Tengen Toppa Gurren Lagann - Renascimento
6 Capítulo 6: Aquele que vivia no passado Parte 1
– Não consigo abrir um buraco aqui...
– Você está colocando muita força aí. Tente girar ela mais de leve.
O pequeno garoto seguiu os conselhos do homem encapuzado, mas mesmo assim não conseguiu abrir um buraco naquele coco com sua broca, o que fez ele ficar chateado:
– Eu fiz o que você falou e não adiantou nada. Por que será?
O homem mostrava seu rosto macabro diante daquilo:
– Claro que não adiantou. Você nunca vai conseguir atingir o que quer!
De repente um enorme buraco se abriu ao chão, sugando o menino em profunda escuridão. Ali, ele via imagens dos Gurren Lagann, de Solvie sentada e chorando com as mãos no rosto, de Viral socando com força as paredes do quartel enquanto rangia os dentes e de Simon olhando com desprezo para Luno. O garoto virava para seus lados tentando entender tudo aquilo que ele via, em grande desespero. Logo, ele ouve a voz de Simon falar em todas as direções:
– Tudo isso que vê são resultados de seus atos. Você achava que era forte mas no final apenas provou que é uma pessoa patética.
O garoto se enfureceu e, apesar de estar tremendo de medo, não se sentiu acuado ao responder:
– Simon, é você que está falando aí! Onde você está?! Seja homem e apareça agora!!
Foi como falar com as paredes. Houve apenas a continuação do discurso desmoralizador:
– Não apenas achou que era forte como também achou que poderia salvar a todos sozinho. Tudo em vão. Está feliz agora, Luno? Por poder pilotar um Gurren Lagann? Uma pena que não lhe servirá de nada. O planeta será destruído nas próximas horas e não há nada que você possa fazer quanto a isso.
Luno em um piscar de olhos voltou a sua aparência original do presente. Fechava os olhos, franzia a testa e cerrava os punhos ouvindo tudo aquilo. Ele apenas falava em voz baixa:
– Cale a boca...
– E ainda mesmo se conseguir fazer algo vai simplesmente virar um buraco negro e fazer com que todo o universo exploda dentro de pouco tempo.
– Cale a boca...!
– A sua, a minha família vai morrer por sua causa filho.
Luno dessa vez perdeu sua paciência e gritou em raiva:
– CALE A BOCA!!!
Depois disso, Luno em um impulso levantou-se de um leito em que estava, gritando sua ultima fala. Ele observou a sua volta e viu que não haviam mais imagens nem vazios escuros. Estava em uma cama de hospital, cheio de curativos e bandagens por todo o seu corpo. Tudo não passava de um pesadelo dele, o que o deixou um pouco aliviado, mas incomodado mesmo assim.
Ele notou que sua mãe estava sentada em uma cadeira ao lado e cochilava de cabeça baixa, enquanto do outro lado estava Lily ajoelhada e de bruços, dormindo também, segurando as mãos de Luno. Ambas pareciam estar muito cansadas depois de tudo que aconteceu. Apesar disso, logo depois, Solvie acorda de seu sono e conversa com o filho:
– Você me acordou com toda essa gritaria. Está ofegante e suando muito. Tem algo errado? Se sente bem?
Ele obviamente não estava bem e sua mãe percebia isso. Ela fazer todas aquelas observações tão naturalmente o incomodou, mas tentou não ser rude:
– Foi apenas um pesadelo, mãe. Não é como se me tivessem arrancado um braço fora.
Ela se aliviou ao ver o filho bem, mas se incomodava com o pesadelo:
– Era sobre seu pai, não era?
– Não se atreva a dizer que aquilo é meu pai. – Demonstrava amargura dizendo aquilo
– Filho, Simon não é um homem tão mau quanto você imagina.
– Ainda diz isso mesmo depois que ele tentou matar a todos nos?
Solvie começava a mandar respostas com mais confiança:
– Simon não tem vontade nenhuma de nos machucar.
– Mesmo não tendo vontade, ele está disposto a acabar com agente.
– Como pode ter tanta certeza disso? Mal o conhece direito.
– Eu lutei contra ele. Estava convicto em vencer.
– Será que você não percebe que ele está sofrendo com isso tudo?! – Solvie agora usava de mais voz nessa resposta.
Luno se irritava com aquilo e não conseguiu moderar sua fala, respondendo brutalmente:
– Vamos ver o quanto ele vai estar sofrendo enquanto estiver dilacerando a todos nos!
