The Best Job
35 Pequena surpresa

— Ria?
Rokka estava no quarto dela – que, agora, se transformara no quarto deles – e estava inquieto. Já era cedo, o sol havia acabado de aparecer, e como chefe de cozinha ele era necessário bem cedo para cuidar da preparação do café da manhã. Normalmente, saía para cumprir seus deveres e deixava Padomi dormir o quanto quisesse, mas na noite anterior ela dissera que queria ir junto com ele, logo, se viu na obrigação de esperá-la.
Mas então ela se trancara na suíte e não saía há algum tempo, então já estava ficando preocupado. Bateu à porta novamente, sem resposta.
— Está tudo bem? — ele indagou preocupado.
— S-Sim, eu tô bem! — ela finalmente respondeu, mas seu tom não o convenceu.
— Então por que essa demora?
— Eu vou tomar banho! — ela respondeu. — aquilo desceu, sabe…
— Ah.
Ela ficou menstruada, pensou.
— Pode ir na frente, Rokka. Você vai estar muito ocupado hoje. — disse a ele.
— Certo. — respondeu ainda meio dividido. Mas, mesmo assim, foi.
Já fazia mais de um mês que tinha se acertado com ela e, mesmo que não transparecesse com palavras, estava sendo a época mais feliz da vida dele. Padomi não iria em nenhuma missão em pelo menos mais um mês, então tinham tempo de sobra para se curtir durante a noite e até às vezes durante o dia, quando não tinha tantas coisas para fazer.
— Rokka? — ele ouviu alguém falar na porta, e quando se virou, viu Koala com um sorriso zombeteiro. — você estava cantarolando?
— Estava? — ele estava? Não sabia exatamente a resposta.
— Estava. — ela afirmou rindo, andando até ele. — estava até sorrindo.
— Tome conta da sua vida. — ele virou a cara envergonhado, voltando a se concentrar no arroz que lavava.
— Claro, claro… — ela terminava de rir, pegando o avental. — bem, quais são suas instruções, chefe Rokka? Espero que não tenha se esquecido que o ajudarei com os preparativos para a festa das crianças.
Ele não tinha se esquecido. Koala falara no ouvido dele por mais de uma semana insistindo que queria ajudar, que queria de alguma forma participar da preparação da comida, e ele logo foi vencido pelo cansaço. Não precisava nem dos outros cozinheiros, que sabiam exatamente onde e o que fazer, então por que precisaria de uma mulher que só sabia fazer sanduíche?
Porém, mesmo que não admitisse, Rokka gostava de Koala. Sua relação com ela era meio diferente, mas não conseguia deixar de perceber que, de alguma forma, se sentia tão confortável na presença dela quanto na presença de Sabo, o que era um feito e tanto. O conselheiro tinha sido uma presença decisiva na vida dele, mas ela? Ela era só a ajudante petulante dele, ou seja, não tinha nenhuma circunstância que o levasse a criar um vínculo com ela.
A mente humana era esquisita, pensou. Coisas assim eram inexplicáveis.
Mahara Liam costumava ser o mais romântico de todo o exército revolucionário. Certa vez, mencionara que o que fazia o ser humano ser capaz de se relacionar e se afeiçoar aos outros não era a mente, e sim o coração. Inclusive, dissera que, uma mãe, por exemplo, teria sempre um filho preferido dentre muitos, – provavelmente o mais obediente, ou o mais educado. — mas não era assim que acontecia; ela amava todos os filhos igualmente, apesar de todas as suas imperfeições.
Rokka nunca tivera mãe, mas era forçado a concordar. A teoria do tesoureiro fazia muito sentindo, o que era bem contraditório levando em consideração que um tesoureiro é um homem de exatas, e não das ciências sociológicas e filosóficas.
Por fim, o cozinheiro afastou-se desses pensamentos e se concentrou em seu trabalho.
(…)
— Desde que horas vocês estão aqui? — Sabo disse aparecendo na cozinha aproximadamente duas horas depois de Koala.
