Tempo Ao Tempo

5 Capítulo 4 – Reconhecendo os sentimentos.


Notas iniciais
Desculpe pela demora, mas foram por motivos de força maior. Eu e o Yoshida tivemos problemas ao mesmo tempo, aí já viu, né? Mas felizmente estamos aqui hoje, e devo dizer que o capítulo está especialmente romântico. ~ Quero agradecer aos favoritos e acompanhamentos. VOCÊS SÃO SIMPLESMENTE DEMAIS! Vamos fazer um acordo, gente? Será que conseguimos chegar a no mínimo 10 comentários por capítulo? Vamos lá, o que custa fazer um esforcinho?? Sei que você não irão nos decepcionar o/ Não tenho muito a dizer, só queríamos agradecer a todos vocês que lêem. TAT é uma história surpreendente, e tenho certeza de que vamos exceder a expectativa de vocês! Apenas confiem em nós (principalmente no Yoshida :3) Bom, não segurar mais vocês, enjoy!

Por que aquilo tinha que acontecer com ele? Com certeza cuidar de uma adolescente bêbada não era fácil, ainda mais considerando que Natsu não era um poço de paciência. Junte isso mais o fato de que ela estava praticamente se esfregando nele, e obviamente se segurar não era de seu feitio, até por que era homem e Lucy não era nem um pouco feia.

Suspirou e segurou-a pelos braços, ajudando-a a ter equilíbrio enquanto ziguezagueavam pelo corredor, no intuito de sair dali. Se Lucy era maluca sóbria, imagine alcoolizada? A garota estava tendo sérias crises de bipolaridade e também estava falando o que pensava. Sendo sincera até demais...

– Você prefere apenas no civil, ou podemos fazer no religioso também?

Ele franziu o cenho para ela, o que diabos ela estava falando? Além de proferir coisas sem nexo, ela tentava a todo custo abraçá-lo. Mas ele não sabia o que poderia acontecer naquelas condições. Ele seminu, ela bêbada, pele com pele... Argh, ele estava ficando maluco!

– Do que raios está falando? – perguntou, enquanto a arrastava para o camarim. Queria vestir uma roupa decente, pegar seu pagamento, e dar o fora dali.

Lucy rapidamente começou a rir, nem parecia que até minutos atrás ela estava chorando. Suas emoções estavam absolutamente instáveis, e Natsu não sabia como lhe dar com isso. Se ela não fosse uma garota, e se ele fosse mais insensível do que já é, com certeza a faria dormir rapidamente, um soco no estômago seria ideal. Mas ela era tão delicada... Quer dizer, era mesmo, por que ele não conhecia a garota desiniba e sem noção que estava à sua frente agora.

– Ora, estou falando do nosso casamento! – respondeu após cessar a gargalhada, revirando os olhos como se fosse óbvio. Seus pés fraquejaram um pouco e ele teve que reforçar o apoio para ela não cair. E incrivelmente Lucy achava graça de tudo.

Por todos os Deuses, Natsu sabia que ela estava bêbada, mas se sentiu incrivelmente desconcertado com essa história de casamento, como também sobre eles terem uma penca de filhos. Sempre ouviu o ditado de quê a bebida faz com que as pessoas digam tudo o que estão pensando, mas não conseguia imaginar que Lucy sentia alguma coisa por ele. Poxa, ela era tão inocente – quando sóbria, para constatar –, e também eles tinham acabado de se conhecer.

Seus devaneios foram interrompidos pelos murmúrios incoerentes de Lucy:

– Não, rosa é a cor do amor, com certeza ficaria melhor para o buquê... Mas... Vermelho é paixão, e é mais quente. – Natsu não acreditava no que ela dizia. Ficou estático no lugar quando ela pegou sua mão e a colocou em sua bochecha, se aconchegando com o carinho. – Quente como você.

Ele engoliu em seco, sem saber o que fazer. Aquelas palavras o afetaram em vários aspectos, ainda mais com o duplo sentido que ele captou em sua mente pervertida. Mas... Ela parecia tão sincera, com suas bochechas coradas e olhar brilhante. Entretanto, Natsu não sabia demonstrar sentimentos desde os terríveis acontecimentos de seu passado, que o cercaram na mais profunda escuridão, e ele só sabia mostrar seu lado ruim. Fingindo que não se importava, ele retirou bruscamente a mão da bochecha macia de Lucy, voltando ao tom rude enquanto a arrastava pelo braço de modo grosseiro.

