The Best Job
12 Padomi
Notas iniciais

Sabe quando você acha uma coisa irá acontecer, e do nada, outra coisa totalmente inesperada acontece? Então, era assim que Koala estava se sentindo naquele momento.
Sabo ainda estava de joelhos em sua frente, recuperando o fôlego. Parecia que havia corrido como se sua vida dependesse disso. Olhou para o teto quebrado de onde ele tinha surgido, e se deparou com a silhueta de Hack. O mesmo deu um pulo, caindo de pé no chão.
– Koala! — ele exclamou, ao ver o estado em que ela se encontrava. O tritão olhou em volta, analisando a situação: as crianças estavam todas pasmas ao ver seu chefe, que sempre julgaram ser poderoso por andar armado até os dentes, desmaiado no chão por levar apenas um golpe. — entendi...
Sabo, já um pouco melhor, rapidamente correu até Koala e a desamarrou.
– Q-Que susto... — murmurou ela, assimilando tudo o que acontecera. Levantou seu rosto, percebendo a expressão preocupada de Sabo. Ele estava suado e com as bochechas avermelhadas. — o que está fazendo aqui, seu idiota?!
...
– Êh? — perguntou ele, com cara de idiota. Não esperava essa reação vindo da praticante de karatê.
– Você vai acabar morrendo se ficar me desobedecendo quando sua saúde está em jogo! — retrucou ríspida, se levantando e colocando a mão na testa do companheiro. — você ainda está com febre! Isso foi muito, muito perigoso! O que será que eu vou ter que fazer com você? Te prender acorrentado na cama?
– E-Essa mulher parece uma monstrenga... — comentou Shin, assustado.
– PARE JÁ DE GRITAR COM O MEU SABO-SAN!
Sabo, Koala e Hack, que estava amarrando Fountaine, pararam para ver quem estava gritando. Era uma das garotas que estavam com Fountaine, na opinião de Koala, a única que parecia não se sentir oprimida perto dele. Ela foi até onde Koala e Sabo estavam, e se colocou na frente do revolucionário abraçando-o.
– Sabo-san... Faz tempo que não te vejo... — disse ela, como se o loiro fosse o namorado que não viu há séculos.
– P-Padomi?! — gritou ele, visivelmente perplexo. Bruscamente ele se soltou da garota, se colocando atrás de Koala igual a um filhote esperando pela proteção da mãe.
Ela era certamente linda. Tinha longos cabelos acinzentados, olhos castanhos e curvas iguais as de uma modelo.
– Tch! — Padomi fez uma expressão de desgosto ao ver a garota que estava gritando com Sabo. — e quem seria você? Deve ser muito abusada para gritar daquele jeito com o meu Sabo-san.
– Se ele fosse realmente seu não teria corrido pra perto de mim num segundo, não é mesmo? — provocou Koala. — Bom, eu sou Koala, professora substituta de karatê do tritão e também o braço direito do Sabo-kun.
Ambas se encaram com fogo nos olhos, até que Padomi se virou, indo até Noiram. O pequeno menino havia passado despercebido pela maioria, mas Koala notou sua presença nas costas de Hack.
– Marion, me dê o Den Den Mushi, tenho que contatar aos superiores que a missão foi cumprida.
– Certo. — disse Noriam, tirando um mini Den Den Mushi do bolso e descendo das costas de Hack. Assim que entregou o pequeno objeto, Padomi saiu no local.
Shin, que estava cogitando sobre o que deveria fazer agora, se viu surpreso eu ouvir a voz do novato em que depositara tanta confiança. Era algo que já estava até acostumado, afinal, ninguém no mundo era digno de confiança. Todos, no fim, só se interessam em seus próprios objetivos e passarão por cima de qualquer coisa que seja sem se importar, na sua opinião.
– ... — o loirinho foi até o companheiro, e ficou cara a cara com o menor. — afinal, quem é você?
– Marion.
A inexpressividade no rosto do garotinho irritara ainda mais Shin. Noiram na verdade é Marion, aparentemente um revolucionários.
– Você também é um revolucionário? — perguntou Koala, assimilando a informação que acabara de chegar. Primeiro duas menininhas, agora um garoto também? Daqui a pouco descobriria que há uma creche de mini-revolucionários.
– Sou. — respondeu Noiram, ou melhor, Marion, sem mudar de expressão novamente. Koala não conseguia deixar de pensar que ele era muito parecido com Tora em questão de personalidade, na primeira vez que se encontrara com a garota.
