Templo das Bacantes Vol. 2

50 Os corredores escuros da mente. - Parte 3


Notas iniciais
É TRETAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA olha nem vou falar nada desse cap pq ó... até pra escrever ele foi suado e difícil devido a complexidade da treta. BORA LER

À sua frente, pouquíssimos metros de distância, o Grande Mestre também já se preparava para desferir seu mais poderoso golpe, mas antes dos Cosmos de Virgem e Gêmeos se colidirem eis que um terceiro Cosmo invadiu o salão de repente seguido de um grito emitido com voz troante que reverberou por todo o recinto.

— MURALHA DE CRISTAL!

Uma parede translúcida se ergueu entre os dois cavaleiros que estavam prestes a se chocar os separando.

Mu havia invadido o salão do Patriarca tal qual um carneiro selvagem alucinado, estourando portas e lançando a guarda oficial metros de distância. Lá dentro, usou a velocidade da luz para erguer a muralha segundos antes do choque. Havia escutado do lado de fora toda a discussão através de seu elo telepático com o marido, e já prevendo onde aquilo os levaria não pensou duas vezes antes de interferir para tentar evitar uma tragédia maior.

— NINGUÉM MAIS VAI MORRER PELAS MÃOS DE UM CAVALEIRO AQUI! — bradou mantendo-se atrás da muralha erguida, do lado de Shaka e com o Patriarca isolado do lado oposto — Vocês dois perderam completamente o juízo? — lançou um olhar repreendedor ao virginiano — Estão totalmente desequilibrados! Eu não vou permitir que uma desgraça ainda maior caia sobre esse Santuário só por causa do destempero dos dois. — agora lançava o mesmo olhar censor para Gêmeos.

— Como ousa entrar aqui sem permissão, Cavaleiro de Áries? — vociferou o Grande Mestre ainda mantendo seu Cosmo prestes a explodir.

— Eu disse para não interferir, Mu! — Shaka elevou a voz mantendo sua atenção totalmente voltada para Gêmeos do outro lado da Muralha — Nem deveria estar aqui. Essa questão é entre mim e esse demônio! Ele é o mal que nos cerca! Sempre foi! Espírito faminto por poder e cobiça, seu ódio e ganância jamais cairão sobre esse Santuário!

— PAREM JÁ OS DOIS! — Mu bradou ainda mais alto, e com as feições totalmente tomadas por uma inabitual expressão de zanga encarou os olhos maquiavélicos de Saga enquanto estendia o braço até a altura do peito de Shaka onde tocou com o punho cerrado dando uma leve pancada — Não faça isso. — voltou o rosto para o indiano e com os olhos esgazeados o encarou firme — Sou eu quem estou te pedindo. Não faça isso.

— Áries, se não retirar a muralha por bem eu mesmo a desintegrarei juntamente com os dois! Não pense que isso me impedirá de... — dizia o Patriarca aos berros quando foi interrompido novamente pelo guardião da Primeira Casa que agora tornava a encara-lo de forma firme e resoluta.

— Te impedirá de quê? De continuar agindo como um completo amador?

— O que disse? — o geminiano esbravejou.

— Você ouviu muito bem, ou vai negar que tudo o que está fazendo é uma grande e despropositada pirraça? — clamou com entusiasmo — Que propósito sério pode haver em ordenar a execução de mais um Cavaleiro de Ouro sem aparente motivo, e destituir outro do cargo por se negar a tal feito tão desonroso senão pirraça? — virou novamente o rosto para Shaka e o encarou furioso — E você, Shaka, pelos deuses! Um Cavaleiro de Ouro tentar matar o Grande Mestre? É isso mesmo? Você tanto o acusa de ser um assassino usurpador e está prestes a fazer o mesmo! É isso mesmo que quer? Ser como ele?

Virgem então desfez a posição de ataque tocando o chão com os pés e baixando os braços, desfazendo os mudras nas mãos que já canalizavam sua cosmo energia a sincronizando com o golpe, o qual ele interrompeu.

— Não. Não é o que eu quero, e você sabe bem disso. — disse, agora em tom mais ameno.

— Não é o que parece. — retrucou Áries, que agora voltava a atenção ao Patriarca do outro lado que os encarava tomando por um ódio crescente e paralisante — Assim como não me parece que para você, Grande Mestre, seja vantajoso transformar esse Santuário em um cemitério! Vai governar sobre o quê? Sobre os mortos?

— Você foi infectado pela peste da insubordinação que esse desregrado do Virgem semeia! — esbravejou em perdigotos o geminiano, apontando para Shaka do outro lado da muralha como se a cada gesto seu pudesse atravessa-la e golpeá-lo — De que me valem cavaleiros insubordinados? Não me valem de nada! Então que morram! Esse Santuário precisa de uma renovação! E começar expurgando as ervas daninhas é o melhor a se fazer!

— Não! Não é! — rebateu o ariano, mas logo teve o braço segurado por Virgem, que chamou sua atenção.

— Não perca seu tempo pleiteando com esse espírito tacanho, Mu! Não vê que é inútil? — clamou Shaka aproximando-se da muralha até ficar cara a cara com Saga do outro lado, apenas o fino cristal translúcido os separando — E também não se renda às armadilhas do ego. Assassinos todos somos. A estreita linha que nos separa de homens agindo em prol da justiça e bestas sedentas por poder é justamente a causa que nos move. Por isso essa é a hora! E essa é a causa! Temos que tira-lo do poder agora!