– Vamos logo, quero dar o fora daqui.

Lucy não protestou e se deixou levar, ficando no mais completo silêncio. Ele não sabia qual havia sido sua reação, já que não teve coragem de olhar para seu rosto novamente. Respirando fundo, ele deu graças por ter chegado ao camarim, e tratou logo de adentrar junto com ela. Deixou-a sentada na cadeira e foi rapidamente procurar suas roupas, agora só faltava falar com o coroa purpurina para pegar sua grana e vazar. Não podia trocar aquela cueca ridícula com Lucy ali, por isso apenas tirou o chapéu e pegou suas calças. Percebendo o silêncio, ele dirigiu seu olhar para ela, e a encontrou de cabeça baixa com as mãos entrelaçadas no colo. Ele era um idiota, com certeza ela havia ficado triste, mas ele simplesmente não soube como agir. Em outras ocasiões ele estaria pouco se lixando, mas com Lucy era diferente, ele não queria magoá-la. E isso de certa forma o assustava, afinal ele sempre fora seco com as pessoas. Como podia uma garota que havia acabado de conhecer mexia tanto com ele?

Praguejando, ele se virou de costas para ter o mínimo de privacidade. Quando vestiu as calças e se levantou para abotoar a braguilha, sentiu braços envolverem seu corpo por trás. Ele congelou, sentindo as mãos finas e delicadas em seu abdômen, enquanto Lucy apoiava a cabeça em suas costas, agora molhadas pelas lágrimas que ela derramava. Ela estava chorando! Ele era um filho da puta mesmo, mas por que ele ligava para isso? Não sabia dizer, só se sentiu péssimo enquanto ouvia os soluços abafados.

– V-você não go-gosta de mim? – ela perguntou, apertando-o com mais força.

Natsu queria gritar que sim, mas não sabia se era bem uma verdade. Ela o fazia sentir coisas que ele achou que nunca seria capaz de sentir por alguma pessoa, exceto pelos seus amigos mais íntimos, que mesmo ele dizendo que não, era sua única família. Não sabia o que dizer.

– Lucy, e-eu...

Kyah! Os pombinhos estão aí!

Não haveria hora mais propícia para os escândalos de Bob, se não aquele. Com o susto ambos deram um salto, mas diferente de Natsu, Lucy rapidamente o soltou e correu para os braços do senhor saltitante, rindo.

– Bob-san, que bom te ver! – exclamou ela mais alegre que o normal, saltitando junto com ele.

Espera aí, ela não estava chorando há meio segundo atrás?

– Ah, querida, sempre bela. – disse Bob, segurando a mão da loira que rodopiou feliz.

Natsu mal conseguia se recuperar do contato entre ambos, e só olhava pasmo para as duas figuras malucas à sua frente, que tagarelavam lorotas sem parar. Obviamente Lucy não estava sã, por isso ele não deveria levar em conta o que ela dizia. Mas as palavras, sentir seu toque; ele não conseguia tirar isso da cabeça. Ele precisava mais de um banho gelado do que ela.

– ... E nós vamos nos casar! – Natsu se pegou ouvindo o final da conversa, bufando e vestindo a camisa. De novo essa história!

– KYAH! – exclamou Bob totalmente eufórico. – Isso é perfeito.

Argh, ele não via que ela estava bêbada e não falava coisa com coisa?

– Ah, e vamos ter cinquenta e quatro filhos!

Natsu quase cuspiu o coração, tossindo engasgado com a própria saliva. Com a cara roxa, ele colocou seus pertences nos bolsos e se voltou para eles, que nem ligavam para seu aparente ataque. Aqueles dois juntos eram um perigo, tipo uma terceira guerra mundial.

– Espera aí, eram vinte e sete, você dobrou a quantidade! – ele não acreditava que tinha dito isso, mas as palavras saíram de sua boca antes que percebesse. Ele estava mesmo discutindo aquele assunto?

– Pequenos detalhes – Lucy desdenhou com as mãos – O difícil vai ser levar para escola depois... Acho que vamos precisar de um ônibus!

– Okay, Okay, vamos parar! – exclamou ele exasperado, assustado com o rumo ilógico daquela conversa. – Hey, velhote, só preciso do pagamento.

Sempre educado.

