The Best Job
34 Batalha interior

Leroy estava cansado. Passara o dia praticamente inteiro escrevendo e redigindo relatórios que, por algum motivo, Padomi deixara todos para ele. Não tinha nem mesmo direito de reclamar, afinal, devia isso a ela pelo fato da garota já ter feito vários relatórios e resolvidos pendências chatas sem exigir sua participação — e ele, claro, ficara muito grato por isso. Logo, passara o dia trancafiado no quarto sem ao menos se alimentar adequadamente.
E isso o deixara com fome. Estava fora do horário, mas sabia que conseguiria preparar algum sanduíche ou algo do tipo com os restos da geladeira. Será que aquele Rokka estava lá? Pois se estivesse, certamente reclamaria e...
— ...Sabo-san e Koibito-chan?
Leroy parou de súbito ao lado da porta da cozinha ao ouvir o nome dos dois. Era uma voz de criança.
— Agradeço a intenção, mas não vou deixá-la levar o jantar pra eles. — ele ouviu a voz rouca de Rokka se destacando. — eles vão jantar a sós hoje, se você for lá será inconveniente. Eu mesmo vou levar.
— Que saco! — a criança reclamou, e pôde ouvi-la batendo o pé no chão. Pela ação e pelo timbre, podia chutar que se tratava de Nina. Eles ficaram um silêncio por alguns segundos, até que Nina quebrou o silêncio. — o que foi, Marion? Por que está encarando a porta? Não tem ninguém aí.
O mais velho parou de respirar, como se com aquilo conseguisse diminuir o arquejo de surpresa que fizera. Tinha mais uma criança ali? O que aquele menino era, afinal? Leroy tinha certeza de ue não fizera um único barulho, então como uma criança de seis ou sete anos conseguiria percebê-lo?
Depois que ouviu Nina voltar a tagarelar, aproveitou-se do barulho que ela fazia para se esconder no corredor, atrás de algumas caixas, torcendo para que Rokka passasse e não percebesse sua presença. Até ajustara os aparelhos auditivos para escutar melhor os passos dele. Queria, a todo custo, descobrir onde Sabo e Koala estavam àquela hora da noite seguindo o cozinheiro.
Não demorou muito para que ouvisse os passos de Rokka. Ele seguira para o corredor principal, no sentido da direita, mas estranhou quando não o ouviu descendo as escadas. Aquele era o último andar, e pelo som ele estava... Subindo? É, sem dúvidas, ele estava subindo. Leroy saiu de trás das caixas e olhou cautelosamente, não acreditando que ele estava levando comida para o terraço.
Fechou a cara ao perceber que era exatamente o que tinha feito, já imaginando tudo. Sabo e sua Koala deviam estar sozinhos lá, jantando. O conselheiro com certeza estaria comendo sua ex-instrutora com os olhos, aproveitando-se pelo escurinho e pela falta de circulação de gente para…
— Maldito Sabo… Me passou a perna. — grunhiu, cerrando os punhos ao ponto de quase furar a palma da mão. — vou lá agora mesmo e…-
— Aonde pensa que vai, Leroy-san?
O rapaz virou-se, assustado. Era Padomi.
— E não adianta mentir. -avisou ela, com um sorriso zombeteiro. — porque eu vi tudo.
— Se viu, então por que pergunta? — ele virou-se, desafiando-a com um olhar ar igualmente irônico.
— Vai atrapalhá-los. — ele achou que fosse uma pergunta, mas depois percebeu que ela fazia uma afirmação. — e eu não vou deixar. — ela andava pacificamente na direção do outro, sem tirar os olhos dele nem por um segundo.
— E como pensa em me impedir? — se curvou para frente, a fim de intimidá-la, e esperou uma resposta da garota meio-mink.
