Terapia do Amor
16 Crises e Decisões
Notas iniciais
pena poucas reviews!
Capitulo XV- Crises e Decisões.
- Nem parece que faz três meses. – disse Rin deitada em sua cama na casa de Sesshoumaru.
- É mesmo. – respondeu Kagome – E lá vamos nós outra vez na esperança de trazê-lo para casa, é uma pena que não possa ir justamente hoje. Agora descansa bastante viu, cólica e gripe de uma vez é algo muito ruim e vou concordar com a Iza tem a ver com a sua alimentação, você não se alimenta.
Rin suspirou. Sempre o mesmo assunto, mas sabia que no fundo elas só estavam preocupadas.
- Acho que Sesshoumaru não vai ficar contente quando souber disso.
Rin fez uma careta.
- Acho que ele gostaria que eu estivesse lá. – disse espirrando mais uma vez, Kagome ofereceu-lhe um lenço – Obrigado. A melhor parte é que ele está vindo para casa, finalmente. Que saudades!
Kagome afagou-lhe o cabelo como fazia com crianças.
- Que sorte Sesshoumaru teve de encontrar você, isso prova que ele não é tão ruim. – neste momento a porta foi escancarada assustando as duas.
- Trouxe seu chá. – exclamou Izayoi retumbante.
- Quase nos matou de susto Iza. – exclamou Kagome.
- Desculpe queridas noras, sabem que eu as amo. Como está Rin? – perguntou Izayoi entregando-lhe o chá.
- Acho que estou melhor, poderia até ir se me deixassem...
- Desista. – exclamou Izayoi – Tome seu chá, fique aqui aquecida e tenho certeza que Sesshoumaru compreenderá. O dia está muito frio lá fora, o traremos em segurança.
Rin concordou com a cabeça.
- Izayoi você não existe, vamos, deixe a Rin descansar. – disse Kagome empurrando-a para fora. – Até mais Rin, qualquer coisa ligue.
Elas se foram e Rin reclinou-se novamente, gemendo. Em pouco tempo estaria cochilando, quando acordou já estava escurecendo, visto que eles haviam ido buscar Sesshoumaru pela tarde. Sesshoumaru... Será que já havia chegado? Ela fez um pequeno esforço para levantar-se e sentiu a cabeça doer.
- Fique deitada, pequena. – disse uma voz do escuro do quarto – Não se esforce.
- Sesshy. – ele virou-se procurando de onde vinha o som da voz dele – Você chegou.
Ele estava sentando numa poltrona próximo a porta da varanda, de calça jeans e camisa pólo. Ela levantou-se rapidamente e lançou-se ao colo dele.
- Disse que era para você ficar deitada, Rin. – recriminou ele.
- Aqui está mais confortável. – respondeu ela afundando ainda mais nos braços de Sesshoumaru que a abraçou levemente – Nem acredito que está aqui Sesshy. – continuou fungando antes de espirrar.
Ele levantou trazendo-a nos braços de volta para cama.
- Izayoi me fez queixas suas, disse que não está se alimentando, por isso está doente. – disse ele.
- É só um resfriado, logo estarei bem.
Ele o rosto dela com atenção e em seguida, beijou-a com amor.
- Não quero mais te ver usando as roupas da Kagome. – disse olhando a camisola que ela vestia, azul clara e com um decote um pouco exagerado. – Izayoi devia ter lhe comprado mais roupas.
- Ah. – corou ela – Ela comprou, mas a Kagome não aceitou as dela de volta. Então ficaram comigo. – disse suspendendo um pouco mais a coberta.
- Liguei para sua mãe hoje de manhã e ela foi muito amável comigo, percebi que sente muito sua falta e que está preocupada conosco.
- Mãe é mãe, não é? – disse ela espirrando.
- Sim. Vou descer, tenho que ligar para o escritório. Quero passar lá amanhã para saber como andam as coisas. Izayoi mandará servi-la no quarto. – disse ele.
- De jeito nenhum! – reclamou ela – E perder a primeira reunião com você em casa? Não seja tão duro comigo. – disse ela fazendo manha.
Ele sorriu.
