— Vai Koala, empurra!

Koala usou toda a força que tinha para empurrar o bebê, tentando se concentrar na instrução dada e não na dor que sentia. No início, quando sentira as primeiras contrações, achara que o que todos diziam era um pouco de exagero, até porque, não era tão ruim quanto pintavam. Mas quando as horas foram se passando e o nível e o intervalado de tempo das dores foi aumentando, tudo o que conseguia pensar era em como se livrar daquele sofrimento horrível.

Estavam apenas ela, Sabo, Chopper e Robin na sala. Como era de costume em caso de cirurgias, a arqueóloga da tripulação auxiliava o médico no parto. As contrações começaram no fim da tarde, já era madrugada e nada do bebê nascer. Porém, como já era esperado que fosse acontecer naquela por volta daquela data, o pequeno doutor deixou tudo pronto.

Sabo segurava na mão de Koala, que a apertava com uma força tão grande que ela mesma não sabia que tinha. Além disso, o namorado o tempo todo ficava ao seu lado, dizendo palavras fofas de encorajamento.

Mas o que Koala queria mesmo era mandar ele para um lugar não muito legal de se dizer.

A dor era tão forte e aguda que não queria ninguém dizendo “você é forte, você vai conseguir”. Queria gritar, xingar alguém, mas uma parte de si ficou feliz por vê-lo ali ao seu lado. Conhecia Sabo, e tinha certeza de que aquilo tudo o estava assustando. Provavelmente, ele devia estar morrendo de medo que ela não aguentasse, e acabasse morrendo no parto. Tentava manter seus pensamentos longe dessa possibilidade, mas essas coisas aconteciam, certo? O que ela mais queria, naquele momento, era que seu bebê nascesse bem, e o que acontecesse consigo pouco importava.

— Eu já estou vendo a cabeça, força! — Chopper gritou para ela, já com as mãos preparadas debaixo do lençol.

O coração de Sabo estava disparado. Estava tão nervoso. Nenhuma de suas missões mais perigosas, em toda sua vida, tinham comparação àquilo. Koala estava sofrendo, sofrendo muito, e o que ele podia fazer era apenas ficar assistindo. Milhões de coisas se passavam em sua cabeça, mas a principal delas era tudo dando errado e ele perdendo o maior amor de sua vida.

E percebeu que… Também temia pelo bebê.

Sentiu como se tivesse acordado de um transe quando ouviu o grunhido mais forte que a companheira dera até ali, seguido por um choro forte e estridente. Koala desabou, aliviada, com o peito subindo e descendo de cansaço. Ela estava suada, vermelha e com os cabelos bem bagunçados, mas para ele… Ela estava linda.

— Você conseguiu… — ele sussurrou feliz por finalmente ter acabado.

— É um bebê saudável. — comentou Robin, ajudando passando um paninho no bebê enquanto Chopper cortava o cordão umbilical. — pegue.

Então ela colocou a criança no colo de Sabo, embrulhada em lençóis brancos.

— É uma menina. — Chopper sorriu, meio emocionado.

O novo papai segurou sua menininha meio sem jeito, e ela foi se acalmando aos poucos. Era tão pequena, e estava tão suja de placenta e sangue, mas… Aquilo, aquela sensação… Era inexplicável. Tudo nela lhe parecia perfeito. As bochechas, o narizinho, e até os finos fios de sua cabeça loira a faziam ser o bebê mais lindo de toda a face da terra.

— Ela… É linda. — ele sentiu algumas lágrimas nos olhos, mas não ficou constrangido, porque nada mais importava.

Olhou para Koala, que ainda exaurida, observava os dois com os olhos brilhando.

— Veja. — Sabo colocou a bebê no colo dela, sentando-se ao seu lado. — é perfeita.

— Sim, ela é… — Koala passou um dedo na bochecha dela, que bocejou. — como imaginei, nasceu loira.

— Com quem acha que ela se parece?

— Não dá para saber, ela muito novinha ainda. — Koala riu.

— Acho que ela se parece com você.

— Onde exatamente?

— Hmm… — ele fingiu pensar. — o nariz dela é igual o seu.

— Talvez tenha razão.

