The Best Job
6 Odiar e não odiar
Notas iniciais

Koala é uma pessoa extremamente interessante. Digamos assim... Lá no QG eu tenho muitos companheiros e subordinados. Alguns me admiram, outros têm até medo de mim, mas nenhum chegou a me entender e pensar tão parecido comigo como a Koala. Hack é legal, é meu grande amigo e tudo mais... Mas ele tem uma personalidade muito madura, não dá pra se divertir com ele.
Com a Koala é diferente, ela pensa como eu. Claro, tem certas coisas que não concordamos, mas sobre a maioria das coisas nós concordamos.
— Você é muito irresponsável! — ela esbravejou, dando-me um soco na cabeça. Só porque eu derramei um pouco de suco no chão e esqueci de limpar. — olha só como ficou esse chão, todo sujo e cheio de formigas.
— Eu só esqueci que estava aí... — tentei me defender. Ela me fuzilou o olhar, enquanto espremia o pano que tinha usado para limpar o chão. — não acha que está exagerando um pouco? Já percebi que você tem algum tipo de problema.
— Problema? Eu? — ela não gostou muito do meu comentário. — do que está falando?
— Não não não, não me entenda mal. — pareceu que eu estava a ofendendo. Ela se acalmou mais e chegou mais perto, se sentando na cama ao meu lado. — eu li em um livro que há pessoas que tem "mania de limpeza". Eles querem limpar tudo e não aguentam ver nada sujo, são como loucos!
Ela me fuzilou o olhar.
— Está me chamando do louca? — Koala parecia cada vez mais brava comigo. Não entendo mulheres. Será que ela está de TPM ou algo do tipo? — pelo menos não sou eu que sujo tudo em alguns segundos! Huh!
Ela saiu pisando forte no chão.
Afinal, o que eu fiz?
(...)
N/A P.O.V
Koala estava com raiva. Ela o ajuda, e ele ainda a chama de louca? É por isso que não gosta de pessoas imaturas!
Ela murmurava coisa sem nexo com raiva, enquanto tomava um suco. Ela estava sentada na parte de trás do navio, onde quase ninguém ia. Considerava aquele lugar relaxante, talvez por conter uma atmosfera calma e pacífica, coisas que eram bem difíceis em sua vida.
— Koala-san? — perguntou uma voz infantil atrás de si. — o que faz aqui? — a pequena menina de cabelos pretos se sentou ao lado da mais velha, percebeu que ela parecia chateada com algo.
— Nada...
— Você não me engana. — informou a menina. — não sei o que aconteceu, mas eu tenho um palpite... Sabo. Acertei?
— ... — Koala suspirou, a assentiu. — hm... Eu não entendo. Eu o ajudo e ele fala coisas como aquelas...
— O que ele disse?
— Ele falou que eu estou doente!! Fala sério, eu? Doente? De onde ele tirou isso?! — do nada sua expressão mudou para uma mais raivosa.
— Ah, ele quis dizer que você é doente por limpeza? — Koala arregalou os olhos, como se perguntasse como ela sabia. — eu também já percebi. Não sei como ou porquê, mas toda vez que você fica nervosa ou envergonhada, você inconscientemente começa a limpar qualquer coisa que estiver ao seu redor. Também se incomoda um pouco mais que os outros sobre a sujeira ao seu redor. Eu li sobre isso em um livro. É bem comum isso se desenvolver em crianças, quando sofrem algum tipo de trauma que envolva sujeira ou limpeza.
Koala não disse nada, por isso Tora teve de olhar para o lado. Não dava para saber o que a mulher estava pensando, pois sua franja cobria seus olhos.
Mas o que Tora percebeu, é que de alguma maneira, falou algo que não deveria.
— Koala-san... — ela esticou a mão para chamar a atenção da mulher de cabelos castanho claro, mas antes que pudesse fazê-lo, a mesma virou para ela com um sorriso no rosto
— Isso é incrível, você é realmente muito inteligente, Tora-chan! Se continuar a estudar e ler livros difíceis assim, poderá se tornar alguém muito inteligente. — ela sorriu tão normalmente, que nem parecia estar mais triste.
— Então... — Tora continuou, estranhando a mudança de personalidade. — eu acho que, basicamente, o que o Sabo quis dizer foi isso. Por mais que ele diga de uma maneira super idiota.
Realmente, talvez a criança tivesse razão. Koala estava ali há apenas algumas semanas, e Tora, provavelmente, conhecia Sabo há anos. Ela entendia mais de como funciona a cabeça do loiro.
— Há quanto tempo você conhece o Sabo, Tora-chan? Você o conhece bastante.
— Hmm... Tem mais ou menos três anos...
