Notas iniciais
E ai amados leitores, já se recuperaram das emoções dessa nova jornada? Então bora que o livro dois é ainda mais emocionante que o um. A Capa do cap é arte da nossa amada bacante Ju *-* Ps: Desculpem por receberem duas notificações, eu sem querer postei o texto errado e precisei apagar (era mais rapido, enquanto prpocurava o certo) T.T mals galera

Três dias depois.

Centro de Atenas, Grécia – 09:30am

No luxuoso bairro ateniense de Kifissia, famoso pelas suntuosas lojas de design, joalheria, iatismo e vestuário de grife, um táxi amarelo estacionava em frente a uma das mais sofisticadas lojas da metrópole grega.

De dentro do automóvel uma família acima de qualquer suspeita desceu apressada. O pai, um distinto jovem ruivo de cabelos presos num rabo de cavalo baixo, usava um terno negro, óculos escuros e chapéu panamá. Trazia em um dos braços um menininho de cabelos loiros, que escondia o rosto dos fortes raios solares usando seu inseparável patinho de pelúcia, enquanto estendia a outra mão para auxiliar a dama que descia por último.

Essa, desconsiderando a larga camisa de malha coberta por paetês em tons corais, a qual ia até a metade das coxas roliças nuas já que a saia que usava não tinha nem meio metro de tecido, poderia se dizer que era uma distinta jovem de classe média alta ateniense. O chapéu enorme na cabeça e os opulentos óculos escuros, além de lhe esconderem parcialmente o cabelo e o rosto, também lhe davam um ar nobre e glamoroso, à la diva hollywoodiana.

Ninguém em Atenas conhecia a identidade verdadeira dos homens e mulheres que residiam no Santuário, tampouco sabiam a fundo sobre esse lugar rondado de mistérios e lendas, e naquela hora da manhã era muito difícil encontrar algum dos mafiosos que compunham a ainda emergente máfia grega. Sendo assim, Camus e Afrodite, tomando certos cuidados, levantaram bem cedo para irem montar o guarda-roupa da distinta amazona de Peixes, e amiga especial do pai de Hyoga.

Nos três dias que se seguiram desde o regresso de Camus ao Santuário junto de Hyoga, o garotinho russo e o jovem cavaleiro sueco aproximaram-se muito. Talvez fosse a carência do luto que ainda assolava o pequeno coração do menino, e a capacidade de amar que residia no grande coração do pisciano, os responsáveis por esse amor à primeira vista.

Dormiam juntos, comiam juntos, riam, choravam de saudades... Protegidos pela reclusão e reserva das Casas Zodiacais, onde só entram aqueles que têm a devida permissão de seu guardião, Camus, Hyoga e Afrodite viveram três dias como uma família de fato, tomando os devidos cuidados, certamente.

Agora estavam novamente os três, juntos, para comprar roupas novas para aquela que a cada dia ganhava um novo espaço no coraçãozinho de Hyoga.

Merci. — disse Camus dispensando o táxi, enquanto Afrodite ajeitava o chapéu na cabeça e analisava a fachada da mansão que abrigava a loja de roupas.

— Hum... Aceitei vir aqui, mas duvido que encontre algo que preste. Só deve ter coisa careta. — disse um desanimado pisciano — O Polly tem uma loja de roupas. Não são muito... convencionais, mas eu não vou usar saia no joelho mesmo. Depois, você ia gastar muito menos acué*.

— Dinheiro non é problema. — Camus respondeu com semblante severo — E você deve estar maluco, né? Non permito que meu filho se aproxime nem quinhentos metros de uma loja do Polifemo. Sacre Bleu! Era só o que me faltava... Nós vamos a uma loja de respeito, onde vendem roupas para mulheres recatadas e elegantes. Estamos entendidos, senhorita Afrodite?

— Cruzes. Você quer me transformar em uma testemunha de Shaka! Quer que eu vá espalhar a palavra de Buda nas casas dos mundanos também? — deu um beijo na bochecha do ruivo, rindo, enquanto Hyoga se distraia com o amplo jardim que circundava a propriedade.

