Terceiros
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Estava me arrumando para ir para a escola quando Cath chegou. Sai de meu quarto e fui para a cozinha com uma dor de cabeça horrivel.
–-- Bom dia Zoe, vai querer o que de café da manhã?
Me sentei no balção e respondi:
–-- Bom dia... Acho que não vou querer nada. Vou tomar um Tylenol e já vou descer, a van ja deve estar chegando.
Subi as escadas andando e pensei na noite de ontem. Com certeza foi um sonho, mas era tão... Tão real. Acho que devo parar de ver tanta TV a noite. E outra que nunca vi um cara parecido antes, e ele sabia meu nome, então sem chance de ser verdade... O que eu to pensando? É óbvio que foi um sonho. Um cara na minha cama de madrugada, que sabia meu nome?! Impossivel.
Afastei aquele pensamento balançando a cabeça, o que fez ela doer ainda mais. Engoli o comprimido a seco mesmo e voltei para baixo, onde me despedi de Cath e peguei o elevador. Eu morava no último andar, o que me dava tempo suficiente para pegar meu celular e dar uma olhada nas mensagens. Quando cheguei la embaixo esperei rapidos dois minutos antes da van chegar. Quando entrei, dei bom dia para Marcos, o motorista, que me informou que a partir de agora eu era a segunda quem ele pegava, o que explicava ter esperado tão pouco pela van. Meu coração parou quando virei para o lado e vi o único garoto na van, mechendo em um Ipod. Era ele. O garoto que sonhei ontem. Prendi a respiração andando em direção ao fundo da van, em sua direção. Podia ser um novato qualquer. Não consegui ver seu rosto, mas podia ser qualquer garoto ruivo. Suspirei aliviada por ter conseguido uma explicação para aquilo. Me sentei a uma cadeira de distância dele, só por precaução. Então ele me olhou. Os mesmos olhos azuis, o mesmo topete ruivo, as mesmas sardinhas na faixa do nariz. O garoto sorriu e passou para a cadeira ao meu lado:
–-- Oi, meu nome é Leo.
Demorei um pouco para parar de pensar nele saindo do meu quarto com aquele sorriso, dizendo meu nome. Quando consegui voltar ao planeta Terra, sorri de volta:
–-- Sou Zoe, prazer.
–-- Eu sei quem você é.
Gelei por inteira. Todas as partes de meu corpo ficaram arrepiadas. Tudo bem, mantenha a calma, ele deve ser um tipo de novato louco que fuça em anuarios passados antes de entrar para a escola. Leo riu de deboche:
–-- Por que você não aceita logo que eu estive na sua casa ontem?
Ele falou em um tom mais baixo, para que Marcos não nos ouvisse.
–-- Como... Como você entrou lá? Por que estava dormindo comigo? Você é um tipo de maníaco alucinado?
Ele riu alto por causa do "maníaco alucinado". Depois conseguiu voltar ao normal e me olhou, brincalhão:
–-- Não, sou seu protetor.
Aquela palavra me atingiu de um modo que não conseguia fazer mais nada além de olhar pra ele com uma cara de besta. Uma queimação esquisita começou na parte interna no meu braço direito, na região do cotovelo. Ignorei essa dor forte, percebendo que todos já desciam na porta da escola. Leo se levantou, mas fui atras dele:
–-- Meu o que?! Olha, eu nem te conheço!
Mas ele não virou para tras pra me dar satisfações. Desisti e olhei os papeis grudados no vidro da secretaria. Sala 17, corredor B. Dei uma olhada nos outros nomes da lista: ótimo, nenhum Leo. Me sentei no fundo da sala, xingando baixo pelas carteiras estarem em duplas. Eu não sou uma garota sociavel. Quem eu já conheço é de boa, mas eu nunca tinha visto ninguém ali na minha vida. Bom, ninguém tirando o ruivo vindo em minha direção. Leo se sentou ao meu lado:
–-- Você não pode ficar aqui, tem uma lista de nomes pra essa sala, e você não está nela!
–-- Estou sim, só que com um nome falso.
