The Best Job
31 Marca eterna

Se arrependimento matasse, definitivamente, eu estaria morto. Mas não seria aquela morte súbita, quando se tem um infarto, leva um tiro ou até mesmo quando se é surpreendido por um bandido que te dá uma facada. Não: a minha morte seria gradual, me fazendo definhar aos poucos em uma cama de hospital, e me faria pensar sobre tudo na minha vida que eu ainda não tinha completado.
“Viva uma vida sem arrependimentos”. Esse parece o tipo de coisa que o Ace diria, e até concordo, mas já é tarde demais pra mim viver seguindo esses ideais. Passei esses dois anos e meio vivendo cada vez mais com lamentações dentro de mim, pensando se um dia eu conseguiria fazer tudo voltar a ser como antes.
Muitas coisas mudaram nesses dois anos em que voltei a me tornar apenas um companheiro missões de Koala. Nico Robin se juntou ao grupo e, durante os dois anos, ela, Koala, Hack e eu fomos em várias missões juntos, passando por várias situações perigosas. Não foram momentos ruins, pelo contrário, graças à arqueóloga do bando do meu irmão conseguimos nos tornar mais fortes e dia após dia aprendemos mais sobre espionagem, que é uma parte importante do que fazemos.
Padomi e Rokka não fizeram as pazes. Eu jurava que quando ela voltasse, ele acabaria cedendo e a relação deles melhoraria, mas não foi o que aconteceu. Rokka nunca chegou a ignorá-la, mas a todo momento a tratava como apenas uma colega de trabalho. E, já Padomi, cada vez menos ficava no Quartel General, sempre procurando por uma missão longa onde pudesse ficar bastante tempo fora.
Em consequência, ela quase não se encontrava mais com as crianças. Isso não foi muito vantajoso quando a Marinha descobriu nosso esconderijo em Baltigo, e tivemos que nos concentrar em fugir, sobreviver e ainda garantir a sobrevivência de seis crianças entre seis e doze anos. Rokka, Koala, Hack e eu tentamos ao máximo protegê-los, mas ainda assim eles se machucaram bastante no processo. Foram tempos terríveis.
Mas felizmente agora eles estão bem, e não perdemos nenhum deles. Marion, com seis anos, está se tornando cada vez mais um atirador esplêndido, por mais que ainda não fale mais de duas palavras. Nina e Tora, com seis e nove anos, treinam arduamente todos os dias, sendo as melhores alunas de karatê do tritão, e os maiores orgulhos de Koala como professora. Rock, por outro lado, tem se mostrado bastante inteligente, desenvolvendo câmeras e utensílios de espionagem. Inazuma, o professor deles, ficou muito impressionado com a capacidade dele. Nem eu mesmo esperava. Shin e Aurora, por outro lado, destacaram-se mais nas lições de como usar uma katana. Temo pelos adversários quando essa dupla ficar mais velha.
E, por fim, Koala. Ela não mudou muito nesses últimos dois anos. Continuou gentil, chorona, maníaca por limpeza e a melhor amiga que alguém poderia querer. Seria perfeito, se eu quisesse apenas isso.
— Sabo-kun?
N/A P.O.V
Foi apenas ao vê-la se virar que Sabo quase caiu para trás. Anotou mentalmente que, definitivamente, tinha que parar de ficar admirando a amiga treinar, pois sempre acabava do mesmo jeito: ela sua, retira a parte superior de seu kimono para se sentir mais fresca e revela seu corpo esbelto tapado apenas por um top esportivo, que não esconde muita coisa. Ele não era um pervertido, – ora, talvez apenas um pouco, lá no fundo. — mas era impossível não se sentir atraído por uma mulher tão linda quanto ela.
— Viajando de novo? — ela caçoou, enquanto pegava uma garrafa de água no chão e abria, dando algumas goladas. Ele apenas deu ombros. — esse lugar é tão quente… É difícil treinar nessas condições. — ela limpou o suor da bochecha com a testa da mão.
— Mesmo em Baltigo, a academia era quente no verão. — Sabo observou.
— É, mas estou certa de que aqui é mais quente.
“ Graças a Deus por isso”, o loiro não pôde evitar de pensar.
Após passar um tempo na Ilha Momoiro, o exército revolucionário finalmente achou uma boa nova base bem escondida. Mas que, infelizmente, não era tão confortável quanto Baltigo — que tinha um QG subsolo — fazendo com que qualquer atividade de treino tenha que ser feita ao ar livre, debaixo do sol.
— Conseguiu terminar de ler o relatório da suspeita sobre a ilha Applefield? — Koala indagou esfregando a toalha na cabeça, enquanto os dois andavam de volta para a base.