— Eu quero apenas que nosso disfarce funcione. — respondeu o francês cedendo o filho aos cuidados do namorado, e enquanto Afrodite agora segurava Hyoga no colo, Camus aproveitava para acender um cigarro e abrir a porta para entrarem — Primeiro as damas. — sorriu irônico.

Enchanté mon seigneur. — brincou o sueco adentrando o recinto e já sendo recepcionado por uma das elegantes vendedoras.

— Bom dia, sejam bem vindos! — quem falou foi uma bela jovem de cabelos castanhos, sorriso cordial e gestual refinado — Que adorável criança! — referiu-se a Hyoga no colo de Afrodite. — Querem me ceder os chapéus e os ósculos de sol para ficarem mais à vontade?

— Ah... — Afrodite se preparava para responder quando Camus o interrompeu de supetão.

NON! — disse o francês em alto e bom tom — Estamos bem assim, merci. Eu e minha... esposa... estamos em viagem pela Grécia, mas infelizmente extraviaram a bagagem dela. A pobrezinha precisou até que lhe emprestassem essas roupas para poder vir até aqui. — apontou para o par de tênis que Afrodite tinha nos pés — A senhorita podia ajudá-la a escolher umas peças, s´il vous plaît? Ma chérie precisa de tudo novo e adequado. Quero bolsas, sapatos, vestidos, saias, blusas... E o preço non é problema.

Camus usava de todo o seu charme, elegância e malícia nata, surpreendendo até mesmo Afrodite, que por detrás dos óculos escuros tinha os olhos arregalados em surpresa.

— Pois não, senhor. Pode aguardar na antessala enquanto toma um champanhe. — a atendente respondeu conduzindo a ambos até uma das salas que serviam também de provador.

Obrigado. Venha, Hyoga. Vamos deixar a Di escolher as roupas. — o ruivo falou já esticando os braços para tomar o menino em seu colo.

Não. Eu quelo fica com a Di, papá. — ralhou o loirinho ao ser apanhado pelo aquariano.

Eu sei, mas nós vamos ficar bem aqui, nesse sofá bonito, enquanto a Di só vai até ali atrás daquele biombo. — apontou para o local, depois olhou para Afrodite — Quero ver cada peça que for comprar. Vista e venha até aqui, por favor. E nada de decotes, transparências, brilho excessivo e mini saias.

Afrodite bateu uma leve continência e então voltou toda sua atenção para a vendedora, e enquanto um garçom servia um champanhe para Camus e um suco de laranja para Hyoga, a elegante jovem trazia algumas das mais caras peças da loja para a distinta madame escolher.

Eram roupas lindíssimas, mas, como já esperado pelo pisciano, muito sérias, em cores sóbrias. Afrodite deixou escapar um suspiro e vendo rapidamente que Camus estava distraído enquanto conversava com Hyoga, aproximou-se um pouco mais da vendedora e sussurrou em seu ouvido:

— Meu bem... — fez uma pausa ao lembrar-se de deveria deixar o tom de sua voz um tanto mais agudo, então raspou a garganta e falou da forma mais branda que conseguiu — Leva essas casqueiras daqui e me mostra o que você tiver que não seja tão careta. Ah! Nada dessas saias no joelho, por Dadá! Quero tudo fechado na frente e decotado nas costas, tá boa? Não quero nada que deixe... é... os meus seios a mostra! — não conteve uma risada em alto tom.

Apesar do físico trabalhado, das costas e ombros largos, Afrodite era bem magro, o que somado a sua aparência extremamente andrógena lhe fazia passar facilmente por uma mulher com porte de modelo, dessas que quase não tem seios.

A vendedora então atendeu ao pedido do pisciano que agora mais satisfeito com as peças enfiava-se atrás do biombo para experimentar, sozinho, negando-se a receber ajuda.

Uma a uma Peixes vestia e ia do lado de fora do provador mostrar para Camus.