Mas Leroy não escutou nada que não fosse o próprio gemido de dor, após sentir uma joelhada mais do que forte em suas partes baixas. Curvado, — agora de dor. — ele olhava com fogo nos olhos para a moça, que lhe parecia bem satisfeita do feito recente.
— Cadela! — foi a única coisa que conseguiu disparar, antes que ela o empurrasse e o jogasse no chão de volta ao corredor em que ficava a dispensa e a cozinha, respectivamente.
— Vai ficar quietinho, eu vou amarrar suas mãos… — ela tinha uma expressão determinada quando montou em cima dele de quatro, imobilizando-o de forma que era difícil se livrar dela. Mas afinal, por que Padomi estava fazendo aquilo? Por que estava defendendo com unhas e dentes o encontro de Sabo? Não fazia-lhe sentido, a não ser que…
Leroy arregalou os olhos ao ver o cozinheiro parado, mirando-os.
Padomi percebeu que o rapaz embaixo de si parara de tentar lutar, e seguiu o olhar dele até o que o fizera petrificar. E, quando viu, ficou sem ar.
— R-Rokka?
(…)
— Eu realmente era bem petulante com Hack, mas isso não quer dizer que eu não gostava das aulas dele. — Sabo argumentava, após uma crise de risos. — eu apenas estava acima do que ele podia ensinar.
— É, mas não acima do que o Kuma-san podia ensinar. Você tomou uma verdadeira coça dele, e foi bem merecida. — Koala sorria enquanto relembrava o passado. — eu sempre levava tudo tão a sério, não entendia como você podia ser tão avoado.
— Acho que foi o corte de cabelo. — ponderou ele, e então explicou a ela: — eu tinha os cabelos bem curtinhos antes de conhecer você, além de um dente faltando. — ele apontou para o dente que antes faltava ali. — eu era o mais sério dos três irmãos, mas depois que deixei o cabelo crescer fiquei mais avoado. Será que tem a ver?
— Não sei, mas gostaria muito de visto você de cabelo curtinho. — ela confessou-lhe, e logo depois se surpreendeu pelo que ela mesma dissera. Não era de seu feitio falar coisas daquele tipo, mas, por Deus, aquela era uma das noites mais divertidas da vida dela.
— Ah, não, por favor! — ele afastou a ideia com as mãos, com uma clara repulsa no rosto. — eu era um moleque muito feio, cruz credo. — ele riu com a nova crise de risos da moça, e acrescentou, com um ar provocativo: — mas, por você, eu cortaria bem curtinho de novo.
Ela parou de rir aos poucos, e se encolheu, claramente envergonhada e talvez até um pouco desconfortável. Será que ele errara em dizer aquilo? Não queria que ficasse um clima estranho. Tinha que tratar logo de iniciar outro assunto antes que ela…
— Eu… — Koala interrompeu seus pensamentos, alternando entre encarar os talheres no prato e olhá-lo nos olhos. — …não pediria algo assim. Seus cabelos são muito macios, e seria triste não poder acariciá-los.
Sabo corou. Não queria corar, queria fazê-la corar, e então conquistá-la. Mas então, droga, ela lhe falava algo assim? Era impossível não imaginar um milhão de cenas futuras da cabeça dele no colo dela, enquanto Koala passa horas e horas com a mão indo e vindo em meio a suas madeixas loiras.
Ele nunca mais iria deixar o cabelo curto.
(…)
— Desculpe a interrupção. — Rokka disse sem expressão alguma, saindo em disparada na direção oposta.
— Rokka, espera! — ela se pôs de pé rapidamente, correndo atrás dele. Quando o alcançou, ele nem sequer virava o rosto, ignorando a presença dela. — eu disse pra você esperar!
— Pare de seguir. — ele mantinha o tom controlado, mas dava para ver que se esforçava ao máximo para não explodir ali mesmo.
— Não, você precisa me escutar! — ela tentava puxar o braço dele para que parasse, em vão. — como pode ser tão turrão? Como pode não conseguir, pelo menos uma vez, parar e escutar o que eu tenho pra dizer?!