Gêmeos deu uma risada escancarada de puro escárnio que se espalhou pelo salão.

— E você pretende realizar esse feito com mais quantos exércitos, Virgem? Porque ora, analise bem a sua situação... Nem mesmo o pau mandado do seu dito marido... — disse a palavra de forma debochada apontando para Mu — O Cavaleiro de Ouro que abandonou seu próprio Templo e ofício para deitar-se com o senhor em Virgem o apoia! Então seria você e mais quantos exércitos a engrossar a sua insurgência? Ou, tolo como é, acha que é capaz de me matar sozinho?

Mu não permitiu que Virgem respondesse. Puxou-o pelas ombreiras da armadura e o afastou novamente da Muralha para tomar seu lugar ali e ficar ele cara a cara com o Patriarca.

— Suas ofensas, Gêmeos, não passam de desespero! — o encarou nos olhos, enfurecido, mas com muito esforço tentava controlar a própria ira — Eu não sei o que houve para que ordenasse a execução de Camus, mas certamente foi impelido por desespero e insanidade, mas eu vou te dizer uma coisa: Desista! Seus desaforos e ameaças não me abalam. Pouco me importa o que você pensa a nosso respeito, pois é o julgamento torpe de um espírito vil que fala, de uma alma vazia e uma mente perturbada. E não pense que vindo aqui repreender ou desautorizar o meu marido eu esteja me colocando a seu favor. Não! Não estou! Apenas quero que ambos entendam que derramar mais sangue não vai nos trazer a paz, nem é a solução para ninguém. Também não se iluda achando que retirando do seu caminho aqueles que não irão se submeter a seus mandos você terá apoio dos outros. Ora, quem melhor que o Grande Mestre para saber que um Cavaleiro de Atena nada teme? Então, acha mesmo que vai conseguir obediência através do medo? Não vai! Você não terá apoio de nenhum deles, Gêmeos, e se ainda não houve um levante, e eu mesmo estou aqui tentando evitar um trazendo alguma luz à sua razão, é em nome do respeito que temos por Saga, e não por você.

O lemuriano então recuou alguns passos ainda observando a feição contorcida em fúria do Grande Mestre, e se ele havia se mantido calado enquanto falava julgou que de algum modo suas palavras surtiram um mínimo efeito sobre sua consciência confusa, por isso, pensando em sair logo dali Mu tomou Shaka pelo braço e o puxou para longe da muralha.

— Vem. Agora quero falar com você. — disse enquanto se afastavam, e para mostrar a Gêmeos que de fato não estava ali para afrontá-lo, ameaça-lo, ou, como ele mesmo dizia, rebelar-se contra suas ordens ou autoridade e assim desrespeitar a hierarquia do Santuário, desfez a muralha ainda que atento às oscilações de seu Cosmo — Shaka, eu não tiro sua razão em querer destituí-lo do trono à força, mas você sabe tanto quanto eu que ele, essa versão maligna dele pelo menos, só sairá daquele trono morto. E com isso eu discordo de você. Não posso permitir que mate o Saga! — falava baixo, comedido, com os olhos verdes cravados no rosto do indiano — Mata-lo, além de nos trazer mais tristeza e problemas, em nada resolverá o caos que vivemos! Pelos deuses seja verdadeiro comigo e consigo mesmo. Você acredita de fato que matar o Saga, o homem que praticamente criou você, que você ama como a um pai, vai resolver algo? Isso só traria mais desgraça!

— Está falando daquele espírito obsessor ébrio? — o virginiano apontou para Gêmeos há alguns metros de distância somente que os encarava ainda ofegante e tomado por uma ira insana — Aquele não é o Saga.

— Para! Você não é estúpido, nem egoísta! Olhe além de si. Saga está lá dentro, Shaka! — apontou na direção do geminiano — Perdido dentro da própria mente, sofrendo... Ele pode estar completamente descontrolado, perdido, mas nós não estamos! Nós ainda somos racionais e nosso dever é auxilia-lo nessa batalha contra si mesmo... Saga merece essa chance, por favor! Nesse caso em específico, violência só trará mais violência... Já derramamos muito sangue, não precisamos de mais.

A raiva e seu grave senso de justiça cegavam a mente do Cavaleiro de Virgem, mas as palavras de Mu sempre tinham o poder de lhe fazer enxergar a razão.

Foi pensando nelas que Shaka vislumbrou, mesmo de olhos fechados, a face do Patriarca ainda sem conseguir enxergar qualquer resquício daquele que um dia lhe foi uma figura paterna.

— Quantas chances teremos que dar a ele, Mu? E quantos mais terão que morrer para que você entenda que se nem ele mesmo tem controle sobre esse mal que habita dentro dele nós jamais teremos? Você guarda uma esperança que pode ser vã. Nunca se perguntou se essa não é de fato a verdadeira essência de Saga de Gêmeos? O único jeito de acabar com o mal talvez seja extingui-lo de vez da Terra!