Na saleta o sueco desfilava, girava, ria, e principalmente perguntava ao menininho russo se ele aprovava.

Em cada nova peça que Afrodite ia mostrar, Hyoga sorria e batia palminhas alegre, divertindo-se com aquela brincadeira. Bem diferente de Camus, que fizera o sueco devolver muitas das peças apenas baixando os óculos escuros e lhe lançando um olhar reprovador. Muitas das roupas, porém, Camus reprovava apenas porque deixavam Afrodite ainda mais lindo e sexy, e não era para ele chamar tanta atenção.

Duas horas depois e um guarda-roupa completo escolhido, Peixes voltava vestindo uma saia rodada de estampa de oncinha, um pouco acima dos joelhos, com cintura bem marcada por um largo cinto de couro preto e uma camisa branca de seda larguinha, com mangas longas e um enorme decote nas costas.

Peixes jogou-se no sofá ao lado de Camus, tombando a cabeça para trás exausto.

Ah, como isso é cansativo! — disse soltando um suspiro — Não sabia o que escolher, é tudo tão careta! Dai escolhi quase tudo!

A Di tá linda, né papá? — disse Hyoga elogiando Afrodite, como um bom cavalheirinho.

Sim, está linda! — Camus respondeu sisudo. Tinha ralhado para muitas das peças escolhidas pelo pisciano, e mesmo fazendo cara feia, mais da metade das compras eram peças com estampa de animal e costas de fora. Porém, Camus sabia que Afrodite estava fazendo o seu melhor, e toda a birra logo se convertia em admiração e gratidão — Obrigado, ma fleur. — o francês sorriu pegando na mão do pisciano.

Oh, obrigada, meu loirudinho. — Peixes agradeceu dando um beijo na bochecha do pequeno, depois apertou a mão de Camus contra a suaDe nada. Meu esforço não é nada perto desses sorrisos. — referia-se a alegria de Hyoga e à gratidão de Camus, estampadas em seus rostos.

O francês então se levantou e estendeu a mão ao namorado para ajudá-lo a se levantar, já que Afrodite agora calçava sapatos de saltos enormes.

— Mandarei entregarem tudo no Templo de Baco. — disse o aquariano — Por causa da festa de Halloween que Saga dará hoje, creio que mais uma encomenda passará despercebida.

— Ah, não se preocupe. Se alguém fizer alguma pergunta digo que são presentes do Batman para mim. — Peixes respondeu ajeitando o chapéu na cabeça — E por falar em festa, temos que comprar uma fantasia para o Hyoga e uma para você. Ainda não têm fantasias.

Papá, o que estão falando? — questionou o pequeno que apesar de conhecer a língua grega ainda não era capaz de entender tudo que o pai e a amiga falavam.

Ah, nada importante. Coisa de gente grande. — disse Camus colocando o menino no chão — Por favor, vá até aquela moça no balcão e peça para ela trazer um pouco de água para a Di. Ela está com sede.

Sim senhor, papá.

Quando Hyoga saiu, Camus fechou o cenho, retirou os óculos escuros e encarou os olhos de Afrodite.

— Eu non vou a essa festa.

— Como assim, não vai?

Non estou no clima. O que acha? Ainda mais uma festa à fantasia.

— Camy, eu sei disso, mas vai ser bom para o Hyoga. Ele vai gostar tanto... Vai ter tudo que criança gosta, comida, gente de fantasia, o homem gigante, o homem com pintinhas na testa... Você mesmo disse que o trouxe para cá para ele se distrair, sair do luto. Faça isso por ele, mon amour.

— Está bem. Você está certo. — respondeu ainda sisudo, enquanto Afrodite abria um largo sorriso de satisfação e vitória — Mas non vou fantasiado.

— O que? Como não? Vai fantasiado sim! Por mim você até iria de Batman, o que acha?

Camus arregalou os olhos em surpresa e incredulidade.