– Ah, claro, meu bem. – Bob sorriu, aparentemente ele era imune às grosserias do rosado. Ele tirou um envelope do bolso e estendeu para ele, que rapidamente pegou e colocou no bolso, sem nem ao menos verificar. Só queria ir embora. – Sei que você pegou boas gorjetas, mas aí tem mais uma bonificação. As garotas gostaram muito de você.

Lucy fez cara feia e se agarrou no braço dele, como se dissesse “ELE É MEU!”.

– Que seja. – disse ele desdenhoso, sem conseguir esconder o desconforto da proximidade da loira. “Lá vamos nós de novo”.

– Espero ver você mais vezes, querida Lucy! – disse Bob, a puxando para um abraço quando ela finalmente soltou Natsu.

– Eu também, Bob-san, mas e as suas coisas? – disse ela num lampejo de lucidez, lembrando dos objetos que ele havia emprestado.

– Considere presentes meus! – ele disse e ela sorriu. – Rosinha-chan! – exclamou ele com a voz fina, puxando Natsu para um abraço que o deixou totalmente perplexo. Ele se assustou ainda mais quando Bob sussurrou em seu ouvido com uma voz grave e grossa, cheia de ameaças: – Cuide da Lucy. Se eu souber que você enfiou esse seu pau nela e a magoou, eu te mato. Vou até o inferno, mas eu acho você.

Ele se desprendeu do abraço, fitando-o novamente com aquela feição abobalhada e toda alegrinha, como se nada tivesse acontecido. Natsu só o fitava de olhos arregalados. Não que tivesse ficado com medo... Tá legal, ele ficou com medo, porém mais por ele mesmo do que pela ameaça. Ele tinha medo de ser capaz de fazer isso com Lucy, afinal Natsu não era dos caras mais confiáveis – segundo ele mesmo.

Lucy se agarrou nele de novo, aliviando o clima de tensão.

– Vamos?

– Vamos... Er, até mais. – se dirigiu a Bob acenando, ainda meio desnorteado.

– Eu levo vocês até lá em cima.

Seguiram o caminho em silêncio até a escada que dava para a rua, com Lucy se esfregando em seu braço como um gato. Ele queria que ela parasse, não estava aguentando o toque que estava fazendo efeito em sua virilha. Ele só pensava nela com a expressão vergonhosa, em puro deleite enquanto friccionava sua pele com a dele e...

– Espero vê-los em breve. – Bob interrompeu seus pensamentos eróticos, e ele quase deu um pulo. Lucy o abraçou de novo, e ele apenas acenou para Natsu, com aquela cara de inocente.

Mas quando eles subiram as escadas e estavam quase sumindo de vista, Natsu se permitiu a olhar para trás, encontrando a face dura de Bob, que colocou os dedos nos olhos e depois apontou para ele, como quem diz “Estou de olho em você”.

Natsu apenas praguejou mentalmente. Velho miserável.

***

Chegar ao hotel que estava hospedado foi mais difícil que ele imaginava, ainda mais por que estavam a pé, andando pela madrugada e Lucy parava a todo tempo para se abobalhar com alguma besteira. Ele reclamava como um velho, mas por dentro estava sorrindo com toda a alegria da garota, que se encantava com as mais mínimas bobagens. Ainda agarrada a ele – para variar –, eles chegaram à entrada do hotel, mas Natsu logo se interrompeu quando se lembrou das regras do local. “Não trazer pessoas que excedam o limite do quarto ou que não estejam em nossos registros.” Droga, o quarto havia sido alugado por Laxus e ele, como levaria Lucy para dentro? A senhora do local poderia até ser legal, mas com certeza ela não gostaria da história.

– O que foi? – perguntou Lucy.

Ele respirou fundo.

– Lucy, nós temos que entrar escondidos, a moça da recepção não pode te ver.

– Vai ser tipo como uma investigação policial? – ela perguntou eufórica.

Natsu apenas entrou na onda.

– Exatamente, como o balcão é bem na entrada, você tem que engatinhar até virar o corredor para pegar o elevador, assim ela não vai te ver.

– Ah, isso vão ser tão legal, vamos!

Para Lucy tudo era uma brincadeira, e ele quase se permitiu a rir. Ele abriu a porta e ela fez aqueles sinais de filmes policiais, e se abaixou, andando de quatro pelas suas pernas. Se arrependeu de olhar para baixo, por que de tão curto que era o vestido, seu traseiro avantajado estava praticamente todo a mostra, exibindo até a calcinha de renda rosa que ela usava. Natsu se remexeu inquieto, ajeitando o incômodo volume entre suas pernas. “Fique calmo, meu amigo”.