Solvie ficou quieta e abaixou os olhar levemente. Luno se sentiu mal por ter falado daquele jeito com sua mãe. Ambos ficaram quietos por um tempo. Pensativos, sentiam vontade de falar algo mas desistiam no meio. Luno, em um desses momentos, criou coragem e perguntou a sua mãe:
– Mãe, poderia me explicar melhor a relação entre você e Simon?
Solvie ficou surpresa com aquilo e ficou confusa com o que falar:
– Nossa relação? Não há muita coisa para se dizer. Eu sou sua mãe, ele é seu pai e...bem...não sei muito o que falar a respeito...
Luno se entediava por essa típica resposta que toda a mãe da quando um filho pergunta isso e foi direto ao ponto:
– Tem bastante coisa pra ser falar. Como vocês se conheceram, por exemplo.
– Bem...desde que nasci, Simon era uma figura influente. Seu avô me contava que ele tornou-se o presidente da Cidade Kamina com 12 anos de idade. Ele era o líder da Brigada Gurren e derrotou Lorde Genome e seu exército homens-besta nessa idade. Isso deve ter sido a cerca de 37 anos atrás, se você contar os anos. Foi depois disso que teve a queda do Império Teppelin e a Cidade Kamina emergiu. – Ela parecia ser bem precisa com suas afirmações.
Luno não estava com vontade de ouvir tudo aquilo:
– Me poupe das aulas de história, mãe. Seja um pouco mais breve.
Solvie continuava:
– Eu nasci 2 anos depois que a Brigada Gurren venceu Lorde Genome. Fui vendo a cidade crescer a media que eu também crescia. Vi Simon inúmeras vezes em discursos políticos na televisão. Nunca fui interessada, mas ele sempre estava com Nia Teppelin, filha do Lorde Genome e primeira-dama da cidade. Era ela que me chamava a atenção.
Luno se lembrava de Simon ter citado o nome “Nia” antes. Viu que não era nenhuma coincidência:
– E o que tinha de tão especial nessa Nia?
– Ela era linda. A mulher mais linda que ja vi. Era sorridente, alegre, curiosa, cativante, enfim, tudo que uma pessoa como ela poderia ter de melhor. Ela frequentemente saía pelas ruas para poder simplesmente tomar um ar, e para onde ia, haviam crianças seguindo ela. Ela as adorava. Um dia eu deixei cair a minha boneca em um buraco e Nia, que viu aquilo tudo, deu o seu máximo para poder se esticar inteira e pegá-la para mim, mesmo ela se sujando toda depois. Eu pedi desculpas por ter feito isso a ela e perguntei como eu poderia agradecer e ela me disse “Ora, não precisa agradecer. Acho que ajudar aqueles que me apoiam tanto é mais do que meu dever. É pra isso que amigos servem, não é?” e abriu um sorriso que faziam seus olhos de flor brilharem junto com os meus. Achei ela o máximo e decidi que iria ser como ela dali pra frente.
Luno ficou imaginando como seria Nia, já que nenhum livro de história continha muitas fotos ou qualquer imagem do tipo. Ficou intrigado pelos “olhos de flor” que sua mãe disse mas preferiu deixar essa questão para depois:
– Ela devia ser muito popular mesmo. Voltando ao assunto, e depois?
– Certo. Quando tinha 5 anos houve a guerra contra os Anti-Espirais. Durou uma semana, mas foi desastrosa. No final, toda a população soube das perdas: vários oficiais da brigada morreram, entre eles o Comandante Kittan e os Comandantes Gêmeos, Jorgun e Balinbow, além da morte de Nia e o desaparecimento de Simon. Foi uma época muito triste para todos, mas mesmo assim, a ordem foi estabelecida, agora com Rossiu na presidência e os anos se passaram. – Era possivel sentir um tom de tristeza nos momentos tristes da história
Luno poderia não ter vivido aquela época, mas captava o sofrimento transmitido e parecia entendê-lo:
– Parece que foi doloroso para todos, inclusive você. Mas então, até aí foi a sua infância. Como você chegou a conhecer Simon depois?
– Vou chegar nessa parte. Enfim, fui crescendo e á medida que me tornava menos garota e mais mulher, começava a cuidar mais da minha aparência. Queria ficar parecida com Nia, já que achava ela linda. Fui crescendo cada dia mais parecida com ela, tanto no jeito de ser quanto a aparência. Foi 15 anos depois da guerra, com 20 anos, que conheci seu pai, Simon. Ele entrou na floricultura da nossa família, todo encapuzado, pedindo por algumas sementes de lírio, e quem sabe um pouco de comida pois estava faminto. Como foi educado, decidi dar as sementes para ele e o trouxe para minha casa para ele poder almoçar.