— Sim eu guardo uma esperança, mas ela não é vã, pois eu tenho fé, Shaka! Fé na nossa deusa, fé na nossa causa, e eu sei, do fundo do meu coração, que aquele demônio não é o verdadeiro Saga. — disse Mu, concentrado na face aturdida do marido — É essa certeza que me permitiu perdoa-lo e voltar para o Santuário após a morte de Shion. Enquanto houver um “talvez” eu não me permito desistir. Além disso, dessa vez estamos aqui, e agora somos fortes e não mais crianças assustadas, então é nosso dever impedir que o mal que o habita realize atrocidades semelhantes às que cometeu no passado. Nós temos que prezar sempre pela justiça, pois juramos nossa vida a proteger uma deusa que representa ela, e eu não vejo justiça em executar Saga.

Enquanto Áries e Virgem discutiam um de frente para o outro, momentaneamente distraídos com a presença do Patriarca ali, este os observava atento, envolto em uma aura nefasta envenenada por um ódio cego.

“Malditos!... Malditos sejam os dois!”, ditava impropérios em sua mente enquanto dentro de si o ódio crescia incauto, “Toda essa subversão é culpa unicamente de Saga! Malditos!... Saga é o mantenedor dessa vergonha que se tornou meu Santuário! Ele é o culpado de dar guarita à libertinagem e insubordinação de todos vocês, mas principalmente a sua, Virgem!”

Tomado por uma ira irrefreável, e em meio à ânsia atormentada de tirar aqueles dois cavaleiros de seu caminho, já que estava claro que seriam um obstáculo considerável a seus objetivos, a mente perturbada do Patriarca teceu um plano nefasto.

Odiava os dois.

Os queria fora de seu caminho não importasse o quão significativa fosse a baixa que a morte deles, dois poderosos guerreiros, representaria para a patente dourada.

Por isso, não pensou uma segunda vez e elevando seu Cosmo em frações de segundos a um nível inimaginável aproveitou-se do momento de distração de ambos para, com um movimento tão rápido quanto um piscar de olhos atentos, avançar sobre eles já com o dedo indicador da mão direita em riste apontado para o Cavaleiro de Virgem.

A ação foi muito rápida.

O Patriarca, que tinha um sorriso diabólico no rosto contorcido, desferiu uma rajada de Cosmo tão poderosa contra o Santo de Áries que o lançou a metros de distância fazendo seu corpo se chocar contra as colunas do salão com tanta violência que as ia partindo ao meio conforme as tocava. No mesmo instante outra rajada de Cosmo saia da ponta de seu dedo indicador, agora mirado estrategicamente para a cabeça de Virgem, mas no exato momento em que desferiu o golpe sentiu sua Cosmo energia misteriosamente lhe abandonar de forma tão abrupta e incomum, como se fosse sugada, sendo tomado por uma dor paralisante que correu todo seu corpo como relâmpago a cortar o céu.

— SATÃ...IMPE...rial.... — conjurou o golpe no mesmo momento em que caiu de joelhos no chão levando uma das mãos à cabeça e apoiando a outra no tapete vermelho.

Diante de si, o deslocamento de ar e a forte lufada provocada por seus movimentos à velocidade da luz tinham feito Shaka tombar o corpo para trás com tanta violência que seu elmo fora lançando metros para longe, ribombando contra o solo de mármore produzindo um forte tilintar. Som esse que fez Gêmeos crer que seu plano, ainda que não tivesse saído como imaginava, havia sido concluído com sucesso.

— Você está sob meu poder, Virgem! — disse com voz agastada e sôfrega —Eu sou seu mestre e vai me obedecer! Mate Áries... E em seguida mate Aquário... É uma... ordem! — ordenou sentido suas forças se esvaindo rapidamente, e sem entender o que estava acontecendo consigo, mas exultante, pois se tudo saísse como planejado Shaka morreria também ao confrontar-se com dois cavaleiros por conta de seus ferimentos recentes e da armadura avariada.

De pé à frente do Patriarca, de olhos fechados parecendo em choque e com o rosto lívido, o Cavaleiro de Virgem reassumia a postura depois de quase ter sido derrubado.

Aquelas frações de segundos pareceram para Shaka se dar em câmera lenta.

Súbito fora atingido por um calafrio que fez todo seu corpo tremer, e ainda profundamente abalado voltou seu rosto para o fundo do salão, para onde Mu havia sido lançado.

O coração do Santo de Virgem então sofreu em agonia quando se deu conta do que de fato tinha ocorrido.

Foi em júbilo esfuziante e sentindo-se vitorioso que o Patriarca viu o Cavaleiro de Virgem partir em disparada, tão rápido quanto uma prece feita no ápice do desespero, em direção ao Cavaleiro de Áries no fundo do salão.

Mu, que tomado pelo terror havia ouvido e testemunhado toda a ação de segundos antes, mesmo em meio ao torpor causado pelo fortíssimo golpe de Gêmeos, entrou em pânico.

Naquele instante tão curto e breve experimentou o pior dos sofrimentos e o mais aterrador dos pesadelos. O homem que amava prestes a mata-lo.

