Terry
7 Capítulo 7
Notas iniciais

O cenário causava náuseas à mente de Terry, pois tudo parecia ter saído de uma pintura absurdamente abstrata. Nada fazia sentido ou sequer, tinha nexo. Mas ele seguia caminhando. O corredor parecia ser infinito. Inesperadamente, ao longe do corredor, Terry vê um lance de degraus à direita do corredor. Era uma escadaria que ia em direção para baixo. Curiosamente, não era possível ver nada a respeito dela, pois ela era tampada nas laterais, por uma espécie de couro. Terry não podia dizer com certeza, mas aquilo não parecia ser couro de vaca ou qualquer outro tipo de animal. Visto as manchas de sangue nas paredes da escada, Terry fica receoso em seguir aquele outro caminho. O corredor ainda estava livre para seguir em frente, mas Terry sabia que aquela opção de caminho não estaria ali a toa, assim como tantas outras coisas que já haviam surgido em seu caminho. Pois então, ele entra na escadaria. Os degraus, também feitos de ferro, rangiam a cada passo de Terry. Era uma escadaria a perder de vista, mas Terry aventurou-se assim mesmo. No caminho, ele pode constatar que realmente, aquele tecido que revestia as paredes e teto da escada era mesmo algum tipo de couro bastante parecido com pele humana. Mas para não ficar mais apavorado ainda, Terry procurou não ficar olhando ou entender. Apenas seguia o seu caminho escada abaixo. Até aquele momento, a única iluminação presente, era da lanterna de Terry. E por azar, ela começa a falhar.
– Não, não, não, não!!! Você não pode fazer isso comigo!
A luz da lanterna pisca muito rápido. Começa a ficar fraca. Terry dá uns tapas de leve nela, tentando fazê-la funcionar, mas era inútil. A luz vai sumindo até que tudo é devorado pela escuridão. Terry fica ofegante, desesperado por estar sem uma luz sequer. Tremendo, ele tenta fazer a lanterna voltar a funcionar, batendo nela, mas bem baixo para não fazer muito escândalo. Seus olhos tentam caçar qualquer coisa que pudesse estar presente ali com ele, mas era inútil, pois não era possível enxergar coisa alguma naquele breu. Cada segundo parecia ser uma hora a se passar. O coração de Terry provavelmente nunca havia batido tão rápido em toda sua vida. Tremendo e suando, Terry não conseguia se mexer. Os músculos do seu corpo estavam travados.
Então, um barulho bem longe pode ser ouvido. Como uma batida bem forte naquele chão metálico. Imediatamente, Terry se vira pra direção de onde o som vem. E a única coisa que ele consegue perceber é que o som vem lá debaixo. Talvez no final da escadaria. Mas não consegue ter certeza de nada.
Bem longe, lá quase no final da escada, Terry parece ver uma luz acender. Tão fraca que mal dava para saber se havia mesmo uma luz ou não. Mas como a escuridão era total, qualquer pequena luz faria diferença naquele momento. Procurando pela luz, assim como uma criança procura por seu brinquedo favorito em meio a tantos outros, Terry se esquece de tudo e vai em direção de onde aquela luz parece vir. Seus passos pesados na escada faziam um estrondo enorme. E todo trabalho para ficar em silêncio havia sido inútil naquele momento. Mas ele não se importava. Seu medo infantil era bem maior que qualquer outra coisa naquele momento e a ele, só importava encontrar aquela luz. Ofegante e desesperado, Terry continua descendo a escadaria em alta velocidade. Porém, em certo ponto dela, Terry ouve um grunhido estranho. Ainda correndo, ele olha para trás, vendo se alguém o estava seguindo. Porém, tudo que ele vê, é a escuridão que estava sendo deixada para trás. Mas percebe que o grunhido aumentava. Era como alguém agonizando, mas parecia ser um animal rosnando. Algo muito difícil de definir, ainda mais naquela situação em que Terry se encontrava.
Quando Terry se vira e olha novamente para frente, ele vê saindo da parede, braços inumanos. O susto foi tão grande, que Terry tenta parar de correr, esquecendo que estava em uma escada e o resultado não poderia ser outro. Terry cai nos degraus. E na queda, pôde sentir suas costelas batendo bem na quina dos degraus de ferro. Seus braços, pernas... parecia que tudo estava sendo quebrado a cada batida. Terry ainda tenta reparar naqueles braços que saiam das paredes, mas não consegue se concentrar em nada, tamanha dor que estava sentindo da queda.
