Ten Years Later

16 Kisses, alcohol and orgies


Notas iniciais
A música do capítulo é "Because of you", da Kelly Clarkson

CAPÍTULO XVI

Kisses, alcohol and orgies

x.x.x

I will not make
(Não cometerei)
The same mistakes that you did
(Os mesmos erros que você)
I will not let myself
(Não me permitirei)
Cause my heart so much misery
(Causar ao meu coração tanto sofrimento)

Já era quase meia-noite quando Kyle Broflovski deu duas batidas no quarto de Butters e Cartman. Tinha lido a mensagem do namorado que, além de dizer que estavam bem e voltando, ainda pedia para que ele fosse ao quarto de hotel que dividiria com Butters para avisar o loiro do ocorrido, especialmente para que ele não ficasse preocupado com o fato de Eric chegar tarde, provavelmente ainda conversaria um pouco com Dave antes de ir dormir.

O loiro alto abriu a porta vestindo uma camiseta simples branca e calças de moletom cinza. Estava descalço e com os cabelos um pouco bagunçados.

— Ei, Kyle. — Ele abriu a porta surpreso dando espaço pro outro passar.

— E aí, cara. — Kyle entrou sorrindo educado, murmurando um “com licença”. — Prometo não demorar, sei que está tarde.

— Sem problemas. — Butters respondeu e então Kyle notou que ele estava lendo “O Senhor das Moscas”, quando o loiro pôs um pedaço de papel como marcador de página, soltando o livro sobre a cama que seria de Cartman. — Aconteceu alguma coisa?

— Não. — Kyle respondeu rápido tranquilizando-o. — Na verdade, aconteceu sim, mas já foi resolvido.

— O que houve? — O estudante de literatura sentou-se na própria cama e apontou para a outra, ao seu lado, indicando que Kyle poderia igualmente sentar-se.

— Dave fugiu. — O ruivo disse e Butters mostrou-se assustado. — Mas já o encontramos, ele está voltando. — Kyle tratou de dizer logo ao ver que o outro se preocupou. — É por isso que estou aqui, pra avisar que Eric foi atrás dele e é por isso não chegou ainda. Só pra você não se preocupar.

— Pensei que ele estivesse com você, Kenny e Stan, por isso não estava preocupado. — Butters respondeu sério. — Mas obrigado por avisar. Onde o Dave estava?

— Na estação velha, aquela que vai para Denver. — Kyle explicou sentando-se de frente para Butters, na outra cama.

— E como o encontraram?

— Bem, Kenny mencionou que ele poderia ter fugido e Cartman calculou o que ele tivesse indo para a estação, já que fica perto daqui. — Kyle explicou superficialmente.

— É, faz sentido. — Butters riu dando de ombros.

— Acho que o Eric criou uma boa sintonia com aquele garoto. — Kyle comentou com um sorriso de canto. — Acertou em cheio onde ele estava...

— Claro que acertou. — Butters sorriu olhando para os próprios pés. — É o que ele teria feito. — Ele concluiu olhando para Kyle, que ficou um tanto surpreso com a colocação. Lembrou-se então do quão bem Butters conhecia Cartman.

Butters mal tinha terminado de falar e percebeu que Kyle havia recebido outra mensagem no celular. Era Cartman, dizendo que estavam quase chegando e que estava com saudades. Kyle sorriu de um jeito que entregou o jogo que Butters já estava desconfiado.

— Falando nele... — O ruivo complementou apontando para o celular ainda sorrindo.

— Estão juntos, não é? — Butters disse e Kyle ficou automaticamente sem graça. Por mais que ele soubesse que aquilo aparentemente não era novidade para as pessoas, ele ainda levaria um tempo para se acostumar com o fato de que Eric Cartman era seu namorado.

— Estamos, estamos. — Ele respondeu com um sorriso contido, encabulado. Mas tentou parecer casual, como se encarasse com normalidade.

— Fico feliz. — Não era inteiramente mentira mas também não era verdade. — Já contaram pras pessoas?

— Bom, Stan e Kenny sabem. Mas não é como se fôssemos anunciar por aí, mas Cartman não está se importando muito. — Kyle dizia um tanto pensativo. — O que me surpreende um pouco, visto que ele sempre foi muito preocupado com o que pensam dele.

— É. Sempre. — Butters respondeu seco. Pigarreou para disfarçar o fato de que estava com raiva de ouvir aquilo. Não porque Cartman estava namorando outra pessoa, mas porque aparentemente quando se tratava de Kyle, ele havia parado de se preocupar com o que os outros iriam falar, bem diferente do discurso que havia feito a ele anos atrás.

— Butters... — Kyle disse um pouco receoso já levantando-se para sair. — Queria dizer que gostamos de você, nós quatro... — O ruivo soava doce, carinhoso e amigo de verdade. — E gostaríamos que voltasse a ser mais próximo de nós, não há razão pra se afastar. Kenny sente muito a sua falta... Vocês dois eram grandes amigos, hoje em dia mal se falam.