— Sim, mas fiquei com tanto sono que nem lembro de ter assinado. — Sabo esticava os braços. — não era nem meia-noite ainda! Deve ser você me contaminando a dormir com as galinhas, Srta. Dormecedo. — provocou.
— Um dia produtivo começa com uma manhã produtiva, e pra isso é preciso dormir cedo. — ela fez um bico, fingindo um ar superior. — tenho certeza de que faço muito mais tarefas durante o dia do que você.
— Quantidade não é qualidade. — rebateu, sorrindo sarcástico.
— No meu caso, é quantidade e qualidade. — frisou.
— Já estão discutindo de novo? — uma nova voz foi ouvida, então Sabo e Koala olharam para frente.
Se tratava de ninguém mais, ninguém menos Emporio Ivankov, a rainha das Okamas que realizou uma fuga fenomenal junto de Luffy do Chapéu do Palha, retornando ao seu posto no exército revolucionário logo em seguida.
— Não estamos discutindo, estamos debatendo. — Sabo sorriu provocativo para Koala, que retribuiu, e logo os dois começaram a rir, deixando Ivankov confuso.
— Não é atoa que são um casal perfeito, sempre com suas próprias formas de linguagem. — interpôs animado. — quando pretende pedi-la em casamento, hein? Hein? — cutucou Sabo com o cotovelo, dando uma enorme piscadela.
— Pare de brincar, Iva-san. — Koala bufou, revirando os olhos, claramente incomodada com a situação. De repente, ela acenou em despedida. — até mais tarde, vou tomar meu banho.
O corpo de Sabo relaxou no momento em que ela saiu, seguido de um suspiro e um triste sorriso. Sentia saudades da época em que qualquer coisa deixava a parceira corada, e suas investidas eram sempre bem-sucedidas. E, por mais que nem tentasse provocá-la, quando terceiros o faziam por ele, nunca que a professora tinha uma atitude tão cortante como era no presente.
— Deve ser duro gostar dela. — Ivan colocou a mão no ombro de Sabo, em compaixão.
— É, sim. — o loiro assentiu ainda encarando o caminho que ela pegara. Não adiantava mentir para o Emporio: ele sempre sabia quando havia alguém apaixonado.
— Por que você não se banha junto com ela?
— Realmente, porque eu não… O QUE?! — vociferou após raciocinar sobre a frase.
— Tem um lago não muito longe daqui, na direção Oeste, se não me engano. As crianças sempre vão lá, mas hoje Inazuma tratou de mantê-los ocupados com muitas lições, então eles não vão interrompê-los. — Sabo ficou pasmo com a coincidência. Ivankov planejara aquilo, só podia ser. — por que não aproveita a oportunidade e vai lá com ela? Está na hora de entrar em ação, garoto!
Sabo pensou bem. Era verdade que tinha coisas para resolver, mas não estava tão ocupado assim. Será que Koala aceitaria? Apesar de não terem nenhum relacionamento romântico, ela ainda agia como uma amiga, e uma amiga não veria problemas, veria?
Ou será que veria?
(…)
— Koibito-chaaaan!!!
Koala ouviu uma voz infantil se aproximando no corredor, e rapidamente sabia de quem se tratava. Na realidade, nem precisava de fato distinguir o timbre dos demais, já que a única pessoa que a chama de “namorada” era ninguém mais, ninguém menos que a menina coelha, Nina.
— Eu... Consegui... Fugir! — Nina abriu a porta do quarto sem dó, muito suada e ofegante. Estava claro que ela correra até sabe-se-lá-onde até ali.
— Deixe-me adivinhar: fugindo das aulas do Inazuma-san? — Koala fechou a porta do armário do quarto, tirando a muda de roupas que usaria após o banho. — Nina, você sabe que não pode fugir das lições. Elas são importantes.
— Eu sei, mas é que o Inazuma-sensei é muito rígido! — a garotinha de quase sete anos cruzou os braços, fazendo um biquinho, até que reparou na muda de roupas nas mãos da mais velha. — você vai tomar banho?
— Sim, por que?
— É perfeito! — as orelhas de Nina se levantaram, deixando claro a repentina animação. — por que não vamos as duas tomar banho no Lago? Tá o maior calor hoje!
A professora secou o suor na testa, pensando que Nina estava certa. Dias quentes como aqueles não eram normais.
— Você deveria estar em sala de aula, se descobrirem que você está comigo se divertindo no lago vai ser ruim tanto pra você quanto pra mim. — Koala bronqueou, tentando manter a pose.
— É só sairmos pelos fundos. Ninguém vai descobrir se você não falar. — Nina mostrou a língua, sapeca.
Quanto mais os meses se passavam, mais trabalho Nina dava. Como será que ela seria com quinze anos? Com certeza teriam que mantê-la com um guarda-costas grudado para onde quer que fosse, e Koala tinha certeza de que Rokka não se incomodaria nem um pouco em ocupar essa posição.
