Terry

6 Capítulo 6


Notas iniciais
"Não importa o quanto você lute, se sacrifique ou se esforce para conseguir certas coisas. Algumas coisas, simplesmente, não devem acontecer. Outras, acontecem porque simplesmente, tem de acontecer. E grande parte delas, acontecem na hora que devem acontecer. Nunca antes, ou depois." - Ricardo Menezes

– Rápido, entre aqui! Estaremos seguros aqui dentro.

Terry entra então no grande prédio, onde seu "clone" estava e o chamava. Dentro estava tudo escuro. Novamente, parecia que lá fora estava dia, mas dentro do lugar, já era noite, fugindo totalmente à lógica e razão do tempo. Terry pensa em olhar para trás e ver o clone, mas uma luz foi acesa antes dele pensar em fazer isso. O clone tinha uma lanterna. Terry pede para examinar a lanterna que o clone estava usando. Ao pegá-la, ele constata que a lanterna era igual a que ele havia pegado na lanchonete, um tempo antes. Mas ao perguntar para o clone sobre onde ele havia conseguido aquela lanterna, Terry teve uma surpresa maior ainda. O clone disse que a lanterna era dele mesmo. Ele havia ganhado aquela lanterna de seu pai, e sempre a manteve em seu carro. Ele havia se acidentado no meio da estrada. O carro rodou numa curva, e bateu num pequeno morro e não ligou mais, então, ele resolveu seguir em frente pra tentar achar ajuda, já que não tinha sinal de celular nem nada. E levou consigo a lanterna.

Custava para Terry acreditar nisso tudo, porque parecia tudo algo muito absurdo. Como se fosse um monte de mentiras bem contadas, que ele estava tentando juntar para fazer algum sentido e poder dar nexo para os acontecimentos. Mas apesar de se forçar a acreditar que tudo aquilo acontecia por causa disto e daquilo, ele não acreditava realmente. O que ele estava mesmo, era muito perdido no meio de toda aquela confusão.

Os dois então conversam um pouco, para poder respirar um pouco.

– E faz quantos anos que você está aqui? — perguntou Terry.

– Eu já não lembro mais, eu...

– MAS MEU DEUS DO CÉU! EU NÃO TENHO IRMÃO GÊMEO! NEM SE QUER TENHO IRMÃO! COMO É POSSÍVEL VOCÊ EXISTIR?

– Olha, eu já te disse: não entendo como é possível VOCÊ existir. Porque eu estou aqui há muito tempo, conheço muito desta cidade e...

– E que cidade é esta, afinal de contas?

– Eu não tenho certeza. Sei que estamos no estado da Pensilvânia. Lembro-me bem de ter vindo pra cá. Condado de Columbia. Mas esta cidade em si... Eu não consigo achar nenhuma localização em lugar algum. Nem nome das cidades ao redor. As ruas nem sequer tem placas indicando seus nomes.

– Isso não ta certo. Nada do que tem acontecido está certo. E Laura? Você conhece Laura?

– Sim, nós fomos namorados por muito tempo.

– Mas não é possível! Eu conheço Laura há mais de oito anos. Desde muito novo! Ela nunca teve outro namorado na vida além de mim! Até um ano atrás, quando ela morreu com 23 anos, ainda éramos noivos! Como você pode dizer que vocês eram namorados?

– O que você está dizendo? Está louco?

– Louco? Por que louco?

– Laura se matou quando tinha 18 anos!

Silêncio. Terry não mexia um músculo. Seus olhos travados. Sua mente não funcionava, naquele momento. Aquilo que Terry ouviu foi como uma queda pra dentro de um abismo. Mesmo sem saber se era verdade, se devia acreditar, aquilo foi como um tiro no meio da cabeça. Terry fica boquiaberto, sem conseguir esboçar uma reação sequer. Ele então perde o rumo de tudo. Tateando a parede do lugar onde eles estavam, Terry se arrasta até um lugar para sentar-se. O peso da cabeça torna-se insuportável e ele usa sua mão para apoiá-la. Seu olhar estava voltado para o chão. O corpo estava mole. Parecia que Terry havia morrido junto com aquela notícia. Com muito esforço, ele consegue erguer a cabeça, olhar para o clone, e pergunta.

– Como... Como ela se matou?

– Bom, você deve se lembrar de um chalé, bem afastado da cidade.

– Sim. Foi a última vez que a vi enquanto ainda estava viva. Ficamos lá num feriado. Fez sol todos os dias, apro...

