The Best Job
33 A arte da reconquista

— Começaremos por uma das regras que para mim é, de longe, o mais importante: seja divertido! — Padomi deu um tapa exagerado na lousa, ao lado da palavra que acabara de escrever.
— Divertido? — Sabo estranhou.
— Exatamente. Pode parecer banal, mas um homem divertido faz com que uma mulher se sinta mais confortável e goste de estar na presença dele. É essencial para um bom começo, e se fracassar logo nisso tornará tudo mais difícil..
Sabo suspirou, pensando que aquela não era a forma certa de encorajá-lo. Estava determinado a conquistar Koala, mas ser divertido? As pessoas riam com algumas de suas palhaçadas, porém quase todas fluíam naturalmente, não sabia como ser engraçado com Koala de propósito.
— ...perto dela também. — após terminar de falar, Padomi fez uma careta. — Sabo-san, você estava me escutando?
— Não, desculpe. — foi sincero.
— Eu disse que não precisa necessariamente contar alguma piada pra ela ou algo do gênero, mas se fizer com que alguém perto dela se divirta, vai fazê-la se divertir também.
— Me explique melhor. — pediu.
— Venha comigo. — ela sorriu. — vou lhe mostrar.
(…)
Ele a seguiu por todo o caminho bastante curioso, já que a mais nova o percorrera como se tivesse tido a ideia mais brilhante do mundo – e ele, sinceramente, esperava que ela realmente tivesse tido. Apenas depois de alguns instantes de Sabo percebeu que iam na direção da porta de saída, mas preferiu não supor nada e se adiantar.
— Está vendo ali?
Ele olhou para onde ela apontava, mas viu apenas as crianças vestindo os kimonos para se preparar para a aula matinal de Koala. Era de manhã, logo, não era nenhuma surpresa vê-los ali.
— O que é que tem?
— Eles estão sozinhos, é a sua chance! Vá brincar com eles! — estimulou com pressa, olhando para todos os lados com os olhos. — aproveite que ela não está aqui!
— Me desculpe, mas a ideia não seria ela estar aqui? Quero conquistar Koala, e não a pirralhada. — não se preocupou em referir-se a eles daquela forma, já que sabia que Padomi tinha ciência de que era um apelido carinhoso.
Ela abriu a boca para retrucar, mas antes que sua voz saísse ouviram um pequeno falatório vindo não muito longe dali. Quando olharam na direção, viram que os pequenos estavam reunidos em uma roda, e dois deles pareciam estar brigando. Ria logo viu que aquela seria a deixa perfeita, então empurrou Sabo para frente sussurrando “vá!” enquanto gesticulava o mesmo com a mão.
Meio confuso e tentando adotar uma expressão leviana, Sabo se aproximou dos menores.
— Não posso fazer nada se você não gosta da minha sinceridade, nem foi com você que eu falei! — Rock gritava com Shin, que era segurado – com muita dificuldade – por Marion.
— Exijo que peça desculpas agora, senão vou quebrar sua cara! — o menino de pele morena se debatia de raiva, e Sabo logo viu que era hora de intervir.
— Ou, ou, ou! O que está acontecendo aqui? — se colocou entre eles, para a fim de evitar que acabassem se atracando. As crianças pareciam não ter percebido sua aproximação, pois estavam bem surpresos em vê-lo ali. — e então? Alguém vai explicar ou eu vou ter que descobrir sozinho?
— A culpa é toda minha. — Aurora se adiantou, parecendo prestes a chorar. — fui eu quem re-
— A culpa não é sua, a culpa é desse aí! — Shin apontou para Rock com raiva no olhar. — ele disse para a Aurora que ela deveria desistir do karatê, porque é fraca! — explicou olhando para Sabo, que mediava a discussão. O loiro mais velho olhou para Rock, como se pedisse uma explicação.
— Eu apenas disse a verdade. — deu ombros, olhando para outro canto. — se ela não é boa com o karatê, deveria parar e se concentrar no que tem talento.
— Certo. — Sabo assentiu. — mas foram essas as palavras que usou, Rock?
— Não. — retrucou em contragosto.
— Então, peça desculpas a ela e diga o que quer de forma gentil. — ordenou trazendo Aurora para mais perto da roda.