Parecia que estava rolando escada abaixo por horas, mas não havia passado SE QUER, dez segundos. Até que em certo momento, Terry bate a cabeça num dos degraus. Lentamente sua visão se apaga. E Terry fica desacordado.
Umas horas depois...
– Hmmm.... hhuuuu..... – Terry começa recobrar sua consciência – Ah... ah, ai... merda...
A visão turva de Terry vinha da batida que ele havia dado com a cabeça no chão. Alguns barulhos estranhos podiam ser ouvidos no lugar em que estava mas era difícil definir o que era o que, naquele momento pois Terry estava ainda voltando a si. Mas ouvia um som de ferragens sendo raspadas, batidas. Parecia haver uma criança chorando. Mas seu choro era assustador, pois era distorcido. Parecia ser uma gravação fora de rotação. Aos poucos Terry vai se virando no chão, até conseguir apoiar as mãos e joelhos no chão. A cabeça doía demais, assim como seu corpo.
Seu estômago estava embrulhado. Algo estava causando uma ânsia terrível em Terry. Mas ainda não conseguia entender o que era, pois estava zonzo do desmaio ainda. Só o que Terry pode perceber, é que ele não estava mais nas escadas. Mas havia uma iluminação ao redor de onde ele estava. Era como se fossem tochas.
Quando a visão de Terry vai melhorando, ele consegue se concentrar melhor e entender o que estava havendo. O chão, que era a única coisa para onde Terry conseguia olhar, era um gradeado todo enferrujado. Assim como antes, não era possível enxergar o fundo ou qualquer coisa além da escuridão. O lugar parecia estar localizado num vácuo, onde não havia nada além daquelas grades, parecendo uma gigantesca gaiola. Terry olha para os lados, e percebe que está numa sala grande, toda podre também. A ânsia que Terry sentia, era por causa dos pedaços de algum bicho despedaçado que estava jogado dentro da sala. Assustado e com nojo, Terry levanta-se com dificuldade e caminha para longe daquela carne podre que estava ali. Ele caminha sem olhar para onde está indo, até bater numa das paredes da sala. Com o olhar fixado naquela carne em decomposição, Terry anda encostado na parede, até em certo momento, sentir que tocou em algo. Graças ao seu reflexo, imediatamente Terry desencosta da parede. Ao olhar o que era, um arrepio sobe pela espinha de Terry. Um ser muito estranho, humanóide, estava pendurado nas grades do lugar. A imagem daquele ser era assustadora. Não tinha pele, toda sua carne estava exposta, quase mostrando aquilo que deviam ser os seus ossos. Seu corpo era torto, bizarro, horrível. Seu rosto lembrava o de um anão, mas não tinha formato humano. Os braços pareciam duas pequenas asas, como as de um frango. Suas pernas tortas e encurvadas para trás, de uma forma incompreensível. Terry não podia acreditar no que estava vendo. De fundo, para complementar aquela cena horrível de filme de terror, vozes estridentes, agonizando e gritando começam a surgir do nada. Assustado, Terry olha para os lados, tentando encontrar a origem daquelas vozes. E já não sabia o que mais causava pânico em si. O lugar, as vozes ou aquele ser, que Terry virou-se para vê-lo mais uma vez.
– SUMIU?!?!?!
A criatura que estava pendurada na grade do lugar havia sumido. Mas as marcas de sangue, ou o que quer que fosse que havia dentro daquele bicho, ainda estavam lá. Havia um rastro de sangue deixado nas grades do chão do lugar. Ainda parado no mesmo lugar, movendo-se muito pouco, Terry repara para onde o rastro ia. E percebe, com horror, que o rastro vinha em sua direção. E quando Terry olha para seus pés, percebe que não era seus próprios pés que ele enxergava. No lugar de suas pernas, haviam pernas tortas, bizarras. Assustado, Terry dá alguns passos, espasmos de seu corpo. Quando se dá conta, seus braços também não eram os mesmos. E sim, duas pequenas asas, como as de um frango. Apavorado com o que está vendo, Terry percebe que estava no corpo daquela criatura que havia visto na grade do lugar. E quando pensa em gritar, ouve um grito grotesco, como o de uma pessoa que teve suas cordas vocais destruídas. E quando se dá conta, era o som do seu próprio grito. E de fato, sua garganta doía demais ao gritar. Como se estivesse realmente destruída.