O garoto loiro pareceu estar assimilando o que estava acontecendo. Era uma sensação mista de medo e raiva. Estava se sentindo extremamente irritado por ter sido "traído" por seu companheiro. Entretanto, ver seu chefe ali, no chão após levar um chute do homem de cabelos loiros, havia lhe causado uma sensação estranha de paz.
Claro que essa sensação não era o suficiente para que o fizesse confiar em Koala e os outros. Deu um passo para trás, recuando. Devagar, pegou a mão de Aurora e saiu correndo, gritando para as outras crianças fazerem o mesmo, e assim fizeram.
Hack suspirou, vendo que eles eram mesmo crianças teimosas. Comentou que teria que deixá-los desacordados e usar uma corda para amarrá-los, e assim, foi atrás deles. Provavelmente os levaria para o barco, mas seria complicado colocar todas aquelas crianças lá dentro. Koala também queria ir atrás dos pequenos, mas ao mesmo tempo queria ficar perto de Sabo, pois estava preocupado com seu estado de saúde. Se sentia extremamente culpada pelo fato de seu amigo estar doente, e ainda ter que se esforçar dessa maneira para salvá-la.
Logo que Padomi terminou de falar no Den Den Mushi, foi até onde Sabo estava e agarrou com braço, sorrindo.
– Sabo-san! O navio principal está na ilha de Lanzarote, pertinho daqui! Você irá conosco no meu barco, certo?
Koala P.O.V
– Eu... Irei no meu barco com a Koala e o Hack. — Sabo-kun respondeu ofegante. Diferente de quando chegou, não ofegava de cansaço. Com certeza era por causa da febre e do resfriado. Ele tentava disfarçar, mas eu o conheço, ele estava mal.
– O que?! Mas Sabo-san... Faz um mês que não lhe vejo... Eu estou morrendo de saudade!
Suspirei, e olhei para Sabo-kun novamente.
– Vamos voltar?
– Hum. — ele afirmou com a cabeça.
(...)
Por mais que tenha afirmado em uma indireta que Sabo-kun não tem o tipo de relação que essa garota pensa que eles têm, ainda me sinto meio em dúvida. Ela apareceu do nada, sem eu ao menos esperar. E de fato, parecia ser bem conhecida por todos, já que de vez em quando alguém comenta dela. Quero muito ouvir do próprio Sabo-kun sobre quem ela é, e motivo pelo qual ela é tão agarrada a ele. Se bem que me parece bem simples: paixão.
Havíamos acabado de chegar a Lanzarote, e ancoramos bem ao lado de onde o navio principal estava, na região oeste, onde havia apenas florestas. A "viagem" durou algumas horas, e já estava escurecendo quando chegamos. Como imaginei, Shin e as outras crianças foram levadas para os fundos do navio, onde geralmente ficam as pessoas capturadas por nós em missões. Ouvi de um dos oficiais que provavelmente seriam levados para o South Blue. Perguntei o motivo, porém, obviamente não me contaram, alegando que era confidencial. Claro que não deixaria por isso mesmo, já estava pensando em algo que poderia fazer...
Em meio aos meus pensamentos, senti alguém me observar ali sentada na cadeira ao lado da cama onde Sabo-kun estava dormindo. Olhei para baixo, e lá estava Marion.
– Melhorou? — ele perguntou apontando para Sabo-kun.
– A febre diminuiu um pouco, o médico do navio disse que se continuar a descansar, logo ele irá ficar ótimo. — sorri, tranqüilizando-o.
Ele continuou lá, na beirada da cama, fitando Sabo-kun enquanto dormia.
– Você é um menino bem quieto, Marion. — eu disse, me aproximando dele. Marion olhou-me, e assentiu. Logo vi que não seria fácil fazer com que ele tenha mais intimidade comigo, assim como tenho com Tora e Nina. Marion... Me diga, o que você acha desse idiota aqui? — perguntei me referindo ao Sabo-kun, que ainda estava em sono profundo.
– Irresponsável.
É, ele tinha total razão.
– Huh, irresponsável é pouco... — eu havia conhecido Sabo-kun há menos de um mês, mas com certeza sabia mais sobre ele do que qualquer um. — mas sabe, Marion... — suspirei, acariciando os cabelos do loiro. Não entendo porque fazer isso me acalma, mas a sensação é muito boa. — apesar disso, eu acho o Sabo-kun uma pessoa incrível.
