The Best Job
8 Eu sou seu amigo!
Notas iniciais

As coisas estavam ficando tensas no convés. Os tripulantes do navio não sabiam se deveriam interferir ou não na luta que estava acontecendo. Ou melhor, não sabiam se conseguiriam interferir, já que os socos que a moça desferia eram muito rápidos e precisos. Após determinar a luta, Sabo nem teve chance de responder; ela logo começou a atacá-lo. Porém, até agora, ele só se esquivava. Ainda estava tentando processar o que estava acontecendo.
— "A Koala parece estar com muita raiva de mim..." — ele pensou sentindo uma gota de suor escorrer em sua bochecha. Era difícil desviar dela, mesmo não sendo uma tritão, Koala tinha uma agilidade que se iguala a essa raça. A chuva que começara também não estava facilitando nada.
— Você... Vai... Ver...! — falava ela nos segundos de intervalos entre os socos. Sabo logo anotou mentalmente que tinha que treinar mais, estava muito fora de forma. Porém, ele deixou de perceber o movimento da perna de Koala, assim ele levou um chute na costela, o jogando longe dali.
Essa tinha doído, ela não parecia estar brincando. Os olhos de Koala diziam isso, ela estava super determinada e séria sobre isso. Até mesmo aquele par de olhos azuis gentis transpareciam um pouco de raiva. Sabo se convenceu de que também não podia ficar só ali apanhando, devia fazer alguma coisa, e logo!
O loiro correu até onde a amiga estava, não conseguia atacá-la. Não era apenas porquê ela era muito rápida, mas também...
Não conseguia.
Ela era muito querida por ele. De certo Koala tinha bons motivos para dar esse surto.
Sabo enfim conseguiu fazer algo: deu uma rasteira na revolucionária, fazendo-a cair no chão de costas. Ela se assustara com isso, não esse movimento de Sabo. Porém o mesmo não perdeu tempo, ficou em cima de Koala, para ela não se levantar.
— O-O que você... — Koala não conseguiu terminar, a vergonha tomou conta de si. Estavam numa posição um tanto constrangedora. Sabo não parecia ter nem um pingo de vergonha daquilo; na verdade, ele parecia mais triste e frustrado. Porém, ainda a segurava com firmeza.
Era como... Um dragão que domou sua caça.
— Você precisa se acalmar!! — gritou ele, olhando fundo nos olhos da amiga. — se acalme... e me conte o motivo de você estar assim.
Koala queria dizer, mas a voz não queria sair. Estava nervosa, seu coração estava batendo rápido, aquela aproximação toda também estava a deixando louca... Sem falar que ainda estava machucada.
Não machucada por fora, mas sim por dentro.
— C-Como você consegue...? — os músculos de Koala relaxaram, e ela se entregou, começando a chorar. Ela tirou as mãos dos olhos, olhando para Sabo com os olhos marejados, assim, continuando a falar com a voz trêmula. — todos esses dias que eu passei aqui... *snif* você parecia gostar da minha companhia... Eu realmente achei que você gostava de mim...*snif* ...mas parece que eu estava enganada...!!
— K-Koala... espera aí, eu não tô entendendo nada. Como você chegou a essa conclusão? — Sabo estava a beira do desespero, ver Koala naquele estado estava lhe partindo o coração.
— Não adianta negar, eu ouvi sua conversa com o Hack! — retrucou ela, tentando livrar Sabo de cima dela. Agora ela tinha certeza de que não era mentira, ele estava até com os olhos arregalados.
— Vo-você ouviu...? — ele perguntou ainda não acreditando. Ele não queria que ela tivesse ouvido aquilo de jeito nenhum... Sabo relaxou os músculos e saiu de cima dela, sentando-se no chão de frente para ela, que se sentou sentindo as lágrimas escorrerem em seu rosto. Ela não queria que aquilo tivesse acontecido daquela maneira, queria parecer forte perante os outros revolucionários, e chorar assim no meio de uma luta era vergonhoso, principalmente com Sabo.
— Koala... Eu realmente falei de você com o Hack, mas ainda não entendi porquê disse que eu te odeio. Eu nunca iria te odiar... — Sabo disse sentindo as gotas grossas de chuva caírem em seu corpo, estava encharcado, e ela também, mas isso pouco importava no momento. Resolveria isso, e agora, pois não aguentava mais aquele clima estranho entre os dois.
— Por que não? — perguntou irônica. — eu sou bruta, feia, chata, mandona, preguiçosa, dentre outros "adjetivos", não sou? — ela perguntou agora mais séria.
Sabo passou a processar o que ela acabara de falar. Assim que seu cérebro terminou de carregar, fez uma careta medonha.
— O que? — indagou para Koala, como se ela tivesse dito algo completamente estúpido. Koala corou com raiva, vendo que ele não estava levando-a a sério. — Eu disse isso... Mas não é o que está pensando, veja bem...