– Sol?! – interrompe o clone.

– Sim! Até nadamos numa pequena lagoa que havia ali.

– Não! Choveu nos três dias que passamos lá!

Terry olha pro clone, com um olhar de raiva. Parecia que ele estava dizendo aquelas coisas de propósito para irritar Terry. Para deixá-lo mais confuso ainda.

– ISSO É MENTIRA!

– Estou lhe dizendo! Era...

Enquanto o clone explicava a situação, ele começa a coçar seu pescoço. De início, parecia ser só uma pequena coceira. Mas Terry percebe que o clone não conseguia parar de coçar.

– O que está havendo com seu pescoço?

– Não é nada. Só está coçando.

Mas a coceira piorava. E o clone começa a esfregar com mais força. Seu pescoço já estava ficando vermelho de tanto coçar. Terry olha assustado para a cena, vendo que aquilo estava ficando pior e pior.

– Merda!!! Não para de coçar!!!

O pescoço do clone começa a ficar vermelho DEMAIS. E as primeiras marcas de sangue surgem. O clone se joga no chão e começa a coçar freneticamente, se cortando cada vez mais com as próprias unhas. Terry fica apavorado com a imagem que está vendo em sua frente. O clone começa a ficar desesperado no chão, pois já não é apenas o pescoço que coçava. Parecia ser o corpo inteiro. Ele se contorcia no chão, de certa forma, que parecia estar levando uma altíssima descarga elétrica.

– AHHH! QUEIMA! TÁ QUEIMANDO! SOCORRY, TERRY! POR FAVOR!

Mas Terry não conseguia fazer nada, além de observar apavorado aquele espetáculo de horror. As roupas do clone já estavam bastante rasgadas e seu corpo dava a impressão de que estava com alguns ossos quebrados, pelos movimentos que seus braços e pernas faziam. Era tudo desconexo e bizarro. Até que em certo momento, o clone levanta-se. Todo cortado, sangrando, atordoado e desarrumado, ele corre em direção a uma porta dupla, que levava mais adentro daquele prédio em que estavam. O clone corre de forma bisonha, batendo nas paredes e todos os objetos que estavam no caminho. A única coisa que Terry viu foi o clone passando pelas portas e logo em seguida, elas se fecham. Não teve chance de ver o que havia atrás daquelas portas. Lá longe, conseguia ouvir o barulho das coisas caindo e os gritos do clone, embolados com um choro sofrido e engasgado. Cada vez mais longe, até sumir de vez no nada.

Novamente, Terry estava sozinho. Tudo que podia ouvir era o barulho do vento passando por debaixo das portas e alguns outros ruídos que não era possível para Terry entender o que era. E só depois de uns minutos imóvel, Ele se dá conta de que está engolido numa escuridão assustadora. Ele pega a lanterna do clone, e igualmente a lanterna que ele tinha, sem entender muito bem como era possível, a lanterna estava funcionando novamente. Terry dá uma olhada no lugar onde estava para tentar entender que lugar era aquele. A pequena sala em que ele estava parecia ser só uma simples sala, abandonada há muito tempo. Havia ali apenas um banco encostado na parede e alguns papéis jogados ao chão. As paredes tinham manchas, que tinham a forma exata de armários e mesas, que provavelmente estavam ali há anos e foram retirados. O lugar, apesar de pequeno, dava uma sensação de desolação total.

Terry senta-se um pouco no banco. Precisava respirar. Se refazer. Apoiando a cabeça em suas mãos, ele olha para baixo e percebe que em meio àquela papelada toda, havia um papel um pouco diferente. Maior e mais colorido. Terry ajoelha-se no chão e pega o papel que estava no chão. Ao abrir aquele papel que estava todo dobrado, percebe que era uma espécie de planta de construção. No papel, havia várias informações sobre o lugar. E no topo direito, havia o nome do lugar. Terry então descobre onde estava.

– Uma escola?! Por que diabos fui trazido até aqui? Isso não faz o menor sentido!

