Templo das Bacantes Vol. 2

4 Nenhum doce e muitas travessuras! - parte 1.


Notas iniciais
Cap novo chegando com aparição de muitos personagens *-* Deu um trabalhão juntar todo esse povo mas ufaa A imagem lindaaa do cap foi uma obra prima da Ju/ Rosenrot, minha nossa tem ela maior e em close no grupo pra quem quiser ver *-*

Camus de Aquário descia as escadas extremamente incomodado. Estava inconformado com a roupa que vestia.

A touca de látex apertava sua cabeça, afinal era muito cabelo para esconder por debaixo dela. A tinta azul em sua pele incomodava e causava desconforto, porém nada era pior do que as exageradas pantufas de cabeça de urso polar que tinha nos pés.

Detestara a fantasia desde o momento em que botou os olhos nela na loja, mas Afrodite e Hyoga estavam tão resolutos que não teve outra opção a não ser ceder a seus caprichos.

Se não havia desistido daquela festa e voltado para o conforto de seu Templo em Aquário era porque Hyoga, a quem trazia em seu colo, exibia um lindo sorriso e uma alegria genuína.

O pequeno russo estava muito feliz em sua imponente roupa de Batman, a qual exibia todo orgulhoso. Porém, mais orgulhoso ainda estava do pai dentro de uma fantasia estilizada de Mr. Freeze, o supervilão inimigo do Homem Morcego, e isso para Camus valia qualquer sacrifício, afinal a dor do luto de ambos ainda era recente e ver o filho distraído era mais importante até que a vergonha que passaria com aquela roupa azul ridícula.

No último lance das escadas do Templo de Áries já era possível sentir a brisa fresca da noite de outono trazer consigo a melodia dançante e o cheiro animado da festa que acontecia na Arena.

Ao chegarem às imediações da festa, o aquariano mais velho colocou o pequeno no chão para que caminhasse ao seu lado de mãos dadas até a enorme tenda, de onde já se ouvia uma música alta tocar acompanhada pelo som de risadas e vozes alegres.

Eu vô conhece os amigos do papai? — perguntou um empolgado mini Batman.

Sim, vai. — Camus sorriu sutilmente.

E eu vô pode fala com eles?

Bom... Vai. Mas a maioria deles fala a língua desse país, o grego. Lembra que o papai te ensinou algumas coisas? É uma boa oportunidade para você praticar.

Sim eu lembo. Mas a Di fala fancês igual eu e o papai. — disse Hyoga, então parou de caminhar e olhou para Camus, ajeitando a máscara da fantasia em seu rostinho — Po que a Di não desceu com a gente papai? Ela não vai na festa?

Camus engoliu em seco. Baixando o olhar divisou o rosto sério de Hyoga que oculto pela máscara aguardava uma resposta. Sabia que uma hora não teria as respostas desejadas para os questionamentos do filho, só não sabia que esses viriam tão cedo!

Curvando o tronco para baixo o aquariano segurou no queixo do menininho e com um sorriso no rosto tentou tranquilizá-lo.

Ela vai sim, meu pequeno. Mas, lembra-se do que conversamos hoje à tarde? A Afrodite vai estar muito ocupada na festa e não vai poder ficar o tempo todo conosco. Depois, quando a festa acabar, vocês podem dormir juntos lá na nossa casa. Tudo bem?

Tudo bem. — respondeu o loirinho afirmando também com um aceno de cabeça.

E também não pode falar dela para ninguém, principalmente para nenhum dos amigos do papai. Nós já conversamos sobre isso. Lembra disso também?

Lembo, papai.

Ótimo! Eu sei que você é um menino muito esperto e que posso contar com você. Agora vamos? — Camus retomou a postura ereta, já dando uns passos à frente sendo acompanhado pelo empolgadíssimo pequeno russo.

Vai todo mundo com uma roupa difelente? — perguntou Hyoga dando alguns pulinhos.

Acho que sim...

A gente vai sê os mais legais, papai... Eu gosto muito do Batman! Você tá de vilão do Batman e também faz gelinho! Podemos bincá!

Sim! Podemos sim!

Camus concordava com o pequeno enquanto se aproximavam da Arena, a qual havia sido fechada e toda decorada com tecidos suaves em tons de laranja, negro e roxo formando uma tenda que protegia o ambiente do sereno noturno.

Do alto de outras tendas menores desciam teias de aranhas, morcegos, insetos e outras figuras decorativas que remetiam aquele universo soturno do Halloween, enquanto da tenda principal uma carranca de bruxa dava as boas vindas com seus olhos incandescentes abertos.

A iluminação ficou por conta de alegres lanternas em formato de cabeças de abóboras, as quais foram espalhadas pelo chão, penduradas em pontos estratégicos e também sobre mesas fartas de coquetéis e petiscos espalhadas pelo local.

O piso que normalmente era de terra batida e areia, extraordinariamente naquela noite havia sido coberto por um tablado negro, onde no centro havia um espaço amplo que servia de pista de dança na qual alguns dos convidados já dançavam descontraídos.

Ao perceber o quão movimentado estava o local, Camus instintivamente deteve seus passos numa tentativa inútil de evitar o constrangimento que estava prestes a sofrer, mas era praticamente arrastado por Hyoga, que já sem mais conseguir conter a euforia provocada por todo aquele universo de cores e sensações soltou sua mão para sair correndo em disparada.

Hyoga! Espere! — gritou o aquariano apertando o passo para seguir o filho.

Quando Hyoga alcançou a entrada da tenda, sinalizada por dois esqueletos de tamanho natural vestidos com smokings com direito a cartola e tudo, o loirinho deteve seus passos ligeiramente.

Mal pôde acreditar no que seus olhos brilhantes e astutos agora presenciavam.

Aquilo era um mundo de sonhos!

Dentre várias pessoas vestidas em fantasias triviais como, bruxas, piratas, fadas ou marinheiros, Hyoga viu, estupefato, o gigante Bane, arqui-inimigo do Batman, conversando com ninguém menos que Mulher Gato em sua incrível roupa colante de vinil, e Pinguim em seu indefectível fraque, com direito a monóculo, guarda-chuva e cartola!

Uaaaau! — exclamou o garotinho, a única criança daquele lugar sempre tão áspero quanto as Eras.

Ainda corria os olhos por aqueles três personagens quando mais dois se juntaram a eles. Era o Espantalho e o Charada, que provavelmente se juntavam a eles para tramar algum plano terrível contra o Homem Morcego!