— N-Não... Não... — murmurou sendo incapaz de ouvir a própria voz, e aterrorizado como jamais estivera em toda a sua vida via Shaka aproximar-se de si em uma velocidade alucinante enquanto rastejava para trás em meio aos escombros como conseguia, patinando sem conseguir sair do mesmo lugar devido aos tremores do pânico que descoordenavam seus movimentos.

— Mu! — Virgem clamou ao abrir os olhos e praticamente lançar-se na direção do ariano dando um salto, então o agarrou pelos ombros e o trouxe para perto com um gesto brusco quase o levantando do chão.

— NÃO! — Áries gritou tentando se desvencilhar.

— MU! POR BUDA! — Shaka exclamou em voz alta, porém vacilante, trêmula, num tom perturbado e tão aflito que mal reconhecia como seu — ESTÁ FERIDO? — corria os olhos até onde sua mirada alcançava para checar o corpo do lemuriano à procura de algum ferimento, enquanto usava as mãos para vasculhar sua armadura na altura do torso e peito.

Ao ouvir as palavras do marido Mu imediatamente arregalou os olhos e em desespero levou ambas as mãos a seu rosto o segurando firme.

— Olhe para mim! Shaka olhe para mim! — ordenou em agonia.

— Você está bem? — o indiano perguntou arfante quando levantou o olhar para ele e seus olhos azuis histéricos encontraram os verdes espavoridos.

— Graças a Atena VOCÊ está bem! — Mu respondeu ao vislumbrar as belíssimas íris azuis de Shaka sem encontrar nelas traço algum do terrível golpe demoníaco. Estavam íntegras e completamente azuis como deveriam ser.

Sem dizer mais nada, Áries se levantou juntamente com Virgem, mas antes que Shaka tomasse novamente a frente, já pronto para partir para cima do Patriarca, o ariano o segurou pelo braço o impedindo.

— Não. Você não vai fazer mais nada! Quem vai fazer sou eu. — a voz terrivelmente grave e furiosa do lemuriano impressionou o virginiano que olhou para ele transtornado, então eis que nessa hora, para sua surpresa completa, Áries acendeu seu Cosmo e este explodiu exalando uma agressividade ímpar que fez tremular sua capa e esvoaçar os cabelos lavanda — Fique aqui e não interfira. — avisou entredentes com os olhos cravados na figura prostrada sobre o tapete vermelho à frente do trono.

No instante seguinte o Cavaleiro de Áries avançou na direção do Grande Mestre pronto para fazê-lo pagar pelo que fizera.

Extremamente debilitado e em agonia, momentos antes Gêmeos ainda tentava entender o motivo de sua força e de seu Cosmo desaparecerem de forma tão abrupta quando de repente sentiu a explosão do Cosmo do Cavaleiro de Áries. Então seus lábios trêmulos formaram uma curva ascendente esboçando um sorriso triunfante.

“Eu venci!” — pensou exultante, mas na mesma hora em que julgou que Áries enfrentava Virgem eis que surpreendeu-se ao ser atingido em cheio por um impacto tão forte que arremessou seu corpo violentamente contra os pés do trono.

— ARGH!... — gemeu rouco devido o choque de suas costas com o metal maciço.

Desnorteado e febril, quando abriu os olhos surpreendeu-se ao dar de cara com o olhar furioso de Áries sobre si.

— COMO VOCÊ OUSA? — vociferou o ariano agarrando Gêmeos pelo manto branco na altura do colarinho, partindo alguns dos colares que ele usava que arrebentaram devido à força impressa na pegada — COMO TEVE A AUDÁCIA E A COVARDIA DE SEQUER PENSAR EM COMETER UMA ATROCIDADE DESSAS, GÊMEOS? — cuspiu as palavras sobre o rosto aturdido do outro.

— Não pode... não pode ser! — o grego balbuciou com os olhos infernais esgazeados a encararem incrédulos o rosto do lemuriano — O Satã... eu tinha certeza de que... — sua cabeça latejava o fazendo experimentar uma dor excruciante, mas mesmo frente a ela só conseguia pensar que seu ataque falhara, que Áries estava vivo e ali, o afrontando, o atacando, e que se o seu Cosmo e sua força não foram consumidos pelo poder que empregara no Satã Imperial então o que os havia drenado daquele jeito?

— Certeza de que havia conseguido destruir uma família... A MINHA FAMÍLIA, GÊMEOS! — Mu rosnou tirando Saga de sua divagação, e com outro violento tranco o pressionou contra os pés do trono dourado lhe infringindo ainda mais dor.

— Aaaaargh... desgraçado! Maldito! Eu pensei que... — chiou emitindo as palavras quase num grunhido imperceptível, enquanto de olhos arregalados divisava o rosto transtornado do ariano. Ali sentiu, pela primeira vez em toda sua amaldiçoada existência, que corria perigo, uma vez que seu Cosmo parecia continuar aprisionado dentro de si sem se manifestar, drenado de fora para dentro no momento que o explodira para lançar o golpe.

— Pensou o que, miserável? Que poderia fazer o que quisesse agora que se livrou de Saga, do que julga ser sua fraqueza? Pensou que seria indestrutível, não é mesmo? TOLO! ILUDIDO! SEM A FORÇA QUE VEM DE SAGA VOCÊ NÃO É NADA! Não passa de uma persona caricata que se materializou em algum momento de fragilidade do Cavaleiro de Gêmeos.

