Notas iniciais
Pois é leitores, depois de um pouco mais de um mês morando no Templo de Virgem, e cerca de quase dois meses da tragédia ocorrida no Templo das Bacantes, Geisty voltará a pisar na sua casa, o Templo de Gêmeos, e sozinha. Será que isso vai dar certo? Será que a amazona de Serpente mesmo astuta como é não se colocará em perigo com essa ousadia? Pois Saga, seu amado cavaleiro e marido não é mais quem era e sim um ser que o ódio é o principal sentimento em seu coração, pelo menos é o que todo julgam... Vamos torcer pela nossa italiana para que dê tudo certo e boa leitura!

Tudo que precisava estava bem ali pertinho, em sua casa... Só precisava ir até lá; no Templo de Gêmeos.

E era isso que faria.

***

Ponderou por um momento, já que não tinha a menor intenção de se deparar com o marido, ou com aquilo que tomara conta do corpo de Saga, então sentou-se na cama e com seu Cosmo fez uma vasculha rápida atrás do Cosmo do Patriarca. Não sentiu sua presença em nenhum ponto do Monte Zodiacal, o que por um instante achou deveras estranho, já que não era de praxe o Grande Mestre se ausentar de seu posto às altas horas da noite. Contudo, o que não era estranho vindo dele?

Sem mais pensar decidiu descer até o Terceiro Templo.

Geisty atravessou silenciosamente a sala, onde Mu encolhido no sofá ressonava baixinho em meio a resmungos inconscientes, e dirigiu-se para fora. Com certa pressa e o coração aos pulos descia as escadas consciente de que sua ação a colocava em risco, mas precisava ir até lá, e precisava ir sozinha.

Assim que chegou aos fundos do Templo de Gêmeos deteve seus passos enquanto olhava para as colunas milenares diante de si com um aperto no peito, ainda incrédula com o quê sua vida se tornara da noite para o dia.

Mesmo seu coração lhe pedindo para que fosse poupado de reviver aquelas lembranças ela avançou. Seus instintos no entanto agiam para preserva-la do perigo e faziam seus pés caminharem rápido corredor adentro para que executasse a tarefa na mesma ligeireza e saísse dali o quanto antes.

A medida em que avançava para dentro da área residencial aspirava o ar que circulava carregado do aroma que lhe era tão familiar, o qual já sentia saudades embora breve era o tempo em que não vivia mais ali, mas não se permitiu abstrair-se com devaneios vãos e apressada avançou cortando a sala de jantar às pressas em direção ao quarto que antes dividia com o marido. Após uma rápida busca encontrou tudo o que precisava, um vestido de tecido leve, maiô, canga, óculos de sol, sandálias baixas, chapéu de praia e uma bolsa de palha ampla e de fino gosto na qual enfiou tudo afoita. O tempo todo lutava para não se ater a analisar aos detalhes daquele quarto, mas fora praticamente impossível não notar que este estava exatamente do mesmo jeito que o havia deixado, até a roupa de cama era a mesma da última noite em que dormira ali com Saga.

Saga...

Sentia tanta falta do geminiano... Inevitavelmente pensava nele dia e noite, e por mais que tentasse desviar o foco seus pensamentos acabavam se voltando para seu amado cavaleiro e no que deveria estar acontecendo no interior de sua mente.

Num rompante de lucidez espantou de sua mente os pensamentos nostálgicos. Precisava sair logo dali. A passos apressados deixou o cômodo fechando a porta atrás de si, mas assim que tomou o corredor algo chamou sua atenção.

Havia alguma coisa diferente naquele trecho. Podia ser apenas impressão, de fato era normal estar impressionada visto que era a primeira vez que caminhava por aquele corredor depois do ocorrido, da desgraça que se abatera sobre sua família, mas quem sabe era sua intuição querendo lhe dizer algo, por isso seguiu por aquele caminho reduzindo a velocidade dos passos até que atentos seus olhos fitaram a porta de madeira fechada que selava o cômodo ao lado.

Aquele seria o quarto de seus filhos.

Sentiu um aperto na garganta que acompanhou um lamento, então surpresa pensou estar sentindo um aroma delicado e aconchegante de lavanda e cedro recém cortado.