Tão absorto quanto eufórico, Hyoga correu de volta para o pai, que parecia estar paralisado com os olhos arregalados na mesma direção, e aos pulos pegou em sua mão.

Papai, olha! Olha! — apontou na direção da trupe de vilãos que aos risos bebiam ponche.

Camus respirou fundo sentindo seu coração dar pulos dentro do peito.

— Mas que... merde é essa? — murmurou, depois engoliu em seco não acreditando no que via — Atena! Isso é algum tipo de... brincadeira?

Papai, é o Bane, a Mulhe Gato, o Pinguim, o Chalada e o Espantalho!

Camus ouvia o riso vibrante do filho, mas sua mente preocupada refletia-se em seu rosto austero. Poucos metros de distância lá estavam Aldebaran, o Bane, com a indelével risada alegre abafada por uma máscara que cobria parcialmente seu rosto. Ao seu lado Shina, que remexia a silhueta dentro de um macacão de látex preto estupidamente justo, brindava com Milo, que até que estava engraçado de fraque e guarda-chuva usado como bengala, além dos lábios pintados de preto como os do Pinguim. Shura estava irreconhecível na roupa verde do Charada, mas os olhos selvagens do espanhol eram inconfundíveis mesmo por detrás da máscara. Junto a ele uma figura no mínimo estranha vestia um terno preto de corte impecável, gravata e tinha a cabeça toda coberta por um saco de estopa todo sujo e carcomido. No lugar dos olhos havia dois buracos muito pequenos, e na área da boca um maior. Contudo, apesar de completamente oculto, era fácil saber quem era o Espantalho, já que enquanto ele falava em altíssimo volume gesticulava freneticamente com as mãos e braços, bem à moda italiana.

Máscara da Morte era uma figura tão caricata que até sem cabeça se fazia reconhecer facilmente.

Dieu! Será que... Non... Non pode ser! — Camus balbuciou, pensando se o fato de estarem fantasiados de personagens do universo do Batman talvez soubessem de seu relacionamento com Afrodite — Non... Atena, devo estar ficando paranoico! Ou se... Non... Se Afrodite me aprontou mais essa eu... eu mato esse maluco.

Todos eles escapalam de Akam, papai! Eu vou plendê todos eles de novo! — disse Hyoga, que na mesma hora retirou o batorangue do cinto de utilidades e saiu correndo em disparada em direção àquela reunião de vilões.

No entanto, enquanto cruzava o salão determinado, Hyoga colidiu com um obstáculo.

Ao olhar para cima uma nova surpresa fez o menininho arregalar os olhos por baixo da máscara de Homem Morcego e abrir a boca em espanto.

Comissálio Godom! — exclamou abrindo um enorme sorriso.

— Mas olha só o que temos aqui! — disse um Comissário Gordon de face gentil, óculos enormes, cabelos presos, um bigodão respeitável e duas pintinhas graciosas na testa — Um pequeno... Batman?

Mu, que já havia chegado à festa há alguns minutos, voltava da mesa de drinks onde fora buscar uma bebida para si e para Shaka. Sua surpresa ao ver uma criança ali foi tanta que ficou a olhar para Hyoga por alguns segundos ainda sem esboçar nenhuma reação.

Não havia crianças no Santuário, nem nas ruinas, tampouco nos alojamentos dos cavaleiros e servos há anos, logo Hyoga parecia uma visão encantada, um delírio, contudo um delírio que falava alto, sorria e lhe fazia perguntas no idioma francês.

Comissálio Godon! Você também vai plendê os vilões que fugilam de Akam? Não podemos deixá eles fugi!

Mu sorriu ao ouvir aquilo. Entendia muito bem o idioma e antes mesmo que pudesse se perguntar o que uma criança fazia ali o responsável por ela já aparecia lhe trazendo a resposta.

Hyoga! — Camus aproxima-se deles às pressas — Não corra assim, filho. O que eu te disse? Não saia de perto de mim.

Papai, olha! O Comissálio Godon! Vielam todos, papai! Estamos em Gothan! — falou o menino todo atrapalhado enquanto dava pulinhos e apontava o dedo para outras pessoas no salão.

Era de certa forma inacreditável que todos os companheiros de armas estavam fantasiados do mesmo tema.

— Ah... Boa noite, Mu. — Camus cumprimentou o ariano que ainda olhava para o menininho correndo em volta deles meio absorto.

— Boa noite Camus. — respondeu sorridente — Então o pequeno Batman é seu filho? — deixou escapar um riso genuíno.

— Ah... É... É sim. — Aquário respondeu meio sem jeito, depois não conseguiu mais conter a curiosidade — Mu, o que está acontecendo? Por que todos estão fantasiados seguindo a temática do Batman?

Áries, que sabia do relacionamento do aquariano com Afrodite, respirou fundo para conter seus ânimos e procurou tranquilizar o aquariano, que já estava com a aura carregada em apreensão.

— Por que parece que todos tivemos a mesma ideia de tirar uma com a cara do Dido. — riu mais ainda — Sabe que ele tem um namorado misterioso que a gente batizou de Batman, né? Então, todo mundo está achando que ele vai vir de Batman, e pelo jeito todos tivemos a mesma ideia de sacanear ele, até você pelo jeito!

— Eu? — Camus arregalou os olhos — Ah, non! Non. Eu nem queria vir, mas... Mas Hyoga precisava se distrair. O Santuário é um terreno árido para crianças e essas fantasias foram escolhas dele. Non tenho nada a ver com o cavaleiro de Peixes, non.

Mu reprimiu um riso, então Hyoga lhe segurou pela perna da calça e com um puxão chamou sua atenção.

Comissálio! Comissálio! Os vilões! Estão todos soltos! Temos que plendê eles!

Mu olhou para aquela criança tão fofa e agitada e mergulhou de cabeça em sua fantasia.

Sim Batman! Mas antes eu preciso me certificar de que Ra´s al Ghul não irá fugir! E também preciso levar essa poção para ele beber. — disse aos risos.

O... Ra´s? O... Ra´s também está aqui? — disse Hyoga dando um pulinho e apertando uma mãozinha contra a outra.

Sim, ele está bem ali! — Mu indicou inclinando a cabeça onde Shaka, numa imponente fantasia de traje e capa verde escura com adornos em dourado conversava com Aiolia e Marin. Leão vestido de Asa Noturna e Águia de Batgirl.