— Eu? Ir de Batman? Esse Santuário inteiro está louco para descobrir quem é o Bruce Wayne, o ricaço misterioso que mantem Afrodite de Peixes exclusivo pagando fortunas a dois anos e você quer que eu vá a uma festa, organizada pelo Saga, vestido como o seu namorado secreto? Non quer tatuar "Afrodite" na minha testa, non? Ai já pode também me colocar uma coleira no pescoço com seu número de telefone em uma plaquinha dizendo: "se encontrar perdido ligue para:”. — esfregou o rosto, visivelmente irritado — Non é possível, você às vezes me tira do sério, Afrodite de Peixes. Parece que ainda non entendeu a gravidade da nossa situação.

Peixes, que ouvia a tudo calado e estático, subitamente sentou-se apressado no sofá cruzando as pernas e colocando uma das luxuosas almofadas em seu colo.

Camus olhou para ele curioso.

Dieu, o que foi?

— Estou... excitado! — Peixes disse baixinho — Não fale nesse tom agressivo comigo, ou teremos problemas aqui... A minha barraca está querendo armar.

— O... o que? — Camus sussurrou consternado — Afrodite levante-se dai!

— Não posso! — Peixes respondeu fechando os olhos e respirando fundo — Ui! Dadá me manda luz!

Dieu! — Camus coçou a nuca, nervoso — Você só pode estar brincando.

— Por Dadá, Camus, estamos há semanas sem apagar a vela*. Eu tô só batendo bolo*, ai você fala grosso comigo, e me fala de coleira, de tatuar meu nome em você... O que você queria? Minha cabeça foi longe. — sussurrou aflito, o rosto já corado pela excitação.

Um silêncio estupefato se fez entre eles, até que fora quebrado pela presença de Hyoga que trazia entre as pequeninas mãos um copo de cristal cheio até a metade com água.

Aqui, Di. Touxe pá você.

Surpreendido, Afrodite esticou a mão e sorrindo acariciou os cabelos loiros do menino, depois apanhou o copo. Hyoga olhava para ele curioso e sorridente.

Para o menininho, as caras e bocas, os gestos exagerados e a maneira de falar de Afrodite o divertiam muito, e ele ria sem o menor esforço.

Obrigada, meu amor. Foi Dadá quem te mandou aqui. — disse apressado em beber a água, enquanto Camus, completamente atrapalhado, retirava o talão de cheques do bolso do casaco e pegava Hyoga no colo.

— Eu vou acertar a conta e... Quando estiver... recuperado... nos encontre na recepção.

Afrodite acenou afirmativamente com a cabeça enquanto despejava um pouco de água em uma das mãos, posta em concha, para depois molhar a nuca.

Minutos depois, ânimos acalmados, estavam novamente os três dentro de um táxi circulando pelo centro de Atenas.

A parada agora era em frente a uma loja de fantasias.

Levemente irritado, Camus carregava Hyoga em um braço e com a outra mão segurava a mão de Afrodite. Pararam na entrada da loja, então o francês colocou Hyoga no chão, que de pronto saiu correndo agitado para ver as fantasias expostas, e retirou os óculos escuros encarando os olhos do sueco com seriedade.

— Você já me aprontou hoje. Aceitei ir à festa, mas ainda estou de luto. Vamos comprar uma fantasia para o Hyoga e voltar para o Santuário o quanto antes. Saga marcou uma reunião comigo depois do almoço e non posso me atrasar.

— Está bem. Me desculpe, mas eu não pude evitar. Sinto sua falta, Camus.

— Eu também sinto a sua, mas agora non somos mais só nós dois. — fez uma pausa soltando um suspiro — Vamos. Temos pouco tempo.

— Certo! Então vamos correr! — deu um selinho nos lábios do francês e saiu correndo sorridente atrás de Hyoga.

Nos corredores da colorida loja, Afrodite e Hyoga corriam de mãos dadas entre as centenas de araras de roupas. Experimentavam chapéus, acessórios multicoloridos, trocavam gargalhadas e beijinhos, enquanto Camus os observava sempre de longe, com o coração em paz, até que viu Hyoga parecer se decidir com a fantasia que encontrara na sessão de super-heróis.

