The Best Job
30 O fim do começo

Koala chorava. Chorava porque estava triste, estava frustrada, e, apesar de, em seus pensamentos, dizer que estava certa, seu coração afirmava fielmente que naquela situação ela estava errada. Fazia anos que era uma revolucionária, e nem mesmo uma única vez passara um dia inteiro sem trabalhar, mas fora o que fizera pela primeira vez em sua vida. Se sentia péssima.
Será que era assim que Padomi havia se sentido uns dias atrás? Pois, assim como a garota meio mink, Koala não estava se preocupando nem um pouco com a aparência aquele dia. Não dormia direito, suas olheiras estavam enormes, seu cabelo desgranhado e usava um pijama que manchara durante a refeição anterior – um cachorro quente.
Ouviu batidas à porta, e ignorou. O quarto estava escuro e estava coberta debaixo de um monte de edredons, mesmo que alguém abrisse a porta, não veria seu estado lamentável tão facilmente. Provavelmente, pensou, era alguma das crianças procurando por ela, assim como já fizeram anteriormente, quando se juntaram para visitá-la e questionar sobre o motivo de tamanha tristeza.
— Com licença? — ela ouviu alguém chamar. Como sua cabeça também estava coberta, não deu pra ouvir bem a voz, sendo uma tarefa difícil distinguir o dono dela.
— Vai embora… — Koala murmurou pra si mesma, com bastante impaciência na voz.
Por alguns segundos, achou que suas preces tinham sido ouvidas e quem quer que tivesse tentando vê-la acabou por desistir, mas ao ouvir a maçaneta girar e o ranger da porta, percebeu que o indivíduo estava entrando no quarto.
— Vazio? Mas que estranho… — a pessoa estranhou, e logo percebeu que se tratava de uma voz feminina – e bem sensual, diga-se de passagem. — que nunca ouvira antes. — Oh… — ela pareceu ter visto algo curioso.
Passou-se pela cabeça de Koala que, provavelmente, a mulher reparara que havia alguém deitado na cama debaixo de todo aquele amontoado, e viu-se sem saída: teria que colocar a cabeça para fora e confrontar quem quer que fosse a moça em seu quarto.
— Quem é que tá…! — Koala se sentou na cama olhando feio para a pessoa, e se surpreendeu ao ver que a mulher estava muito perto dela, de pé ao lado da cama. Era surpreendente, nem sequer ouvira os barulhos de seus passos! No susto, vacilou pra trás, batendo a cabeça de leve na parede. — ai! — reclamou no susto, massageando a cabeça.
— Ara, me desculpe se a assustei, está tudo bem? — a mulher indagou com preocupação na voz, se aproximando do rosto de Koala.
Ao parar para analisar bem o rosto dela, percebeu que ela era uma das mulheres mais lindas que já vira em toda a sua vida. Nunca teve nenhum interesse romântico sobre uma mulher, mas sabia, de alguma forma, que aquela moça em especial era uma dama muito sensual. Seus cabelos não eram longos, tinham tamanho médio, liso e pretos, cortados como uma franja reta em seu rosto. Seus olhos, principalmente, eram o que mais chamava a atenção em sua aparência: levemente esverdiados no centro, com as bordas das pupilas puxadas para o azul, além de um nariz fino e longo que, de alguma forma, apenas aumentava seu charme.
— Quem… É você? — Koala não resistiu em perguntou, cerrando o cenho.
— Perdoe minha indelicadeza, deveria ter me apresentado logo. — ela se desculpou. — eu me chamo Nico Robin, e serei sua colega de quarto a partir de hoje.
(…)
— Não vai querer café? — Rokka perguntou com um tom de estranheza, mirando o loiro. Conhecia-o tempo suficiente para saber que aquela hora do dia, em especial, o conselheiro nunca recusava um bom café.
— Tem sakê? — o outro indagou repentinamente, com desânimo.
— Até tem, mas ainda é cedo para ingerir álcool.