Num surto, Terry se levanta, ainda gritando. Mas de repente, estava com sua voz humana de novo.
Ofegante, transpirando e assustado, Terry pára por um instante seu grito, e percebe que não estava no mesmo lugar. Que não era mais aquele ser bizarro. E que esteve deitado, pois agora estava sentado. Com os olhos arregalados, Terry olha calmamente ao seu redor, e percebe que a escola estava normal novamente. As paredes estavam normais, assim como o chão e os móveis. E ainda ofegante, Terry tateia seu corpo, para conferir se estava tudo normal. Se não havia restado nenhuma mutação em seu corpo. E confirma que está tudo nos seus devidos lugares. Apenas uma coisa que Terry, mesmo em meio a tudo aquilo, conseguiu notar. A bola que a criança havia entregado para ele. Não estava mais consigo. Ele se lembrava de tê-la guardado no bolso de sua jaqueta, mas já não estava mais com ele. E não sabia por que, mas foi a primeira coisa que Terry percebeu ao acordar ali. Apesar disso, Terry observa o lugar onde está, e percebe que não era nenhuma parte que já havia estado na escola. Era também um corredor, mas o ambiente era diferente. Havia troféus num armário perto, várias portas ao seu lado esquerdo, e um para-peito mais à frente, que mostrava a primeira sala de entrada da escola.
Ainda sentado, Terry vê, quase no final do corredor onde estava, o vulto de alguém andando. Mas andava de maneira estranha. Arrastado, cambaleando. Não era possível identificar o que ou quem era, apenas se via um vulto preto andando lá na frente.
Mesmo com medo do que poderia ser, Terry se põe de pé e se prepara para ir atrás daquilo que estava presente naquele corredor. O lugar era escuro, então ficava difícil de enxergar. Mas curiosamente, havia uma janela no final daquele corredor, por onde entrava uma luz um tanto azulada, como se fosse a luz de uma noite iluminada pela luz refletida pela lua. Porém, era muito pouco provável que fosse, já que a escuridão daquele mundo, significava total escuridão.
Mais uma vez, as pernas não aceitavam os comandos de Terry, que queria seguir em frente. Bem rente à parede, passando por armários e murais de anotações, Terry caminha aflito. Inesperadamente, a lanterna em seu bolso, novamente, acende. Num impulso, Terry imediatamente pega a lanterna e tenta desligá-la, para não chamar atenção daquilo que estava lá na frente. Mas a lanterna não apaga. Olhando para a lanterna e o vulto, Terry percebe que o vulto parou. Ficou imóvel, assim como Terry também ficou. Tudo era silencioso. A única coisa que era possível ouvir naquele instante, era a respiração forte e acelerada de Terry, que sentia as extremidades do seu corpo tremendo. Aquela silhueta negra estava imóvel, mas Terry temia o que poderia acontecer a qualquer instante. De repente, aquele vulto faz um movimento suave e bem devagar, parecendo ficar de frente para Terry.
A boca seca, os olhos arregalados, todo seu corpo suado. Terry sabia que fosse o que fosse que estivesse ali na frente, agora o estava encarando. Pensamento algum passava por sua cabeça. Seu medo e aflição eram enormes, e não permitiam que Terry raciocinasse. Apesar de ter sido apenas alguns segundos, naquele instante parecia ter passado uma eternidade.
– O que você procura aqui? – uma voz forte, grave, pode ser ouvida. A impressão é de que estava longe, mas não havia como ter certeza. E com as pernas totalmente paralisadas, Terry responde.
– Eu... eu apenas procuro uma saída deste lugar.
– Não. – um milhão de pontos de interrogação surgem na cabeça de Terry, que não entendeu aquela resposta.
– Não? O que quer dizer com não?
– Não é atrás disso que você está aqui.
– Eu realmente, só quero sair daqui!
– Mas você ainda não percebeu que não irá.
– O que?! Como assim?
– Não está sendo sincero consigo mesmo. Enquanto não o fizer, não chegará a lugar algum.