– Senhor? – a voz da senhora o despertou, e ele percebeu que estivera o tempo todo parado, olhando para baixo e fazendo expressões diante dos pensamentos do que poderia fazer com aquele traseiro maravilhoso. Lucy apenas levantou a cabeça e fez um joinha com a mão.

Sentiu suas bochechas esquentarem. Puta merda, estava dando para corar agora?

– Hã... – pigarreou – O q-quarto...

– Ah, sim, do quarto 302 – ela completou vendo que ele não conseguia formar uma frase coerente. Lhe entregou a chave. – Está desacompanhado? – perguntou gentilmente referindo-se a Laxus.

Ele automaticamente pensou em Lucy imprensada entre suas pernas, mas não olhou para baixo para não dar bola. Confirmou com a cabeça:

– Si...

– Não, eu estou com ele! – do nada Lucy se levanta, respondendo por ele e agarrando seu braço. Natsu bateu em sua própria testa. Puta que pariu!

– Senhor, é contra as regras trazer outras pessoas para dormir no hotel. – ela disse assumindo uma expressão dura.

Droga.

E então, Lucy começa a chorar.

– Ma-mas... Eu não posso ficar longe dele! – exclama se agarrando mais a ele, aos prantos. Ele só a olhava com uma expressão de “Você é maluca?”

Mas a senhora pareceu se comover com a loira, e transmitiu um sorriso doce para ambos.

– Eu já tive a idade de vocês. – comentou sonhadora e olhou carinhosamente para Lucy, que sorriu de volta. “Mas que porra está acontecendo?” – Tudo bem, só não façam barulho.

Pelos Deuses, Natsu só conseguiu acenar com cabeça de modo robótico, seguindo para o corredor com Lucy se enroscando ainda mais em seu braço. “Não façam barulho”. Puta merda, com certeza isso soou como ele pensou. Pigarreou e acenou de volta para a senhora, entrando no elevador. Quando chegaram ao corredor e ele abriu a porta do quarto, Lucy praticamente voou para dentro, passando a observar tudo com um sorriso abobalhado. Cara, ela era rica, como se maravilhava com tão pouco?

– Que lindo! – ela praticamente gritou da varanda. Chamou-o animadamente com as mãos, e Natsu se aproximou relutante. – As luzes são lindas, não é?

Ele meneou a cabeça, e de repente se hipnotizou com aquela visão. Lucy apoiada no parapeito da sacada, com o rosto apoiado nas mãos. Ela estava mais linda do que nunca, os cabelos flutuando ao vento, com suas bochechas rosadas e com um encantador brilho no olhar. Ao fundo, as luzes da cidade de Hargeon brilhavam na noite agitada, porém nada era mais bonito que ela naquele momento. Não soube quanto tempo ficou abobalhado a observando, mas quando foi pego no flagra se sentiu rubro, e Lucy apenas abriu um largo sorriso. Aproximou-se dele e apoiou a cabeça em seu ombro, tão próxima que ele podia sentir sua respiração fazer cócegas em seu pescoço. Quando percebeu, já a envolvia nos braços, onde ela se aconchegou ainda mais, feliz pelo gesto. Natsu estava muito confuso. O que diabos estava acontecendo com ele? Mas ali estava tão bom, sentir sua mão na cintura fina, apreciando a presença um do outro, enquanto olhavam a paisagem. Ele se sentiu em paz, e se assustou com seus próprios pensamentos quando chegou à conclusão de que poderia ficar assim para sempre. Com ela.

Em dado momento ele percebeu que ela estava quieta demais, e abaixando o rosto encontrou a face angelical adormecida. Nossa, ela estava dormindo praticamente em pé, e ele teve que se controlar para não beijar aqueles lábios carnudos e vermelhos, que agora exibiam um sorriso de canto. Sentiu pena de acordá-la, mas precisava colocá-la na cama devidamente, depois de um banho.

– Lucy... – ele a chamou, acariciando seu braço. Simplesmente não estava conseguindo controlar suas ações. Ela resmungou em resposta e apenas se aninhou mais em seu abraço. Natsu sorriu de canto, coisa totalmente inesperada vindo dele. – Vamos, você precisa tomar um banho.