— Tem razão.
Rokka e Sabo estavam sentados em uma das mesas da sala de jantar do quartel-general. Apesar de não estar presente no momento, o cozinheiro chefe já sabia das memórias reaparecidas de Sabo e sobre a briga com a parceira. — podiam ser revolucionários, mas assim como no resto do mundo, as fofocas rolam. -
— Onde está aquela mulher? — o moreno questionou como se não soubesse de nada, levando a xícara de chá até os lábios. Sabo, que até então encarava a batente da mesa, olhou-o e respondeu.
— Eu sei que você já sabe do que aconteceu, não precisa fingir. — recostou-se na cadeira. — desde ontem não paro de pensar em tudo o que aconteceu. Estava tudo bem, numa calma, e, de repente… — fez uma pausa por uns segundos. — tudo mudou.
— Se arrependeu de ter terminado com ela?
— Por que diz isso? — perguntou desconfiado.
— Você não me parece muito seguro. — deu ombros. — não que seja da minha conta.
Aquele era o jeito de Rokka de mostrar que se preocupava. Por mais que fosse duro, rígido e frio com a maioria das pessoas, o cozinheiro sequer uma vez tratou o loiro assim, sempre respeitando-o como pessoa e como amigo acima de tudo. No início, quando tinha 15 e o outro 18, estranhava que agisse assim apenas com elr, mas com o passar do tempo foi se dando conta que o Naruya considerava-o como uma espécie de “salvador”, já que ajudou-o a tirá-lo da vida de escravo e deu todo o apoio para se recuperar na vida.
Não que ele fizesse questão daquilo. — ajudava os outros porque queria, não porque almejava gratidão ou reconhecimento alheio, mas tinha que admitir que gostava daquilo por ganhar um grande amigo de alta confiança. Tanto Liam quanto Hack, ainda que fossem seus amigos, tinha idades muito longes da dele, sendo o ex-escravo o mais aproximado.
— Não em arrependo. — respondeu com convicção. — e não pretendo voltar atrás.
Rokka apenas assentiu, por mais que não estivesse totalmente convencido daquilo.
(…)
— Sinto muito não ter avisado antes, com o fim da guerra todos estivemos mais ocupados que o normal, não tive tempo nem pra respirar! — Tamura sumia em meio às pilhas e pilhas de papéis que organizada na sala de documentos. — pode me passar aquelas pastas ali, por favor? — Koala pôde ver apenas o braço dele apontando para pastas numa mesa.
— Tamura-kun, eu não quero dividir quarto. — reclamou enquanto entregava. — agora tudo o que eu mais quero é… Ficar um pouco sozinha… — murmurou, mas alto o suficiente para que o rapaz de cabelos verdes pudesse ouvir.
Tamura suspirou, aparecendo e olhando-a com empatia.
— Koala-san, eu lhe respeito muito, mas… — ele hesitou continuar. — não acha que está sendo imatura? Nico Robin-san foi chamada pelo próprio Dragon-san, não pode simplesmente querer expulsá-la do quarto. Além de tudo, o quarto é grande o suficiente pra vocês duas, e a senhorita sempre soube que a qualquer momento alguém poderia se tornar sua colega de quarto.
Ela calou-se. Sabia que tudo o que o ajudante dissera era verdade, e sentia-se como uma adolescente de novo depois de ouvir suas palavras.
— Eu… — ela tentou pensar em algo para dizer, mas nada parecia-lhe apropriado. — tem razão. Me desculpe. — lamentou-se abaixando a cabeça, o que deixou o esverdiado extremamente envergonhado.
— N-N-Não precisa se desculpar! Eu que me desculpo! Não devia ter sido tão indelicado! — ele mexeu os braços freneticamente, morrendo de vergonha, e acabou acidentalmente derrubando uma imensa pilha de papéis em sua esquerda, espalhando-os no chão. — Oh! Eu pego!
— Eu ajudo. — a professora abaixou-se, pegando os papéis.
