Tengen Toppa Gurren Lagann - Renascimento
5 Capítulo 5: A contagem para o fim
“Simon...o Ex-Escavador”. Aquelas palavras soaram como um trovão capaz de mover planetas apenas com o som. Todos emudeceram ao ouvir aquelas palavras. Alguns adultos, jovens e crianças não entendiam aquilo. Em pouco tempo, ouviram-se pessoas duvidando daquilo e várias crianças no laboratório perguntando:
– Papai, aquele é o Simon das aulas de história? Ele é assustador... – Disse a garotinha que apertava forte o seu bichinho de pelúcia.
– Nossa, foi ele quem derrotou os Anti-Espirais e salvou o mundo? Que legal! – Exaltava-se o garoto ao ver a figura do homem.
A cabeça de Luno estava como um turbilhão incessável. Eram muitas coisas para ele processar em pouquíssimo tempo: Sua mãe o chamando de “Querido”; ele estar do lado dos inimigos; aquele olhar macabro. Tudo aquílo confundia Luno cada vez mais e mais. Ele se via incapaz de realizar algo, paralisado por suas próprias dúvidas. Antes que pudesse pensar em dizer algo, a mãe de Luno, Solvie, foi mais rápida nas questões:
– Querido, o que você está fazendo aí? O que você quis dizer com o nosso “encontro breve”? Porque não se apressa para voltar para mim...para nós...? – Ela começava a perder esperanças a cada palavra.
Simon se mostrava indiferente ao estado emocional de Solvie e respondia com frieza:
– Me desculpe, Solvie. Não poderei voltar para casa. Ainda tenho um trabalho a cumprir, que você vai achar extremamente doloroso.
– Simon, mas por que? Nós eramos tão felizes juntos. Desde que você foi embora, eu passei todos esses anos te esperando. Eu entendia que você tinha uma missão, mas por que chegar a esse ponto...? Por que, Simon? Por que?! – Seus olhos se enchiam de lágrimas.
Ele abaixava a cabeça e respondia a pergunta , com um pesado tom de vazia tristeza em sua voz:
– ...Eu já lhe disse há anos atrás. Você não é Nia. Nia nunca voltará. O máximo que eu posso fazer é...manter minha promessa que fiz a ela. De proteger o Universo.
Com essa ultima resposta, Luno se enfureceu e abriu a porta de acesso na cabeça do Gurren Lagann, gritando com tudo que podia:
– PARE DE DIZER BESTEIRAS!!
Simon direcionou os olhares para o garoto. Tinha vontade de falar muitas coisas a ele, mas deixou o discurso continuar:
– “Proteger o Universo”. Que grande besteira. Não sei como explodir e derrubar tudo na sua frente vai ajudar a proteger o nosso Universo das coisas ruins! A unica coisa ruim que eu vejo aqui é VOCÊ!!
Nenhuma reação diferente por parte de Simon. Olhava aquilo como se não fosse nada, mas respondia ao garoto e saciava sua vontade de falar:
– Você fala como se entendesse a magnitude do Universo estar em jogo. Está achando que pode resolver tudo porque está no Gurren Lagann, com um uniforme da Grapearl. O Universo é bem mais complexo do que esse pequeno aquário que você chama de “Mundo”.
– NÃO BRINQUE COMIGO!! – Luno avançava com uma broca em mãos no Gurren Lagann. Era profundo o ódio que sentia naquele momento.
A velocidade de avanço do Gurren Lagann era impressionante, porém, a do gammen de Simon era ainda maior. Esquivou-se do golpe com uma mínima dificuldade. Luno voltava a avançar em Simon, mas ele apenas se defendia das sequências de golpes desferidos. Viral tentava acompanhar os movimentos, mas não conseguia conter a fúria do garoto. Em um dos golpes, ambos ficaram parados exercendo pressão no bloqueio do outro. Eles conseguiam ver como seu inimigo era habilidoso. Estavam cara-a-cara:
– O Gurren Lagann. Nunca imaginei que em minha vida estaria lutando contra o gamenn que já foi meu. Se eu tivesse a ousadia do meu Irmão, eu pegaria ele de volta a força, mas acho que não é necessário.