Indignado com a descoberta, Terry põe-se em pé e resolve sair dali. Vai até a porta de saída e tem outra descoberta desagradável. A porta estava trancada. Terry tenta forçar a maçaneta da porta, sem obter sucesso algum. Ele tenta então chutar a porta e nada, ela mal se move. Terry chuta com toda sua força, mas a situação continua a mesma. Exausto, pelo pouco de esforço que fez, mas por estar muito fraco, Terry então percebe que de nada vai adiantar tentar voltar. No caminho em que ele estava não havia volta. Voltar pela porta que entrou não poderia ser possível. Assim, Terry olha pro outro lado da sala, onde havia a porta dupla. Ele caminha para perto dela, respira fundo, pensa bem em tudo que estava acontecendo, e só então, consegue criar coragem para abrir as portas e adentrar mais naquele lugar que, diferentemente de uma escola normal, não parecia ser nada convidativo. Se algumas crianças já tem medo de ir pra escola, esta aqui então, até mesmo os mais valentes adultos teriam medo.

Terry toca as portas com suas mãos. Seus braços bastante esticados. Ele empurra as portas, revelando um grande corredor escuro, parecendo não ter fim. Por mais que tentasse vencer a escuridão com sua lanterna, o corredor era muito escuro. E bem diferente daquela primeira sala em que estava, o corredor estava repleto de armários escolares, cartazes, propagandas. Parecia que a escola ainda funcionava. Mas com certo ar de abandono. Tremendo de medo por não saber o que esperar, Terry passa pelas portas e chega ao tal corredor. À medida que ia avançando no corredor, portas e mais portas podiam ser vistas nas laterais do corredor, mas sempre trancadas. Terry não ligava muito para esses pequenos detalhes, pois seu medo era gigantesco. Pouco importava o que havia detrás daquelas portas. Tudo que ele queria, era sair dali. Por um fim naquele pesadelo que estava vivendo.

Terry parece conseguir ver com muita definição tudo que havia acontecido. E pergunta-se em silêncio, qual o motivo para tudo aquilo estar acontecendo. E como tudo aquilo podia ser real. Facilmente aquilo poderia ser confundido com um sonho. Um pesadelo! Mas não podia ser um pesadelo, uma vez que a dor era bastante real.

– AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!

Terry congela. Seus olhos arregalam-se. Seu corpo fica imóvel e sua garganta fecha e nem saliva ou ar passam por ela.

Um grito extremamente sofrido invade aquele corredor assustador. Parece ecoar por toda escola, causando maior espanto ainda em Terry. Segundos depois, tudo que era possível ser ouvido, era o ritmo acelerado do coração de Terry e absolutamente mais nada. Ele sentia seu corpo queimar e ao mesmo tempo congelar. O medo de ouvir outro grito era tão grande quanto o de avistar qualquer coisa que o tivesse provocado. A vontade que dava, era de permanecer ali e não seguir adiante jamais. Porém, Terry sabia que era preciso. Fosse o que fosse, ele devia seguir em frente. Quase travado, os primeiros passos muito tímidos são dados. A luz da lanterna treme sem cessar. O corpo inteiro de Terry treme. Parece que ele pode sentir o seu corpo implorar para voltar, mas ele luta para seguir em frente.

Logo à frente, havia outro corredor cruzando o caminho do que Terry estava. Percebendo isso, ele fica atento para qualquer coisa que pudesse surgir daquele caminho. Mas como não havia barulho algum e Terry não estava vendo coisa alguma à sua frente, ele resolve aproximar-se mais daquela encruzilhada. E uma cena assustadora surge naquele momento. Sem provocar som de tipo algum, uma bola passa rolando pelo outro corredor, cruzando o que Terry estava. Ao ver que era apenas uma bola, Terry respira aliviado e a tensão diminui um pouco, fazendo seu peito doer menos. Ele chega então mais perto do corredor para ver aonde aquela bola tinha ido. Terry chega até o lugar e toma o caminho à esquerda, que era para onde a bola havia ido. Ele não pode notar naquele momento, mas por algum motivo, grande parte de seu medo havia sido extinguido, ao ver aquela bola passando em sua frente. Um pouco adiante, Terry avista a tal bola encostada na parede do corredor. Aproximando-se, ele pode perceber que ela estava bastante manchada. Muita sujeira. Não dava pra dizer, mas parecia sangue coagulado em alguns lugares. Terry se abaixa para pegar a bola, e num momento até infantil, de certo modo, ele sente-se feliz. Era como se fosse um presente. Algo que o fez voltar no tempo. Seu tempo de criança.