— Ah, non, non, non... Non posso acreditar! Qualquer uma, menos essa! — murmurou para si mesmo já apertando o passo e correndo em direção a eles.

Di, eu quelo esta. — disse o menininho apontando para a fantasia no alto de uma das araras.

Afrodite ao olhar para o traje ficou inerte, até que Camus chegou até eles e deu seu veredito.

Non! Non, Hyoga. Escolha outra fantasia. Você non vai de Batman!

Po que não, papá? — o rostinho do menino já perdia toda a alegria para ganhar um ar choroso.

Por que non. Tem centenas de fantasias aqui. Escolha outra.

Mas, eu quelo i de Batman! Diiii! Eu quelo i de Batman!

Afrodite piscou algumas vezes por trás dos óculos escuros e pegou o menininho no colo, que já chorava todo sentido.

— Camy, qual o problema dele ir de Batman? — Peixes disse de modo severo — Ninguém vai desconfiar de nada! Eu posso ser um depravado, mas não sou pedófilo e isso todo mundo sabe! As crianças adoram o Batman... E os Afrodites também! — deu uma piscadinha para o namorado — O Hyoguinha vai de Batman. Decidido.

Tomando a autoridade para si, Afrodite apanhou a embalagem da fantasia e se dirigiu, com Hyoga no colo, até o balcão onde ficavam os caixas.

Di, eu quelo i de Batman.

Eu sei, e você vai de Batman, meu amor. Confia na Di. — enxugou as lágrimas do garotinho com as pontas dos dedos — Não chora, loirudinho, a nossa batalha só está começando. Faz assim. — botou Hyoga sentado em cima do balcão e sentou-se a seu lado, cruzou os braços instruindo o pequeno a fazer o mesmo, depois fez uma careta feia e de pronto Hyoga o imitou fazendo outra — Isso!

— O que significa isso, Afrodite de Peixes? — Camus perguntou irritado quando chegou até eles e os viu sentados em cima do balcão, com todos os atendentes e caixas da loja os observando curiosos.

A gente só vai sair daqui com uma fantasia do Batman, tamanho P infantil, com arma de água presa ao cinto de utilidades, bota com luzinhas na sola e embrulhada em um papal de presente azul... Ou, tanto o batmóvel quanto a batcaverna estarão interditados pelos próximos três... não... dois meses.

E o batolangue também, Diii! — Hyoga completou.

Sim, ai ai de vocês se esquecerem do batorangue! — disse o sueco irresoluto.

Camus olhava para ambos completamente atônito.

— Melhor você agilizar essa compra, Camy. A fila está crescendo e nós dois não vamos sair daqui até o presente do Hyoga estar num pacote azul. — disse Afrodite — Ah, e eu já vi ali a sua fantasia também! Também quero ela.

O Santo de Aquário estava furioso.

Isso é um complô de vocês dois contra mim? — ralhou o ruivo.

Os dois sentados no balcão se olharam e disseram ao mesmo tempo:

SIM.

Pra piorar a situação do francês, já estavam chamando muito a atenção e as pessoas estavam se aglomerando em volta.

Non posso acreditar que está usando o meu filho para me chantagear. Desça já desse balcão Afrodite.

— Alôca! Não estou usando seu filho para te chantagear coisa nenhuma, Alice. Estou tentado fazer o seu filho feliz. Não foi isso que você me pediu, santa? Deixa de ser um mundrongo*, desaquenda a bilôca desse corpo e compra essa fantasia para o loirudinho. Ninguém vai ligar a figura dele a mim. Você já está obcecado com isso, Camus.

Aquário respirou fundo e se deu por vencido. Afrodite tinha razão. O medo de ser descoberto pela Vory e Hyoga pagar por seus erros e atos era tamanho que muitas vezes deixava seu instinto falar mais alto que a própria razão.