Mon Dieu! — Camus suspirou desanimado e incrédulo.

O Santo de Leão e a amazona de Águia estavam quase sempre juntos. Pouco mais de um ano havia se passado desde que Saga tirara dos ombros de Marin o pesado fardo da prostituição, porém a incumbiu de outras tarefas, como aulas do idioma grego e treinamento de defesa pessoal às garotas recém-chegadas.

Sentindo-se livre, enfim, para assumir seu amor pelo Santo de Leão, Marin não deixava, porém, que seu namoro com o grego atrapalhasse seu posto de amazona, dedicando-se afundo também aos treinamentos dos aspirantes a aprendizes de cavaleiro.

Uaaaaaaaau! A Batgil e o Asa Notuna! — disse o pequeno russo pausadamente, um pouco preocupado — Comissálio, eles estão em peligo péto do Ra´s! Ele é muito podeloso!

— Ah, sem dúvida que estão em perigo! — Mu riu, enquanto Camus observava, ainda incrédulo.

Sacre Bleu! Até Shaka de Virgem entrou nessa! — sussurrou o francês que quase arrancou outra gargalhada do lemuriano.

— Bom, não é como se ele tivesse muita escolha, né? Eu comprei a minha fantasia e a dele.— Áries disse enquanto piscava um dos olhos para Camus, como quem fez uma travessura, e depois voltou-se a Hyoga — Bem... Pequeno Batman fique em alerta! Eu vou levar a poção para o Ra´s e depois nós traçamos um plano para botar todos esses vilões de novo atrás das grades. Ah! Você ainda não encontrou o líder dos vilões pelo jeito, né? O mais cruel e perigoso de todos!

Não! Quem? Cadê? — Hyoga gesticulava ajeitando a máscara no rosto enquanto corria os olhos pelo salão.

Estão bem ali. Tenha muito cuidado, Batman! — Mu indicou a direção com os olhos, depois deu uma piscadinha marota para o menininho e foi levar o drink a Shaka.

Hyoga ao olhar para o local apontado por Mu ficou imóvel.

A pequena boca se abriu num movimento lento, de surpresa e admiração, e dela um sussurro escapou como em uma constatação fantástica.

O Colinga!... E a Alequina!

Ao olhar para a mesma direção que o filho divisava, Camus viu Saga, e pelo que tudo indicava, Geisty, lado a lado, enquanto o garçom lhes servia uma taça de vinho.

Dieu! Isso só pode ser uma piada! — o aquariano murmurou para si mesmo, ainda mais incrédulo.

Camus ainda estava atabalhoado com tudo aquilo quando viu Hyoga sair em disparada novamente, embrenhando-se entre os convidados feito um bólido. Todas as garotas que trabalhavam do Templo das Bacantes estavam ali, também alguns servos, servas e cavaleiros de Prata e Bronze que residiam nos alojamentos nas ruinas do Santuário.

Por onde passava, Hyoga atraia os olhares dos presentes, que se divertiam com aquela versão miniatura do Homem Morcego.

Ao se aproximar do casal de vilões que conversava distraído, Hyoga deteve seus passos para admirá-los. Coringa em seu clássico terno roxo, peruca verde e rosto pintado de branco, com uma bocarra vermelha escancarada em um sorriso que causava arrepios. A seu lado, sorrindo animada estava uma charmosa Arlequina, dentro de um clássico colam de vinil rubro-negro que lhe cobria dos pés ao pescoço e um chapéu de bufão enfeitado com um pompom em cada ponta. O rosto dela estava todo pintado de branco e a boca vermelha era um show à parte. Em uma das mãos tinha uma taça de vinho e na outra segurava uma marreta enorme inflável, duas vezes maior que o próprio Hyoga.

Vocês são gandes! — disse o loirinho admirado, atraindo a atenção do casal que de imediato se surpreendeu ao olhar para ele, desfazendo o riso no rosto e permanecendo calados — Mas eu não tenho medo de vocês, poque eu sou o Batman! E vou leva vocês de volta plo asilo. — ameaçou, apertando os lábios num bico.

Saga e Geisty, ainda calados e extremamente surpresos, analisaram aquela “aparição” tão inusitada por longos segundos, já que não esperavam ver uma criança ali, até caírem na risada ao mesmo tempo.

— Ora vejam só! Então não é que o tal do Batman veio mesmo! E ele é francês com sotaque... Isso é russo? — disse Gêmeos num misto de curiosidade e surpresa.

A intensão do geminiano, assim como de todos os cavaleiros ali, era pregar uma peça em Afrodite, mas no final quem pregara uma peça em todos fora Hyoga.

Geisty franziu as sobrancelhas tão curiosa e surpresa quanto o namorado, porém mais extrovertida, e por que não dizer alegrinha devido as várias taças de vinho que já tomara, cumprimentou o menininho primeiro.

Olha só! Um Morceguinho! — soltou uma gargalhada — E eu entendi bem o que você disse? Vai nos levar de volta para Arkham?

— Sim, eu vou! Poque eu sou o Batman! — respondeu Hyoga em grego, acentuando ainda mais o sotaque russo carregado.

— Você pode ser o Batman, mas nós somos dois e você é só um. — Geisty jogava com ele.

Curioso, Saga correu os olhos pelo salão e viu quando Camus vinha apressado até eles, já meio que matando a charada.

O Comissálio Godon também está aqui pala me ajudá a plendê vocês todos. — falou o loirinho ajeitando a máscara no rosto.

Hum... Ainda assim acho que só vocês dois não dão conta. O que acha, Pumpkin Pie? — brincou Saga, puxando Geisty pela cintura.

Sim, pudinzinho! — respondeu a amazona que fazia uma voz melosa e alegre como a da personagem — Você é só um, Morceguinho. Não é páreo para nós dois. Acho que é você quem vai para o asilo.

Nada disso seus vilões! — respondeu o pequeno sacando a sua pistolinha amarela de plástico para de pronto espirrar um jato d´água nos olhos de Saga, que levou ambas as mãos ao rosto encenando.

Oh, meus olhos! Pumpkin Pie, pegue ele! Não deixe o Morcego fugir!

Pode deixar, pudinzinho! É pra já!