Com outro tranco Áries soltou o manto empurrando agora o Grande Mestre contra o solo de mármore, e este tombou sentindo-se desnorteado e confuso. Levando uma das mãos à cabeça apertou fortemente os dedos contra a têmpora. A dor era tanta que sua visão ficara turva, mas mesmo assim olhou para Áries com um olhar carregado de ódio, porém para o lemuriano furioso aquela mirada se assemelhava mais à de um animal feroz acuado.

— Que merda é essa, seu imbecil?... Uhrg... O que Saga... Argh! — gemeu de dor quando Mu se colocou agachado sobre si apoiando um dos joelhos em seu peito.

— Você nega, e continuará negando, mas você sabe. Ah, você sabe, Gêmeos! Você sabe que sua fraqueza vem de si mesmo! Da sua covardia, da sua megalomania e falta de moral, mas principalmente ela vem de Saga! Da força e da vontade dele!

— Não me limito às suas moralidades, Áries, tampouco às de Saga.

— Exatamente! E é por sua postura baixa e sem moral nenhuma, por sua conduta vil e indigna que está aqui agora, caído aos pés de seu tão almejado trono e completamente vulnerável. — Mu apontava-lhe o dedo enquanto o grego bufava feito um cão raivoso prestes a lhe devorar a garganta, mas que estranhamente sentia-se preso, amordaçado e impedido por mãos invisíveis que brotavam de dentro de si mesmo e que o seguravam com força desmedida — Sabe por quê? Porque Saga o abandonou e levou consigo seu Cosmo e sua força quando tentou pôr em prática seu plano diabólico. Sua megalomania não lhe permitiu perceber, mas você estava indo contra a vontade de Saga ao apunhalar pelas costas aqueles que ele ama!

— IMPOSSÍVEL! ARGH! — Gêmeos berrou de volta comprimindo os olhos e pressionando a cabeça com ambas as mãos. A dor parecia enlouquece-lo e ele não queria mais ter de ouvir a voz do ariano, tampouco ele lhe dizer todos aqueles disparates a respeito de Saga.

Saga...

Não.

Não podia crer e não iria aceitar que fora Saga quem lhe drenara o Cosmo e as forças e que agora os mantinham velados em algum corredor escuro de sua mente o privando deles e o deixando vulnerável frente aquele maldito ariano.

Era impossível. Improvável!

Tinha finalmente subjugado Saga. Não sentia um ínfimo traço sequer da consciência daquele verme dentro de si. O tinha trancafiado no mais profundo de sua mente e reforçado as trancas com a vontade onipresente de seu ódio mais puro.

Não.

Definitivamente não havia meios de Saga recobrar o controle.

Era o que acreditava.

Era no que queria acreditar.

— CALE A BOCA DESGRAÇADO! — berrou a plenos pulmões o Patriarca, e transtornado tentou desferir um golpe contra o rosto de Mu, mas esse desviou facilmente agarrando seu punho.

— VOCÊ É QUEM VAI CALAR A BOCA, GÊMEOS! — Mu bradou de volta e possuído pela ira lhe tomou o outro pulso e o trouxe para perto de si, levantando seu tronco do chão e o mantendo seguro com força — VOCÊ VAI ME OUVIR! POR BEM OU POR MAL!

Áries bufava e tremia.

Nunca havia se enfurecido daquela forma, mas diante dele estava um inimigo do passado, uma criatura que já havia lhe causado muita dor e sofrimento, e não iria permitir que o passado se repetisse. Não se acovardaria novamente e fugiria para Jamiel como fizera quando ainda jovem e assustado. Era um homem agora, constituíra uma família pela qual zelava e nunca mais permitiria que aquela criatura vil tirasse a vida de alguém que amava.

— Minha vontade nesse momento é acabar com a sua vida, como Shaka queria. E eu sei que posso fazer isso. Você está indefeso. — soltou um dos punhos para apontar o dedo para o rosto do geminiano — Agora mesmo... Um único golpe, e você vira nada mais que uma mancha de sangue no chão. Sabe qual é a única coisa que está me impedindo de fazer isso? Saga!

De novo aquele nome.

E de novo a sensação ruim que ele lhe causava arrebatou seu corpo e mente.

Cerrou os dentes, rosnando, e no oceano escarlate de seus olhos as íris jades bruxuleavam frenéticas.

Atento Mu corria os olhos verdes por aquela face maligna percebendo como suas palavras atingiram em cheio a criatura, o homem que abaixo de si era apenas um arremedo do que fora minutos antes. Seus dons muvianos enxergavam sua aura completamente oscilante, e o que antes era uma névoa opressora, densa e negra, agora parecia vacilar.

Era isso!

Aquela versão maligna de Saga estava hesitando!

— Eu estava certo! — Mu balbuciou.

Era sua chance. Teria que fazê-lo sentir medo. Medo não apenas de si, mas de tudo que podia acontecer caso suas atitudes colocassem em risco a vida dos Cavaleiros de Ouro novamente, e ainda que o pavor maior ali fosse mesmo o que Mu sentia, pavor por falhar em seu intento, pavor por perder aquela única chance, pavor por ele ou Shaka caírem de fato no cruel golpe indefensável do Patriarca e ter suas mentes manipuladas, Áries precisava plantar em Gêmeos a mesma semente do medo. E aquela era hora.