Após um longo suspiro, Koala se deu por vencida. Sabia que era errado permitir que Nina cabulasse aula junto com ela, mas nem sabia exatamente onde era esse tal lago e, após a ideia da menina, a curiosidade em conhecer apenas aumentou ainda mais.
Nina deu um pulo rápido ao próprio quarto atrás de sua roupa de banho, e rapidamente voltou para o alojamento da mestre em karatê, esperando encontrá-la pronta para ir. Quando chegou, reparou que Koala usava short, além de uma blusa por cima do biquíni.
— Pra que a blusa? Tá de biquíni, não precisa tapar nada. — indagou sem pensar duas vezes. — é por que o seu peito é grande?
— Nina, não se faz esse tipo de pergunta! — Koala corou, tapando o busto. — e-eu… Só não quero que ninguém me veja assim. Pode ser que encontremos alguém no QG.
— Acho difícil, estão todos ocupados. Ainda mais porque a maioria foi na missão do South Blue. — Nina deu ombros, pegando sua boia cor-de-rosa e abrindo a porta. — alguém nos pegar vai ser quase impossí-
— Onde as senhoritas pensam que vão?
Nina cambaleou para trás, em choque.
Maldita boca grande.
(…)
Sabo estava ciente de que era errado ouvir atrás da porta, — fora educado para saber o mínimo de respeito desde cedo – mas não conseguira aguentar a curiosidade quando viu de súbito Nina adentrar o quarto da amiga usando maiô e com uma boia nos braços.
Era claro o que pretendiam: ir até o lago, e mesmo que dedurasse Nina para Inazuma e a forcasse a voltar para a sala de aula, temia que Koala não aceitasse ir até lá apenas na companhia dele. Não que não tivessem mais ficado a sós nesses longos dois anos, mas a professora tinha uma habilidade inimaginável de saber filtrar em quais situações eles seriam apenas amigos e colegas de trabalho e em quais situações ele tentaria ser algo mais.
E, obviamente, aquela era uma delas.
Porém, quando se viu ridiculamente sentado na fofa areia ao redor do lago abraçando as próprias pernas e observando Nina e Koala se divertindo, não conseguiu deixar de ficar emburrado. Amava Nina, de coração, mas aquela pequena pentelha arruinara todos os seus planos.
De fato, concordara com a companhia da pequena, mas talvez se ela não tivesse mencionado o lago antes dele, Koala poderia ter aceitado, e seria ele a se divertir com Koala na água.
— Não daria certo mesmo. — resmungou baixinho, brincando de balançar a chama que acendeu no próprio dedo.
— O que não daria certo?
Estava tão entretido com o fogo no próprio dedo que cometera a gafe de tirar os olhos de Koala. Quando percebeu, ela já saíra do lago e estava de pé ao lado dele.
— Se eu entrasse na água. Sou usuário de Akuma no Mi, não posso nadar. — disfarçou, por mais que aquilo não fosse, de fato, mentira.
— Pode entrar na parte rasa. — ela sugeriu sentando-se ao lado dele na areia.
— Seria um tanto cômico um homem do meu tamanho tentando se banhar com a água batendo nos tornozelos.
— É… Talvez se você fosse uns 10 cm mais baixo, não ficasse tão engraçado. — ela confessou-lhe, sorrindo divertida.
Ele sorriu. O bom humor de Koala sempre conseguia levantar seu astral.
— Saiu por que? — ela pareceu não entender. — dá água. — ele explicou.
— Ah, não tenho a mesma disposição que a Nina. — riu. — ela poderia passar o dia nadando que não se cansaria.
O loiro sabia que aquilo não era verdade. Koala tinha uma capacidade física impressionante, e ela sim conseguiria passar o dia nadando sem se cansar. Além de tudo, ela nem mesmo estava ofegante, o que seria esperado de alguém que acabara de nadar.
Outro detalhe chamava a atenção de Sabo: em momento algum desde que chegaram Koala tirara a camisa. Tirara o short, mas, por incrível que pareça, em momento nenhum fez menção de retirar a camisa.
Ela nunca fora tímida sobre ter o corpo mais exposto, tanto que sempre usava top esportivo perto dele, mas…
Claro, pensou de supetão. Só pode ser isso.
— Koala, por que você não tira a camisa? — perguntou repentinamente, e ela arregalou os olhos.
— Desde quando você é descaradamente pervertido? — indagou.
— Não é isso. — ele olhou nos olhos dela, levemente corado. — você… Ainda tem receio de mostrar aquilo?