Ambos riram, se deliciando com aquele momento. Nem repararam que Robin e Chopper haviam saído, provavelmente para dar notícias aos tripulantes do lado de fora, eufóricos com a vinda do bebê. Estava tudo tão calmo que nem parecia que o alvoroço de antes existira.

— Que nome vamos dar a ela? — Sabo perguntou. — não pensei em nenhum até agora.

— Pensei em Tiger. — disse a outra, nostálgica. — não sei porque, mas jurava que viria um menino. Teremos que pensar em outro.

— Não sou bom com nomes. Na verdade, ninguém dos meus parentes de sangue é. — sorriu amargamente. — veja só meu nome como é ridículo.

— Não diga isso. Eu gosto do seu nome.

— Só gosta porque me ama.

Os dois observaram a neném por mais alguns instantes, até que um nome veio à mente de Sabo.

— O que acha de Sammy?

Koala considerou a possibilidade.

— Sammy não é nome de menino?

O loiro riu.

— Seu nome é Koala, o meu é Sabo… Somos uma família de nomes estranhos. — ele deu ombros e sorriu brincalhão, colocando o dedo na mão da bebê. Ela automaticamente fechou os dedos, segurando firme o dedo indicador do pai.

Koala sorriu com a cena, sentindo seu coração aquecer ao ouvir Sabo se referir a eles como “família”. Sentiu que começaria a chorar.

— Gostei. Sammy. — com a voz embargada, trouxe a menina para meu perto de si. — Sammy, filha de Sabo e Koala...

Sabo nunca imaginou, na vida, que ouviria uma frase como aquela.

E muito menos que iria gostar tanto.

(…)

— Luffy, não toque nela com as mãos sujas!

Uma semana depois, todo o bando já estava apaixonado pela pequena Sammy. Até mesmo Zoro, que nunca fora particularmente fã de crianças, de vez em quando passava disfarçadamente por quem estivesse com ela no colo, para checar como estava a menina. Chopper, Robin e Nami eram os que estavam sempre ao redor dela, mimando-a e brincando, ainda que ela não entendesse nada. Sanji agora passava bastante tempo na cozinha, se dedicando a fazer pratos especiais e ricos em proteínas para Koala, que ainda se recuperava do parto em resguardo. E Luffy, surpreendentemente feliz em ser tio pela segunda vez, vivia tentando pegar a sobrinha no colo, mas era sempre interceptado por alguém, geralmente Sabo.

O loiro estava com Sammy o tempo todo, aninhando-a em seu colo, levando-a para o convés para sentir ar fresco e passava até mesmo algum tempo conversando com ela, que dormia, e certamente não ouvia nada do que o pai dizia. Mas aquilo não importava, porque apenas o fato de Sabo estar amando ser pai fazia Koala amá-lo ainda mais. No fundo de seu ser, tinha certo medo de que o companheiro, de alguma forma, acabasse por desgostar da criança, por conta de sua inclinação a não ter filhos, mas felizmente seu medo se dissipou.

— Não tô com a mão suja, eu lavei não tem nem três dias! — Luffy retrucou, cruzando os braços claramente ofendido.

— Três dias?! — Sabo arregalou os olhos e afastou Sammy dele. — não, não, não! Nem pensar!

— Talvez seja uma boa oportunidade pra você tomar banho, né, Luffy? — Usopp caçoou, bando um tapinha nas costas do amigo.

— Eu nem quero tomar banho.

— Você não pode tocar nela sujo, bebês pequenos são bem mais suscetíveis à doenças. — Chopper explicou ao capitão, que pareceu mais balançado pela ideia. — vem, eu posso te ajudar a se lavar. — o pequeno médico puxou Luffy até o banheiro, com o capitão meio desgostoso.

— Só Deus sabe quando foi a última vez que Luffy tomou um banho de verdade. — o atirador comentou com Sabo, os dois estavam no convés, aproveitando o clima fresco.

— Nunca que ele vai pegar na Sammy sujo daquele jeito. — respondeu. — acha que Chopper dará um bom banho nele?

— Ele vai sair da casa de banho mais branco, disso tenho certeza.

Os dois riram, imaginando Luffy limpinho com o cabelo lambido.

— Cadê a Koala? Está cochilando?