Ao ver Arlequina erguer ao ar a gigantesca marreta, Batman correu em disparada se embrenhando na festa entre convidados, garçons e decoração enquanto era perseguido pela insana namorada do Coringa. Vez ou outra, Geisty batia a marreta no chão produzindo um barulho de apito e tirando gritos e gargalhadas do pequeno garoto russo.

A perseguição continuou até Hyoga enfiar-se por debaixo do tecido que recobria a tenda, despistando Geisty por alguns minutos, para depois correr em direção à saída da festa onde esbarrou novamente com outra figura daquele universo tão exótico de heróis e vilões.

Ao erguer a cabeça Hyoga abriu seu mais lindo, verdadeiro e acolhedor sorriso.

Diiiiiiiiiiii! — deixou escapar um grito eufórico enquanto erguia os braços num convite ao abraço.

À sua frente estava Hera Venenosa, ou Afrodite de Peixes.

O pisciano era um convite irrecusável aos olhos. Ele não vestia uma fantasia simplesmente, mas sim criara, a partir de seu Cosmo, uma fantasia viva!

Em torno do corpo do sueco, ramos, finos galhos de roseira e muitas folhas se trançavam vivas cobrindo a genitália, parte das coxas, nádegas e peitoral. Finos galhos também lhe enroscavam pelos braços, pescoço e pernas. O cabelo estava tingido de um tom de vermelho intenso, mas Afrodite não usara tinta e sim produzira um pólen que consistia em pigmento puro, o qual diluiu em água e passou nos cabelos. Sairia facilmente após lavá-los. Na cabeça uma coroa de rosas negras tinha galhos que se embrenhavam nos fios ruivos e aderiam-se à lateral de seu rosto magnífico. Um pigmento esverdeado nos lábios e pálpebras lhe acentuavam o aspecto feminino, já que Hyoga estaria na festa e teria que manter o disfarce.

Como o Cosmo do Santo de Peixes era capaz de produzir vida e manipulá-la, a fantasia de Afrodite estava totalmente viva. As folhas e ramos se mexiam, adequando-se aos movimentos de seu corpo conforme ele andava. Por fim, criou uma grande capa de folhas de roseira a qual jogou nas costas.

Shiii! — Afrodite abaixou-se colocando o dedo indicador delicadamente sobre os lábios do menininho para depois abraçá-lo com força — Meu loirudinho!... Lembra do que combinamos em casa, Hyoguinha? Aqui na festa a gente vai brincar de fingir que não se conhece. Lembra? — disse, com o coração partido.

Lembo. Mas você tá de Hela, Di, e eu vo tê que te plendê junto com os otos vilões que tão ali na festa, o Pinguim, o Colinga, o Chalada, o Ra´s...

O... o que? — Afrodite quase deixou escapar um grito ao ouvir o que o pequeno dissera, surpreso em saber que tinha tanta gente vestida com os personagens do Batman e achando até que Hyoga estava delirando, mas a súbita aparição de Geisty lhe provou que não.

— Ah-há! Te peguei, Homenzinho Morcego! — disse a amazona, que ao dar de cara com Afrodite vestido de Hera Venenosa caiu na risada — Pela poderosa Ártemis! Afrodite?

— Pelas anáguas engomadas da Cher! — o pisciano correu os olhos de cima abaixo, chocado com o traje da amazona — É o Súcubo de franja!

— Olha, Afrodite, você conseguiu me surpreender de novo! Então essa coisa fofa é o homem que te banca? Eu achei que ele fosse mais velho. — riu debochada.

— Se enxerga, ô mosca varejeira de franja. Vai ver se estou acendendo o Relógio de Fogo, exu.

Tenso e preocupado com Hyoga ouvir mais do que deveria, já que ele conhecia o idioma grego, Afrodite apressou-se em se distanciar deles embrenhando-se no salão.

O pequeno Batman, no entanto, nem teve tempo de questionar o por que da sua querida Di deixá-lo de modo tão repentino que já precisou sair correndo novamente fugindo da insana Arlequina, aos gritos e risos.

Enquanto isso, Afrodite caminhava entre os animados convidados completamente chocado em ver que todos os seus irmãos de armas estavam vestidos com fantasias temáticas que remetiam ao universo do Batman.

— Dadá poderoso! Aquenda esse babado! — cobriu a boca com ambas as mãos ao ver Aldebaran lhe acenar ao longe, seguido de Shura, Shina e possivelmente Máscara da Morte.

Caminhou vacilante até eles e constatou estar certo quando o canceriano lhe deu um tapa nas costas que quase lhe fez botar os bofes para fora.

— Ma que tutti la gente teve a mesma ideia? — riu o italiano por debaixo do saco que cobria sua cabeça — Quase non te reconheci, amico! Ma que cazzo que pintou o cabelo de vermelho? E por que non está de Batman? — deu uma gargalhada sonora — Io tinha certeza que tu ia vir de Batman, stronzo.

— Não fosse pelo sotaque já tinha te dado um chute nas bolas, Mask! Que saco na cabeça é esse?

Io sono o Espantalho, oras. — disse enfiando um cigarro na boca pelo buraco no saco de estopa.

Em outro ponto da Arena, Saga conversava com Camus, que de longe acompanhava atento Hyoga e Geisty brincarem pelo salão. A amazona servia alguns canapés ao menininho e pareciam ter se dado muito bem.

— Então, Camus. — disse Saga que se servia de uma taça de champanhe oferecida pelo garçom — Há mais algum segredo que esconde do Santuário?

— Hyoga non era um segredo, Saga. — respondeu o francês servindo-se também de uma taça — Apenas non tenho que prestar satisfações de minha vida pessoal ao Santuário.

— Não quando isso inclui um filho que nasceu portando o poder do Cosmo. Achei estranho não ter notado a presença do seu filho no Santuário, mas agora vejo que ele possui o Cosmo gelado como o seu e por isso não o notamos, e ainda assim diz que não era um segredo? — disse Gêmeos.

— Eu imaginei que fossem confundir o Cosmo dele com o meu, mas, se o trouxe a essa festa é prova de que ele non era um segredo, non? — disse o aquariano dando um gole na bebida.

Gêmeos estreitou os olhos desconfiado, depois bebericou o champanhe sem quebrar o contato visual com o aquariano.

— Pretende treiná-lo? — Saga o questionou.

— Ainda non me decidi, mas pode ficar tranquilo que sei que se o fizer tenho que pedir autorização a você.