— As coisas mudam, Kyle. — Butters respondeu dando de ombros. — Você e Cartman estão até namorando. — Ele cruzou os braços e parecia ter entrado, mesmo que desnecessariamente, numa zona defensiva.

— Isso não muda nada, cara. — Kyle continuou ignorando a postura do outro. — Mas posso te falar que Damien não é a melhor pessoa para se seguir...

— Kyle, com todo respeito, vocês fazem a caveira de Damien para todos porque estão do lado do Clyde. Estou cansado dessa putaria de vocês quatro. — Butters foi honesto e ofensivo, Kyle ficou um pouco surpreso. — O que houve com Damien já passou. Ele pagou pelo que fez e está usufruindo do que é nada mais que o direito dele.

— Não estou falando mal do Damien pelo que ele fez ou por causa de Clyde. — Kyle respondeu confuso quanto à hostilidade que estava recebendo. — Mas porque ele é de fato uma pessoa difícil...

— Quem pensa que é pra ditar alguma coisa sobre a personalidade sombria de alguém, Kyle, quando a porra do seu namorado é Eric Cartman? — Butters perguntou intimidador, sério e com uma expressão facial que Kyle nunca tinha visto antes. Talvez fosse a antiga veia de Professor Chaos aparecendo, aquela personalidade de Butters que não aparecia mais para “participações especiais”, aparentemente havia se tornado o “papel principal” daquele loiro alto, forte, de braços cruzados e parecendo um tigre.

I will not break
(Não me deixarei)
The way you did, you fell so hard
(Do jeito que você me deixou, você se machucou muito)
I've learned the hard way
(Aprendi do jeito difícil)
To never let it get that far
(A nunca deixar ir longe demais)

— Tudo bem. Faz como você quiser então. — Kyle respondeu um pouco atônito, mas sem refutar o que ele havia dito. Murmurou um “boa noite” não correspondido pelo colega e deixou o quarto do loiro sem entender o motivo real daquela atitude.

A única coisa que fazia sentido é que, de fato, agora ele entendia o motivo dos amigos dizerem que Butters estava estranho. Estava mesmo.

x.x.x

Faltava pouco para Cartman chegar com Dave de volta à Estação de Esqui. Ele andava numa velocidade reduzida, estava sendo inconscientemente mais cuidados naquele momento; certamente o fato dele estar com o garoto dentro do carro o fez mudar de postura mesmo que ele nem tivesse percebido, a ponto de controlar até a velocidade do próprio carro, coisa que ele nunca antes foi de prestar muita atenção.

O som do carro estava ligado e, após algumas músicas de bandas como Nickelback e Green Day, uma música do Bon Jovi começou a tocar e Dave olhou para Cartman com um sorriso maroto. Eric nem precisou tirar os olhos da estrada pra saber que aquilo aconteceria.

— O que? — Ele disse quando o garoto abafou a risada.

— Você gosta de Bon Jovi? — O garoto perguntou e Cartman revirou os olhos.

— Tem uma música aí e agora você já acha que sou fã? — Cartman perguntou e o garoto riu mais ainda ao perceber que ele estava de leve constrangido. A música era Dead or Alive.

— Só tô perguntando! — O menino justificou-se como se não tivesse sido nada demais, mas ainda ria. Cartman admitiu que ficou com vontade de rir só de não ver aquele garoto triste.

Cartman olhou Dave com o canto dos olhos assim que avistou as luzes da Estação e o menino ainda estava sorrindo, mexendo em seu próprio rádio de pilha. Parecia estar querendo fazer funcionar, mas sem sucesso.

Ele estacionou o carro no mesmo lugar que tinha deixado da primeira vez e os dois saíram do veículo. No saguão do alojamento, as professoras e a diretora olhavam aliviadas para a cena dos dois andando lado a lado até o local. Cartman segurava o garoto pela nuca instintivamente sem se dar conta que aquela era uma postura extremamente controladora. Mas estava com um pouco de medo do garoto sair correndo de novo.

O menino ajeitou a mochila nas costas e a diretora o abraçou quando viu, perguntando porque ele tinha feito aquilo, mas o menino não respondeu, apenas se desculpou e, olhando para Cartman, disse que não faria mais aquilo.

— Eric... — A diretora disse ainda abraçada com o garoto e extremamente aliviada. — Muito obrigada.

— De nada. — Cartman respondeu deixando transparecer um pouco do orgulho que sentia. — Vai dormir, moleque. — Ele disse sério olhando para Dave e o menino apenas concordou com a cabeça.

— Ainda vamos fazer o que combinamos amanhã? — Ele perguntou enquanto guardava o pequeno rádio no bolso e entregava suas coisas para a diretora, que dizia que o esperaria no quarto.

— Mas é claro que sim. — Eric respondeu olhando o relógio. — Se você acordar na hora... — Ele complementou ao perceber que estava tarde.