— Desde bem cedo. — respondeu ela enquanto mexia algo na panela. — eu te disse ontem pra pegar a caixa de decoração no depósito, você já fez isso?
— Ainda não. — respondeu coçando a cabeça.
— Não precisa de decoração, só de comida. — Rokka interveio.
— Claro que precisa! — a moça insistiu, fazendo um biquinho. — posso deixar isso com você, não posso, Sabo-kun?
Sabo suspirou e concordou, se retirando do cômodo. Já se passara mais de um mês desde que tiveram o mágico encontro, e esperava que as coisas caminhassem desde então. Achava que iriam se acertar e começariam a namorar, assim como foi para Padomi e Rokka, mas Koala nunca parecia disposta a discutir sobre o assunto!
Os únicos vislumbres de felicidade que Sabo tinha eram em algumas ocasiões em que conseguia roubar alguns beijos e abraços dela, mas fora isso, tudo se mantivera na mesmice. Não era aquilo que ele queria. Era bom sentir o corpo e os lábios da companheira às vezes, mas o que realmente desejava era um relacionamento estável, dormir e acordar ao lado dela e até, talvez, anéis pra oficializar de vez a relação.
Pigarreou, se sentindo acanhado com os próprios pensamentos.
Desde quando se tornara tão romântico? Tinha que parar de andar com Liam. Estava parecendo uma mulherzinha.
— Ah, Sabo. — foi só pensar nele, que o próprio apareceu. — que caixa é essa?
— São decorações de festa. — retrucou se levantando do chão onde antes estava agachado. — Koala falou com você, imagino. Da festa de aniversário pra Nina e pro Marion.
— Sei… Mas por que está pegando agora? Não ia ser à noite?
— Decidimos fazer durante o horário de almoço, Dragon-san vai participar e esse é o único horário livre dele. — explicou saindo do depósito e ficando de frente para o tesoureiro.
— Os pequenos sabem que ele vai estar lá? Vão ficar muito felizes.
— Não sabem. — riu. — imagine a cara que a Nina vai fazer.
— É… — riu também. — sabe… — ele ficou sério. — Leroy comentou algo um tempo atrás que me deixou bastante intrigado.
— E o que isso tem a ver com o assunto?
Sabo fechou a cara, e Liam não o culpou por isso. Não estava presente na situação, mas ficara sabendo de todo o acontecido da tentativa de Leroy de atrapalhar Sabo e Koala e da investida que Padomi fizera para impedi-lo, acarretando em situação constrangedora para ela. Por mais que, no fim, tivesse ficado tudo bem, isso fez Sabo desgostar ainda mais do ex aluno de Koala.
Mas então, alguns dias depois, ele viera falar com Liam com um ar suspeitoso, perguntando sobre o passado de Marion, sobre como era estranho ele ser tão calado e inexpressivo para a idade, tão desconfiado que deixara até o próprio tesoureiro um tanto interessado pelo assunto. Ele era a pessoa mais próxima de Leroy – com exceção de Koala, claro. — e além de tudo conhecia Marion desde que chegara aos revolucionários, ainda bebê, mas nunca se perguntara porque ele parecia tão desligado e ao mesmo tempo tão ligado a tudo ao seu redor.
— Ele veio conversar comigo sobre Marion um dia desses. — Liam acompanhou Sabo enquanto andava, provavelmente para a sala de jantar. — ele parecia curioso sobre o jeito estranho dele.
— Marion é uma criança. — retrucou ainda um tanto mal humorado e desdenhoso. — você deveria parar de escutar esse cara.
— Nina também é uma criança e é perfeitamente normal.
— Ela tem um par de orelhas de coelho.
— Ah, Sabo, por favor. — Liam revirou os olhos. — você sabe do que estou falando. O garoto não fala mais de duas palavras! Não acha isso preocupante?
Sabo suspirou, parando em frente a porta da sala de jantar.
— Onde quer chegar?
— Quero que me ajude a descobrir porque ele é assim. Se Marion tiver algum problema, eu quero ajudá-lo. Gosto muito daquelas crianças, você sabe.