— Não precisa se incomodar, eu já estou acostumado com isso. — Tamura disse educadamente, abaixando-se também.
— Acostumado a derrubar papel ou acostumado a catar papel? — perguntou divertida.
— Os dois, um é consequência do outro, afinal. — ele riu, fazendo Koala dar uma leve gargalhada.
De repente Tamura percebeu que havia alguém na porta, e, quando olhou, percebeu que era Sabo com uma cara de poucos amigos. Já vira o conselheiro sério antes, mas com aquela expressão na direção deles era a primeira vez. Koala estava de costas para a porta, ainda com um sorriso no rosto pela brincadeira, logo, não notou a presença do conselheiro ali.
— Ahn… O-O que deseja, Sabo-san? — Tamura indagou nervoso, ajeitando os óculos e se levantando com alguns papéis na mão.
Ao ouvir o nome do companheiro, Koala ficou séria e se levantou, sem virar para trás.
— Estou atrapalhando a conversa dos dois? — o loiro ironizou.
— De forma alguma, Koala-san estava apenas me ajudando com os papéis que caíram. — explicou-se. — quer ajuda com algo?
— Robin-san precisava que alguém lhe mostrasse a sala de documentos porque precisa de algo, então eu me voluntariei. — Sabo deu um passo para o lado, dando espaço para a Nico adentrar na sala. — imagino que já tenham sido apresentados.
— Fomos sim, venha cá e me diga o que precisa. — Tamura e Robin foram para outro canto da sala depois de um breve saudação.
Lentamente, e de cabeça abaixada, Koala virou-se de costas, ficando de frente para o conselheiro. Seu coração batia tão forte que parecia que sairia pela boca, e temia que ele percebesse sua situação pelo levantar incomum de seu peito a cada instante.
Não conseguia ver o rosto de Sabo, mas ela sentia que ele a encarava fixamente.
— Quando vai voltar ao trabalho? — indagou ríspido, cruzando os braços.
— Amanhã.
— Hm.
Novamente o silêncio.
— Já conversou com sua nova colega de quarto? — ele perguntou.
— Quase nada.
— Óbvio, aqui com o Tamura você está se divertindo muito mais. — ele ironizou, fazendo uma raiva instantânea crescer dentro dela.
— Você acha que… — ela cerrou os punhos. — você acha que tem esse direito? O direito de me impedir de dar uma risada? Quer me deixar pra baixo e depois ficar vislumbrando minha tristeza? Me desculpe, sr. Conselheiro, mas eu não sou esse tipo de pessoa! — ela explodiu, saindo do cômodo pisando forte.
Sabo arregalara os olhos, e, no instinto, esticou o braço para fazê-la parar, mas nem chegou perto de tocá-la, recolhendo o braço de volta. Ainda estava com raiva, – tanto pela mentira quanto por vê-la rindo com outro homem. — mas ainda assim sentira que tinha exagerado. De fato, ele não tinha o direito de privá-la de conversar com ninguém. Se sentiu um babaca.
E Robin não pôde deixar de notar aquilo.
(…)
— Posso entrar? — Robin perguntou após dar três batidas na porta e não ouvir resposta alguma, por mais que soubesse que Koala estava lá dentro.
— Pode entrar. — respondeu a voz da moça, desanimada.
Já estava de noite, o dia passara voando para todos – com exceção de Koala, que se trancara no quarto pelo resto do dia sem nada para fazer. Como era tola, pensou, deveria pelo menos ter levado algum livro de tragédia para se afogar ainda mais na própria tristeza enquanto permanecia confortavelmente enrolada entre as cobertas.
E, para piorar, estava morrendo de forme, e logo pôde sentir uma maior salivação ao ver a nova colega de quarto adentrar com uma bandeja com um lanche completo: um sanduíche caprichado, algumas uvinhas e um suco natural que, se não estivesse enganada, só poderia ser de laranja.
— Você quer? — a morena perguntou gentilmente, indo na direção da outra.