— Você não tem que me dizer nada. — ele parou abruptamente, fazendo com que ela se chocasse com as costas dele. — eu não tenho mais nada a ver com a sua vida. Se você quiser se deitar com aquele ali e permitir que ele a deflore assim como queria que Sabo fizesse, tudo bem, vá em frente!
Ela engoliu o seco, sentindo os olhos ardendo. Não ia chorar ali, no meio do corredor, onde a qualquer hora alguém poderia passar. As palavras dele doíam, mas de alguma forma conseguia se convencer de que era apenas resultado da raiva. Olhou em volta, procurando algum lugar onde poderiam ficar a sós, e quase vibrou ao ver que estava bem em frente ao quarto dela.
— Entra aqui, por favor. — ela praticamente suplicou, com uma expressão cansada, após abrir a porta do quarto.
— Olha só, vejo que alguém aprendeu a ter bons modos. — respondeu-lhe com o humor ácido.
— Rokka. — ela fechou os olhos, usando de toda a sua paciência. — por favor.
Ele a encarou com um olhar nebuloso, avaliando a situação – ou até ela mesma. — e chegou a conclusão de que, por hora, era melhor fazer o que ela lhe pedia. Ela não sabia se era por pena, por cansaço dele próprio ou se apenas não queria parecer um covarde fugindo de uma discussão com uma menina de dezoito anos, mas pelo menos ele entrara em seu quarto e a situação parecia, de alguma forma, controlada.
Padomi fechou a porta e trancou, e explicou antes que ele indagasse.
— É pra não termos interrupções.
Ela andou até ele, ficando cara a cara. Sua cabeça estava erguida, olhando profundamente em seus olhos, percebendo que nunca mais o fizera. Quanto tempo fazia que não olhava diretamente para ele, anos? Ou melhor, algum dia reparara tanto assim nele? Sempre estivera cega pela ideia de amar – ou achar que amava – Sabo que nem reparara com atenção as feições do cozinheiro que sempre esteve com ela.
Rokka era bonito. Bem bonito. Não tinha amigos fora os que eram mais relacionados com Sabo, mas sabia que isso se deveria à sua personalidade que insiste em afastar as pessoas. No entanto, se ele fosse apenas um pouco mais sociável, certamente teria várias admiradoras aos seus pés. Tinha um porte físico admirável, os cabelos pretos já estavam longos pela falta de um corte, e quando começaram a incomodar tratou de prendê-los em um rabo de cavalo. E seus olhos… Ela sempre achara que eram pretos, mas naquele dia, Padomi conseguiu perceber que, na verdade, eles tinham um tom avermelhado curioso.
— Você me odeia?
Rokka arregalou os olhos de leve, descuidando da intenção de se manter inexpressivo. Esperava qualquer pergunta, menos aquela.
— Você… Me odeia? — ela indagou de novo, agora com mais melancolia no olhar.
Padomi parecia tão triste e… Droga, sentia tanta vontade abraçá-la! Mas ele não conseguia, é como se existissem dois dele dentro de si, em uma batalha incessante para decidir quem vai tomar o controle da situação. Uma parte dele tinha tanta raiva, guardava tanto rancor e decepção sobre tudo o que ela fizera, e a outra a admirava, orgulhosa da pessoa que ela havia se tornado em tão pouco tempo, muito dedicada, forte e decidida.
Como era possível odiar e amar tanto uma mesma pessoa?
— Não. — ele enfim conseguiu responder, virando o rosto de lado. Estava sendo difícil encará-la.
— Então por que?! — ela pôs as mãos no peito dele, e ali mesmo ficaram. — por que você não fala mais comigo? Por que você me maltrata?
— Eu não a maltrato. — ele afirmou fervorosamente, voltando a olhar para ela.