— Ela está escrevendo cartas. — Sabo balançou um pouco a loirinha, que começou a se remexer. Ela já tinha mamado e provavelmente logo dormiria. — o exército revolucionário precisa de notícias nossas.

— Entendo. — Usopp assentiu, pensativo. Ele admirava o horizonte quando sussurrou para si mesmo: — talvez eu deva escrever logo para Kaya…

— Kaya? — o outro perguntou, assustando-o. Não tinha percebido que falara em voz alta. — quem ela é? Sua namorada?

— Ah, bem, não, quero dizer, mais ou menos… — meio envergonhado, coçou a cabeça. — ela é só uma garota da minha ilha natal. Uma amiga de infância, eu acho. Lembrei dela porque ainda não respondi a carta que ela enviou pra mim.

Sabo ponderou se seria educado perguntar o motivo, não queria ser invasivo. Mas não foi preciso, pois Usopp comentou:

— O que ela disse da última vez me deixou meio confuso. A Kaya disse que… — o mentiroso se remexeu na cadeira, desconfortável em tocar naquele assunto. — na verdade, ela meio que perguntou se…

O revolucionário pacientemente que ele continuasse, o que demorou alguns segundos.

— Perguntou o que eu achava de dar um… Filho a ela. — Usopp soltou todo o ar do pulmão, como se tirasse um peso das costas ao finalmente confessar aquilo. Ele olhou Sabo nos olhos, em busca de aconselhamento. — o que acha que eu deveria dizer?

— Eu… Ahn…

Ok, aquilo o tinha pego de surpresa.

— Apenas você é pai aqui, acho que é o único que pode me ajudar nessa questão.

— Mas… — Sabo tentava achar as palavras certas. — há quanto tempo vocês não se veem?

— Há alguns meses, desde que saímos do East Blue para te buscar. Passamos uma noite na minha ilha, e depois logo partimos. – suspirou. — o que mais me deixa incomodado é o pensamento de dificilmente ver meu filho, igual a meu pai e eu. Seria difícil pra mim conviver com a ideia de que o tenho, mas não posso estar com ele.

Sabo olhou Sammy, que já dormia tranquilamente, com uma chupeta cor-de-rosa na boca, — que inclusive, Chopper reclamara bastante — então sentiu uma dor no peito, percebendo que a causa era a fala de Usopp. Tentava manter distância do pensamento que o assombrava, que em breve não poderia estar mais assim com a filha, mas era algo muito difícil, e que machucava.

Sobrepondo a dor, algo se passou pela cabeça de Sabo, e virou-se para Usopp, perguntando:

— Vocês dormiram juntos?

Usopp arregalou os olhos, surpreso.

— S-Sim. — ele assentiu, meio corado. — por que a pergunta?

— Já pensou que ela pode estar grávida, e perguntou isso apenas para saber sua opinião?

Ele assimilou aquilo por uns segundos, desacreditado.

— Não, não pode ser… — suas expressões variaram, de despreocupação, dúvida, até que o medo predominou em seu rosto. — Santo Deus, será que…

Ficou de pé, andando em círculos.

— Se for verdade, já deve ter nascido. — ele pôs a mão na cabeça, desesperado. — eu preciso saber a verdade. Preciso ir até lá, acha que Luffy concordaria em passar lá?

— Tenho certeza que sim, conheço bem meu irmão. — tranquilizou-o.

Ainda em choque, Usopp se retirou, provavelmente procurando algum lugar vazio para pensar consigo mesmo. Sabo entendia bem o que ele estava sentindo, não era fácil descobrir que seria pai. Mas aquilo poderia não ser verdade, certo? Era apenas especulação dele. Poderia ser apenas uma terrível confusão, que o atirador poderia tirar a limpo e resolver facilmente. Além do mais, mesmo que fosse verdade, a suposta criança teria a mãe que sempre estaria ali para ele, morando em uma pacífica vila do East Blue.

Enquanto Sammy, bem… Só o futuro sabia o que lhe aguardava.

(…)

— O que está fazendo? Ainda com as cartas?

Koala se virou para trás e viu o companheiro entrar no quarto com Sammy adormecida nos braços. Ele colocou a pequena no berço que ficava ao canto do quarto, e se aproximou dela.