Lucy pareceu despertar completamente com essas palavras.

– Tipo uma ducha? – perguntou ela animadamente, o olhando com aquelas grandes orbes chocolates.

– É...

– Kyah! – começou a dar pulinhos de felicidade e ele não acreditava. Ela estava feliz por que ia tomar banho de chuveiro? – A Virgo nunca me deixa usar o chuveiro, banheira às vezes é chato.

Natsu não estava conseguindo acompanhar o que ela dizia, e só se deu conta de que ela o arrastava pro banheiro quando eles já estavam em frente a porta. Espera aí, ela não...

– Eu não vou entrar no banheiro com você. – sua voz estava mais aguda do que imaginou, e ele logo pigarreou tentando – inutilmente – voltar a sua costumeira expressão entediada. Mas Lucy o tinha desarmado completamente naquela noite.

– Eu... Nã-ão... – se dando conta do fato, Lucy ficou extremamente envergonhada e soltou a mão dele. Acenou com a cabeça. – C-claro, desculpe.

Ele engoliu em seco e foi até a sua bolsa, pegando uma de suas camisas para ela. Não percebeu que estava tremendo até que estendeu a roupa para ela.

– Você pode usar isso. É, hã... tem toalhas limpas no banheiro e escova de dentes novas. Fique à vontade.

Lucy pegou timidamente a camisa e agradeceu, rapidamente se trancando no banheiro. Quando ficou só, se permitiu se jogar na cama, fitando o teto enquanto se indagava o que diabos era todo aquele clima. Escutou Lucy cantarolar feliz no chuveiro e riu com isso. O que estava havendo com ele, afinal? Primeiro ajuda uma desconhecida na rua, e em seguida se encanta completamente por ela, a ponto de levá-la para o hotel. Ele não estava se reconhecendo.

Para maiores constrangimentos, Lucy saiu do banheiro vestindo a camisa azul que ele havia dado, que ficava como um vestido super curto em seu corpo. Sua belas pernas estavam desnudas e seu rosto bastante vermelho, e ele também sentiu outras partes de seu corpo quentes, além de seu rosto, lógico. Rapidamente pegou uma muda de roupas e seguiu para o banheiro, balbuciando as coisas rapidamente.

– Pode, er... hã se deitar. J-já volto.

Quando fechou a porta atrás de si, soltou a respiração que não percebeu que havia prendido. Balançou a cabeça. “Controle-se, Dragneel”. Se despiu e foi para debaixo do chuveiro, trocando a água para “fria” numa tentativa de fazer todo aquele calor ir embora. Estendeu a mão para pegar o sabonete ainda úmido, e os pensamentos sórdidos de que Lucy havia lavado seu corpo com ele o deixou ainda mais inquieto. Tentando ignorar a imagem dela nua acariciando sua curvas enquanto se ensaboava, tomou um banho às pressas, que no final não havia ajudado em nada para diminuir sua ereção. Escovou os dentes e guardou o “colega” dentro da cueca e vestiu a bermuda. Droga, tinha se esquecido da camisa. Respirou fundo e enxugou os cabelos róseos com o a toalha, até que seus olhos captaram a coisa mais erótica do mundo: a calcinha de Lucy pendurada no registro da ducha do sanitário. Puta que pariu, merda! Ela queria matá-lo! Quer dizer que ela estava nua debaixo de sua camisa? De repente a ideia de ter Lucy vestindo sua roupa o deixou muito mais excitado, e suas bolas estavam começando a doer. Não precisou tocar para saber que a peça estava molhada, deveria ser horrível vestir uma peça usada.

Balançou a cabeça e lavou o rosto, lembrando-se subitamente do recado de Bob, que assombrou seus pensamentos. Não, ele não podia fazer aquilo, mesmo se quisesse muito. Ela era tão inocente...

Criou coragem e saiu do quarto, encontrando Lucy que estava deitada em uma das camas, coberta com um lençol. Ela perecia estar quase pegando no sono, mas arregalou os olhos e corou quando o viu sem camisa, escondendo parcialmente o rosto com o cobertor. Ele simplesmente não sabia o que fazer. Se ficasse olhando muito para ela, a agarraria ali mesmo, por isso se deitou na outra cama e deus as costas, apagando as luzes e deixando apenas o abajur aceso.