- Não sei se algum dia conseguirei ser duro com você, mas está doente e precisa descansar.
- Ah Sesshy.
- Certo, se sentir-se bem venha para mesa. – ele abriu a porta e olhou para trás antes de sair.
Rin soltou um beijo e ele se foi. Não teve coragem de perguntar sobre a procura de doadores para o transplante. Durante esses meses não haviam encontrado doadores disponíveis, encontraram duas mulheres, porém uma havia falecido e a outra não se conseguia manter contato. Sesshoumaru estava cada vez mais desanimado, embora não comentasse nada com ninguém se percebia até nos atos que não acredita na sua própria recuperação.
Depois de muito questionarem finalmente Miroku havia permitido sua saída do hospital, sob a condição de exames constantes e em qualquer alteração, Sesshoumaru retornaria ao hospital, além de outras recomendações.
O jantar foi muito agradável, Rin sentia-se melhor e desceu para cear juntos com os outros. Jantaram e ficaram conversando por algumas horas, quando Izayoi se recolheu já passava das onze. Foi seguida por todos, Inuyasha e Kagome seguiram para o quarto enquanto Rin tomava seu chá acompanhada por Sesshoumaru.
- Você quer vir comigo ao escritório amanhã? – perguntou ele enquanto subiam a escada que dava acesso aos quartos.
- Claro Sesshy, eu adoraria. – respondeu ela animada.
- Os dias estão muito frios, se estiver pela melhor pela manha levarei você. Podemos almoçar fora e passear à tarde. Não agüentava mais ficar preso naquele hospital.
Os olhos dela brilharam.
- Tenho certeza que vou gostar de passar um dia inteirinho com você! – exclamou animada. – Mas você tem que descansar, lembra?
- Não voltaremos muito tarde. Está bem?
- Está.
- Boa noite Rin. – disse ele enfiando as mãos nos bolsos da calça que estava vestido e seguindo para seu quarto.
- Espera Sesshy... Não vai me dar um beijo de boa noite? – perguntou ela.
- Queria ver você pedir. – disse ele com um sorriso de canto de boca.
- E preciso? – questionou ela sorrindo também.
- Claro que não.
Sesshoumaru empurrou-a levemente contra a parede, segurando em sua cintura a beijou. Rin estava quente, mas ele não sabia se era pela doença, ou pelo contato entre os dois. Aprofundou o beijo com carinho, enquanto ela enlaçava seu pescoço no corredor quase escuro. De repente uma porta foi aberta clareando tudo, inclusive os dois no corredor.
- Opa! – disse Inuyasha com uma cara marota. – Venha ver Kagome uma cena inédita, Sesshoumaru provando que tem um coração. Rápido!
Sesshoumaru parou avançando na direção de Inuyasha. Depois mudou de idéia e abriu a porta do seu quarto.
- Deixa de ser intrometido, garoto!
- Ah, não. – suspirou Kagome colocando-se ao lado do marido – Nem deu tempo, você gravou?
- Também não deu tempo. – disse Inuyasha como se estivesse penalizado – Bem, deixa para depois, parece que vai ter mais. – e piscando para Rin, fechou a porta do quarto.
Rin balançou a cabeça corada e indo na direção de Sesshoumaru beijou-o novamente, depois correu de volta para seu quarto e jogou-se na cama. Estava tão contente, ele a fazia muito feliz e talvez nem soubesse. Sesshoumaru abriu a porta do quarto.
- Acha que pode ser assim? – perguntou – A ultima palavra é a minha. – e deitando-se ao lado dela beijou e saiu correndo também.
Rin sorriu e suspirou. 'Não há mesmo como definir o amor' pensou. No seu quarto Sesshoumaru observava as fotos que havia tirado de Rin enquanto ela dormia.
- És mesmo linda, pequena! Sinto muito por deixá-la tão cedo. — disse para si mesmo.
Havia algum tempo que imaginava o quanto a jovem sofreria quando ele partisse, pois havia tirado sua casa, sua rotina e a levado para um lugar tão longe na promessa de um amor que não mais aconteceria. Pensando nisso, tomou uma decisão.
_ xXx _
- Bom dia. – saudou jovialmente Rin a todos na mesa do café.