Sabo P.O.V
Ontem a tarde
Agora pouco Koala pareceu ficar bem chateada comigo. Realmente, eu acho que estava errado em deixar sujeira no chão, afinal, ela também está no quarto por um tempo. Mas eu achei que Koala ficou irritada demais com o fato de eu ter falado que ela pode ter problemas de limpeza... Não é como se eu quisesse dizer que ela é doente, ela entendeu errado. Mas como eu ia reverter a situação que era o problema...
Seria bom falar com Liam sobre isso... Mas como ele não está aqui, poderia ser Hack ou Rokka.
Passei na cozinha e disse para alguém ir servir café para mim lá na sala de reuniões, eu sabia que quem viria era Rokka, e Hack provavelmente está lá também, ou treinando, de qualquer modo eu vou conversar com um dos dois. Havia poucas pessoas ali, só algumas pegando papéis importantes para assinar, mas rapidamente sumiram e eu fiquei sozinho ali. Papelada... É, ando deixando muito trabalho acumulando. Rokka depois de alguns segundos apareceu na minha frente com duas xícaras de chá. Tenho certeza que ele fez isso só para me provocar, ele sabe que eu prefiro café à chá, sem falar que eu fui bem específico quando disse que queria café.
— Aqui. — ele colocou a xícara na minha frente, se sentando ao meu lado. — você está pensativo. — disse depois de bebericar seu chá. Rokka me conhece bem.
— Sim... — suspirei colocando os pés sobre a mesa dando uma leve provada no chá, seus pensamentos iam longe quando pensava em Koala, Rokka pareceu perceber que meu tom de voz estava mais calmo. Assim, ouviu o que eu tinha a dizer. — eu não entendo a Koala... As vezes ela é tranquila, as vezes ela age de forma ameaçadora... Ela é um tipo de mulher que é muito teimosa e ousada, e algumas vezes orgulhosa. Apesar disso, eu quero conhecê-la direito...
— Tch... — pigarreou Rokka. — que ela é teimosa e ousada eu concordo plenamente, odeio mulheres assim.
Senti uma gota escorrer na minha testa ao ouvir isso, é muito ironia levando em conta "ela". Mas deixei isso de lado, não seria bom comentar sobre ela agora... Dei mais uma golada em meu não tão querido chá, pensando em como eu poderia resolver tudo com Koala. Não posso falar com Tora ou Nina, elas com certeza estão irritadas comigo se Koala já falou com elas, coisa que tenho quase certeza.
Deixei isso pra lá, mesmo que seja chato eu tenho que terminar de ler e avaliar esse papéis... peguei aquelas folhas e depositei na mesa, primeiro tinha que organizar tudo na ordem. Logo após isso Rokka se levantou pegando sua xícara vazia e saindo dali, sem dizer nem um "até logo". Ninguém nem se importa mais com isso, é o jeito dele mesmo.
— Sabo? — Hack apareceu na porta. Geralmente quando ele me via dizia um "Olá, Sabo" então se ele falou daquela maneira é porque ele notara algo de estranho comigo. Talvez seja a minha concentração nos papéis à minha frente. Ah, Hack me conhece tão bem provavelmente já percebeu que algo está errado.
— Como vai, Hack? — perguntei tirando a xícara da minha boca e colocando-a no pratinho de apoio.
— Bem... — ele parecia analisar minha expressão. — mas você não parece bem.
— Ah... — suspirei. Coloquei as folhas todas juntas num canto, antes de resolver aquilo, uma boa conversa com Hack faria bem pra mim, virei a cadeira giratória pra vê-la direito. — eu comentei com Rokka agora pouco, Koala tem sido muito reclamona esses dias, ela briga comigo por qualquer sujeirinha que eu deixo abandonada! E hoje, quando eu tentei explicar pra ela que provavelmente ela tinha problemas com limpeza, ela se irritou!
— Vamos concordar que deixar algo sujo muito tempo realmente se torna um incômodo. — Hack me olhou com um olhar reprovador. — ... e também, você já tem 19 anos, Sabo. Deveria saber conversar com uma mulher. Com certeza ela ficou com raiva porque você não soube explicar direito. As mulheres são assim, a maioria fica irritada muito facilmente.
— Huh... — pensei melhor sobre isso. — mesmo que você me diga isso, nunca tive muita experiência com mulheres. Nem mãe eu tive direito. Bem, na verdade, a mais próxima de uma mãe pra mim é a Dadan... — fiz uma careta ao lembrar dela, será que ela continua feia como sempre?
— Dadan? — Hack perguntou. — ah sim, eu já ouvi você falar sobre ela. É aquela mulher que você disse que é igualzinha a um homem?
— Sim... — respondi sentindo saudades daquele tempo. — ela meio que me acolheu na casa dela quando eu era pequeno. "mesmo que tenha sido em contragosto" — completei mentalmente.
— Então ela era um boa e má pessoa?! — Hack parecia se confundir com mina explicação. Eu explico tudo tão mal assim?
— ...Sim, exatamente isso! — exclamei. — ela é bruta, feia, chata, mandona, preguiçosa, dentre outros "adjetivos". Desde que a conheci não sai da minha cabeça a possibilidade dela ter algum tipo de problema.