– Boa noite.

Entretanto não conseguia dormir. Os segundos viraram minutos e ele não conseguia pregar os olhos, pois sua mente pervertida sempre o lembrava de que havia uma garota praticamente nua na cama ao lado, o que o fazia pensar em possibilidades sórdidas. Como ela não respondeu, provavelmente já estaria dormindo... Puxa, até “boa noite” ele havia dado! Quem era aquele Natsu e onde foi parar o antigo?

E como uma tentação dos diabos, sentiu Lucy subir em sua cama e entrar de baixo das cobertas, o abraçando de lado e enroscando suas pernas. Ele agora suava frio, sentido a pele macia em contato com a sua. E ela estava sem calcinha! Pelos deuses, por que ela tinha que ter bebido?

– Sabe, eu não sei seu nome ainda. – disse ela carinhosamente, com uma voz deliciosamente arrastada, descansando a cabeça em seu peito nu, fazendo círculos aleatórios com o dedo.

Como ela poderia ser tão inocente e tão sexy ao mesmo tempo? Com certeza era uma junção perigosa, e mesmo ele querendo arrastá-la para longe, não conseguiu. Tanto por não querer magoá-la tanto por que também não queria que ela saísse.

– Natsu. – ele respondeu, até um pouco surpreso por não ter se apresentado, e nem ele ter perguntando. Esquecer dos bons modos era normal para ele, admirava Lucy ter chegado até ali com ele, sem nem mesmo saber o seu nome. Essa ingenuidade era cativante, mas também bastante perigosa. Ainda bem que ele não era tão ruim assim.

– Natsu. – Lucy repetiu docemente, levantando a cabeça para olhá-lo nos olhos. O som de seu nome em sua boca foi maravilhoso. – Como Verão. Você tem cheiro de sol. – ela sorriu, colocando o corpo parcialmente em cima dele, cheirando seu pescoço. – E você também é quente.

Natsu estava indo à loucura, não sabia como lhe dar com tantas emoções e sensações. Seu corpo estava quase entrando em combustão, e ele não sabia se aquentaria por mais tempo. Então, ele surpreendeu até a si próprio, quando disse:

Eu só sou quente com você.

O sorriso que ela deu foi encantador e mais do que nunca ele queria beijá-la naquele momento. E timidamente, ela distribuiu beijos por toda extensão de seu pescoço, até o peito, e a cada toque Natsu estremecia, com os olhos fechados em puro deleite. Era mais que uma simples atração sexual, ou muito mais que um carinho. Ele queria fazer amor com ela, não transar como fazia com as outras garotas. Lucy era especial.

Dando adeus à sanidade, num ato rápido ele inverteu as posições, ficando por cima e no meio de suas pernas. Com os braços ao redor de seu corpo, ele enfiou a cabeça na curvatura de seu pescoço, inalando o cheiro doce e inebriante que ela tinha. Quando levantou a cabeça, encontrou a face rubra e ofegante de Lucy, que mantinha as mãos massageando seu cabelo. Ela era tão linda...

Naquele momento ele se esqueceu de Bob, da sua consciência, de tudo. Ele precisava senti-la, sentir aquela que estava fazendo seu coração acelerar pela primeira vez em anos. Beijou o local atrás de sua orelha, recebendo um gemido baixo em resposta. Sem conseguir controlar suas mãos libidinosas, acariciou sua coxa, de primeiro sentido a textura macia da pele aveludada. Em seguida subiu pela lateral, chegando na altura das nádegas, por dentro da camisa, local onde deveria estar a calcinha. Sua virilha deu uma fisgada com a sensação, e mais do que nunca ele queria acariciar seu sexo nunca antes intocado por outro homem. Estava na cara que Lucy era virgem e ele queria ser o primeiro. E o único.

– Lucy, eu não vou conseguir me segurar. – ele falou ofegante, com a voz abafada enquanto roçava os lábios no pescoço alvo.

Ela gemeu e jogou a cabeça para trás, puxando os fios róseos de sua nuca.

– Então não se segure.

Puta merda! Mas Natsu sabia que seria covardia fazer aquilo nessas condições. Ela estava bêbada e provavelmente não se lembraria de nada no dia seguinte. Apertou-a nos braços e sentiu o corpo de Lucy amolecer. Quando olhou para seu rosto, ela estava com os olhos fechados e com um sorriso sonolento. Ele achou que ela estivesse dormindo, mas então ela começou a falar de modo arrastado:

– Sabe, Natsu... – deu uma risadinha e se aconchegou de lado na cama. – Eu... acho que estou ficando louca...

