The Best Job
7 Completo Idiota
Notas iniciais

Já era noite, estava um pouco frio por isso Koala resolveu preparar um chá. Talvez o gosto doce e quentinho do chá a fizesse pensar melhor sobre o que ouviu. Será que era mesmo real? Tudo bem, tinha ouvido com todas as palavras: "ela é bruta, feia, chata, mandona, preguiçosa, dentre outros "adjetivos". Desde que a conheci, não sai da minha cabeça a possibilidade dela ter algum tipo de problema..." mas ainda estava sendo difícil de aceitar.
— Ah... eu não entendo. — suspirou ela, depois de pôr a xícara na pia e se despir, indo em direção ao banheiro. Ela tocou na água da banheira que deixou enchendo, estava quente, do jeito que gostava. Adentrou na banheira sentindo sua pele se arrepiar.
Estava acostumada com o fato das pessoas não gostarem dela, ou a acharem feia e chata. Quando era escrava, todo dia alguém lhe ofendia, mas nem dava importância. Quando entrou pros revolucionários, não a tratavam como um lixo, foi bem melhor, ela estava se sentindo importante, valorizada, bem com tudo e com todos. Mas, claro, sempre havia outros membros do sexo feminino que tinham inveja de sua força e... sem querer se gabar, de sua beleza. Por isso, fofocas ruins sobre a mesma de vez em quando rondavam pelos codedores do QG por onde passou...
Então...
Por que?
Por que se importava tanto com o que Sabo acha dela?
Se fosse Rokka que tivesse dito isso dela, nem ligaria, apenas lhe daria o dedo do meio e estava tudo certo.
— Preciso de alguém pra conversar sobre isso... — murmurou em tom triste. Nessas horas seria perfeito ter uma irmã mais velha, que tem mais sabedoria sobre tudo, principalmente garotos.
Estava se sentindo confusa, muito confusa.
Talvez essa importância toda que dava para a opinião de fosse...
A-A...
Amizade?
Isso. Amizade.
Sabo tinha sido muito animado e um pouco gentil com ela, dizia até que ela era sua amiga. Koala se sentiu traída quando o viu falar aquilo dela pelas costas, como se ele tivesse mentido sobre tudo que disse até hoje. Em outras palavras, ele tinha sido falso.
— Cansei! Simplesmente cansei! — ela se levantou determinada, dando leves tapinhas no rosto. O que estava acontecendo com ela? Que negócio era esse? Nunca que iria ficar martelando na cabeça dúvidas que envolviam um homem!
A mesma se vestiu, e quando deu apenas um passo, ouviu a porta se abrir. Era o próprio. Aquele que durando o resto do dia tomou conta de seus pensamentos: seu superior, Sabo.
Ele olhou para ela com curiosidade, ela estava estranha, pode perceber isso só pelo seu rosto. Retirou as luvas que costumava usar e jogou na cama, assim, logo tratou de perguntar para a amiga:
— O que aconteceu, Koala? — ele deu alguns passos, e só parou quando chegou bem a sua frente. Sabo deu uma leve risada, e continuou: — sua cara tá estranha, quer imitar um Troll? — brincou.
Seu sangue ferveu. Koala esticou o braço, procurando na mesa qualquer coisa que lhe servisse de arma. Para a sorte de Koala e azar de Sabo, o que ela pegou foi o pequeno cacto que ganhara de Nina. Esfregou na bochecha do loiro com força, sem dó nem piedade.
— Você é um idiota!!
— ...ÊH?? — Sabo exclamou de olhos arregalados e levemente lacrimejando.
Ele parecia que realmente não tinha entendido, e isso a deixava cada vez com mais raiva.
— Do que você está falando, Koala? — a expressão do loiro era confusa. Ele a sacudiu um pouco, vendo que ela não respondia nada. — Koala?
Ela levantou o olhar, ela parecia estar com raiva, muita raiva.
— Nada que seja da sua conta! Estou de mau humor hoje, não pode? Me deixe em paz, Sabo-kun, eu quero dormir! — ela se deitou no meio da cama, se cobriu e ficou de costas para o superior.
Ele relaxou os músculos, percebendo que ela não estava bem, nada bem. Podia não parecer, mas ele sempre prestava bastante atenção em cada detalhe dela; um deles era que ela sempre deitava do lado direito da cama, enquanto ele ficava sempre do lado esquerdo. Porém, dessa vez, Koala se deitou no meio. Será que isso significava que não queria dormir com ele? Com certeza era isso.
Sabo tirou seu chapéu, depositando-o na cama um pouco longe da jovem, o mesmo fez com o casaco.
Não estava afim de cutucar a onça com uma vara curta. No dia seguinte ele iria conversar direito com ela. Por hora, iria apenas dormir no futom, coisa que não acontece desde que ela partiu.