E naquele mesmo instante, algo chega por trás de Terry, que estava de cara para a parede, e toma a bola de suas mãos com muita violência. Ele vira-se, já imediatamente dando um pulo para trás, assustado. E para seu espanto, quem havia tomado a bola de suas mãos, era uma criança. Assustada mas brava, por Terry ter pegado a bola que, aparentemente, era dela. Terry não sabia o que sentir, então sentia tudo. Medo, dó, angústia, carinho, preocupação, afeto, desespero. Um turbilhão de coisas ao mesmo tempo. Mas quando ele percebe que a criança que estava ali, não iria se mover, porque também estava assustada, Terry se ajeita lentamente para ficar agachado. Feito isso, ele olha para a criança, sem saber ainda se era menino ou menina.

– Ei, pequeno! Não tenha medo. Eu não vou te fazer mal!

– ... – a criança nada respondia.

– Essa bola é sua? Não se preocupe, eu não quero tomá-la de você.

– ... – a criança continuava muda e imóvel.

– Me diga, o que alguém tão pequeno como você faz por aqui? Esse lugar é perigoso!

– ... – nenhuma palavra saia da boca da criança.

– Venha, vamos procurar um lugar seguro para você ficar.

Terry dá um impulso com as pernas e fica em pé, mas curvado para ficar mais perto da criança. Mal fez isso, algo interrompe sua ação.

– NÃO FAÇA ISSO! – uma voz num tom ameaçador invade todo o espaço vazio da escola. Uma voz feminina, mas muito grave e furiosa. Terry toma um grande susto, mas consegue manter a calma e fica parado – Ela não precisa de sua ajuda! Apenas vá embora!

– É só o que eu quero! Eu quero sair daqui! – disse Terry sem saber para onde olhar, pois não sabia de onde vinha aquela voz.

– Apenas saia daqui!

– Mas eu não sei como! Eu não quero ficar aqui nesta escola! Eu só quero ir embora daqui!

– VÁ EMBORA DAQUI! É MEU ÚLTIMO AVISO!

– MAS EU NÃO SEI PRA ONDE IR, OU O QUE FAZER!!! EU SÓ QUERO SAIR DAQUI! Eu... eu só quero a minha casa... eu só quero minha casa...

Terry desmorona. Ele cai sentado no chão e começa a chorar. Murmura palavras como “Casa”, “Descansar”, “Paz”, desesperado por querer sair logo daquele lugar, mas não conseguir. Parece que sempre havia algo impedindo. Bloqueando. Prendendo-o naquele lugar. O tormento em sua cabeça era tão grande, que Terry parecia conseguir ouvir milhões de tambores caindo ao seu lado, no chão. Terry fechava os olhos com força, e enxergava Laura morta. Abria os olhos, via o chão da escola transformado em algo sujo, horrível, parecendo um chão de ferro, totalmente enferrujado. Fecha os olhos e vê pessoas sem braços, sem pernas, rastejando-se pelo chão, andando em sua direção. Abre os olhos e vê aquela criança andando em sua direção, segurando a bola em uma mão e com o outro braço esticado, na direção de Terry. Fecha os olhos e vê Laura no meio de vários homens, numa orgia doentia. Toda suja, dando altíssimas gargalhadas, satisfazendo vários homens. Abre os olhos, vê novamente o chão da escola transformado naquela aparência envelhecida, e desta vez, não somente o chão, mas as paredes, os móveis, tudo no lugar estava daquele modo. Fecha os olhos e não vê nada. Apenas a escuridão que parecia ter tomado conta até da mente de Terry. E finalmente, ao abrir os olhos novamente, Terry vê que a escola não havia voltado ao normal. Estava naquela aparência horrível. O chão agora era feito de ferro. Mas um ferro todo torto, enferrujado, quase que desfazendo. As paredes eram agora, grades também enferrujadas. Em alguns lugares, a grade estava arrebentada, deixando um buraco exposto. E através das grades, não havia um fim para a escuridão. Parecia ser infinito. Assustado, Terry levantou sua lanterna para ver até onde ia aquela escuridão, mas não era possível. Não havia fim. Os móveis, os que sobraram, pelo menos, eram apenas pedaços de ferro jogados em algum canto. Havia também, corpos enrolados em sacos, que estavam dependurados por cordas, que não era possível ver no que estavam amarrados. Alguns até pareciam ainda se moverem com vida. Mas não era possível dizer com certeza.

Assustado com toda aquela imagem horrível, Terry nem percebe que a criança ainda estava ali perto dele. Encarando ele. E ele só percebe quando a criança toca o seu ombro. Assustadíssimo, Terry vira a cabeça na direção da criança. Com uma expressão de pavor, cansaço e raiva, chorando, Terry olha para a mão da criança, que estava querendo lhe entregar a bola. A mesma bola de antes.