— Vou acordar sim. — Dave respondeu fazendo uma cara engraçada, Cartman sorriu com o canto da boca. — Boa noite, Eric. — Ele concluiu de um jeito carinhoso e já preparava-se para sair.

Because of you
(Por sua causa)
I never stray too far from the pavement
(Nunca ando longe da calçada)
Because of you
(Por sua causa)
I learned to play on the safe side so I don't get hurt
(Aprendi a jogar do lado seguro, assim não me machuco)

— Ei. — Cartman chamou antes que o garoto começasse a subir as escadas. Ele tirou do bolso interno da jaqueta um iPod nano com vários músicas que gostava, um cabo para carregar o dispositivo e fones de ouvido brancos. — Toma. — Ele atirou de longe para Dave que segurou um pouco atrapalhado. — Vê se não vai ficar a noite inteira ouvindo. — Ele sorriu aberto ao ver os olhos do garoto brilharem com aquilo em mãos.

— Prometo que cuidarei bem e devolvo amanhã. — Ele disse sem nem tirar os olhos do pequeno player de músicas mp3 criado pela Apple.

— Pode ficar, não precisa devolver, tenho outro em casa. — Eric disse e percebeu que o garoto nem sabia direito o que dizer, mas não sentia que precisava. — Tem algum computador para pôr músicas aí?

— Temos um no orfanato e uso o da escola também. — Ele respondeu checando os fones de ouvido, os botões, deslizando os dedos para procurar todas as funções. Passava as músicas para ver o que tinha e estava ainda mais empolgado ao perceber que haviam muitas músicas que ele não conhecia ainda.

— Certo. — Eric estava genuinamente satisfeito apesar de tudo. Entendeu melhor o que era se importar com alguém despretensiosamente. Em troca de nada e por motivo nenhum. — Vai dormir.

— Boa noite, Eric. — O menino disse da escada e, pela primeira vez naquele dia, Eric viu o sorriso aberto do garoto, feliz com algo que para ele significava muito, enquanto que para Eric era apenas mais um dispositivo para ouvir música entre tantos que teve e ainda tinha.

Eric respondeu mas ele não ouviu, já estava subindo as escadas correndo com os fones de ouvido plugados e funcionando numa qualidade muito melhor do que seu antigo rádio.

O dono do lugar, que estava na mesa de recepção assistindo a tudo sem se intrometer, olhava para Eric sorrindo, observando o garoto alto com uma expressão tão pacífica que até estranharia se conhecesse realmente quem ele era.

— Boa noite, senhor Jones. — Eric disse ao ver o homem olhando pra ele como se estivesse orgulhoso do que ele tinha feito.

— Boa noite, Eric. — Ele respondeu assim que Cartman saiu porta afora, indo diretamente ao hotel. Bocejou e foi então que percebeu o quão cansado estava.

Entrou no pequeno prédio, subiu as escadas e parou no primeiro andar, bateu na primeira porta perto da escada, onde ficava o quarto de Kyle e Kenny. Imaginou que não deveria ter feito aquilo, pois provavelmente acordaria os dois, mas estava com tanta vontade de ver Kyle que realmente foi mais forte do que esperar até o outro dia. O ruivo abriu a porta e abriu seu melhor sorriso também quando viu Eric, que o puxou para fora do quarto e o abraçou por longos segundos.

— Ei. — Kyle sussurrou no ouvido do outro quando deitou a cabeça no ombro.

— Eu quero dormir com você, qual é! — Cartman parecia uma criança fazendo birra. Kyle jurava que poderia até imaginar o outro fazendo um bico infantil com a boca.

— É melhor não, Eric. — Kyle se afastou um pouco do namorado. — Eu também queria e sei que estamos no começo do relacionamento, queremos estar juntos o tempo todo, mas acho que aqui não é apropriado para esse tipo de coisa... — Broflovski soava até político apesar de estar acariciando o rosto do outro de um jeito extremamente carinhoso. — Prometo te compensar quando voltarmos. — Ele concluiu abrindo um sorriso quase maior que seu rosto. Cartman sentia naqueles momentos que Kyle tinha tanta poder sobre ele que chega a ser assustador.

— Eu te amo. — Apesar do pensamento inseguro, era a única coisa que conseguia pensar sentindo as mãos de Kyle em seu rosto.

— Eu também amo você. — Kyle respondeu erguendo o corpo e dando um último selinho no namorado. — Amanhã quero saber tudo que houve com Dave e como conseguiu fazê-lo voltar.

— Claro. — Ele disse enquanto escorava-se na parede de frente para a porta, segurando-se na soleira, apenas observando Kyle voltar pra dentro do quarto, mostrando os olhos verdes um pouco sonolentos. Quando ele finalmente fechou a porta, Cartman respirou fundo e conformou-se em voltar para o próprio quarto.