Já estava sentindo-se melhor, ainda espirrava com freqüência, mas isso não a impediria de passar um dia com Sesshoumaru. Por isso, vestiu uma calça jeans, camisa de mangas compridas florida, casaco e cachecol para enfrentar o frio de Londres que até parecia estar mais ameno, calçou botas e sentiu-se confortável. Sesshoumaru estava lendo o jornal matinal vestido socialmente e de blazer, os outros conversavam normalmente.
Ao fim do café Inuyasha e Kagome foram trabalhar avisando que chegariam mais tarde.
- Rin, eu preciso falar com você. – disse Sesshoumaru sério.
Ela confirmou com a cabeça e o seguiu para o gramado dos fundos da casa, estava muito sério, mais que de costume.
- Vou ligar para sua mãe, não quero mais que ela se preocupe conosco. – disse ele olhando no horizonte nuvens escuras. – Quando digo conosco, quero dizer comigo, como você e com nosso relacionamento. – disse ele parando um momento – Vou mandá-la de volta para casa.
Rin franziu o cenho, mas não disse nada. Sesshoumaru esperou que ela dissesse algo, porém ela continuou calada.
- Não vai dizer nada?
- O que quer que eu diga? – perguntou ela – Está me dizendo que acabou?
- Não Rin, não é assim que deve interpretar as coisas. Estou fazendo isso por nós dois, quero que você seja feliz. Sinto que de alguma forma você vai sofrer, se continuar comigo.
- Você me ama? – perguntou ela séria. E Sesshoumaru a desconheceu no tom firme da voz.
- Eu te amo, mas...
- E o que te faz pensar que eu não vou sofrer agora? Ou que eu queira me separar de você. Não pode tomar essa decisão por mim, mas você pode escolher se me quer ou não. Pense bem Sesshoumaru, estarei arrumando minhas coisas. – havia frieza na voz dela.
Rin virou-se e voltou a passos largos pelo jardim, Sesshoumaru alcançou-a antes que pudesse chegar na casa.
- Rin espere, eu não queria magoá-la. – disse ele segurando em seu braço.
- Pois conseguiu Sesshoumaru. Porque não enxerga o que estamos fazendo para salvá-lo, o nosso esforço para que você fique vivo, para que pensar tanto em morte e não encarar a vida que te espera? Se é assim que você prefere Sesshy – ela estava mais aliviada – então seja a sua vontade.
Sesshoumaru abraçou-a com força.
- Estou com medo. – confessou – Não quero deixá-la, não tenho mais esperança, não tenho doador, como posso pensar em me salvar? – suspirou e antes que Rin pudesse responder completou – Vamos, pensei em um dia melhor que esse para nós dois.
Rin sorriu pondo uma mecha atrás da orelha e concordando com a cabeça, Sesshoumaru tomou-a no colo rodopiando pelo jardim e juntos seguiram para a garagem, sob os olhares atentos de Izayoi que vigiava tudo com lágrimas nos olhos.
_ xXx _
- Devo dizer que o motivo os trouxe aqui é muito sério. – disse Houjo sentando-se no consultório acompanhado pela família Tashio e Rin – O quadro de Sesshoumaru estava estabilizado até um tempo atrás quando dei alta do hospital, mas agora os exames apresentam uma pequena regressão no tratamento, precisamos agir.
Rin afagou a mão de Sesshoumaru que estava em sua perna, nas duas ultimas semana haviam vivido dias intensos de passeios divertidos e noites românticas. Agora estavam ali no frio consultório de Houjo para ouvir mais uma noticia triste em relação ao tratamento de Sesshoumaru.
- O que podemos fazer se não há doadores? — retrucou Sesshoumaru – Bater de porta em porta pedindo às pessoas que venham fazer o exame por mim.
- Não Sesshoumaru, há uma alternativa. – disse Houjo calmamente – Podemos fazer um transplante autólogo, em que usamos a medula do próprio paciente para o transplante. Parte dela é retirada para ser recolocada depois. A idéia é de que se pode preservar a medula, enquanto o ele recebe altas doses de quimioterapia, na verdade um tratamento de choque para erradicar a leucemia.