— Senhorita, por favor. — fez um sinal para a uma das vendedoras, e pegando a fantasia das mãos do pisciano entregou para ela — Embrulhe essa merda em um papel azul. E vocês dois desçam já dai.

Com sorrisos largos e vitoriosos no rosto, ambos desceram do balcão e Hyoga logo foi abraçar as pernas do pai em agradecimento.

— Foi uma escolha sábia, mon amour! — Peixes disse ao ruivo lhe dando um beijo no rosto — Agora vamos buscar a sua fantasia.

— Você ainda vai me deixar louco. — resmungou o francês esfregando os dedos na fronte — Bien... Vamos escolher logo essa merda de fantasia que preciso voltar ao Santuário. E já pegue uma para você também.

— Eu já tenho fantasia. — disse o pisciano — E não se preocupe que eu sei que tenho que ir de amapô*.

— Está certo. — disse Camus — Vou chamar um táxi para você ir na frente. Hyoga e eu iremos alguns minutos depois. Non podemos chegar juntos.

— Está bem. — respondeu o pisciano — Vou passar no Templo das Bacantes antes para trocar de roupa. Se alguém me vir vestido assim vai me encher de perguntas. Espero vocês em Aquário.

Oui. Deixo Hyoga com você e desço para a reunião com Saga.

— Combinado. Agora vamos escolher sua fantasia. — disse Afrodite puxando Camus pelo braço.

Contudo, não foi preciso Camus escolher um traje, pois Hyoga já havia escolhido a fantasia que queria que o pai usasse.

Quando a vendedora voltou com seu pacote azul pronto, o menininho pegou na mão de Camus e o levou até as araras para lhe mostrar o traje escolhido.

Ao olhar para ele, Camus mais uma vez desejou não ter levantado da cama naquele dia!

***

Santuário, 12:15am

Nos corredores escuros do imperioso Templo de Virgem, gemidos e arquejos abafados ecoavam em uníssona cadência denunciando o êxtase dos amantes.

Palco desse delírio era a majestosa escultura em ouro de Flor de Lótus, onde Shaka fazia sua meditação diária.

Nos dois anos que se passaram, o Santo de Virgem e o guardião de Áries viveram intensamente seu amor e compromisso.

Shaka, porém, não abandonara sua religião, tampouco negligenciara sua missão, e todos os dias meditava por horas almejando amadurecer o espírito e elevar ainda mais seu Cosmo.

Ao final das sessões de meditação, e quando não era incumbido de alguma missão do Santuário, o guardião da sexta Casa dedicava seu tempo livre a limpar o Templo e cuidar das roupas e alimentação de Mu.

Shaka ainda assistia muita televisão! Especialmente filmes de ação, drama e romance, gêneros que mais gostava.

A amada novela de Shaka, Destinos Cruzados, tinha chegado ao fim em grande estilo, com Síbila e Ralej vencendo todos os obstáculos e vivendo felizes juntamente com quatro filhos, um cachorro e um casal de tigres de bengala.

Rhana, a doce amiga de Síbila, tinha ficado viúva novamente, mas para alívio de Shaka — nada deixava o indiano mais triste que uma mulher viúva — o falecido marido da moça, Shantar, era estrangeiro e muito rico, por isso Rhana não precisou voltar para a casa das viúvas, indo criar seu filho nas Filipinas.

Shaka sentia saudades de Síbila e suas aventuras com o marido, porém sua vida, agora ao lado de Mu, era muito mais interessante que a vida dos personagens da televisão.

— Aaah... Aaah... Mu... — o virginiano gemia deitado de costas no centro da escultura de Flor de Lótus. Jogando, de forma instintiva, os braços acima da cabeça, apoiou as mãos nas grandes pétalas para amenizar a força com que seu corpo era chacoalhado pelas fortes investidas do ariano — Não devia... aah... hum... Não devíamos... aqui...

— Humm... Não está... gostando, Shaka? — sussurrou o lemuriano buscando os lábios em anelo do virginiano, dando início a um beijo intenso, arrebato, com força orgástica.