— Ele está aí dentro! Saga está aí dentro! Em algum lugar! — disse encarando os olhos febris do Patriarca — Foi ele quem interviu e nos salvou da sua loucura e covardia. E é em retribuição a ele que eu vou poupar a sua vida hoje!

Mu então se levantou trazendo o geminiano consigo o puxando pelo manto branco, e com um gesto rude o colocou sentado no trono do Grande Mestre.

— Fique com o seu trono! — disse de forma austera vendo o outro queixar-se e ofegante levar novamente as mãos à cabeça, dessa vez apertando os dedos contra a fronte, incomodado, atordoado, mas ignorou seu sofrimento e recuou um passo mantendo os olhos cravados nele — Fique com o que você quiser!

— S-saia... — grunhiu Gêmeos sentindo a garganta lhe queimar. Em seu peito parecia sustentar uma tonelada de peso enquanto o coração ladrava acelerado.

— Mas se você não se espertar e perceber que está vazio e incompleto ninguém precisará te destituir do cargo ou mata-lo, pois vai morrer seco, vazio e em pouco tempo!

— Suma das minhas vistas Áries! — gritou rouco com a pouca força que lhe restava dando um soco no braço do trono de metal.

— Lhe falta a verdadeira força, Grande Mestre, sem ela jamais será um líder poderoso e respeitado. E é graças a ela que você ainda está vivo. Essa força é o amor... o amor que Saga tem por nós, cavaleiros, seus amigos, pela nossa deusa, e especialmente por Geisty. Ela é tudo para ele...

Geisty...

Aquele nome.

Aquele maldito nome que repetido ali tinha o poder de lhe ser ainda mais abjeto e incômodo que o de Saga, como um soco bem dado na boca do estômago.

— É ao lado dela que ele escolheu formar uma família e longe dela ele se sente sozinho, vazio... acho que essa sensação esta te parecendo familiar, não é mesmo! — continuava Mu em tom mais brando enquanto recuava andando de costas — Saga tem amor! E é esse amor que o permite elevar seu Cosmo acima das estrelas! E é esse mesmo amor que nos mantém obedientes a ele mesmo conscientes de sua influência nefasta... — disse apontando o indicador para Gêmeos com veemência — Saga matou o verdadeiro Grande Mestre, meu mestre, a quem eu amava como um pai... ele lhe usurpou o trono sob sua influência, e mesmo assim eu voltei ao Santuário e fiquei ao lado dele, porque, como você mesmo disse, você não é o Saga, e jamais será... Sem amor, sem o nosso apoio, principalmente sem Geisty a seu lado, você não é nada. Não passa de uma versão vil e tola de si mesmo, uma casca vazia destinada ao fracasso!

Geisty...

— Cale... cale a boca... — murmurou contraindo as pálpebras com tanta força que seus olhos umedeceram. Em sua mente aquele nome reverberava como grito de socorro dado na beira do abismo.

As palavras de Mu surtiram um efeito devastador no espírito do Grande Mestre, como uma rasteira minuciosamente calculada para se tornar impossível impedir a queda.

No entanto, mesmo derrotado um déspota ainda é um déspota, e no auge de sua utopia tresloucada Gêmeos negava o óbvio, pois para o motivo de sua fraqueza não passava de mera armadilha de sua mente. E era em meio a esses pensamentos agitados que seguiam o mesmo compasso frenético de seu coração que fitava os olhos furiosos do ariano deitados sobre si.

“Isso tudo é... uma grande besteira.”, pensava em torpor, em muda agonia, “Saga é fraco... Eu não sou Saga... eu sou a faceta mais forte!... E essa mulher... essa... maldita mulher... não é ninguém senão apenas uma amazona que poderá me dar descendentes fortes que se tornarão meus sucessores... Sim, é isso. É apenas isso que ela representa. A única vantagem desse casamento compulsório é gerar meus frutos... Apenas isso... Ela não é nada... Desfaço o casamento a qualquer momento se ele não me for de valia alguma... Ela não significa nada para mim. Maldita seja!... E maldito seja Saga que criou esse vínculo ridículo com ela... Não preciso dela, não preciso de ninguém! Malditos sejam todos!”

— Aaargh malditos! — grunhiu atormentado por aquele dilema de convencer a si mesmo das verdades que construíra. Sentia seu Cosmo ainda apagado, suas forças drenadas, em uma sensação de vazio e frio apavorantes oprimia sua vontade — Saia... do meu Templo... Áries. — o Patriarca bufava feito uma fera selvagem, arranhando com as longas unhas os braços de metal do trono.

— Eu vou sair sim. Mas que fique bem claro. Ninguém nesse Santuário vai aceitar ordens descabidas vindas de você. — disse, e nessa hora olhou para o lado percebendo que Shaka vinha de encontro a si — Se atentar contra a vida de mais um Cavaleiro de Ouro sem motivo aparente saiba colher as consequências de seus atos. Você está sozinho, e se quer ficar sentado nesse trono então haja com a mesma dignidade de um verdadeiro Grande Mestre e não com a covardia de um parasita!

