Thantophobia
6 Buzz
Notas iniciais

Lydia Martin
O colégio deveria estar quase vazio, o sinal já havia batido e grande parte das pessoas, provavelmente, estariam em suas respectivas casas, ou a caminho delas. Mas não era o meu caso, nem o do Scott e Stiles. Não entendia o motivo, ao menos quiseram falar, mas o diretor pediu que assim que as aulas chegassem ao fim, no dia de hoje, deveríamos seguir até a sala da nova orientadora.
Ela andava em passos curtos nos analisando, em quanto eu olhava para as minhas unhas sem me importar com a presença da tal. Por um breve momento tive medo de que alguém tivesse me visto falando sozinha no campo, mas não haviam motivos para chamar os garotos também.
Por canto do olho, pude ver Stiles batendo os pés com os braços cruzados na altura do peito, com os olhos presos na mulher que continuava a andar. Scott fitava o chão, brincando com os dedos.
Stiles bufou.
— Dá licença – arrumou-se na cadeira, ajeitando a postura. – Só queria saber se pretende demorar muito com esse negocio. Sabe, eu tenho lição de casa, então ...
Scott abriu a boca, provavelmente para repreender o amigo, que tinha toda razão, diga-se de passagem, mas a mulher interrompeu.
— Sou Mirian – disse, sentando-se em sua cadeira. – Gostaria de conversar com vocês, sei que tiveram uma perda recente e pelo o que soube, vocês eram os mais próximos da Allison.
— Não apenas a gente. – falei, olhando-a por um breve momento.
— Vocês eram melhores amigas, Lydia. – rebateu, estreitando o olhar.
— Ela também tinha um melhor amigo – suspirei. – E ele não está aqui.
— Isaac não vem à escola desde a morte dela. – falou.
— Estamos aqui – olhei para os garotos, que me olhavam atentamente. – Estamos bem. Deveria procura-lo.
— Allison lhe deu isso? – segui o seu olhar que encontrava-se com o meu pulso, na pulseira para ser mais especifica. Abaixei o braço de modo que ela não pudesse mas vê-la.
— Era dela. – falei simplesmente.
— Por que está usando-a? – perguntou, se aproximando.
— Porque é bonita. – balancei a pulseira no ar, para que ela visse.
— Lydia, você pode ...
— Ir embora – completei a frase de forma diferente. – Obrigada, e até mais!
Andei apressada em direção a porta, sem dar à ela chances de falar. Sabia que os garotos estavam atrás de mim, mas não disseram uma palavra, mal poderiam, acabei de nos livrar de algumas horas de tédio. Como eu imaginei, o estacionamento encontrava-se quase vazio.
— Vejo vocês depois. – Scott disse, e seguiu até a sua moto.
O jipe de Stiles, para o meu asar, estava estacionado ao lado do meu carro. Meus passos se tornaram mais largos a medida em que nos aproximávamos dos automóveis.
— Lydia – chamou quando parei com a mão no controle para destrava-lo. – Podemos conversar?
— Não. – falei, finalmente apertando o botão.
— Essa pulseira ... – o cortei.
— Era da Allison, e agora é minha – suspirei. – Qual o problema nisso?
— Não estava com você antes. – disse, dando um passo em minha direção, mas eu recuei.
— Você não sabe de nada, Stiles.
Entrei no carro batendo a porta logo em seguida. Por algum estranho motivo ele sabia que aquilo não estava comigo antes e isso me intrigava. Liguei o som do carro afim de afastar esses pensamentos, até que um zumbido começou a ecoar pelo local. Não tinha ideia do que significava, ou do que era.
Uma buzina despertou-me do transe, fazendo com que eu olhasse pelo o retrovisor, encontrando o velho Jipe de Stiles atrás de mim. Rolei os olhos. Ele nunca desistia. Estacionei o carro frente a minha casa, saindo rapidamente na esperança de que ele percebesse que não era uma boa hora para conversar. Stiles saiu do carro antes mesmo que estivesse devidamente estacionado e correu até que estivesse ao meu lado.
— O que foi? – perguntei pausadamente.
— A pulseira – ele disse, ofegante. – Reparo em você o bastante pra perceber que ela não estava ai antes.
Estreitei os olhos, mas ele ao menos pareceu se importar com o que havia dito.
— Allison esqueceu nas minhas coisas – falei. – Pronto, pode ir.
— Lydia ... – o interrompi, colocando um dedo em seus lábios.
— Está ouvindo isso? – perguntei.
O zumbido continuou.
— Não – disse. – O que está ouvindo?
— Eu não sei – falei. – Se concentra, Lydia.
As únicas certeza que tinha era que o zumbido tinha algo relacionado aos gritos, e ...
Aquilo era algo sobrenatural
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