– Mas o que eu poderia estar mentindo? Escondendo de você ou de mim mesmo? Eu apenas quero ir embora daqui!
– QUANTAS VEZES MAIS TEREI QUE DIZER? VOCÊ NÃO ESTÁ SENDO SINCERO CONSIGO MESMO! – a voz subiu o tom, ficando ardida, mas ainda grave, e muito alta. – Quem te trouxe até aqui?
Terry pensou em responder. Mas como explicaria que foi um clone dele mesmo que o levou até lá? E tudo que houve depois.
– Alguém muito parecido comigo.
– Não.
– De novo isso???
– Foi você mesmo que se trouxe até aqui. Você veio com suas pernas.
– Eu apenas...
– De quem você estava fugindo?
– O que? Fugindo??? Do que vo...
– DE QUEM VOCÊ ESTAVA FUGINDO QUANDO VEIO ATÉ AQUI? – interrompe aquela voz pesada e poderosa. Terry pode perceber também que o vulto estava começando a tremer. Num movimento sem nexo, parecendo criar uma fumaça negra à sua volta.
– Eu não estava fugindo! Alguém, alguma coisa, me disse que eu deveria correr! E por algum motivo, eu sabia que não deveria ficar!
– Mais uma vez, Terry, não!
– MAS QUE INFERNO!!!
– De novo, você mesmo fugiu. Não percebe o que está acontecendo. É tolo demais para entender coisa alguma. Você é novo aqui. Ainda vai ter tempo para descobrir muitas coisas.
– O que quer dizer com tudo isso? Aliás, QUEM é você?
Terry então aponta a lanterna para aquele vulto que estava à sua frente. E os olhos que já estavam arregalados, ficaram ainda mais, com a cena que viu. Um tipo de homem corcunda, enorme, e todo negro. Não era apenas um vulto negro. Ele era realmente todo negro. Sua pele parecia estar coberta por um tipo de piche, pois de seu corpo, pingavam gotas negras, aparentemente, daquele líquido que encobria a criatura. Parecia que ela sofria uma enorme dor, pois seus movimentos eram como o de uma pessoa que acaba de ralar ou cortar um pedaço da pele. Tentava esfregar todo seu corpo para fazer a dor passar ou parar.
Trêmulo, Terry só consegue dar alguns passos para trás, ainda vidrado naquela coisa enormemente assustadora, que lentamente vinha andando em sua direção. A única coisa que Terry pensava era sair correndo dali. Mas havia algo que Terry viu naquele lugar, que não permitiu que ele o fizesse. De trás daquele monstro, estava a bola que Terry recebeu daquela criança há pouco. Não havia uma explicação racional para isso, mas Terry simplesmente sabia que precisava daquela bola. Mais do que precisava, ele a desejava. Queria para ele. Mas como? Aquela criatura estava tomando conta praticamente de todo o corredor. Não havia como passar por ela. E sem perceber, o desejo incontrolável em recuperar aquela bola encheu Terry de coragem. E já mais calmo e com maior frieza, ele começa a olhar tudo ao redor para tentar passar por aquela criatura. No canto direito ao chão, havia um grande pedaço de madeira, do que um dia deve ter sido uma cadeira. Grande o bastante para machucar uma pessoa, porém, pequena o suficiente para ser atirada contra alguém. E foi o que Terry fez sem pensar duas vezes. O fez apenas para ver qual efeito surtiria naquela criatura. O pedaço de madeira é arremessado em direção a o que deveria ser a cabeça daquele bicho, e a pancada faz o bicho urrar de dor. Parecia ter funcionado bem. A criatura ficou parada por algum tempo, encolhida no canto do corredor, parecendo estar assustada, com dor. Então, Terry viu que havia um meio de passar por aquele bicho e chegar até a bola. Mas não havia mais nenhum outro objeto à mão, para que pudesse usar de arma. Com mais raiva e menos medo, Terry dá uns passos para trás e começa a fuçar nos armários que havia no corredor. Como se tivesse sido feito para aquele momento; como se tivesse sido colocado ali para esse exato propósito e momento, Terry encontra em um dos armários um taco de baseball. Era feito de madeira maciça, forte o suficiente para dar uma pancada bem forte. Logo que empunha o taco, Terry sente seu corpo esquentar. O sangue começa a ferver e seus músculos começam a ter pequenos espasmos. Um ódio incontrolável tomou conta de Terry. E novamente, vozes de algum lugar, como se cantassem um mantra de maldição, podiam ser ouvidas. Terry já não sabia se era real ou se era coisa de sua cabeça, aquelas vozes que ouvia. Por algum motivo, uma infinidade de barulhos infernais começaram a soar pelo lugar. Algo como engrenagens sem lubrificação... metais sendo retorcidos ou raspados uns nos outros. Pequenos ruídos. Coisas de dar arrepios na espinha. Mas a raiva de Terry era tão grande, que tudo aquilo era apenas um combustível para se preparar para explodir.