— Não, obrigada. — respondeu curta e grossa, virando a cara.
— Tem certeza? O cozinheiro do meu bando sempre diz que é necessário para o bem-estar de um ser humano se saciar de três em três horas, principalmente se se tratar de uma dama. E, até onde me informado, você não saiu para comer hoje sequer uma vez.
Não havia ido com a cara de Nico Robin no início. — a achara bonita, claro, mas beleza não isentava ninguém de ser desgostado. — No entanto, tinha que admitir que fora bem legal da parte dela se preocupar com seu estado de saúde, ainda mais porque, realmente, estava faminta.
— Se é assim… Tudo bem, vou aceitar. — assentiu um tanto envergonhada, pegando a badeja e colocando no próprio colo, rapidamente começando a comer.
Enquanto saboreava seu sanduíche, percebera que a mulher encarava um dos guarda-roupas do quarto, pensativa. A ação deixou Koala intrigada.
— O que foi? — indagou.
— Gostaria de tomar um banho, mas não tenho roupas a ser não estas que estou vestindo. — sorriu desanimada. — muitas coisas aconteceram, e estou sem nada no momento.
— Pode ir tomar banho, se quiser, eu te empresto uma muda de roupa.
— Sério?
— Sim, vai lá. — a professora deu ombros. — Enquanto isso eu solicito roupas novas pra você, devem chegar amanhã de manhã.
Depois de tomar um belo banho, de trocar de roupas e de, finalmente, sentar-se numa cama bem confortável, Robin começou a analisar melhor a nova colega de quarto. Ela era, de todos os ângulos, bem bonita. Suas curvas eram bem definidas, o cabelo castanho era puxado para o laranja, e seus olhos eram azulados bem redondos, lembrando até mesmo um coala de verdade – talvez fosse até por isso que os pais a tivessem batizado com o nome incomum.
— Em pouco tempo eu vou sair deste quarto. — Robin iniciou o assunto repentinamente, fazendo Koala se assustar. — sei que a incomodo.
— Não me incomodo, não. — Koala sorriu de lado, tristemente. Suas cobertas já não estavam mais em seu colo, e, encarando o nada, a moça com nome de animal abraçou as próprias pernas, sentada na cama. — eu estava incomodada comigo mesma, e tentei me convencer de que essa novidade era o problema.
— Então realmente não estou incomodando?
— Não. — garantiu mais uma vez. — quem está me incomodando é o Sabo-kun… — murmurou para si mesma, mas não esperava que a morena escutasse.
— Se me permite perguntar, ele fez algo muito ruim? Percebi um clima bem pesado entre vocês dois.
Koala suspirou. Deveria cortar o papo ali e mudar de assunto, até porque, não fazia nem vinte e quatro horas que conhecera Nico Robin. Porém, por mais que soubesse daquilo, se viu com uma vontade enorme de se abrir com a mais velha. Não sabia ao certo o porquê; talvez fosse pelo ar de sabedoria ou até pela expressão doce e compreensiva que ela lhe direcionava. A única coisa que realmente sabia é que precisava desabafar.
Passaram-se alguns segundos de silêncio, até que os lábios de Koala começaram a tremer, juntamente às lágrimas, que começaram a descer de seu rosto.
— Ele não fez nada. — disse com a voz embargada. — eu que fiz. Eu menti e omiti dele coisas muito importantes, mesmo que ele confiasse em mim como ninguém. E agora eu o perdi… Perdi sua companhia, seu companheirismo… — ela fungou, tentando secar as lágrimas, em vão. — seu amor…
— Vocês brigaram? — a outra indagou se levantando e se sentando na cama de Koala, de frente para ela.
— Sim. Foi a nossa pior briga, porque antes, ele discutia com raiva, e dessa vez, ele foi tão frio… — desviou o olhar da arqueóloga e passou a mirar o colchão.