Because of you
(Por sua causa)
I find it hard to trust not only me
(É difícil confiar não só em mim)
But everyone around me
(Mas em todos à minha volta)
Because of you I am afraid
(Por sua causa eu tenho medo)

Entrou devagar para não fazer barulho, estava escuro, não queria acordar Butters. Não acendeu a luz, apenas fechou a porta com cuidado e, na penumbra do quarto, tirou as botas pesadas, o casaco e o suéter que vestia, pendurando num cabideiro perto da porta ao lado das roupas de frio do amigo e, agora, colega de quarto.

Vestia apenas uma camiseta lisa azul clara e jeans. Tirou o cinto e abriu o botão e o zíper da calça, estava de boxer azul marinho com elástico branco escrito “Cavalera”. Juntou suas roupas colocando em cima de uma poltrona ao lado da cama.

— Ei, Eric. — A voz de Butters ecoou no quarto e Cartman achou que seu coração tinha parado.

— Puta que pariu, Butters, eu vou acabar com a sua raça. — Ele disse sussurrando, nunca pensou que fosse tomar um susto tão grande. Teve que respirar fundo para se acalmar e voltar ao normal, seu coração acelerou. Olhou para o lado e viu que Butters estava deitado na cama ainda de roupa e por cima das cobertas, como se nem tivesse desfeito a cama.

— Desculpe te assustar. — O loiro disse sentando-se na cama e ligando o velho abajur pequeno em cima do criado mudo. — Está tudo bem com Dave?

— Está. — Cartman respondeu andando devagar perto do outro. Butters desviou o olhar ao ver Cartman daquele jeito tão perto dele, sua pele dava um tom diferente devido à iluminação e ele podia ver seus músculos na barriga e peito um pouco mais marcados. Ao contrário do que a maioria das pessoas que visse a cena sentiria, Butters sentiu-se triste e fechou os olhos por alguns segundos.

— Que bom. — Ele limitou-se a responder agora apenas encarando a luz fraca ao seu lado. Queria olhar para qualquer coisa menos para um Cartman de cueca bem à sua frente que, aos poucos, sentava-se ao seu lado.

Butters levantou-se como se fosse um grande sacrifício ficar ao lado do outro daquele jeito e também ficou sem graça de imaginar que talvez Eric percebesse que ele havia chorado até um pouco antes dele chegar. Cartman, por sua vez, entendia bem o motivo dos garotos dizerem que Butters não era mais o mesmo e poderiam até supor que era mesmo influência de Damien, mas Cartman sabia que aquilo não era de todo verdade. Aqueles breves segundos de um silêncio estranho entre dois significou um pouco mais para Eric, não sabia se era o fato de estar com a guarda baixa naquele dia por causa de Dave ou se realmente começava a sentir o peso das consequências que, antes, procurava ignorar no velho amigo.

— Quer conversar sobre alguma coisa? — Cartman perguntou levantando-se de cama e andando na direção de Butters, que agora estava de costas para ele apenas olhando pela janela embaçada pelo frio.

— Eu sequer consigo olhar pra você e você acha que quero conversar? — Butters respondeu referindo-se ao fato de Cartman estar praticamente nu perto dele, mas Eric entendeu que ele se referia ao fato de ainda estar chateado pelo passado.

— Butters, eu pedi desculpas. — Ele se aproximou tocando no ombro do amigo que sentiu um calafrio lhe correr o corpo. — Eu sei que errei com você, precisamos seguir em frente com isso. — Mas o loiro nem estava mais ouvindo direito. Ele virou-se de frente para o jogador e encontrou aqueles olhos castanhos um pouco confusos mas que pareciam se esforçar para demonstrar a verdade em suas palavras.

— Por que? — Ele perguntou rendendo-se finalmente e derrubando parte do muro que havia criado. — Por que nunca fui bom o suficiente pra você?

I lose my way
(Perdi meu caminho)
And it's not too long before you point it out
(E não faz muito tempo que você dizia)
I cannot cry
(Não posso chorar)
Because I know that's weakness in your eyes
(Porque sei que há fraqueza em seus olhos)

— Não se trata de você, cara. — Eric agora conseguia, depois de anos, enxergar seu amigo como se ele estivesse de volta. — Eu sei que pode não parecer e que sei que não demonstrei quase nunca, mas você era o único ao meu lado muitas vezes. — Cartman estava sendo verdadeiro, ele geralmente era, só tinha sempre um jeito torto de demonstrar. Por isso, naquele momento, estava se esforçando ao máximo para escolher bem as palavras. — Não tem motivo para que fiquemos afastados... Gostaria que me desse outra chance e olha que eu nunca peço.

Ele sorriu ao concluir e Butters perdeu um pouco da lucidez por alguns segundos. O suficiente para fazê-lo segurar Eric pelo pescoço e beijá-lo como se os dois fossem os únicos habitantes da terra. Ele realmente estava fazendo aquilo como se tivesse esperado a vida toda para uma oportunidade como aquela. Sim, Cartman o beijou de volta, não porque estava sentindo alguma paixão, mas porque imaginou que aquilo fosse o “encerramento” que Butters precisava para finalmente seguir em frente. Ele beijou o amigo de volta por alguns segundos e então o afastou da maneira menos brusca que conseguia, respirando fundo e dando um passo para trás. Não discutiu, não o recriminou e não perguntou porque diabos ele havia feito aquilo, porque ele já sabia o motivo.