Em resposta, Shaka enlaçou com as pernas a cintura de Mu, projetando o quadril para cima para intensificar a penetração enquanto beijava a boca sedenta do amado com volúpia.

Ambos agora estavam embriagados, de desejo e luxúria. Os corpos suados se friccionavam um contra o outro, as línguas se provavam, os cabelos emaranhavam-se com aquela dança libidinosa que ganhava cada vez mais um ritmo acelerado, até que...

— Para! — Shaka sussurrou repentinamente agarrando Mu pelos ombros, que imerso nos prazeres do sexo continuou a investir no corpo do amado — Para, para, para! Mu...

— Humm... pelos deuses, o que foi? — o ariano diminuiu o ritmo das estocadas, enquanto de olhos fechados beijava o pescoço de Virgem em êxtase — Quer mudar de posição?

— Shiii... Não faça barulho. Fique quieto! — de olhos abertos, Shaka agora encarava os olhos verdes do lemuriano com semblante assustado — Está vindo alguém.

Com o corpo em arroubo e o espírito maravilhosamente enevoado, à duras penas Mu parou de se mover, preocupado em serem pegos em flagrante, e se concentrou. Segundos depois abriu um largo sorriso.

— É o Dido. — sussurrou o ariano.

— Eu sei que é o desmiolado do baiacu beijoqueiro. — ralhou o virginiano, que mal respirava tamanho seu assombro.

— Não era para ele estar atravessando as Doze Casas a essa hora. — outro sussurro de Mu, que agora voltava a distribuir beijos no pescoço alvo e suado do indiano.

— Não era para NÓS estarmos aqui a essa hora... fazendo... isso. — Virgem murmurou, enquanto Mu o provocava voltando a movimentar o quadril lentamente — Aaah... Não faça isso comigo, seu... Hummm... Ele pode... Ahhh...

— Relaxa, luz da minha vida... A passagem para a travessia das Casas fica no outro saguão... Ele só está indo para Peixes. Não vai nos ver. — Mu sussurrou dando uma mordida no lóbulo da orelha de Virgem, que com as mãos gélidas de susto, a boca rubra e os grandes olhos azuis esgazeados cravados no ariano, soltou um gemido longo ao perceber o Santo de Peixes já afastado das imediações de seu Templo.

Ainda mais instigados pelo “perigo” iminente de serem flagrados ali, retomaram o ato, delirantes, e meia hora depois estavam ambos na cozinha totalmente descompostos, porém satisfeitos.

— Hum, torta de legumes e arroz com macadâmias! — exclamou o Santo de Áries ao olhar para as travessas que o marido colocava à mesa — Pena que vou ter que engolir a comida. Pedi para Saga marcar uma reunião comigo e o Camus às 13:00 horas.

— Se não tivesse me abordado daquele jeito em minha Lótus não precisaria comer com pressa. — resmungou Shaka puxando uma cadeira enquanto esperava o ariano se servir — Você anda muito ousado ultimamente, Mu de Áries. Ali é meu lugar de meditação! Um local sagrado, não um antro para práticas mundanas.

— Não reclama não. Sei que você adorou a minha ousadia. — deu um risinho maroto, depois abocanhou um punhado de torta — Hum... E nosso amor é sagrado, luz da minha vida, oficialmente abençoado pelos deuses... Além de que, você fica lindo praticando o mundano. E fazia tempo que a gente não dava uma rapidinha na hora do almoço.

— É... Fazia. — não resistindo Shaka sorriu, depois esticando uma das pernas levou o pé ao meio das pernas de Mu, onde fez uma carícia nas coxas com os dedos do pé nu — Mas podia ter me esperado terminar a meditação.

— Hum... mas o meu amor por você não espera! Ele tem pressa! — Mu riu de volta — E se você continuar com esse pé ai vou me atrasar para a reunião.

Shaka recolheu a perna lançando um olhar malicioso para o lemuriano, em seguida se levantou e caminhou até o balcão onde Mu havia deixado algumas sacolas que trouxera consigo.