Sabo desconfiava que aquele interesse de Liam em ajudar tinha algo a ver com a falta que Jay fazia em sua vida. Ele tinha morrido muito jovem – com apenas 3 anos. — e até o momento era como se algo ainda faltasse em suas vidas. Logo, poderia muito bem ser o caso de Liam querer ajudar a criança como compensação por não conseguido fazer nada pelo filho.
— Liam-san, esse tipo de coisa deve ser discutida com Inazuma-san, ele é o professor deles. — retrucou o loiro. — não entendo porque pede isso pra mim.
— Achei que fosse se interessar em estudar o Marion. — Liam sentiu um misto de tristeza e decepção.
— Sabe que isso não vai trazer o Jay de volta, não sabe?
Liam ficou em silêncio, de certa forma surpreso por Sabo citar seu filho assim tão de repente. Mas então viu em seus olhos que ele só estava preocupado, típico de quando diz coisas duras dessa forma.
— Não é possível resgatar os mortos, Sabo. — negou com a cabeça lentamente. — mas é possível ajudar os vivos.
Como Mahara James morrera aos três anos de idade, nunca se soubera realmente com quem ele se pareceria quando mais velho. Tinha cabelos azuis-claros e olhos alaranjados, – o que era uma característica interessante, que herdara do pai de Liam. — o formato de seu rosto lembrava o de Iennifer, mas era apenas isso que parecia ter puxado à mãe, sendo todo resto muito mais parecido com o pai.
E, por mais que não soubesse se ele cresceria continuando a ser igual ao pai, Sabo teria desejado que fosse, pois seria interessante ver a expressão de determinação de Liam sendo herdada.
(…)
Koala cantarolava enquanto terminava de arrumar a mesa. Todo o banquete estava sendo posto na sala de jantar, e auxiliava nos últimos retoques. Não havia necessidade de ser tão caprichosa, mas estava feliz aquele dia e queria deixar Marion e Nina felizes também com uma mesa bem bonita.
Não demorou muito para que as crianças chegassem. Inazuma liberou-os mais cedo aquele dia por motivos óbvios, e logo se juntou à festividade com Ivankov, quando Kirara, Hack, Leroy e Liam também deram as caras. Os pequenos começaram a brincar e conversar entre si, animando ainda mais o clima, e quando Dragon chegou logo cercaram-no disputando para saber quem teria mais sua atenção.
— O bolo está bem bonito, foi você quem fez, Koala-san? — Iriel brotou ao seu lado, com seu sorriso costumeiro.
— Ah. — ela levou uns segundos para raciocinar, por conta do susto. — Rokka que fez, na verdade. Eu apenas confeitei. — sorriu de volta.
— Por isso está tão belo, feito por uma confeiteira igualmente bela — Leroy disse em resposta pegando nas mãos dela e deixando Koala sem jeito.
Foi nessa hora que Sabo passou pela porta, mais arrumado do que mais cedo, provavelmente por se tratar de uma ocasião especial. Assim que chegou, viu-o indo falar com os dois pequenos para parabenizá-los e entregou a cada um uma caixa de presente. No entanto, quando achou que ele iria se afastar dos dois e falar com ela — para conversar e tirá-la de perto de Iriel — ele apenas olhou para ela, sorriu e fez um aceno com o chapéu.
Isso a deixou intrigada. Por que ele não tinha ido falar com ela? Acompanhou com os olhos ele indo para um canto da sala, sentando-se em uma cadeira concentrado em olhar para alguma coisa. Pensou em procurar o que ele olhava, mas Iriel a desconcentrou pois continuava a falar sobre assuntos que ela já tinha parado de prestar atenção há um tempo.
— ...Você não acha? — ele perguntou, inclinando-se.
— S-Sim. — respondeu sem olhar para ele.
— Que curioso. Não achei que concordaria tão rápido comigo sobre ele. — Leroy riu com o nariz, fazendo Koala prestar mais atenção. Ela havia concordado com o que, afinal? — se quiser, posso pedir para Dragon-san para tirá-la dessa função exaustiva, sou um membro importante dos revolucionários enviado pelo próprio Lindbergh-san, certamente ele irá me dar ouvidos.