Tora olhou para o céu, como se estivesse se lembrando de algo. Koala não se atreveu a perguntar como ela conheceu o loiro revolucionário. Se fossem lembranças ruins, talvez sem querer abrisse feridas que não devia. Mesmo ela própria tinha lembranças ruins, ruins e dolorosas... Coisas que de certa forma, todo revolucionário tem.
A mais velha se levantou, e estendeu a mão para a garota. Ela aceitou e assim de dirigiram ao deque do navio.
— Você realmente me ajudou hoje, Tora-chan. — Koala sorriu, se abaixando para ficar na altura da menina.
A moreninha corou, não sabia ligar muito bem com agradecimentos. Virou o rosto de canto, tentando disfarçar a vergonha.
— De nada... — disse ela.
As duas se olharam, e sorriram novamente.
— Você está vermelha. — ouviram uma voz atrás de Koala, e logo reconheceram de quem é: Rokka. Ele se aproximou de Tora, deixando Koala totalmente de lado. Colocou a mão na testa da criança, e suspirou. — que bom, não está com febre. — suspirou aliviado. Este pegou a bandeja que havia colocado no chão, e deu um drink que parecia delicioso para a menina. — trouxe pra você.
— Hmm... — Koala admirou, como se quisesse também. Rokka olhou de canto para ela, com um olhar ameaçador.
— Não tem pra você. — o rapaz cerrou o cenho.
— Êêhh... Mas tem outro drink aí com você. — ela apontou para o outro.
— É. Mas eu não vou te dar. Não gosto de você. — respondeu com a maior sinceridade do mundo, fazendo uma veia pulsar na testa de Koala.
— Rokka... Não haja assim com a Koala, por favor. Ela é minha amiga. — Tora puxou de leve a calça do rapaz.
— Tch! — Koala olhou com raiva para o homem dos olhos vermelhos. — não precisa pedir para esse daí ser mais educado, Tora-chan. Afinal, é equivalente a pedir pra um cachorro nunca latir. — debochou ela.
— O que? "Au au au"? É só isso que consigo entender. — Rokka fingiu estar ouvindo um cachorro latir.
— Engraçado — ironizou. — achei que cachorros sabiam falar a própria língua. Oh, é mesmo, eu provavelmente sou uma cadelinha de raça, não falo o mesmo idiota que vira-latas!
Tora sentiu uma tensão maior no ar, assim que os dois fuzilaram o olhar um pro outro.
— P-pessoal, por favor, não briguem... — pediu ela, fazendo os dois apenas virarem de lados opostos um pro outro.
— Você é realmente uma mulher irritante. — queixou-se. — Sabo está totalmente certo sobre você.
Isso sim chamou atenção de Koala. Sabo dizendo algo dela? E Rokka ainda por cima concorda? Daí com certeza não viria coisa boa.
— O que quis dizer com isso? — ela perguntou se aproximando do rapaz de cabelos negros. Ele logo sorriu, e respondeu:
— Ué, por que está perguntando isso para mim? Vá você mesma tirar suas próprias conclusões. Essa hora Hack e Sabo já devem estar conversando no escritório principal.
*
Sabo estava sentado na grande mesa do escritório, usada para debater com os revolucionários de cargo mais alto na hierarquia, que erá muito estimada entre os membros não só que estavam a bordo do navio, mas sim de todo o exército. Enfim, o jovem loiro estava organizando alguns papéis, e colocando-os na ordem certa. Estava mais concentrado agora que bebera uma xícara de chá.
— Sabo?
Ele olhou para porta e avistou Hack. Estava com uma toalha nos ombros e um pouco suado, provavelmente estava treinando no andar de baixo. Sabo acenou, convidando-o para se juntar à ele.
— Como vai, Hack? — perguntou o loiro, quebrando o contato dos lábios com a xícara.
— Bem... — murmurou Hack, olhando bem para a cara do amigo. — mas você não me parece bem.
— Ah... — suspirou, juntando as folhas num canto, e se virando para o tritão. — eu comentei com Rokka agora pouco, a Koala tem sido muito reclamona esses dias, ela...
Sabo começou a contar tudo que estava o incomodando esses dias, enquanto o amigo tritão ouviu atentamente a tudo que ele dizia. As vezes Hack perguntava uma coisa ou outra, mas era sempre Sabo que levava a conversa à diante.
— ...Sim, exatamente isso! — exclamou o rapaz sonhador. — ela é bruta, feia, chata, mandona, preguiçosa, dentre outros "adjetivos". Desde que a conheci, não sai da minha cabeça a possibilidade dela ter algum tipo de problema...
— Não fale assim, Sabo, coitada. Ela deve ter se esforçado para te aturar...
Cada uma daquelas palavras doeram como várias facadas no peito da jovem, que secretamente ouvia detalhe por detalhe cada coisa que o amigo dizia.
Não precisou ouvir mais nada. Na verdade, não conseguiu, logo saiu correndo dali, sem ninguém perceber.
Ele a odiava tanto assim?
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