Luno queria pressionar com suas palavras como estava pressionando seus golpes:
– Você não era assim. Não é de você que eu me lembro. Você era gentil e me deu incentivos. Não sei qual é a sua relação com a minha mãe, mas se você se atrever a agir contra ela ou todos aqui, vai ter que derrubar primeiro!
Simon abria um sorriso no rosto e aceitava o desafio:
– Com prazer!
Ele arremessou o Gurren Lagann com uma grande força. O gamenn atingiu o chão em pouquíssimos segundos. Simon vinha logo atrás, com uma broca cor-de-ébano feita por energia em seu Gurren Lagann Negro. Luno e Viral conseguiram se esquivar do golpe, que abriu uma cratera no solo em centésimos de segundo. Um pequeno deslise e o resultado seria fatal. Porém, antes que pudessem retomar sua posição, Simon avançou rapidamente e acertou um ataque em cheio no Gurren Lagann, que os fizeram voar até parar nas paredes do primeiro prédio que bateu. Simon, que poderia ter acertado um outro golpe e acabado com Viral e Luno, decidiu subir ao céu.
Luno, que quase desmaiou com a colisão, limpou o sangue que escorria de sua testa e caía em seu olho, saiu do Gurren Lagann e cambaleou, segurando seu braço ferido. Poucos metros depois, ele falou em voz alta:
– Por que...? Por que você está do lado deles...? – Mal conseguia se aguentar em pé.
Simon ouviu o grunhido do jovem em meio á destruição. Achou que seria injusto deixá-lo sem saber de nada:
– Pois nestes últimos 30 anos em que fui vitorioso sobre os Anti-Espirais percebi que no final eles estavam certos.
– Eles estavam certos sobre o que?! O que você quer dizer com isso?! – Luno ansiava por respostas.
– Você quer mesmo respostas, não é? Pois bem, vou lhes dar elas.
Todos ficaram quietos para poder ouvir as explicações de Simon, agora, vilão de todos:
– Há 30 anos, quando a Grande Brigada Gurren lutou contra os Anti-Espirais, o líder deles explicou como que nós, seres Espirais, seríamos a a causa do fim do Universo. A Energia Espiral emanada por cada um de nos iria se acumular e então, com tanta energia acumulada, cada um de nós seria um potencial buraco negro espontâneo, e assim, causaríamos um novo Big Bang.
Viral, que também estava bastante machucado, interrompeu Simon em sua fala:
– Mas nós decidimos não acreditar. Era absurdo demais crer em algo assim. Não me diga que você acreditou nessa loucura?
– Não, não acreditei, até o dia em que vi com meus próprios olhos. Uma mulher, gerar dentro de si um buraco negro, sugando a si mesma, sua família, sua vizinhança, seu vilarejo... –Ele abaixava a cabeça e se afogava em memórias que parecia não querer recordar.
Todos se apavoraram com o que Simon dissera. Ninguém conseguia acreditar que um buraco negro poderia surgir a partir de uma pessoa espontaneamente. Tentaram manter a calma, mas era impossível. Solvie não queria compreender o que era aquilo tudo e chorava enquanto segurava seus soluços. Luno também havia se espantado. Com ainda mais duvidas e tensão, ele perguntou a Simon com sua voz gélida:
– M-mas e as luzes no céu? Você me disse que todas as luzes no céu são estrelas, que são nossos parceiros Espirais. Eles podem nos ajudar a ultrapassar isso, não é?!
– Temo que mesmo as estrelas sejam sugadas pelas trevas também. Não há saída para os Espirais. – Mantinha o mesmo tom de voz melancólico.
Luno caiu de joelhos. Parecia ter perdido a sanidade de um ser humano. Seus olhos se enchiam de medo e lágrimas.
Enquanto todos estavam apavorados com aquilo e imóveis pela revelação, ouve-se um tiro que passa á centímetros de distancia da cabeça de Simon. Logo após isso, todos ouviram alguém falar com brado do alto de um prédio:
– Não consigo acreditar que você ta se entregando tão fácil. Parece que você deu uma amolecida de uns anos pra cá. A Nia não gostaria de ver você como um coitado nesse estado!