— Que função exaustiva? — franziu o cenho.
— A de assistente do Sabo. — respondeu como algo óbvio. — a senhorita não acabou concordar que ele é meio abusivo em relação a esse trabalho?
— Sabo-kun não é abusivo! — retrucou irritada e mais alto do que gostaria, atraindo a atenção de alguns que estavam perto. Então, continuou em tom mais baixo e controlado: — eu entendi errado o que disse, Iriel-kun. Sou assistente do Sabo-kun e gosto disso, então não aceito que torne a falar disso desse jeito.
— M-Me desculpe. — disse rapidamente, envergonhado. — eu não queria-
— Se me der licença. — Koala se afastou dele, deixando Leroy sozinho.
Tinha a maior consideração por ele, mas não podia admitir que falassem mal de Sabo. Ele nunca fora abusivo com ela, e inclusive insistia para que ela não exagerasse e se cansasse demais, sempre preocupado com seu bem-estar. Ficara mais irritada do que se tivessem falado de si mesma.
E afinal, por que esperar ele ir falar com ela? Era só ir até ele e iniciar a conversa, simples.
— Pode você está aqui sozinho nesse canto escuro? — ela se sentou ao lado dele, melhorando de humor.
— Adoro um escurinho. — sorriu provocador, e ela sorriu em resposta. — mas não é por isso que estou aqui. Achei que esse seria um bom ponto pra observar o Marion.
— O Marion? — ela olhou para o menino, que era arrastado por Nina para dançar. — por que está observando-o?
— Já parou pra pensar que… — Sabo fez uma pausa, deixando de olhar para a criança e passando a olhar a moça. — ele não fala há alguns meses?
Koala se calou, concentrando-se em vasculhar em suas memórias algum vestígio da voz de Marion. Não era possível que ele ficasse meses sem abrir a boca e ela não tivesse percebido. Porém, mesmo se esforçando muito, não conseguiu se lembrar nem mesmo da última vez que o menino lhe dirigira a palavra.
— Nina sempre diz tudo o que ele pensa ou quer. — apontou discretamente para a rosada. — isso o permite fugir de qualquer diálogo. Não acha estranho que ele não fale? Se Padomi, que se lembra de tudo o que passou não ficou traumatizada, é impossível que Marion tenham algum vestígio de lembrança de quando ficava na encubadora, o que torna tudo ainda mais estranho. Ele não é mudo por conta de trauma ou algo assim.
— Tora também era mais ou menos assim. — lembrou Koala. — eu apenas me aproximei dela e comecei a conversar. Talvez devamos passar a dar mais atenção para o Marion.
— Talvez tenha razão. — concordo ele. — não sei porque não pedi logo sua ajuda, você sempre sabe o que fazer, Koala.
Ele sorriu pra ela e Koala sentiu-se incrível. Um elogio dele era algo que a fazia se sentir nas nuvens, como se sua opinião fosse a mais estimada de todas. Era incrível como Sabo ainda conseguia mexer com ela, mesmo depois de tanto tempo tentando se afastar dele. Fora tudo em vão, no fim das contas, já que em um mês ele conseguiu fazer desandar toda sua determinação de ficar romanticamente longe dele.
Mas o que ela poderia fazer? Ele era encantador, esforçado, gentil… Ela ainda era uma garota, era difícil não ter seu coração capturado quando ele agia daquela forma. Sabia que estava apaixonada, ora, como não estaria? Mesmo que ainda sentisse receio de ter um relacionamento com ele, os momentos a sós que eles tinham… Era de tirar o fôlego.
— Vem aqui. — ela se levantou puxando o pela mão e tirando-o da sala de jantar. Sabo a seguiu, ainda que meio confuso.
— Pra onde estamos indo? — ele indagou.
— Pra… Algum lugar.
Quando se afastaram um pouco mais, ela abriu a porta de algum escritório e entrou com ele, fechando a porta atrás de si. Prontamente, andou até ele e antes que pudesse sequer perguntar o que faziam ali, ela se pôs na ponta dos pés e o beijou.