— Sim, sabe como eu sou, sempre faço vários rascunhos até chegar ao resultado final. — disse ela, sentindo-o olhar o papel por cima de seu ombro. Ela se virou e deu um beijo em sua bochecha, que estava pertinho dela. Ele sorriu, gostando daquilo.

— Falta o outro lado. — pediu ele, indo para o lado oposto, à esquerda dela. Rindo e revirando ou olhos, ela beijou a outra bochecha.

Sabo se jogou na cama e fechou os olhos, aproveitando aquele sentimento de paz e tranquilidade.

Nami e Robin cederam de bom grado o dormitório feminino para o casal com a bebê, e, durante a noite, elas costumavam armar redes e dormir na biblioteca. A atitude das duas fora um alívio para os dois, uma vez que, além de terem que dormir separados, em qualquer um dos dormitórios o choro de Sammy seria um verdadeiro incômodo.

— Acha que o bebê da Padomi é menino ou menina? — Koala perguntou de repente, ainda entretida com os papéis.

— Hmm… Acho que é menina. — respondeu, ainda de olhos fechados. — por que a pergunta?

— Quero dar um palpite na carta, mas não quero errar.

— Acho que uma menina é o que Rokka quer, afinal, eles já têm um menino.

— Você queria um menino?

Sabo abriu os olhos, curioso com a pergunta dela.

— Não. Na verdade, eu nunca me importei de verdade com o sexo do bebê.

Deu uma olhada rápida no berço, onde podia ver a Sammy dormindo atrás das grades de proteção. Sorriu ao vê-la tendo um sono tranquila.

— Mas pensando bem – ele prosseguiu. — fico feliz que tenha sido uma menina. Agora que a tenho, percebi que era o que queria.

Koala suspirou, virando a cadeira e ficando de costas para a escrivaninha. Seguiu o olhar de Sabo até o berço, percebendo o olhar de ternura que ele dirigia ao pequeno serzinho que era metade de cada um deles. Uma tristeza a abateu ao ver aquilo, e, para sua infelicidade, Sabo percebeu na mesma hora. Intrigado, ele se sentou na cama.

— Meu amor, qual é o problema?

Os olhos cheios de preocupação dele apenas tornaram tudo pior. Há dez dias ela vinha mantendo em segredo a carta que receberam de Nojiko, confirmando que poderia, sim, criar Sammy pelo tempo que precisassem. Koala sabia que deveria sentir alívio com aquilo, afinal, quem ficaria com sua filha era algo que a vinha assombrando pelos últimos meses de gravidez. Entretanto, depois de apenas uma semana com aquela pequena loirinha, estava tão apaixonada por ela que a simples ideia de deixá-la a fazia querer cair em prantos.

Além de tudo, Sabo a amava tanto… Nunca imaginou que ele seria um pai tão dedicado, que amava tanto a filha. Sammy agora parecia ser a razão de viver dele e… Dizer aquilo era difícil, mas preciso.

— Há uns dias, eu conversei com Nami-san sobre a situação da Sammy.

Como ele não entendeu, ela prosseguiu:

— Ela tem uma irmã que mora no numa vila chamada Cocoyasi, na ilha Conomi. É uma vila pacífica, onde todos se conhecem e se ajudam. O nome dela é Nojiko, trabalha cultivando e vendendo laranjas. Isso não a deixa rica, claro, mas ainda é o suficiente para sobreviver e levar uma vida sem preocupações que…

— Koala. — com semblante sério, ele se levantou na cama, ficando de pé. Sabia o que ela queria dizer, mas mesmo assim, perguntou: — onde quer chegar?

Precisou de fôlego extra para dizer aquilo.

— Ela… Quer ficar com Sammy. Ela pode criá-la para nós.

Durante segundos, ninguém falou no quarto. O único som que ouviram era o do mar balançando e o das próprias respirações, pesadas e quentes. Ambos se encaravam com dor e frustração, tentando encontrar os próprios sentimentos nos orbres um do outro.

— Criá-la? — ele praticamente sussurrou, com dificuldade de falar. Precisou controlar as emoções fortes que sentira para desenvolver frases entendíveis. — c-como assim? Nós nem a conhecemos! Como ela pode querer ficar com ela? Como ela sequer sabe que Sammy existe?