Franziu o cenho incrédula consigo mesma. Talvez estivesse sofrendo um delírio olfativo, pois como bem se lembrava o quarto dos seus bebês ainda constava apenas no plano hipotético, nada havia sido feito, e o cômodo certamente estava vazio.

Mesmo convicta de que delirava, curiosa Geisty resolveu dispersar de vez aquela intuição tão controversa e aproximou-se da porta, então outra vez algo lhe chamou a atenção: A ausência do eco.

Os doze Templos construídos naquele monte eram gigantescos colossos de pedra e mármore, com uma distância imensa entre a base e o teto, portanto se recordava de que sempre ao passar em frente aquela porta podia ouvir som dos próprios passos a ecoarem do lado de dentro do cômodo, mas agora não mais.

Sentiu um frio lhe percorrer a espinha ao mesmo tempo em que o aroma de lavanda e cedro se mostrou mais evidente naquele ponto, há centímetros da porta, então segurou na maçaneta e exultante a girou.

Seu coração batia tão rápido e forte que a respiração se tornara pesada, e foi com uma mistura de ânsia e medo que abriu lentamente a porta vendo a luz do luar que invadia o recinto com seu véu de prata ao entrar pela janela lhe revelar uma cena que nem em seus sonhos mais íntimos e insanos imaginou conseguir reproduzir. Não depois de tudo que acontecera.

Ali seu coração que antes rugia dentro do peito parecia ter parado de bater.

Diante de seus olhos perplexos estava o quarto de seus filhos, completamente decorado em minuciosos detalhes; móveis de madeira branca delicadamente talhadas, gaveteiro, armário, trocador e dois berços, paredes pintadas em um tom de azul pacífico como o do céu mais límpido de verão, duas poltronas de estofado estampado nos mesmos tons, e o aroma de lavanda e cedro... este agora invadia-lhe bruto sem pedir licença através das narinas e boca que se abria em um suspiro de surpresa. Em choque, os pés da amazona passaram a coordenar sozinhos sua caminhada, e enquanto pisava num felpudo tapete azul clarinho corria os olhos marejados por cada detalhe, até fitar alguns pacotes de presentes cuidadosamente embrulhados espalhados pelo chão. Apesar da penumbra a luz do luar lhe permitiu ver que cada um trazia junto um cartão de felicitações ao pais e aos bebês. Reconheceu facilmente alguns dos nomes de seus amigos que vinham impressos neles. Sufocou um soluço. Um nó amargo lhe apertava a garganta e sentia a visão se tornar turva.

Caminhou languida até o armário e correu os dedos nos entalhes da madeira os reconhecendo de imediato, era o que havia escolhido nas revistas de decoração que Saga lhe trazia.

Colocou a mão no coração o sentindo tão apertado quanto a garganta, e suas lágrimas tornaram-se ainda mais abundantes ao se dar conta de que Saga, com seu infinito amor e dedicação, havia se antecipado e montado o quartinho exatamente como havia escolhido.

Aos prantos abriu as portas do armário logo se deparando com cada pecinha devidamente arrumada em cabides delicados. Era dali que brotava o cheiro de lavanda.

Perdeu alguns minutos correndo as mãos pelas pequenas roupinhas enquanto chorava em desalento e se perguntava como não havia notado toda a movimentação em torno da arrumação de tudo aquilo. Como não percebera? Foi até os berços e tocou os luxuosos mosquiteiros que balançavam junto dos móbiles ornamentados com pequenos seres marítimos devido à brisa que entrava pela janela encostada.

Com um pavor que súbito lhe gelara a alma e as entranhas olhou para baixo e sentiu o golpe cruel de ver os berços vazios. Jamais teria a chance de debruçar-se sobre eles e ver seus amados filhos ressonando ali.

Fechou os olhos apertando tão firme as pálpebras quanto suas mãos apertavam a madeira do móvel e se permitiu soltar um soluço sofrido, e só quando voltou a abri-los momentos depois foi que percebeu que havia ali, enrolada dentro de um dos berços, uma faixa colorida. A tomou nas mãos e cuidadosamente a desenrolou lendo seus dizeres: “Feliz aniversário mamãe!”

Apertou a faixa com força contra o peito, e nessa hora seus joelhos fraquejaram e ela escorregou até o chão escorando-se no móvel até cair sentada. Ali entregou-se a um choro convulso e desesperado que balançava seu corpo com violência.