O ruivinho hesitou um pouco, constrangido por ter que se desculpar assim, na frente de todos. Mas sabia que estava errado, então disse devagar:
— Me… Desculpe, Aurora. — desviava o olhar dela. — você e muito boa com espadas, deveria se esforçar mais nisso.
Sabo sorriu satisfeito, e olhou para Shin.
— Shin, quero que peça desculpas também. — avisou, causando uma clara revolta no garoto. — você tem doze anos, é como se fosse o irmão mais velho de todos aqui, é inadmissível que se descontrole assim.
Shin pareceu dividido, afinal, mexeu nos cabelos loiros e aquela mania era típica de quando estava assim. Por fim, curvou a cabeça de leve, murmurando suas desculpas.
— Pronto, agora estamos todos resolvidos, né? — Sabo sorriu, abaixando-se na altura deles e abrindo os braços. — venham aqui, quero um abraço coletivo!
Aurora, Nina e Tora logo foram de encontro ao abraço de Sabo, felizes. Já os meninos ficaram meio acanhados, e foi preciso que as meninas os puxassem para o abraço, ainda que com algumas contestações da parte deles.
E nesse mesmo minuto, Sabo percebeu uma sombra em cima deles, e quando olhou, viu Koala sorrindo com o uniforme de karatê e o cabelo preço em um pequeno rabo de cavalo.
— Quanto amor para uma segunda-feira. — brincou.
— Sabo-san fez Shin e Rock se entenderem! — Nina adiantou-se em explicar.
— Sim, eu percebi. — sorriu para ela, então virou-se para Sabo. — posso falar com você um instante?
— Claro! — Sabo se levantou num instante, aceitando com mais veemência que o normal.
— Eu vi desde o início, e está de parabéns. — ela elogiou após se afastarem do grupinho. — esses dois sempre se bicam, e nada que eu faça resolve isso.
— Obrigado pelo elogio. Imagino que quase sempre as brigas estejam relacionadas às suas respectivas meninas. — Sabo desviou o olhar para eles.
— É, acertou. — concordou pesadamente. — eu os acho muito pequenos para namorar… Não têm nem quinze anos ainda.
Estava claro desde que conhecera cada uma daquelas crianças sobre os seus sentimentos. Shin era totalmente dedicado a cuidar de Aurora desde que eram ladrões, Rock sempre se expressava para Tora a sua maneira e Marion e Nina, de longe, eram o pequeno casal com a ligação mais forte que já vira. Como o azulado mal falava, era incrível como Nina sabia de tudo o que se passava na cabeça dele.
— Bobagem. — disse ele, após alguns segundos de silêncio. Tirou os olhos das crianças, e mirou profundamente nos orbes cor de mar de Koala. — não há idade para amar.
Aquilo a atingira, e sabia que Sabo percebera. Porém, como havia de ser diferente? Não era possível ver o conselheiro a encarando no fundo de seus olhos, como se enxergasse todos os seus pensamentos através dele e não se sentir, nem que um pouco, mexida com aquilo. Não sabia qual ação sua a denunciara: se era o claro rubor nas bochechas ou o peito que subia e descia mais acelerado que o normal, mas certamente daria algum jeito de evitar aquilo futuramente.
— Eles o obedeceram rápido. — ela comentou mudando de assunto, a fim de não dar-lhe nenhuma abertura.
— Sim. — confirmou, parecendo murchar um pouco pela súbita troca de assunto.
A conversa parecia ter acabado ali, quando viu por cima do ombro uma figura familiar. Franziu a testa para fazer os olhos enxergarem melhor em meio ao sol, e percebeu que se tratava de Padomi escondida atrás de uma pedra balançando os braços como uma doida desmiolada. Quando seus olhos se acostumaram com a situação luminosa, percebeu que ela dizia “convida ela para um encontro” apenas pela leitura labial, uma vez que era impossível escutá-la daquela distância.
Koala percebeu que ele olhava para algo atrás dele.
— O que você está-
— Whoa, não! — ele a segurou nos ombros antes que se virasse para ver. — Ahn… Não era nada.
— Impossível você estar olhar nada.
— Era só um passarinho, estava tentando identificar qual era. — inventou qualquer coisa, e antes que ela pudesse responder, apressou-se em perguntar: — Você gostaria que eu te dissesse como fazer isso? — disse repentinamente, causando confusão em Koala. — como discipliná-los, eu posso te dizer. — explicou.