— E essa reunião? Algum problema? — abriu uma das sacolas assumindo um semblante curioso ao analisar o conteúdo.

— Ah... Problema é o que não falta naquela casa de tolerância. — Mu respondeu enfiando outro pedaço de torta na boca —... Hum... Lembra que estava investigando uma papelada? Descobri um desvio nos pagamentos das contas em nome de laranjas. Acho que tem dedo da Vory v Zakone nisso.

— Olha só! Ladrão roubando ladrão! — disse Shaka retirando da sacola uma peça de roupa — E acha que o Camus vai entregar os amigos corruptos dele? Aquele francês é tão vigarista quanto todos os envolvidos nessa escória... O que são essas roupas?

— Fantasias. — Mu respondeu sem titubear — Lembra a festa que te falei semana passada? A que o Saga vai dar para distrair as meninas que trabalham na casa de tolerância, os servos e aprendizes e que, a pedido meu, será feita na Arena para que o meu marido possa me acompanhar?

— Hum.

— Isso mesmo. Comprei duas fantasias, uma para mim e uma para você.

— Isso é ridículo! Por que fantasias?

— Será que é porque é uma festa de Halloween, Shaka?

— Ah, por Buda! Essas festas do Gêmeos me dão nos nervos!

— Você nunca foi em nenhuma, como pode falar isso?

— Nada que venha daquele proxeneta ébrio pode ser boa coisa. — guardou a roupa na sacola e voltou a sentar-se à mesa, ao lado de Mu — Mas eu prometi que iria te acompanhar e vou cumprir a promessa. Só não sabia que seria obrigado a ir de fantasia.

— Mas comprei um traje discreto para você. Você vai gostar. E vamos tirar uma onda com a cara do Dido. — disse Mu todo faceiro.

— Como assim? — Shaka perguntou curioso — O que quer dizer com “tirar uma onda”?

— Fazer uma brincadeira. Aldebaran quem me ensinou essa expressão.

Mu olhou no relógio preso à parede percebendo que já estava cinco minutos atrasado para a reunião. Já havia sentido Camus passar pela casa de Virgem e então se apressou, levantando da cadeira às pressas enquanto limpava a boca com um guardanapo branco de algodão.

— Já vai? — disse Shaka indo em sua direção.

— Sim. Devem estar me esperando. — Áries respondeu tomando o virginiano pela cintura e o prensando contra a mesa usando o peso de seu corpo — Eu adorei a comida e... a nossa ousadia na sua Lotus. — enfiou o rosto na curva do pescoço de Virgem e lhe beijou a pele quente.

Shaka correu as mãos pelas costas do ariano até pousá-las sobre suas nádegas, e depois de apalpar a carne macia com força deu-lhe um tapa estalado produzindo um alarido abafado.

— Eu também adorei, Mu. Agora vai, ou não respondo por mim e te faço perder essa reunião. — o virginiano beijou rapidamente os lábios do amado, que a contra gosto se afastou para em seguida deixar a cozinha.

Ao se ver sozinho, Shaka sentou-se novamente na cadeira e esfregou o rosto todo sorridente.

O Santo de Virgem era um homem muito disciplinado e que levava muito a sério seus rituais e treinamento, mas que, depois que se casara, Mu passou a ser seu ritual predileto.

***

NEGRITO— traduzido do francês

Dicionário Afroditesco

Acue — dinheiro

Apagar a vela – fazer sexo

Bater bolo – masturbar-se

Bilôca – homossexual chiliquento

Mundrongo – indivíduo grosseiro, mal educado

Notas finais
Eita nóis, o Hyoga aprontou com Camus... Qual será sua fantasia? e o Mu e Shaka ein? Aquele casal inocente e certinho do volume um foi embora, agora tem dois fogueteiros no lugar. Bom o proximo cap está emocionante, pois a reunião que Mu marcou vai dar muita dor de cabeça. Não esqueçam de deixar aquele comentário lindo que deixa as autoras felizes *-* (mesmo os fantasminhas..oi pra vcs hahahah)