— Sei que as coisas poderiam ser diferentes. — Cartman disse a um Butters já desolado, ferido e vencido. — Mas não posso voltar atrás e minha rejeição nunca teve nada a ver com você, você sempre vai ser bom o suficiente. — Cartman explicou mas percebeu que já tinha dito muito só pela forma insossa, apagada e um tanto fria com que correspondeu o beijo dele. — Aquilo teve a ver comigo, com as minhas inseguranças e com o meu ego ridículo que sempre me controlou e sempre me controlará. Jamais, nem por um segundo, ache que isso tem a ver com você.

Mas ele não obteve resposta. Butters calou-se, resignado e, mais uma vez, sentiu-se um completo idiota quando, por um segundo, achou que beijando Eric despertaria algum tipo de sentimento nele. Agora teve a total convicção de que o que sentia era unilateral e totalmente não correspondido.

— E agora... — Cartman não tinha certeza se deveria continuar falando ou simplesmente tomar um banho e dormir, deixar o outro paz pra que talvez tivesse alguma resolução própria sozinho em seus pensamentos. — Estou com Kyle. — Mas ele preferiu ser honesto, Butters achou que realmente aquilo era a cereja do bolo de tudo que ele não gostaria de estar ouvindo naquele dia. — E, pelos comentários das pessoas, elas sabiam melhor mesmo do que eu e ele que isso aconteceria em determinado momento.

— Eu sei, eu sei. — Butters respondeu secando umas das lágrimas do rosto que Cartman não tinha visto. Ele respirou fundo e, como num passe de mágica, voltou a ter o mesmo olhar vago, distante, como alguém que se fecha mantendo-se longe para se proteger. — Mas essa conversa foi um pouco mais esclarecedora, agradeço por isso, Eric.

— Claro. — Eric, surpreso com a resposta, ficou mais aliviado e dava pra perceber. Não fosse pelo fato de que, quando deu um passo a frente para tocar o ombro de Butters, o loiro se esquivou meio que naturalmente, como se não quisesse realmente, mas seu corpo agiu no automático. Ele não insistiu, entendeu o recado para, ao menos, manter-se fisicamente longe, Butters não se sentia à vontade. — Vou tomar um banho para depois dormir, estou cansado e acredito que amanhã será um dia e tanto com as crianças.

— Será. — Butters respondeu tirando a camisa e, mesmo sem intenção, Cartman não deixou de olhar. — Boa noite.

— Boa noite. — Cartman respondeu quase num sussurro e tomou seu rumo do banho. Ainda incerto sobre o que tinha acabado de acontecer, tinha esperança que as coisas melhorariam entre eles a partir daquele momento.

I'm forced to fake
(Sou forçado a fingir)
A smile, a laugh, every day of my life
(Um sorriso, uma risada, todos os dias)
My heart can't possibly break
(Meu coração nem pode se partir)
When it wasn't even whole to start with
(Porque, pra começar, nem estava inteiro)

x.x.x

Clyde tinha acabado de falar com Pip ao telefone, Damien não queria ouvir aquilo, não tinha estômago o suficiente e por isso colocou os fones de ouvido e lia e-mails que havia recebido da universidade com orientações para seu curso, como grade horária, livros que precisaria levar para as aulas e até mesmo instruções para usar a internet e a biblioteca.

Sentou-se na cama e só percebeu que já era meia-noite quando olhou para o velho relógio digital no criado mudo que separava sua cama e a de Clyde. Olhou o jogador, que estava deitado na cama e já havia desligado sua ligação. Ele parecia assistir vídeos no celular de lances de futebol americano de outros times — mas não era como se Damien fosse focar sua atenção nisso. Clyde estava com o cobertor na altura da cintura e dava pra perceber que não usava nada pra dormir. Ele tinha um dos braços atrás da cabeça, e segurava o celular quase em seu rosto. Pelo brilho da tela, Damien percebeu que ele tinha os olhos cerrados, já demonstrando estar com bastante sono.

— Pára de me olhar, Damien, mas que porra! Nunca viu homem pelado não? — Clyde disse mesmo sabendo que Damien fazia aquilo com o único intuito de provocar e deixá-lo desconfortável. Por um momento sentiu-se idiota por deixar que aquilo funcionasse. Ouviu Damien dar uma risada sonora tirando a carteira de cigarros do bolso.

— Te acho gostoso, Clyde. — Damien debochou fazendo menção de acender um cigarro.

— Se pensa que vai fumar nesse quarto, pense de novo. — Clyde abriu os olhos levantando o tronco imediatamente. — Se quiser fumar, vá lá fora.

— Tá um frio do cacete lá fora...

— Sai daqui, Damien, caralho! — Ele gritou interrompendo o moreno alto que arregalou os olhos enquanto acendia o cigarro normalmente. — Damien, eu juro por Deus que...