– O Irmão também não gostaria de saber que você acabou de tentar atirar na minha testa. –Simon respondia, olhando para a pessoa no prédio.
– Heh, Kamina seria a primeira pessoa a te machucar se tivesse essa oportunidade agora.
Era uma mulher. Grandes cabelos vermelhos presos como uma trança. Estava quase semi-nua, apenas com um pequeno short e um sutiã. Apesar de ser um tanto velha, tinha os seios e o corpo de uma jovem saudável e sexy. Ela carregava um rifle de sniper e continuava apontando na direção de Simon. Ele notou que corria perigo, mas perguntou a ela normalmente:
– Yoko, como sabia que eu estaria aqui? Aquela ilhota que você vive não parece ser muito perto daqui.
– Seu amigo Boota veio correndo me avisar que você faria algo. Ele chegou há uns dias atras. Parece que você fez muita besteira pra até ele estar assustado. –Yoko respondia enquanto Boota, uma pequena toupeira, subia em seus ombros.
Simon, que parecia estar de mau humor, suspirou e mandou o seu recado:
– Tsc, perdi muito tempo aquí. Todos vocês, me escutem! Daqui a 3 dias eu voltarei, mas dessa vez, com toda a tropa Anti-Espiral me apoiando. Isso que vocês viram agora foi só uma amostra da minha capacidade. Da próxima vez, vocês não sairão vivos. Aproveitem os próximos 3 dias para realizarem seus últimos desejos enquanto podem.
– Não, você não pode ir embora assim Simon. Pare com essa loucura agora, eu te imploro! – Solvie tentava impedi que ele fosse embora, demonstrando mais que apenas tristeza, coragem também.
– Isso é impossivel. No ponto em que atingimos, parar agora é suicídio. Por favor, entenda meus motivos. Apenas lembre-se que todo este tempo que estive fora, nunca deixei de pensar em você ou nas crianças e que o pouco tempo que vivemos juntos foi maravilhoso e eu te agradeço por isso. Adeus...e me desculpe...Solverina. – Ele abaixava a cabeça e falava enquanto subia no céu.
Luno não parava de olhar para Simon. Hora estava triste, hora estava com raiva. Simon percebia isso e dava o seu ultimo adeus:
– Estou orgulhoso que tenha chegado até aqui. Você realmente se tornou um homem forte...como o Irmão era. Porém, tudo vai acabar em breve. Lily, você se tornou uma mulher linda, igual a sua mãe. Luno, sei que você não vai ficar aí ajoelhado por 3 dias inteiros, por isso, espero te ver de novo no campo de batalha. Viral, você foi um ótimo mentor para Luno. Quero lutar contigo novamente. Vocês dois são o grande desafio que quero enfrentar....
Com sua pequena pausa, ele abriu um leve sorriso e completou a sua despedida:
– ...Luno, Lily...foi bom ver vocês já crescidos. Adeus...meus filhos.
Simon e seu gammen desapareciam no ar. Lily tentava consolar Solvie. Não suportava ver sua mãe chorar como estava. Ela também estava confusa por Simon ter chamado ela e seu irmão de filhos. Viral sentia culpa e raiva ao mesmo tempo, repetindo para si mesmo que poderia ter impedido aquilo tudo.
Luno olhava para o céu, onde Simon estava antes de sumir. O céu se escurecia. Nuvens se aglomeravam e agora chovia no local. As gotas da chuva se misturavam as lágrimas e ao sangue dele, que caía no chão exausto. Ainda que estivesse quase em colapso, ele falava em voz baixa:
– Eu também sou uma estrela. Quem diabos você pensa que sou para fugir? Vou te encontrar e te vencer...mesmo que isso custe a minha vida depois...
Notou que a chave do Gurren Lagann, um pequeno colar dourado em forma de broca, estava em suas mãos. Conseguía sentir que com aquilo ele era capaz de vencer Simon e os Anti-Espirais. Cerrava os punhos com a chave em mãos antes de desmaiar. Não queria perder tempo. Perseguiria Simon mesmo em seus sonhos, com a mesma determinação, com a mesma força. Com o mesmo ódio que sentia.
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