Depois, as células-mães retiradas são devolvidas para recompor a medula óssea.
Como a leucemia é uma enfermidade que está dentro da medula é muito difícil conseguir que essas células estejam absolutamente livres da doença. Pode acontecer que elas se proliferem e a doença volte.
- Então isso não é uma certeza de cura? – perguntou Inuyasha.
- Não, não temos como saber se dará certo ou não. – respondeu Houjo.
A sala ficou em silêncio total durante um minuto, até Miroku estava desconcertado com a situação.
- E se eu engravidar? – a voz de Rin saiu fina como um sussurro havia um misto de dúvida e medo em sua voz. Era mais como um pensamento que uma fala.
- Como já expliquei as chances seriam bem maiores, até mesmo se o filho fosse do próprio Sesshoumaru.
Sesshoumaru franziu o cenho em resposta.
- Ora, que loucura é essa? Para onde estamos caminhando, acha que é simplesmente assim: vamos ter um filho e pronto. O que vai ser dessa criança se eu não sobreviver, vai criá-lo sozinha? – ele estava claramente surpreso, mas havia desespero também em sua voz.
- E porque não? Desde quando me vê temer algo. – respondeu ela – Se é uma chance, porque não encará-la. Temos tempo para isso Houjo?
- Você ficou louca meu amor? – disse Sesshoumaru segurando ambas as mãos dela – Um filho é muita responsabilidade, sabe que não seria bom pai.
- É a sua chance Sesshoumaru. – interferiu Miroku. – Creio que com uma mudança na terapia podemos conseguir o tempo necessário.
- Não, isso traz várias responsabilidades e a sua faculdade, e a vida que tem pela frente.
- Ter um filho não é estar na cadeia Sesshoumaru. E...
- Ah pelo amor de Deus. – Sesshoumaru saiu do consultório batendo a porta atrás de si.
- Deixe-o ir. – pronunciou-se Izayoi – Certas vezes ele precisa ficar só e esfriar a cabeça.
- Volto num instante. – disse Houjo percebendo seu bip disparar.
- Ah Rin. – disse Izayoi virando-se para Rin – Tem certeza que está disposta a fazer isso, se for necessário?
- É necessário Iza, e o farei. Temos que convencê-lo que essa é a solução, a menos que ele não queira ficar de verdade comigo.
- Não duvide dele querida. – disse Kagome.
- Então, já temos a solução. Precisamos da contribuição.
Todos voltaram para casa calados sob a pressão da decisão de Rin, Sesshoumaru não estava no hospital quando saíram, também não estava em casa quando chegaram, só apareceu depois da meia noite quando todos já haviam se recolhido, exceto Rin que o esperava no alto da escada na escuridão do corredor. Ele percebeu sua presença pela silhueta que se moveu quando alcançou o ultimo degrau.
Ela não disse nada, chegou bem perto o abraçando com carinho, ele correspondeu ao abraço confessando em seu ouvido que estava com medo. Beijou-a desesperadamente na ânsia de não perdê-la jamais.
- Esteja pronta bem cedo, se essa é sua decisão. Temos algo a resolver. – disse beijando-a novamente e recolhendo-se em seu quarto.
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Rin dormiu quase todo o caminho de Londres para onde estava indo. Sesshoumaru estava misterioso desde o dia anterior, mantinha-se calado e sempre pensativo. Rin desceu ás seis da manhã, ele estava saindo do escritório com Kagome e Izayoi, ambas com cara de sono, mas com uma felicidade estranha estampada no rosto, saudaram brevemente Rin e se recolheram de volta a cama. Sesshoumaru e Rin tomaram café da manhã e saíram para estrada, ela não sabia para onde estavam indo.
- Rin, acorde meu anjo. – disse Sesshoumaru acariciando o rosto dela. – Chegamos.
Rin sorriu e observou o relógio, uma da tarde.
- Onde estamos? – perguntou esfregando os olhos.
- Em casa. – ele respondeu.
E virando-se ao olhar pela janela do automóvel viu sua querida mãe, os gramados e flores de onde havia saído.
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Notas finais
Kissus
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