— Maltrata quando me ignora, quando finge que eu nunca existi, quando só o que eu queria era ser tudo pra você outra vez. — Padomi sentia os olhos arderem novamente, e dessa vez não conseguiu controlar as lágrimas. Então, envolveu-o nos braços, escondendo o rosto choroso no peito dele. — eu sinto tanto a sua falta…
As palavras dela o atingiram, tanto que nem era preciso ver a expressão dele para saber como estava. Apenas os músculos mais rígidos que o normal denunciavam que ele se sentia balançado.
— Ria… Eu senti tanta, mas tanta raiva de você… — ele praticamente grunhia. — eu nunca senti tanta decepção na minha vida inteira… Eu sempre a achei rebelde demais, mas nunca achei que chegaria a fazer o que tentou…
— Eu sei. — ela suspirou, incapaz de olhar para ele. Não depois que a blusa dele já estava encharcada. — Mas você tem que me perdoar, Rokka. Já é hora de virar essa página da sua vida, e se permitir ser feliz outra vez.
— Por que acha que não sou feliz? — ele parecia ofendido, e ela finalmente levantou o rosto.
— Porque eu te conheço desde que fui feita. — a voz dela saía embargada, em função das lágrimas grossas que insistiam em cair de seu rosto sem parar. Não queria chorar, de forma alguma, mas esperara tanto por aquele momento que era impossível controlar. — você sempre foi muito fechado, mas eu sempre consegui perceber quando estava zangado, quando estava triste ou feliz… — ela fungou. — lembra aquela vez, quando estávamos no laboratório e o Rock era pequenininho, então ele roubou um chocolate da cozinha e nos deu? Nossa, eu nunca te vi tão feliz. — Padomi riu, tentando secar as lágrimas. — você até queria deixar eu comer todo o chocolate, mas eu insisti em dividir.
— Lembro.
Rokka suspirou, se dando por vencido. Estava doendo nele ver Padomi chorando, e doía mais ainda saber que era por causa dele. Subitamente, ele a envolveu em um abraço caloroso, com o queixo apoiado na cabeça dela, e fechou os olhos, aproveitando a sensação. Os únicos que o abraçavam – e nem era algo tão frequente assim. — eram as crianças, e, por mais que até gostasse, nem de longe faziam seu coração disparar daquela forma.
Aquele, percebeu, era um sentimento diferente.
— Rokka… Você… — ela murmurou, claramente surpresa.
— Shh… — ele a interrompeu, ainda de olhos fechados. — não fala nada…
Ela sempre estivera bastante consciente sobre o tamanho dele em relação ao seu, mas jamais percebera como um corpo grande como o dele a fazia se sentir tão bem. Ele lhe passava segurança, conforto, e talvez até mesmo um pouco de amor. Logo, não demorou muito para que as lágrimas parassem e desse lugar a um singelo sorriso.
— Você me perdoa? — Padomi se afastou alguns centímetros, apenas o suficiente para conseguir mirar o rosto dele.
— Não se preocupe. — ele colocou a testa na dela, fixado em seus olhos. — esquece isso. — sussurrou, levantando o queixo dela.
Ele levou os lábios dela aos dele, em uma lentidão agonizante. Não que não estivesse louco para se aventuras em seus beiços rosados, mas queria dar tempo para ela negar ou se afastar – coisa que, ainda bem, ela não fez. Nunca, em todos os seus anos de vida, havia beijado uma mulher daquela forma, e então percebeu como era incrível que ele tivesse conseguido viver até ali sem nunca tê-lo feito.
Ria tinha um gosto de… Morango? É, entendia de sabores, e tinha certeza que aquilo era gosto de morango. Se não estivesse com a boca muito bem ocupada, a provocaria perguntando se ela escolhera aquele gloss justamente por ser a fruta preferida dele.
— R-Rokka? — ela arquejou quando ele desceu para seu pescoço, deixando-a desconcertada.