— Koala, não é? — confirmou o nome da outra, que assentiu. — eu acho que o Sabo se sentiu traído por você. Pelo que me contaram, ele perdeu a memória, teve uma série de complicações e, para encurtar, descobriu que todos sabiam mais de sua vida do que ele mesmo. — por um momento, Koala se perguntou da onde ela havia tirado todas aquelas informações. — mas você, sempre foi especial para ele. As outras pessoas são as outras pessoas, elas machucam, elas mentem, elas escondem… Eu entendo bem isso, mas aqueles que são próximos a nós, aqueles que amamos, quando nos ferem, demora muito mais a cicatrizar.
Não conseguiu entender onde Robin queria chegar com aquilo. Entendera o lado de Sabo, mas não estava se sentindo nem um pouco melhor.
— Pelo que me disseram, além de tudo, Sabo perdeu um irmão. Ele está triste, decepcionado, talvez até sem rumo. Ele esperava se apoiar na melhor amiga, e quando se entristeceu com você, se tornou um pouco mais ranzinza que o normal.
— Eu percebi. — foi a única coisa que conseguiu dizer.
— Mas isso não quer dizer que você tem que se trancar dentro de um quarto e esperar que a relação de antes de você caia do céu. Antes de tudo, ele é seu melhor amigo, não é? Aposto que tiveram muitos outros momentos legais antes de começarem a gostar um do outro, e aposto que tudo era muito mais simples e divertido. Mesmo que ele não queira mais ser seu namorado, amante ou qualquer outra coisa do tipo, você é a melhor amiga dele. Você tem que estar com ele nesse momento, ajudando-o no trabalho e aconselhando-o quando precisar. — Robin segurou as duas mãos de Koala, olhando-a profundamente nos olhos. — se você realmente o ama, cuide dele. Esse não é o seu trabalho?
Os olhos de Koala se iluminaram. Era aquilo que ela estava precisando: de alguém que lhe aconselhasse, e que agisse como uma irmã mais velha.
Seu trabalho… De fato, aquele era o trabalho que o próprio Dragon-san lhe indicara, não era hora para chorar e ficar se lamentando sobre um coração partido. Robin tinha toda a razão.
— Robin-san… Obrigada. – Koala sorria, ainda com as lágrimas anteriores nos olhos.
— Nao precisa agradecer. — respondeu gentilmente.
— Se você quiser, gostaria de ouvir mais sobre o seu bando. Como eles são?
Ambas sorriram, e seguiram conversando a noite inteira.
(…)
Sabo sentia sua cabeça latejar. Acordara diversas vezes durante a madrugada, onde sonhava sempre a mesma coisa: tudo de ruim que lhe acontecera durante aquele curto período de tempo. Sonhava com o dia que descobrira a morte do irmão, sonhava com a conversa que tivera com Liam e, principalmente, sonhava com o dia de seu “rompimento” com Koala.
Eles nunca chegaram a, de fato, namorar, e se sentiu extremamente grato por isso, afinal, tornara as coisas mais fáceis. Seria duro, principalmente para ele, se entregar para alguém em uma relação e logo ter que interrompê-la.
Já se passara mais de dez minutos que acordara, e se manteve na mesma posição, de olhos fechados, na esperança de voltar a dormir. Sabia que já estava tarde, mas, como antes mencionado, aquela noite fora péssima, e tudo o que queria era compensar os intervalos acordado durante a madruga.
— Meias, meias… Achei. — ouviu uma voz feminina dentro do quarto, então abriu os olhos de supetão.
Num rápido movimento, ele se sentou na cama, procurando pela doce feminina que o despertara.
— Ah, finalmente você acordou, hein!
O loiro ficou confuso ao ver que se tratava de Koala ali. Ela nem olhava em sua cara direito no dia anterior, o que fazia ali no quarto dele àquela hora da manhã?
— Koala? — ele precisou confirmar, já que talvez fosse efeito do sono. Não estava cem por cento acordado ainda.