Tudo que havia ali, todo aquele cuidado e carinho, ela só poderia atribuir a Saga. Ele havia comprado as revistas, ele havia lhe dito para escolher o quarto que quisesse, e somente ele poderia ter feito tudo com cada riqueza de detalhes. Por isso ele insistia para que escolhesse logo, para que tivesse tempo de providenciar tudo antes de seu aniversário.

Uma dor profunda corroía o coração da amazona, pois era como se ela pudesse ver o marido arrumando cada brinquedo, cada pecinha de roupa minúscula nos cabides com um sorriso no rosto para surpreendê-la na fatídica noite em que tudo mudara... a noite de seu aniversário... quando a Vory v Zakone tomou de seus braços e dos de Saga a felicidade que tanto sonharam para suas vidas.

Curvada, abraçada aos joelhos, sentia um vazio absurdo lhe consumir por dentro ao mesmo tempo em que revivia aquela noite, e depois quando soube da morte de seus bebês. Uma dor infinita e insustentável.

Sem que percebesse seu Cosmo se desestabilizara e a tristeza contida nele foi sentida longe dali, na Sexta Casa Zodiacal, o que fez Mu despertar no ato e de pronto descer para a Casa de Gêmeos, de onde sentia o Cosmo da amazona.

Agora, de pé na entrada da Casa de Virgem, de frente para a escadaria e olhando atento para as casas abaixo o Santo de Áries fazia contato telepático com a amiga.

“Geisty?... Você... Você está bem?”

Alguns segundos de silêncio... então ela respondeu usando o elo telepático que ele firmara consigo.

“Não muito... Mas eu vou ficar.”

Mesmo à distância o lemuriano conseguia perceber a mente confusa e entristecida da amazona.

“Quer que eu vá até aí?”

“Não. Eu... preciso ficar sozinha... Pelo menos um pouco sozinha. Depois eu te explico.”

Mu suspeitava do que poderia ter acontecido e por isso a entendia perfeitamente, até mesmo mais do que gostaria, e resignado concordou:

“Está bem. Se precisar de ajuda por favor me chame imediatamente. Combinado?”

O silêncio da amazona foi recebido como uma resposta positiva. Deveria dar esse momento de privacidade à Geisty para que assim ela pudesse talvez tentar pôr em ordem seus sentimentos e viver o luto, por mais penoso que este fosse.

No entanto o Cosmo de Serpente não era sentido apenas pelo lemuriano.

Mais um cavaleiro o sentia. Na verdade desde que ela entrara ali.

Da estrada principal que ligava Atenas à Rodório o guardião da Terceira Casa percebera a presença da amazona assim que ela pisou em sua morada, o colocando em alerta.

Geisty ainda se manteve por longos minutos na mesma posição, abraçada à faixa de aniversário. Em sua mente montava todo o quebra cabeça com as informações que conseguia puxar por sua memória e agora sabia que o marido havia planejado tudo em segredo junto dos amigos, provavelmente Mu e Afrodite, para lhe fazer uma surpresa. Deslizou os dedos nos dizeres da faixa. Era o único item ali que faltara ser posto na decoração, provavelmente porque Saga precisou sair em missão para selar a divindade Asteca no México.

Em sua cabeça a voz do geminiano pelo telefone ainda se repetia em ecos com a promessa de lhe dar um beijo ainda naquela noite... Promessa esta que não se cumprira.

Como poderia julgar o homem que amava quando este sucumbiu diante do desespero de perder a mulher que amava e os filhos? Era o que ela agora se perguntava quando de repente percebeu uma presença ali, que se aproximava a passos silenciosos.

Geisty sentiu os cabelos da nuca se arrepiarem, mas diferente da visita anterior do Patriarca à Casa de Virgem, desta vez a presença dele não lhe parecia opressora, porém ainda assim em nada se assemelhava ao Cosmo acolhedor de seu amado marido.

De pé Gêmeos parou em frente à porta, e ele agora olhava para ela no chão como quem vislumbra uma aparição rara, quase mítica. A luz do luar iluminava seus longos cabelos negros enquanto ela se mantinha imóvel, mal respirava.