— Não fale assim, Sabo, coitada. Ela deve ter se esforçado para te aturar...
— Haha... Mas eu gosto dela mesmo assim. Enfim, Hack. — voltei a ficar sério. — eu não sei como me desculpar com a Koala.
— Bem... — Hack suspirou. — tente se desculpar com ela. Se não funcionar, dê um tempo. Não me pareceu que ela seja o tipo de pessoa que ficaria muito tempo te odiando.
Hack estava certo. Eu iria tentar me desculpar assim que me encontrasse com ela. Mas se ela não me ouvir, eu terei que dar um tempo... Mas de algum modo, essa ideia de ficar muito tempo sem ter uma conversa amigável e as vezes loucas com ela me deprimia, por algum motivo.
Onde está o Liam agora para me ajudar?
~
Atualmente
N/A P.O.V
— ...e foi isso que aconteceu. Eu disse isso, mas não falava de... *atim!* ...você. — esclareceu ele.
No momento, Koala não teve reação nenhuma. Era algo inacreditável. Acabara que criar uma confusão totalmente sem sentido, fruto de um mal entendido. Corou. Corou muito, estava com vergonha. Tinha até mesmo machucado seu superior.
— Koala? *atim!*— ele estranhou o silencio da outra. Ela levantou o olhar, destacando sua franja molhada pela chuva que caíra.
Do nada Koala levantou, puxando Sabo pela mão e saindo dali com ele, sem dizer uma palavra.
(...)
No quarto dos dois, nem um dissera nenhuma palavra. Apenas adentraram, e Sabo fora logo tomar um banho quente. Quando saíra do banheiro, Koala fora a próxima.
Ele não entendeu o que tinha acontecido e o motivo pelo qual Koala não dissera nada depois de saber o que realmente tinha acontecido. Imaginou que depois que ela soubesse que ele não a odeia, poderiam ficar "numa boa" de novo, como sempre foi. Porém, a reação dela fora totalmente diferente do esperado, e isso o deixava sem saber o que fazer ou falar. Mas sabia assim que ela saísse do banho, teria uma bela conversa com ela.
Assim, Koala saiu do banho, secando seus cabelos curtos. Sabo estava deitado na cama encarando o teto em meio ao seus pensamentos, entretanto se sentou quando viu a amiga sair do banheiro.
— Koala... — ele murmurou chamando-a, não sabia o que dizer direito. — eu sou um tapado! Desculpe te deixar irritada ontem! *atim!* *snif*
— Sabo-kun... — ela desviou o olhar, se sentando de vagar na cama de casal. Assim como ele, ela não sabia como iniciar uma conversa de verdade. Além de tudo, estava com vergonha, muita vergonha. Juntou todas as suas forças e soltou de uma vez: — desculpa por ter ouvido sua conversa escondida, ter interpretado mal e criado uma confusão acima de tudo., E também peço desculpas por bater em você!!!
Sabo ficou uns segundos sem expressão.
E logo sorriu.
— Hehe, você é forte, Koala! Mal posso esperar pra ter uma luta com você! — ele sorriu animado. — tudo bem, tudo bem... *atim!* Deixe de ser estranha. *snif* vamos esquecer isso, ok? — comentou coçando o nariz com a manga do casaco. — mas eu gostaria que soubesse uma coisa... nunca duvide que eu gosto de você. Você é a minha parceira! E eu sou seu amigo!
— ... — Koala também sorriu. Sabo era uma pessoa incrível. Seus instintos maternos gritaram ao ver o rosto de Sabo vermelho e seu nariz escorrendo. — Sabo-kun, deixe-me ver uma coisa. — lentamente ela aproximou seus rostos. Os músculos de Sabo se enrijeceram a cada momento que Koala se aproximava mais, seu coração batia, seu rosto suava, imaginando que ela lhe daria um beijo.
— O-O que... — antes que ele pudesse dizer algo, ela aproximou sua testa a dele.
— Sabo-kun, você está ardendo em febre! — exclamou se separando do loiro ao sentir sua testa quente. Seu corpo era sempre quente, era natural, mas dessa vez estava o dobro do normal, e isso a deixou preocupada.
— Êhh? Não seja boba, Koala! Eu nunca fico doente! Eu sou *ATIM!* muito saudável!! *snif*— ele tentou disfarçar. Aí estava mais uma coisa que tinha que anotar em sua lista mental de "informações sobre o Sabo"; ele não gostava nem um pouco de ficar doente ou que os outros soubessem que ele está doente.
— Sabo-kun idiota. — comentou ela deitando-o na cama e o cobrindo com o edredom. — fique deitado aí, e não saia! Já já eu volto com seu almoço! — disse autoritária.
Ele fez bico, não gostava nem um pouco de ficar doente, nem que tivessem que cuidar dele daquela maneira.
Mas obedeceu as ordens da amiga mesmo assim.
Até porque, estava muito feliz que as coisas finalmente voltaram ao normal.
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