– ...
Marion olhou para mim, e logo depois olhou para o outro. Passaram-se alguns segundos, e Marion inesperadamente comentou, apontando com a mão esquerda para ele.
– Bom.
De início, não entendi muito bem. É bem complicado entender o que uma pessoa que só diz uma palavra quer dizer. Porém, depois pude entender.
"Ele é um bom homem"
Talvez fosse isso que ele queria dizer.
Do nada, a porta do quarto foi aberta.
– MARIOOON! — ouvi um berro, assim que me virei vi Nina se jogando em cima do pobre Marion, que caiu no chão com ela. Ela parecia extremamente feliz em ver o amigo.
– Nina, tome cuidado, você pode acabar machucando ele... — disse Tora, tirando a mais nova de cima dele. Tora se virou de frente para mim, e se curvou. — seja bem-vinda de volta, Koala-san. Fico feliz que tenha voltado sã e salva.
– Você é incrível, koibito-chan! — disse a rosadinha — mesmo depois de uma missão super difícil, não está cansada como o Sabo-san. Sinto que o ki dele diminuiu pro nível 17... Ai ai, esses amadores..
– Ahh venham cá, fofuras! — não aguentei e puxei as duas pra um abraço. Era tão bom ter duas amiguinhas tão legais.
– O que faz aqui no quarto do Sabo-san?
Olhei para a porta, e lá estava a garota que julgava ser muito misteriosa... Padomi. Ela era bonita, mais bonita que eu, de fato. Não que eu tivesse a auto-estima tão lá em baixo, mas sei aceitar os fatos como são. Os olhos castanhos dela me fitavam com raiva, como se eu fosse a criança que roubou sua boneca preferida.
– E por que quer saber? — respondi no mesmo tom, e me levantando, já que havia me agachado pra abraçar as duas meninas.
– Porque eu conheço o Sabo-san há mais de 4 anos, e sei muito bem que ele não gosta que entrem no quarto dele, principalmente quando ele está dormindo.
– Pois é... Mas sinto lhe informar que como parceira e melhor amiga do Sabo-kun, eu tenho permissão pra ir e vir daqui quando eu quiser, e inclusive tenho uma chave. Acho que Sabo-kun gosta muito de mim aqui, não é?
– Claro que gosta, você é a namorada dele, koibito-chan. — sorri ao ouvir o que Nina falara. Por mais que fosse mentira, me dava um ar de superioridade. Padomi claramente estava afim de competir comigo.
– Nina, por que parou de falar "pyon"no final das frases? — Padomi perguntou, após perceber a mudança.
– Koibito-chan não fala "pyon", então eu também não vou falar. — após Nina responder, Padomi bufou, e olhou para mim de novo.
– Nina, não se meta... — Tora tentava fazer a outra ficar quieta, provavelmente temendo que ela piorasse tudo e nós duas acabássemos saindo no tapa. — vamos, vamos, Padomi... Está na hora de comer, vamos para a sala de jantar. Vocês estão com fome também, Marion e Nina?
Tora puxou as duas garotas e Marion as seguiu calado. Logo as três saíram do quarto.
– Hmm... — ouvi um gemido vindo da cama, rapidamente me lembrei de Sabo-kun, que estava dormindo ali. — tava uma barulheira aqui... — disse sonolento, enquanto coçava os olhos — o que houve?
– Sua namoradinha veio aqui e ficou com fogo no rabo. — ele pareceu não ter entendido minha ironia. — primeiramente... Se sente melhor?
– Me sinto da mesma maneira que sempre, já que eu nunca estive doente.
Ah, esse Sabo-kun era mesmo um teimoso. Coloquei minha mão em sua testa e em seu pescoço, medindo a temperatura. Ele não estava completamente bem, mas já estava ótimo comparado a antes, sem falar que a tosse e os espirros pararam, indicando que em pouquíssimo tempo ele já estaria de volta ao que era antes.
– Eu estou morrendo de fome! — disse ele, interrompendo meus pensamentos. — Koala, vamos jantar! — Sabo-kun se levantou da cama, pronto para ir jantar daquele jeito.
– Olhe pra você, ainda de pijama... — fui ao armário dele e peguei uma muda de roupa. Nem precisei pegar uma cueca, já que ele deixa algumas de reserva no banheiro. — Vai tomar uma ducha primeiro, depois troca essa roupa. Aí sim podemos ir jantar.