Sentiu um ímpeto tresloucado de se aproximar dela, seu Cosmo, ou alguma outra coisa que ainda não sabia identificar o quê, clamava por ela, mas a debilidade e tristeza que emanavam de seu Cosmo o impediram de avançar. Ela parecia tão frágil...

Mesmo curioso para se aproximar e pôr um basta naquela dúvida que o corroía por dias Gêmeos sentia não ser capaz de sequer atravessar o batente da porta, parecia estar fixo ao chão. A mesma força que antes clamava pela amazona agora o impedia de se mover, mas mesmo de longe sentiu o Cosmo que dividia com Saga manifestar-se após dias adormecido. Talvez aquilo já era uma resposta.

Por mais estranho que lhe pudesse parecer desejou que ela o olhasse nos olhos.

E parecia que Geisty havia escutado o desejo mudo do Patriarca.

Desde que o percebera ali a observando suas lágrimas secaram e sentiu vontade de olhar em seus olhos jades e buscar neles algum vestígio, qualquer que fosse, do homem que amava, então munindo-se de coragem virou-se para trás encarando a figura vestida em um fino terno negro parada na porta em meio à penumbra que lhe devolvia um olhar estático.

Os segundos se arrastaram como eras enquanto fitavam um ao outro.

Sem desviar a atenção dele Serpente se levantou do chão abandonando no berço a fita que segurava, então caminhou lento e firme em direção a ele, até que faltando dois passos para alcança-lo ela parou.

Ali, um diante do outro e sozinhos, puderam enfim se analisar com calma sem intromissões.

Sentir o olhar da amazona sobre si era para Gêmeos incômodo, mas não tanto quanto a resignação que lhe consumia.

Não conseguiu reagir, tampouco articular qualquer palavra que fosse. Justo ele, intempestivo como era, estava mudo.

Nem mesmo odiá-la se sentia mais capaz.

Como é dito que os olhos são as janelas da alma, Geisty usava os seus para procurar dentro dos dele algum traço de Saga.

Em vão.

Soltou um suspiro silencioso e derrocado.

Não havia um só traço visível de seu amado cavaleiro naquele olhar duro e vazio.

Continuar ali, além de massacrante seria apenas colocar sua segurança em risco, portanto sem dizer uma palavra avançou desviando do cavaleiro, que também calado lhe dera passagem.

Geisty apanhou a bolsa de palha que largara na porta e seguiu pelo corredor escuro sendo observada pelo Patriarca até que fosse engolida pela penumbra.

Ao alcançar a saída da Casa de Gêmeos qual não foi a surpresa da italiana ao se deparar com Mu ali, de pé, vestindo pijama, crocs e com os cabelos desalinhados em um coque frouxo, visivelmente apreensivo a estalar os dedos.

— Mu! O que está fazendo aqui? — ela perguntou apressando o passo até ele.

— Senti quando ele chegou e achei melhor ficar por perto... você está bem? — cochichou o lemuriano olhando desconfiado para ela.

— Na medida do possível sim. — Geisty respondeu desanimada.

— Você o viu? Falou com ele?

— O vi... mas não falei com ele.

— E como foi?... Digo... como foi vê-lo depois de... — procurava as palavras, mas não as encontrava, então Geisty adiantou-se o poupando.

— Triste. Tinha já me esquecido do quão... horrível é olhar para aquele rosto. — disse. Agora subiam as escadarias lado a lado.

— Ele te ameaçou? Te tratou mal? Você se sentiu em perigo?

— Não. — ela respondeu firme trocando um olhar surpreso com o lemuriano quando pararam de andar — Ele na verdade não disse nada, não fez nada... Apenas me olhou e parecia... confuso. Sim, era isso! Ele parecia surpreso e confuso em me ver ali... Eu confesso que esperava uma reação bem diferente, até estava pronta para um possível confronto ou ameaça, como já tivemos anos antes, mas dessa vez percebi apenas resignação e... dúvida, receio talvez, mas não me senti necessariamente em perigo. — fez uma pausa e concluiu tristonha: — Não consegui enxergar nenhum traço dele naqueles olhos frios, do meu Saga.

— Mas ele está lá. — disse Mu — Eu posso dizer porque o senti. Não nos olhos, como você, nestes também não o encontrei, mas quando nos enfrentamos no Décimo Terceiro Templo eu senti nitidamente que Saga nos poupou de uma tragédia. Não podemos perder a fé. — puxou a amazona para um meio abraço confortando-lhe a cabeça em seu ombro.