— Nami-san mandou uma carta expressa, assim que soube da minha gravidez. Ela só me diria se a irmã aceitasse, e aceitou. — a carta dela em mãos em suas mãos, fechada no envelope. Colocou ela de volta na escrivaninha, antes que suas emoções a fizessem amassá-la. — Nami-san é uma boa pessoa, e se ela diz que Nojiko-san também é, eu acredito. Ela vai ter uma mãe gentil, ao menos. — sorriu tristemente.

— Ela já tem uma mãe!

O grito súbito de Sabo fez tanto ela quando Sammy se assustarem, pois a última acordou no mesmo instante aos berros. Nervosa, Koala correu até ela, pegando-a nos braços e balançando para calmá-la, em vão. O choro da filha pareceu aplacar um pouco da raiva do conselheiro, mas não completamente.

— Olhe o que você está dizendo! Não pode dá-la dessa forma! — vociferou ele.

— Como pode dizer isso? Por que está me tratando como uma vilã? – retrucou ela.

— Apenas porque você quer entregar nossa filha para alguém que mal conhecemos!

— O que prefere então? Que coloquemos um anúncio no jornal dizendo “procura-se pais adotivos” e que comecemos a fazer entrevistas? Ou, melhor, podemos simplesmente jogá-la no primeiro orfanato cheio de ratos que aparecer!

— Pare de ser debochada.

— E você pare de ser tão turrão!

Ainda sensível pelo resguardo, Koala se sentou, finalmente conseguindo acalmar Sammy, que agora apenas dava pequenos resmungos. Eles estavam fazendo muito barulho, e isso acabaria chamando atenção. A última coisa que queria era a tripulação inteira à porta perguntando o que houve.

— Quando eu engravidei – disse ela, um pouco mais calma e controlada. Sabo também pareceu conseguir apaziguar os ânimos, já que sentou nos pés da cama, de frente para ela. — você foi o primeiro a dizer que não podíamos ficar com ela. Foi o primeiro a salientar isso, e me tratou como se eu fosse a culpada. E agora está fazendo de novo, como se eu fosse uma mãe ruim por dizer o que você eu sabemos que tem que ser feito.

— Me desculpe. Não era isso que eu queria.

— E – ela continuou. — deixo claro aqui que não vou aceitar isso. Eu te amo, mas não vou aceitar isso.

Sabo se sentiu o pior namorado do mundo. Não queria tratá-la assim, não queria despejar toda sua raiva e frustração dela. Droga, a amava tanto que poderia morrer, mas… Deixar Sammy para trás? Como ele poderia? Aquela agora era sua menininha, sua garotinha… Mesmo tão novinha, ele já conseguia ver os traços herdados dele e dela. Os olhos de Koala, a testa dele, o nariz da mãe… Não queria perder isso. Não queria perder os momentos em que admirava Koala amamentando, ou que punha a Sammy de pé para arrotar. E, pasmo, percebeu que nem mesmo queria perder as chances que teria de trocar as fraldas sujas.

Mas… Ele teria que aceitar. Era o melhor para sua filha.

— Me desculpe. — com o olhar cheio de culpa, ele abaixou a cabeça para ela. — me desculpe, de verdade. Perdão.

Koala aspirou o ar profundamente, e soltou com a mesma força.

— Tudo bem, não precisa implorar. Eu te perdoo.

Ela se levantou com Sammy nos braços e se deitou na cama de casal, colocando-a no meio, adormecida. Sentindo-se terrivelmente cansado, Sabo se deitou do outro lado da cama, de frente para Koala. Ambos admiravam a pequena dormir, sua pequena barriguinha subindo e descendo por conta de sua respiração rápida de bebê.

— Vamos para essa vila depois de ver meu sobrinho. — anunciou Sabo. — quero conhecê-la pessoalmente antes de deixá-la ir.

Sem forçar para dizer nada, Koala apenas assentiu.

E ali mesmo, deitados na cama com os olhos vidrados na pequena loirinha, tanto Sabo quanto Koala sentiram vontade de chorar. E se o fizeram ou não… Bem, isso nem mesmo eles perceberam.