Áries então esticou o braço na direção em que o elmo de Shaka havia sido lançado com o deslocamento de ar do golpe desferido por Gêmeos e usando telecinese o recolheu o fazendo cruzar o salão tão ligeiro quanto um projétil até ser agarrado por sua mão suspensa no ar. Em seguida deu as costas ao Patriarca e trocando um rápido olhar com o Santo de Virgem seguiu andando apressado para a saída.

Shaka olhou uma última vez para a figura no trono que visivelmente estava em agonia antes de também lhe dar as costas e seguir para a porta de saída.

— Ébrio. — resmungou antes de deixar o salão.

Sozinho o Grande Mestre rangia os dentes e apertava os punhos com tamanha força que suas unhas lhe maculavam as palmas das mãos, enquanto lágrimas do mais puro e vil ódio lhe brotavam dos olhos.

— MALDITOS! — o furioso grito ecoou pelas paredes e colunas do Décimo Terceiro Templo.

***

Do lado de fora, já próximo às escadas que conduziam ao Templo de Peixes, Áries e Virgem seguiam calados, e a pressa e atribulação com que caminhavam eram visíveis.

O lemuriano seguia um pouco adiantado, enquanto o indiano vinha logo atrás sentindo uma angústia e tensão quase palpáveis. Não se recordava em toda sua vida ter visto Mu tão agressivo e violento como testemunhara dentro daquele salão momentos antes. Sentia seu Cosmo ainda agitadíssimo, atordoado, amedrontado quando o chamou...

— Mu.

Áries o ignorou e seguiu andando com igual ligeireza.

— Mu! — Shaka chamou novamente apertando o passo, e quando percebeu que o ariano não pararia esticou-se todo e o segurou pela mão, notando essa fria e trêmula como nunca — Mu espere, olhe para mim. Fale comigo!

Ao ouvir os apelos e sentir o toque do marido em sua mão o ariano parou, porém não se virou para trás para olhar para ele. Ao em vez disso ficou estacado na mesma posição como uma estátua de mármore, dando como resposta ao virginiano apenas o ruído de sua respiração acelerada e agastada.

Shaka desceu o degrau colocando-se de frente para ele, só então percebeu que sua face, ainda evidentemente atribulada, estava banhada em lágrimas.

— Mu! — disse com a voz vacilante, os olhos fitos nos dele, e desesperado por confortá-lo lhe tomou o próprio elmo das mãos trêmulas o pondo no chão. Segurou em seu rosto trépido com ambas as mãos, já que não podia abraça-lo devido estarem trajando as armaduras — Meu amor, respire... Se acalme. Está muito alterado.

O Santo de Áries não queria que o indiano o visse daquela maneira. Abaixou a mirada desconfortável, mas simplesmente não conseguia abafar as emoções e as reações que estas lhe causavam. Estava nauseado. Sentia todos os seus músculos frementes, e um horror profundo lhe paralisou de súbito. Respirou forte, puxando o ar para dentro com dificuldade enquanto mantinha a cabeça baixa e os olhos fechados.

— Estou aqui com você. — disse Shaka tentando imprimir segurança e serenidade em sua voz por mais difícil que fosse naquela momento tão tenso, enquanto com carinho secava as lágrimas do ariano com as pontas dos dedos polegares.

— Mas poderia não estar, Shaka! — o ariano deixou escapar um soluço junto com as palavras. Todo o terror que sentira dentro daquele salão ainda estava vivo dentro de si e mastigava sua carne feito fera faminta. Levantou o olhar e cravou os olhos molhados nos de Virgem — Por um instante eu acreditei que ele havia... que ele havia te prendido no Satã Imperial.

A face de Virgem ficou lívida e Áries então ergueu os braços e segurou em suas mãos, desesperado.

— Eu vi diante dos meus olhos a nossa família ser destruída, luz da minha vida! — disse em meio ao choro, revivendo involuntariamente o pavor que sentira momentos antes — Pelos deuses, por um momento eu pensei que você iria me atacar e que aquela era a hora da minha morte, porque jamais, Shaka, jamais eu seria capaz de erguer minha mão contra você!... Por um breve momento que mais pareceu um pesadelo eu achei que morreria pelas mãos do meu marido, que insano seguiria para matar Camus e provavelmente morreria também junto dele depois de uma luta sangrenta, e então Kiki... nosso bebê... estaria sozinho e nas mãos daquele crápula!

Shaka apertou os dentes travando a mandíbula. Sua respiração estancou-se na mesma hora em que realizou o que verdadeiramente tinha acontecido no salão do Décimo Terceiro Templo, a realidade que seu espírito temerário e orgulhoso abafara. Estava tão cego pela raiva e rancor que passara por cima de tudo que mais amava em sua vida, a família.

Agora as palavras de Mu lhe davam um choque de realidade e era como viver toda aquela tensão novamente, só que intensificada.

Engoliu em seco.

Os olhos azuis celestes estagnados fixos aos do lemuriano.

Não conseguia dimensionar o peso da desgraça que se abateria em seu espírito acaso tivesse matado o homem que amava e quebrado a promessa de proteger o filho até o fim de seus dias. Tinha deixado sua vocação de cavaleiro, seu orgulho de guerreiro e vaidade de ser o detentor de um dos Cosmos mais grandiosos de todo exército de Atena sobrepujar o homem, o marido e o pai.