–-- Aé? Então qual é seu nome aqui senhor vida louca?
Eu entrei no assunto, já achando o cara completamente louco. Sua mentira não podia durar pra sempre, e se durasse, o faria me dizer seu nome verdadeiro.
–-- Me matriculei como George Karson.
–-- George? Não tinha um nome melhor não? Falei rindo por causa da brincadeira.
Leo (ou George) revirou os olhos:
–-- Eu vou te explicar tudo ok? Só não conte pra ninguém que meu nome verdadeiro é Leo.
–-- Tudo bem.
Ele repirou fundo, e começou a falar:
–-- Em mais ou menos 1946 cinco paises se juntaram em uma experiência para produzir super soldados. Estados Unidos, França, China, Alemanha e Russia. Bom, cada país produziu 25 desses soldados, mas os franceses fizeram alguma coisa errada que fez seus soldados morrerem, o que deixou os generais franceses muito bravos. Então eles esperaram um tempo e criaram novos soldados, que deram certo, para exterminar os soldados dos outros paises, mas depois de tanto tempo eles já tinham morrido. Buscando mais e mais vingança, eles caçaram e exterminaram a segunda geração de super soldados, os filhos dos primeiros, e agora que estão todos mortos eles querem acabar com a terceira geração, chamados de Terceiros. Cada terceiro tem um protetor. Você, terceira. Eu, protetor. Ele falou imitando o Tarzan.
Parecia estar falando sério, mas não me deixaria levar. Era algum tipo de brincadeira bem elaborada:
–-- Nossa, que legal. Pena que eu não vou cair na sua brincadeirinha de mal gosto.
Ele revirou os olhos, e depois de virou pra mim:
–-- Zoe, me escuta. Algum general francês está atrás da sua família. Ele matou sua mãe, e agora quer matar você. Eu sei que você não confia em mim, mas preciso conseguir essa confiança, e vou tentar. La na van, quando falei que era seu protetor seu braço começou a queimar. Eu sei disso por que foi quando sua marca apareceu, e eu também tenho uma desde que nasci.
Ele levantou o moletom preto da GAP até se tornar visivel uma marca de nascença roxa escura formando um quadrado com uma linha traçando uma diagonal do lado direito superior até o esquerdo inferior na parte interna de seu cotovelo, onde senti aquela dor mais cedo na van.
–-- As marcas servem pra facilitar o encontro de protetores com terceiros. Cada marca tem a inicial do seu par disfarçada. Ele disse pegando minha mão e passando sobre três linha do quadrado que formavam um Z. Arregalei os olhos puxando a manga do meu casaco azul da Hollister até o local, onde vi uma marca completamente vermelha e sangrando. Apertei os olhos e prendi a respiração. Peguei toda coragem que tinha e abri os olhos, encontrando a mão de Leo em cima da marca.
–-- Vai melhorar com o tempo. Acredita em mim agora?
Precisava pensar. Pesquisar sobre isso no google, sei lá. Talvez se eu dissesse que acreditava nele eu podia me aproximar e descobrir o que realmente estava acontecendo. Toda essa história parecia livro, daquele tipo Crepúsculo, onde uma menina e um menino se conhecem e coisas estranhas começam a acontecer, então a menina descobre toda a verdade e busca respostas com o menino. A única diferença era que meu Edward Cullen tinha aberto o jogo pra mim antes de eu poder respirar. Abri a boca para responder que acreditava, mas fui interrompida pelo professor de ciências humanas:
–-- Me desculpem, estou interrompendo a conversa?
–-- Claro que não senhor Phillip.
–-- Muito bem então... George e Zoe? Vou ter que manda-los para fora o resto da aula. Sorte de vocês que alunos não podem ir para diretoria na primeira semana de aula.
Leo ascentiu e pegamos nossas coisas. Caminhamos até a porta, e podia jurar estar sentindo os olhares de todos os alunos. Já do lado de fora Leo se virou para mim com um sorriso bricalhão:
–-- Ótimo primeiro dia de aula. E aí, confia em mim agora?
–-- Confio.
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