Os grunhidos do monstro à sua frente já estavam deixando Terry irritado. E sem saber de onde, uma força absurda tomou conta de seu corpo. Sua postura muda totalmente, colocando-se numa posição preparado para lutar. E num surto, Terry corre em direção àquele monstro. Rangendo os dentes e com as sobrancelhas cerradas, ele corre preparado para desferir um golpe na cabeça daquela criatura, por mais difícil que fosse, por causa da sua altura. Mas mesmo assim, ele vai. Tudo ao seu redor parece ficar embaçado e o único foco naquele momento, era o bicho.
Logo que se aproxima o suficiente para bater na criatura, um dos braços dela levante-se e vai na direção de Terry, para atacá-lo. Sem esperar por aquilo, Terry leva uma grande pancada no peito, que o faz cair para trás. Uma dor bastante forte, por sinal. Ainda no chão, Terry urra de dor e raiva. Massageia seu peito, tentando amenizar a dor. E assim que a dor diminui, ele olha para a criatura com um ódio incontrolável. Rosna como um animal, bate o taco no chão e põe-se em pé. Prepara-se novamente, e vai mais uma vez de encontro com o monstro. A mesma ação ocorre, mas quando Terry percebe a movimentação do monstro, ele se joga no chão, passando por baixo do braço da criatura. E logo que passa, já se levanta, dando um pequeno salto, desferindo um golpe com o taco na cabeça do bicho, que imediatamente grita de dor e para quieto no seu canto. Sem pensar muito, Terry segue em frente, ainda correndo, a fim de pegar a tal bola. E ela estava muito perto agora. Ainda correndo, ele sente que vai conseguir. Que está ao seu alcance. Então, ele sente algo puxá-lo pela perna esquerda. Algo havia enroscado na sua canela, fazendo Terry cair. Ao olhar o que era, ele vê que era um dos braços do monstro que havia se esticado de forma impossível e bizarra, alcançando sua canela. Terry olha desesperado, pois a bola estava tão próxima de suas mãos, porém o monstro estava puxando ele na direção contrária.
Sem saber muito bem o que fazer; se batia no monstro ou se tentava seguir em frente, se livrando do monstro, Terry resolve esforçar-se em se livrar do monstro.
Tentando se arrastar no chão daquele corredor mesmo, Terry sente que consegue se movimentar bem pouco, mas o monstro é muito forte e não solta de sua perna e está cansando muito Terry, tamanho esforço que ele precisa fazer para conseguir se mover, ao mesmo tempo em que o monstro estava se aproximando mais e mais de Terry, que estava com o sangue fervendo ao extremo, tentando libertar-se. Dá chutes com o pé direito na coisa, mas não se liberta. Então, Terry crava suas unhas no chão da escola. Aquele chão, que era feito de tacos de madeira. Terry podia sentir suas unhas querendo sair de seus dedos mas era uma questão de vida ou morte. Talvez só morte. Mas Terry consegue se mover mais um pouco.
– Está tão perto!!! Tão perto, eu já posso quase alcançá-la! – dizia Terry, esticando seu braço direito, tentando alcançar a tal bola. – Tão perto!
E o monstro atrás de Terry, cada vez mais perto. Aquela coisa negra em volta dele já estava quase tomando conta de sua perna esquerda inteira. E ainda assim, Terry conseguia se mover. Pouco a pouco, mas conseguia. Seu coração parecia totalmente fora de controle, tamanha adrenalina.
– ESTOU QUASE!!! QUASE!!!
E então, Terry consegue puxar com a ponta dos dedos, a tal bola. Logo que ele a tem em mãos, traz para perto de seu peito, e com as duas mãos, a segura bem forte, sem saber absolutamente nada do que fazer com ela.