A conversa entre os dois cavaleiros ganhava ares pesados quando uma figura alegre e sorridente surgiu por trás do aquariano o abraçando pelos ombros.

— Fala parceiro do crime! Tamo junto na bandidagem, heim! — disse Milo, ou o Pinguim.

Camus revirou os olhos e deixou escapar um suspiro.

— Boa noite, Milo. — disse o francês tentando ser gentil.

— E ai? Gostou da béca? — disse exibindo seu traje — Lembrei de você quando escolhi. Pinguim é lá das tuas quebrada, não é?

— Pinguins vivem no Sul, Milo. — abafou uma risada — A Sibéria fica no hemisfério Norte.

— Ah, mas tá tudo ali perto! Fica tudo debaixo do gelo, né não?

Saga, que não suportava respirar o mesmo ar que Escorpião por muito tempo, logo se afastou com a desculpa de pegar outra bebida, deixando Camus e Milo conversando a sós, mas ainda intrigado com o fato de Aquário ter um filho já relativamente grande e nunca ter falado a respeito dele a ninguém. O que mais aquele aquariano escondia?

Viu ao longe Afrodite completamente diferente naquela fantasia exótica de folhas vivas e foi até ele ver de perto, também para aproveitar e tirar um sarro com a cara do pisciano.

Mais ao fundo do salão Shaka conversava com Mu acerca da ousadia das fantasias das bacantes, as quais deixavam seus corpos quase nus.

— Depois ainda me pergunta por que não venho a essas festas mundanas do Gêmeos. — disse Virgem dando um gole no segundo drink que tomava naquela noite.

— Elas estão acostumadas, Sha. Todos estamos na verdade. Não vejo nada de mais. — Mu respondeu sorridente.

— Hum... Mas deveria ver. — repreendeu Shaka.

— Sabe por que não vejo, Sha?

— Hum?

— Porque eu só tenho olhos para você, luz da minha vida. — disse Mu dando um selinho no virginiano que o fez corar imediatamente — Eu só enxergo você.

Shaka não conseguiu segurar um sorriso tímido que deixou escapar e baixou a cabeça para disfarçar.

— Está gostando da festa? — Mu perguntou — Eu pedi para incluírem no cardápio um monte de pratos vegetarianos para você.

— Sim, estou gostando sim, Mu. Não é o lugar que importa e sim a companhia. — disse o loiro, e segurando na mão do ariano a levou até o rosto e deu um beijo em seus dedos — Mas, bem que essas mulheres poderiam estar vestidas de maneira mais recatada, não é? E aquela ali? Por Buda, ela está de freira! Isso é herético.

Mu olhou na direção em que Shaka tinha seu rosto projetado, já que seus olhos estavam fechados, e viu Fúlvia, espantosamente toda coberta por num hábito de noviça legítimo que só deixava o rosto de fora.

— É a Fúlvia! — disse Áries dando uma risada descontraída, não acreditando no que seus olhos lhe mostravam — Ela é meio maluquinha, mas é uma boa moça.

— Então aquela é a tal Fúlvia... Se fosse boa moça não se insinuava a você como faz. Pensa que Shaka não sabe o que acontece dentro daquele antro de prevaricação? — disse o indiano com desdém.

— Ah! Eu sei! Eu sei que Shaka sabe! — Mu inclinou-se sorridente para frente e roubou outro selinho dos lábios do marido.

— Não faz isso aqui!

— Faço sim. Finalmente meu marido está me acompanhando pela primeira vez em uma confraternização e eu estou tão feliz que quero mais é que todos saibam e vejam. — riu dando outro beijo, agora na bochecha de Shaka, sendo acompanhado pelo virginiano que por fim sorriu envergonhado — Quer outro drink?

— Não sei se devo. Já tomei dois e eu nem bebo.

— Estamos numa festa. Relaxa, luz da minha vida! Esses drinks são fraquinhos, quase não têm álcool. Vou pegar mais um para nós. Já volto.

Áries tomou o caminho que levava até onde um aglomerado de garçons abastecia as bandejas com taças coloridas.

O salão já estava completamente lotado naquela altura da festa, mas um par de olhos atentos e curiosos enxergava apenas a figura do lemuriano desde que ele chegara ali.

Animada, Fúlvia chamou a atenção das outras bacantes que formando uma rodinha riam e cochichavam entre si encostadas no bar onde ficavam os drinks.

— Gente! Gente! — falou no idioma que agora era praticamente o adotado por todas, o grego — Olha! O Seu Mu! Ele está vindo para cá! — abriu um sorriso ansioso.

— Ah Fúlvia! Menos né! Calma ai. — respondeu com uma bufada de desânimo Ágatha, a bacante fantasiada de policial sexy.

— Ok, o seu plano deu certo, Fúlvia. Ele está vindo... A ideia de ficarmos perto do bar foi perfeita. — exclamou Rebeca que vestia uma roupa de diabinha que mal lhe cobria o corpo — E agora, gênia? Vai perguntar para ele se o casamento vai bem?

— Eu já avisei pra você mirar em outro alvo, Fúlvia. — resmungou Karina com os braços cruzados, enfastiada — O marido está aqui, e deve estar vendo esse seu fogo... O moço monge não perdoa, parece que não aprende! Quantas vezes o marido dele já te fez virar estátua nesses dois anos dessa sua paixão encubada pelo Seu Mu?

— E teve sorte de virar só estátua e não galinha. — disse Ághata aos risos.

— Eu heim! Você está cansada de saber que o monge é perigoso. Ele ainda vai te deixar toda dura de vez. Ou pior, vai te deixar frígida! Aí quero ver como você vai ter o seu ganha pão... — completou Karina enquanto ajeitava as asas graciosas de sua minúscula fantasia de fada, incomodada com a insistência da colega em nutrir aquela paixonite por um homem casado e gay ainda por cima.

— Vocês parem de vuduzar, como diria Afrodite, o meu lance com o Seu Mu. Nem foram tantas vezes assim que o marido dele nos pegou no flagra. — disse Fúlvia.

— Que flagra, ô iludida? — Rebeca deu uma gargalhada.

— Ah, anda! — disse Fúlvia eufórica — Ele está vindo! Minha roupa está legal? Meu véu está arrumadinho? — beliscou sucessivas vezes as maçãs do rosto para dar um aspecto mais corado e saudável ao seu semblante.