– Por que você diz isso? – ele saiu de cima, frustrado e aliviado por ela estar quase dormindo. Posicionou-se atrás dela, acariciando seus cabelos loiros.

– Por que eu acho que estou amando você...

O coração de Natsu desceu nos pés. Ergueu o corpo e a olhou agora já num sono profundo, sempre com um sorriso no rosto. Ele beijou sua bochecha.

Então eu acho que também estou louco, Lucy.

***

Lucy despertou com uma incômoda dor de cabeça, desnorteada e sem saber onde estava. O que diabos tinha acontecido? Levantou a cabeça e abriu os olhos, a claridade lhe cegando por alguns instantes. Esfregou os olhos e se sentou na cama, ainda coberta com um lençol. Quando olhou para frente e viu Natsu completamente vestido a observando sentado numa poltrona, se lembrou de absolutamente tudo nas últimas vinte e quatro horas. Sentiu todo o seu corpo ficar rubro gradativamente, na mesma medida em que os flashes dos acontecimentos invadiam sua cabeça como balas, a deixando envergonhada ao extremo. Num ato de proteção, cobriu todo o seu corpo com o lençol, deixando apenas os olhos de fora.

Quando Natsu percebeu que ela estava olhando para ele, corou e se levantou, sentando ao lado dela na cama.

– Como está se sentindo? – ele perguntou.

Era impressão dela ou ele estava mais amigável? Pelo deuses, ela tinha feito e dito coisas que nunca imaginaria ser capaz, e ainda estava sem calcinha! A última coisa que se lembrava era que estava dizendo que o amava, porém não conseguia recordar da resposta, se é que teve uma. Por que ela era tão impulsiva? Estava confusa e não sabia se aqueles eram os sues reais sentimentos, mesmo sentindo seu coração acelerar perto dele.

– E-estou b-bem. Só com um pouco de dor de cabeça. – admitiu.

Ele fez que sim.

– Imaginei. Bom, pode tomar um banho, eu vou er... hã... Procurar uma roupa para você.

E como um raio, ele saiu em disparada do quarto. Criando coragem para sair debaixo das cobertas, ela se levantou rapidamente da cama, olhando para suas pernas desnudas. E com gritinhos histéricos, ela saiu em disparada para o banheiro.

Durante o banho, recapitulou todas as besteiras que fez. Não conseguia conter a vergonha, como ela tinha sido capaz de fazer tudo o que fez? Mas... Lembrava dele beijando seu pescoço, ofegante enquanto acariciava sua coxa e com os olhos em brasa. Sentiu-se derreter em baixo do chuveiro. Natsu. Como Verão. Sorriu, certamente não haveria nome melhor para ele.

Terminou de se lavar e se enrolou na toalha e ouviu batidas na porta. Seu coração quase pulou para fora.

– S-sim?

– Lucy, sou eu. Tem algumas roupas que vão servir em você aqui no quarto. Vou sair para que você possa se t-trocar.

– Obrigada.

Esperou um tempo com as mãos no peito numa tentativa de fazer as batidas voltarem ao normal. Verificou que a calcinha que havia lavado estava seca, e a vestiu rapidamente. Pegou as roupas e os sapatos que estava usando na noite anterior e abrindo apenas uma brecha da porta, espiou para ver se estava sozinha. Suspirando, saiu do banheiro e guardou as roupas sujas num saco plástico e enfiou dentro da bolsa de Natsu, depois veria o que faria. Encontrou uma muda de roupas em cima da cama. Parecia algum tipo de roupa para malhar, com uma calça de algodão folgada, moletom e um par de tênis. Se sentindo animada para vestir peças que nunca colocou na vida, ela se vestiu rapidamente, ficando um pouco surpresa por ter ficado perfeito em seu corpo. Nesse instante, Natsu surgiu no quarto.

– Imaginei que já estivesse vestida. Ficou bom em você.