E nada acontece.
– Vamos, droga! Me ajude! Faça alguma coisa!!!
A criatura já estava quase inteira em cima de Terry. Ele quase já podia ver o rosto daquele ser assustador. E todos os malditos barulhos que infernizavam a cabeça de Terry, eram, naquele instante, ensurdecedores. Freneticamente, Terry olhava para a bola, averiguando se ela estava fazendo qualquer coisa que fosse, e também olhava para o monstro que estava já praticamente inteiro em cima dele. Aquele líquido preto e espesso que envolvia o corpo do ser pingava e respingava em Terry, e exalava um cheiro horrivelmente podre, causando náuseas.
Quando o ser estava já totalmente em cima de Terry, este estava apavorado, pois aquela coisa enorme e horrorosa lhe causava um pavor bisonhamente enorme. Terry não conseguia ver boca ou algo do tipo na criatura, mas parecia que ela queria engoli-lo.
No meio de toda aquela gosma preta que pairava sobre Terry, um par de olhos surge, se abrindo e olhando diretamente nos de Terry. Era algo tão intimidador, que o medo que Terry sentia era inexplicável. A criatura aproxima seus olhos de Terry, que estava congelado de medo. Os olhos do ser eram grandes, pareciam poder observar tudo que acontecia. E quanto mais se aproximava do rosto de Terry, mais assustadores eles eram.
Sem planejar nada, Terry solta a bola de suas mãos, e mete ambas nos olhos daquele ser. Mete as mãos e segura ambos os olhos, tentando arrancá-los. A criatura começa a se debater e solta novamente um urro muito sofrido. E todo aquele líquido escuro e espesso começa a cair em maior quantidade em cima de Terry, que no momento, nem se importava. O prazer sádico e cruel de sentir os olhos daquele ser, sendo esmagados entre os seus dedos, era algo inexplicavelmente delicioso para Terry. Pois sabia que aquilo lhe daria tempo suficiente para conseguir sair de perto dali, possibilitando que ele pegasse a tal bola que estava perto dele.
E foi o que ele fez. Assim que percebeu haver causado um grande estrago na criatura, Terry termina de puxar aqueles olhos para fora do rosto. Livrando-se assim, da criatura, que imediatamente vai embora correndo de forma desconjunta, se debatendo por todo lugar, derrubando armários, bebedouros, fazendo um enorme escândalo. Terry, que estava sentado no chão, assiste toda aquela cena com uma mistura de aflição e satisfação.
Agora mais calmo, Terry respira aliviado. A única coisa que ouve, são os barulhos da criatura indo embora para longe, que deixa Terry confiante de que está livre daquele ser bizarro. Com um pouco de dificuldade, Terry se levanta, olhando na direção em que a criatura foi embora. Só depois de um tempo que ele percebe o que segurava em suas mãos. Os olhos da criatura. Esmagados entre seus dedos, com toda aquela gosma nojenta escorrendo. Terry limpa suas mãos nas paredes da escola o máximo que pode. Não resolve muita coisa, pois grande parte daquela sujeira ainda permanecia entre os dedos de Terry. Mas logo, isso não era mais importante. Pois havia algo presente naquele lugar que chamava totalmente a atenção de Terry. Aquela tal bola. Que parecia ser uma simples bola, mas era algo que praticamente, controlava Terry. De modo que fez Terry enfrentar aquela coisa, só para chegar até ela. E foi o que ele fez. Quase que hipnotizado, Terry vai em direção a bola. Chega bem próximo dela, se abaixa e preparando-se para pegá-la, fala:
– O que é você? Por que faz isso comigo? Por que não consigo ficar longe de você?
Em seguida, Terry aproxima mais ainda suas mãos da bola.
– Eu preciso de você. Eu não posso ficar sem você. Quem é você? O que é você?
E, finalmente, Terry agarra a bola. Então, uma sensação muito prazerosa e relaxante começa a tomar conta do corpo de Terry, que agarra com força a bola, fecha os olhos e chega até a sentar no chão do lugar. Um aroma tão agradável, como se estivesse em um campo de flores perfumadas, começa a invadir as narinas de Terry. Tamanha era sensação de prazer, que Terry se sentia como se estivesse deitado em uma cama muito confortável, tirando um cochilo bastante relaxante.
– Terry.
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