— O nome disso nem é véu, amiga. — Narjara, a ruiva de feições grossas e corpo voluptuoso, que se apertava dentro de uma fantasia minúscula de bombeira, referiu-se à fantasia de freira que a bacante vestia a qual era um verdadeiro escândalo ali no meio daquele grupo, destoando de todas as outras — E sim, pela enésima vez Fúlvia, não tem nenhum amarrotado.

— Até agora não entendi por que você escolheu justo essa fantasia para chamar a atenção do Seu Mu. Com tanta fantasia mais interessante lá no bordel você me comprou essa merda feia e que tapa tudo... Como quer que ele te note se você escondeu tudo, sua burra? — disse Ághata.

— Burra é você! — retrucou Fúlvia — Vocês ainda não entenderam a dinâmica do seu Mu? Ele é um moço correto, respeitador. Ele gosta de gente recatada e não de vulgaridade. Por isso que com tanta mulher bonita e homem gato nesse lugar ele casou justamente com um religioso. Resolvi mudar minha estratégia. Quer coisa mais recatada que uma noviça?

Karina olhou para a amiga, estupefata.

— Meu... Deus! — disse a fadinha loira.

— Ele chegou! Eu vou lá falar com ele. Karina anda, me deseja sorte fadinha. — disse Fúlvia chacoalhando as mãos de nervoso.

Com um suspiro resignado Karina pegou o saquinho de purpurina que trazia amarrado à cintura, enfiou a mão dentro e pegando um punhadinho salpicou sobre a cabeça da amiga, coberta pelo tecido grosso do hábito.

— Vai Fúlvia. Mas nem que eu enfie todo o pó de pirlimpimpim do mundo no seu rabo esse seu plano idiota daria algum fruto.

Enquanto Rebeca, Narjara, Ághata e até a própria Karina riam da amiga, o Santo de Áries, completamente alheio ao plano mirabolante da bacante, aproximou-se delas as cumprimentando com seu mais doce sorriso.

— Olá meninas. E então, estão gostando da festa?

— Oi seu Mu! — responderam todas em uma sincronia de dar inveja.

— Sim! Estou gostando muito! — respondeu depois a noviça, e como quem não quer nada pegou no braço do ariano, já que estavam muito perto.

— Que bom! E... eu estou reconhecendo essas fantasias heim! — disse o lemuriano fingindo desconfiança, depois abriu um largo sorriso, já que tinha sido ele mesmo quem encomendara aquelas peças, uma a uma, para repor o estoque do Templo das Bacantes.

— Com um monte de fantasias lá no bordel não valia a pena ir ao centro de Atenas comprar mais fantasias, não é mesmo? Ainda economizamos uma grana... Estou juntando para tirar minha cidadania portuguesa e sair da vida. — disse Rebeca, que tudo que mais almejava era deixar a prostituição e viver legalmente no país onde seus bisavós nasceram.

— Pois fizeram muito bem! — disse Mu, alegre em saber que bem ou mal aquelas garotas estavam enfim conseguindo pensar num futuro que não fosse apenas aquele ao qual foram submetidas desde que nasceram, tráfico humano, vícios, prostituição... Estavam ilegais na Grécia, já que vieram foragidas de zonas de guerra, mas nada nem ninguém as impedia de juntar dinheiro e sair do Templo das Bacantes quando quisessem — Estão certas em economizar o salário de vocês.

— E da minha fantasia, Seu Mu? O senhor gostou? — Fúlvia perguntou apertando mais o seu braço ao do lemuriano.

— Hum... Essa ai não fui eu que encomendei não! — sorriu — Até vi umas fantasias de freira no catálogo, mas tinham bem menos pano!

Áries ria descontraído. Não se incomodava mais com as investidas estranhas da moça, uma vez que sabia que no fundo aquela paixonite nada mais era que admiração ou desejo de deixar a vida de prostituta e constituir uma família.

— Por isso mesmo eu quis comprar uma nova. — disse Fúlvia aproveitando para jogar um charme — Eu não queria vir com nenhuma daquelas indecências. O senhor sabe que estou nessa vida por necessidade, mas que no fundo sou uma mulher recatada, religiosa e que preza pela moral e bons costumes.

— Sim eu sei, Fúlvia. — disse um gentil lemuriano, que fez questão de destacar que se referia a todas elas — Não só você, mas todas vocês são mulheres incríveis! A profissão de vocês é muito difícil, vista com muito preconceito e julgamento e eu as respeito muito por isso.

— Ah seu Mu, que fofo! — todas disseram num único coro de vozes manhosas.

— Mas, então... — Fúlvia logo quebrou o clima para voltar a questionar o lemuriano — Não me respondeu o que achou da minha fantasia.

— É... Bem, é diferente né? — disse o ariano.

— Não liga para ela não, Seu Mu. A mãe a deixou cair de cabeça quando era bebê. Só tem ideia besta. Uma festa para o pessoal do bordel e ela me vem vestida assim. — concluiu Agatha que livrava Mu de tentar arrumar uma resposta cordial.

Já cansada de toda aquela bobagem, Karina foi direto ao ponto do que realmente interessava ali, mudando totalmente o rumo da conversa.

— E então seu Mu, vai nos apresentar o seu marido? Faz dois anos que o senhor nos faz esperar para conhecer o moço monge, já que ele nunca veio nas festas. A gente tá curiosa.

— Ah, claro! Foi pensando nisso mesmo que quando vi vocês aqui vim para cá. Ele está ali. — apontou na direção onde Shaka o aguardava enquanto trocava algumas palavras com Afrodite — Vou pegar uma bebida e apresento vocês a ele. Me acompanham? — perguntou animado.

— Claro! — outro coro de vozes ditou a resposta imediata.

— A Fúlvia está louca para conhecer o seu marido, não é Fúlvia? — perguntou Ágatha que tentava segurar o riso, recebendo um olhar reprovador da colega.

— Sim! Eu adoraria conhecer o moço monge... O que vira morcego e deixa broxa os indecentes! — disse a última parte encarando os olhos de Ágatha.

— Vocês ainda acreditam nessas bobagens? Pela deusa! — Mu deu uma risada por conta de toda a mitologia que se criara em torno de Shaka — Vocês irão conhecê-lo e ver por si mesmas que ele não é nada disso. Muito pelo contrário, Shaka é um amor de pessoa. Só não se intimidem pelo semblante sério dele e por ele ser de poucas palavras. Ah, ele também não é muito de sorrir em público. Não se enganem, Shaka também está curioso para conhecê-las. Eu sempre falo de vocês e esta é uma ótima oportunidade para apresentar minhas colegas de trabalho. — disse já tomando a dianteira em direção a Shaka levando dois drinks nas mãos.