Ela não conseguiu responder, apenas abaixou a cabeça e corou. Natsu não comentou nada sobre a noite longa que tiveram, e com certeza não seria ela a iniciar o assunto. Estava muito envergonhada em vários aspectos, mas sentia que tudo que havia falado era a mais pura verdade. Mas... e agora? Com certeza seu pai já tinha tomado conhecimento de seu sumiço, e ficaria muito difícil se esconder de um Jude descontrolado e super protetor. E a pergunta que não quer calar: Será mesmo que Natsu estaria disposto a ajudá-la? Por que se antes ela não queria voltar para casa, agora tinha absoluta certeza. Queria ficar com ele.

– Natsu. – chamou-o hesitante, e ele apenas olhou para ela com um mínimo de rubor nas bochechas que rapidamente sumiram. – Eu... Você vai me entregar para o meu pai?

Pronunciou as palavras tão baixo que achou possível que ele não tivesse escutado. Sua garganta queimava pelo choro prendido e sua voz estava embargada. Não queria ficar longe dele. E surpreendentemente, Natsu colocou a mão em seu ombro e pela primeira vez desde que ela havia o conhecido, ele deu um sorriso. Um sorriso de verdade, encantador, com direito a mostrar todos os dentes perfeitamente brancos e alinhados.

– Você quer vir comigo?

Lucy não conseguia conter sua alegria, e agora seus olhos marejaram de felicidade. Ele também queria ficar com ela! Acenou que sim animadamente com a cabeça, e ele assumiu uma feição satisfeita.

– Então vamos sair daqui! – ele disse agarrando sua mão e a puxando para fora do quarto depois de pegar os pertences.

Ainda de mãos dadas, eles desceram até o hall, onde a simpática senhora já os esperava com um sorriso. Ela não poderia estar mais feliz, afinal estavam com as mãos unidas por iniciativa dele. Ela não queria acreditar, mas já estava apaixonada por Natsu.

– Eu quero fazer o Check-out e pagar metade da estada. O Laxus ainda vai vir buscar suas coisas e quitar o resto. – ele se dirigiu à senhora, que apenas acenou que sim e pegou as notas que o rosado tirou do bolso.

– Vocês não vão tomar café? – ela perguntou. – É por conta da casa, eu já ia mandar levar ao quarto de vocês.

Mas nessa hora o mundo parou para Lucy. Olhando para a TV atrás do balcão, viu uma reportagem com o título “Herdeira desaparecida”, e com sua foto estampada. Deus graças aos céus pelo áudio estar no modo mudo e cutucou Natsu antes que ele respondesse a proposta da senhora.

– Nastu. – o chamou, sentindo o pânico começar a crescer. Ele franziu o cenho para ela, até que olhou para direção onde Lucy apontava.

Arregalando os olhos, ele apertou sua mão como se dissesse que tudo ia ficar bem, e ela automaticamente se sentiu mais aliviada. O toque de Natsu era quente e aconchegante.

– Er... Não. Vamos comer pelo caminho. Obrigada.

Apressado, ele a arrastou para fora do prédio, respirando fundo. Antes que saíssem de vista, Lucy olhou para trás a tempo de ver a senhora olhar para a TV e depois para ela, sorrindo e fazendo sinal de silêncio com o dedo nos lábios. Ela sorriu de volta, agradecida. Natsu apertou sua mão mais uma vez.

– Não se preocupe, vai dar tudo certo. Coloque o capuz do casaco. – ele mandou e ela obedeceu. – Eles não vão te conhecer, mas temos que sair logo dessa cidade.

– Para onde vamos? – ela perguntou enquanto andavam frenéticos pelas ruas. Mas não importava para onde, ela iria com ele para onde quer que fosse.

– Para minha casa, em Magnólia. – ele respondeu, sorrindo para ela. Ela acabou descobrindo que amava seu sorriso, e ficou feliz por ele estar se soltando mais.

Com o rosto corado e o coração a mil, ela acenou em concordância, abrindo um sorriso bobo e apaixonado. Até que chegaram num lugar que perecia ser uma estação e ela se soltou dele, com os olhos brilhando em excitação enquanto olhava impressionada para o enorme veículo nos trilhos, onde várias pessoas já entravam

Natsu abriu mais um de seus sorrisos encantadores e estendeu a mão para ela.

– Já andou de trem, Lucy?

Notas finais
KAWAII!!!! *--------------* Até eu fiquei encantada com o que eu escrevi, como pode isso? :v (egocentrismo aqui). Bem, espero que tenham gostado, por que mais romance vem por aí :33. Espero ver muito de vocês nos comentários, beijos e até o próximo XD.