Depois que ela percebeu que o jovem tinha tomado banho e deitado no futom, ela calmante puxou o chapéu e casaco do outro, que tinha deixado na cama. E assim dormiu, abraçada á suas vestes.
~No Dia Seguinte~
SABO P.O.V
Dessa vez, eu não acordei com a voz de Koala me chamando ou com um chute dela, eu acordei de livre e espontânea vontade, coisa bem rara de se acontecer. Me espreguicei enquanto me levantava, olhei para a cama; nada de Koala por ali.
Um barulho me chamou atenção... era barulho de chuva. Fazia um tempo que não chovia. As gotas eram grossas e fortes, e o mar se mexia mais por culpa disso. Era melhor eu subir e ver bem a situação, sou um dos principais navegadores daqui, afinal. Se a coisa piorasse e virasse uma tempestade, era bom estar preparado.
10:30 da manhã...
Que estranho, eu estou bem desperto esses tempos. Geralmente eu sempre ficava morrendo de sono e era um sacrifício pra me levantar e me vestir. O que será que está acontecendo? Será que é a novidade da Koala estar aqui que me dá mais vontade de acordar? Não... Isso não seria uma resposta plausível. Não entendo porque eu ando pensando tanto na Koala.
Onde será que ela está?
Deixei isso pra lá, tinha coisas para fazer...
Fiz minha higiene matinal, escovei os dentes, troquei de roupa e peguei o meu chapéu. Antes de subir pro convés, eu tinha que passar na cozinha e pedir o meu café. Acho que peguei essa mania do Dragon, porque ele também não consegue passar o dia sem ter tomado pelo menos uma xícara de café. Não sei explicar, acho que café se assemelha ao cigarro, ao meu ver.
Já na cozinha, assim que pus meu pé lá dentro e me perceberam os cozinheiros me cumprimentaram se curvando, afinal, eu ainda sou seu superior. Me curvei também, e logo depois procurei Rokka com os olhos. Ele é o responsável por preparar o café caprichado para as reuniões dos que estavam mais "em cima" na hierarquia revolucionária, que era muito respeitada e valorizada, para a ordem. Logo o avistei e me aproximei.
— O café tá pronto? — perguntei.
— Sim, aqui. — do nada ele tirou uma bandeja com uma xícara com café. — está bem forte, do jeito que gosta... — comentou desinteressado.
— Você está tão estranho hoje, Rokka. — eu olhei bem para o meu amigo, por que todo mundo andava tão estranho? Koala eu até entendia, acho que ela está com raiva porque ontem (segundo ela) eu a chamei de louca com problemas mentais. Mas acho que Rokka não tinha motivos pra ficar estranho...
— Eu sou sempre estranho. — respondeu com seu jeito de sempre.
— Você pode me falar. — insisti, Rokka não falaria as coisas pra mim facilmente, mas pareceu que ele tinha se rendido.
— Tora está com raiva de mim, e depois contou pra Nina porquê está com raiva de mim, e agora Nina também está com raiva de mim. — Rokka piscou uma par de vezes, como se estivesse abatido com aquilo. Devia estar mesmo, ele ama demais aquelas crianças. — elas estão com raiva de mim...
— Rokka, Rokka... — balancei a cabeça. — para aquelas duas pestinhas estarem com raiva de você, você só pode ter feito algo bem grave. Afinal, o que foi que você fez?
— Nada de mais... Isso é algo para ser explicado mais tarde, estou muito ocupado agora com os preparativos para o almoço. – me pareceu mais que na verdade Rokka não queria contar, mas não me sinto bem obrigando-o a falar, então não insisti.
Rokka nunca foi uma pessoa que me conta tudo que acontece com ele. Desde que fui àquele lugar e o conheci, percebi que os traumas o faziam se tornar uma pessoa mais fechada. O bom, é que pouco a pouco ele foi ganhando mais confiança, e agora está bem melhor que antes.
— Eu ainda vou cobrar essa conversa. — avisei, já que ele disse que não era para ser explicado "agora". Mais tarde já é outra hora né hehe.
— Faça como quiser. — respondeu com seu jeito de sempre, logo voltando ao trabalho.
Falando em trabalho, tenho que ir logo para o convés.
(...)
N/A P.O.V
— Ele é um idiota, idiota, idiota, idiota! koibito-chan! — gritava Nina balançando os braços freneticamente.
Koala olhou com os olhos queimando de raiva.
— Sim, sim, ele é um idiota! — concordou no mesmo gritando e balançando os braços.
— M-Meninas... Vamos resolver isso de forma calma... — Tora tentava acalmar as duas, que estavam histérica.