— Claro que sou eu, né! — a moça respondeu como se fosse óbvio, colocando as mãos na cintura. — já está tarde, você já deveria estar pronto para a reunião das onze! Anda, estique os braços. — ela dizia com uma camisa social branca nas mãos, tentando vesti-lo. Ainda meio confuso, ele obedeceu.
Logo em seguida, ela penteou seus cabelos depois que ele próprio vestiu a calça e calçou as botas. Estava com saudade daquilo, adorava quando Koala mexia com seu cabelo. Enquanto ela dobrava alguns lençóis de sua cama, ele escovava os dentes, pensativo. Ela estava normal, como sempre fora antes. Será que estava ficando louco? Será que a discussão que tivera com ela fosse apenas fruto de sua imaginação? Ou, até, um simples pesadelo ruim?
Porém, depois de passar mais que o tempo necessário cuidando a higiene bocal, percebeu que não havia sido um sonho. Tinha certeza que eles ainda estavam brigados.
— Aqui está seu chapéu. — ela depositou-o em sua cabeça com um pouco de dificuldade, já que dessa vez Sabo não fez menção nenhuma de se curvar.
— Koala...-
— Vamos, temos que tomar café bem rápido para não atrasar. — ela o interrompeu, passando pela porta do quarto e seguindo para o corredor.
— Koala…! — ele insistiu enquanto a seguia, mas ela não parava de falar.
— Acho que o ideal é comer coisas leves… Vai que, enquanto fala, você arrota! Seria o maior vexame!
— Koala! — ele esbravejou repentinamente, puxando-a pelo braço e fazendo-a ficar cara a cara com ele.
Ela não agiu como ele imaginou que agiria. Pensou que ela ficaria envergonhada, que iria corar e ficar levemente irritada por puxá-la daquele jeito à força, Mas, muito pelo contrário. Ela continuou com a mesma expressão de sempre, com um pingo de dúvida no olhar.
— O que foi? — ela perguntou.
— Eu…! — pensou duas vezes antes de continuar. Estava sério como nunca antes. — eu não vou namorar com você, se é o que está tentando fazer. Você não vai conseguir forçar isso.
Mais uma vez, contrariando tudo o que ele pensava saber sobre ela, Koala sorriu. Mas não era um sorriso forçado ou um pequeno sorriso triste: era seu sorriso normal, aquele que dava todas as manhãs grata por apenas estar viva e lutando pela causa da sua vida. Era o sorriso que ela lhe dirigia todas as manhãs, quando acordavam na mesma cama.
Percebeu que estava com saudade daquele sorriso.
— Eu sei. Nós não vamos namorar. — ela continuava sorrindo, pôde perceber como doía ouvir aquelas palavras. — Nós nunca vamos namorar, não se preocupe. — ela se soltava dele aos poucos, afinal, estava tão perplexo que sua força se esvaiu.
— C-Como assim?
— Temos que nos concentrar no que é mais importante pra nós dois: o exército revolucionário. E eu, principalmente, tenho que me concentrar no meu trabalho, que é te auxiliar. Por isso, nós não vamos namorar nunca. — ela deu ombros, como se falasse sobre um assunto qualquer. — não era isso que você queria?
Não, não era, mas ele também não queria o oposto disso. Sabo não sabia nem o que ele mesmo queria.
Aos poucos, sua cara de surpreso foi se tornando mais séria novamente e, sem dizer uma única palavra, ele assentiu, concordando automaticamente com tudo o que a parceira dissera.
— Então, vamos voltar ao trabalho. — Koala virou-se, voltando a andar e tagarelar sobre o café da manhã.
O conselheiro pensou, durante o dia inteiro que se seguiu, que aquilo seria momentâneo. Que ela mudaria de ideia, se jogaria nos braços dele e juraria amor a ele durante sua vida inteira.
Mas ela não o fez.
Pelo contrário, a relação dos dois continuou assim por mais de dois anos.
Tempo suficiente para um homem como Sabo perceber que aquele, era, de fato…
O fim.
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