Quando chegaram, Áries se surpreendeu ao ver o virginiano conversando de modo tão descontraído com o Santo de Peixes. Os dois anos que se passaram fizeram bem à amizade deles, que agora conseguiam ao menos manter um diálogo por mais de cinco minutos sem começarem a implicar um com o outro.

— Oi Dido! — disse o lemuriano, que era escoltado praticamente por um séquito de beldades que se acotovelavam às suas costas — Uau! A Arena realmente virou Gothan City! — riu dando um tapinha nas costas do sueco.

— Veja, Mu! São de verdade! As folhas estão vivas! — Shaka disse puxando uma folha de um raminho que se torcia pelo braço do pisciano.

— Ain! — Afrodite contraiu os ombros, simulando sentir dor — Não me despetala, loirudo! Claro que estão vivas. Quem gosta de flor morta é amapô e defunto.

— Incrível! — disse o ariano entregando o drink ao Santo de Virgem — O Batman iria ficar gamado nessa Hera Venenosa! Pena que ele não veio, né Dido?

— Ah, quem disse que não veio? — disse Shaka apontando para o meio do salão onde Hyoga passava correndo chacoalhando a mini capa — A menos que o seu namorado seja um anão.

— Alôca! — Afrodite riu.

— Aquele é o filho do Camus! — Mu disse acompanhado Hyoga com os olhos pelo salão — Quem diria, não? Camus já tem um filho de quatro anos! Surpreendeu a todos... Ah! Sha, quero que conheça algumas das meninas que trabalham no Templo comigo. — deu dois passos para o lado abrindo a roda para que as garotas pudessem se aproximar — Essa é Karina...

— Com K! — Afrodite interrompeu — Karina com K.

— Sim, Karina com K, Rebeca, Ághata e Fúlvia. — continuou Mu.

— Fúlvia e eu já nos conhecemos bem, não é mesmo? — Virgem estendeu a mão para cumprimentar a bacante vestida de noviça, que apesar de intimidada e curiosa pelo fato de ele estar de olhos fechados apertou sua mão educadamente.

O que se seguiu foi uma série de apertos de mãos corteses e singelos sorrisos entre o virginiano e as garotas, desmistificando muitos dos boatos que foram criados em torno do misterioso monge que se casara com o gentil tesoureiro do Templo das Bacantes. Muito também do que Shaka pensava sobre aquelas garotas mudara após alguns bons minutos de conversa, onde o indiano pode perceber que apesar da vida mundana suas almas eram elevadas e puras, e que cada uma merecia o melhor do mundo e não o pior.

Incluiria seus nomes em suas sessões de meditação dali para frente, mandando vibrações positivas para que encontrassem o melhor caminho para suas vidas o mais breve possível.

Enquanto conversavam, Mu teve sua atenção capturada repentinamente pela movimentação que vinha de do meio do salão. Era Hyoga que aos risos corria de Geisty encarnada na personagem de sua fantasia, em uma nova perseguição.

Através de seus poderes lemurianos, Mu era capaz de perceber a aura de todos os presentes ali, e a de Hyoga era uma festa a seus olhos.

Um turbilhão de emoções passou a agitar o coração do ariano de forma súbita e descontrolada. Ver aquele garotinho encantador, exultante e eufórico como toda alma infantil tende a ser, de repente trouxe a tona sentimentos dos quais Mu havia há muito reprimido. Não apenas sentimentos, mas também certas obrigações das quais fora incumbindo quando ainda era treinado por Shion.

Preso de certa forma aquele conflito, o Santo de Áries agora analisava a aura da amazona quando uma nostalgia, um tanto quanto amarga, lhe fez sufocar um soluço.

Mu sentia emanar da aura de Geisty uma alegria pueril, que vibrava em ânsia enquanto buscava alcançar algo de que fora privada na vida. A própria infância, livre, sadia, sem cobranças ou responsabilidades.

A garantia de correr, de brincar, de sorrir ou se zangar... Todos os direitos que a infância garante às crianças, mas dos quais eles, cavaleiros e amazonas, foram privados devido aos treinamentos árduos.

Áries se lembrava nostálgico e orgulhoso de ter feito parte, mesmo que por um breve período, da infância de Geisty, no entanto essa lembrança também trouxe consigo antigas cobranças que havia deixado para trás.

Olhar para Hyoga era como ter o passado sussurrando em seus ouvidos, o fazendo se lembrar da missão que abdicara para viver seu amor com o cavaleiro de Virgem, lhe fazendo experimentar o amargo sabor da culpa pela primeira vez.

Mu ainda divagava quando Hyoga passou por si e em com um grito o despertou do transe:

Comissálio Godon! Peciso da sua ajuda!

Geisty vinha logo atrás, sorridente e vibrante.

Hãn-hãn, Morceguinho, nada disso! Nada de ajuda!

Ao passar por Mu, a amazona ergueu a gigantesca marreta inflável e bateu na cabeça do amigo.

— Ei! — Mu piscou assustado, depois caiu na risada.

— Pode continuar tirando o seu cochilo, Bigodudo. O Morceguinho hoje não me escapa! — disse Geisty soltando uma risada estridente e voltando a correr.

Mu, que adorava crianças, entrou mais uma vez no personagem e fingiu estar tonto com o golpe escondendo o rosto com uma das mãos enquanto cambaleava para os lados.

Aflito, Hyoga correu de volta até ele.

Oh não! Comissálio! — disse, depois se voltou para Geisty — Sua vilã malvada! Vou te pega!

Não! Socorro! — Geisty gritou, e agora ela era a perseguida pelo Homem Morcego em miniatura.

Os dois partiam em disparada pela festa sendo observados por Mu que ria com a brincadeira, e quando a corrida se inverteu novamente Geisty agarrou o pequeno Batman pela cintura o levantando no ar.

Te peguei Morceguinho! — dizia às gargalhadas girando o garotinho no ar — O que morceguinho faz?

Eufórico, Hyoga abriu os bracinhos esticando a capa da fantasia.

Voaaaa!

De pronto a amazona passou a girar mais rápido enquanto sorria, assistindo a alegria da criança que gargalhava sendo acompanhado por ela.