— Tá bom, mas que porra, Clyde. — Damien levantou-se dando por vencido, se continuassem era bem provável que saíssem “no braço” e a gritaria acordaria todo mundo.

Damien deixou o quarto para a completa satisfação de Clyde mas, mal humorado, desceu as escadas tentando não fazer muito barulho para não acordar ninguém e saiu do prédio do hotel, enfrentando a temperatura de -10 graus àquela hora, tudo por causa de um cigarro.

Olhou para os lados e não viu ninguém, nem mesmo um lugar para se abrigar, não fosse a luz acessa do saguão do alojamento da Estação, tudo estava escuro. Geralmente, quando havia muita neve, apesar da noite, havendo luz mesmo que artificial, a neve conseguia refletir no céu, deixando a penumbra num tom de alaranjado por causa dos postes de luz da mesma cor. Era a única coisa que salvava o inverno de ser extremamente escuro.

O pequeno pub perto da Estação estava aberto e Damien achou que não haveria problemas em ir fumar lá dentro, já que parecia um ambiente propício para esse tipo de coisa. Andou até lá deixando rastros na neve e protegendo as mãos nos bolsos, segurando o cigarro somente com os lábios. Por um segundo entendeu o termo “chaminé”, já que andando daquele jeito, deixando a fumaça para trás em baforadas curtas, parecia mesmo uma chaminé ambulante.

Assim que entrou, sentiu a diferença de temperatura e era como se seu corpo agradecesse internamente por terem entrado ali. Ele sacudiu os pés pra tirar o excesso de neve e segurou o cigarro com a mão esquerda — Damien era canhoto. Sentou-se em um dos bancos de frente para o balcão e, assim que o garçom se aproximou, pediu uma dose de uísque. Não tinha certeza se deveria beber aquela noite mas achou que o ajudaria a dormir e não via nenhum oficial de condicional para nenhum exame de urina surpresa.

— Você não deveria estar bebendo. — Ele então viu, no canto escuro do bar, um Phillip Pirrut um pouco alheio à realidade. Olhou ao redor para ter certeza do que via. Ele estava mesmo bebendo sozinho?

Isso não se parecia com nada que alguém como Pip faria.

I watched you die
(Assisti você morrer)
I heard you cry every night in your sleep
(Ouvi você chorar todas as noites até dormir)
I was so young
(Eu era tão jovem)
You should have known better than to lean on me
(Você deveria saber ao invés de me sobrecarregar)

— Eu é que digo. — Damien respondeu imediatamente se aproximando dele e vendo que provavelmente o loiro já estava ali há um tempo. — Desde quando começou a beber?

— Sei lá, Damien. — O loiro respondeu desinteressado passando as mãos pelos cabelos bonitos, limpos e que sempre voltavam a cair em seus olhos mesmo quando ele os insistentemente puxava pra trás. — Você está em liberdade condicional, não pode beber.

— Não conto se você não contar. — Ele brincou chegando cada vez mais perto de Pip até conseguir tocar seu ombro. — O que faz aqui, Pips?

— Me solta, Damien. — O loiro empurrou a mão de Damien para longe de si, levantando-se e fazendo menção de ir embora. — Me deixa em paz, sai da minha vida, eu não aguento mais isso...

Damien não estava prestando atenção em Phillip literalmente, mas chegava a ser sexy e divertido ao mesmo tempo vê-lo bêbado daquele jeito, provavelmente por causa de duas ou três doses. Para alguém que não estava acostumado, um copo de cerveja já o deixaria sonolento e, pela olhada de canto no balcão onde ele estava sentado, viu que o loiro estava bebendo vodca.

— Pip, calma. Vem aqui. — Damien disse segurando-o pelo braço vendo que ele não estava muito firme e seguro ao andar.

— Me deixa, Damien! — Ele tinha lágrimas nos olhos e era perceptível que a última coisa que ele queria naquele momento era que Damien saísse dali.

Se tinha alguém que conhecia Phillip Pirrup era Damien Thorn. Ele o abraçou imediatamente, e ouviu o loiro começar a chorar copiosamente em seu ombro, não sabendo bem se era pela bebida ou se realmente o que acontecera mais cedo tinha sido a gota d'água pra ele e Pip rendeu-se ao desespero não sendo mais capaz de lidar com tanta pressão.

Damien pegou sua bebida no balcão, tomou a dose num gole só sentido o uísque esquentar seu peito e sua garganta. Pôs uma nota de dez dólares no balcão fazendo um sinal para o garçom que ficasse com o troco.

— Pip, olha pra mim. — Damien dizia arrastando o loiro até o banheiro. — Olha pra mim Phillip, não dorme.

Phillip soluçava sonolento, estava claramente alterado pela bebida, poderia ter se deixado levar por tudo e por todos, mas o fato dele estar permitindo o toque e acatando as palavras era única e exclusivamente porque vinha de alguém que ele conhecia apesar de tudo.