Ele ainda tentou protestar, alegando que estava morrendo de fome, mas acabou aceitando ao perceber que não havia tomado banho o dia todo.
Após o banho aquele homem parecia outro. Me disse ainda que tinha tomado banho gelado pra "despertar", e aparentava ter funcionado bem, já que seu aspecto doente havia diminuído consideravelmente. Sabo-kun usava sempre o mesmo estilo de roupas: sociais. Não sei se é pelo fato dele ser importante ou se é o estilo que herdou dos pais, por mais que não queira ter nenhum gosto em comum com ambos. Logo, colocou apenas uma blusa social branca e arregaçou as mangas, pôs uma calça preta e sapatos da mesma cor.
Olhei para seu cabelo ainda molhado, e percebi que havia algo faltando.
– Sabo-kun, vai deixar seu chapéu aí? — perguntei apontando para o chapéu na cama.
– Vou deixar ele aqui um pouco. — explicou enquanto saía do quarto, e seguimos pelo corredor. — meu cabelo demora a secar se eu ficar com aquilo na cabeça.
– Hee... Não sabia... Você parece gostar muito dele. Eu também adoro chapéus, mas nenhum fica bom em mim, por algum motivo. — após dizer isto, Sabo-kun ficou me olhando como se estivesse imaginando algo. Penso eu que ele me imaginou com vários tipos de chapeis diferentes.
Logo, chegamos na sala de jantar. Estava bem cheia, e muitos dos que estavam ali bebiam a vontade como se estivessem em um grande banquete. Grande parte dos revolucionários se levantou e foi até nós para nos parabenizar pela missão. Disseram que todos já estavam sabendo da façanha de Sabo-kun, e que ninguém esperava menos do segundo em comando.
Até mesmo Mamura viera falar conosco, alegando que Dragon-san queria falar com Sabo-kun mais tarde, e que ele parecia irritado. Acredito que esteja, de fato, irritado. Sabo-kun era o segundo líder, deveria ser mais responsável.
Após nos sentarmos em uma mesa vazia e pedirmos algo para comer, vi Tora, Nina, Marion e Padomi em uma mesa próxima a nossa. Pensei em chamar as três crianças para se juntar a nós, mas aquela Padomi com certeza viria junto e ficaria se esfregando no Sabo-kun.
Bufei, após fuzilar o olhar.
– Oe, o que há com você? — perguntou Sabo-kun, sem entender o motivo da minha mudança de humor repentina. Me ajeitei na cadeira, disfarçando.
– Sabo-kun, me diga, qual é o seu relacionamento com ela? — apontei para Padomi. Ele olhou para trás, já que estava sentado de costas para a mesa.
– A Nina? Ela é minha rival que treina arduamente para me superar, mas que no fundo me ama porque eu sou como um senpai.
Revirei os olhos. As vezes Sabo-kun era muito burro.
– A Padomi, idiota.
– Ah... A Padomi... — ele coçou a cabeça, e demorou um pouco pra continuar a falar. — Padomi é uma amiga minha. A conheci quando ela tinha 12 anos, e eu 16.
– Então se você tem 19, ela tem 15?! — perguntei impressionada.
– Não, ela tem 16. Eu vou fazer 20 ainda esse ano.
– Ela parece ter uns 18 anos... — comentei, olhando-a detalhadamente. — me conte mais.
– É... Ela está sempre com as crianças, e é ela mesma que treina o Marion. Ele aprendeu a atirar com diversos tipos de armas de fogo graças a ela, por isso ele estava na missão também.
– E a personalidade dela? — queria saber como ela aparenta ser aos olhos do Sabo-kun.
– Bem, ela é infantil como uma adolescente, na grande maioria das vezes... E também não desiste enquanto não obter o que quer. Apesar disso, ela é uma boa garota. Padomi é muito responsável quando se trata do seu trabalho como revolucionária...
– Ela não me parece nem um pouco ser "uma boa garota"... — comentei com desgosto, olhando de canto para ela, que parecia irritada com o prato em sua frente. — aliás, por que mesmo que ela está com aqueles três?
– Hmm... Padomi, Tora, Nina e Marion vieram do mesmo lugar, e passaram por várias coisas juntos... — após falar isso, Sabo-kun olhou para eles, como se lembrasse de algo muito importante.
