, e os dois provavelmente seriam amigos. Na verdade, ele seria amigo de toda aquela turminha, já que Jay sempre fora um menino muito sociável, apesar da pouca idade.

— Vocês foram ótimos! Amanhã eu quero treinar com vocês! — Nina exclamou, pulando de animação.

— Não exagere, fique um pouco mais quieta. — Liam bronqueou, e a pequena fez um bico. — espere um instante, eu já volto.

Ele foi até Hack com um semblante mais sério que o anterior, e o tritão pareceu entender na mesma hora sobre o que ele queria falar.

— Ainda não conseguiu contar a ele, não foi? — Hack indagou sem olhá-lo, enquanto recolhia do chão a parte de cima do kimono que as crianças haviam tirado.

— Com o aniversário dele e com toda essa situação da febre da Nina foi difícil de achar o… Momento certo. — Liam parecia procurar as palavras certas. — a Koala já está sabendo?

— Sim, e eu não sei por quanto tempo ela vai manter esse segredo sujo. — Hack ralhou. — ela não vai querer mentir pro Sabo. E cá entre nós… — ele olhou para o azulado. — o “momento certo” já foi há sete anos.

Liam dobrou a língua. Sabia que era verdade, mas era duro ouvir alguém dizê-lo sem pena.

— Acho melhor se apressar antes que ele descubra de outra maneira. É o que eu acho. — Hack deu ombros, saindo do local.

Aquilo seria, provavelmente, a tarefa mais difícil que já fizera.

(…)

Koala acordou aquele dia com a cabeça mais pesada que o normal. Aquilo raramente acontecia, apenas em dias que dormia tarde, que fora justamente a causa da dor. Estava no quarto de Sabo, e se lembrava que havia dormido na cama dele na noite passada. Olhou em volta, percebendo que ele não estava em lugar nenhum – e nem no banheiro, já que não ouvia sequer um ruído vindo de lá.

Deitou-se novamente, permitindo-se um momento de preguiça. Era ótimo deitar na cama de Sabo depois de tanto tempo. O travesseiro, principalmente, tinham o cheiro de seus cabelos impregnados nele, e ela cheirou-os depois de depositar o rosto ali.

A roupa de cama, que era preta com detalhes azuis escuro, era a cara dele. Parecia que tudo que chegasse perto de azul escuro o encantava, assim como encantava para ela. Mas além disso, não conseguia pensar em muitas outras coisas – além de amor por livros, claro. — que tivessem em comum.

Ela era sempre muito cautelosa, pensava com cuidado antes de fazer qualquer movimento e por isso era uma das melhores agentes de infiltração. Era uma garota calma, que gostava de tudo extremamente limpo, organizado e em seu devido lugar.

Já ele era mais imprudente. Agia sem pensar, muitas vezes movido pelo impulso, mas era esse mesmo impulso que fazia dele tão forte, sendo um dos membros mais fortes do exército revolucionário. Além disso, era bem bagunceiro e não pensava duas vezes em jogar as roupas no chão.

Pensando bem, eles eram opostos. Mas como conseguiam ter conversas tão agradáveis durante tanto tempo? Se tivessem tempo, poderiam virar a madrugada apenas discutindo sobre diversos temas, e tinha certeza que em nenhum momento deixaria de ser divertido. Sabo era diferente dela, mas seus ideais eram bem parecidos, fazendo com que se apaixonasse por ele pouco a pouco.

“Apaixonar”. Era uma palavra muito estranha pra ela. Já tinha aceitado que gostava do loiro, mas ainda assim lhe parecia muito inapropriado nutrir esse tipo de sentimento. Eles eram membros do exército revolucionário, e trabalhavam diretamente um com o outro, por isso não deveria ser algo exatamente correto.

Mas também não era exatamente errado, pensou por outro lado. Liam e Ieniffer, por exemplo, tinham uma união instável, além de tudo sabia de vários casos de revolucionários que namoraram e até mesmo chegaram a se casar. Mesmo que, obviamente, o trabalho venha em primeiro lugar.

— Ah, você acordou? — ouviu uma voz vindo da porta, e ao olhar, viu Sabo com uma bandeja em mãos. — eu não achei que levantaria logo, mas que bom que acordou, assim podemos almoçar a comida quentinha. — ele entrou e fechou a porta.

— Almoçar? — ela perguntou. — que horas são?

— Uma da tarde, hora do almoço. — deu ombros.

— Uma da tarde?! — ela engasgou-se, se arrumando para sair da cama. — eu tenho um milhão de coisas pra fazer!! Já perdi metade do dia e já terminou há muito tempo o horário de treino das crianç-

— Relaxa. — Sabo pôs a mão no ombro dela, fazendo-a voltar a se sentar na cama. — não adianta nada ficar correndo agora. Vamos sentar e almoçar em paz, que tal? — ele se sentou na cama, e depois de uns segundos ela se sentou de frente para ele, se rendendo.

Foi estranho almoçar na cama com Sabo, em cima da mini-mesinha que tinha em seu quarto. Até que estava gostando daquilo: estava faminta, e um bom almoço podia fazer o ânimo de qualquer um se levantar.

— Koala? — Sabo quebrou o silêncio repentinamente.

— Sim?

— Por que estava falando de Ace dos punhos de fogo?

Koala inclinou a cabeça, levemente confusa.

Pelo semblante de Sabo, ele estava…

Com ciúmes?

Notas finais
Eai, alguém tem teoria sobre o que o Liam quer contar pro Sabo? Da última vez que perguntei teorias pra vocês, muito chegaram bem perto, até me assustaram :v E a Padomi, gente, parece que nem liga mais pro Sabo, né? E esse Sabo safadenho, querendo ver os peitos da Koala? ( ͡° ͜ʖ ͡°) Aguardo ansiosa pelos comentários pedindo o hot deles :v