Koala pensou por uns instantes. Ele, por algum motivo, fora realmente eficaz com as crianças, e estava verdadeiramente admirada por isso. Talvez, se aprendesse com ele, conseguiria se tornar uma instrutora melhor, e isso era tudo o que desejava no momento.
Mas ao mesmo tempo, assim como na situação anterior, não queria dar espaço para ele se aproximar mais do que o devido. Porém, constatou, não havia outra alternativa. Isso lhe custaria tempo e ainda que ele a explicasse ali, bem rápido, não seria uma conversa tão produtiva quanto poderia ser.
Logo, cedeu, e aceitou, certa de que seria apenas uma conversa amigável entre colegas sobre trabalho.
Por mais que não fosse bem dessa forma que Sabo planejava.
(…)
— Boa, boa, boa, Sabo-san! — Padomi pulou de felicidade em cima dele, abraçando-o. — sabia que conseguiria!
— É claro que eu ia conseguir, afinal, eu sou o grande conselheiro Sabo! — brincou-se de se gabar, retribuindo o abraço dela e a pendendo no ar, por culpa da diferença enorme de altura. — mas é claro, tive uma ótima professora. — sorriu sincero, depois de colocá-la de volta no chão.
— Não precisa agradecer. — ela corou e virou o rosto de cara fechada, sentando no banco de dois lugares e fingindo desinteresse total. — eu não fiz praticamente nada, na verdade. Apenas disse para se envolver com as crianças.
— É mesmo, por que me disse pra fazer isso? Até agora não entendo. — ele sentou-se ao lado dela.
— As crianças são o ponto fraco de Koala. — Padomi explicou sabiamente, dobrando as pernas no banco em que estavam. — ela se dedica muito como professora, então deduzi que, caso se mostrasse bom com elas, ganharia pontos em seus conceitos. Mas tive que adaptar o plano porque Shin e Rock estavam brigando, mas você se mostrou um bom pai da mesma forma.
— Entendo… — ele assimilava, até que ruborizou bruscamente. — Espera, pai?!
— É, ué. — ela deu ombros, ignorando a reação exagerada dele. — homens com um ar de “futuro bom pai” conquistam fácil o coração de uma garota.
Isso o fez pensar se, algum dia, se tornaria realmente pai. Não que laços sanguíneos realmente importassem: ele e os irmãos eram a prova viva disso, além de considerar o chefe, Dragon-san como seu verdadeiro pai, mas ainda assim, não conseguira deixar a inquietação sobre trazer um pequeno ser de cabelos loiros e olhos redondos para esse mundo de fora.
Mas teria que deixar. Aquele não era o mundo o qual queria que um filho seu vivesse, e, além do mais, nem mesmo poderia ficar com ele, já que era proibido pelo código dos revolucionários manter uma criança que não tinham opção de escolha. Liam e Iennifer apenas conseguiram ficar com o falecido Jay porque a única pessoa com quem podiam contar para criar o pequeno falecera durante a gravidez, não restando opção a não ser deixá-lo com eles.
Mas Sabo tinha alguém com quem poderia deixar, e ele sabia que sua ética não o permitiria mentir.
— Você ficou sério de repente. — Padomi comentou, olhando-o meio preocupada.
Sabo sorriu.
— Estava divagando.
— Entendo. — ela parecia decidir se acreditava ou não, o que o fez rir. Ela ainda tinha um ar infantil.
Padomi não era mais uma criança, ele estava certo disso, e não era apenas porque contava com dezoito anos no momento. Parou de adorá-lo a todo momento, dedicou-se mais às missões e parou de causar intrigas com Koala – por mais que, a maior parte disso seja por sua ausência. Até mesmo parara de chamar Koala pelo nome científico: Phascorlactos. Era bom ver que ela tinha crescido, e queria muito vê-la feliz.
— É hora de irmos para o nosso próximo objetivo: você. — ele se mostrou bastante animado, sentando-se de lado no banco para ficar cara a cara com a moça meio mink. — já pensei em algo.
— Verdade? — duvidou, incrédula. — achei que de ontem para hoje não conseguiria pensar em nada adequado.