— Eu sei... — disse Geisty com a voz embargada — Eu vi o quarto dos nossos bebês.

Mu lançou um olhar tristonho para amiga.

— Você achou...

— Sim, eu achei. — Geisty respondeu em meio a um soluço encarando o amigo — Você sabia, não é?

— Sabia... Shaka também. Ele mesmo separou, lavou e mandou diversas roupinhas que não serviam mais em Kiki para dar a vocês. Eu não contei nada para te poupar, mas uma hora ou outra você acabaria vendo. Saga pediu ajuda a mim e a Afrodite. Seria uma surpresa para o dia do seu aniversário. Ele fez tudo escondido e com muito cuidado para que você não descobrisse... me pediu para ir até Atenas comprar exatamente tudo que você havia escolhido nas revistas e esconder em Áries para que não suspeitasse de nada. Na véspera montamos os móveis e no dia do seu aniversário Afrodite precisaria segurá-la no bordel até que ele voltasse da missão... Ele arrumou tudo, cada detalhe, sozinho antes de partir para o México... — o lemuriano amparou a amiga em um abraço permitindo que ela chorasse e concluiu com voz embargada: — Eu sinto muito, Geisty... Sinto tanto que tudo tenha se encaminhado assim, mas não é o fim... Você não está sozinha, e quando Saga voltar estaremos todos aqui para recebe-lo.

Já mais calma Geisty desvencilhou-se devagar do abraço do ariano enxugando o rosto com as mãos.

— Sim, não vou desistir... Eu prometi a ele que iria ajuda-lo, mesmo que fosse para resgatá-lo de si mesmo. — deu um sorriso fraco para o lemuriano e laçou seu braço tencionando a voltar a caminhar morro acima — Vamos, precisamos voltar.

— Sim, vamos. Ou daqui a pouco aquela praga loira vem buzinar nos meus miolos, Mu de Árieeees, onde você está? — remedou Shaka forçando um sotaque indiano carregado idêntico ao dele que arrancou um riso ainda fraco da amiga — Falando no diabo loiro, eu nunca que vou perdoa-lo por ele nos ter feito perder aquela luta, perder aquele acontecimento!... Pelos deuses, quando é que vamos presenciar canibalismo de novo em um ringue? E ao vivo!

Mas antes que a amazona pudesse responder ele emendou.

— Nunca! Nunca mais na história desse esporte... Ah, mas o que o Shaka me fez dessa vez não tem perdão! — disse aos cochichos para não acordar o próximo vizinho, com o rosto corado de raiva enquanto subiam as escadas.

***

Enquanto isso, na Terceira Casa assim que a amazona se retirou e se viu finalmente sozinho diante do quarto decorado dos filhos Gêmeos caminhou até uma das poltronas e se sentou, taciturno e calado.

Desde que tudo acontecera era a primeira vez que entrava ali, e agora parecia viver a dor da perda de forma visceral.

Todo aquele ambiente que antes havia sido projetado em plena alegria por Saga se transformara agora na edificação de sua tristeza, e de repente se deu conta, surpreso, desse fato. Estava triste.

Jamais havia experimentado aquilo antes, não como experimentava agora. O vazio que consumia-lhe o peito em dor.

Corria os olhos desgastados pelo cômodo, então se levantou e foi até o armário que ainda estava aberto. Fechou as portas, mas não sem antes fitar as diminutas peças organizadas ali dentro.

Estranhamente não sentia mais ódio pela perda dos filhos, mas um sentimento forte de derrota.

Ao dar meia volta e seguir para fora do cômodo dirigiu um último olhar para dentro, para os berços vazios. Aquele quarto tornara-se o símbolo dos sonhos destruídos de Saga. O deixaria ali, como estava. Seria um lembrete para jamais baixar a guarda novamente.

Fechou a porta lentamente sentindo o coração se apertar em uma fisgada profunda e dolorosa, então espalmou a mão na madeira fria e por fim girou a chave a trancando, assim como faria com aquela memória no mais fundo de sua mente.

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Nosso grupo no face "Fics trio ternura"

Tumblr da Rosenrot com várias fanarts da fic