Ofegante e com o estômago a revirar de pavor acariciou o rosto de Mu com as pontas dos dedos.

— Você... você está certo. — disse com a voz embargada, tomando por um pânico paralisante — Eu... eu subestimei ele... eu...

— Por todos os deuses, por Atena e também por Buda... Nunca mais desafie aquele homem como você fez. Me prometa! — Mu implorou em meio as lágrimas completamente tomado pelo pavor que o quase futuro trágico ainda lhe causava — Tivemos sorte. Se tinha dúvidas que Saga está lá ainda, não tenha mais. Foi ele que salvou você... Que me salvou... que salvou o nosso Kiki!... Pelos deuses, Shaka! Quando você vai entender que precisa viver? Por mim, por Kiki...

O lemuriano não conseguiu prosseguir. Foi tomado pelos soluços do choro convulso.

Toda a coragem e a força que empreendera para enfrentar o lado vil de Gêmeos ele só havia conseguido dado a fúria do momento e ao seu instinto protetor. Precisava proteger as pessoas que amava e também a si mesmo, mas agora, ali fora, todo o terror da situação e da ameaça iminente até seus ossos tremiam.

Como cavaleiro não temia a morte justa, aquela em batalha, mas temia pelo marido e pelo futuro de seu tão desejado filho, que ficaria órfão em um Santuário tomado pelo mal.

Partilhando do mesmo sentimento do ariano, do terror, do pânico, pensando na desgraça que ele mesmo podia ter causado a Mu e a Kiki por causa de seu destempero e orgulho, Shaka sentiu o coração bater tão forte que lhe causava falta de ar e secava a boca. Além disso, testemunhar um guerreiro tão nobre e poderoso como Áries aos prantos, somado ao amor tão grande que sentia por ele, lhe causava extrema angústia.

— Eu prometo, Mu. — disse encostando sua testa na do ariano, sem desviar os olhos — Eu fui leviano... Inconsequente e egoísta... Deixei meu dever e orgulho sufocar minha verdadeira vontade, que é viver por você, por Kiki... por mim também... pela nossa família. Me perdoe, meu amor, meu marido... Perdoe o Shaka, ele às vezes é um energúmeno.

— Sim, ele é. Em menos de uma semana você colocou sua vida em risco iminente duas vezes, como se nem se importasse com sua família. — disse Mu ainda trêmulo ao soltar uma das mãos do marido para enxugar as lágrimas — Quando vai parar de agir assim? Eu amo você, Shaka, e não quero nunca mais sentir o que eu senti ali dentro daquele salão... Somos Cavaleiros de Atena. Nossas vidas não nos pertencem, mas aquele homem, aquela versão vil de Saga não merece tão alto sacrifício... Devemos nos poupar para nossos verdadeiros inimigos, preparar nosso pequeno para quando viermos a faltar e até lá aproveitarmos o pouco que nos é oferecido.

— Certo. — Shaka meneou a cabeça ao modo indiano em sinal afirmativo — Você está certo, eu... sinto muito tê-lo feito passar por isso. — abaixou-se e apanhou o próprio elmo do chão o colocando na cabeça. Ainda sentia-se desnorteado, nauseado, chocado e mesmo amedrontado — Ao menos agora ele sabe que não está lidando com cavaleiros sem honra. — inclinou-se e abraçou Mu como conseguiu, tocando seus lábios com um beijo ligeiro para depois olhar em seus olhos — Por favor, eu sei que errei, mas jamais duvide do que sinto por você, Mu. Nada é mais caro nessa vida para mim que você e Kiki, e eu prometo zelar por vocês e por mim mesmo até o fim. — encostou seus narizes fazendo uma breve carícia sem desviar os olhos dos dele — Eu amo você, Mu de Áries... Amo muito!... Vamos buscar nosso bebê em Touro? Tudo que quero é ir para casa.

— É tudo o que eu mais quero também. — o lemuriano deu outro beijo no esposo e se afastou recomeçando a caminhar agora com os dedos entrelaçados aos dele.

Antes de chegarem a Aquário, Áries ainda voltou os olhos para trás uma última vez e sentiu, mesmo ali ao longe, uma aura nefasta e perturbada pairando no cume da montanha.

Tempos sombrios viriam, mas a quase tragédia que viveram naquele dia pode servir ao menos para lhe dar a certeza de que Saga ainda estava ali, perdido nos corredores escuros da mente perturbada do Grande Mestre, e que lutaria ao lado de Shaka e Geisty para iluminar seu caminho de volta, afinal, assim como ele, sabia que tudo que Saga mais desejava era poder voltar para casa.

Notas finais
Eitaaa que olha foi por um FIO.... Se a cueca do Mu não era marrom...agora é! E aí o que acharam da treta tretistica? O Cap foi muuuuuuuuuito importante para explicar certas coisas sobre o futuro da fic como: pq mu não vai para Jamiel, pq Shaka aceita o Coiso como GM e pq o nosso coiso não será 100% igual o canonico..afinal esse é o templo das bacantes, e aqui as coisas são diferentes...mas parecidas :v uhuahuha Aqui nasce o nosso coiso coisado XD beijoooos