— Não me subestime. — avisou com um ar convencido. — eu sou bem inteligente, sabia?
— Bem, então o que é? — indagou como se esperasse algo bem bobo da parte dele.
Sabo riu.
— Vem comigo.
(…)
Então, ele a levou para o lugar que ela menos esperava: o quarto dela. Desde tornaram daquele lugar sua nova base, Padomi solicitara um quarto privado, abandonando o costume de dormir com as outras crianças. Agora, quem dormia junto deles era Rokka, por mais todos – inclusive os próprios pequenos – insistam que aquilo não era necessário.
— Perfeito! — Sabo exclamou. Estava vasculhando as roupas dela no armário há no mínimo dez minutos, sem qualquer pudor, e aparecera finalmente achar o que procurava. — primeiro, você tem que vestir isso aqui. — ele colocou o vestido na cama, para que Padomi pudesse vê-lo melhor.
— Meu antigo vestido? — Padomi se mostrou confusa.
— Ele não cabe mais?
— Claro que cabe! — praticamente berrou em resposta, ofendida. — só não entendo o que ele tem a ver com o que planejamos.
— Simples: Rokka gosta dele. — explicou simplório, dando ombros.
Padomi o encarou por alguns segundos, incrédula. Era óbvio que Rokka odiava tudo o que ela vestia antigamente, tanto que a maior parte das intrigas dela e dele eram por conta das roupas provocantes que tanto gostava. Nunca contara a ninguém, mas a maior parte do motivo por qual apreciava tanto usá-las era sempre ter a atenção de Rokka para elas: se sentia única, visto que o cozinheiro não olhava para mais nenhuma outra mulher.
— Rokka dizia que não gostava, mas tenho certeza de que ele gostava sim. — o loiro explicou confiante. — eu o vi várias vezes olhando admirado para as roupas que você usava, e não eram olhares de desaprovação.
— Isso… Não faz muito sentido. — sentiu suas bochechas esquentaram, de repente meio tímida. Era estranho saber que Rokka a encarava dessa forma. — ele vivia brigando comigo.
— É porque… — Sabo parou de falar por uns segundos, como se procurasse as palavras certas. — pode soar meio machista, mas ele não gostava que outros homens também vissem o seu corpo, entende? Pelo menos, é assim que eu interpreto.
Ria suspirou. Ela entendia sim. Nunca esquecera quando conseguira, finalmente, vê-lo sem camisa, em uma ocasião em que entrou em seu quarto sem bater. Era uma visão magnífica, nunca imaginaria que ele tinha um porte físico daquele, e odiaria saber que outra garota também pudesse apreciá-lo.
— Enfim. — o conselheiro interrompeu seus devaneios — o plano vai ser o seguinte: durante meu encontro com Koala, que será à noite, eu vou pedir para Rokka que leve anchovas para nós.
— Anchovas? Por que anchovas? — ela o interrompeu.
— Como ia dizendo… — continuou, parecendo irritado pela interrupção. — vou pedir que leve anchovas, e mesmo sendo algo estranho, tenho certeza de que ele o fará. Pois bem, percebi que não há nenhuma delas na cozinha, o que fará com que ele precise ir até o fundo do depósito para pegar, pois é lá que elas ficam. — Sabo parecia animado ao contar o plano. — mas você já vai estar lá, escondida em um canto escuro, e pronto!
— Pronto?— Padomi praticamente gritou, desacreditada.
— Vou trancá-los lá dentro! — explicou exasperado. — não é genial?
— Sabo-san, sabe que não somos pandas, não sabe? Não pode simplesmente trancar a gente por horas e esperar que façamos as pazes! — ela argumentou. — e afinal, o que esse vestido tem a ver?
— Você vai usá-lo, ué, simples. — ele deu ombros. — esse é o favorito dele.
Padomi sentiu vontade de perguntar como ele sabia daquilo, mas apenas massageou as têmporas.
Sabia que não deveria topar aquele plano maluco.
Mas, mesmo assim, topou.
(…)
De noite, naquele mesmo dia, Sabo estava uma pilha de nervos. Conseguira terminar todo o trabalho daquele dia às pressas, e o restante de seu tempo fora dedicado a aprontar tudo para o tão estimado encontro. Parecia uma coisa boba, mas depois de dois anos e meio de investidas fracassadas era um passo dos grandes.