— Esse vestido… É o meu preferido. — ele passou a mão pelas curvas das costas da atiradora, pousando-a em seu traseiro. Logo em seguida, beijou o decote dela, fazendo com que ela corasse mais ainda.
Era impossível que ela não fosse notar logo a prova do desejo dele bem viva lá em baixo, assim, com muito custo, Rokka parou com as carícias e olhou-a ofegante.
— Ria… — ele parou para tomar ar.
Padomi percebeu que aquele era um Rokka que ela nunca vira antes. Era mais… Selvagem, como se não conseguisse ter controle sobre ele mesmo quando estava com ela. Sabia que homens sentiam atração por uma mulher bonita, mas aquilo… Era diferente. Não era uma satisfação de ter os olhares dos homens para si, e sim de ser linda para o único homem que realmente valia a pena.
— Eu tenho vinte e cinco anos. — ele avisou ofegante, e ela, também ofegante, não entendeu o que ele quis dizer. — sou sete anos mais velho que você. Entende?
— Não… O que quer dizer?
— É que talvez eu… — ele corou mais ainda, sem saber como explicar aquilo. — talvez eu queira fazer coisas agora que você ainda não esteja preparada.
— Ahn… — de repente ela se sentiu muito inocente. Como podia não ter percebido logo? — não precisa se preocupar, eu não ligo que você seja mais velho… — ela deu um selinho nele, e completou no ouvido dele, sussurrando: — e eu não ligo de fazer isso com você.
Foi o suficiente para enlouquecê-lo. Então, sem qualquer aviso prévio, ele ergueu-a em seu colo, logo depois colocando-a na cama embaixo dele, e tomou seus lábios em um beijo cheio de desejo e luxúria. Padomi não sabia se tinha sido o gloss sabor morango ou se fora o vestido que Sabo dissera ser o preferido de Rokka, mas nunca se sentira tão poderosa sobre um homem, como se ela fosse a única coisa no mundo capaz de saciar os seus desejos.
Logo, determinada a não ser a única passiva na ação, conseguiu girar e fazê-lo ficar debaixo dela.
— Eu não vou… — ela sentou-se no colo dele, e surpreendeu-se ao sentir algo duro embaixo dela. — Não sabia que era tão… — ela tentou pensar em algum eufemismo, mas, como nada surgiu a mente, respondeu simplesmente: — duro.
Era estranho pensar que ela causara aquilo.
— É. — ele afirmou, rindo de canto. — é sim. Que nem você… Aqui.
Rokka passou o dedo por cima de um de seus mamilos rígidos, arrancando um gemido dela. Nunca lhe passara pela cabeça que o vestido não tinha bojo.
E não lhe passara mais nada pela cabeça pelo resto da noite…
Nada que não fosse Rokka.
(…)
— As crianças?
Sabo estranhou a mudança de assunto que Koala, que mencionava os pequenos.
— Sim. Não é esse o motivo de estarmos aqui? Você disse que me diria como agir com eles. — Koala disse com um ar divertido, depois de bebericar o vinho.
Sabo percebeu que não sabia exatamente o que dizer a ela. Estava tão eufórico com a ideia de um encontro com Koala que até se esquecera que havia prometido explicar como ele conseguia resolver os problemas dos alunos dela de uma maneira simples. Nem ele mesmo sabia como fazia aquilo: era uma das coisas que já se nascia sabendo.
— Eu não sei como faço aquilo. — ele admitiu, escondendo um sorriso sem graça por trás da taça de vinho que levara aos lábios. — eu simplesmente… Não sei, acho que penso como eu gostaria que tivessem feito comigo se tivesse na situação deles.
— Se colocar no lugar deles… — ela ecoou, refletindo. — faz sentido. Pra mim isso é meio difícil, porque… Ah, você sabe, minha infância. — ela espantou o assunto com mão. — vou tentar aplicar isso. Não quero nenhum deles brigados perto do aniversário da Nina e do Marion.