You never thought of anyone else
(Você nunca pensou nos outros)
You just saw your pain
(Viu apenas sua própria dor)
And now I cry in the middle of the night
(E agora eu choro no meio da noite)
For the same damn thing
(Pela mesma droga de coisa)

x.x.x

Flashback

— Damien, pára, por favor! — O desespero de Pip era visto. Mas Damien não iria ouvir ninguém naquela noite. Estava drogado demais para saber o que era certo ou não.

— Se não sair da minha frente, vou colocar fogo em você também! — Ele dizia com raiva segurando dois galões de gasolina. Seus olhos estavam vermelhos, suas pupilas dilatadas, parecia que não dormia há dias. Gritava e Phillip, assustado, apenas pedia sem cessar para que ele não fizesse aquilo.

O porão da casa do professor McPherson era escuro, úmido e não tinha janelas. Deixava tudo absolutamente claustrofóbico. Ele largou um dos galões e empurrou Pip contra uma das poltronas, fazendo o garoto magro cair de qualquer jeito na poltrona de couro vermelho antigo.

Phillip, que também estava sob efeito de droga, porém menos que Damien, estava entrando num estado de pânico, perseguição e sentia que pessoas observavam ele e Damien. Via olhos na escuridão, ouvia barulhos onde não existia nada e sentia toques em seu corpo que não estavam acontecendo.

— Damien, tem alguém aqui. Eles sabem. — Pip dizia com um tom maníaco de verdade desesperadora. — Vão nos denunciar, largue isso e vamos embora. — Mas obviamente Damien não estava ouvindo, estava mais preocupado em abrir os galões de gasolina e espalhar pelo lugar.

— Não tem ninguém nessa casa. — Damien dizia com as mãos ligeiramente molhadas pelo combustível sobre os ombros de Pip. — Você está delirando, não há ninguém aqui.

Pip apenas concordava com a cabeça freneticamente, repetindo para si mesmo “não há ninguém aqui, não há ninguém aqui”. Damien abriu a porta pela qual haviam entrado, ele tinha arrombado o cadeado enferrujado, que não fora nenhum desafio.

Ele acendeu um dos fósforos antes de sair, atirou para longe fazendo o fogo começar imediatamente, numa chama alta, logo tomando conta de todo lugar onde havia combustível. Ele gargalhou como se comemorasse que seu plano havia dado certo. Pip, assustado com as chamas no local e nos olhos de Damien teve certeza que o namorado falava sério quando era criança dizendo ser filho do demônio.

Because of you
(Por sua causa)
I try my hardest just to forget everything
(Tento meu melhor para esquecer tudo)

Fim do flashback

x.x.x

Damien entrou no banheiro quase carregando Pip, seu estado se devia mais a seu desespero do que bebida. Ele puxou o loiro para dentro de uma das cabines, o lugar estava vazio. Ele sentou Pip em uma das privadas e abaixou-se na frente dele segurando seu rosto.

— Eu preciso que você se acalme. — Ele fala sério olhando nos olhos cor de gelo, vermelhos pela irritação das lágrimas de Pip. — Respira.

Pip, como tinha a tendência a fazer o que Damien mandava, correspondeu ao olhar dele e respirou fundo duas vezes, sentindo uma segurança anormal com as mãos dele segurando seu rosto. Sentia-se sonolento e relaxado agora, abraçou Damien pelo pescoço como fazia quando tinha 15 anos e sempre repetia que tinha medo de perdê-lo.

— O que aconteceu? Por que está aqui? — Damien perguntou calmo, descendo as mãos pelas costas do loiro, acariciando o que podia e o que sentia mais falta.

— Damien, eu preciso que me deixe namorar Clyde em paz, entende? — Pip disse olhando para Damien, segurando em seus ombros, confuso, como se explicasse para uma criança que ela não poderia colocar o dedo na tomada. Damien sorriu, não poderia amar aquele homem ainda mais. — Eu preciso que você entenda que eu tenho que ficar com ele e fazer o que é certo pra mim, você entende, Damien? Entende? — Damien apenas sorria tocando seu nariz no de Phillip. Ele achava extremamente adorável vê-lo vulnerável e claramente apaixonado por ele.

— Sabe que não posso fazer isso, Pips. — Damien dizia no mesmo tom de voz. — A gente se ama, lembra?

— Lembro. — Pip sorriu de um jeito um pouco alucinado. — Mas isso já passou, agora eu preciso ficar com Clyde.

— Não, não precisa. — Damien disse ficando excitado com aquela situação. Passou suas mãos frias por baixo da camisa e do cardigã que Pip usava, sentindo sua pele macia e quente, fazia anos que pensava e imaginava aquilo. Não lembrava-se de nenhuma vez que se masturbou e não fosse pensando naquela boca e naquele corpo frágil.

— Preciso. — Pip repetia mas sem muita noção do que estava dizendo, apenas concentrou-se nas mãos de Damien.