— Pronto, perfeito. — Padomi penteavas os cabelos dele, de pé em cima de uma cadeira. — passou aquele perfume que eu te dei?
— Passei, não dá pra sentir? Eu deveria colocar mais? — indagou nervoso, e ela riu.
— Não, tá bom assim. — ela acalmou-o, com as mãos em seus ombros. — é só se acalmar e ser você mesmo.
Isso o acalmou, já que pôde perceber seus músculos, antes tensos, relaxando.
— Padomi? — Sabo a chamou, enquanto ela arrumava sua camisa.
— Hm?
— Quais são as outras regras?
Ela subiu o olhar.
— Você não precisa delas. — ela o encarava com um olhar profundo, e parecia… Orgulhosa? — achei que precisava te ensinar como ser bom para uma garota, mas percebi que isso já estava impregnado em você. — Padomi desceu da cadeira, indo em direção à porta de saída do terraço.
A moça sabia que o deixara curioso, mas não eram nem mesmo regras muito originais. A primeira e a segunda ele já sabia: não discutir sobre peso e ser divertido. As outras eram apenas ser educado, responsável e bom com crianças, adjetivos que mostrara tanto para ela quando para Koala que ele dispunha e muito.
Depois que Padomi desceu as escadas e o deixou sozinho, Sabo percebeu que ela deixara um buquê de flores em cima da mesa do jantar, e antes que começasse a raciocinar o motivo de tê-lo deixado ali, percebeu que Koala chegara no local.
— Koala. — ele a anunciou, olhando a de cima a baixo. Uau, pensou. Ela estava linda, usando um vestido vermelho e, de alguma forma, parecia ter cacheado mais as pontas do cabelo.
— O-Oi… — ela murmurou, envergonhada.
— Aqui, são pra você. — ele pegou o buquê de rosas e estendeu para ela, que pegou agraciada.
— São pra mim? — ela mal podia acreditar. — muito obrigada, são lindas. — deu uma leve cheirada nelas, fazendo uma grande satisfação crescer no peito do conselheiro.
— Sente-se. — ele pediu, puxando a cadeira para ela. Ela agradecei e se sentou.
Koala imaginava que seria apenas uma conversa sem nada especial, onde comeriam um sanduíche e beberiam água depois. Mas quando Iennifer surgira em seu quarto com um vestido especial e uma pinça quente para ondular o cabelo percebera a burrada que fizera de aceitar aquilo. Estava óbvio que Sabo planejava um encontro romântico.
E que encontro. Estavam no terraço, à noite, com a mesa decorada com flores e várias velas acessas iluminando o local, criando um clima excepcional de restaurante 5 estrelas. Não conseguia imaginar como Sabo arrumara aquilo, já que sabia que ele nunca havia ido a algum lugar assim, então só podia haver alguém cooperando com ele.
— Aqui está o jantar. — ouviu uma voz masculina ao lado, e quando olhou, viu Rokka de cara fechada segurando um bandeja. Logo, ele colocou os pratos na mesa, e ela e Sabo agradeceram.
— Espere, Rokka! — Sabo o fez parar, chamando-o de súbito. — será que pode trazer algumas anchovas?
— Anchovas?— Rokka ecoou.
— Sim, anchovas. — Sabo confirmou como se fosse a coisa mais normal do mundo, e Koala apenas observava-os inexpressiva. — por favor. — completou.
— Claro. — Rokka assentiu devagar, como se estivesse de frente a um elefante cor-de-rosa. Alguns instantes depois, saiu do local, parecendo bem confuso.
Será que Sabo estava bem da cabeça? Ele pensava, enquanto percorria os corredores do QG. Ele era seu amigo e superior, não deveria questioná-lo, então apenas concordou sem fazer nenhuma pergunta. Seria rápido: pegaria uma lata, despejaria num prato, levaria para ele e depois estaria livre pelo resto da noite.
No entanto, antes que virasse para o corredor que dava passagem para a dispensa e para a cozinha, ouviu uns barulhos estranhos vindo desse mesmo corredor, então logo apressou os passos para ver do que se tratava.
O que Rokka não esperava, era encontrar Leroy caído no chão.
E Padomi de quatro, em cima dele.
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