Luno ficou meio sem graça ouvindo aquilo e fez um pouco de graça:
– Puxa, você o chamou para casa tão depressa? Se fosse assim, até o Comandante Viral poderia estar casado com você agora, hahaha!
Solvie, ainda mais sem graça pelo comentário do filho, respondeu e prosseguiu com uma certa vermelhidão no rosto:
– Ora, ele foi educado e estava faminto! Queria que eu fizesse o que? Continuando, o convidei para almoçar. Em casa, ele tirou todos aqueles trapos que o cobriam e consegui vê-lo melhor. Parecia um pouco velho. Sentou-se a mesa e comemos juntos. Ele estava mesmo faminto, comeu tudo que preparei com muito gosto. Ele agradeceu e olhou nos meus olhos mais claramente. Ele parecia estar muito surpreso olhando mais de perto. Eu perguntei o que aconteceu, as ele disse que não era nada e foi embora. Achei tudo normal, até que umas semanas alguém tocou a minha campainha. Eu atendi. Era Simon.
– Deixe-me adivinhar: você o convidou para jantar naquela hora? – Coçava a cabeça e ria um pouco ao falar.
– Bem...sim. Nos conversamos muito também. Nesse momento, estávamos sentados e eu perguntei pra ele por que ele voltou. Ele disse que eu poderia ajudar ele a encontrar uma paz de espirito, de tanto que eu havia ajudado. Ele disse que conheceu muitas pessoas na vida, e que eu era especial. Achei aquilo bastante doce da parte dele e fiquei surpresa. Ele continuou dizendo que faziam anos que ele não ficava bem daquele jeito. Ele chegou mais perto de mim. Eu estava bastante atraída depois de tudo aquilo, apesar de ele ser mais velho. Eu também cheguei um pouco mais perto e depois...
– “Depois...”?
– ...Depois nos abraçamos e então, veio um beijo. Era quente, delicado e ótimo. Ficamos por muito tempo juntos, não conseguíamos parar. Estava ficando tarde e dormimos...juntos,como um casal... – Solvie sorria e quase fechava os olhos ao falar dessas lembranças.
Luno nunca havia sido fã de histórias românticas como essa, mas ouviu mesmo assim. Logo depois disso, ele ficou surpreso e disse:
– Espera um pouco...você tem 35 anos agora, não é?
Solvie acordou de seu sonho e respondeu confusa:
– Sim. Por que?
– Você tinha 20 anos quando conheceu ele. Hoje eu tenho 15 anos, então...20...15...35, quer dizer que...quer dizer que esse dia que você acabou de falar, foi quando você ficou grávida de mim?! – Contava nos dedos enquanto perguntava.
Solvie, que nunca havia parado para pensar no assunto, começou a contar os anos e tirou sua conclusão:
– Se você colocar dessa maneira...acho que está certo. Foi bem naquela noite.
– Bem...não que fosse tão relevante assim saber disso, mas enfim. O que aconteceu depois? – Luno estava bem curioso pela história da mãe e queria ouvir mais.
– Até aquela noite, eu não sabia que seu pai era Simon. Quando soube que era o mesmo Simon que salvou o mundo quando eu era criança, fiquei chocada. Nunca imaginaria que ele veria algo em mim. Mesmo assim, nem ele, nem eu nos incomodamos de ficar juntos e começamos a viver na mesma casa. Foram os melhores dias da minha vida. Eu ia trabalhar na floricultura todos os dias, enquanto Simon, como o preguiçoso que era, tentava fazer alguma coisa para ajudar em casa, mas ou fazia pela metade ou não fazia. Vivia falando para ele arranjar um emprego e ele conseguia me encantar e driblar isso toda a hora. Homens... – Suspirava e fechava os olhos ao completar a frase.
Luno não sabia se imaginava a história da mãe como sendo dela e de Simon ou dele mesmo e sua irmã. Ambos os irmãos eram tão parecidos com os pais que isso o surpreendia:
– Nunca imaginaria Simon tão...relaxado. Você contando a história parece a Lily falando que não fiz nenhuma das tarefas do dia. Sem querer ser estraga-prazer, as coisas não foram todo esse arco-íris que você fala. Aconteceu algo de ruim, não é?
Solvie, que ria um pouco do comentário do filho, foi interrompida pela pergunta. Ela então olhou para baixo e disse com um tanto de tristeza na voz:
– Sim. As coisas iam bem até o dia que seu pai ficou delirado de repente...
– Poderia me contar o que aconteceu?
– Sim... – Solvie então começou a narrar sua história.
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