Damien olhava para toda aquela vulnerabilidade materializada em forma de ser humano. Phillip faria qualquer coisa que ele pedisse e não lutaria contra nada que ele fizesse. Ele encarava aqueles olhos como se pedisse a Damien uma razão – uma boa razão – para que o moreno convencesse que estava errado, que Clyde não era sua melhor opção. Damien tinha todas as chances do mundo de literalmente se aproveitar da situação ali sozinho com um garoto que mais parecia um menino indefeso, com medo e com olhos de choro. Passava as mãos pelas costas de Pip, pelo seu cabelo fino e macio, contornou seus lábios com polegar direito e percebeu que havia esquecido que Pip tinha sardas claras embaixo dos olhos e cílios imensos.

— Vamos, vou te levar pro seu quarto. — Mas foi tudo que Damien conseguiu dizer. E contradizia com tudo que ele realmente queria fazer, entretanto, naquele breve momento de lucidez, soube que poderia estragar tudo.

Ele levantou Pip passando o braço dele por cima de seu ombro, deixando que o loiro se apoiasse nele. Aos poucos saíram do local e fizeram o mesmo caminho que Damien há pouco havia percorrido. Bateu na porta do quarto onde Pip estava com Luke e o veterano abriu um pouco assustado, estava dormindo. Pip, que estava também praticamente dormindo em pé arrastado por Damien, foi colocado na cama pelo moreno alto que encarava um Luke sonolento demais para fazer perguntas.

— Desculpe por isso, cara. — Damien disse sussurrando.

— Não se preocupe, obrigado por trazer ele de volta. — Luke respondeu olhando Pip de bruços dormindo o sono dos justos. Damien o cobriu.

— Se não for pedir muito, queria que não comentasse isso com ninguém. — Damien disse abrindo a porta para sair do quarto.

— Sem problemas. — Respondeu o veterano, tentando associar o fato de que aquela gentileza realmente tinha partido do “tal” Damien Thorn. — Boa noite.

— Boa noite. — Damien respondeu fechando a porta com cuidado e subindo até o segundo andar, onde ficava seu quarto com Clyde.

Ele abriu a porta devagar para não acordar o jogador, viu que ele tinha dormido com a luz do abajur acesa. Damien tirou as botas, a jaqueta de couro, a camiseta lisa branca abriu o cinto e quando baixou as calças percebeu o que já estava sentindo há algum tempo: seu membro estava completamente duro e ele realmente não conseguiria dormir sem se livrar daquilo.

Ele tirou todo restante de suas roupas e, quando sentou-se na cama velha, percebeu que ela fez um barulho maior do que estava esperando. Olhou Clyde se remexer na cama sem acordar. O jogador apenas virou-se desajeitado entre as cobertas, ficando de bruços virado para a parede, e com parte do corpo descoberto. O que realmente fez Damien ficar ainda mais excitado, pois tinha o traseiro de Clyde completamente nu há poucos metros dele, descoberto, com as pernas parcialmente abertas.

Damien sorriu de canto, daquele jeito que deixaria transparecer todos os pensamentos sujos que estava tendo enquanto segurava firme em seu membro, masturbando-se devagar sentado na cama olhando para a bunda de Clyde.

Pensava que nada poderia ser mais errado e, portanto, mais excitante.

Imaginou-se transando não somente com Phillip naquele momento, mas certamente Clyde acabava de entrar em sua mente e em sua fantasia. Se tinha uma coisa que desestabilizava e descansava a mente de Damien era sexo; se as pessoas soubessem o quanto deixá-lo com tesão o deixava vulnerável, teriam aprendido a tirar vantagem daquilo. Pensou que estava fodendo Clyde de quatro enquanto chupava Pip numa orgia quase proibida e que só funcionava em sua própria cabeça.

Conforme pensava em como seria enterrar seu pau naquele traseiro branco e liso de Clyde, imaginava-o gemendo feito uma cadela no cio pedindo por mais, se empurrando contra ele. Ele aumentava o ritmo conforme acariciava seu membro, segurando-se para não urrar de prazer e acordar o outro, mas mal fechava os olhos para piscar, não queria perder nem um segundo daquela visão provocativa. Chegou a fantasiar em certo momento que Clyde estava fazendo de propósito, queria mesmo que Damien levantasse dali e o comesse a força.

Depois de pensar em todas aquelas coisas, não era muito difícil entender porque ele tinha gozado tanto e sua barriga estava completamente suja de esperma, como se ele não fizesse aquilo há pelo menos duas semanas. Sentiu-se tonto como se sua vida tivesse se esvaído junto com o gozo e deitou-se por alguns segundos, com a respiração pesada, mas se esforçando para não fazer nenhum barulho, nenhum gemido, apenas palavras desconexas eram sussurradas enquanto ele sentia suas pernas voltarem aos poucos a responder ao fato de que ele precisava levantar-se para tomar banho.

Frio.

Ele sorria para si mesmo enquanto fechava os olhos e aproveitava os últimos segundos daquela sensação incrível que tinha acabado de ter.