Os beijos dele eram magníficos, e sempre que tinha que ficar um dia sem sentir os lábios dele, é como se algo estivesse faltando, um vazio. E aquele dia, especialmente, ela se sentia uma devassa. Não era uma mocinha recatada que esperava um homem vir e fazer as coisas caminharem; ela era mais do que isso, e, se quisesse, também saberia dar um passo e satisfazer o fogo que ardia dentro de si.
Nem percebeu quando ele sentou com ela em seu colo. Suas línguas trabalhavam tanto e sua mente estava em branco, não haveria como pensar em algo que não fosse ele, que não fosse aquele momento. Não tinha certeza se aquele fora o melhor beijo deles, mas tinha a mais plena certeza de que fora um dos melhores.
— Koala… — ele arfou, se separando dela em busca de ar. — o que foi isso?
— Um beijo… — ela respondeu umedecendo os lábios provocativa. Desde quando ela sabia ser tão sedutora?
— Não faz isso… — ele estremeceu, passado o polegar de leve nos lábios dela. — você não sabe o que causa em mim. — sussurrou no ouvido dela.
— São coisas boas? — ela perguntou colocando uma mecha atrás da orelha.
— São torturáveis. — Sabo puxou-a mais para perto, e ela sentiu todo o calor do corpo dele emanando no seu.
Ela riu.
— Posso saber por-
Batidas na porta a interromperam, fazendo-a olhar para trás.
— Quem poderia ser? — perguntou para Sabo.
— Ignora. — disse prontamente, louco para continuar.
Ela se voltou para ele, ainda hesitante.
— Não sei se devemos-
Mais uma vez, as batidas na porta a interromperam, só que dessa vez mais fortes e urgentes.
— Eu vou abrir. — Koala declarou se separando de Sabo e pondo-se em pé. Sabo gemeu em contragosto, desanimado pela brincadeira ter acabado.
Quando ela abriu a porta, arregalou os olhos ao ver Marion tremendo e mexendo os braços freneticamente. Ele parecia assustado, como se tivesse visto a própria morte. Rapidamente Koala chamou por Sabo, que se colocou ao lado dela.
— Marion? Por que está aqui? O que houve? — ela perguntou se agachando e colocando as mãos nos ombros dele.
— Por que você não está na festa? O que aconteceu? — Sabo indagou.
— Pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa… — ele gaguejava, o que surpreendeu o casal. — Pa-pa-pado-pado-pado-padomi!
— Padomi? O que tem a Padomi?! — Sabo se aproximou mais dele, agachando-se também.
— Pa-pa-pa-pa-pa-padomi de-de-de-de-de-de-de-desmaiou n-no-no-no-no-no-no ch-ch-chão! A-a-a-a-a-a-a-ajuda! — após ele dizer isso, Sabo e Koala experimentaram uma sensação de surpresa e medo. Era incrível ter visto Marion falar uma frase inteira pela primeira vez, mas temiam pelo o que tinha acontecido com Padomi para deixar o pequeno naquele estado.
— V-v-v-vem! — ele puxou a mão deles, e os dois correram atrás do azulado.
Encontraram Padomi caída no chão em frente a enfermaria. Muitas perguntas rondavam a começa dos dois, do tipo “como Marion tinha a encontrado?” ou “o que Padomi fazia ali desmaiada e não na festa?” mas só conseguiram se concentrar em tirá-la do chão e levá-la para dentro da enfermaria.
Após alguns minutos Iennifer chegou ao seu local de cotidiano, estranhando o barulho de vozes que vinha lá de dentro.
— O que fazem aqui? — ela perguntou a ele, franzindo o cenho.
— A Padomi desmaiou! Você precisa consultá-la! — Sabo praticamente suplicou, temendo pela amiga.
— Calma. — Iennifer pós a mão no ombro dele. Um desesperado não ajudaria em nada em um momento como aquele. Ergueu o olhar analisando Ria, e ela parecia não ter sofrido nenhum hematoma da queda. — quero que vá chamar Rokka.