Koala sorriu tristemente, olhando para os próprios pés, entendendo na mesma hora o que Sabo queria dizer. Nesses longos dois anos muita coisa acontecera a eles, e, apesar de não terem qualquer tipo de relacionamento romântico, ela ainda confiava cegamente nele. O loiro era o único que sabia tudo sobre ela: desde sua vida até sua essência, e mesmo que isso a assustasse um pouco em certos momentos, era muito bom saber que ele compreendia seus sentimentos.
— A marca dos piratas do Sol… — ela começou lentamente, após alguns minutos. — nunca sairá das minhas costas. Ela é eterna, e estará junto de mim até o dia da minha morte. — ela voltou a olhar para Sabo. — eu não tenho vergonha dela, mas não aguento ver os outros perguntando. Me lembra de tudo, de quando o Tiger-san morreu e…-
— Não precisa continuar. — Sabo interrompeu-a, pegando nas mãos dela e juntando-as. — eu já entendi. A Nina com certeza iria perguntar. — deu uma rápida olhada para a menina meio mink, que ainda se divertia sozinha em cima da boia. — mas quando os outros perguntarem, Koala… Você tem que erguer a cabeça, e dizer com orgulho que você segue os ideais da pessoa que te deu essa marca, e que deu a própria vida por você. E que você só passou por tudo isso desde os treze anos… Porque vai realizar o sonho dele. Vai criar o mundo que ele sempre sonhou.
Ah… Por que ele tinha que fazer essas coisas? Por que ele tinha que ser tão fofo, e fazer o coração dela palpitar daquela forma? Não conseguia se afastar, não podia ficar longe dele, gostava demais dele, e ainda que não o tivesse como namorado, necessitava dele como companhia.
— Nós vamos. — ela o corrigiu, dando o sorriso mais lindo que Sabo vira em toda sua vida.
Era torturante para ele. Por que tinha que ser tão burro? Por que tivera que criar nela esse complexo de não-namorar, dois anos e meio atrás? Se pudesse voltar no tempo, agiria completamente diferente, não deixaria a raiva e a imaturidade dele o dominarem, e aí, com certeza…
Com certeza, a perdoaria por qualquer pecado, só para ficar ao lado dela.
— Sim… — o loiro sussurrou, hipnotizado pelo olhar dela, aproximando-se de seus lábios. Ela saíra do lago há pouco tempo, e, se a água fosse salgada, certamente os lábios róseos da professora tinham o mesmo sabor. Estava louco para descobrir.
Koala não se aproximava como ele, mas pela lentidão com que se aproximava, o conselheiro dava a ela tempo suficiente para se afastar, caso não quisesse. Mas ela não o fez, então seguiu os próprios instintos e continuou seguindo, aos poucos fechando os olhos.
E então, quando sentiu de leve o toque dos lábios dela nos dele…
— VOCÊS ESTÃO SE BEIJANDO!
Eles se separaram no mesmo instante, assustados.
— Não estávamos não! — Koala praticamente gritou, mirando a criança que acabara de interrompê-los.
— Estavam sim! Estavam sim! — Nina provocou-os, pulando e apontando para os dois. — a boca dele tava na sua boca, e não era pra fazer respiração boca a boca!
Sabo nunca vira, em toda sua vida, tantas bocas em uma frase só.
Até comentaria esse fato com a menina, se não estivesse tremendo de raiva. Definitivamente, nunca mais ele voltaria aquele lugar com uma criança. Nunca. Depois de tanto tempo, quando finalmente conseguira amolecer nem que fosse um pouco o coração de Koala, tudo tinha sido destruído por um maldito comentário infame.
— Se não é verdade, por que você tá vermelha, koibito-chan? — Nina sorriu travessa, fazendo Koala trincar os dentes.
— Por que está sol! — respondeu sem passar muita confiança, ficando de pé e colocando o short. — vamos embora! Já perdemos tempo demais aqui.
No caminho de volta para o QG, Sabo não conseguira deixar de pensar. Não conseguia tirar da cabeça a mínima possibilidade de, talvez… Conseguir Koala de volta para si.
Sabia que não seria fácil, mas ele não era do tipo que desistia rápido.
— Olha quem chegou! — Nina tirou-o dos próprios pensamentos, já em frente a nova base. — a Padomi e o Leroy!
Sabo automaticamente fez cara de desgosto ao ver o rapaz de capa marrom descendo do cavalo, e andando até eles.
— É um prazer vê-las de novo. — se dirigiu às duas meninas, ignorando Sabo. — especialmente você... — ele se ajoelhou, e pegou uma das mãos da mais velha, beijando num ato de cavalheirismo. — … Srta. Koala.
Naquele momento, possesso de ciúme, Sabo decidiu.
As coisas não ficariam daquele jeito, definitivamente.
Sabo reconquistaria Koala a qualquer custo.
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