Ambas as três estavam na cabine de Tora e Nina; depois de acordar e se trocar, Koala foi procurar pelas duas pequenas amiguinhas, assim que chegou elas tinham acabado de acordar. Logo, foram ouvir o que Koala tinha para dizer, sendo que Tora já imaginava que algo de ruim iria acontecer depois que Rokka disse aquilo. Quando Rokka insinua as coisas, nada nunca sai bem... Sabia bem disso. Depois que soube o que Koala ouviu, teve certeza que seu pressentimento ruim era certo.
— Koala-san, beba um pouco de Sukla... — Tora entregou um copo para a mais velha com um líquido marrom.
— Heh? Aquele achocolatado caro famoso entre as crianças? — estranhou ela.
— Hum. — confirmou a jovem Nina. — o Rokka sempre separa vários pacotes de Sukla e leite pra gente, porque ele sabe que eu adoro. — explicou ela fazendo um biquinho, claramente com o rancor do jovem cozinheiro. — ele gelado é um bom calmante. — sorriu.
Koala olhou, logo depois dando várias goladas e por fim, suspirando. Não é que funcionava mesmo?
Agora que se acalmou, ela começou a perceber melhor o local. Era um quarto simples, mais simples que o seu e de Sabo. Tinha um cama grande de casal, caberia perfeitamente 3 crianças ali. Uma geladeira pequena e armários de comida e de roupas.
— Koala-san, você está com raiva disso, não está? — Tora indagou com seu jeito maduro de sempre.
— Estou queimando de raiva! — afirmou.
— Antes de resolvermos isso calmamente... que tal liberar essa raiva?
Isso soou num tom sugestivo, que chamou atenção da praticante de karatê do tritão.
(...)
Assim que Sabo finalmente chegou ao convés, a primeira coisa que fizera fora olhar para o céu. Não estava chovendo, parecia que tinha dado uma trégua, mas seu sexto sentido dizia logo voltaria. Alguns tripulantes limpavam o chão e avisavam uns aos outros para tomarem cuidado para não escorregarem.
Me aproximei de uns dos navegadores do navio, Tamura.
— Como está o curso da rota? Tudo certo? — indagou Sabo olhando para o vasto mar.
— Bom dia, Sabo-san! Sim, apesar da chuva ter interferido um pouco no curso continuamos seguimos para o mesmo lugar. — respondeu o jovem de cabelos verdes e óculos vermelho. — Rokka-san disse que precisa reabastecer pois com o suprimento atual só irá durar no máximo 2 semanas... — comentou.
— Mas pelo o que ouvi na reunião vamos chegar numa ilha amanhã ou depois de amanhã. — respondeu bocejando, aparentemente com sono.
— Sim, e vamos. Mas será rápido, apenas o tempo de comprarmos tudo de nescessário e seguirmos para o quartel general principal. — afirmou.
— Heh... — o loiro fez uma careta, já imaginando o que viria. — m-mas e o Dragon?
— Pelo o que me contaram, Dragon-san disse que irá aparecer no navio 1, aqui, ainda hoje... Eu acho que ele vai chegar de noite.
Sabo olhou de modo estranho para Tamura, ele sempre era tão tenso e sempre se sente tão inferior comparados aos outros, era difícil ele se expressar tão despreocupadamente. Principalmente com o segundo em comando. Percebendo seu erro, voltou a ficar tenso:
— P-Perdão! E-Eu suponho que Dragon-san irá chegar hoje, senhor!
O loiro suspirou, uma pouco incomodado pelo subordinado o tratar como trata Dragon, e de certa forma também aliviado. Finalmente teria um descanso, a carga que recebia quando Dragon saia era muito grande, ele ficava exausto. Até massageou os próprios ombros, que doíam um pouco.
"Nee nee, me parece que seus ombros estão doendo... Se você pedir com educação... acho que posso fazer uma massagem em você! hihihi."
Ele se arrepiou por completo. Olhou para todos os lados achando que a voz de garotinha que ouvira era de Tora ou Nina, mas não tinha nem um sinal das duas por ali. De uns tempos pra cá, essa voz de vez em quando vem ecoando em sua mente. Não ligava muito pra isso, até porque, era só uma voz. Isso, era o que ele pensava...
— OE!!!!
Sabo ouviu um grito feminino, seus instintos lhe diziam que a pessoa se aproximava correndo. Antes de ter tempo de virar completamente para trás para ver quem era, teve que se abaixar para desviar do chute que a pessoa daria. Assim que se levantou assustado, pode ver claramente quem era...
— EU TE DESAFIO PARA UMA LUTA, SABO, O SEGUNDO EM COMANDO!!!— gritou esta com determinação no olhar.
... e a pessoa que o desafiara era justamente aquela que lhe tomava os pensamentos. Sua parceira de equipe, sua colega de quarto, e sua melhor amiga; Koala.
Fale com o autor