— C-Certo. — ele assentiu, se acalmando lentamente. Em passos largos ele saiu da enfermaria e rumou em direção a festa, deixando as três mulheres e a criança sozinhas.
— O que você acha que pode ser? — Koala a observava fazer as checagens básicas.
— Tenho uma desconfiança. — confessou-lhe Iennifer. — provavelmente, é por causa da menstruação. Não é incomum ela desmaiar quando está menstruada. — a médica olhou para Marion, que permanecia quietinho sentado no banco olhando para o chão, perguntou com um tom de voz mais elevado: — você a viu cair?
Marion apenas fez não com a cabeça.
Koala pensou por uns segundos, e virou-se para Iennifer.
— Ele… — falou em voz baixa, suficiente para a criança não escutar. — ele falou uma frase inteira comigo e com o Sabo.
— Uma frase inteira? — ecoou a outra, expressando a surpresa apenas na voz. — isso é esquisito. Como ele disse?
— Disse que Padomi tinha desmaiado e nos pediu ajuda. Ele estava muito nervoso, gaguejou muito.
As palavras “gaguejou muito” acenderam uma lâmpada na cabeça da médica revolucionária. Não precisava ser nenhum gênio para imaginar o que se passava com Marion. Esse caso já estava resolvido.
— Acho que nunca disse isso a ninguém. — a mulher de cabelos negros começou a dizer. — nem mesmo ao Liam, que é meu marido, porque nunca vi necessidade. Mas eu tenho quase certeza que Marion herdou características de mink coelho, e a principal delas é o olfato apurado. — olhou para o menino e depois para Koala, que parecia ter ouvido que ET’s existem. — certamente ele sentiu o cheiro de Padomi aqui parado por muito tempo, veio ver o que tinha acontecido e encontrou ela assim.
— Faz todo sentido… — Koala sussurrou, perplexa.
— E sobre ele ter falado com você. — continuou. — acho que ele é gago, e simplesmente isso. Crianças gagas demoram mais a começar a falar ou falam pouquíssimo, e ele se enquadra nisso. Talvez tenha demorado um pouco mais que o normal, mas pode-se dar um desconto levando em consideração que ele foi criado artificialmente. — Iennifer deu ombros, como se não dissesse nada demais. — Ah, ela está acordando.
Padomi abriu os olhos.
(…)
— Deviam ter me chamado assim que a viram caída no chão! — esbravejou o cozinheiro correndo o mais rápido que podia.
— Me desculpe se pensamos em ampará-la antes de chamar o namorado dela. — ironizou o loiro, defendendo-se. — ela está com uma médica, não precisa se preocupar tanto. — ele tentava acompanhar o ritmo do moreno.
— Se fosse com a sua mulher, você estaria despreocupado? — disparou.
Sabo calou-se. Sabia que estaria uma pilha de nervos no lugar dele.
Segundos depois chegaram à enfermaria da base, e Rokka abriu a porta da forma mais abruta possível. Quando finalmente entrou, relaxou os músculos ao ver sua namorada bem, devidamente acordada e sentada na cama.
— Ria… — ele foi até ela, abraçando-a. Sabo entrou logo em seguida na sala, observando os dois. — você está bem? Não se machucou, né? — ele tateou a cabeça dela procurando por algum galo.
— Rokka… — ela apenas murmurou, encarando o chão.
— Ela está bem né? — quis confirmar com Iennifer, que mantinha um olhar severo. Como ela não lhe respondeu, começou a ficar mais preocupado. Koala também estava com uma expressão esquisita.
Então Padomi começou a chorar., o que foi o suficiente para deixá-lo verdadeiramente apavorado.
— M-Meu amor… — ele deixou a vergonha de chamá-la assim em público de lado, juntando as mãos dela. — o que foi?
Padomi ergueu o rosto, com os olhos cheios de lágrimas e com o nariz e as bochechas vermelhas do choro.
— Eu tô grávida, Rokka. — fugou. — grávida.
Grávida…
Grávida…
Grávida?!
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