— Caramba, eles vão fazer sete anos. — Sabo transpareceu a surpresa, pensativo. — eu lembro deles bebezinhos. — virou-se para Koala, fazendo careta. — me sinto velho.
— Não seja bobo, Sabo-kun. — ela riu, revirando os olhos. — você só tem 22 anos.
— Sinto dores de um homem de 62.
— Sei que não sente. — ela sorriu. — você tem um preparo físico excelente.
— Exatamente. — ele afirmou. — quando treino com Dragon-san, ele me bate até eu sentir dores onde um homem de 62 anos sente. — Koala caiu na gargalhada, trazendo uma sensação muito boa dentro de Sabo.
— Mas voltando ao assunto… — ela disse ao recuperar o fôlego. — sei que não é um momento muito adequado, mas pensei em fazermos uma mini-festinha para eles, o que acha? Pode ser apenas nós, as crianças, Rokka, Padomi, Ieni-san, Liam-san, talvez até Irie-
— Ele não! — Sabo disparou, fazendo Koala se calar.
— Nina gosta dele. — retrucou.
— Sim, mas… — ele tentou pensar em um motivo plausível. — ele… Ahn…
— Sabo-kun… — Koala olhou para a mesa, e depois para ele, suspirando visivelmente cansada. — eu sei que não gosta de Irie-kun, mas pode ser sincero comigo e me dizer o motivo? Porque eu nunca o vi fazer nada de ruim com você.
Foi a vez dele se calar. Como responderia aquilo? Não havia forma alguma de explicar o que sentia, mas sabia que o que mais o fazia desgostar do ex-aluno de Koala era o bom e velho ciúme. Ora, como fugir dele? Leroy estava sempre esgueirando-se nos lugares e caçando Koala com os olhos, apenas procurando uma oportunidade de afastá-la de Sabo e de seus deveres como sua ajudante. Nos últimos dois anos, Leroy conseguira cumprir seu objetivo algumas vezes – até porque, o único motivo de Koala permanecer ao seu lado era profissional – mas a partir daquele momento Sabo estava determinado a afastar Koala dele, até mesmo nas situações mais banais.
— Eu… — murmurou, quando finalmente encontrou a voz, continuou em alto e bom som, saindo mais irritado do que gostaria: — eu não a quero com ele!
Koala franziu a testa, avaliando a situação claramente irritada.
— A noite foi ótima, muito obrigada pelas flores. — disse rapidamente, levantando-se e arrumando a cadeira. — já vou me recolher. — ela anunciou já de costas, em direção à porta.
Sabo prontamente se levantou e segurou-a pela mão.
— Ah, não, Koala! Por favor! — ele implorou e ela parou de costas, dando-lhe uns segundos para reparar no pouco no calor que conseguia sentir da mão dela, já que a dele estava devidamente enluvada.- não queria que parecesse que eu mando em você, é só que eu… Argh! — ele grunhiu, confuso com sigo mesmo. — olha pra mim. — então completou, em voz baixa de súplica: — por favor.
Ela virou-se, cabisbaixa. Sem dizer uma palavra, o conselheiro levantou o queixo dela, encostando sua testa na dela e encarando seus olhos redondos, desejando se aventurar naqueles lindos orbes azuis.
— Posso beijá-la? — parecia um pedido louco- não, insano, considerando que sabia da insistência dela em se manter nada mais que uma amiga e colega de trabalho.
Mas mesmo assim… Mesmo assim, Sabo sentiu que deveria perguntar, que deveria vislumbrar ela assentindo com os olhos cheios de luxúria, claramente seduzida pelo corpo dele estar tão próximo do seu.
— Pode.
Então ela assentiu lentamente, deixando-o verdadeiramente louco de desejo ao sentir os lábios dela nos dele.
Um louco que, aquela noite, esqueceu-se completamente da promessa de descer e prender Padomi.
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