– Pronto, moço. Agora você já foi embora, ela não vai mais te fazer mal, ta?

Com uma inocência típica de uma criança de cinco anos, ela diz essas palavras para Terry, sorrindo, e lhe entrega a bola.

– Pode pegar, moço. Não preciso mais dela. Mas você vai precisar.

Ainda espantado com tudo aquilo, Terry olha para a mão da criança, que segurava aquela mesma bola. Ele não conseguia imaginar uma possível utilidade para aquela bola de brinquedo. No que aquilo iria ajudá-lo. Mas mesmo assim, ele aproxima-se da criança e pega a bola.

Todo o cenário daquele momento, contribuía para a sanidade de Terry ficar cada vez mais enfraquecida. Não havia luz em lugar algum, e ainda assim, tudo parecia ter uma iluminação infernal, com luzes fracas, bem fracas e avermelhadas. Os barulhos dos ferros retorcidos se batendo, as grades balançando e lá longe, podia se ouvir algo parecido com rosnados de algum animal muito feroz. Terry fica em pé e olha para a bola em suas mãos. Tenta analisá-la, tentando descobrir algo diferente nela. Mas não via nada de diferente nela. A criança em sua frente apenas observava o que Terry estava fazendo. Ele, por sua vez, nem lembrava que ela estava ali.

Desistindo de achar alguma pista na bola, Terry olha ao seu redor e vê o corredor de onde ele veio. E eis que ele decide tentar voltar. Na esperança que agora, com essa mudança toda, haveria uma possibilidade de conseguir sair dali. Então Terry caminha com certa pressa até lá. Mas então, ele lembra-se da criança e lentamente, pára sua caminhada. Vira-se e encontra a criança ainda em pé, com um olhar triste de abandono. Terry anda para perto da criança e abaixa-se para falar com ela.

– Eu não sei quem é você. Ou o que é você. Mas obrigado. – dizia Terry com os olhos cheios de lágrimas – Muito obriga...

Terry vai mais perto para abraçar a criança, mas percebe que havia algo errado com ela. Algo muito errado.

Ao iluminá-la com a lanterna, Terry percebe que aquilo que estava em sua frente, era na verdade, um boneco de gesso. Não era real. Em todo o lugar, era a única coisa contrastando com todo o resto. Aquilo causou uma espécie de pavor inexplicável em Terry. Um arrepio que subiu pela espinha, fazendo-o suar gelado. Há pouco ele estava falando com aquela criança. Era real. E agora, não passava de um objeto inanimado. Sem vida. E era tão real.

Após constatar que era de fato, um boneco sem vida, Terry passa a mão na cabeça da imagem de gesso, como que se fosse de verdade. E então volta o caminho que fez para entrar na escola. Já no primeiro corredor, Terry pára para pensar.

– Mas... adianta querer voltar? Tentar voltar? Acho que não vai adiantar eu tentar fugir. Nunca haverá realmente um jeito de voltar. Não sei quem ou o que está fazendo tudo isso. Quem está ditando as regras neste lugar bizarro. Mas acho que o único jeito é ir em frente. E sair logo daqui. Eu não agüento mais ficar aqui, preciso voltar pra minha casa.

Sem perceber, Laura já nem habitava mais a mente de Terry. Agora, a coisa mais importante para ele, era sair daquele lugar e ir para sua casa. Descansar. Tomar um banho e contar sua história. Terry então vira-se, dando as costas para o caminho para sair da escola. Por algum motivo, ele sabia que deveria seguir adiante. E uma bravura, uma coragem sem explicação toma conta de Terry. E então, ele caminha escola adentro.

Notas finais
"Não vai adiantar nada eu querer voltar agora. Começo a acreditar que há algo que eu preciso fazer. Ver. Aprender. Entender. Não sei o que pode ser... mas há algo que está montando esses... caminhos, me levando a tudo isso. E... vou seguir então! ... eu acho..." Há muito tempo sem postar, ou dar as caras por aqui, estou dando continuidade à história. Devido à alguns eventos, certos elementos do enredo podem acabar sofrendo leves alterações, mas nada que comprometa a história em si. Agradeço quem continua acompanhando a história, e comentando. p.s.: Lembrando apenas que esta história contém fragmentos de uma história real, misturados à fantasia. Nem tudo aqui é real, e nem tudo é fictício.