Lydia Martin

— Como sabia disso? – perguntei, me aproximando do Scott.

A terrível queimação que tornou-se no meu braço no mesmo instante que o garoto me tocou já havia diminuído, sendo agora apenas um formigamento, mas ainda incomodava. Stiles estava atrás de mim, e Kira atrás do Alfa que me encarava maravilhado.

— Então era verdade – disse para si mesmo. Apertei seu braço com força, que obvio, não fez diferença nenhuma para ele. – O livro dizia que uma Banshee consegue perceber um ser sobrenatural de diversas formas, o contato físico é uma delas. O que ele é?

— Precisava me empurrar pra cima dele? – questionei, largando o seu braço. – Eu não sei o que ele é, okay? Mas, isso está formigando.

— O que está formigando, Lydia? – Kira perguntou, dando um passo a frente.

— O meu braço – suspirei. – Bem onde ele tocou.

Stiles se aproximou, quase conseguia sentir a sua respiração nervosa na minha nuca.

— Se tentar se concentrar, consegue descobrir o que são? – perguntou.

— Eu não sei, Stiles – bufei. – E também não quero saber. Desde que não fação mal à ninguém.

Me distanciei deles, garantindo que não me seguiriam, fui até o campo de Lacrosse indo direto para a arquibancada. Não tinha ninguém ali, o que era bem raro, e bom. Fechei os olhos deixando que as lagrimas brotassem por eles e escorressem por todo o meu rosto. Era um choro frenético, mas silencioso.

— Lydia — ouvi uma voz conhecida chamar, fazendo-me abrir os olhos rapidamente. — Não precisa gritar, está tudo bem.

Allison estava ao meu lado, com seus cabelos curtos voando, e um sorriso preocupado no rosto. Fechei os olhos de novo, na tentativa de que a ilusão fosse embora. Ela estava morta, eu não merecia sofrer ainda mais achando que minha melhor amiga poderia falar comigo. Abri os olhos lentamente, e ela ainda estava ali.

— Allison. – sussurrei.

Sou eu – disse. – Não seja dura consigo mesma, você precisa de Stiles e Scott, é impossível que te desprendam do sobrenatural, então use isso como um dom. Ajude os outros, seja sempre como foi comigo.

Ela falava aquilo tudo abertamente, tão natural que cheguei a duvidar se podia toca-la.

— Por que você fez isso? – questionei, aumentando o tom de vocês. – Precisamos de você aqui!

Estou com vocês, amiga — ela sorriu. – Sempre estarei.

— Você precisa voltar.

Eu tenho que ir – falou.— Faça o certo. Eu amo você, e tenho muito orgulho.

Minha cabeça gritava dizendo que eu estava enlouquecendo e que tudo não passava de uma alucinação, mas meu coração queria que ela ficasse um pouco mais. Não importava o que ela fosse. Precisava ouvir sua voz, sentir o seu cheiro, me sentir completa.

— Allison ... – antes que eu pudesse terminar ela sumiu, simplesmente evaporou. No chão, onde ela estava a poucos segundos havia uma pulseira com o nome Allison Argent. Não pude conter o sorriso ao ver a pulseira em meu pulso, de onde não sairia tão cedo.

Agora mais do que nunca, por todo lugar que eu fosse, Allison estaria comigo.