São em momento como esse que penso se devo ou não perguntar coisas sobre as pessoas que nos cercam. Não é como se eu tivesse medo que Sabo-kun me ache intrometida, mas quando se trata do passado dos outros devemos ter muito cuidado, e levar em conta os sentimentos da pessoa. Sabo-kun parece gostar da amizade dessa garota e levar seus pensamentos muito em consideração, visto que é bem vago em momentos como esse.
– Isso explica a mania de usar orelhas de animais, acho que todo mundo que vem da terra natal deles têm esse passatempo. — brinquei pra disfarçar o clima tenso. Sabo-kun sorriu de canto, ainda olhando para eles.
Olhei para os quatro novamente, e notei que Tora chamara por Rokka, que ainda estava longe da mesa e caminhava em passos lentos.
– O Rokka deve ser muito cruel com a Padomi... — comentei para mim mesma, e Sabo-kun riu.
– Isso é o que todos pensam... Observe.
Logo, começamos a prestar atenção assim que Rokka chegou na mesa deles.
– Rokka, será que você pode fazer algo diferenciad-
– Rokka, quer me matar ou o que?! — Padomi gritou se levantando bufando de raiva, e ficou bem na frente de Rokka, que era bem maior e mais forte que ela. — você está cansado de saber que eu ODEIO esses legumes e folhas que você insiste em mandar no lugar do que eu pedi!!! Por acaso eu sou animal pra gostar de mato?! Vai preparar agora o Karaage que eu pedi!!!
Rokka usava uma bandana na cabeça. Já havia percebido que ele a usava quando estava cozinhando, e a sombra da bandana cobria seus olhos. Assim, era impossível ver seus olhos.
Nunca os vi juntos, e presumi logo que Rokka não gostaria nada das atitudes de Padomi. Porém, Sabo-kun olhava a cena com tanta confiança comecei a crer que Rokka reagiria de maneira diferente do usual.
– Você vai comer isso aí mesmo, pirralha abusada. — logo que pude ver o rosto de Rokka, ele a encarava com o olhar ardente em raiva. — se não gostou, problema seu! Estou apenas seguindo a sua dieta! Você sabe muito bem que não pode ficar comendo carne todo dia, Padomi. Vai acabar virando uma baleia!
Oi?
– Seu idiota! Vai preparar meu karaage! — ela bateu o pé no chão, claramente revoltada. — não precisa se preocupar com a minha dieta, tudo que seria "gordura"... Vem pra cá! — ela puxou a blusa pra baixo, deixando um enorme decote à mostra.
– BAIXINHA DOIDA, COBRE LOGO ISSO! — ele retrucou ainda mais irritado, e levantou a blusa dela, cobrindo o decote. — SE FICAR MOSTRANDO SEU CORPO POR AÍ VAI SE VER COMIGO! — após falar isso, ele se virou pisando forte no chão, claramente irritado. Vi que ele voltou pra cozinha, provavelmente porque ainda era horário de jantar e tinha muito a fazer.
Sabo-kun se virou para mim, e logo comecei a falar.
– Viu? Como eu imaginei, Rokka não gostou nem um pouco de como aquela Padomi o tratou.
– Pode até ser, mas... Vem cá.
Sabo-kun se levantou e segurou minha mão, me puxando para ir até a cozinha. Olhei para trás de relance, mas pude perceber que Padomi nos viu e acho que não gostou nada de nossa intimidade.
Na cozinha, como sempre, todos os cozinheiros corriam para todo lado, se apressando para servir os revolucionários famintos que residiam no navio. Cumprimentaram Sabo-kun e eu rapidamente, já que não tinham tempo para parar e falar com seu superior devidamente, muito menos com sua parceira. Num canto afastado da cozinha, pudemos ver Rokka cortando carne enquanto murmurava irritado.
– Huh, ela acha que pode ficar mandando em mim a hora que quiser...
– Presta atenção no que ele está fazendo.
Voltei a olhar para Rokka e prestar bastante atenção.
Ele estava preparando alguma coisa que envolvia carne. Colocava no óleo... Não deu pra ver bem porque ele estava de costas. Mas logo me toquei do que ele estava fazendo...
Ele estava preparando o que Padomi pediu.
Arregalei os olhos e olhei para Sabo-kun, que entendeu meu espanto.
Então esse Rokka rude e insensível... Obedece a uma adolescente mimada?
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