Porém, em determinado momento Geisty sentiu perder o chão sob seus pés e todo o mundo à sua volta escureceu e emudeceu, fazendo seu corpo perder as forças numa fração de segundos. A única coisa que conseguiu fazer antes de perder a consciência foi abraçar o menino junto a seu corpo e deixar que seus joelhos dobrassem, caindo sentada sobre as próprias pernas.

De longe Mu parou de rir imediatamente e já correu em disparada em socorro da amiga, chegando a tempo de apoiar suas costas antes dela se chocar com o chão.

— Geisty! Geisty você está bem? — perguntou Mu a aparando enquanto usava os seus dons raciais para examinar aura da amazona.

Hyoga, ainda no colo de Geisty se afastava confuso dos braços que escorregavam inertes desfazendo o abraço que o protegia.

Alequina? Alequina, levanta! — chamava pela amazona confuso — Comissálio Godon, ela domiu?

Acho que sim, Batman. Você a venceu pelo cansaço.

Mu tentava amenizar a situação e distrair o menino.

Batman, ainda temos muitos inimigos para colocar na prisão. Tome, leve a marreta gigante da Arlequina e tente prender os outros. Eu vou em seguida, vou colocar essa vilã em Arkhan primeiro.

Sim! — respondeu o garotinho pegando rapidamente a marreta inflável do chão e já correndo festa adentro arrastando o brinquedo que era quase duas vezes o seu tamanho.

Agora, sozinho com a amazona, Mu se concentrou para a ajudar a despertar.

Dava tapinhas leves no rosto pintado de branco enquanto a monitorava com seus dons. Sabia que ela estava bem, mas por algum motivo havia perdido de súbito a consciência.

Poucos minutos depois, Geisty enfim despertava mexendo a cabeça e piscando os olhos lentamente.

A primeira imagem que viu foi o rosto sereno, porém preocupado de Mu.

— Geisty? Está tudo bem? — perguntava o ariano em voz alta, já que estavam próximos às caixas de som da pista de dança.

— Hum. Mu? O que houve? Eu... eu estava correndo e de repente... ficou tudo escuro... — olhava em volta tentando se orientar.

— Você teve um desmaio.

— Ah... Minha deusa, que vexame! — disse constrangida — Estou, estou bem. Devo ter bebido demais, mas... Estou acostumada com o vinho. Ai, que vergonha porca Madonna!

Com certa dificuldade, a amazona se levantou sendo auxiliada pelo ariano.

— Com calma... Isso... Devagar. — disse Mu.

— Ai, meus joelhos! Estão doídos.

— Se apoie em mim.

Ao dizer isso o lemuriano passou o braço da morena sobre seus ombros e a segurou pela cintura, mas ao tocá-la especificamente no abdome notou algo incrível que lhe causou um assombro instantâneo e fez seu coração acelerar.

Mu nem conseguiu mais prestar atenção no que ela dizia quando um sorriso eufórico se desenhou em seus lábios ocultos pelo bigode.

— Fiquei rodando com o menino no colo, devo ter ficado tonta e...

— Geisty! — o ariano a interrompeu exaltado.

— Oi. — respondeu baixinho.

— Geisty pelos deuses! — deixou escapar um riso emocionado — Por que não me contou?

— Que? Contar? Contar o que? — ela perguntou cismada, mas o som estava tão alto que mal conseguia ouvir a voz do ariano, mesmo que ele estivesse praticamente gritando.

— Meus parabéns! Estou tão feliz por vocês e por essa dádiva que carrega dentro de si. Uma vida é um presente divino! — puxou a amazona para um abraço forte a pegando de surpresa — Parabéns minha amiga, a você e ao Saga.

Mu estava realmente emocionado.

Aquela noite estava sendo uma noite de muitas surpresas. Primeiro o filho de Aquário e agora mais uma criança estava a caminho.

Um pouco tonto pelos drinques que já havia tomado desde que chegara à festa, Áries tentava parabenizar e felicitar a amiga pela gravidez, mas a música alta além de atordoar a percepção da amazona que acabava de se recuperar de um desmaio, também a impedia de ouvir com clareza as palavras do ariano.

Geisty olhava para Mu e não entendia o motivo dele estar sorrindo e a abraçando.

Deduziu que ele deveria estar alto pela bebida assim como ela também estava, e por isso tivera aquele desmaio. Mu não deveria estar falando coisa com coisa, por isso mesmo o abraçou e passou a rir junto com ele, afinal, nesses casos o melhor a se fazer é concordar e acenar positivamente.

— Ah, tudo bem, Mu. Tudo bem. Estou bem. — falava com um sorriso e um olhar que tentava ser convincente enquanto balançava a cabeça em afirmação — Muito obrigada! Nós estamos indo bem... Saga e eu estamos muito bem. Só estamos tentando ser mais discretos na medida do possível.

Geisty achava que o lemuriano se referia ao seu namoro com Gêmeos, já que havia lhe confessado já há algum tempo, e era a isso que ela respondia.

— Ah sim, claro. Pelos deuses, podem confiar no meu sigilo, e contem comigo no que for preciso. — disse o ariano, afirmando o mal entendido.

— Ah, sim Mu, muito obrigada! Você é sempre um bom amigo! — falou Geisty dando um beijinho estalado na bochecha corada do amigo e já se afastando.

— Nada de beber mocinha! — Mu a aconselhou antes de lhe dar as costas para voltar a se junta a Shaka.

— Ah? Pode... deixar! — a moça respondeu rindo, sem entender o motivo daquele conselho, então caminhou em direção a Saga que lhe acenava da forma mais discreta que podia no meio da pista de dança.

Enquanto caminhava, Geisty falava consigo mesma: — Caspita, mas do que o Mu estava falando? Eu que desmaio e ele quem delira? Tem gente que não pode beber mesmo!

Continua...

Negrito— traduzido do francês.

Notas finais
SEGUREM SEUS FORNINHOSSS: O cap acabou mas a festa ainda não E TEM MUITA COISA PRA CONTECER AINDA MEU POVO. Como é muita coisa acontecendo nessa festa e o cap ficou gigante nós dividimos em duas partes e daqui a uns dias eu posto a parte dois. Não esqueçam de dar aquela forcinha com um comentário maroto, além de entrar no nosso grupo e acompanhar em outros sites (estamos postando no nyah, social e no ff. net e logo no AO3)